Ilhas Selvagens

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Ilhas Selvagens
Selvagens.png
Mapa das Ilhas Selvagens
30° 04′ N 15° 56′ W
Geografia física
País  Portugal
Localização , Funchal
Arquipélago Madeira
Ponto culminante 163 m
Área 2,73  km²
Selvagem Pequena - 1ago04.jpg
Selvagem Pequena

As Ilhas Selvagens são um subarquipélago do arquipélago da Madeira, Portugal, localizado no Oceano Atlântico. Administrativamente, fazem parte da freguesia da , concelho do Funchal, Região Autónoma da Madeira. Situam-se a 165 quilómetros a norte da arquipélago espanhol das Canárias, a 250 quilómetros ao sul da cidade do Funchal (Madeira), a cerca de 250 quilómetros a oeste da costa africana, a cerca de 1000 quilómetros a sudoeste do continente europeu. As Selvagens são constituídas por duas ilhas principais e várias ilhotas, que, tal como quase todas as ilhas da Macaronésia, têm origem vulcânica. O arquipélago é um santuário para aves, é muito agreste e tem uma área total de 273 hectares.

Actualmente existem apenas dois habitantes permanentes na Selvagem Grande e dois semi-permanentes na Selvagem Pequena, guardas do Parque Natural da Madeira, sendo também visitada periodicamente por pessoal da Armada Portuguesa ao serviço da Direção de Faróis. Para além disso, a Selvagem Grande é habitada várias vezes por ano pela família Zino, do Funchal, que lá possui uma casa.

O Estado Espanhol tem insistido em que a delimitação da Zona Económica Exclusiva (200 milhas náuticas) se faça ignorando as Selvagens, ao considerá-las como rochas, enquanto que o Estado Português insiste na sua classificação como ilhas, ampliando assim a Zona Económica Exclusiva (ZEE) portuguesa.

Apesar de serem remotas e isoladas, as ilhas já receberam visitas oficiais de três presidentes da República Portuguesa, Mário Soares, Jorge Sampaio e Cavaco Silva, sendo este o primeiro presidente a pernoitar numa das ilhas (Selvagem Grande) na noite de 18 para 19 de Julho de 2013, actos de soberania que visaram reforçar a identidade e solidariedade nacionais e evidenciar o seu estatuto como reserva natural nacional. A Reserva Natural das Ilhas Selvagens (que integra o Parque Natural da Madeira) foi criada em 1971, sendo uma das mais antigas reservas naturais de Portugal.

Em 2014 foi defendida em Portugal a primeira tese de doutoramento sobre as Ilhas Selvagens, na área de Políticas Públicas, dissertação intitulada "A importância das ilhas no quadro das políticas e do direito do mar – o caso das Selvagens", da autoria de Pedro Quartin Graça Simão José, professor auxiliar no ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa.

O arquipélago[editar | editar código-fonte]

Fotografia aérea do grupo nordeste, incluindo a Selvagem Grande
Fotografia aérea do grupo sudoeste, incluindo a Selvagem Pequena

O arquipélago consiste em dois grupos. O grupo nordeste compreende a "Ilha Selvagem Grande" e três pequenas ilhotas, "Palheiro da Terra", "Palheiro do Mar" e "Sinho". O grupo sudoeste compreende a "Ilha Selvagem Pequena" e o "Ilhéu de Fora" entre numerosos ilhéus mais pequenos que incluem o "Alto", o "Comprido", o "Redondo", "Pequeno", "Grande", "Ilhéu do Sul" e o pequeno grupo dos "Ilhéus do Norte". Uma extensa barreira de recifes circunda o arquipélago e torna difícil ancorar nas costas das ilhas.

As ilhas Selvagem Grande e Selvagem Pequena distam 15 quilómetros uma da outra. Existem dois países mais pequenos em área que as Selvagens: o Vaticano (44 hectares) e Mónaco (195 hectares).

Temperatura e ambiente[editar | editar código-fonte]

Cagarra na Selvagem Pequena no ninho.

As temperaturas das Ilhas Selvagens excedem as da Ilha da Madeira e a temperatura do mar permanece confortável durante todo o ano. O oceanógrafo francês Jacques-Yves Cousteau afirmou que ali encontrara as águas mais limpas do mundo. Em 2003 as ilhas foram seleccionadas para serem candidatas nacionais para Património Mundial da UNESCO. O seu acesso é restrito, devendo os candidatos a seus visitantes requerer previamente uma autorização especial passada pelo Parque Natural da Madeira.

Na Selvagem Grande existe a chamada Casa do Governo, a electricidade provém de painéis solares e a água das chuvas é guardada em grandes cisternas, permitindo enfrentar secas que podem durar três anos.

História[editar | editar código-fonte]

Monumento na cidade da Praia, em honra de Diogo Gomes, que baptizou as Selvagens
Distâncias entre os dois arquipélagos face às ilhas Selvagens

As Ilhas Selvagens foram assim baptizadas em 1438 por Diogo Gomes de Sintra e terão sido descobertas pelos irmãos Pizzigani em 1364. No século XVI, as Selvagens pertenciam aos Caiados, importante família madeirense, sendo doadas a João Cabral de Noronha em 1560 pelo cónego Manuel Ferreira, descendente dos Caiados.

Século XX[editar | editar código-fonte]

Em 1904, as ilhas foram vendidas à família do banqueiro Rocha Machado.

Em Setembro de 1911, o Governo espanhol enviou uma nota ao Governo português comunicando que deliberara incorporar as Selvagens no arquipélago das Canárias e que ia montar nas ilhas um farol. A administração portuguesa protestou e foi acordado não praticar quaisquer actos que pudessem comprometer uma solução amigável da questão. Em 1938, a Comissão Permanente de Direito Marítimo Internacional confirmou a soberania portuguesa das ilhas que, em 1959, despertaram o interesse da World Wildlife Fund (WWF), levando-a a assinar um contrato de promessa de compra com o herdeiro Luís Rocha Machado.

Em 1971, o Estado Português interveio e adquiriu as Ilhas Selvagens, instituindo, nesse mesmo ano, a Reserva Natural das Ilhas Selvagens, o que lhe permitiu impedir a caça excessiva nas ilhas (que quase levou ao desaparecimento da cagarra) e controlar mais efectivamente a pesca ilegal. No ano seguinte foram apreendidas, nas ilhas, duas embarcações de pesca espanholas. Em 1975, aproveitando a turbulência política em Portugal, espanhóis das Canárias desembarcaram na Selvagem Grande e hastearam uma bandeira espanhola, embora a título absolutamente privado e sem qualquer apoio do Governo espanhol. No ano seguinte, foi apreendida a embarcação espanhola "Ecce Homo Divino" e, dois anos depois, foram apresados, também por pesca ilegal, outros barcos de frota espanhola. Também no que respeita ao controlo do espaço aéreo, houve ao longo dos anos alguns pequenos incidentes, sempre relacionados com voos efectuados por aviões espanhóis sobre a reserva natural abaixo da altitude acordada com o Governo português. Após alguns desses voos por caças da Força Aérea Espanhola, em 1996, um helicóptero Puma AS-330 simulou uma aterragem na Selvagem Grande, levando a queixas formais por parte do Governo português e pedidos de desculpa por parte de Espanha. No ano seguinte, novos voos a baixa altitude de aviões militares espanhóis tiveram como consequência a chamada do embaixador espanhol Raúl Morodo ao Ministério dos Negócios Estrangeiros português.[1]

Século XXI[editar | editar código-fonte]

  • 2005 - em 23 de Junho, quatro barcos de pesca espanhóis foram detidos 28 milhas náuticas (52 km, 32 mi) ao sul das ilhas. Poucos dias depois, em 8 de Julho, um biólogo e um dos guardas de reservas naturais na Ilha Selvagem Grande foram ameaçados com uma faca e arpões de pesca subaquática por um grupo de pescadores espanhóis. Um grupo de dez fuzileiros portugueses foi então colocado na ilha por um mês para pôr fim à caça ilegal de espécies protegidas.
  • 2007 - em Junho, uma pesquisa espanhola e de resgate de avião sobrevoava as ilhas de baixa altitude, levando o Ministério Português do ambiente a entrar em contacto com o seu homólogo espanhol sobre o assunto.[2]
  • 2013 - em 5 de Julho, a Espanha envia carta reclamando oficialmente às Nações Unidas que as Ilhas Selvagens são de facto apenas rochas e não pertencem a Portugal.[3]
  • 2013 - em 18 de Julho, o Presidente de Portugal, Aníbal Cavaco Silva, com o Presidente do Governo da Madeira, Alberto João Jardim, o Presidente da Câmara do Funchal e o Presidente da Junta da Sé chegaram às ilhas a bordo da fragata portuguesa "Vasco da Gama" para visitar e permanecer nas ilhas, como parte de uma excursão para atender os moradores e funcionários lá instalados. Aníbal Cavaco Silva tornou-se o primeiro Presidente a pernoitar nas ilhas, já que os ex-presidentes Mário Soares e Jorge Sampaio visitaram somente por algumas horas.[4]

Referências

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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