Arzila (Marrocos)
Arzila (em francês: Asilah; em árabe: أصيلة; transl.: Aṣīla) é uma cidade que se localiza na costa atlântica do norte de Marrocos, na África.
Foi uma possessão Portuguesa entre 1471 e 1550 e, novamente, entre 1577 e 1589.
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História [editar]
Como parte da política de expansão ultramarina portuguesa, foi conquistada por Afonso V de Portugal (1438-1481), com uma poderosa armada (477 navios e 30 mil homens), a 24 de Agosto de 1471. Este episódio está ilustrado em três das chamadas Tapeçarias de Pastrana.
Em 1520 Manuel I de Portugal criou a feitoria de Arzila, e:
- "(...) mandou para ela muitas mercadorias, como panos, lenços, sedas, barretes, que era o que consumia a nossa gente e de que se pagavam os servidores dos lugares do norte do Algarve de além-mar. Mandou também outra espécie de mercadorias, que as cáfilas de mouros e judeus vinham comprar à vila, tais como lácar, alaquecas, bordates e especiarias. Desta feitoria fez el-rei feitor Francisco Ribeiro, almoxarife dos mantimentos em Arzila neste tempo. Para escrivão nomeou Tomé Rodrigues, moço da sua câmara, e para provedor João Queimado, irmão de Vasco Queimado, feitor da Casa da Índia. A esta feitoria deu uma filial em Fez e fez seu feitor (...) Francisco Gonçalves, e escrivão dela Sancho Rebêlo, seu moço da câmara. Ele podia levar da feitoria de Arzila as mercadorias que lhe parecesse que se venderiam naquela cidade, como lácar, alaquecas, bordates etc., e da sua venda tirasse três por cento para si."1
Para a sua defesa, o soberano criou a chamada Esquadra do Estreito.
Tal como a Tânger, Arzila recebeu famílias judias espanholas após 1490, para ali direcionadas pela Coroa Portuguesa, com o fim de colonização.
A partir de 1509, a sua fortificação foi ampliada e reforçada, com traça de Diogo Boitaca, que reconstruiu a alcáçova e a cerca amuralhada de seu porto, combinando elementos arquitetônicos tradicionais como a torre de menagem e a couraçada, com outros mais evoluídos, como os baluartes com canhoneiras da "Porta da Vila" e o da "Pata da Aranha".
A praça foi abandonada pelas forças portuguesas em 1550, após a conquista de Fez pelo Xarife saadiano Mohammed ech-Cheikh, em 31 de Janeiro de 1549. Marrocos ficava agora unificado dobaixo do domínio de um só soberano, e a Praça-forte não poderia lutar muito tempo contra ele, segundo o rei D. João III, que preferiu guardar apenas Ceuta e Tânger.
Foi novamente ocupada de 1577 a 1589, na sequencia do desembarque de D. Sebastião para a falhada conquista de Marrocos.
Património edificado [editar]
Em termos de património edificado, a cidade conserva diversos vestígios da ocupação portuguesa, nomeadamente da sua fortificação como as muralhas, baluartes, a Torre de Menagem e o fosso. Sobre a chamada "Porta da Terra", encontra-se ainda o brasão de armas de Portugal.
A torre de menagem de Arzila sofreu recente intervenção de restauro com a interveniência da Fundação Calouste Gulbenkian.
Governadores portugueses [editar]
- 1471 - 1480 - Henrique de Meneses
- 1480 - 1482 - Lopo Dias de Azevedo
- 1482 - 1486 - João de Meneses, 1° conde de Tarouca
- 1486 (28 de agosto) - 1490 - Álvaro de Faria
- 1490 - 1501 - D. Vasco Coutinho, Conde de Borba e Conde de Redondo, (primeira vez)
- 1495 - D. Rodrigo Coutinho sobrinho de Vasco (interino)
- 1495 - D. João de Meneses (interino)
- 1495 -1501 - D. Vasco Coutinho, Conde de Borba e Conde de Redondo, de facto
- 1501 -1502 - D. João Coutinho, conde de Redondo (interino)
- 1502 (9 de janeiro) - 1505 - D. João de Meneses (segunda vez)
- 1505 - 1514 - D. Vasco Coutinho, Conde de Borba e Conde de Redondo (segunda vez)
- 1514 - 1524 - D. João Coutinho, conde de Redondo, (primeira vez)
- 1523 (abril) - 1523 (junho) - D. Manuel de Meneses (interino)
- 1524 - 1529 (outubro) - António da Silveira
- 1529 (outubro) - 1539 - D. João Coutinho, conde de Redondo (segunda vez)
- 1539 - 1547 - Manuel Mascarenhas
- 1547 - 1549/50 - D. Francisco Coutinho, conde de Redondo
- 1549/50 - 1550 (24 de agosto) - Luís de Loureiro
- 1577 - 1578 - D. Duarte de Meneses
- 1578 - 1578 - Pedro de Mesquita
- 1578 - 1580 - Pedro da Silva
Referências
- ↑ David Lopes. História de Arzila. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1924-1925. p. 204-211.
Bibliografia [editar]
- MOREIRA, Rafael. Le Donjon d'Asilah.
- Bernardo Rodrigues: Anais de Arzila, crónica inédita do século XVI, publicada por ordem da academia das sciências de Lisboa, e sob a direcção de David Lopes, sócio efectivo da mesma academia. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1919.