Pastel

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Como ler uma caixa taxonómicaIsatis tinctoria
pastel
Isatis tinctoria (Zakřany).jpg

Classificação científica
Reino: Plantae
Clado: angiospérmicas
Clado: eudicotiledóneas
Ordem: Capparales
Família: Brassicaceae
Género: Isatis
Espécie: I. tinctoria
Nome binomial
Isatis tinctoria
L.

Pastel é o nome comum da planta Isatis tinctoria, uma angiosperma cujo extracto fermentado das suas folhas era usado como corante azul em tinturaria e pintura. O corante era também usado em pinturas corporais e para fins medicinais. Com a introdução do índigo e do anil, caiu em desuso. A sua utilização actual limita-se à tinturaria artística e à de tecidos orgânicos (isto é produzidos sem recurso a produtos sintéticos). A autoridade científica da espécie é L., tendo sido publicada em Species Plantarum 2: 670. 1753.[1] [2] [3]

Isatis tinctoria - MHNT

Descrição[editar | editar código-fonte]

O pastel é uma planta anual ou bienal, raramente perene, da família das crucíferas ("Brassicaceae"), nativa no leste da Europa, mas naturalizada em quase toda a zona temperada e subtropical. É muito semelhante no hábito, ramificação e aspecto das folhas ao nabo silvestre e à couve. Atinge cerca de 100 cm de altura, produzindo entre Maio e Setembro abundantes flores hermafroditas amarelas, agrupadas em pequenos cachos. As flores são polinizadas por insectos e produzem vagens que amadurecem cerca de um mês após a polinização. Pode ser cultivada em qualquer tipo de solo, embora prefira solos ligeiros. Necessita de elevada humidade para germinar e de boa exposição solar para atingir o máximo desenvolvimento, embora tolere algum ensombramento. No seu habitat natural e nas zonas onde se naturalizou aparece em zonas perturbadas de carácter ruderal e em falésias e outros locais bem drenados. As folhas são amargas e fortemente adstringentes.

As folhas e caules são ricos no glicosídeo "indican" que, ao decompor-se por fermentação, produz indigotina, o princípio activo do corante azul índigo. O pastel-dos-tintureiros, depois de seco, é uma substância terrosa, sem cheiro ou sabor, de cor azul-escuro, ganhando um brilho violeta acobreado quando esfregado, contendo, além da indigotina, numerosas outras substâncias corantes e impurezas inertes. A indigotina é insolúvel em água, daí o seu interesse em tinturaria, dissolvendo-se apenas em ácidos fortes.

Planta jovem (menos de 1 ano).

O pastel era cultivado em canteiro e depois replantado em regos, usando a mesma prática cultural comumente usada para as couves. A planta não podia ser cultivada com sucesso no mesmo terreno em anos seguidos, pelo que era cultivada em rotação com trigo, milho ou hortícolas. As folhas da planta do pastel eram colhidas duas vezes por ano, trituradas num engenho constituído por uma atafona movida por uma vaca ou burro, e transformadas em bolas que eram deixadas fermentar. A fermentação, que produzia um cheiro pútrido intenso, levava ao desdobramento dos pigmentos corantes contidos nas folhas. As bolas fermentadas eram depois deixadas a secar até atingirem um grau reduzido de umidade, sendo depois encaminhadas para as tinturarias.

O pastel, a par da urzela, constituiu um dos principais produtos de exportação dos Açores no seu período inicial de colonização (séculos XV e XVI), originando um activo comércio entre as ilhas e a Flandres. Este comércio, cedo transformado em monopólio da coroa portuguesa, era tão importante que foi criado o cargo de "lealdador" do pastel com o objectivo de garantir a qualidade e o peso das bolas exportadas. Desse tempo ficaram vários traços na toponímia açoriana, sendo comuns as designações de Canada do Engenho e Engenho, referindo os locais onde se situavam as instalações de preparação do pastel. No Faial a memória da cultura do pastel é perpetuada na designação do lugar do Pasteleiro, arredores da cidade da Horta.

Portugal[editar | editar código-fonte]

Trata-se de uma espécie presente no território português, nomeadamente em Portugal Continental e no Arquipélago da Madeira. Em termos de naturalidade é nativa de Portugal Continental de introduzida no Arquipélago da Madeira. Não se encontra protegida por legislação portuguesa ou da Comunidade Europeia.[4] [5] [6]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Castroviejo, S. (coord. gen.). 1986-2012. Flora iberica 1-8, 10-15, 17-18, 21. Real Jardín Botánico, CSIC, Madrid.

Referências

  1. Tropicos.org. Missouri Botanical Garden. 26 de dezembro de 2013 <http://www.tropicos.org/Name/4101316>
  2. Isatis tinctoria - The Plant List (2010). Version 1. Published on the Internet; http://www.theplantlist.org/ (consultado em 26 de dezembro de 2013).
  3. Isatis tinctoria - International Plant Names Index
  4. Isatis tinctoria - Checklist da Flora de Portugal (Continental, Açores e Madeira) - Sociedade Lusitana de Fitossociologia
  5. Checklist da Flora do Arquipélago da Madeira (Madeira, Porto Santo, Desertas e Selvagens) - Grupo de Botânica da Madeira
  6. Isatis tinctoria - Portal da Biodiversidade dos Açores

Ligações externas[editar | editar código-fonte]