Movimento Primeiro de Março

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O Movimento Primeiro de Março, ou Movimento Samil, foi uma das primeiras demonstrações públicas da resistência coreana durante a ocupação do Império Coreano pelo Japão. O nome refere-se a um evento que ocorreu em 1º de março de 1919, daí o nome do movimento, significando literalmente "Movimento Trinta e Um" ou "Movimento Primeiro de Março" em coreano. Ele é às vezes chamado de Demonstrações Manse (만세운동).

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

O Movimento Samil veio como um resultado da natureza repressiva da ocupação colonial sob o domínio militar do Império Coreano a partir de 1905, e os "Quatorze Pontos" que definiam o direito da "auto-determinação" nacional proclamado pelo Presidente Woodrow Wilson na Conferência de Paz de Paris em janeiro de 1919. Após ouvir as notícias do discurso de Wilson, estudantes coreanos que estudavam em Tóquio publicaram um manifesto pedindo a liberdade do domínio colonial.

Além disso, o antigo Imperador Gojong morreu em 21 de janeiro de 1919. Havia uma suspeita generalizada de que ele tinha sido envenenado, visto que houve tentativas anteriores (o "plano café") bem conhecidas.

Eventos na Coreia[editar | editar código-fonte]

O monumento do Movimento Primeiro de Março.

Às 2 horas de 1º de março de 1919, os 33 nacionalistas que formavam o núcleo do Movimento Samil reuniram-se no restaurante Taehwagwan em Seul, e leram a declaração de independência coreana que havia sido escrita pelo historiador Choe Nam-seon e o poeta Manhae (também conhecido como Han Yongun). Os nacionalistas inicialmente planejaram reunir-se no Parque Tapgol no centro de Seul, mas eles acabaram escolhendo um local mais privado com medo de que o encontro poderia se tornar em um motim. Os líderes do movimento assinaram o documento e enviaram uma cópia para o General Governador, com seus cumprimentos.

Os líderes do movimento então telefonaram para a etação de polícia central para informar suas ações e foram presos.

Antes da declaração formal, a Coreia também exibiu as seguintes queixas do povo japonês através de suas publicações e mídia:

  • A crença de que o governo deveria discriminar quando empregasse coreanos ao invés de japoneses; eles exigiam que nenhum coreano tivesse posições importantes no governo.
  • A existência de uma disparidade na educação oferecida aos coreanos e aos japoneses.
  • Os japoneses desprezaram e mal trataram os coreanos em geral.
  • Oficiais políticos, coreanos e japoneses, eram arrogantes.
  • Não havia nenhum tratamento especial para as classes altas ou acadêmicos.
  • Os processos administrativos eram muito complicados e muitas leis foram criadas para guiar o comportamento do povo.
  • Havia muito trabalho forçado que não era desejado pelo público.
  • A carga tributária era muito alta e os coreanos estavam pagando mais do que antes, enquanto recebiam a mesma quantidade de serviços.
  • A terra continuou a ser confiscada pelos japoneses por razões pessoais.
  • Professores de vilas coreanas foram forçados a deixar seus empregos porque os japoneses tentavam suprimir suas tradições e ensinamentos.
  • O desenvolvimento da Coreia foi almejado em benefício dos japoneses. Eles argumentavam que apesar de os coreanos trabalharem para alcançar o desenvolvimento, eles não recebiam os benefícios de seu próprio trabalho.

Estas queixas foram altamente influencidas pela Declaração de Wilson do Princípio da Auto-Determinação.[1]

Apesar das preocupações dos nacionalistas, multidões se reuniram no Parque Pagoda para ouvir um estudante, Chung Jae-yong, ler a declaração publicamente. Após isso, formou-se uma procissão, que a polícia militar japonesa tentou suprimir. Delegados especiais associados com o movimento também leram cópias da proclamação da independência por vários locais pelo país às 2 horas do mesmo dia.

Os protestos continuaram a se espalhar e, como a polícia local e militar japonesa não conseguiam conter as multidões, o exército e até mesmo a marinha foram chamados. Há alguns relatos de atrocidades. Em um exemplo notável, a polícia japonesa trancaram os habitantes da vila de Jeam-ri em uma igreja antes de queimá-los.

Aproximadamente 2 milhões de coreanos participaram em mais de 1,5 mil demonstrações, muitos dos quais foram massacrados pela força policial japonesa e exército.[2] O livro A Sangrenta História do Movimento de Independência Coreana (한국독립운동지혈사, 韓國獨立運動之血史) por Park Eunsik alega que 7.509 pessoas foram mortas, 15.849 feridos e 46.303 presas. De 1º de março a 11 de abril, oficiais japoneses relataram que 553 pessoas foram mortas com mais de 12 mil presos, enquanto 8 policiais e policiais militares foram mortos e 158 foram feridos. Muitos desses presos foram levados à infame Prisão de Seodaemun em Seul onde eles foram aprisionados sem julgamento e torturados. Algumas centenas de pessoas foram assassinadas em assassinatos extrajudiciais na "casa da morte.[3]

Em 1920, a Batalha de Chingshanli ocorreu na Manchúria entre combatentes da independência coreana exilados e o Exército Japonês.

Efeitos[editar | editar código-fonte]

O Movimento Primeiro de Março resultou em uma grande mudança na política imperial em relação à Coreia. O Governador-General Hasegawa Yoshimichi aceitou a responsabilidade pela perda do controle (embora a maioria das medidas repressivas em relação ao levante foram também utilizadas pelos seus predecessores) e foi substituído por Saito Makoto. Alguns dos aspectos do domínio japonês considerado mais desagradável aos coreanos foi removido. A polícia militar foi substituída por uma força civil e uma liberdade de imprensa limitada foi permitida sobr o que foi chamado de 'política cultural'. Muitas dessas políticas lenientes foram revertidas durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa e Segunda Guerra Mundial.

As mulheres também encontraram novas oportunidades após o movimento para expressar suas opiniões pela primeira vez na Coreia. Idéias da liberação feminina foram permitidas a ser publicadas após a rebelião. Tais jornais como o Sin Yoja (Nova Mulher) e Yoja Kye (Mundo da Mulher) foram impressos.

O Movimento Primeiro de Março foi um catalisador para o estabelecimento do Governo Provisório da República da Coreia em Xangai em abril de 1919 e também influenciou a resistência não violenta na Índia e muitos outros países.[4]

Em 24 de maio de 1949, o Primeiro de Março foi designado um feriado nacional na Coreia do Sul.

Reação internacional[editar | editar código-fonte]

Uma delegação de emigrantes coreanos de Japão, China e Havaí buscou ganhar apoio internacional pela independência na Conferência de Paz de Paris (1919). Os Estados Unidos e o Japão Imperial bloquearam a tentativa da delegação de discursar na conferência.[5]

Em abril de 1919, o Departamento de Estado dos Estados Unidos contou ao embaixador no Japão que "o consulado [em Seul] deveria ser extremamente cuidadoso para não encorajar qualquer crença de que os Estados Unidos irão auxiliar os nacionalistas coreanos em prosseguir com seus planos e que não deveria fazer nada que pudesse deixar as autoridades japonesas com a suspeita de que o governo americano simpatiza com o movimento nacionalista coreano".[6]

Ver tambem[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. In: Eugene Kim (ed.). Korea’s Response to Japan. [S.l.]: Western Michigan University, 1977. 263–266 pp. ;
  2. March First Movement - Britannica Online Encyclopedia
  3. http://www.lifeinkorea.com/Travel2/seoul/322 Seodaemun Prison
  4. http://www.koreafocus.or.kr/design2/layout/content_print.asp?group_id=102423
  5. Hart-Landsberg, Martin. Korea: Division, Reunification, & U.S. Foreign Policy. [S.l.]: Monthly Review Press, 1998. p. 30.
  6. United States Policy regarding Korea, Part I: 1834-1941. [S.l.]: US Department of State. 35–36 pp.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Wikisource
O Wikisource contém fontes primárias relacionadas com Movimento Primeiro de Março
  • Cumings, Bruce. Korea’s Place in the Sun: A Modern History. New York: W.N. Norton and Company, 1997.
  • Han, Woo-keun. The History of Korea. Hawaii: University of Hawaii Press, 1988.

Notas[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]