Federação Anarquista Ibérica

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Bandeira da CNT-FAI

A Federação Anarquista Ibérica, FAI (em espanhol, Federación Anarquista Ibérica), é uma organização fundada em 25 de Julho de 1927 em Saler, Valência, pela União Anarquista Portuguesa (UAP) e pela Federación Nacional de Grupos Anarquistas de Espanha, respeitando o acordo do congresso da Federação de Grupos Anarquistas de Língua Espanhola, realizado em Marselha, França, de 13 a 16 de Maio de 1926, com representação da UAP e da Confederação Geral do Trabalho de Portugal. O comité de relações que estava para se estabelecer em Portugal nunca pode se fixar no país devido às condições de repressão, tendo-se instalado em Sevilha.

Francisco Quintal foi o delegado português enviado à conferência de Valência. Em dezembro de 1932 , Quintal foi preso com Correia de Sousa e mais dois companheiros sob a acusação de pertencerem ao comité FAI em Portugal.

Desde a sua fundação até o advento da ditadura franquista, a FAI desempenhou um papel importante no movimento operário espanhol, sobretudo através da união com a Confederação Nacional do Trabalho, ou seja, da presença de elementos faístas na organização anarcossindicalista. A intenção era de que o sindicato não se distanciasse dos valores anarquistas. Assim, nos anos 1930, o setor faísta da CNT se opôs ao chamado trintismo, uma facção mais moderada que afirmava não ser possível uma revolução social sem que houvesse uma fase anterior de preparação. Essa facção foi também favorável ao enquadramento das atividades sindicais no arcabouço de leis republicano, mas foi vencida nos congressos sindicais pela facção faísta.

A organização baseava-se em grupos pequenos de ativistas autônomos (grupos de afinidad). A FAI permaneceu como uma organização secreta, inclusive depois do reconhecimento de sua existência, dois anos depois de sua formação. Sua natureza subreptícia torna difícil julgar a extensão numérica de seus membros. Estima-se que os membros da FAI, logo antes da Revolução Espanhola (1936 - 1939), girasse em torno de 5.000 e 30.000. A quantidade de membros aumentou drasticamente durante os primeiros meses da Guerra Civil.

A FAI não foi idealmente libertária, sendo dominada por militantes carismáticos tais como Joan García Oliver e Buenaventura Durruti. Entretanto, também não era autoritária em seus reais métodos; havia liberdade de dissenção entre seus membros. Na verdade, a organização total da FAI era muito relaxada, em oposição ao que significava o modelo da "Aliança" de Bakunin.

A FAI foi militarmente revolucionária, com ações que incluíam roubos a bancos para a aquisição de fundos e a organização de greves gerais. Mas, em outros momentos, também soube ser oportunista. Apoiou esforços moderados contra a ditadura de Rivera e, em 1936, contribuiu para a eleição da Frente Popular. Durante a época em que as organizações anarquistas começaram a cooperar com o governo republicano, a FAI foi se convertendo essencialmente em um partido político de fato, e o modelo dos pequenos grupos de ativistas autônomos foi desfeito, não sem controvérsia.

A FAI edita um periódico mensal chamado Tierra y Libertad ("Terra e Liberdade").

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