Lao Zi

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Zhongwen.svg Este artigo contém texto em chinês.
Sem suporte multilingue apropriado, você verá interrogações, quadrados ou outros símbolos em vez de caracteres chineses.


Lao Zi

Tradução literal "Criança velha", "jovem mestre", "adolescente maduro"[1]
Hanyu Pinyin Lǎozǐ
Wade-Giles Lao Tzu
Outras grafias Lao Tse, Lao-Tsé[2] Laotse, Lao Tze, Laotze, Lao Tzu, Laotzu
Nome real Lǐ Ěr
Nome cortês Bó Yáng
Título póstumo Dān
Lao Zi montado sobre um búfalo
Nome completo Lǐ Ěr
Nascimento Entre os séculos XIV e IV a.C.
Nacionalidade  China
Ocupação Superintendente judicial dos arquivos imperiais
Profissão Historiador real
Bibliotecário
Influenciados
Principais trabalhos Tao Te Ching
Escola/tradição Taoismo

Lao Zi (em chinês: 老子, transl. Lǎozi - pronunciado como Láu‑tz, em mandarim) também conhecido como Laozi, Lao Tzu, Lao Tsé, Lao-Tsé[2] , Láucio, Lao Tzi, Lao Tseu, Lao Tze (Wade-Giles), Lao Tan e Li Erh,[3] foi um mítico filósofo e alquimista chinês. Sua imagem mais conhecida o representa sobre um búfalo (o processo de domesticação deste animal é associado ao caminho da iluminação nas tradições zen budistas). A ele, é atribuída a autoria de uma das obras fundamentais do taoismo: o Tao Te Ching (道德經). A influência deste livro é tão disseminada que ele tornou-se, na atualidade, um dos livros mais traduzidos em todo o mundo.

Alguns consideram Lao Zi um personagem mítico, no limiar das lendas. Uma destas lendas conta que ele nasceu com a aparência de um velho: por isto, teria recebido este nome (Lao Zi significa, literalmente, "criança velha", "jovem mestre", pela junção de lao [idoso, maduro, sábio] com zi [criança, jovem, adolescente][1] ). Muitos consideram que esta lenda pode ser interpretada como uma metáfora sobre a antiguidade do taoismo, doutrina fundamentada em conceitos filosóficos tradicionais anteriores à própria redação do Tao Te Ching. Alguns estudiosos, como Russell Kirkland, chegam a duvidar de sua existência como indivíduo, considerando sua obra um agregado de contribuições de antigos mestres taoistas. Seu texto sobre a "Comunidade Taoista" pode ser encontrado entre os links indicados abaixo nas "páginas externas".

Segundo Ronnie Littlejohn, o material escrito mais antigo associado a Lao Zi aparece nos capítulos internos da obra de Zhuangzi. O cânon religioso taoista, citado abaixo, situa sua vida em por volta de 1300 a.C. As referências mais conhecidas informam que viveu aproximadamente nos séculos VII ou VI a.C.[4] . Muitos historiadores situam sua vida no século IV a.C., durante a época das Cem Escolas de Pensamento e o Período dos Reinos Combatentes.

O Legado do Tao Te Ching[editar | editar código-fonte]

Ao deixar a China, o guarda da fronteira lhe pede que deixe um registro de sua sabedoria: o Tao Te Ching

Segundo a tradição Chinesa, Lao Zi trabalhou muitos anos como bibliotecário real, exercendo o cargo de superintendente judicial dos arquivos imperiais em Loyang, capital do estado de Ch'u. O seu contato com os livros e a sua sabedoria pessoal induziram-no a criar uma doutrina de caráter panteísta segundo a qual o Tao, ou caminho, é o princípio material e espiritual, criador e ordenador do mundo. No terreno prático, preconizou a vida contemplativa e a supressão de qualquer desejo. Desgostoso com as intrigas e disputas da vida na corte, ele decidiu abandonar esta vida, seguindo para as Terras do Oeste, em direção à Índia.

Ao chegar à fronteira, o guardião de fronteiras Yin-hsi reconheceu sua sabedoria, o reverenciou conforme a tradição chinesa pedindo para tornar-se seu discípulo e pediu a ele que, antes de sair da China, deixasse um registro de seus ensinamentos por escrito. Assim, antes de partir, Lao Zi escreveu os 81 pequenos poemas que receberam o título de Tao Te Ching.

A história de Lao Zi segundo o cânon religioso taoista[editar | editar código-fonte]

O bebê Lao Zi e sua mãe

Na introdução de sua tradução do "Tao Te Ching: O Livro do Caminho e da Virtude", Wu Jyh Cherng comenta a biografia de Lao-Tsé. Conforme os registros do cânon religioso taoista, "Lao Tse teria nascido na província de Na Hue, na cidade de Guo Yang, no 25º dia da segunda lua do ano Ken-Tzen da era Wu-Tin (no período entre 1324 a.C.1408 a.C.)." Segundo a mesma fonte, seu pai seria um famoso alquimista da dinastia San que viveu mais de cem anos. Sua mãe e mestra o teria concebido ao engolir uma pérola de luz, e sua gestação teria demorado 81 anos. "Lao Tse nasceu do lado esquerdo das costelas da sagrada mãe, no jardim da família, sob uma árvore de nome Li (ameixeira), com cabelos brancos e orelhas grandes. Por isso, recebeu o nome de Lao Tse (filho velho) e Li Er (orelha grande da ameixeira)." A união dos termos chineses para 'velho' e 'criança' em seu nome justificam seu título de 'Senhor do Fim e do Princípio'.

Foi convidado pelo rei Wen para ser o responsável pela biblioteca real e assumiu o cargo de historiador real até o 19º dia da quinta lua do 25º ano da era do rei Zhao, ano em que "iniciou sua grande viagem para o ocidente, com intuito de chegar aos reinos da atual Índia, Afeganistão e Itália. Durante a viagem, permaneceu algum tempo na fronteira de Yü Men e aceitou o oficial-chefe da fronteira como discípulo. Ditou-lhe vários escritos, entre eles o Tao Te Ching." Até este ponto, temos a história mais divulgada sobre a vida do autor do Tao Te Ching. A continuação desta história registrada no cânon taoista não é tão conhecida.

Lao Zi representado como divindade taoista

Ainda segundo o texto de Wu Jyh Cherng:

"Muitos anos depois, teve sua ascensão no deserto de Gobi, durante a qual emanou raios de luz em cinco cores, transformando-se em corpo de luz dourada e desaparecendo no céu."

"Após sua ascensão, retornou novamente à terra encarnado como filho único do senhor Li Po Yang da província Shu." Seu discípulo Yi Shi, o oficial da fronteira, o reencontrou na aldeia da família Li. Diante dele, a criança de três anos de idade revelou sua verdadeira imagem. Seu corpo cresceu, transformando-se em luz dourada branca. "Lao Tse pronunciou mais um ensinamento: o Tratado Maravilhoso do Princípio Solar do Tesouro do Espírito (Ling Bao Yuan Yang Miao Ching). Após concluir seu ensinamento, os duzentos membros da família Li ascencionaram, seguidos por Lao Tse e Yi Shi. Isso aconteceu no dia 28 de abril de 1118 a.C."

"Depois do segundo nascimento e ascensão, Lao Tse ainda retornou inúmeras vezes para transmitir os ensinamentos e para ordenar as novas tradições. Por isso, é chamado pelos taoistas como Sublime Patriarca do Caminho."[5]

Influência[editar | editar código-fonte]

Pintura da Dinastia Qing onde Confúcio apresenta a Lao Zi o jovem Buda Gautama

Lao-Tsé é tradicionalmente considerado o fundador do taoismo, movimento com vertentes filosóficas e religiosas distintas designadas por nomes diferentes em chinês: Tao Chia é o termo que se refere ao taoismo filosófico; Tao Chiao é o termo que se refere ao taoismo religioso. Junto com o confucionismo e o budismo, o taoismo integra os fundamentos da tradição espiritual da China. Seu seguidor Zhuangzi é outro famoso filósofo taoista chinês cuja filosofia foi muito influente no desenvolvimento do budismo chan e do budismo zen.

Na religião taoista, Lao Zi recebe a consideração de uma divindade

A religião taoista o considera como uma divindade, reverenciada em diversos templos e cerimônias.

Brecht e Lao Zi[editar | editar código-fonte]

Bertolt Brecht escreveu um belo conto sobre o importante papel deste guardião de fronteiras na transmissão deste legado para a humanidade. O poema foi escrito em 1938 e inserido na terceira parte do volume Poemas de Svendborg, publicado em Copenhague em 1939. O texto completo com a tradução literal deste poema por Marcus V. Mazzari pode ser encontrado em "páginas externas". Esta é a conclusão do texto:

"Mas não celebremos apenas o sábio

Cujo nome resplandece no livro!

Pois primeiro é preciso arrancar do sábio a sua sabedoria.

Por isso, agradecimento também se deve ao aduaneiro:

Ele a extraiu daquele."

Referências

  1. a b LAO-TSÉ. Tao Te Ching. Tradução de Huberto Rohden. São Paulo. Martin Claret. 2003. p. 17,18.
  2. a b LAO-TSÉ. Tao Te Ching. Tradução de Huberto Rohden. São Paulo. Martin Claret. 2003. 195 p.
  3. WATTS, A. Tao: o curso do rio. Tradução de Terezinha Santos. São Paulo. Editora Pensamento. p. 25.
  4. LAO-TSÉ. Tao Te Ching. Tradução de Huberto Rohden. São Paulo. Martin Claret. 2003. p. 18.
  5. CHERNG, W. J. Tao Te Ching - O Livro do Caminho e da Virtude de Lao Tse. Editora Mauad. 1996. (a versão completa do livro encontra-se disponível para download na Biblioteca Virtual da Escola do Futuro da USP, link indicado entre as "Páginas Externas", como obra em domínio público)

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Lao Tse, ISBN 85-7279-065-9, Editora Ordem do Graal na Terra
  • Lao Tzu, Hua Hu Ching: Os Últimos Ensinamentos de Lao Tzu (Hua-Ching Ni), Editora Pensamento

Ver também[editar | editar código-fonte]

Outros projetos Wikimedia também contêm material sobre este tema:
Wikiquote Citações no Wikiquote
Wikisource Textos originais no Wikisource
Commons Categoria no Commons

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Leituras[editar | editar código-fonte]

  • Lao Tse, Tao-te King, texto e comentário de Richard Wilhelm. Editora Pensamento.
  • Wu Jyh Cherng, Tao Te Ching - O Livro do Caminho e da Virtude de Lao Tse (tradução direta do Chinês para o português). Editora Mauad.
  • Wu Jyh Cherng com Líla Schwair, Dào, em sua Essência. Editora Mauad.
  • António M. de Campos, Tao Te King - Livro do Caminho e do Bom Caminhar (tradução direta do Chinês para o Português, comentários, introdução à filosofia taoista, glossário completo de caracteres). Editora Relógio d'Água, 2010.
Portal A Wikipédia possui o:
Portal de Filosofia