Protestos no Brasil em 2013

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Protestos no Brasil em 2013
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Manifestantes no teto do Congresso Nacional, protestando contra gastos na Copa, corrupção e por melhorias no transporte, na saúde e educação, em 17 de junho.
Período Abril de 2013 – Julho de 2013
Local  Brasil — 438 cidades no dia 20/06[1] (Cidades participantes dos protestos no Brasil em 2013)

• Internacional — pelo menos 27 cidades[2]

Causas • Aumentos nas tarifas de transporte público;[3] [4]

• Transporte público insuficiente e de má qualidade;[3] [4]
• Repressão policial violenta aos protestos;[3] [4]
• Serviços públicos (em geral) de má qualidade;[4]
• Gastos públicos exorbitantes em grandes eventos esportivos internacionais;[3] [4]
• Taxas elevadas de corrupção política[3] e impunidade.[4]

Objetivos • Democratização da mídia;[5]

• Diminuir o valor das tarifas de transporte público;
• Sistemas de transporte público de boa qualidade e que atendam toda a população;
• Melhor gestão dos gastos governamentais e serviços públicos eficientes;
• Impedir a aprovação de projetos como a "cura gay"[6] [7] [8] e as PECs 37 e 33 no Congresso Nacional.[9] [10] [11] [12]

Características Manifestações
Ciberativismo
Marchas em protesto
Participantes do conflito
Quase dois milhões de manifestantes no dia 20/06[1] Polícias Militares[13]
Força Nacional de Segurança Pública (em Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Salvador e Fortaleza)[14]
Legislativo e Executivo de todas as esferas[15]

Os protestos no Brasil em 2013, também conhecidos como Manifestações dos 20 centavos, Manifestações de Junho ou Jornadas de junho,[16] foram várias manifestações populares por todo o país que inicialmente surgiram para contestar os aumentos nas tarifas de transporte público,[17] [18] principalmente nas principais capitais. São as maiores mobilizações no país desde as manifestações pelo impeachment do então presidente Fernando Collor de Mello em 1992,[19] [20] [21] e chegaram a contar com até 84% de simpatia da população.[22]

Inicialmente restrito a pouco milhares de participantes, os atos pela redução das passagens nos transportes públicos ganharam grande apoio popular em meados de junho, em especial após a forte repressão policial contra os manifestantes, cujo ápice se deu no protesto do dia 13 em São Paulo.[23] [24] Quatro dias depois, um grande número de populares tomou parte das manifestações nas ruas em novos diversos protestos por várias cidades brasileiras[25] [26] e até do exterior.[27] Em seu ápice, milhões de brasileiros estavam nas ruas protestando não apenas pela redução das tarifas e a violência policial, mas também por uma grande variedade de temas como os gastos públicos em grandes eventos esportivos internacionais, a má qualidade dos serviços públicos e a indignação com a corrupção política em geral.[28] [29] Os protestos geraram grande repercussão nacional e internacional.[30] [31]

Em resposta, o governo brasileiro anunciou várias medidas para tentar atender às reivindicações dos manifestantes[32] [33] e o Congresso Nacional votou uma série de concessões (a chamada "agenda positiva"),[34] [35] [36] como ter tornado a corrupção como um crime hediondo, arquivado a chamada PEC 37, que proibiria investigações pelo Ministério Público, e proibido o voto secreto em votações para cassar o mandato de legisladores acusados de irregularidades.[37] Houve também a revogação dos então recentes aumentos das tarifas nos transportes em várias cidades do país, com a volta aos preços anteriores ao movimento.[38] [39] [40] [41] [42]

As manifestações no Brasil seguiram o mesmo processo de "propagação viral" de protestos em outros países, como a Primavera Árabe, no mundo árabe, Occupy Wall St, nos Estados Unidos, e Los Indignados, na Espanha.[43]

Histórico de atritos[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Protesto contra o aumento das tarifas de ônibus em Porto Alegre em 18 de fevereiro.

As primeiras manifestações sobre o tema dos transportes, na verdade, ocorreram em 2012. No Rio de Janeiro, na virada de 2011 para 2012 as passagens de ônibus aumentaram de R$2,50 para R$2,75, o que levou alguns movimentos de esquerda a organizarem um primeiro ato no dia 4 de Janeiro de 2012, com o trajeto "Candelária-Central do Brasil", com os manifestantes encerrando o ato abrindo a porta dos ônibus para os trabalhadores entrarem sem pagar. Após a ação violenta da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, os manifestantes se dispersam dentro da Central do Brasil. Atos como esse continuaram ao longo do ano, mas com no máximo 500 manifestantes.

Dia 9 de fevereiro de 2012, revoltados com a péssima qualidade dos trens do Rio de Janeiro, atrasos e a superlotação, usuários de trens da Supervia tomam o controle de uma das composições e fazem o condutor os levar direto para a Central do Brasil, onde irrompe um movimento espontâneo de trabalhadores usuários da Supervia e que é duramente reprimido pela Polícia Militar. Durante esse ano, em outubro de 2012, é fundado o Fórum de Lutas contra o aumento das passagens, que reuniu militantes dos movimentos sociais da esquerda, como grupos, coletivos, partidos de esquerdas e ativistas independentes, e que no Rio passa então organizar as manifestações contra o aumento até julho de 2013. As manifestações em 2012 no Rio cessaram após o então Prefeito do Rio, Eduardo Paes, adiar o segundo aumento do ano, de R$2,75 para R$3,00, para o ano de 2013 por pressão do Governo Federal para segurar a meta da inflação de 2012, pressão essa exercida também em outras capitais e que levariam as prefeituras no ano 2013 a aumentarem as tarifas quase que simultaneamente, e irrompendo o movimento contra o aumento de forma generalizada em junho de 2013.

No dia 27 de agosto de 2012 a prefeitura de Natal, capital do Rio Grande do Norte, anunciou um súbito aumento de vinte centavos na passagem de ônibus. Após o anúncio, houve uma série de manifestações do movimento intitulado #RevoltadoBusão. [44] [45] [46] As primeiras manifestações ocorreram dois dias depois, em 29 de agosto, e reuniu cerca de 2 mil pessoas. Esse primeiro protesto foi duramente reprimido pela polícia. No dia seguinte, 30 de agosto, o protesto voltou com mais força e dessa vez sem confrontos com a polícia.[47] Com a pressão popular, no dia 6 de setembro, os vereadores revogaram o aumento da tarifa de ônibus.[48] Em 13 de maio de 2013, a prefeitura de Natal voltou a aumentar o preço da passagem fazendo com que as manifestações voltassem às ruas no dia 15 de maio, antes dos protestos massivos em todo o país. Nesse protesto, organizado pelo mesmo movimento #RevoltadoBusão, houve confrontos com a tropa de choque da Polícia Militar, que disparou balas de borracha e bombas de gás lacrimogênio nos manifestantes, transformando a BR-101 em um palco de guerra. No confronto, alguns manifestantes foram presos e outros ficaram feridos.[49] [50] Os manifestantes em Natal voltariam às ruas em novos protestos no dia 16, 20, 21, 23 e 27 de maio, além dos maiores protestos que viriam a ocorrer em junho. Por isso, o jornal americano The New York Times apontou os protestos ocorridos em Natal e Porto Alegre como pioneiros das grandes manifestações que ocorreriam em junho no Brasil.[51] [52] Em 16 de maio, as manifestações em Belo Horizonte começaram com 2 mil pessoas.[53]

Em 2013, as manifestações tiveram início em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, e começaram antes mesmo do aumento da tarifa de ônibus, de R$ 2,85 para R$3,05, e das "lotações", de R$ 4,25 para 4,50, no dia 25 de março. Os protestos ganharam força após o reajuste, quando manifestantes conseguiram protocolar por meio de uma ação cautelar movida pelos vereadores Fernanda Melchionna e Pedro Ruas (PSOL),[54] que foi aceita pelo juiz Hilbert Maximiliano Obara, da 5ª Vara da Fazenda Pública.[55] Em 5 de março o juiz afirmou que havia sérios indicativos de aumento abusivo no valor e determinou que a prefeitura reduzisse o preço das passagens.[56]

A insatisfação social ocasionou a diversificação das causas dos manifestantes para além das tarifas de ônibus. Na foto, protesto ocorrido na cidade do Recife, em Pernambuco.

Em Goiânia, as manifestações iniciaram-se no dia 8 de maio,[57] antes do anúncio oficial do aumento da tarifa, que ocorreu dia 21.[58] As tarifas chegaram a subir de R$ 2,70 para R$ 3,00. Os protestos tiveram seu pico no dia 28 do mesmo mês, na Praça da Bíblia, no Setor Leste Universitário. Quatro ônibus foram destruídos, dois incendiados e dois depredados, e 13 veículos sofreram algum tipo de dano. Na ocasião, 24 estudantes acabaram detidos por vandalismo e desobediência. A última manifestação ocorreu no dia 6 de junho, quando estudantes interditaram ruas do Centro da capital, queimaram pneus, lançaram bombas caseiras e quebraram os vidros de um carro da polícia. No dia 13 de junho, as tarifas voltaram a custar R$ 2,70, após liminar expedida pelo juiz Fernando de Mello Xavier, da 1ª Vara da Fazenda Pública Estadual. Na decisão, o juiz argumentou que desde o último dia 1º de junho as empresas de transporte coletivo deixaram de pagar os impostos PIS e Cofins, porém essa isenção não foi repassada ao usuário goianiense.[59]

Manifestações nacionais[editar | editar código-fonte]

As manifestações de junho tiveram duas fases demarcadas por características distintas, mas ambas organizadas online, através da rede social Facebook, mas principalmente via Twitter , principalmente pelo Movimento Passe Livre (MPL)[60] em São Paulo, o Fórum de Lutas Contra o Aumento das Passagens (Fórum de Lutas[61] ) do Rio de Janeiro, e a Assembléia Popular Horizontal de Belo Horizonte,[62] focados em solucionar o aumento dos preços das taxas de transportes anunciadas.

Na primeira fase, houve falta de apoio da mídia, pouca participação da população e muitos conflitos violentos entre os manifestantes e a polícia, com um foco quase exclusivo na questão do aumento das tarifas do transporte público. Num segundo momento, há uma grande cobertura da mídia, volumosa participação popular, além de aceitação de uma parcela maior da população, menos repressões policiais e atendimento de exigências quanto ao transporte.

Primeira fase[editar | editar código-fonte]

Na cidade de São Paulo, a onda de manifestações populares teve início quando a prefeitura e o governo do estado reajustaram os preços das passagens dos ônibus municipais, do metrô e dos trens urbanos de R$ 3,00 para R$ 3,20.[63] Desde janeiro de 2011, o preço das tarifas dos ônibus municipais de São Paulo era de R$ 3,00.[64] [nota 1] Já o valor das tarifas dos trens urbanos e do metrô (de propriedade do governo do estado de São Paulo) havia sido reajustado pela última vez em fevereiro de 2012 para esse mesmo valor.[66] No início de 2013, logo após começar seu mandato, o novo prefeito Fernando Haddad anunciou que a tarifa sofreria um aumento ainda no primeiro semestre daquele ano.[67] Em maio, o governo federal anunciou a publicação de uma medida provisória que desonerava o transporte público da cobrança de dois importantes impostos (PIS e COFINS), para evitar que os reajustes nas tarifas pudessem pressionar a inflação.[68] Ainda assim, as tarifas de ônibus, trens urbanos e metrô foram reajustadas para R$ 3,20 a partir de 2 de junho, desencadeando os protestos.[69] [nota 2]

Houve três manifestações que foram tomando corpo no mês de junho, dias 6, 7 e 11. Houve violência policial nestes dias, levando ao ferimento de alguns manifestantes e policias.[71] Graças a esta postura, a mídia resolveu noticiar, o que eles classificaram como vandalismo.[72] [73] Como resposta e insatisfação, na quinta-feira da mesma semana, dia 13 de junho, os protestos espalharam-se para mais cidades, chegando a Natal, Porto Alegre, Teresina, Maceió, Rio de Janeiro, Sorocaba. Também no dia 13, 10 mil pessoas protestaram em Fortaleza contra o descaso das políticas de segurança pública e a explosão da criminalidade no Ceará, porém não houve confrontos.[74] Em São Paulo, houve uma represália policial excessiva, que causou muitos feridos, incluindo vários jornalistas, que gradualmente mudaram o discurso, e começaram a atacar a postura policial. Neste protesto, houve mais de 300 pessoas detidas, mais de 100 delas "detidas para averiguação", prática comum em ditaduras, já que não há flagrante, e muitas delas foram detidas por portarem vinagre, substância legalmente permitida no Brasil.[75] Devido a violência, comportamento da mídia, e outros fatores, depois desse dia houve um crescimento exponencial do número de participantes nas manifestações.

Segunda fase[editar | editar código-fonte]

Manifestação em São Paulo no dia 20 de junho, na Avenida Paulista.

A segunda fase dos protestos é marcada por manifestações majoritariamente pacíficas, com grande cobertura midiática e massiva participação popular, muito diferente da fase anterior. E há também novas exigências sendo colocadas em pauta e o atendimento de vários governantes quanto a redução dos valores das tarifas para utilização do transporte público. Marcado para o dia 17 de junho, uma segunda-feira, cerca de 300 mil brasileiros saíram as ruas para protestar em 12 cidades espalhadas pelo Brasil. Diferente da primeira fase, as manifestações foram no geral pacíficas, com pequenos focos de vandalismo e represálias. Houve manifestações diariamente em várias cidades do Brasil entre os dias 17 ao 21. Entretanto, a questão do transporte começa a sair de pauta, por ser atendida em várias cidades. E se começa uma nova etapa. Várias cidades conseguiram a reversão do aumento nos valores do transporte público. Em São Paulo e no Rio de Janeiro o anúncio foi feito no dia 19 de junho, mas com tom ameaçador, onde os governantes dizem que isto afetará outras áreas, como saúde e educação.[76] [77]

Por volta do dia 20 de junho, as manifestações tomam outro caráter, e começam a ter temas menos focados na questão do transporte e surgem pautas como as PECs 37 e 33, "cura" gay, ato médico, gastos com a Copa das Confederações FIFA de 2013 e com a Copa do Mundo FIFA de 2014, fim da corrupção. No dia 20 de junho, houve um pico de mais de 1,4 milhões de pessoas nas ruas em mais de 120 cidades pelo Brasil, mesmo depois das reduções dos valores das passagens anunciadas em várias cidades.[78]

Manifestações[editar | editar código-fonte]

Protesto contra o aumento das passagens de ônibus no centro do Rio de Janeiro, em 14 de junho.

Desde o começo do mês de junho ocorrem protestos periódicos na cidade de São Paulo. Durante os protestos, foram registrados episódios de vandalismo,[79] agressões a policiais militares[80] , além de jornalistas e civis terem sido agredidos por policiais militares.[81] [82] [83]

Na manhã de 7 de junho, um protesto foi realizado na Estrada do M'Boi Mirim, na Zona Sul de São Paulo, bloqueando uma das faixas no sentido Centro, que seguiu para a avenida Guarapiranga. Na ocasião, a polícia tentou conter o ato.[84] [85] Ainda nos primeiros dias do mês, protestos também foram realizados pelo Movimento Passe Livre em Pirituba, na Zona Norte, e no Parque Dom Pedro II, no Centro.[86] Em 13 de junho, mais de cinco mil pessoas[87] tentavam chegar à Avenida Paulista, para se manifestar contra o aumento das passagens do transporte público municipal, mas foram reprimidas pela polícia militar ao chegar no cruzamento da rua da Consolação com a Maria Antónia, naquela que ficou conhecida como "Batalha da Consolação"[88] [89] . Nesse dia, mais de duzentas pessoas foram presas.[90]

Manifestantes de outras seis capitais brasileiras, como Rio de Janeiro, Maceió, Porto Alegre e Goiânia, também começaram a realizar atos públicos pelos mesmos motivos dos realizados em São Paulo, tomando o aumento da passagem do transporte público como estopim para protestar contra o governo e outros problemas sociais.[91] [92]

No Rio de Janeiro, mais de duas mil pessoas se concentraram no centro da cidade;[93] [94] [95] em Goiânia, aos protestos foram motivados por uma ação judicial do Procon local para que o valor da passagem de ônibus, de R$ 3, retornasse ao valor antigo, de R$ 2,70; em Porto Alegre, as manifestações conseguiram fazer com que o poder público recuasse no aumento das tarifas, com uma liminar do Ministério Público mantendo a passagem a R$2,85, sem aumento de R$0,20; além de outras cidades, como Niterói, onde mais de duas mil pessoas protestaram pela diminuição do preço da passagem de ônibus durante o dia[91] [96] e entraram em confronto com a polícia à noite.[97]

Manifestação do Movimento Passe Livre (MPL) em São Paulo, em 7 de junho.

Em Brasília, cerca de 500 pessoas se reuniram na entrada do estádio Mané Garrincha contra a verba pública utilizada na Copa do Mundo de 2014. O estádio foi inicialmente orçado em R$ 696 milhões quando o projeto foi aprovado, mas custou aos cofres públicos a quantia de pelo menos R$ 1,778 bilhão, quase duas vezes e meia o preço original[98] . Devido a proximidade com o estádio, a polícia isolou o protesto e o Bope fez um cordão de isolamento separando os manifestantes dos torcedores. Houve confronto, e o Batalhão de Choque usou bombas de gás lacrimogêneo e tiros de borracha. Segundo a Polícia Militar, oito policiais foram feridos por pedradas, e oito manifestantes foram detidos e encaminhados a um distrito policial próximo do estádio. Dois manifestantes foram atingidas por tiros de bala de borracha, e um chegou a ser levado do local em uma ambulância.[99] [100] [101]

Em Minas Gerais, o Tribunal de Justiça proibiu manifestações de qualquer tipo que interditassem as vias urbanas em todos os municípios do estado durante a Copa das Confederações. A princípio, a decisão era uma resposta aos de professores e policiais civis, que pretendiam fechar vias de acesso ao estádio Mineirão em diversos dias, três dos quais (17, 22 e 26 de junho) coincidem com a data de jogos da copa no estádio.[102] O tribunal de justiça fixou uma multa de R$ 500 mil para os sindicatos, caso esses descumprissem a decisão,[103] o que não impediu que 12 mil pessoas se reunissem na tarde do dia 17 de junho na Praça Sete, no centro de Belo Horizonte, e fechassem duas avenidas da cidade.[104]

17 de junho[editar | editar código-fonte]

Mais de 100 mil manifestantes se reuniram no centro do Rio de Janeiro, da Avenida Rio Branco até a região da Cinelândia.
Cerca de 70 mil manifestantes saíram às ruas em São Paulo em pontos como o Largo da Batata e Marginal Pinheiros.

No dia 17 de junho, as manifestações se intensificaram em grandes cidades do Brasil. No Rio de Janeiro mais de 100 mil pessoas ocuparam importantes vias da capital fluminense, como a avenida Rio Branco, onde houve chuva de papel picado. Em frente à Biblioteca Nacional, foram distribuídas flores aos policiais. Porém, houve confronto em frente à Assembleia Legislativa, onde 80 policiais se refugiaram, estando cinco deles feridos. Manifestantes tentaram invadir a Assembleia lançando mão de pedras, coquetéis Molotov e rojões contra as forças policiais, que revidaram com gás lacrimogêneo, balas de borracha e spray de pimenta. Pelo menos um carro foi queimado, vidraças de lojas e bancos foram quebrada e pilastras do Palácio Tiradentes foram pichadas. Também houve enfrentamento no Largo do Paço Imperial. Houve vaias para quem levantava bandeiras de partidos políticos.[105] [106] Em Campos dos Goytacazes, no estado do Rio de Janeiro, centenas de manifestantes caminharam pelas principais ruas da cidade, desde a praça do Santíssimo Salvador, passando pela Câmara Municipal até chegar à prefeitura. Lá, o grupo cantou o hino nacional e fixaram cartazes nas grades da prefeitura. Não houve registro de violência ou vandalismo.[107]

Em São Paulo, manifestantes se concentraram no Largo da Batata, ocuparam a Marginal Pinheiros, a ponte Octavio Frias de Oliveira e as avenidas Paulista, Faria Lima e Luís Carlos Berrini, e foram para o Palácio dos Bandeirantes, onde algumas pessoas tentaram invadir o edifício. Muitos cantavam o hino nacional combinado com o hino "O povo acordou!"[108] e alguns deles carregavam flores brancas. Houve interrupção no trânsito nas avenidas Paulista, Rebouças e Doutor Arnaldo.[105] [109] [110] Em Bauru, o interior de São Paulo, 1200 pessoas impediram que os vereadores saíssem da Câmara Municipal até que fosse estabelecido um canal de diálogo com o presidente da casa. Os manifestantes seguiram até o local partindo da praça Rui Barbosa, ocupando oito quadras da avenida Rodrigues Alves. Pessoas também entraram em ônibus para comunicar as reivindicações aos passageiros. Também houve protestos no cruzamento das avenidas Nações Unidas com a Duque de Caxias. A Polícia Militar, que contou com trinta homens, não registrou casos de vandalismo e nem feridos.[111]

Em Belo Horizonte, pelo menos 30 mil pessoas ocuparam as ruas, com início de protesto pacífico na praça Sete e caminhada pela avenida Antônio Carlos, ocupando a pista no sentido Pampulha. Houve confronto, segundo um dos ativistas, iniciado quando tentaram furar o cerco policial que impedia a multidão de se aproximar, pela avenida Antônio Carlos, do estádio Mineirão, onde as seleções de futebol de Nigéria e Taiti jogavam pela Copa das Confederações. Também houve conflito entre manifestantes e polícia perto do campus da Universidade Federal de Minas Gerais e ônibus foram pichados. Por outro lado, flores brancas foram distribuídas. Dez manifestantes se feriram levemente com estilhaços, balas de borracha e gás lacrimogêneo, munição essa que, segundo o comando da PM, não deveria ser usada na ocasião e cujo uso será investigado. Um homem e uma mulher caíram de um viaduto e se feriram. A comandante da Polícia Militar chegou a ser protegida dos confrontos por manifestantes. Rotas de ônibus tiveram que ser alteradas.[112] [105] [113] Em Juiz de Fora, Minas Gerais, a manifestação, sob o nome "Junta Brasil", atraiu entre 3 mil (estimativa da PM) e 5 mil (estimativa dos manifestantes) pessoas, partindo da Praça Jarbas de Lery Santos no bairro São Mateus.[114] Houve grande aprovação popular e não houve confronto com a polícia.[114] Uma questão local que entrou no protesto foi uma mudança recente na Lei de Uso e Ocupação do Solo.[114] O trânsito ficou comprometido por 5 horas.[114] De acordo com a PM, os organizadores mantiveram diálogo amistoso com os policiais, nenhuma ocorrência foi registrada e 230 militares deram apoio por meio de controle de tráfego e proteção da população.[114]

Manifestantes ocupam o Congresso Nacional, em Brasília, para protestar contra os gastos na Copa de 2014, corrupção e por melhorias no transporte, na saúde e na educação pública.

Em Brasília, ativistas ocuparam a Esplanada dos Ministérios e centenas deles subiram a rampa e no teto do Congresso Nacional.[105] [115]

Em Fortaleza 5 mil pessoas percorreram três quilômetros de ruas, desde a Praça da Gentilândia ao Hotel Marina Park, passando pelos bairros Centro, Benfica e Moura Brasil, onde a seleção brasileira de futebol estava hospedada. Os manifestantes paravam eventualmente para sentar no meio da rua. Houve pichações durante o trajeto. Houve reunião para decidir sobre protestos que estavam para acontecer no dia 19, data do jogo entre Brasil e México no estádio Castelão, pela Copa das Confederações.[116]

No centro de Porto Alegre, manifestantes destruíram um ônibus, puseram fogo em lixo e foram reprimidos pela polícia com gás lacrimogêneo.[105]

Nas cidades de Vitória e Vila Velha, no Espírito Santo o movimento, que reuniu 20 mil pessoas, começou na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) e percorreu onze quilômetros, passando pela avenida Fernando Ferrari, Ponte da Passagem, Reta da Penha e Terceira Ponte, até chegar às proximidades da residência oficial do governador, Renato Casagrande, na Praia da Costa, já no município de Vila Velha. Ainda na Ufes, imagens foram projetadas na frente do Teatro Universitário. Alguns manifestantes tinham flores brancas e cobriam o rosto, convocando outras transeuntes para o protesto. O hino nacional foi cantado pelos manifestantes, apoiados por comerciantes e moradores, que aplaudiam, puseram panos brancos em janelas e piscavam luzes de prédios. O ato seguia pacífico até um manifestante atirar um objeto em policiais do Batalhão de Missões Especiais, que revidou com gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral e balas de borracha a posteriores ataques com pedras. Os ativistas correram para o Centro de Vila Velha, e jornalistas, resgatistas dos Bombeiros, médicos do Centro de Reabilitação Física do Espírito Santo e moradores de Vila Velha foram encurralados pela polícia. Portões foram arrancados, lixo foi espalhado e carros foram destruídos pelos mais radicais. Um policial foi ferido, uma repórter foi roubada e um homem com antecedentes criminais foi preso ao depredar a portaria de um edifício.[117] [118] [119] [120]

No Paraná as manifestações de 17 de junho foram registradas em várias cidades como Curitiba,[121] Londrina, Maringá, Ponta Grossa[122] , Foz do Iguaçu, Francisco Beltrão e Pato Branco.

Protesto do dia 17 de junho na Avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo.

18 de junho[editar | editar código-fonte]

Manifestantes pelas 5 Causas na França

Um vídeo intitulado "Anonymous Brasil - As 5 causas!" de autoria do coletivo Anonymous, é lançado na internet em resposta a mídia que frequentemente anunciava a falta de reivindicações claras durante os protestos, e sugere 5 motivos consensuais pelos quais as pessoas estariam se manifestando, pedindo a colaboração e adesão a estas causas como foco nos próximos protestos. Sendo elas a rejeição ao PEC 37; a renúncia de Renan Calheiros da presidência do Senado; investigações e punição de irregularidades nas obras da Copa do Mundo a ser realizada no país; lei que torne corrupção crime hediondo e o fim do foro privilegiado. O vídeo "As 5 causas" foi bem aceito chegando a receber em menos de 24 horas mais de 1 milhão de visualizações e em poucos dias a teve cerca de 1000 republicações em outros canais e sites de vídeos, potencializando o efeito viral na internet, mas dificultando a estimativa do número global de visualizações. Ganhando destaque nos protestos, as "5 causas" geraram inúmeras matérias em sites e chegou a atribuir aos Anonymous a nova liderança nos protestos[123] , ganhando espaço em matérias de rádio, revistas, jornais e televisão, incluindo repercussão internacional. Manifestantes não só no Brasil, mas brasileiros em outros países apoiaram as chamadas "5 causas" e exibiam cartazes com a lista durante protestos. Em algumas cidades do país, protestos foram organizados pautados exclusivamente nas 5 causas.

Dentre as causas listadas duas rapidamente geraram resultados, a rejeição a PEC 37, que era uma causa já popular e a aprovação, na Câmara de lei que classifique corrupção como crime hediondo, essa segunda, ainda não figurava até então de forma explícita e direta durante as manifestações, vindo a ser posteriormente citada durante o Pronunciamento Presidencial e divulgada como meta nos "Cinco Pactos".[124]

20 de junho[editar | editar código-fonte]

Manifestação do dia 20 de junho, que reuniu cerca de 65 mil pessoas em Natal.[125]

Em Brasília, cerca de 35 mil pessoas ocuparam a Esplanada dos Ministérios[126] . Após o lançamento de rojões, sinalizadores e pedaços de madeira pelos manifestantes, os policiais responderam com spray de pimenta e bombas de gás lacrimogênio. Em fuga, os manifestantes se concentraram em frente ao Palácio Itamaraty. Algumas pessoas ocuparam o espelho d'água do palácio e subiram na escultura Meteoro, de Bruno Giorgi. Diversos vidros do palácio foram apedrejados, holofotes foram destruídos, paredes foram pichadas e um manifestante chegou a atirar uma bomba incendiária que queimou parte da fachada do prédio projetado por Oscar Niemeyer. A polícia militar conseguiu conter os manifestantes mais exaltados, mas em seguida tendas foram queimadas, e a Catedral de Brasília, apedrejada[127] .

Os protestos deste dia resultaram nas primeiras mortes. Em Ribeirão Preto, interior do estado de São Paulo, o empresário Alexsandro Ishisato de Azevedo, 37, ficou preso em meio a multidão dentro de seu automóvel. O mesmo acelerou contra o público, atropelando treze manifestantes e matou o estudante Marcos Delefrate, 18[128] [129] deixando os demais feridos.

No mesmo dia, durante confronto entre manifestantes e policiais em Belém, a gari Cleonice Vieira de Moraes acabou falecendo vítima de parada cardíaca[130] [131] .

As maiores manifestações foram registradas no Rio de Janeiro (300 mil pessoas), Vitória (100 mil pessoas), São Paulo (100 mil pessoas) e Manaus (100 mil pessoas).[132]

22 de junho[editar | editar código-fonte]

Manifestantes em Belo Horizonte em 22 de junho.

No dia 22 de junho foi feito o primeiro protesto contra a PEC 37. Em São Paulo teve inicio no vão livre do MASP e após percorrer vários pontos de São Paulo foi finalizada na Praça da Sé.[133]

Em Belo Horizonte, também houve protestos, aproximadamente 125 mil pessoas foram às ruas.[134] A manifestação teve um início pacífico na Praça Sete e caminhada pela Avenida Antônio Carlos, o destino dos manifestantes era o Mineirão, onde ocorria um jogo da Copa das Confederações.

A confusão teve início quando os manifestantes chegaram na Avenida Antônio Abrahão Caram, próximo ao Mineirão, onde foi realizado jogo entre Japão e México. Durante o tumulto, os manifestantes que queriam ultrapassar o perímetro de segurança do Mineirão, fizeram barreiras em vias, nas quais atearam fogo e destruíram e saquearam ao menos uma concessionária que fica no local, na região da Pampulha. Integrantes da cavalaria, tropa de choque e de outras unidades da Polícia Militar, além de homens da Força Nacional de Segurança Pública, usaram bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e disparos de balas de borracha para dispersar os manifestantes, enquanto atacavam a polícia com rojões, pedras, bombas caseiras e coquetéis molotov.[135]

29 de junho[editar | editar código-fonte]

Na câmara municipal de Belo Horizonte foi votada a PL 317 que reduziria a passagem em 10 centavos e isentaria a BHTRANS de 2% do ISS que geraria 8 milhões a mais para a BHTRANS que fatura 1,2 bilhão de reais ao ano. Uma proposta pedia a redução em 20 centavos e a outra que abriria as contas de faturamento da BHTRANS. Ambas foram vetadas e os manifestantes não foram autorizados a entrar, e então começou começou a ocupação da câmara até o dia seguinte.[136]

11 de julho[editar | editar código-fonte]

No dia 11 de julho foi realizado o "Dia Nacional de Luta" por centrais sindicais[137] , centenas de organizações de trabalhadores, movimentos sociais e partidos de esquerda[137] , marcando a entrada organizada dos trabalhadores nos protestos.[138] Esta foi a quarta greve geral do país desde a Independência há 190 anos.[139]

Entre as pautas dos trabalhadores estava o marco regulatório dos meios de comunicação, que levou a um ato próprio em frente à sede da Rede Globo em São Paulo,[140] [141] [142] [142] Nessa manifestação um laser verde apontado para as janelas da emissora, mirado na cara do repórter Carlos Tramontina, que apresentava ao vivo o SPTV, obrigou-o a mencionar os protestos feitos do lado de fora.[142] As denúncias de espionagem na internet por agências estadunidenses fizeram o Marco Civil da Internet (PL 2.126/2011) ser uma reivindicação também.[142] De acordo com um dos defensores da PL, a Globo inseriu um trecho no texto que deveria ser removido, mas o resto todo deveria ser aprovado.[142]

Casos de vandalismo[editar | editar código-fonte]

Manifestante com lata de tinta spray próximo a um ônibus em São Paulo, em 7 de junho; atos de vandalismo foram alvo de críticas.

O prefeito de São Paulo Fernando Haddad, o governador do Estado Geraldo Alckmin e o Vice-Presidente do Brasil Michel Temer criticaram os manifestantes envolvidos em confrontos com a polícia e atos de vandalismo. Alckmin qualificou-os como "baderneiros", enquanto Haddad se referiu aos envolvidos como "pessoas inconformadas com o Estado democrático de Direito".[143] O Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo condenou os atos de vandalismo e afirmou que o governo federal estaria a disposição do Estado de São Paulo para um eventual auxílio no enfrentamento dos protestos.[144]

No dia 12 de junho, quase a totalidade dos 55 vereadores eleitos da Câmara Municipal de São Paulo repudiaram os protestos em discurso, denominando os participantes de "criminosos", "marginais" e "delinquentes". O líder de governo na Câmara, Arselino Tatto, afirmou que dentre os manifestantes, haveria "infiltrados" na passeata com a intenção de desestabilizar o governo municipal. Durante a sessão, o único legislador a se pronunciar a favor dos protestos foi o vereador Toninho Vespoli, que foi também objeto de críticas dos seus colegas pela participação nas manifestações.[145]

O blogueiro Reinaldo Azevedo criticou duramente os manifestantes em seu blog, chamando-os de "terroristas", "baderneiros" e "ligando" os protestos ao Partido dos Trabalhadores.[146]

O senador Aloysio Nunes também se referiu aos manifestantes como "baderneiros" e defendeu a ação enérgica da polícia, além de ter criticado o prefeito Fernando Haddad por reconhecer abusos por parte da polícia antes de qualquer investigação sobre o caso.[147] Em resposta, o Movimento Passe Livre declarou que os atos de vandalismo foi introduzido pela polícia militar.[148]

Apartidarismo e antipartidarismo[editar | editar código-fonte]

Manifestante em Juiz de Fora no Dia do Basta, 22 de junho, afirmando através do cartaz que "Os governantes agora somos nós!".

A partir do dia 17 de junho, passaram a ocorrer manifestações de repúdio à presença de bandeiras de partidos políticos nas manifestações.[carece de fontes?] Os que portavam bandeiras, por outro lado, qualificaram a intolerância às bandeiras partidárias como fascismo.[149]

Para o cientista político Fábio Wanderley Reis, existe neste movimentos uma propensão "anti-institucional" e "antipolítica".[150]

Muitos defendem a presença de partidos em manifestações e criticam o teor anti-partidário existente.[carece de fontes?] No entanto, ainda não está claro se o movimento seria majoritariamente apartidário ou anti-partidário.[carece de fontes?] Alguns analistas a mando do governo federal levantaram um boato de que essa mobilização social poderia ser tomada por grupos anti-democráticos e fascistas, com o objetivo de sufocar o seu alcance popular.[151] Por outro lado, há também analistas que explicam que apartidarismo não seria um posicionamento próximo do fascismo.[carece de fontes?] Apesar da presença de grupos fascistas nas manifestações, a grande maioria das pessoas não possuía um posicionamento político claro.[carece de fontes?]

Nas palavras de um comentarista, “feministas, negros, gays, lésbicas, sem-teto sempre denunciaram a violação de seus direitos pelos mesmos fascistas que, agora, tentam puxar a multidão para o seu lado”.[152] No entanto, a disputa para a absorção dessa massa insatisfeita já começou e não se sabe se essa massa será facilmente manobrável em direção a determinada ideologia ou se a mesma reivindicará por mudanças fora do espectro partidário. [153] Mas está claro que há um déficit de democracia participativa que vai ter que ser resolvido. [152]

Apesar de ser uma massa despolitizada, há receios de que ela seja manobrada por grupos específicos. [154] O organizador da “greve geral”, marcada para o dia 1 de julho de 2013 é suspeito de ser membro do Partido da Segurança Pública. [155]

Parte da mídia internacional faz uma cobertura mais conjuntural das passeatas.[carece de fontes?] Revoltas tem ocorrido em países de bom crescimento econômico em anos recentes, como é o caso da Turquia, dos países árabes e do Brasil, apesar de não ter ocorrido desaceleração econômica neste último.[carece de fontes?] O que aproxima a revolta dessa juventude é a grande acessibilidade à informação e às mídias sociais.[156]

Segundo o jornal Brasil247, a rejeição à presença de bandeiras partidárias pode ser analisada como crítica aos tradicionais instrumentos de organização coletiva ou despolitização.[carece de fontes?] “Mas também caberia ser compreendida, ao lado de outros ingredientes, como simbolismo de quem, avesso às correntes conservadoras ou ao aparelhismo de pequenos grupos, não se sente cativado ou vocalizado no projeto liderado pelo PT.” [157]

Outras causas[editar | editar código-fonte]

Repressão policial[editar | editar código-fonte]

Soldados da polícia militar atiram em direção de manifestantes na Avenida Paulista, em São Paulo, em 13 de junho.
Manifestante suplica por compreensão da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro

A ação policial a fim de conter os manifestantes recebeu duras críticas, especialmente após os protestos do dia 13 de junho. A organização não governamental (ONG) Anistia Internacional publicou uma nota onde critica a violenta resposta policial às manifestações populares,[93] [158] dizendo que "vê com preocupação o aumento da violência na repressão aos protestos contra o aumento das passagens de ônibus no Rio de Janeiro e em São Paulo" e que "também é preocupante o discurso das autoridades sinalizando uma radicalização da repressão e a prisão de jornalistas e manifestantes". A ONG ainda afirma que "o transporte público acessível é de fundamental importância para que a população possa exercer seu direito de ir e vir, tão importante quanto os demais direitos como educação, saúde, moradia, de expressão, entre outros" e que "é fundamental que o direito à manifestação e a realização de protestos pacíficos seja assegurado."[93] [158]

Outra ONG, a Repórteres Sem Fronteiras (RSF), divulgou uma nota condenando a repressão aos protestos e a prisão de jornalistas e manifestantes.[93] Benoît Hervieu, representante regional da RSF, afirmou que "a Constituição brasileira está sendo desrespeitada" e que "além da brutalidade dos policiais, as acusações contra os jornalistas não têm fundamento."[159] Ex-comandantes da Polícia Militar consultados pelo jornal O Estado de S. Paulo também apontaram falhas na coordenação, planejamento e execução da operação.[160]

De acordo com o Movimento Passe Livre (MPL), houve cerca de cem feridos no centro da cidade, dentre quais sete jornalistas do jornal Folha de S. Paulo; dois deles atingidos por tiros de bala de borracha na cabeça.[161] [162] Um fotógrafo d'O Estado de S.Paulo acusou um policial de atropelá-lo de propósito com sua viatura no momento em que registrava o momento em que um outro carro da polícia passava por cima de uma barricada em chamas montada pelos manifestantes.[163] Um fotógrafo da Futura Press foi atingido no rosto por uma bala de borracha e corre o risco de perder a visão no olho ferido.[164] No meio do trajeto do quarto protesto, os manifestantes, que agiam de forma pacífica, foram recebidos com truculência pela tropa de choque da PMESP, que iniciou o confronto em diversos pontos com o objetivo de dispersar o movimento.[165] O grupo, em nota, afirmou que entraria com uma representação na Justiça contra a Polícia Militar após a ação do dia 13.[carece de fontes?] O prefeito da cidade, Fernando Haddad, reconheceu que o protesto do dia 13 de junho foi marcado pela violência policial[166] e o secretário de Segurança Pública de São Paulo pede investigação sobre possíveis abusos da polícia militar.[167]

Segundo relatos da imprensa, os confrontos com a polícia naquele dia teriam sido iniciados pela própria corporação.[168] Um vídeo divulgado naquela mesma noite mostra um policial danificando uma viatura da própria polícia.[169] [170] O colunista da Folha de S. Paulo Elio Gaspari disse que "seguramente a PM queria impedir que a passeata chegasse à avenida Paulista" e que os confrontos entre os manifestantes e os policiais "foi um cena típica de um conflito de canibais com os antropófagos".[171]

Constatou-se também que a polícia usou bombas de gás lacrimogêneo com a data de validade vencida, embora, em nota, ela tenha afirmado que isto não ofereceria risco à saúde das pessoas.[172]

Fotógrafo foge de bombas de gás lacrimogênio lançadas pela Polícia Militar de São Paulo durante os protestos em São Paulo, em 7 de junho.

No Rio de Janeiro, houve críticas a atuação policial nos protestos do dia 17 de junho, quando um grupo de manifestantes depredou o prédio da Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (ALERJ). Os policiais que faziam a proteção do prédio tiveram que se refugiar dentro do local, e só puderam sair três horas depois, com a chegada do Batalhão de Choque.[173] Para dois coronéis da PM, ouvidos pelo jornal Estadão, sob condição de anonimato, a demora na atuação foi devido à critérios políticos.[174] O porta-voz da Polícia Militar do Rio negou a acusação, afirmando que a decisão foi técnica, alegando que a ordem era de enfrentar os protestos sem violência, e que a suposta demora se deu porque a organização não esperava tamanho número de manifestantes.[175] Ao dispersar a aglomeração na região, alguns policiais foram flagrados atirando para o alto com fuzis e pistolas. Segundo o porta-voz da Polícia, "a corporação vai fazer um 'estudo de caso' " para apurar o ocorrido.[176]

O vereador Ricardo Young, que acompanhou o indiciamento de alguns manifestantes detidos, informou no Facebook[quando?] que policiais[onde?] estavam fazendo revistas em bolsas e mochilas longe de testemunhas, e plantando provas nelas.[177] Assessores do vereador também denunciaram[quando?] isto.[177]

O uso de policiais infiltrados nos protestos no Rio também causou polêmica. Nas mídias sociais, internautas compartilharam vídeos onde supostos policiais à paisana estariam atacando outros policiais fardados com bombas de fabricação caseira, de modo a incitar a violência nas manifestações.[178] A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro confirmou o uso de agentes do serviço reservado para o acompanhamento das manifestações, negando, no entanto, as acusações de violência por parte dos mesmos, afirmando que a denúncia "ultrapassa os limites do bom senso".[178] Segundo perito forense contactado pelo jornal O Globo, não seria possível confirmar a veracidade das acusações, tendo como base os vídeos publicados.[179] Já para o assessor de direitos humanos da Anistia Internacional, haveriam indícios da ação de policiais a paisana com o objetivo de desestabilizar as manifestações.[179] O governador do estado, Sérgio Cabral, disse que não sabia da existência de policiais infiltrados, pois seriam detalhes técnicos que ficariam a cargo do secretário de segurança, José Mariano Beltrame.[180] Anteriormente, dois manifestantes já haviam sido presos, por, dentre outras acusações, divulgar imagens de supostos policiais infiltrados, o que seria proibido.[181]

Em Porto Alegre a Câmara de Vereadores, através da Comissão de Direitos Humanos, convocou reunião para ouvir os relatos de abuso policial, especialmente referentes ao dia 17 de junho. Jovens e adolescentes depuseram sobre detenções arbitrárias, incluindo uso de armas de eletrochoque, tortura física e psicológica. Alguns manifestantes foram encaminhados ao Presídio Central de Porto Alegre[182] .

Detenções por porte de vinagre[editar | editar código-fonte]

No dia 13 de junho de 2013, agentes da Polícia Militar do Estado de São Paulo, atuando contra manifestações populares do Movimento Passe Livre, prenderam mais de 60 manifestantes por estarem portando vinagre,[183] [184] [185] [186] . O vinagre seria utilizado como meio de proteção ao gás lacrimogêneo e spray de pimenta[184] nas movimentações que ocorreriam mais tarde naquele dia, que partiu do Theatro Municipal com destino à Avenida Paulista. O jornalista Piero Locatelli da revista Carta Capital chegou a ser detido e levado para a Polícia Civil por carregar uma garrafa de vinagre.[184] [185]

A ação dos policiais foi posteriormente motivo de sátira nas redes sociais.[187] O tom irônico também vem sendo empregado para nomear o quinto ato, apelidado de "Marcha pela Legalização do Vinagre".[188] . No dia 16 de junho, o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Fernando Grella Vieira, declarou após os incidentes que "ninguém vai ser detido por estar levando vinagre".[189] Policiais e agentes da ABIN tambem estavam infiltrados nos protestos para cometerem vandalismo.[190] [191] [192]

Eventos esportivos internacionais[editar | editar código-fonte]

Os gastos públicos com a Copa das Confederações e a Copa do Mundo FIFA de 2014 são alvos[3] de boa parte dos protestos[193] , com ativistas, além de reclamarem dos gastos, pedindo a criação de CPIs para verificar as despesas com os eventos e possíveis superfaturamentos.[4] Para abrir a Copa das Confederações no dia 15 de junho, Joseph Blatter, presidente da Fifa, e Dilma Rousseff fizeram um discurso, mas foram vaiados quando tiveram seus nomes mencionados.[194] Sobre as vaias, o ministro da educação Aloizio Mercadante disse no dia 17, citando Nelson Rodrigues, que "futebol e política não se misturam, e que o Maracanã em dia de jogo vaia até minuto de silêncio".[195] Por causa das vaias, a presidenta decidiu não comparecer à final da Copa, no dia 30, para entregar a taça, fazendo a FIFA considerar o ato desrespeitoso.[196] [197] A informação era oficial na noite do dia 28, apesar de que inicialmente a presidenta tinha pretendido comparecer.[198] A queda de popularidade e os protestos na rua a fizeram mudar de ideia.[199]

Em São Paulo, manifestantes têm circulado com cartazes como "FIFA, paga minha tarifa" e entoado bordões como "Ei, Brasil vamos acordar: um professor vale mais do que o Neymar".[193] Outros cartazes incluem "Queremos hospitais padrões FIFA" e "Da Copa eu abro mão, quero é investimento em saúde e educação".[200] Em Salvador, no dia 20 de junho, dois ônibus da FIFA foram apedrejados,[201] além de pelo menos outros dois comuns.[200] Além disso, o hotel que servia de base para a FIFA foi vandalizado e um grupo tentou entrar no estabelecimento, sendo confrontado pela polícia.[201]

No dia 21 de junho, ao ser perguntado sobre o que achava dos protestos, Peeka Odriozola, porta-voz da Fifa, reconheceu que "Nem a Fifa, nem o comitê organizador local, nem a mídia, ninguém estava esperando".[200]

Declarações de futebolistas[editar | editar código-fonte]

O ex-jogador de futebol brasileiro Pelé chegou a afirmar sobre as manifestações: "Faltam 10 meses para começar a Copa. Não vai dar tempo para ver o que foi gasto. Então vamos aproveitar para arrecadar com turismo e compensar o dinheiro que foi roubado dos estádios."[202]

No dia 19 de junho, Pelé declarou, em vídeo gravado para a Globo[202] (TV Tribuna, afiliada[203] ) e divulgado na internet, onde afirmou que os brasileiros deveriam deixar de lado as manifestações e apoiar a seleção.[204] Ao invés de acalmar, gerou mais indignação, como por exemplo, a de Romário, que mandou o Pelé calar a boca.[202] [205] No dia 20, manifestantes da cidade-natal de Pelé, Três Corações, "amordaçaram" a estátua do ex-jogador, amarrando um cartaz na boca dela com os dizeres "Sou Tricordiano, mas Pelé não me representa".[206]

Pelo Facebook, no dia seguinte,[207] Pelé disse, em inglês e português, ter sido mal-interpretado: disse ser 100% a favor da manifestação e que solicitou apenas que não se descontasse na seleção o descontentamento, vaiando a eles.[208] [209]

Ronaldo foi outro alvo de críticas pelos manifestantes[210] após uma declaração sua de 2011 ser relembrada na internet, aonde ele dizia que "com hospitais não se faz Copa do Mundo".[211] Manifestantes levaram cartazes com dizeres, entre outros "Ronaldo, sem hospitais como os travestis vão operar?", em alusão à confusão de alguns anos atrás entre travestis e o ex-jogador.[211] Em Fortaleza, o ex-jogador foi chamado de babaca pelos manifestantes.[212] No dia 20, Romário postou um vídeo resposta em seu Facebook gravado por o pai de uma filha deficiente física supostamente por causa de falhas no sistema de saúde.[213] [214] Disse, entre outras coisas, que um bom atendimento ao turista inclui também ter hospital, e que por isso também pode ser considerado parte da Copa do Mundo.[213] [214]

Ronaldo se defendeu das críticas dizendo que o vídeo está fora de contexto, e que a edição é tendenciosa ao removê-lo e fazer o vídeo parecer daquela semana.[215] [216] Disse também que, como o país não sedia Copa do Mundo desde 1950 e que nem por isto atingiu-se excelência em nenhuma causa social prioritária, como educação, saúde, transportes, etc, ao passo que a Copa é chance de atrair investimento.[215] [216] Afirmou sentir orgulho de ver os protestos e que espera que se espalhem, cobrando todos os anos uma gestão melhor do dinheiro público.[215] [216]

Cobertura da mídia nacional[editar | editar código-fonte]

Sede da Rede Globo em São Paulo, um dos alvos dos protestos populares.

Parte da imprensa também foi criticada pela falta de cobertura ao vivo dos protestos. Os canais a cabo Globo News, Band News e Record News foram acusados pela revista Carta Capital de ignorar as manifestações em São Paulo, enquanto exibiam matérias sobre os protestos na Turquia em 2013.[217] O Observatório da Imprensa notou que só após as agressões direcionadas à imprensa que certos grupos midiáticos começaram a "enxergar os excessos da polícia" e divulgar que há vândalos e violência em ambos os lados do conflito.[218] [177] O repórter da Globo, Caco Barcellos, da equipe do programa Profissão Repórter, foi expulso com as pessoas gritando "a Globo é mentirosa" por um grupo de manifestantes que se concentravam no largo da Batata, zona oeste de São Paulo no dia 17 de junho. Depois do ocorrido, outros jornalistas da emissora não usaram o logotipo nos microfones (a canopla).[219] A revista Veja também foi alvo dos manifestantes durante os protestos.[220]

Alguns meios de comunicação internacionais criticaram a cobertura dos grandes grupos de comunicação no Brasil, tida como parcial em favor da "versão oficial". Segundo o portal francês Rue89, a mídia brasileira não hesitou ao "caracterizar os manifestantes como vândalos" logo no início.[221] [222]

Como as convocações são feitas pela internet e os manifestantes são essencialmente jovens da "era da internet", muitas vezes há mais confiança destes nestes meios do quê em televisão ou jornais.[223] Incomodam aos participantes, segundo entrevista com alguns deles, a manipulação que a Globo sempre faz onde foca-se mais na violência e vandalismo, bem como a redução do número de manifestantes anunciados por ela.[223] Participantes vêem os meios tradicionais, mainstream, como obsoletos, face ao surgimento de meios que não podem os calar mais.[223] Funcionários da Globo são os mais hostilizados, e isso obrigou a emissora e mudar as diretrizes das matérias que iam ao ar, orientando os repórteres a retirarem o selo da TV Globo dos microfones. Na cidade de Juiz de Fora, os manifestantes que se reuniram em frente ao Parque Halfeld, no centro da cidade, e vaiaram o repórter da TV Integração (afiliada da Rede Globo) junto à xingamentos e palavras de ordem, impedindo-o de gravar a matéria sobre as manifestações na cidade. [224] A emissora se manifestou a esse respeito divulgando uma nota oficial que foi ao ar no Jornal Nacional, horário nobre, lida por Patrícia Poeta:

Cquote1.svg "A TV Globo vem fazendo reportagens sobre as manifestações desde o seu início e sem nada a esconder. Os excessos da polícia, as revindicações do movimento Passe-Livre, o caráter pacifico dos protestos, e quando houve depredações e destruições de ônibus. É nossa obrigação, e dela não nos afastaremos. O direito de protestar e se manifestar pacificamente é um direito dos cidadãos." Cquote2.svg
Rede Globo.[225]

Histórico de atritos[editar | editar código-fonte]

Entre o dia 6 de junho e o dia 2 de julho, houve 53 ataques profissionais de imprensa, seis detenções, 13 danificações totais ou parciais a veículos da mídia convencional e uma sede sofreu duas tentativas de ataque (RBS de Porto Alegre).[226]

No dia 13 de junho, em São Paulo, a repórter Daiana Garbin, da Globo News, foi agredida verbalmente por manifestantes, que também lhe atiraram sacos de lixo.[227] O cinegrafista apanhou e a repórter levou um grito a 1cm da orelha.[227] Como resposta, a repórter disse no Twitter que "O que eu vi e vivi hoje no protesto na Paulista é guerra. Não é um protesto para reduzir o preço da passagem".[227] Já por parte da polícia militar, neste dia e nesta cidade, o repórter Piero Locatelli, da Carta Capital, foi detido por portar vinagre.[228] Fernando Borges, fotógrafo do Portal Terra, também foi detido.[228] Uma repórter da Rede Brasil foi agredida enquanto escrevia sentada no bloco de notas.[228] Giuliana Vallone e Fábio Braga, da TV Folha, levaram tiros de bala de borracha no rosto da Tropa de Choque.[228] No Rio de Janeiro, o repórter Vandrey Pereira, da Globo, teve de ser escoltado por seguranças da emissora após quase ser atingido por pedras e sacos de lixo.[229]

Desde o início dos protestos a Rede Globo tem sido alvo de críticas pesadas[quando?] por horas nos sites de redes sociais, a a tag #AbaixoRedeGloboPovoNãoéBobo chegou aos trending topics do Twitter, e as manifestações nas ruas se encaminharam para as portas da emissora,[230] , aonde os manifestantes gritaram "Ei, Globo, vai tomar no cu!".[231]

No dia 17 de junho, também em São Paulo, Caco Barcellos e sua equipe da Globo foram expulsos do protesto por cerca de 100[223] manifestantes que gritavam "Fora Globo”, “Central Globo de Mentiras" e "manipulador"[223] .[232] [233] O jornalista disse ter levado empurrões e pontapés.[232] Tentou continuar acompanhando o protesto, mas os manifestantes gritavam contra a Rede Globo toda vez que a câmera era ligada.[232] Barcellos disse que "A única vez que me impediram de trabalhar foi durante a ditadura e sob tortura".[223]

No dia 18 de junho, em São Paulo, um carro gerador da Rede Record que fazia transmissão ao vivo foi incendiado pelos manifestantes logo após a equipe ser apedrejada.[234] Os manifestantes chegaram com os rostos cobertos, disseram que a equipe não era bem-vinda ali e que teriam de ir embora, mas, segundo a repórter Fabiana Panachão, não deu tempo.[234] Quando os funcionários correram das pedradas, os manifestantes atearam fogo no veículo.[234] Nenhum funcionário ficou ferido e a emissora emitiu comunicado informando crer que os responsáveis eram parte de uma minoria de vândalos.[223] [234]

No dia 20, no Rio de Janeiro, foi a vez de um carro do SBT ser incendiado pelos manifestantes.[235] Em Palmas, capital do Tocantins, manifestantes cercaram e gritaram contra uma equipe da TV Anhanguera, afiliada da Globo.[236] O repórter da Globo News, Pedro Vedova, foi atingido na testa por uma bala de borracha no Rio de Janeiro.[237]

Decorrências[editar | editar código-fonte]

Manifestação em Juiz de Fora no dia 20 de junho: em destaque, manifestante com cartaz acusando a Rede Globo de "vandalismo mental" e convocando as pessoas à rua.

Em 20 de junho, Celso Schröder, presidente da Federação Nacional dos Jornalistas disse à AFP[238] que "O que aconteceu com os manifestantes que queimaram a caminhonete nos parece uma postura autoritária que repete os mesmos padrões da polícia".[223] Disse também que não se pode misturar os jornalistas com as empresas em quê trabalham, pois realmente existe um papel político das empresas de mídia convencional, devido à alta concentração dos meios no país, mas que isto não justifica que se ponha em risco a vida dos jornalistas.[223]

No dia 19 de junho, a Globo, um dos alvos das manifestações e que tem orientado alguns de seus profissionais a defenderem a isenção da emissora nas coberturas dos protestos,[239] transmitiu um editorial no Jornal Nacional lido por Patrícia Poeta.[240] Durante o jogo da Copa das Confederações daquele dia, Galvão Bueno, o narrador, citou os protestos desde as primeiras horas em que eles ocorreram, e ressaltou, quando imagens de cartazes eram exibidas na tela, que eram imagens de câmeras exclusivas do canal, já que as imagens da Fifa não admitem este tipo de manifestação dentro dos estádios.[240] [239] No intervalo, o narrador apareceu sozinho e, em algo similar a um editorial, defendeu a emissora: "A Rede Globo está sempre pronta para mostrar qualquer protesto sem esconder nada".[240] [239] Durante o jogo, apesar da proibição da Fifa, torcedores entraram com faixas.[241] De acordo com um torcedor, ele foi barrado ao tentar entrar com uma faixa em português, mas conseguiu com uma em inglês, apesar da vigilância mais forte.[241] O sistema de som parou de funcionar durante a execução do hino e os torcedores começaram a cantar, não houve vaias durante o jogo e mesmo "Hulk", jogador "perseguido", saiu de campo aplaudidíssimo.[241]

No dia 20 de junho, a Globo exibiu flashes do protesto desde as 15 horas e 45 minutos, com a transmissão dos protestos tomando a maioria do tempo de tela após o fim de Malhação.[242] Um jogo da Copa das Confederações deixou de ser transmitido pois a Fifa não permite que flashes de manifestações daquele tipo sejam intercalados com seus jogos.[243] Surpreendendo a muitas pessoas, a Globo decidiu priorizar a transmissão dos protestos e pelo menos duas novelas não foram transmitidas: Flor do Caribe e Sangue Bom.[242] Âncoras e repórteres tentaram defender os protestos nas primeiras horas, fazendo narração diferente da Globo News e da Record, onde passava o Cidade Alerta[235] (que obteve vice-liderança no Ibope[231] ). A Globo News chegou a colocar três protestos em simultâneo na tela.[235] A Globo mudava a transmissão de cidade para cidade em busca daquelas onde a manifestação estivesse mais pacífica.[235] Às 19h30, William Bonner substituiu Patrícia Poeta na narração, e anunciou o início do Jornal Nacional uma hora mais tarde (no horário de costume) sem escalada de manchetes.[235] À altura da ocasião em que um carro do SBT era queimado no Rio de Janeiro, Bonner improvisou dizendo que "O trabalho da imprensa é para dar voz aos manifestantes, mas uma minoria tenta intimidar", e a partir daí críticas cresceram aos que foram denominados como "vândalos infiltrados".[235] Depois disto, houve intervalo comercial, notícias sobre futebol e por fim a programação voltou ao normal com a novela das nove.[235]

Sobre esta opção da Globo, Paulo Henrique Amorim acusou a emissora, em 20 de junho,[244] de tentativa de golpe, dizendo que não existe passeata apartidária de 50 mil pessoas, e que esta resultaria em nada ou em derrubada do governo.[245]

As emissoras de TV sofreram hostilidades, entre elas a queima de um automóvel do SBT, no Rio de Janeiro,[235] e da Record, em São Paulo.[234] Devido às hostilidades, Globo e Record criaram normas para evitar agressões aos seus repórteres: na Globo, os jornalistas mais conhecidos foram posicionados fora das multidões e os menos conhecidos foram às ruas com equipamentos disfarçados e sem que a canopla do microfone exibisse o logotipo do canal. Essa modificação visual no microfone foi estendida à equipe da Globo News.[246] A Record, por sua vez, evitando posicionar seus profissionais nas ruas, passou a colocar o maior número possível de câmeras em helicópteros: os jornalistas porventura interessados em se posicionar em algum local de conflitos tinham que firmar um pedido formal de autorização e justificar muito bem o pedido.[247] A decisão da Record ocorreu dois dias após uma de suas vans haver sido incinerada por manifestantes, em São Paulo.[247] [248]

PEC 37[editar | editar código-fonte]

Manifestante no Dia do Basta em Juiz de Fora, 22 de junho, pedindo o veto ao PEC 37 e mais duas medidas.

Os protestos pelo país tiveram críticas à PEC 37 como uma de suas bandeiras,[249] e manifestantes defendem a derrubada do projeto.[250] [251] [252] No dia 20 de junho, Roberto Gurgel, procurador-geral da República, disse que os protestos influenciaram o adiamento da votação na Câmara dos Deputados, que estava marcada para o dia 26, e que as manifestações "incluíram a PEC 37 como uma das principais pautas na luta contra corrupção".[249] Disse também que o Ministério Público continua mobilizado, que ele acredita que a PEC deveria ser simplesmente excluída da pauta do Congresso ao invés de adiada e que é fundamental o apoio contra ela.[249] Henrique Alves, presidente da Câmara, disse em 20 de junho que a votação deveria ocorrer na primeira semana de julho, após o adiamento.[253] Disse também que seria preciso buscar consenso entre o Ministério Público e polícias, que ficaram divididas pela PEC, para que a decisão não corra o risco de ser feita judicialmente.[253]

Diante dos protestos criticando também a PEC, o senador Walter Pinheiro (PT da Bahia) solicitou[quando?] que Renan Calheiros, presidente do Senado, faça um entendimento com o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves.[254] Walter defende que o caminho para a melhor definição das atribuições de cada instituição é uma solução criada em conjunto por elas.[254]

"Cura gay"[editar | editar código-fonte]

2ª manifestação em Juiz de Fora em 20 de junho: à direita, homem segura cartaz com os dizeres "Psicólogo não cura gay... Psicólogo cura homofóbicos!!!", em resposta à aprovação, pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias, do projeto de "cura gay" no dia 18[255] .

O Projeto de Decreto Legislativo 234/11,[256] [257] conhecido como "cura gay"[258] e apresentado pelo deputado e pastor evangélico João Campos (PSDB-GO)[259] , aprovado no dia 18 pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, presidida pelo pastor Marco Feliciano, criticado por declarações homofóbicas,[258] altera uma resolução do Conselho Federal de Psicologia, suspendendo partes desse documento que proíbem psicólogos de considerarem a homossexualidade uma doença e de tentarem mudar a orientação sexual de seus pacientes.[260] [261] Tornou-se alvo das manifestações.[262]

Antes de se tornar lei, o projeto ainda teria de ser analisado pelas comissões de Seguridade Social e Família e de Constituição e Justiça, antes de chegar ao plenário da Câmara.[261] Entretanto, líderes da Câmara tentam levar o projeto diretamente para votação em plenário, onde a pressão popular contra o projeto e contra o deputado Marcos Feliciano deve fazer com que seja rejeitado.[263] [264]

Feliciano alega que não existe cura gay mesmo, já que homossexualidade não é doença, mas que não se poderia impedir os psicólogos de estudar o assunto, por não haver consenso, por não concordarem todos os psicólogos do mundo sobre a questão, e por ele conhecer uma pessoa hetero que depois se tornou gay; Feliciano acusa estar sendo usado como bode expiatório.[263] Diz também que é vítima de preconceito por causa de sua religião, critica a imprensa por ocultar um evento organizado por Silas Malafaia no dia 5 aonde 70 mil pessoas se manifestaram a favor do projeto, diz que as manifestações de políticos contra os projetos é uma forma de humilhar a bancada evangélica, que o governo esqueceu deles e que o PSTU e o movimento GLBTT inventaram o nome "cura gay" para perseguirem ele outra vez.[265]

O projeto foi tirado de tramitação no dia 2 de julho pelo presidente da Câmara, Henrique Alves.[266] Após isso, antes do dia 4, o deputado Anderson Ferreira (PR de Pernambuco) apresentou novamente o mesmo projeto, que foi novamente recusado, desta vez por uma proposta idêntica que tenha sido retirada de tramitação não poder retornar no mesmo ano.[266]

Repercussão[editar | editar código-fonte]

Nacional[editar | editar código-fonte]

Os protestos ganharam cobertura midiática imediata no Brasil. Ao se referenciar aos protestos do dia 11 de junho, no dia posterior ao das manifestações (12 de junho), o jornal Folha de S.Paulo criticou as manifestações, acusando os manifestantes de vandalizarem vias da cidade[267] - no dia seguinte, 13 de junho, defendeu em seu editorial que os manifestantes "são jovens predispostos à violência por uma ideologia pseudorrevolucionária, que buscam tirar proveito da compreensível irritação geral com o preço pago para viajar em ônibus e trens superlotados" e que "lançam mão de expediente consagrado pelo oportunismo corporativista: marcar protestos em horário de pico de trânsito na avenida Paulista, artéria vital da cidade. Sua estratégia para atrair a atenção pública é prejudicar o número máximo de pessoas"[268] O jornal também defendeu as intervenções da polícia.[268] No dia 14, porém, reconheceu a truculência da polícia, após ter sete de seus repórteres feridos pelas ações da corporação[269] [270] - uma delas levou um tiro de borracha no rosto, levando o jornal a repudiar "toda forma de violência" e "a falta de discernimento da Polícia Militar no episódio".[271] No dia seguinte, publicou editorial no qual afirma que a polícia "protagonizou [...] um espetáculo de despreparo, truculência e falta de controle ainda mais grave que o vandalismo e a violência dos manifestantes, que tinha por missão coibir".[272]

Em entrevista ao Estado de S. Paulo, no dia 11 de junho, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), afirma que a interrupção do trânsito durante um protesto é um ato de vandalismo e, dessa maneira, deve ser tratada como um "caso de polícia".[273]

O jornal O Estado de S.Paulo tomou um posicionamento similar ao da Folha de S. Paulo em 12 de junho: acusou os manifestantes de destruir agências bancárias e lojas, pichar prédios e incendiar ônibus[72] , para no dia seguinte (13 de junho), em editorial, chamar os organizadores dos protestos de "baderneiros", acusar os manifestantes de "aterrorizar a população" e dizer que o vandalismo "tem sido a marca do protesto", além de considerar "moderada" a reação da PM e cobrar ainda mais rigor das polícias nos próximos protestos.[73]

Em comentário feito no dia 12 de junho, o jornalista Arnaldo Jabor, no Jornal da Globo, afirmou que a grande maioria dos manifestantes seria composta por jovens de classe média e que a manifestação seria decorrente de ignorância política e do estímulo dos protestos na Turquia. Em tom provocador, Jabor questionou por que não lutam contra a PEC 37 que, em sua opinião, seria um motivo mais legítimo. Por fim, finaliza dizendo que os manifestantes talvez nem sequer saibam o que é a PEC 37 e que não valham sequer os R$0,20 do aumento das passagens.[274] No dia 17, em sua seção na Rádio CBN, se desculpou por suas declarações, afirmando que temia que a energia fosse gasta com uma reivindicação boba, mas que viu que o problema era muito maior.[275] [276]

O jornal O Globo, no dia 12 de junho, falava dos protestos no Rio como "a marcha da insensatez", e no dia 13, que havia "apoio de partidos" ao Movimento Passe Livre, como se isso fosse algo absurdo.[277] Também, na edição do dia 13, dizia que os organizadores eram responsáveis pelos atos de vandalismo, ainda que estes dissessem não ter controle da situação.[277] No mesmo parágrafo, acusava as causas de serem artificiais, alegando que os mais afetados pelos problemas não são os manifestantes, como se apenas fossem válidos protestos para coisas que afetem diretamente os protestantes.[277]

No dia 13 de junho, a Folha de S.Paulo tinha um editorial que pedia à polícia para "retomar a Paulista", e o Estadão dizia que "chegou a hora do basta", pedindo à polícia "mais rigor" na repressão aos protestos.[277] De acordo com o Observatório da Imprensa, ao fim do dia obtiveram o que foi solicitado, e que talvez tenha sido o motivo principal para a virada da cobertura: funcionários da imprensa também foram atingidos.[277] [177]

De acordo com o Observatório da Imprensa, pontos importantes da virada da cobertura foram: uma descrição feita por Elio Gaspari, da Folha e do Globo, sobre a forma em que uma equipe da tropa de choque deliberadamente provocou tumulto; um vídeo de um PM quebrando a própria viatura; e a legenda na Globo News colocada, durante a noite, sob imagens dos conflitos: "Polícia fecha a Avenida Paulista para evitar que manifestantes fechem a Avenida Paulista", o que, segundo o autor do texto no Observatório, dava margem para se imaginar também a manchete “Polícia usa violência para evitar violência de manifestantes”.[177]

A revista semanal Veja São Paulo acusou, em 14 de junho, o MPL de provocar "doses de barulho e de confusão inversamente proporcionais ao seu tamanho".[278] Também afirmou, na mesma edição, que os manifestantes protestam "sempre nas artérias principais da cidade, para chamar atenção, causando a maior balbúrdia possível e prejudicando um incalculável número de cidadãos que não consome drogas, trabalha oito horas por dia, não desfruta de imunidade sindical, sofre com o trânsito e quer viver em paz, com segurança, tendo assegurado seu sagrado direito de ir e vir".[278] Porém a Veja São Paulo reconheceu que a polícia está despreparada para lidar com situações semelhantes e que ela "perde a razão quando exagera na força".[279]

Atores como Carmo Dalla Vecchia, Fernanda Rodrigues, Mayana Neiva, Miguel Rômulo e Paulo Vilhena postaram, no dia 16 de junho, fotos em redes sociais nas quais aparecem de olho roxo, em referência ao ataque a jornalistas com balas de borracha no protesto do dia 13 de junho em São Paulo. Os atores também publicaram textos em solidariedade aos manifestantes e criticaram a ação da PMESP. As imagens fazem parte do protesto fotográfico "Dói em Todos Nós", do fotógrafo Yuri Sardenberg,[280] que pretende mobilizar uma campanha para que todos tenham uma foto, nas redes sociais, com o olho roxo.[281]

Internacional[editar | editar código-fonte]

Manifestação em Lisboa, em 18 de junho, em solidariedade aos protestos realizados no Brasil.

Em 18 de junho, houve manifestações de apoio em Lisboa, Coimbra e Porto.[282]

A manifestação de 80 mil pessoas em Fortaleza no dia 19 de junho[283] , próximas ao Castelão, ganhou mais destaque fora do país do que a vitória brasileira no jogo da Copa das Confederações.[284] Por exemplo, a CNN escreveu 7 parágrafos sobre o jogo e 12 sobre as manifestações do país.[284]

O jornal El País disse[quando?] que os manifestantes são os filhos rebeldes de Lula e Dilma, que dominam melhor a Tecnologia da Informação e não só questionam como discordam das coisas que recebem.[285] Como exemplo, mencionou um caso em que Lula uma vez[quando?] disse, e depois se arrependeu, que o sistema de saúde no país tinha chegado quase à perfeição e que algumas pessoas até queriam ficar doentes só para usarem os serviços, mas que foi constatado pelos usuários que o melhor era ficar saudável mesmo.[285] Disse também que, apesar de "os pais" provavelmente decidirem ouvir os "filhos", existe o risco de que estes não queiram mais escutar os pais e prefiram falar por conta própria.[285] Acrescentou que os aspectos positivos dos protestos poderiam servir de exemplo aos países vizinhos.[285]

Protesto de estudantes brasileiros em Salamanca, Espanha, em 20 de junho.

Após os acontecimentos do dia 13 de junho, protestos em solidariedade aos participantes das manifestações de São Paulo foram marcados em Portugal[quando?], França[quando?], Alemanha em 22 de junho de 2013 (com protestos em Colônia, Hamburgo, Berlin, Frankfurt e Munique)[286] , Irlanda[quando?], Canadá[quando?], dentre outros países, perfazendo um total de 27 cidades fora do Brasil.[2] [287] Manifestantes da Turquia também expressaram[quando?] em mensagens apoio aos protestos no Brasil.[288]

Os protestos receberam destaque nas principais agências de comunicação internacionais[quando?], que ressaltaram[quando?] a "truculência" da polícia brasileira e o "clima de insegurança" presente na véspera de grandes eventos esportivos a serem sediados no país.[221] [289] Dentre os grupos midiáticos que cobriram os protestos incluem-se o jornal espanhol El País,[290] [291] o francês Le Monde[292] e a rede de notícias norte-americana CNN.[293] [294] Para a rede britânica BBC, as manifestações trariam complicações para a realização da Copa das Confederações, especialmente no caso de protestos[qual?] análogos que ocorreram na cidade do Rio de Janeiro.[quando?][295] [296] O jornal americano The New York Times concordou[quando?] e destacou[quando?] os confrontos entre os manifestantes e a polícia. O periódico também comparou o movimento com a Revolta do Vintém de 1879 no Rio de Janeiro, uma série de protestos populares contra o aumento das passagens dos bondes.[297] A revista alemã Der Spiegel anunciou[quando?] que houve "batalhas de rua por causa de sete centavos" (R$0,20 convertidos em Euro).[298]

O primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, disse em um comício que os recentes protestos em seu país eram parte de uma conspiração por parte de forças estrangeiras desconhecidas, banqueiros e meios de comunicação locais e internacionais, e que "o mesmo jogo está sendo jogado sobre o Brasil. Os símbolos são os mesmos, os cartazes são os mesmos, Twitter, Facebook, são os mesmos, a mídia internacional é a mesma." Erdogan afirmou ainda que "eles estão fazendo o máximo possível para conseguir no Brasil o que não conseguiram aqui. É o mesmo jogo, a mesma armadilha, o mesmo objetivo."[299]

Em Seattle um homem foi preso[300] acusado de levar armamentos para fazer uma manifestação em suporte aos protestos no Brasil.[301] [302] [303]

Resposta governamental[editar | editar código-fonte]

No dia 17 de junho, data em que se intensificaram as manifestações, a presidente Dilma Rousseff se reuniu com o ministro da justiça para acompanhar a atuação policial.[304]

Ainda em 17 de junho, integrantes do governo federal fizeram declarações públicas sobre o movimento. Segundo a ministra da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, Helena Chagas, Dilma Rousseff teria afirmado considerar as manifestações "legítimas e próprias da democracia", sendo "próprio dos jovens se manifestarem".[304] Já o ministro do esporte, Aldo Rebelo, em tom mais ríspido, elogiou a atuação das polícias estaduais e afirmou que o governo não iria tolerar as manifestações no país que atrapalhem ou tentem impedir os jogos da Copa das Confederações FIFA.[305]

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, anuncia[quando?] a suspensão do aumento das tarifas de transporte público no município.

Na manhã do dia 18, o governador de Minas Gerais, Antônio Anastasia, encontrou-se com a presidente Dilma Rousseff e solicitou apoio da tropa nacional, recebendo 150 pessoas para auxiliar a Polícia Militar durante os atos.[306] Os militares da Força Nacional são destinados a atuar somente nas áreas dos estádios, não podendo ser transferidos para outros lugares das cidades.[307] Os totais de militares enviados para os estados são mantidos em sigilo,[307] e os tempos de permanência são decididos pelos governos estaduais.[308]

À tarde, falando pela primeira vez sobre os protestos,[309] Dilma Rousseff disse na NBR que seu governo "está ouvindo essas vozes pela mudança", "está empenhado e comprometido com a transformação social" e "compreende que as exigências da população mudam quando nós mudamos também o Brasil".[310] O ex-presidente Lula elogiou esse discurso no dia seguinte.[311] À noite, a ministra chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, divulgou estudo mostrando que algumas medidas de desoneração adotadas pelo governo federal desde janeiro de 2013 propiciavam a redução das tarifas de transporte coletivo. Para São Paulo, o estudo apontava possibilidade de redução em R$ 0,23. Todavia, a ministra em seguida pediu desculpas e negou essa possibilidade.[312]

O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, caracterizou no dia 18 de junho os atos de vandalismo que ocorreram durante as manifestações uma atrocidade.[313] No dia 19, considerou pela primeira vez a possibilidade de rever o preço da passagem, dizendo que vai se subordinar às pessoas pois seu trabalho como prefeito é fazer o que a cidade quer que ele faça, após reunião com Lula e Dilma.[314] Entretanto, na manifestação daquele dia, a polícia outra vez usou balas de borracha e gás lacrimogêneo, mesmo tendo o tal prefeito prometido anteriormente que esse tipo de munição não seria mais utilizado contra os protestos.[314]

Estadão caracterizou a reunião como "operação de salvamento" ao prefeito, e que ocorreu logo após o prefeito encontrar-se com representantes do Movimento Passe Livre.[311] Lula disse depois, em outra reunião, que o PT errou ao se distanciar da juventude, e que agora pagava este preço.[311] O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, deveria assumir o papel de interlocutor com os jovens, e o partido estudava novos programas para beneficiar esta parte da população.[311] Setores do partido entendem que os discursos precisam ter direcionamento diferente da redução da miséria pois o tema já não é o bastante para responder aos anseios dos manifestantes.[311]

Em 20 de junho, foi noticiado que o governo estava preparando uma operação na qual membros da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN) monitorariam os protestos no país naquele dia, acompanhando a movimentação dos manifestantes no Facebook, Twitter, Instagram e WhatsApp.[315] De acordo com o jornal Estado de S. Paulo, o que levou à decisão foi o fato do Gabinete de Segurança Institucional não ter avisado ao governo sobre a ocorrência das manifestações.[315] A revista Época Negócios disse que o sistema Mosaico passaria a medir e analisar as manifestações, que já acompanha 700 temas definidos pelo ministro-chefe do GSI, general José Elito Carvalho Siqueira.[315]

Neste dia, a TV Senado preparou uma estrutura para transmitir ao vivo as manifestações em Brasília, mas foi proibida pelo senador Renan Calheiros de última hora e tiveram de se limitar à reprodução de boletins na Internet.[316] Alguns membros da redação ficaram revoltados com a censura.[316]

Pronunciamento presidencial[editar | editar código-fonte]

Pronunciamento de Dilma Rousseff à nação em 21 de junho de 2013.

No dia 21, a presidente cancelou uma viagem que faria ao Japão a partir de domingo e convocou uma reunião de emergência com o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e outros ministros, para avaliar a proporção e alcance dos protestos.[317] Michel Temer, vice-presidente, e Henrique Alves, presidente da câmara dos deputados, encurtaram suas estadias na Rússia para chegarem à noite em Brasília.[317] O jornal Folha de São Paulo disse que na reunião seria discutida a posição do governo em relação aos protestos, as medidas possíveis de serem adotadas pelo Ministério da Justiça a respeito de incidentes ocorridos e possivelmente até um pronunciamento da presidente em rede nacional.[318] A reunião, que começou às 9h30[319] , durou três horas, e após ela Dilma continuou em outra reunião em seu gabinete sobre o mesmo tema.[320] Determinou que nenhum ministro deveria sair de Brasília.[320] Nenhum comunicado foi emitido à imprensa imediatamente após o fim do encontro.[321] O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, disse em outro evento daquela manhã que o governo teria de correr atrás para satisfazer ao novo padrão de exigência e que a presidente deveria se pronunciar em breve.[321]

No fim da tarde um pronunciamento da presidente foi gravado durante uma hora, onde ela procura tranquilizar os manifestantes.[322] A transmissão em rádio e TV foi marcada para as 21h daquela noite, com duração de 10 minutos, onde se falaria das manifestações e da Copa das Confederações.[323] [324] [325] [326]

No pronunciamento, Dilma prometeu conversar com prefeitos e governadores para realizar um pacto de melhoria dos serviços públicos [327] e a criação de um Plano Nacional de Mobilidade Urbana.[193] Prometeu destinar 100% do dinheiro dos royalties do petróleo à educação, a trazer médicos estrangeiros para ampliar o atendimento do SUS e a se encontrar com os líderes das manifestações pacíficas.[193] Disse ser favorável às reivindicações democráticas, reconheceu a necessidade de "oxigenar" o sistema político e prometeu uma ampla reforma que amplie o poder popular.[193]

Sobre os investimentos para a Copa, a fala presidencial argumentou que:

Cquote1.svg Em relação à Copa, quero esclarecer que o dinheiro do governo federal, gasto com as arenas, é fruto de financiamento que será devidamente pago pelas empresas e pelos governos que estão explorando esses estádios. Cquote2.svg
Pronunciamento de Dilma Rousseff[328]

Além disso, criticou os vandalismos e pediu respeitos aos espectadores dos jogos.[329] Em relação aos protestos contra a diretriz econômica de seu governo, ela afirmou que " quem define os rumos da política econômica brasileira trabalha no terceiro andar do Palácio do Planalto, e não na Esplanada dos Ministérios".[330]

Em seu livro de memórias intitulado Hard Choices, Hillary Clinton, a ex-Secretária de Estado dos Estados Unidos, classificou a atuação de Rousseff durante os protestos de junho de 2013 como um exemplo de ação democrática: "Em vez de desprezar ou bater e prender manifestantes, como fizeram muitos outros países, incluindo a Venezuela, Dilma se juntou a eles, reconheceu as suas preocupações e pediu que trabalhassem com o governo para resolver os problemas".[331]

Os cinco pactos e o plebiscito[editar | editar código-fonte]

No dia 24 de junho, após encontro com membros do Movimento Passe Livre, Dilma reuniu-se com 26[332] prefeitos e 27[332] governadores para apresentar cinco pactos nacionais, dos seguinte temas[333] , entre os três níveis do governo[332] :

  • transporte público[334] : investimentos em corredores de ônibus, VLTs e metrôs, e a criação de um Conselho Nacional de Transporte Público onde usuários e sociedade civil participassem.[333] Foi considerada a desoneração de PIS e COFINS para o diesel de ônibus[333] e para a energia elétrica de trens e metrôs.[332] [334] Considerou que tanto a desoneração quanto o Conselho poderiam ocorrer a níveis estadual e municipal ou metropolitano além do federal.[332] Defendeu que a matriz de transportes passe a ser sobre trilhos, e criticou governos anteriores que não tomaram essa medida;[334]
  • reforma política[334] e combate à corrupção[332] : foi proposta a criação de um plebiscito para que uma assembleia constituinte exclusiva para isto seja criada.[333] [332] Também, pediu que os governos façam o mais rapidamente possível a implementação da Lei de Acesso à Informação[334] , e disse que transformar corrupção dolosa[334] em crime hediondo seria uma iniciativa fundamental;[332]
  • saúde[334] : aceleração dos investimentos já contratados para construção de UPAs, UBS e hospitais[333] e ampliação do sistema que troca dívidas de hospitais filantrópicos por mais atendimentos[334] Dilma defendeu que os médicos recebam incentivos para irem trabalhar nas regiões mais pobres e remotas, e que caso isso não resolvesse, que médicos estrangeiros fossem levados para esses lugares,[333] exclusivamente para o SUS.[334] Falou que este aspecto enfrentaria oposição dos médicos, mas disse querer deixar claro que não é algo hostil e desrespeitoso à classe médica, mas uma ação limitada e emergencial, que o Brasil é um dos países que menos emprega médicos estrangeiros e que de qualquer forma a saúde dos brasileiros deve prevalecer sobre quaisquer interesses.[334] Disse que iria ainda tomar uma série de outras medidas para melhorar as condições de trabalho nos hospitais públicos;[333]
  • educação[334] : 100% dos royalties do petróleo para educação, e 50% do pré-sal;[333]
  • responsabilidade fiscal[334] : manter as medidas de estabilidade econômica e controle da inflação para que o Brasil continue protegido da crise mundial.[333] [332]

No dia seguinte, porém, a proposta de convocar uma Constituinte foi descartada pelo governo, após ser rejeitada pelo vice-presidente, pela OAB e pela oposição.[335] [336] O plebiscito foi escolhido como a forma de convergência para a reforma.[336] Também nesse dia, um pacote de 17 medidas prioritárias foi definido pelo presidente do Senado, Renan Calheiros, que ameaçou suspender o recesso legislativo do meio de julho se elas não fossem apreciadas.[337]

No dia seguinte, 26, foi aprovado no Senado o projeto de lei que torna corrupção em crime hediondo, seja passiva ou ativa, e inclusive a exigência de benefício para si mesmo ou para outra pessoa em função do cargo exercido, seja cobrando por um serviço para o qual o estado não exige pagamento ou seja pela apropriação mais geral de valores ou bens.[337] Dilma reuniu-se com dirigentes de cinco centrais sindicais, para, entre outras coisas, pedir apoio dos sindicalistas para a realização do plebiscito e convencer a suspensão da greve geral marcada para 11 de julho, mas não teve sucesso: a primeira questão deixou os convidados divididos, e a segunda foi recusada.[338] Para a presidente, a questão da reforma política é primordial, precisando ser discutida logo para que entre em vigor para as eleições de 2014.[338] A presidente e a cúpula do PT defendem o financiamento público de campanha eleitoral para impedir abuso de poder econômico, mas os demais políticos não entram em consenso.[338] Os sindicalistas saíram irritados da reunião por considerar que foram chamados para ouvir planos mirabolantes do governo para tirar a atenção de si próprio, ao invés de ouvir o que disseram e realizar o que foi solicitado.[338] Os pontos que estes levaram foram: fim do fator previdenciário, 10% do PIB para a saúde e outros 10% para a Educação, jornada de trabalho de 40h, reforma agrária, transporte público de qualidade, valorização das aposentadorias, mudanças nos leilões de petróleo e veto ao PL 4330, sobre terceirização, entre outros.[339] Na reunião dos sindicalistas que decidiu os pontos a serem apresentados, o vice-presidente da UNE contou que a organização, em reunião no dia 24, decidiu que suas pautas para a mobilização do dia 27 seriam: 10% do PIB para a educação e 100% dos royalties do petróleo; contra o Estatuto do Nascituro e contra a cura gay; pela democratização das mídias; pela reforma política e pelo passe livre estudantil.[339]

No dia 2 de julho, foram apresentadas ao Congresso as sugestões de temas da presidente para a elaboração do plebiscito.[340] Os partidos de oposição, entretanto, sugeriam referendo.[340]

  • financiamento de campanhas;[340] De acordo com José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, a consulta deveria definir se será público, privado ou misto;[341]
  • sistema eleitoral.[340] De acordo com José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça, a consulta deveria definir se será mantido o voto proporcional ou alterado para voto distrital, distrital misto, distritão ou em dois turnos como a OAB e outros propunham.[341]
  • manutenção das coligações partidárias;[340]
  • fim do voto secreto no Congresso.[340] De acordo com Renan Calheiros, presidente do Senado, é assunto praticamente resolvido;[342] [341]
  • fim da suplência de senador.[340] De acordo com Renan Calheiros, presidente do Senado, é assunto praticamente resolvido;[342] [341]

De acordo com Henrique Eduardo Alves, presidente da Câmara, uma proposta paralela de reforma política será desenvolvida em 90 dias pelos parlamentares, por precaução, para o caso de ocorrer algum imprevisto com o plebiscito.[342] Michel Temer, vice-presidente da República, disse que deverá haver um mês ou um mês e meio de propaganda eleitoral para informar a população sobre cada um dos pontos.[341]

No dia 9 de julho, a Câmara dos Deputados recusou o plebiscito e decidiu criar um grupo de trabalho para debater o tema em improrrogáveis 90 dias, podendo depois ser realizado um referendo.[343] Apenas PT, PCdoB e PDT continuaram apoiando o plebiscito,[343] e decidiram buscar as 171 assinaturas necessárias para criar um projeto de decreto legislativo para a realização dele. O presidente da Câmara respondeu que, se isto for conseguido, o plebiscito valerá para 2016 e não 2014.[344]

Arrefecimento[editar | editar código-fonte]

Desde julho, vários protestos têm sido realizados no país, mas com um número bem menor de manifestantes. Anarquistas aproveitaram as manifestações de junho para colocar em prática a tática conhecida como black bloc, que consiste em atacar e depredar símbolos do poder e do capitalismo.[345] Tem esse nome porque, nas manifestações, os anarquistas, vestidos com roupas e máscaras pretas, formam um bloco de pessoas que se coloca entre a polícia e o restante dos manifestantes.[345] A estratégia ganhou notoriedade durante as manifestações contra o encontro da OMC em Seattle em 1999.[345] Segundo Marcia Cavallari, diretora do IBOPE Inteligência, o foco dos protestos "se perdeu quando começou as ações dos black blocs e isso fez com que a grande maioria das pessoas, as que querem se manifestar por causas legítimas, se inibisse".[346] O jornalista Kennedy Alencar notou a baixa presença de manifestantes nos protestos marcados para 7 de Setembro de 2013, apontando como causas para isso a falta de pautas específicas após a queda das tarifas do transporte coletivo e o fim da PEC 37.[347] Essa visão é compartilhada por Lúcio Gregori, secretário de Transportes de São Paulo na gestão de Luiza Erundina e inspirador do movimento pelo passe livre.[348] Mas Alencar aponta também que a baixa adesão aos protestos de 7 de Setembro deve-se ao fato de que a maioria da população não deseja endossar a violência que segundo ele tomou conta dos protestos.[347] Para o repórter Gerardo Lissardy, da BBC Brasil, no entanto, os protestos arrefeceram devido ao fim da Copa das Confederações e aos cinco pactos prometidos pela presidente Dilma.[349] Segundo Sonia Fleury, doutora em ciência política e coordenadora de estudos sobre a esfera pública da Fundação Getúlio Vargas, ouvida pelo repórter, a ação de grupos radicais que adotam a tática black bloc pode ter afastado muitas pessoas dos protestos.[349] Pesquisa realizada pelo instituto MDA em novembro de 2013 indica que enquanto 81,7% da população apoia os protestos que ocorrem desde junho, 93,4% não concorda com a ação dos grupos que adotam a violência como forma de protesto.[350]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Na época, o reajuste de R$ 2,70 para R$ 3,00 também gerou protestos.[65]
  2. Para o jornalista Gilberto Dimenstein, o motivo dos protestos não seria apenas o reajuste de 20 centavos na tarifa, mas um incômodo geral com o governo e a vida na cidade de São Paulo.[70]

Referências

  1. a b Quase 2 milhões de brasileiros participaram de manifestações em 438 cidades Agência Brasil Correio Braziliense (21 de junho de 2013). Visitado em 22 de junho de 2013.
  2. a b França, Alemanha, Portugal e Canadá terão protestos em solidariedade aos manifestantes de SP Opera Mundi (14 de junho de 2013). Visitado em 15 de junho de 2013.
  3. a b c d e f Brasil preparado para os maiores protestos desde o início das manifestações Jornal de Negócios (20 de junho de 2013). Visitado em 21 de junho de 2013.
  4. a b c d e f g Revista VejaNas redes sociais, as outras causas por trás dos protestos (21 de junho de 2013).
  5. Democratização da mídia é pauta das manifestações[1] ABI. Página vista em 1 de setembro de 2013
  6. Guilherme Balza (22 de junho de 2013). UolCom pauta única, ao menos 4.000 protestam contra 'cura gay' e fecham av. Paulista. Visitado em 22 de junho de 2013.
  7. Manifestantes promovem ato contra projeto da 'cura gay' em SP Portal Terra (21 de junho de 2013). Visitado em 21 de junho de 2013.
  8. Novos protestos miram "cura gay" e PEC 37 R7 (21 de junho de 2013). Visitado em 21 de junho de 2013.
  9. G1Protestos influenciaram adiamento da votação da PEC 37, diz Gurgel. Visitado em 21 de junho de 2013.
  10. Portal TerraProtesto em Brasília será contra a Copa, PEC 37 e serviços públicos (20 de junho de 2013). Visitado em 21 de junho de 2013.
  11. Ativistas protestam contra PEC 37, "cura gay" e Copa no Rio Exame (20 de junho de 2013). Visitado em 21 de junho de 2013.
  12. Ativistas protestam contra PEC 37, 'cura gay' e Copa Estadão (20 de junho de 2013). Visitado em 21 de junho de 2013.
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