Imanência

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A imanência é um conceito religioso e metafísico que defende a existência de um ser supremo e divino (ou força) dentro do mundo físico. Este conceito geralmente contrasta ou coexiste com a ideia de transcendência.

Imanência na religião[editar | editar código-fonte]

Ao prestar culto, um pesquisador pela imanência se pode achar Deus dentro de si procurando-o. Este conceito é usado frequentemente no hinduísmo para descrever o relacionamento de Brâman, ou Ser Cósmico, no mundo material. (como demonstrado em teísmo monístico). O hinduísmo define Brâman como ambos transcendente e imanente - variando a ênfase destas qualidades de acordo com cada ramo filosóficas dentro desta religião. A imanência é um dos 'cinco conceitos' para os drusos, e é representada pela cor branca. Muitos estudiosos, como Henry David Thoreau, que popularizaram o conceito de imanência, foram influenciados pelo ponto de vista hindu.

Imanência e Jesus no cristianismo[editar | editar código-fonte]

No cristianismo o Deus transcendente, (que transcende - ultrapassa - as eras do mundo), santo e onipotente, que não pode ser alcançado ou visto, pode ser atingido pela primariedade imanente no Homem-Deus Jesus o Cristo, que é o filho de Deus. Isto foi expresso na famosa carta de São Paulo aos filipenses, onde ele escreve:

"O qual, subsistindo em forma de Deus, não considerou o ser igual a Deus coisa a que não se devia abrir mão, mas esvaziou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, tornando-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até a morte, e morte na estaca." 1

Tzimtzum na teoria cabalística[editar | editar código-fonte]

No misticismo judeu,Tzimtzum (צמצום Hebreu: "contração" ou "constrição") refere-se à teoria Cabalística que na criação Deus "contrai" sua essência infinita para permitir um "espaço conceitual" no qual um mundo finito e independente existiria. O conceito de Tzimtzum contém um paradoxo embutido, pois ele exige que Deus seja simultaneamente transcendente e imanente:

  • Por um lado, se o "Infinito" não o restringe, então nada poderia existir - tudo deveria estar submerso pela totalidade de Deus. Esta existência requer a transcendência de Deus, como acima.
  • Por outro lado, Deus continuamente mantém a sua existência, e isto de fato sem se abster do universo. "A força vital divina que criou todas as criaturas precisa estar constantemente presente dentro dele... esta força vital deve renunciar a qualquer ser criado mesmo que por um breve momento, caso contrario isto reverteria a um estado de inexistência, como antes da criação...".

Dzogchen[editar | editar código-fonte]

O budismo tântrico e Dzogchen, pressupõem uma base não-dual para ambas, a experiência e a realidade que poderia ser considerada uma exposição de uma filosofia da imanência que tem uma história no subcontinente da Índia desde as mais antigas eras até o presente. Uma paradoxal consciência não-dual ou rigpa em Tibetano -vidya em Sânscrito) - é dito ser o 'estado de auto perfeição' de todos os seres. Escolastas determinam diferentemente estas tradições de monismo. O não-dual diz ser ambos imanente e transcendente, e ao mesmo tempo nem um, nem outro. Uma exposição clássica é a Madhyamaka, refutação dos extremos que o filosofo-adepto do Nagarjuna propôs.

Expoentes desta tradição não-dual enfatizam a importância de uma experiência direta de não-dualidade através de ambas na pratica de meditação e nas investigações filosóficas. Em uma versão, mantém desperta enquanto os pensamentos surgem e dissolvem dentro do 'campo' da mente, outros não as aceitam ou as rejeitam, mas deixam a mente vagar livremente até uma sutil sensação de imanência aparecer. Vipassana ou insight é a integração da 'presença desperta' com este sublevar da mente. A Não-dualidade ou rigpa é o reconhecimento que em ambos a quietude, o estado de calma permanente achado em samatha e o movimento ou sublevar do fenômeno como achado no vipassana não são separados. Deste modo ele pode ser proposto que Dzogchen é um método ou reconhecimento da 'pura imanência' sobre o qual Deleuze teorizou.

Métodos alternativos[editar | editar código-fonte]

Outro significado de imanência e algo que esta contindo no interior, ou permanece dentro dos limites da pessoa, do mundo, ou do si.

Este significado é mais intimo do cristianismo e de outras teologias monoteístas, nas quais Deus transcende sua criação.

Imanência na Sociologia[editar | editar código-fonte]

Imanente quer dizer realidade física existente.

Imanência na filosofia[editar | editar código-fonte]

O termo "imanência" é normalmente entendido como uma força divina, ou o ser divino, que permeia todas as coisas que existem e é capaz de influenciá-las. Tal significado é comum no panteísmo e no panpsiquismo, e implica que a divindade está inseparavelmente presente em todas as coisas. Neste significado, imanência se opõe a transcendência, entendida como a divindade sendo separada ou transcendente ao mundo (uma exceção é Giovanni Gentile "Indianismo Atual", onde imanência do assunto é considerada identificar com a transcendência sobre o mundo material). Giordano Bruno, Baruch Spinoza e, pode-se argumentar, a filosofia de Hegel foram filosofias de imanência, bem como o estoicismo, versus filosofias transcendentes tais como tomismo ou a tradição Aristoteliana. Gilles Deleuze qualifica Espinosa como o "príncipe dos filósofos" por sua teoria de imanência, que Espinosa resume por "Deus sive Natura" ("Deus é natureza"). Tal teoria considera que não há transcendência principio ou causa externa para o mundo, e que o processo da produção da vida esta contida na própria vida.2 Quando combinamos com Idealismo, a teoria da imanência qualifica-se como "o mundo" não tem nenhuma causa externa além da mente.

No contexto da teoria de Kant do conhecimento de imanência significa manter nos limites da experiência do possível.

O filosofo francês do século XX, Gilles Deleuze, usou o termo imanência para se referir a sua "filosofia empirista", na qual foi obrigado a criar ação e resultou algo além do que a transcendência estabelecia. Seu texto final foi intitulado Imanência: uma vida..., fala de um plano de imanência.3 Colaborando, Giorgio Agamben escreve em The Coming Community (1993) : "Há algum tipo de efeito algo que os humanos são e tem de ser, mas esta não é essência pertinente de uma coisa: Ela é um simples fato da própria existência como uma possibilidade ou potencialidade".

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O termo "imanência" compõe-se dos termos latinos in e manere, que juntos têm o significado original de "existir ou permanecer no interior".

Referências

  1. Bíblia, Filipenses 2:6-8, (KJV)
  2. Veja Antonio Negri, The Savage Anomaly: The Power of Spinoza's Metaphysics and Politics (traduzido em 1991, Minnesota Univ. Press)
  3. Gilles Deleuze. Faculty European Graduate School.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]