Meditação

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Estátua de Shiva, Deus hindu da meditação, meditando na posição de lótus

Segundo o Dicionário Aurélio, meditação pode tanto significar um ato de intensa concentração da mente em um assunto quanto a elaboração de um processo mental discursivo: nesse último caso, opõe-se à contemplação.[1] É comumente associada a religiões orientais, embora, segundo a definição do Dicionário Aurélio, o termo mais correto no caso seria "contemplação", pois se refere a um processo mental não discursivo. Há dados históricos comprovando que ela é tão antiga quanto a humanidade. Não sendo exatamente originária de um povo ou região, desenvolveu-se em várias culturas diferentes e recebeu vários nomes. Floresceu no Egito (o mais antigo relato),[carece de fontes?] na Índia, entre o povo Maia etc. Apesar da associação com as questões tradicionalmente relacionadas à espiritualidade, a meditação pode também ser praticada como um instrumento para o desenvolvimento pessoal em um contexto não religioso.

A divulgação das práticas de meditação no mundo contemporâneo recebeu uma grande contribuição das técnicas milenares preservadas pelas diversas culturas tradicionais do oriente. Uma das escolas em que ela evoluiu independentemente foi o sufismo. Nas filosofias religiosas do oriente é uma prática típica, como no bramanismo, no budismo, no tantra e no jainismo, bem como nas artes marciais, como o i-chuan e o tai chi chuan. Em muitos casos a meditação é vista como um estado que ultrapassa o intelecto, onde a mente pode ser posta em silêncio, em outros a mente pode ter seu 'barulho' contemplado como caminho para a autocompreensão (caso mais comum em meditações tipicamente budistas)[2] . Meditar tem origem em 'volta ao centro' ("meio", daí "meditar").

Terminologia[editar | editar código-fonte]

A palavra meditação vem do latim meditare, que significa "voltar-se para o centro no sentido de desligar-se do mundo exterior" e "voltar a atenção para dentro de si". Em sânscrito, é chamada dhyana e é obtida pelas técnicas de dharana (concentração). Na língua chinesa, dhyana tornou-se Ch'anna, termo que sofreu uma contração e tornou-se Ch'an (Zen, em japonês). Em páli, é jhana. Significa "concentrar intensamente o espírito em algo". Outro termo em páli também utilizado para referir-se a meditação é bhavana, que significa 'cultivo' [3]

Definição[editar | editar código-fonte]

A definição de meditação pode variar de acordo com o contexto em que se encontra, variando de qual religião tem origem ou se é usada de maneira secular. Algumas distintas definições que normalmente são usadas para meditação são:

  • um estado que é vivenciado quando a mente se torna vazia e sem pensamentos;
  • prática de focar a mente em um único objeto (por exemplo: em uma estátua religiosa, na própria respiração, em um mantra);
  • uma abertura mental para o divino, invocando a orientação de um poder mais alto;
  • contemplação da realidade e seus aspectos (como a impermanência, para os Budistas)
  • desenvolvimento de uma determinada qualidade mental, como energia, concentração, plena atenção, bondade, etc (mais comum em meditações budistas) [4]

Ainda que algumas definições de 'meditação' usadas por diferentes religiões pareçam bem diferentes e até mesmo contraditórias, todas elas apontam para uma realidade interior mais profunda e o desenvolvimento/compreensão desta realidade.

Prática[editar | editar código-fonte]

A prática de meditação pode ter inúmeras variantes quanto à postura do corpo, objeto de meditação e objetivo da prática.

Objetivos[editar | editar código-fonte]

A meditação pode ser praticada por diversos motivos: desde o simples relaxamento até a busca pelo nirvana. Muitos praticantes da meditação têm relatado melhora na concentração, consciência, autodisciplina e equanimidade. [5]

Chacras, centros de energia cultivados na meditação segundo a tradição Tantra

Objetos[editar | editar código-fonte]

Os objetos utilizados para o foco na meditação podem ser desde a chama de uma vela[6] até a natureza do próprio corpo[7] . Mantras são um objeto de meditação muito comum, como por exemplo os mantras utilizados no hinduísmo, e até mesmo a recitação do rosário na tradição cristã pode ser considerada uma forma de meditação com mantra.

Postura[editar | editar código-fonte]

A meditação pode ser realizada em todas as posturas, seja deitado, sentado, em pé ou andando variando pelo contexto onde é ensinada. A posição sentada é adotada normalmente por ser considerada a mais fácil, onde o corpo se encontra em repouso mas ainda alerta. A famosa 'Posição de lótus completo' (o pé esquerdo apoiado sobre a coxa direita e o pé direito apoiado sobre a coxa esquerda.) se difundiu muito como sinônimo de meditação por ser usada no ioga como uma posição ideal de meditação, onde mantém o corpo estável, sendo entretanto difícil de alcançar. Inúmeras posições de meditação podem ser usadas como de joelhos, meio-lótus, birmanesa, etc.

Para a meditação em pé existem métodos que vêm conquistando grande aceitação no ocidente, como a meditação feita em pé conhecida como zhan zhuang, que, devido a sua simplicidade e eficiência, é muito praticada na China e Europa. Ele é facilmente executado por pessoas com pouca flexibilidade e dificuldades nos joelhos e coluna, melhorando inclusive a postura. Facilmente praticada em qualquer local, é um excelente método procurado por muitos praticantes de artes marciais experientes ou mesmo iniciantes. Esta prática é muito efetiva na redução do estresse.

Prática da postura da árvore, forma de meditação em pé considerada uma das práticas fundamentais do tai chi pai lin

Na tradição budista theravada é comum encontrar prática da meditação andando, que é vista como uma postura onde se desenvolve concentração em movimento, energia para a mente e vitalidade para o corpo.[8]

Duração[editar | editar código-fonte]

Normalmente não há um tempo mínimo preestabelecido. Pode-se iniciar com um período de poucos minutos e, conforme se aperfeiçoa, esse tempo pode aumentar até para horas, dias, ou em casos excepcionais, até meses, como foi o caso de Palden Dorje. É importante ressaltar que a frequência da prática também influencia muito os resultados.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Commons
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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Referências

  • American Psychiatric Association. (1994). Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, fourth edition. Washington, D.C.: American Psychiatric Association.
  • Austin, James H. (1999) Zen and the Brain: Toward an Understanding of Meditation and Consciousness, Cambridge: MIT Press, 1999, ISBN 0-262-51109-6
  • Azeemi, Khwaja Shamsuddin (2005) Muraqaba: The Art and Science of Sufi Meditation. Houston: Plato, 2005, ISBN 0-9758875-4-8
  • Carlson LE, Ursuliak Z, Goodey E, Angen M, Speca M. (2001) The effects of a mindfulness meditation-based stress reduction program on mood and symptoms of stress in cancer outpatients: 6-month follow-up. Support Care Cancer. 2001 Mar;9(2):112-23.PubMed abstract PMID 11305069
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  • Osho (2006) Meditações para o Dia VERUS EDITORA LTDA, ISBN 85-7686-006-6