Música gospel

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Gospel
Exemplificação da música gospel: A Bíblia, que é a palavra de Deus para os cristãos e um CD que representa a música em geral.
Origens estilísticas Hinos cristãos, Espiritual negro
Contexto cultural Início do século XX: Estados Unidos
Instrumentos típicos Vocais, órgão Hammond, Piano, guitarra, bateria e baixo
Popularidade Internacional
Formas derivadas Rhythm and Blues, Doo Wop, Soul Music
Subgêneros
Urban contemporary gospel, Southern gospel
Gêneros de fusão
Christian country music

Música gospel (do inglês gospel; em português, "evangelho")[1] ou música evangélica é um gênero musical composto e produzido para expressar a crença, individual ou comunitária, cristã.

Como outros gêneros de música cristã, a criação, a performance, a influência e até mesmo a definição de música gospel varia de acordo com a cultura e o contexto social. A música gospel é escrita e executada por muitos motivos, desde o prazer estético, com motivo religioso ou cerimonial, ou como um produto de entretenimento para o mercado comercial. No entanto, um tema de música gospel é louvor, adoração ou graças a Deus, Cristo ou o Espírito Santo.

Etimologia da palavra gospel[editar | editar código-fonte]

Em inglês, "gospel", derivada do inglês antigo "God-spell" que significa good tidings, ou good news, em português, "boas novas," aludindo ao Evangelho bíblico que nos narra as "boas novas ao mundo" — ou seja, a vinda de Cristo ao Mundo —, pelos livros dos Evangelhos Canônicos de Mateus, Marcos, Lucas e João. Uma tradução literária da palavra grega, euangelion para o Inglês eu- "good", -angelion "message", que significa em Português, boa mensagem". Originalmente, no grego Clássico, angelion referia-se a gorjeta que se dava ao mensageiro que entregava uma (eu = boa) mensagem ("o antigo correio"), mas já dos anos de Cristo a palavra se cunhou no significado de "mensagem". A palavra grega, euangelion é também a fonte do termo "evangelista". Os autores dos Evangelhos Canônicos Cristão são conhecidos como os evangelistas. Geralmente, nos Estados Unidos, o termo gospel é uma referência a trabalhos do gênero de literatura cristã antiga.[2]

Antes do primeiro evangelho ser escrito (Marcos, c65-70 dC),[3] Paulo, o Apóstolo, usou o termo euangelion quando ele lembrou ao povo da Igreja de Corinto: …o evangelho que vos anunciei … (I Coríntios 15:1).[4] Paulo asseverou que eles estavam sendo salvos pelo Evangelho, e ele caracterizou nos termos mais simples, enfatizando a aparição de Cristo após a Sua Ressurreição (15:3-8).[4]

O uso extensivo mais cedo de "euangelion" (gospel) para indicar um gênero específico de escrever datas ao Século II: o bispo Justino Mártir, por volta do ano 155 dC, em "1 Apologia LXVI," escreveu:
"… os Apóstolos, nas suas memórias escritas por eles, a qual são chamada de Evangelhos."[5]

Na Introdução ao Velho Testamento de Henry Barclay Swete, páginas 456[6] -457,[7] diz:
"Euangelion no LXX ocorre somente no plural, e talvez somente no sentido clássico de uma recompensa pelas boas notícias" (II Sam. 4:10; 18:20; 18:22; 18:25-27[8] e II Reis 7:9.[9] No Novo Testamento o termo aparece apropriadamente as circunstâncias das boas novas Messiânica (Marcos 1:1; 1:14),[10] provavelmente derivando este novo significado do uso Euangelion em Isa. 40:9; 52:7; 60:6 e 61:1.[11]

No Novo Testamento, o "evangelho" significava a proclamação do poder da salvação de Deus através de Jesus de Nazareth, ou da mensagem do Ágape proclamada por Jesus de Nazareth. Este é o uso no Novo Testamento original (por exemplo: Marcos 1:14-15[10] ou I Coríntios 15:1-9;[4] veja também "G2098 de Strong").[12] A palavra ainda é usada neste sentido.

A história da música gospel ou evangélica[editar | editar código-fonte]

Ainda que o termo, "Música Gospel", possa abranger um campo da Música muito vasto, seus estilos, embora com nomes variados, possuem todos uma mesma essência e raiz — a música cristã negra nos Estados Unidos da América. Talvez um dos velhos estilos da música negra que realmente se aproximou do Gospel, foi o Negro Spirituals (em português, as canções harmoniosas dos "Espirituais dos Negros").
O foco desta breve história é a música que fluiu da igreja Afro-americana e inspirou uma cornucópia de corais modernos, artistas do mercado Rhythm & Blues, e o atual Gospel contemporâneo (Música Cristã Contemporânea), além de outros estilos musicais do gênero.
Alimentado pela gigantesca indústria multi-bilionária de gravação musical nos Estados Unidos, o "pequeno infante" da música Gospel pulou do seu berço humilde e cristão e atravessou as muralhas da igreja para um mercado bem diferente do mundo atual. E, o Gospel continua a crescer. De acordo com a revista Norte-americana, Gospel Today, dentre 2003 e 2008, sete gravadoras criaram divisões especiais somente para lidar com artistas Gospel; as estatísticas da mesma publicação indicaram que os selos independentes cresceram 50%, e o rendimento das vendas só de música Gospel chegou a triplicar nas últimas décadas, de US$180 milhões de dólares em 1980 a US$500 milhões em 1990.[13]

Origens[editar | editar código-fonte]

Thomas A. Dorsey (1899-1993), compositor de sucesso tipo There Will Be Peace in the Valley, é considerado por muitos, O Pai da Música Gospel. No início de sua carreira ele era um importante pianista de Blues, conhecido aliás por Georgia Tom. Ele começou a escrever Gospel depois que ouviu Charles A. Tindley (1851-1933) numa convenção de músicos na Filadélfia, e depois, abandonando as letras mais agressivas de outras canções, não abandonou, contudo, o ritmo de Jazz tão parecido com o de Tindley. A Igreja inicialmente não gostou do estilo de Dorsey e não achou apropriado para o santuário, na época. Em 1994, após o seu falecimento, a revista Norte-americana, Score, publicou um artigo com o título: The Father of Gospel Music (em português, "O Pai da Música Gospel"); neste artigo a revista declara que quando Dorsey percebeu, no início de sua carreira com o Gospel, que muita gente estava brigando contra a música Gospel, ele estava "determinado para carregar a bandeira" a favor do Gospel, bem entendido. Assim ele fez. Ele investiu em 500 cópias da canção dele, If you See My Saviour (em português, "Se Você Ver o meu Salvador") e enviou para diversas igrejas do país. Levou quase três anos para ele conseguir mais pedidos da música e ele quase retornou a tocar o Blues. Mas Dorsey não desistiu e com ajudas de outros bons músicos ele foi em frente. Trabalhou com as cantoras, Sallie Martin (1896-1988) e Willie Mae Ford Smith (1904-1994), escreveu centenas de músicas Gospel e testemunhou a sua música subir no púlpito das igrejas—aonde, uma vez, recusaram ela de subir! Dorsey fundou a Convenção Nacional de Corais Gospel nos Estados Unidos, em 1932, uma organização que ainda existe até hoje na origem da música gospel.[13]

O desenvolvimento do Gospel[editar | editar código-fonte]

Muitos outros novos nomes apareceram. talvez fossem "prisioneiros de uma velha corrente, mas agora estavam salvos" prontos para alimentar a nova corrente do Gospel, como Mahalia Jackson, Clara Ward e James Cleveland.
Mahalia Jackson (1911-1972) foi convidada para cantar no televisionado Ed Sullivan Show, minutos antes do eternizado discurso pró-liberdade negra de Martin Luther King, que ele disse as palavras certas na hora certa: I have a dream (em Português, "Eu tenho um sonho"). Mahalia acabou sendo a convidada para cantar durante a cerimônia do funeral do Rev. King; talvez, como num toque de mágica, ela escolheu uma canção de Dorsey: Take My Hand, Precious Lord (em Português, "Segure a minha mão, Amado Pai").
Clara Ward (1924-1973) junto ao The Ward Singers, foi uma artista com presença e substância. Sua canção Surely God is Able foi comentada como o primeiro disco de platina após a Segunda Guerra Mundial. Mas esta informação não pode ser confirmada pois a RIAA mantém que Edwin Hawkins Singers foi o primeiro vencedor do disco de ouro com um Gospel, em 1968, com o famoso sucesso, Oh, Happy Day, desde que a RIAA começou a manter as estatísticas nas vendas dos discos, mas Ward influenciou muitos artistas com seu estilo, incluindo nomes como Little Richard e Aretha Franklin, que mantém que Ward era seu ídolo.[13]
James Cleveland (1932-1991): se Dorsey foi aclamado, por muitos da indústrias e seus seguidores, como o pai da música Gospel, o cantor Cleveland foi coroado, pelos seus admiradores, "The King of Gospel" (em Português, "O Rei do Gospel"). Ele recebeu nada menos do que quatro GRAMMYs, incluindo um póstumos pelo seu álbum Having Church. Assim como Clara Ward, James Cleveland tinha muita presença com sua audiência. Ele não teve uma reputação de ter uma boa voz, mas ele conseguia agradar a todos que o ouvia. O seu grande feito foi fundar sua organização, em 1967, Gospel Music Workshop of America, considerada a maior convenção de Gospel do mundo, hoje, com mais de 185 escritórios de representações distribuídos pelos Estados Unidos.[14]

O gospel no mercado comercial moderno[editar | editar código-fonte]

O Gospel Moderno em sua forma original era geralmente interpretado por um solista, acompanhado de um coro e um pequeno conjunto instrumental.[15] Grandes intérpretes da música norte-americana começaram assim, como cantores de Gospel nas igrejas. É o caso de Mahalia Jackson, Bessie Smith e Aretha Franklin, além de Ray Charles e Solomon Burke. O Gospel foi também se influenciando, assumindo formas às vezes surpreendentes em se tratando de música religiosa. É o caso dos quartetos Gospel, surgidos após a Segunda Guerra Mundial, com suas músicas gritadas, com danças e roupas extravagantes. Deste estilo foram influenciados grupos e cantores rock dos anos 1950, desde "Bill Haley e seus Cometas", passando por Jerry Lee Lewis, até Elvis Presley nos anos da década de 1960.

Desde as décadas de 80 e 90 tiveram grande importância os corais e solistas, com destaque para Kirk Franklin e Fred Hammond.

Elvis Presley e o gospel[editar | editar código-fonte]

Sem dúvida Elvis Presley foi um dos maiores divulgadores desse gênero musical durante todo o século 20. Elvis adorava esse tipo de música, inclusive, tanto quanto rock, blues, R&B, country e música erudita.

Desde a década de 1950 ele já incorporava em seus álbuns e canções algumas influências desse gênero tipicamente americano. Como exemplo podemos citar, o acompanhamento vocal do grupo gospel "The Jordanaires", logo depois, no final da década de 1960 até o começo da década de 1970, vieram os "The Imperials" e durante a mesma década os "The Stamps", com a participação de J. D. Sumner e até mesmo um grupo vocal feminino de nome "Sweet Inspirations" e de outra cantora chamada "Kathy Westmoreland".

Elvis lançou quatro álbuns gospel: Peace In The Valley em 1957, His Hand in Mine em 1960, How Great Thou Art em 1967, considerado um dos "divisores de águas" em sua carreira[16] e He Touched Me em 1972. Para se ter a real noção do que Elvis representou para o gospel americano, ele ganhou três GRAMMYs por suas interpretações gospel, em 1967, 1972 e 1974. Já em 2001 ele entrou para o "Hall da fama" do gospel, deixando para sempre marcado o seu nome nesse gênero musical americano tão importante e influente.

Entre os seus sucessos gospel estão, "Peace in the Valley", "Crying in the Chapel", sucesso mundial em 1965, "How Great Thou Art" entre outras. Muitos o consideram um dos maiores intérpretes desse gênero tipicamente sulista nos Estados Unidos.

Artistas e grupos[editar | editar código-fonte]

Pesquisas e Trabalhos Científicos[editar | editar código-fonte]

Selos e Gravadoras[editar | editar código-fonte]

Leitura recomendada[editar | editar código-fonte]

  • BAGGIO, Sandro. A Revolução na Música Gospel: Um avivamento musical em nossos dias. São Paulo: Êxodos, 1997.
  • BAGGIO, Sandro. Música Cristã Contemporânea. São Paulo: Editora Vida, 2005.
  • BASDEN, Paul. Estilos de louvor. Traduzido por Emirson Justino. São Paulo: Mundo Cristão, 2000.
  • BRAGA, Henriquetta R. F. Música Sacra Evangélica no Brasil: Contribuição a sua história. Rio de Janeiro, Livraria Editora Cosmo, 1961.
  • BRAGA, Henriquetta R. F.. Salmos e Hinos: sua origem e desenvolvimento. Rio de Janeiro: Igreja Evangélica Fluminense, 1983.
  • CORNWALL, Judson. Adoração como Jesus ensinou. Minas Gerais: Betânia, 1995.190 p.
  • CUNHA, Magali. A explosão gospel: um olhar das ciências humanas sobre o cenário evangélico no Brasil. Rio de Janeiro. Mauad X. Instituto Mysterium. 2007. Consulta Google Books. Online. Visitado 4 de outubro de 2009.ISBN 978-85-7478-228-7
  • DOUGLASS, Klaus. Celebrando o amor de Deus: despertar para um novo culto. Curitiba: Ed. Evangélica Esperança, 2000. 288p.
  • FAUSTINI, João Wilson. Música e adoração: noções históricas e práticas sobre música e sua função no culto de adoração, orientações de técnica vocal, de canto e de regência e de outros assuntos relacionados. São Paulo: Soemus, 1996.
  • FREDDI Jr., Sérgio. Música Cristã Contemporânea: renovação ou sobrevivência?. São Paulo: Editorial Press, 2002.
  • FREDERICO, Denise C. S.. Cantos para o Culto Cristão. São Leopoldo: Sinodal; IEPG/EST, 2003 (Série Teses e Dissertações, 16), 414 p.
  • HUSTAD, Donald P. Jubilate! A música na igreja. traduzido por Adiel Almeida de Oliveira. São Paulo: Sociedade Religiosa Edições Vida Nova, 1986.
  • MARTIN, Ralph. Adoração na igreja primitiva. São Paulo: Vida Nova, 1982. p. 30-31.
  • MONTEIRO, Simei de Barros. O Cântico da Vida: análise de conceitos fundamentais expressos nos cânticos das igrejas evangélicas no Brasil. São Paulo: ASTE, 1991.

Referências

  1. O Significado. Gospel. Visitado em 16 de março de 2012.
  2. Peter Stuhlmacher, ed., Das Evangelium und die Evangelien, Tübingen 1983. Disponível em Inglês: Peter Stuhlmacher, The Gospel and the Gospels, Eerdmans Pub Co, 1991, ISBN 9780802836885.
  3. Harris, Stephen L., "Understanding the Bible", McGraw-Hill College, edição Ilustrada, 2002, ISBN 9780767429160.
  4. a b c O Livro de Primeiro Coríntios, Bíblia – Nova Versão Internacional (NVI) – (Online, arquivo em PDF, em português).
  5. 1 Apology, LXVI de Justino Martyr ((em inglês)).
  6. Swete, Henry Barclay, Introdução ao Velho Testamento, página 456, Online ((em inglês))..
  7. Swete, Henry Barclay, Introdução ao Velho Testamento, página 457, Online ((em inglês))..
  8. O Livro de Segundo Samuel, Bíblia – Nova Versão Internacional (NVI) – (Online, arquivo em PDF, em português)..
  9. O Livro de Segundo Reis, Bíblia – Nova Versão Internacional (NVI) – (Online, arquivo em PDF, em português)..
  10. a b O Livro de Marcos, Bíblia – Nova Versão Internacional (NVI) – (Online, arquivo em PDF, em português)..
  11. O Livro de Isaías, Bíblia – Nova Versão Internacional (NVI) – (Online, arquivo em PDF, em português)..
  12. Blue Letter Bible. "Dicionário e Palavras, buscando: euaggelion (Strong em 2098)". Blue Letter Bible. 1996-2008. 2 May 2008 (página em Inglês e Grego).
  13. a b c Petrie, Phil, The History of Gospel Music, Online, em Inglês. Visitado 1 de maio de 2008..
  14. A maior Organização do Gospel, a de James Cleveland (Online) (em inglês)..
  15. O gospel no mercado comercial, Online. Visitado 25 de setembro de 2009..
  16. http://archives.cnn.com/2002/SHOWBIZ/Music/08/14/ep.elvis.gospel/ Gospel music and Elvis: Inspiration and consolation

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  • Associação de Músicos Cristãos (AMC) - órgão criado em 1997 que representa Músicos Cristãos (Adoradores, Levitas, Ministros de Louvor), promove cursos de capacitação, além de uma rede de descontos para filiados na aquisição de instrumentos e na participação de eventos;