Órgão Hammond

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Hammond L-100

O órgão Hammond é um órgão eletro-mecânico desenvolvido e construído por Laurens Hammond em torno de 1934. Enquanto originalmente vendido para igrejas como uma alternativa de baixo custo ao órgão de tubos, acabou sendo usado para o jazz e o blues, e então para uma extensão do rock and roll (nas décadas de 1960 e 1970) , música gospel. No reggae também foi muito utilizado, nas produções feitas antes mesmo do que conhecemos por reggae em meados da década de 1960 no fim, e no início da década de 1970. Um gênero que muito utilizava arranjos bem trabalhados no Hammond era o Skinhead Reggae, nada mais do que o reggae cru na sua primeira forma.

Índice

História [editar]

Em janeiro de 1934 Laurens Hammond, um inventor e engenheiro dos Estados Unidos, patenteou um novo tipo de instrumento musical elétrico. A invenção foi revelada ao público em abril do ano seguinte, e o primeiro modelo (modelo A) foi disponibilizado em junho do mesmo ano. Vários outros modelos foram produzidos pelos próximos vinte anos, mas nenhum foi mais conhecido ou usado que os modelos de 1955: B-3 e C-3. Junto com o A-100, produzido em 1959, esse trio de órgãos compartilhavam uma mecânica similar de produção de som.

Ao final dos anos 80 a companhia foi comprada pela japonesa Suzuki e revigorada com o lançamento de órgãos portáteis e novos modelos com tecnologia de tonewheel digital.

Uso [editar]

Dni Mikołowa - Organy Hammonda1.jpg

Laurens Hammond visava que seus órgãos substituíssem os órgãos de tubos e o piano para residências de classe média e para uso em estações de rádio. Nos primeiros anos de produção foi isso que aconteceu, mas na década de 1950 músicos de jazz como Jimmy Smith começaram a usar o som distinto do instrumento. Na década de 1960 o Hammond tornou-se popular entre grupos de pop. Ele foi parte relevante do som inovador das bandas de rock Deep Purple e Uriah Heep no início da década de 1970, quando teve seu ápice de popularidade, até a proliferação dos sintetizadores, em especial os polifônicos.

No Brasil, tivemos grandes interpretes em órgãos Hammond. Walter Wanderley, que soube aproveitar a pluralidade do instrumento dentro de um fraseado do samba e Ed Lincoln, numa linha parecida, mas com voz própria em um ritmo dançante. Os bailes que Ed Lincoln animava, pilotando seu Hammond, eram famosos em sua época. Outros músicos e admiradores do instrumento, como Djalma Ferreira, Chuca-Chuca, Steve Bernard e o escritor Gustavo Corção podem também ser citados.



TOM SCHOLZ - Boston (banda)

Na canção "Foreplay/Long Time" notamos um prelúdio progressivo instrumental, consistindo principalmente de arpejos triplet rápidos em Órgão Hammond M3 (ao contrário da crença popular, a música não foi gravado em um B3, como Tom Scholz teve um orçamento limitado no tempo e era incapaz de pagar por um), com uma parte de baixo dobrado por um clavinet e bateria, com guitarra junto no final.

Modo de funcionamento [editar]

O órgão Hammond é um instrumento eletro-mecânico com uma natureza puramente analógica. Possui um conjunto de "rodas fónicas" ("tone wheels"), que são discos dentados que giram a grande velocidade. Neste processo, os discos produzem uma variação de campo magnético, que posteriormente é captada através de sensores eletromagnéticos. Posteriormente, esses sinais elétricos são convertidos em sons. A programação de diferentes timbres no instrumento é feita por registros deslizantes ("drawbars"): uma genial e prática maneira que garante a reprodutibilidade rápida de resultados. Um outro efeito interessante é o "vibrato chorus": uma modificação simultânea de amplitude e frequência nos sons, produzida por altofalantes com elementos giratórios especiais "Caixas Leslie".

No caso do Brasil existe uma curiosidade. As rodas fônicas de um Hammond têm que girar a uma velocidade rigorosamente constante. Para tal são acionadas por um motor síncrono, que tem sua estabilidade garantida pela frequencia da alimentação da rede elétrica. Antes de 1965, a rede elétrica no Rio de Janeiro era de 50 Hz. A fábrica Hammond aceitava encomendas de órgãos para esta frequencia e vários modelos assim configurados vieram para o Rio. Com a mudança da rede elétrica para 60 Hz, a partir de 1965, os Hammond cariocas desafinaram. Foi então um desafio para os eletrônicos da época construirem um aparelho que foi denominado "ciclador", cuja função era a de converter a rede de 60 Hz em 50 Hz e então acionar corretamente o motor síncrono do instrumento. Assim, os orgãos no Rio de Janeiro voltaram a ser afinados.

Modelos [editar]

B-3 [editar]

O Hammond B-3 é o modelo mais famoso do instrumento. Foi precedido por modelos de console com menos recursos como as séries E, BV, B-2, D, CV, C2 entre outros. Assim como seus precursores era usado para fornecer música em pistas de patinagem e salas de filmes. Entre as décadas de 1950 e 1960 foi usado por bandas de jazz como o trio de Jimmy Smith. No final da década de 1960 e pela década de 1970 o modelo C-3, diferente do B-3 apenas no acabamento do móvel, foi bastante usado por bandas de rock, desde os latinos a Santana, passando por Led Zeppelin Deep Purple e Uriah Heep, que consagraram o instrumento, a bandas de rock progressivo como Emerson Lake & Palmer, Yes, Kansas e Pink Floyd, assim como bandas de blues-rock como The Allman Brothers Band.

Durante as décadas de 1980 e 1990 o modelo continuou a ser usado em menor escala por bandas de vários estilos musicais, como rock, hard rock, jazz e blues. Ele era o instrumento favorito do renomado tecladista do Grateful Dead, Brent Mydland.

Renascimento [editar]

Na década de 90 houve uma volta do interesse pelos instrumentos analógicos e com isso a popularidade do órgão Hammond foi amplamente renovada. O modelo XB-1 foi muito popular neste período. Em 2002 foi relançado o célebre B-3 além de sua versão portátil poucos anos depois. Graças a tecnologia Vase III® patenteada pela Hammond-Suzuki novos simuladores com sonoridade inigualável foram produzidos, em especial o XK-3 em 2006.

Ligações externas [editar]

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