Rock progressivo

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Rock progressivo
Origens estilísticas Jazz
Rock
Blues
Art rock
Acid rock
Blues-rock
Jazz rock
Funk rock
Hard rock
Rock instrumental
Música psicadélica
Música country
Rhythm and blues
Música clássica
Raga
Folk rock
World music
Música eletrônica
Jazz blues
Jazz fusion
Contexto cultural Fim dos anos 1960 e início dos anos 1970
Instrumentos típicos teclado, sintetizador, violão, guitarra, bateria, vocal, baixo, flauta
Formas derivadas New Age
Subgêneros
rock sinfônico, space rock, rock neoprogressivo, R.I.O, indo-prog, post rock, rock sinfônico italiano, Krautrock, Zeuhl
Gêneros de fusão
Metal progressivo - Folk rock (folk progressivo) - New prog
Formas regionais
Inglaterra, Itália, França, Alemanha e outras partes da Europa e do mundo
Outros tópicos
Cena Canterbury, Art rock

Rock progressivo (também abreviado por prog rock ou prog) é um subgênero do rock que surgiu no fim da década de 1960, na Inglaterra. Conseguiu se tornar muito popular na década de 1970, e ainda hoje possui muitos adeptos.

O estilo recebeu influências da música clássica e do jazz fusion, em contraste com o rock estadunidense historicamente, influenciado pelo rhythm and blues e pela música country. Ao longo dos anos apareceram muitos sub-géneros deste estilo tais como o rock sinfônico, o space rock, o krautrock, o R.I.O, o metal progressivo e o metal sinfônico. Praticamente todos os países desenvolveram músicos ou agrupamentos musicais voltados a esse gênero.

Características[editar | editar código-fonte]

As principais características do rock progressivo incluem:

Elementos essenciais[editar | editar código-fonte]

  • Composições longas, com harmonia e melodias complexas, aproximando-se muito da música erudita. Por vezes atingindo 20 minutos ou mesmo o tempo de um álbum inteiro, sendo estas muitas vezes chamadas de épicos. Como exemplos destas músicas longas têm-se "Echoes" com 23 minutos e meio, "Shine on you Crazy Diamond" e "Atom Heart Mother" com 23:41 minutos, do Pink Floyd, Thick as a Brick do Jethro Tull, "The Gates of Delirium", "Close To The Edge", "Awaken" e músicas do álbum "Tales From Topographic Oceans", todas do Yes, "2112" e "Hemispheres" do Rush com 20 e 18 minutos, respectivamente, "A Change Of Seasons", com 23 minutos e "Six Degrees of Inner Turbulence", com 42 minutos (dividida em 8 sessões, também chamados "Atos"), "Octavarium", com 23 minutos, todas do Dream Theater e "Supper’s Ready" do Genesis com 23 minutos, "Eruption" do Focus com 23 minutos e "Tarkus" e "Karn Evil 9" da banda Emerson, Lake & Palmer. No Brasil são exemplos "1974" e "Amanhecer Total" do grupo O Terço com 13 minutos e 19 minutos respectivamente, "Eyes of time" do Arion com 14 minutos, "Luares" do Palma com 15 minutos, "Hey Joe" dos Mutantes com 12 minutos e "Quasímodo" do Quaterna Réquiem com 39 minutos.

Mais recentemente encontram-se exemplos extremos: "Light of Day, Day of Darkness" do Green Carnation com 60 minutos e "Garden of Dreams" do The Flower Kings com 64 minutos, embora dividido em 18 secções.

Outros exemplos são “The Barbarian” (um arranjo para piano da peça “Allegro Bárbaro” de Bela Bartok) e “Knife edge” (um arranjo com letra da “Sinfonietta” de Leos Janacek em conjunto com “French suite em Ré menor de Bach). Os grupos, OMEGA e diversas outras bandas costumavam inserir trechos de peças barrocas como a "Toccata e Fuga em Ré menor BWV 565" de Bach.

Pela maior parte da crítica musical e do público, o Pink Floyd é tido como uma banda de rock progressivo, pois tem como característica marcante de sua obra elementos como: músicas longas, arranjos não tradicionais, uso de sintetizadores e longas partes instrumentais. Porém, existe uma vertente de pesquisadores de música progressiva que afirma que, apesar de apresentar várias características em comum com o gênero, o Pink Floyd não poderia ser considerado progressivo, sendo rock psicodélico ou rock lisérgico a melhor definição para sua música. Segundo essa corrente, uma das principais assinaturas e característica determinante do gênero é como a música flui e se movimenta, passeado por mudanças de andamento e fórmula de compasso (influência da música clássica). Tal característica praticamente inexiste nas composições do Pink Floyd, que sempre teve o minimalismo como marca registrada. A música "Money" é uma das poucas exceções, cuja fórmula de compasso em boa parte é 7/4, porém não chega nem de perto no número de variações de clássicos do progressivo, como por exemplo "Heart of Sunrise" do Yes ou "Natural Science" do Rush.

Modelos de composição[editar | editar código-fonte]

As composições do rock progressivo muitas vezes seguem estes modelos de "suite":

  • A forma de uma peça que é sub-dividida em várias à maneira da música erudita. Um bom exemplo disso é “Close to the edge” e "And You And I" do Yes no álbum Close to the Edge, que são divididas em quatro partes, ou "2112" do Rush dividida em sete partes,ou até mesmo a instrumental "La villa Strangiato" dividida em onze partes. Outros exemplos mais recentes do metal progressivo são "A Change of Seasons" (do álbum A Change Of Seasons) e "Octavarium" (do álbum Octavarium) do Dream Theater, que é dividida em sete e cinco partes respectivamente e "Through the Looking Glass" (três partes), "The Divine Wings of Tragedy" (sete partes) e "The Odyssey" (sete partes) do Symphony X.
  • Composição feita de várias peças, estilo “manta de retalhos”. Bons exemplo são: “Supper’s ready” do Genesis no álbum Foxtrot e o álbum Thick as a Brick do Jethro Tull.
  • Harmonias feitas com base em tríades,utilizando progressões não tão usuais, O Progressivo(com algumas exceções,como o grupo de Rock Progressivo Soft Machine)não utilizam acordes com sonoridades cheias,como feito na Bossa Nova e no Jazz.
  • Uma peça que permite o desenvolvimento musical em progressões ou variações à maneira de um bolero. "Abbadon's Bolero" do trio Emerson, Lake & Palmer, “King Kong” do álbum Uncle meat de Frank Zappa é um bom exemplo.

História[editar | editar código-fonte]

O rock progressivo foi tocado pela primeira vez no final dos anos 60, no entanto, se tornou especialmente popular no início da metade dos anos 70. No final dos anos 60, algumas bandas - geralmente da Inglaterra - começaram a experimentar formas de músicas mais longas e complexas.[1]

Anos 1960: os precursores[editar | editar código-fonte]

Os Pink Floyd executando seu álbum The Dark Side of the Moon

O rock progressivo nasceu de uma variedade de influências musicais do final da década de 1960, particulamente no Reino Unido. Entre outros desenvolvimentos, os Beatles, em sua fase psicodélica e outras bandas de rock psicodélico começaram a combinar o rock and roll tradicional com instrumentos da música clássica e oriental. Os primeiros trabalhos foram do Pink Floyd e Frank Zappa que já mostravam certos elementos do estilo. A composição "Beck's Bolero", de Jeff Beck,Keith Moon,John Paul Jones, Nicky Hopkins Jimmy Page em 1966, é um retrabalho de "Bolero" do compositor francês Maurice Ravel. A cena psicodélica continuou o constante experimentalismo, começando peças bastante longas, apesar de geralmente sem tanto tratamento quanto à estrutura da obra (como por exemplo em "In-A-Gadda-Da-Vida" de Iron Butterfly).

Pioneiros alemães da música eletrônica como Tangerine Dream introduziram o uso de sintetizadores e outros efeitos em suas composições, geralmente em álbuns puramente instrumentais. Em meados da década de 1960 o The Who também lançou álbuns conceituais e opera rocks, apesar de ser baseado principalmente na improvisação do blues, assim como feito por outras bandas contemporâneas tais como Cream e Led Zeppelin.

Anos 1970: nascimento, auge e queda[editar | editar código-fonte]

Yes em concerto, 1977.

Bandas tidas como referência do rock progressivo incluem The Nice e Soft Machine, e apesar das origens terem sido formadas em meados da década de 1960 foi somente em 1969 que a cena estaria se formando concretamente, como evidenciado pela aparição de King Crimson em fevereiro desse mesmo ano. A banda foi seguida rapidamente de outras bandas do Reino Unido incluindo Yes, Pink Floyd, Supertramp, Genesis, Emerson Lake and Palmer e Jethro Tull, e outras bandas menos famosas, como Focus, Family, Traffic, Camel dentre outras. Exceto pelo ELP, tais bandas começaram suas carreiras antes do King Crimson, mas mudaram o curso de sua música consideravelmente após o lançamento do álbum In the Court of the Crimson King.

Mas as bandas que mais contribuíram para o nascimento desse estilo, no qual viria tornar-se famosíssimo foram: Yes, Emerson, Lake & Palmer, Rush, Genesis, Gentle Giant, Pink Floyd, Jethro Tull, King Crimson.

As músicas que mais refletiram o que foi o Rock Progressivo e que se tornaram mais famosas foram: "Roundabout" do Yes, "Karn Evil 9"(principalmente a 1st impression, pois a 2nd e 3rd impression são solo de piano e bateria.), "YYZ" do Rush, "The Knife" do Genesis, "Proclamation" do Gentle Giant, "Echoes" do Pink Floyd, "Aqualung" do Jethro Tull e "21st Century Schizoid Man" do King Crimson.

O rock progressivo ganhou seu momento quando os fãs de rock estavam em desilusão com o movimento hippie, movendo-se da música popular sorridente da década de 1960 para temas mais complexos e obscuros, motivando a reflexão. O álbum Trespass do Genesis inclui a canção "The Knife", que retrata um demagogo violento, e "Stagnation", que retrata um sobrevivente de um ataque nuclear. O Van der Graaf Generator também abordava temas existenciais que relacionavam-se como o niilismo.

O estilo foi especialmente popular na Europa e em partes da América Latina. Várias bandas fora do Reino Unido que seguiram a trajetória dos britânicos foram o Premiata Forneria Marconi, Area, Banco del Mutuo Soccorso e Le Orme da Itália, além de Ange, Gong e Magma da França. A cena italiana foi posteriormente categorizada como rock sinfônico italiano. A Alemanha também produziu uma cena progressiva significante, geralmente referida como Krautrock. Os Psico, Tantra e José Cid, cujo disco 10.000 anos depois entre Vénus e Marte é considerado um dos melhores de rock progressivo, protagonizaram o género em Portugal. No Brasil, Os Mutantes combinaram elementos da música brasileira, rock psicodélico e outros sons experimentais para criar um som diferente do que havia sido feito até o presente momento, com letras inspiradas pela fantasia, literatura e história.

Um grande elemento de vanguarda e contra-cultura é associado com o rock progressivo. durante a década de 1970 Chris Cutler do Henry Cow ajudou a formar um grupo de artistas referidos como Rock in Opposition, cuja proposta era essencialmente criar um movimento contra a atual indústria da música. Os membros originais incluiam diversos grupos tais como Henry Cow, Samla Mammas Manna, Univers Zéro, Etron Fou Leloublan, Stormy Six, Art Zoyd, Art Bears e Aqsak Maboul.

Fãs e especialistas possuem maneiras divergentes de categorizar as diversas ramificações do rock progressivo na década de 1970. A Cena Canterbury pode ser considerada um sub-gênero do rock progressivo, apesar de ser muito mais direcionado ao jazz fusion, encontrado em bandas como Traffic. Outras bandas tomaram uma direção mais comercial, incluindo Renaissance, Queen e Electric Light Orchestra, e são algumas vezes categorizadas como rock progressivo. Através do tempo, bandas como Led Zeppelin e Supertramp também incorporaram elementos não usuais em seu som tais como quebras de tempo e longas composições.

O Rush foi uma banda não européia muito bem sucedida com influências do gênero.

A popularidade do gênero atingiu seu auge em meados da década de 1970, quando os artistas regularmente atingiam o topo das paradas na Inglaterra e Estados Unidos. Nessa época começaram então a surgir bandas estadunidenses como Kansas e Styx, que apesar de existirem desde o começo dos anos 70, tornaram-se sucesso comercial após o vinda do rock progressivo às Américas. A banda de Toronto, Rush, também foi muito bem sucedida fazendo um hard rock com influências progressivas, com uma seqüência de álbuns de sucesso desde meados da década de 1970 até atualmente.

Com o advento do punk rock no final da década de 1970 as opiniões da crítica na Inglaterra voltaram-se ao estilo mais simples e agressivo de rock, com as bandas progressivas sendo consideradas pretensiosas e exageradas em demasiado, terminado com o reinado de um dos estilos mais liderantes do rock.[2] [3] Tal desenvolvimento é visto freqüentemente como parte de uma mudança geral na música popular, assim como o funk e soul foram subsituídos pela música disco e o jazz ameno ganhou popularidade sobre o jazz fusion. Apesar disso, algumas bandas estabelecidas ainda possuíam ampla base de fãs, como Rush, Genesis e Yes continuaram regularmente no topo de paradas e realizando grandes turnês. Em torno de 1979, é geralmente considerado que o punk rock evoluiu para o New Wave.

Anos 1980: o rock neoprogressivo[editar | editar código-fonte]

Os princípios dos anos 1980 assistiram o retorno ao gênero, através de bandas como os Marillion, IQ, Pendragon e Pallas. Os grupos que apareceram nesta altura são por vezes chamados de “neoprogressivos”. Foram amplamente inspirados pelo rock progressivo, mas também incorporaram fortemente elementos do new wave. É caracterizado pela música dinânica, com grande presença de solos tanto de guitarra quanto de teclado. Por esta altura alguns dos grupos leais ao rock progressivo mudaram a sua direção musical, simplificando as suas composições e incluindo mais abertamente elementos electrônicos. Em 1983 os Genesis alcançam um grande êxito internacional com a múscia “Mama”, que tinha um forte ênfase na bateria eletrônica. Esta canção foi gravada em um álbum que também celebrizou o clássico "Home by the Sea", que apresentava uma versão com letra e outra instrumental. Em 1984, o Yes alcança um grande êxito com o álbum 90125 e o sucesso “Owner Of A Lonely Heart”, que continha (para aquela época) efeitos eletrônicos modernos e era acessível a ser tocada em discotecas e danceterias. Em 1983 é criado o Apocalypse um dos principais grupos brasileiros de progressivo. O grupo lançaria 10 álbuns, incluindo 4 álbuns na Europa, e gravaria o primeiro álbum duplo ao vivo de rock progressivo brasileiro nos EUA.

Anos 1990: third wave e metal progressivo[editar | editar código-fonte]

Porcupine Tree após concerto.

Nos anos 1990 outras bandas começaram a reviver o estilo com a chamada third wave, composta por bandas como os suecos The Flower Kings, os ingleses Porcupine Tree, os escandinavos e os americanos Spock's Beard e Echolyn, que incorporaram o rock progressivo no seu estilo único e eclético. apesar de não soar igual, tais bandas estão muito relacionadas com os artistas da década de 1970, considerados por alguns inclusive uma fase retrô do estilo.

Enquanto isso (da metade da década de 1980 em diante para ser mais exato), estava havendo o surgimento do metal progressivo, um estilo comercialmente bem sucedido que uniu vários elementos do rock progressivo ao heavy metal. Isso trouxe para o estilo uma maior técnica, fruto de uma aprendizagem acadêmica, capacitando-as a explorar músicas longas e álbuns conceituais. Bandas do estilo incluem Dream Theater, Fates Warning, Tool, Symphony X, Queensrÿche (Estados Unidos), Ayreon (Países Baixos), Opeth, Pain of Salvation, Ark, A.C.T (Suécia), Spiral Architect, Circus Maximus, Conception(Noruega), e no Brasil, o Mindflow. Bandas da década de 1970 frequentemente citadas como referência para o metal progressivo coincidem com as mais bem sucedidas, tais como Yes, Rush, Pink Floyd e Genesis.

No trabalho de grupos contemporâneos como os Radiohead e bandas post rock como Poets of the Fall, Sigur Rós e Godspeed You! Black Emperor, estão presentes alguns dos elementos experimentais do rock progressivo. Entre os músicos mais experimentalistas e de vanguarda, o compositor japonês Takashi Yoshimatsu cita o rock progressivo como sendo a sua primeira influência.

Anos 2000: festivais[editar | editar código-fonte]

Na década de 2000 e na última década e meia surgiram, no mundo inteiro, vários festivais dedicados ao género. Como exemplo cite-se o prestigiado festival português Gouveia art rock que se realiza desde 2003 e já é considerado um evento de referência em todo o mundo.

Referências

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]