New wave (música)

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New Wave
Origens estilísticas Punk rock
Música disco
Power pop
Pub rock
Ska
Música eletrônica
Art rock
Glam rock
Contexto cultural Final da década de 1970 no Reino Unido e nos Estados Unidos
Instrumentos típicos Guitarra elétrica - Baixo - Bateria - Teclados - Sintetizador
Popularidade Mundial toda a década de 1980 até ao início década de 1990.
Formas derivadas Neue Deutsche WelleSynthpopPost-punk
Subgêneros
ElectroclashNew RomanticMod revivalDance-punk - Darkwave
Gêneros de fusão
Synthpunk2 Tone
Formas regionais
Bélgica - Alemanha - Reino Unido - Estados Unidos - Iugoslávia
Outros tópicos
Pós-punk

New Wave é um género musical do rock surgido em meados da década de 1970 ao lado do punk rock. O termo new wave era considerado sinônimo do punk rock antes de se tornar um estilo musical independente, que incorporava elementos da música eletrônica, musica experimental, mod e disco, assim como o pop dos anos 60.[1] [2] Nos anos de 1990s e 2000 houve alguns revivals, assim como o surgimento de outros estilos influenciados pelo movimento.

Início[editar | editar código-fonte]

O termo "New Wave" é fonte por si só de muita controvérsia e confusão. Ele era usado em 1976 na Inglaterra por inúmeros fanzines punks, como o Sniffin' Glue, além da impressa oficial.[3] Em novembro de 1976, em um artigo intitulado Melody Maker, Caroline Coon usou o termo "New Wave" para caracterizar o som de bandas que não eram exatamente punks, mas que estavam relacionadas com a mesma cena musical.[4] Por certo tempo os dois termos eram permutáveis, ora punk ora new wave.[5]

Nos EUA, a Sire Records precisava de um termo novo para conseguir comercializar as bandas que haviam acabado de assinar contrato com a gravadora, que frequentemente tocavam no clube CBGB. Como os críticos e as rádios americanas chamavam o punk de moda passageira, a gravadora resolveu usar o termo "New Wave”. Os primeiros escritores americanos usavam o nome New Wave para caracteizar as novas ondas punks da Inglaterra. Em dezembro de 1976, o The New York Rocker, se tornou o primeiro jornal Americano a associar as mudanças do punk inglês com a cena corrente no CBGB.[3]

Talking Heads se apresentando em Toronto em 1978.

O historiador musical Vernon Joynson sustenta que a new wave surgiu na Inglaterra no final de 1976, quando diversas bandas começaram a se afastar o movimento punk.[6] A música que seguiu o anarquismo das bandas de garagem , como o Sex Pistols eram caracterizadas como "punks", enquanto a musica que tendia para a experimentação, complexidade lirica, ou até mesmo uma produção mais elaborada foi caracterizado com "New Wave". Isso veio incluir músicos que se tornaram proeminentes no cenário do punk rock inglês de meados dos anos 70, como Ian Dury, Nick Lowe, Eddie and the Hot Rods e Dr. Feelgood;[7] E de acordo com a AMG tudo era "raivoso, inteligente" os compositores estavam se apropriando da música pop com atitude sarcástica e tensa, além da clara agressividade e energia do punk, como Elvis Costello, Joe Jackson, e Graham Parker.[8] Nos EUA, os primeiros New Wavers se encontravam em grande parte no clube CBGB, como Talking Heads, Mink DeVille e Blondie.[9] O dono da CBGB Hilly Kristal, se referindo aos primeiros shows no clube transmitidos pela TV em março de 1974, disse, "Eu acho que aquele era o inicio da new wave."[10] Além do mais, muitos dos artistas que eram anteriormente classificados como punk passaram a ser new wavers. Em 1977 uma copilação da Phonogram Records com o nome New Wave apresentava inúmeros artistas norte americanos, como Dead Boys, Ramones, Talking Heads e The Runaways.[9] [11]

A banda Talking Heads foi responsável pela definição do estilo New Wave naquela época. A sonoridade representava a ruptura do blues suave e do rock & roll dos anos de 1960 para o novo rock dos anos de 1970. De acordo com o jornalista especializado em musica, Simon Reynolds, a sonoridade era mais rápida e agitada no novo estilo. Os músicos da New Wave tocavam suas guitarras num andamento mais rápido que o comum naquela época. Os teclados eram recorrentes, e a estrutura das musicas tinham constantes mudanças de andamento. Reynolds também nota que os vocalistas cantavam de forma mais estridente, uma forma de cantar totalmente suburbana .[2]

O Power Pop, um gênero que começou antes do punk no inicio dos anos de 1970, começou a ser associado ao New Wave no final dessa mesma década, pois incorporava o mesmo espírito musical da Wave; The Romantics, The Records, The Motors[9] , Cheap Trick, e 20/20 eram grupos que faziam sucesso tocando esse estilo musical.[12] Devido ao sucesso da banda de Power pop, The Knack, as gravatas mais finas se tornaram populares entre os músicos de New Wave.[13]

O ska revival da editora two tone capitaneado pelos grupos The Specials, the Selecter, Madness e o English Beat adicionou humor e uma batida mais forte ao New Wave.[14]

Mais tarde, "New Wave" veio implicar um som menos ruidoso, quase sempre usando sintetizadores, como o das bandas de synthpop e new romantic. O termo pós-punk era usado para descrever as bandas mais darks e menos influenciadas pelo Power pop, como Gang of Four , Joy Division, The Cure, e Siouxsie & the Banshees, sendo que algumas dessas bandas vieram a utilizar o sintetizador pop.[15] [16] Embora distintos uns dos outros, punk, New Wave, e post-punk dividiram todos uma mesma cena; a reação enérgica contra a super-produzida, e sem inspiração musica popular dos anos 70.[17]

AMG explica que a diversidade de estilo da New Wave ocorreu porque a New Wave " manteve o mesmo vigor e irreverência do Punk , assim como uma fascinação com a eletrônica, moda e arte. Essa diversidade se estendeu a diversos músicos e bandas de one hit wonders que surgiram através do gênero.[18] [19]

O termo caiu em desuso na Inglaterra no inicio dos anos 1980, pois a New Wave estava se tornando muito generalizada.[9] Alguns críticos afirmam que o estilo morreu no meio dos anos oitenta. Theo Cateforis, professor assistente de História da música e cultura da universidade de Syracuse, argumenta que a New Wave "retrocedeu" durante essa época pois o avanço dos sintetizadores fez com que as bandas de New Wave e as bandas de mainstream do pop e do rock passaram a soar iguais.[13]

Anos 80: Recepção nos EUA e popularidade mundial[editar | editar código-fonte]

No verão de 1977 a revista Time [20] e a Newsweek escreveram artigos favoráveis ao movimento.[18] "punk/new wave". Os críticos de rock se dividiram. Ações relacionadas com o movimento receberam pouco ou nenhuma atenção da mídia. Todavia, cenas menores se estabeleceram nas maiores cidades americanas. O ano seguinte continuou na mesma, e o apoio do público permaneceu restrito a alguns artistas e à população cultural e intelectual americana,[3] as arena rock, sendo que na época o Disco dominava as paradas.[19]

Deborah Harry e sua banda Blondie, tocando no Maple Leaf Gardens, Toronto, em 1977.

No final de 1978 e continuando em 1979, atos do movimento Punk misturados com outros gêneros começaram a ganhar notoriedade nas rádios de rock. Blondie, Talking Heads, e The Cars ganharam notoriedade nessa época.[13] [19] "My Sharona", um single do The Knack, foi campeão de vendas em 1979. O sucesso de "My Sharona" fez com que muitas gravadoras corressem para assinar contratos com bandas de New Wave .[13] Cenas musicais de New Wave ocorreram em Ohio[19] e em Athens, na Geórgia.[21] Os anos de 1980 tiveram pequenas aventuras ao estilo New Wave com bandas e cantores de outros estilos musicais, com Billy Joel e Linda Ronstadt.[13] O lançamento, nesse período, do álbum de Gary Numan, The Pleasure Principle seria a descoberta do grande público, do synthpop.[19] Não houve sucesso com os segundos discos dos artistas que fizeram sucesso com seus debuts, sendo que os que assinaram contrato na época não conseguiram vender seus álbuns, o que forçou as rádios a tiraram a New Wave de sua programação.[13]

O surgimento da MTV em 1981 daria inicio ao período de maior sucesso da New Wave. Os artistas britânicos, talvez mais que seus compatriotas americanos, perceberam logo a importância do vídeo clipe.[19] [22] Diversos artistas ingleses começaram a assinar com pequenas gravadoras enquanto os americanos assinavam com as maiores.Os jornalistas apelidaram esse fenômeno de “Segunda Invasão Inglesa ”.[22] [23] A MTV continuou a exibir em sua programação quase que totalmente artistas New Wave até 1987, pois a partir daí a programação da emissora passou a ser dominada pelas bandas de Heavy Metal[24]

Robert Smith, vocalista do The Cure em 1985.

Cerca de 14% dos adolescentes entrevistados em dezembro de 1982 Gallup Poll afirmaram que a New Wave era seu estilo musical favorito, tornando-o o terceiro mais popular na pesquisa. A New Wave tinha maior popularidade na Costa Oeste.[25] As radios de Urban Contemporary foram as primeiras a tocar a New Wave .[26] Nesse período, a definição de New Wave nos EUA mudou para um estilo menos rebelde; uma versão mais comercial do punk que havia sido descrito antes. No restante da década de 80, o termo "New Wave" passou ser usado para descrever algum novo cantor ou banda pop que usava largamente os sintetizadores. Hoje em dia o estilo ainda é usado para descrever essas novas bandas Pop, mesmo o estilo tendo sido associado ao pós punk e a musica alternativa.[14] [27] [28]

Fãs, jornalistas musicais, assim como artistas se rebelaram contra essa generalização e criaram outras subdivisões.[13] [19] O Synthpop, que preencheu o vazio deixado pela Música disco,[29] foi considerado um sub-gênero, que incluía bandas como The Human League, Depeche Mode, A-ha, Orchestral Manoeuvres In The Dark, Duran Duran e os Pet Shop Boys.[19]

Trilhas sonoras New Wave foram usadas nos filmes "Brat Pack" , como Valley Girl, Sixteen Candles, Pretty in Pink, e The Breakfast Club.[19] [30] Os críticos descreveriam a MTV da época como superficial e insípida,[19] [22] mas foi por causa da qualidade musical e da linguagem fashion dos clipes da emissora possibilitaram a popularização da New Wave.[19] O uso de sintetizadores pela New Wave influenciaram o desenvolvimento da House music em Chicago e o Techno em Detroit. O espírito indie da New Wave foi crucial para a criação do college rock e do grunge/ rock alternativo na metade final dos anos 80 e na década de 1990.[19] Hoje em dia a New Wave é considerada parte do Rock Alternativo.[14]

Anos 90: A decadência[editar | editar código-fonte]

Franz Ferdinand tocando em 2006.
Gwen Stefani e sua banda No Doubt.

Em 1990 o New Wave ainda era muito popular e fazia grande sucesso nas rádios e televisão, o estilo extravagante e colorido ainda era popular principalmente entre os jovens, muitas bandas como INXS, A Ha, Human League, Erasure, entre muitas outras, começaram os anos 90 fazendo sucesso com álbuns em estilo New Wave e Synthpop. Seu reinado durou até 1991 quando o Grunge puxando o Rock alternativo passou a dominar as paradas de sucesso, o estilo mudou, dessa vez os sintetizadores deixaram de ter destaque, e aquele aspecto futurista e sintetizado das bandas se converte a um estilo simples, despojado e voltado a um rock mais puro, a partir daí grandes bandas de rock, Havy Metal, Grunge, rock alternativo, indie rock, entre outras passaram a dominar o gosto e o estilo do começo da década de 90, as antigas bandas New wave sucumbiram, entraram em decadência e algumas tentaram se adaptar os novos tempos lançando álbuns com um rock mais puro, mas não obtendo muito sucesso. Nesse período bandas retrô futuristas como o Stereolab e Saint Etienne misturaram a New Wave com o pop kitschy dos anos 60.[31] no rescaldo do grunge, as revistas especializadas da Inglaterra criaram uma campanha para promover o New Wave of New Wave. Essa campanha era puxada por bandas como Elastica e Smash, todavia ela foi ofuscada pelo Britpop.[9] Outras movimentações ocorreram nos anos noventa, como as bandas No Doubt, Six Finger Satellite, e Brainiac.[32] [33] Durante aquela década a batida pesada e sintetizada dos movimentos ingleses e europeus de New Wave influenciaram várias encarnações da eurodisco e da trance music.[19] [29]

Mas o New Wave ainda resistia, algumas bandas lançavam sucessos mundial, como Friday in love - The Cure, o relançamento de Tarzan Boy - Baltimora, Ordinary World - Duran Duran, e Dark Is The Night For All - A Ha, este considerado o último New Wave, ou seja, a última música do gênero a fazer sucesso mundial, em 1994 a banda Erasure lança Always, considerado o último sucesso Synthpop mundial.[34] [35] [36]

Século XXI[editar | editar código-fonte]

Durante os anos 2000 em diante, diversas bandas surgiram da diversidade de influencias da new wave e do pós-punk. Entre as bandas havia The Strokes, Interpol , Franz Ferdinand, Placebo[carece de fontes?], The Epoxies, Bloc Party e The Killers. Essas bandas eram às vezes apelidadas de "New New Wave". A New Wave continuou a influenciar artistas no final da década de 2000, como Gwen Stefani, The Sounds, The Ting Tings, Shiny Toy Guns,[37] Santigold, Hockey[38] e Ladyhawke.

A partir de 2009 diversas bandas independentes e indie afirmaram terem sido influenciadas pela New Wave da década de 80.[29]

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Referências

  1. Disco inferno The Independent December 11, 2004
  2. a b Reynolds, Simon "Rip It Up and Start Again PostPunk 1978-1984" p160
  3. a b c Gendron, Bernard (2002). Between Montmartre and the Mudd Club: Popular Music and the Avant-Garde (Chicago and London: University of Chicago Press), pp. 269–270.
  4. Clinton Heylin, Babylon's Burning (Conongate, 2007), pp. 140, 172.
  5. Joynson, Vernon. 'Up Yours! A Guide to UK Punk, New Wave & Early Post Punk'. Wolverhampton: Borderline Publications, 2001. 12 p. ISBN 1-899855-13-0
  6. Joynson, Vernon. 'Up Yours! A Guide to UK Punk, New Wave & Early Post Punk'. Wolverhampton: Borderline Publications, 2001. 11 p. ISBN 1-899855-13-0
  7. Adams, Bobby. "Nick Lowe: A Candid Interview", Bomp magazine, January 1979, reproduced at [1]. Accessed January 21, 2007.
  8. Album Review Look Sharp
  9. a b c d e Encyclopedia of Contemporary British Culture Page 365
  10. Clinton Heylin, Babylon's Burning (Conongate, 2007), p. 17.
  11. Savage, Jon. (1991) England's Dreaming, Faber & Faber
  12. Power Pop genre Allmusic
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  14. a b c Essay about New Wave's definition and list of essential New Wave Records from allmusic
  15. Post-Punk Allmusic
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  18. a b Genre Punk/New Wave Allmusic
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  20. Anthems of the Blank Generation Time Magazine July 11, 1977 issue
  21. American Punk Rock Allmusic
  22. a b c Rip It Up and Start Again Postpunk 1978-1984 by Simon Reynolds Pages 340,342-343
  23. 1986 Knight Ridder news article
  24. The Pop Life The New York Times June 15, 1988
  25. Rock Still Favorite Teen-Age music Gainesville Sun April 13, 1983
  26. Crossover: Pop Music thrives on black-white blend Knight Ridder News Service September 4, 1986
  27. Where Are They Now: '80s New Wave Musicians ABC News 29 November 2007
  28. Goth styles and new wave tunes at weekly '80s night Newsday September 9, 2009
  29. a b c The decade that never dies Still ’80s Fetishizing in ’09 Yale Daily News October 23, 2009
  30. But what does it all mean? How to decode the John Hughes high school movies The Guardian September 26, 2008
  31. The History of Rock Music: 1989-1994 by Piero Scaruffi
  32. New Wave/Post Punk Revival Allmusic
  33. POP REVIEW; "Knowing Just How Hard It Is to Be a Teen-Ager," New York Times, April 18, 1996
  34. http://www.infoescola.com/musica/new-wave/
  35. http://lazer.hsw.uol.com.br/new-wave.htm
  36. http://www.collectorsroom.com.br/2014/02/para-entender-new-wave-of-american-metal.html
  37. Shiny Toy Guns Allmusic bio
  38. Hockey Allmusic bio

Ver também[editar | editar código-fonte]