Kurt Cobain

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Kurt Cobain
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Kurt Cobain, 18 de novembro de 1993 no Sony Music Studios, em Nova York.
Informação geral
Nome completo Kurt Donald Cobain
Nascimento 20 de fevereiro de 1967
Local de nascimento Aberdeen, Washington
 Estados Unidos
Data de morte 5 de abril de 1994 (27 anos)
Local de morte Seattle, Washington
 Estados Unidos
Gênero(s) Grunge , rock alternativo e punk rock
Ocupação(ões) Músico, compositor
Instrumento(s) Vocal, guitarra, guitarra acustica
Modelos de instrumentos Fender Stratocaster
Fender Mustang
Fender Jaguar
Fender Jag-Stang
Univox Hi-Flyer
Martin D-18E
Período em atividade 19861994
Gravadora(s) Sub Pop, DGC/Geffen
Afiliação(ões) Nirvana, Fecal Matter
Influenciado(s) Lana Del Rey[1] [2]
Firma de Kurt Cobain.svg

Kurt Donald Cobain (Aberdeen, 20 de fevereiro de 1967Seattle, 5 de abril de 1994) foi um cantor, compositor e músico estadunidense. Famoso por ter sido o fundador, vocalista e guitarrista da banda Nirvana[3] .

Dentre suas principais composições, o single Smells Like Teen Spirit, do segundo álbum do Nirvana, "Nevermind", foi o responsável pelo início do sucesso do grupo e do próprio Kurt, popularizando um subgênero do rock alternativo que a imprensa passou a chamar de grunge.[4] Outras bandas grunge de Seattle, como Alice in Chains, Pearl Jam e Soundgarden, ganharam também um vasto público e, como resultado, o rock alternativo tornou-se um gênero dominante no rádio e na televisão nos Estados Unidos, do início à metade da década de 1990. O Nirvana foi considerada a banda "carro-chefe da Geração X", e seu vocalista, Kurt Cobain, viu-se ungido pela mídia como porta-voz da geração, mesmo contra sua vontade.[5] Cobain estava desconfortável com a atenção que recebeu, e colocou seu foco na música da banda, acreditando que a mensagem da banda e sua visão artística tinham sido mal-interpretadas pelo público, desafiando a audiência da banda com o seu terceiro álbum In Utero. Desde sua estreia, a banda Nirvana, com Cobain como compositor, vendeu mais de vinte e cinco milhões de álbuns nos Estados Unidos, e mais de cinquenta milhões em todo o mundo.[6] [7]

Durante os últimos anos de sua vida, Cobain lutou contra o vício em heroína, doenças, depressão, fama e imagem pública, bem como as pressões ao longo da vida profissional e pessoal em torno dele próprio e de sua esposa, a cantora Courtney Love. Em 8 de abril de 1994, Cobain foi encontrado morto em sua casa em Seattle, três dias após a sua morte, vítima do que foi oficialmente considerado um suicídio por um tiro de espingarda na cabeça. As circunstâncias de sua morte, por vezes, tornam-se um tema de fascínio e debate.[4]

A vida do cantor já foi retratada de várias maneiras e diversas vezes após a sua morte, seja no cinema, em livros ou em documentários televisivos.[8] A primeira delas foi em 1998, com o documentário Kurt & Courtney, em seguida, em 2005, foi produzido o filme "Últimos Dias", um filme de gênero drama que narrava de forma fictícia os últimos dias de vida de Kurt, e o documentário Kurt Cobain - Retrato de uma Ausência, lançado em 2006, que continha entrevistas de amigos, parentes e do próprio Cobain.[9] [10] Em 2006, doze anos após a sua morte, a revista Forbes listou as treze celebridades mortas que mais lucraram nos últimos doze meses do respectivo ano. O cantor ficou em primeiro lugar da lista, com ganhos estimados em cinquenta milhões de dólares.[11] [12]

Infância e juventude[editar | editar código-fonte]

Hospital Grays Harbor, em Aberdeen, Washington, Estados Unidos, o local de nascimento de Kurt Cobain.

Kurt Donald Cobain nasceu em 20 de fevereiro de 1967, no Hospital Grays Harbor, em Aberdeen, Washington,[13] filho da garçonete Wendy Elizabeth Fradenburg[14] e do mecânico automotivo Donald Leland Cobain. Seu pai era descendente de escoceses,[15] irlandeses e franceses,[16] e sua mãe, era de origem irlandesa, alemã e inglesa.[17] Os antepassados irlandeses de Cobain migraram do Condado de Tyrone, na Irlanda do Norte, em 1875.[17] Outras pesquisas encontraram que eles tinham sido sapateiros, originalmente chamado Cobane, que vieram da aldeia de Inishatieve, perto de Pomeroy, que se estabeleceram em Cornwall, Ontário, Canadá, e depois em Washington.[18] Cobain teve uma irmã mais nova chamada Kimberly, nascida em 24 de abril de 1970.[14] [15]

Cobain foi criado por pais da classe trabalhadora e sua família tinha um fundo musical: seu tio materno Chuck Fradenburg estrelou em uma banda chamada The Beachcombers; sua tia Mari Earle tocava guitarra, e tocou em bandas pelo Condado de Grays Harbor; seu tio-avô Delbert tinha uma carreira como tenor irlandês e fez uma aparição no filme King of Jazz, de 1930. Cobain foi descrito como uma criança feliz e muito criativa.[19] Seu quarto era descrito como tendo tido a aparência de um estúdio de arte,[13] onde ele desenhava seus personagens favoritos de filmes e desenhos animados, como Aquaman, o Monstro da Lagoa Negra, e os personagens da Disney, como Pato Donald, Mickey Mouse e Pluto.[20] Esse entusiasmo foi incentivado por sua avó Íris Cobain, que era uma artista profissional. Cobain começou a desenvolver um interesse pela música cedo em sua vida. De acordo com a sua tia Mari, ele começou a cantar aos dois anos de idade. Aos quatro anos, Cobain começou a cantar e tocar piano, escrevendo uma música sobre sua viagem a um parque local. Quando era novo, ouvia artistas como Ramones[21] e cantava músicas como "Motorcycle Song", de Arlo Guthrie, "Hey Jude", dos The Beatles, "Seasons in the Sun", de Terry Jacks, e a canção-tema do seriado The Monkees.[22]

Em fevereiro de 1976, Wendy, mãe de Kurt pediu o divórcio, surpreendendo todos da família, inclusive Don. Stan Targus, o melhor amigo de Don, disse que "ele [Don] ficou arrasado com a ideia do divórcio". A queixa da mãe de Kurt era que o marido estava o tempo todo envolvido em esportes.[23] Kurt, na época, tinha nove anos e esse foi um evento que, conforme Kurt, teve um profundo efeito em sua vida. Sua mãe notou que sua personalidade mudou drasticamente - Cobain se tornou mais desafiador e recluso.[19] [24] Em uma entrevista de 1993, ele explica:

Cquote1.svg Lembro-me envergonhado, por alguma razão. Eu tinha vergonha dos meus pais. Eu não poderia enfrentar alguns dos meus amigos na escola mais, porque eu desesperadamente queria ter o clássico, você sabe, a família típica. Mãe, pai. Eu queria a segurança, assim eu me ressenti com meus pais por alguns anos por causa disso.[25] Cquote2.svg

Os pais de Cobain passaram a encontrar novos parceiros após o divórcio. Seu pai prometeu não se casar novamente; ele o fez, porém, após conhecer Jenny Westeby.[26] Os dois homens Cobain, Westeby e seus dois filhos, Mindy e James, mudaram-se para um novo lar juntos. Cobain gostava de Westeby a princípio, pois esta lhe dava a atenção materna que ele desejava.[26] [27] Em janeiro de 1979, Westeby deu à luz a Chad Cobain.[26] Esta nova família, que Cobain insistia em dizer que não era a real, estava em contraste com a atenção que Cobain recebia como filho único, ele logo então começou a expressar seu ressentimento com a madrasta.[26] [27] Sua mãe começou a namorar um homem que a abusava. Cobain testemunhou a violência doméstica infligida contra ela, e houve um incidente em que ela teve que ser hospitalizada com um braço quebrado.[27] [28] Wendy se recusou a dar queixa, e manteve-se completamente comprometida com a relação.[28]

A personalidade de Cobain continuou a mudar, quando ele começou a se comportar insolentemente com adultos e começou a praticar bullying contra outro menino na escola. Eventualmente, seu pai e Westeby o levaram a um terapeuta, que concluiu que ele estava precisando de uma única família.[28] Ambos os lados da família tentaram trazer seus pais juntos novamente, mas sem sucesso. Em 28 de junho de 1979, a mãe de Cobain concedeu a custódia total de seu filho a seu pai.[29] A rebelião adolescente de Cobain logo tornou-se muito grande para ele, que colocou o filho sob os cuidados de seus diversos amigos e familiares.

Enquanto convivia com a família cristã do seu amigo Jesse Reed, Cobain se tornou um devoto da igreja cristã e a frequentava regularmente. Cobain depois renunciou ao cristianismo durante o início da adolescência, engajando-se em o que seria descrito como discursos "anti-Deus". A música "Lithium" é sobre a sua experiência de vida com a família de Reed. A religião continuava a desempenhar um papel importante na vida pessoal de Cobain e em suas crenças, já que ele costumava levar imagens cristãs em sua carreira e manteve um interesse constante no jainismo e na filosofia budista. O nome da banda Nirvana foi tirado do conceito budista, que Cobain descreveu como "a liberdade da dor, do sofrimento e do mundo externo", que em paralelo com a ética e a ideologia punk rock. Cobain se referiu a si mesmo tanto como um budista quanto jainista durante os diferentes pontos de sua vida, inclusive através assisitindo documentários de televisão tarde da noite sobre os dois assuntos.[30] [31] [32]

Apesar de não estar interessado em esportes, ele foi inscrito na equipe júnior de wrestling do ensino médio por insistência de seu pai. Apesar de ser qualificado, desprezou a experiência e saiu do time. Seu pai, mais tarde alistou Cobain em uma equipe pequena liga de beisebol, onde Cobain intencionalmente cometia faltas com a intenção de evitar ter que jogar.[33] Ao invés disso, Cobain estava mais interessado na arte. Ele sempre desenhava durante as aulas, incluindo objetos associados com a anatomia humana. Quando deram uma caricatura de atribuição durante um curso de arte, Cobain fez um retrato de Michael Jackson. Quando seu professor de arte lhe disse que a caricatura seria imprópria para ser exibido em um corredor da escola, Cobain fez um esboço insultante ao então presidente Ronald Reagan.[34]

Cobain fez amizade com um aluno homossexual na escola, às vezes sofrendo bullying de estudantes homofóbicos que concluiam que Cobain também era gay. Em uma entrevista de 1993 com a The Advocate, Cobain afirmou que ele era gay "em espírito" e que "provavelmente poderia ser bissexual se não fosse casado" . Ele também disse que usou spray para pintar "Deus é Gay" em picapes na área de Aberdeen. No entanto, os registros da polícia de Aberdeen mostram que, na ocasião em que foi preso, a frase foi na realidade "Ain't got no how watchamacallit".[35] . Em um de seus diários pessoais, dizia: "eu não sou gay, embora eu desejasse ser, só para irritar esses homofóbicos".[36]

Atribuído a inúmeros colegas de Cobain e a seus familiares, o primeiro show a que assistiu foi um de Sammy Hagar e do Quarterflash no Seattle Center Coliseum, em 1983.[13] [37] Cobain, no entanto, alegou que o primeiro foi um do The Melvins, uma experiência que ele escreveu abundantemente em seus diários.[38] Tal como um adolescente vivendo em Montesano, Cobain encontrou escapes através da próspera cena punk do Noroeste Pacífico, indo a shows de punk rock em Seattle. Começou a frequentar o espaço de ensaios de colegas músicos de Montesano, do The Melvins.

Durante o segundo semestre do seu segundo ano de High School, Cobain passou a viver com sua mãe em Aberdeen. Duas semanas antes da formatura, ele saiu da Aberdeen High School depois de perceber que não tinha créditos suficientes para se graduar. Sua mãe lhe deu uma escolha: encontrar um emprego ou sair. Depois de uma semana, Cobain encontrou suas roupas e outros pertences embalados em caixas de mudança.[39] Banido da casa por sua mãe, Cobain se manteve na casa de amigos e, às vezes, se escondeu no porão de sua mãe.[40] Cobain afirmou que durante os períodos de tempo sem-teto, vivia debaixo de uma ponte sobre o rio Wishkah,[40] uma experiência que inspirou a faixa "Something in the Way" do álbum Nevermind. No entanto, o baixista do Nirvana, Krist Novoselic, disse, "Ele ficou por ali, mas você não poderia viver naquelas margens lamacentas, com a maré subindo e descendo. Aquele era seu próprio revisionismo".[41]

No final de 1986, Cobain se mudou para um apartamento, pagando seu aluguel trabalhando em um resort polinésio costeiro a cerca de 32 km ao norte de Aberdeen. Durante esse período, ele foi viajar com frequência para Olympia, Washington, para ir a apresentações de bandas de rock. Durante suas visitas a Olympia, Cobain formou um relacionamento com Tracy Marander. O casal teve um relacionamento próximo, mas que foi muitas vezes tenso, com dificuldades financeiras e ausência de Cobain, quando ele saia para se divertir. Marander sustentou o casal, trabalhando na lanchonete do Aeroporto Internacional de Seattle-Tacoma, muitas vezes até roubando comida. Cobain passava a maior parte de seu tempo dormindo até tarde da noite, assistindo a televisão e se concentrando em projetos de arte. A insistência de Marander para que ele conseguisse um emprego lhe deu inspiração, que influenciou Cobain a escrever "About a Girl", música que foi lançada no álbum Bleach. Marander aparece na foto da capa do álbum. Ela nunca soube que "About a Girl" foi escrita sobre ela até anos após a morte de Cobain.

Após Marander se separar dele, Cobain começou a namorar Tobi Vail, cantora da banda Bikini Kill, do gênero riot grrrl. Após conhecer Vail, Cobain chegava a vomitar por estar tão sobrecarregado com ansiedade por sua paixão por ela. Isso iria inspirar a lírica, "Love you so much it makes me sick", que aparecem na canção "Aneurysm".[42] Embora Cobain considerasse Vail como sua "outra metade", seu relacionamento com ela diminuiu: Cobain desejava o conforto maternal de uma relação tradicional; enquanto Vail era considerada uma sexista dentro de uma comunidade contracultural punk rock. Pessoas que namoraram Vail eram descritas por sua amiga Alice Wheeler como "acessórios de moda".[43] Eles passavam a maior parte do seu tempo como um casal a discutir questões políticas e filosóficas. A experiência de Cobain no seu relacionamento com Vail iria inspirar o conteúdo lírico de várias das músicas de Nevermind. Ao discutir temas como o anarquismo e o punk rock com sua amiga Kathleen Hanna, esta pintou com um spray "Kurt Smells Like Teen Spirit" na parede de seu apartamento. Teen Spirit é o nome do desodorante que Vail usava, do qual Hanna brincava que Cobain cheirava. Cobain, no entanto, não sabia disso, e interpretou o slogan como possuindo um significado revolucionário, que inspirou o título da música "Smells Like Teen Spirit".[44]

Nirvana[editar | editar código-fonte]

Quando ganhou sua primeira guitarra elétrica no seu décimo quarto aniversário, depois de escolher entre esta e uma bicicleta, Kurt logo começou a aprender algumas músicas e tocava alguns covers, como Back in Black do AC/DC. Sem demora, começou a trabalhar em suas próprias canções.[32] Durante o Ensino Médio, quando Kurt aprimorava seu dom de guitarrista, nunca encontrou ninguém para tocar de modo espontâneo e divertido, até que conheceu Krist Novoselic. A mãe de Krist era dona de um salão de beleza e os dois começaram a ensaiar eventualmente na sala que ficava no último andar do prédio. Nessa época, Kurt deu a Novoselic uma fita demo de sua banda ou projeto pessoal, Fecal Matter. Depois de alguns meses de indecisão, Krist finalmente ouviu a fita e gostou. Acabou por concordar em formar uma banda juntamente com seu mais novo amigo, que mais tarde resultaria no Nirvana.[45]

Memorial a Cobain em Aberdeen, Washington.

O começo da carreira deixou Cobain desencantado, devido à banda ser incapaz de atrair multidões consideráveis e pela dificuldade de se sustentar. Durante seus primeiros anos tocando juntos, Novoselic e Cobain foram anfitriões de uma lista rotativa de bateristas. Eventualmente, a banda ficou com Chad Channing, com o qual o Nirvana gravou o álbum Bleach, lançado pela Sub Pop Records, em 1989. Cobain, porém, ficou insatisfeito com o estilo de Channing, levando a banda a procurar um substituto e, eventualmente, encontrando Dave Grohl. Com Grohl, a banda encontrou seu maior sucesso através de sua estreia com o grande álbum de 1991, Nevermind.

Cobain lutou para conciliar o enorme sucesso do Nirvana com suas raízes na música underground. Ele também se sentia perseguido pela mídia, comparando-se a Frances Farmer. Depois, ele criou um certo ressentimento com pessoas que afirmavam serem fãs da banda, mas que não reconheciam ou entendiam as visões sociais e políticas da banda. Um oponente vocal do sexismo, do racismo e da homofobia, Cobain ficou publicamente orgulhoso com a apresentação do Nirvana em um evento de apoio aos direitos dos homossexuais chamado No-on-Nine no Oregon em 1992, em oposição ao Ballot Measure Nine, que proibia as escolas do estado estadunidense de reconhecer ou aceitar positivamente os direitos LGBT.

Cobain foi um suporte vocal do movimento pró-escolha, e envolveu-se, desde o início, na campanha Rock for Choice pela banda L7. Ele recebeu ameaças de morte de um pequeno número de ativistas antiaborto, com um ativista ameaçando que Kurt seria baleado logo que pisasse no palco.[46] No encarte da compilação Incesticide, declarou:

Cquote1.svg If any of you in any way hate homosexuals, people of different color, or women, please do this one favor for us - leave us the fuck alone! Don't come to our shows and don't buy our records.[47]
(Se algum de vocês de alguma forma odeia os homossexuais, as pessoas de cor diferente, ou mulheres, por favor, faça esse favor para nós - deixe-nos em paz! Não venha aos nossos shows e não compre os nossos discos)
Cquote2.svg

Um artigo de seus Journals lançado postumamente declara que a libertação social, poderá ser possível apenas por meio da erradicação do sexismo.

Relacionamento e família[editar | editar código-fonte]

Courtney Love[editar | editar código-fonte]

Courtney Love em 4 de outubro de 2009 no Carnegie Hall, em Nova York.

Courtney Love conheceu Cobain em 12 de janeiro de 1990, na discoteca Satyricon, em Portland,[48] quando os dois ainda tinham bandas de rock underground.[48] Love fazia avanços, mas Cobain era evasivo. No início de seu namoro Cobain não foi a encontros e ignorou os avanços de Love porque ele não tinha certeza se queria um relacionamento. Cobain disse: "Eu estava determinado a ser um solteirão por alguns meses [...] Mas eu sabia que eu gostava tanto de Courtney imediatamente que era uma luta muito difícil ficar longe dela por tantos meses".[49] Courtney Love viu pela primeira vez uma performance de Cobain em 1989 em um show em Portland, Oregon; falaram brevemente após o show e Love desenvolveu uma paixão por ele.[50]

Cobain já estava ciente de Love através de seu papel no filme de 1987 Straight to Hell. Segundo o jornalista Everett True, os dois foram formalmente apresentados em um concerto da L7 e da Butthole Surfers em Los Angeles, em maio de 1991.[51] No outono de 1991, os dois foram vistos muitas vezes juntos e ligados através do uso de drogas.[52]

Na época de uma perfomance do Nirvana no programa Saturday Night Live, em 1992, Love descobriu que ela estava grávida de Cobain. Em 24 de fevereiro de 1992, poucos dias após o término da turnê do Nirvana no Pacífico, Cobain e Love se casaram na praia de Waikiki, no Havaí. Love usou um vestido de cetim e renda, que tinha sido da atriz Frances Farmer, e Cobain usava um pijama verde, porque ele tinha sido "muito preguiçoso para vestir um smoking". Em entrevista ao The Guardian, Love revelou a oposição ao casamento de várias pessoas: "Kim Gordon [do Sonic Youth] senta-se pra mim e diz: "Se você se casar com ele sua vida não vai acontecer, ele vai destruir a sua vida. Mas eu disse: "Seja como for, eu o amo, e quero estar com ele!... Não foi culpa dele. Ele não estava tentando fazer isso.". Semanas depois, Cobain disse que "nos últimos dois meses fiquei noivo e minha atitude mudou drasticamente", em entrevista à Sassy Magazine. "Eu não posso acreditar o quanto estou feliz. Às vezes até me esqueço que estou em uma banda, eu estou tão cego pelo amor. Eu sei que soa constrangedor, mas é verdade. Eu poderia desistir da banda agora mesmo. Não importa, mas estou sob contrato.".[53]

Frances Bean Cobain[editar | editar código-fonte]

Em 18 de agosto, a filha do casal, Frances Bean Cobain nasceu.

Em um artigo de 1992 na revista Vanity Fair, Love admitiu ter usado heroína durante a gravidez sem saber. Love afirmou que a Vanity Fair tinha feito uma citação errada,[54] mas o caso gerou controvérsia para o casal. Embora o romance de Cobain e Love sempre tenha sido uma atração pela mídia, eles viram-se perseguidos por repórteres de tablóides depois que o artigo foi publicado, muitos querendo saber se Frances era viciada em drogas desde o nascimento. O Los Angeles County Department of Children's Services chamou Cobain à corte, alegando que o uso de drogas pelo casal os tornaram pais inaptos.[55] Com duas semanas de idade, a guarda de Frances Bean Cobain foi transferida para a irmã de Courtney, Jamie, por várias semanas, depois que o casal obteve a custódia em um acordo de troca, onde se submeteriam a exames de urina e visitas regulares a partir de um assistente social. Depois de meses de disputas judiciais, a custódia total da filha foi finalmente concedida ao casal.

Morte[editar | editar código-fonte]

Após uma parada da turnê no Terminal Eins, em Munique, na Alemanha, em 1 de março de 1994, Cobain foi diagnosticado com bronquite e laringite. Ele viajou para Roma no dia seguinte para tratamento médico, e encontrou com sua esposa em 3 de março. Na manhã seguinte, quando Love acorda, percebe que Cobain teve uma overdose em uma combinação de champanhe e Rohypnol. Cobain foi imediatamente levado para o hospital, e passou o resto do dia inconsciente. Após cinco dias no hospital, Cobain foi liberado e voltou para Seattle.[14] Love disse que o incidente foi a primeira tentativa de suicídio de Cobain.[56]

Em 18 de março, Love telefona para a polícia para informá-la que Cobain era um suicida e que tinha se trancado em um quarto com uma arma. A polícia chegou e confiscou várias armas e uma garrafa e pílulas de Cobain, que insistiu que não era um suicida e que tinha se trancado no quarto para esconder-se de Love. Interrogada pela polícia, Love disse que Cobain nunca tinha mencionado que ele era um suicida e que ela não tinha o visto com uma arma.[57]

Love consegue organizar uma intervenção sobre o uso de drogas de Kurt, no dia 25 de março. As dez pessoas envolvidas na intervenção incluíam amigos do músico, executivos da gravadora, e um dos amigos mais íntimos de Kurt, Dylan Carlson. A intervenção não teve sucesso inicialmente, com uma explosão de raiva, insultos e desprezo de Cobain sobre os participantes. Logo depois, o músico tranca-se no quarto do andar de cima. No entanto, até ao final do dia, Cobain tinha concordado em submeter-se a um programa de desintoxicação.[58] Cobain chegou ao Centro de Recuperação Exodus, em Los Angeles, na Califórnia, em 30 de março. Os funcionários do estabelecimento não sabiam do histórico depressivo de Kurt e de suas tentativas anteriores de suicídio. Quando visitado por amigos, não havia nenhuma indicação para eles de que Cobain estava em qualquer tipo de estado negativo ou suicida. Cobain tinha passado o dia conversando com seus conselheiros sobre o seu vício de drogas e problemas pessoais, e brincou com sua filha Frances durante sua visita, o último dia que ela veria seu pai.

Na noite seguinte, Kurt saiu para fumar um cigarro, em seguida, pulou um muro de seis metros de altura para deixar a instalação (do qual ele brincou no início do dia que seria estúpido tentar pular o muro). Ele pegou um táxi para o aeroporto de Los Angeles e voou de volta para Seattle, em um voo onde estava sentado ao lado do na época baixista da banda Guns N' Roses, Duff McKagan. Mesmo após a animosidade entre Nirvana e o Guns N'Roses, e a animosidade pessoal do próprio Cobain em relação ao vocalista Axl Rose, Kurt Cobain "parecia feliz" em ver McKagan. McKagan diria, mais tarde, que ele sabia com "todos os meus instintos que algo estava errado."[59] Ao longo dos dias 2 de abril e 3 de abril, Cobain foi visto em diversas localidades ao redor de Seattle, mas a maioria de seus amigos e familiares não tinha conhecimento de seu paradeiro. Ele não foi visto em 4 de abril. Em 3 de abril, Love contactou um detetive privado, Tom Grant, e contratou-o para encontrar Cobain. Em 7 de abril, em meio a rumores de que o Nirvana iria se separar, a banda saiu do festival de música anual de Lollapalooza.

Casa onde Kurt Cobain morreu em Seattle, nos Estados Unidos

Em 8 de abril de 1994, o corpo de Cobain foi descoberto em sua casa em Lake Washington por um eletricista que tinha chegado para instalar um sistema de segurança. Apesar de uma pequena quantidade de sangue que saía da orelha de Cobain, o eletricista relatou não ter visto qualquer sinal visível de trauma e, inicialmente, acreditava que Cobain estava dormindo até que viu a arma, uma espingarda Remington apontanda para o queixo. Uma nota de suicídio foi encontrada, dirigida ao amigo imaginário de infância de Cobain, chamado "Boddah", que dizia, em parte: "Eu não tenho sentido a excitação de ouvir, bem como criar música, junto com realmente escrito... por muitos anos agora". Uma alta concentração de heroína e vestígios de Valium também foram encontrados em seu corpo. O corpo de Cobain tinha ficado deitado lá por dias, o relatório do legista estimou que Cobain tinha falecido em 5 de abril de 1994. [66][60]

Uma vigília pública foi realizada para Cobain em 10 de abril em um parque no Seattle Center que atraiu cerca de sete mil pessoas em luto.[61] Mensagens pré-gravadas por Krist Novoselic e Courtney Love, eram tocadas no memorial. Love leu trechos do bilhete suicida de Cobain para a multidão chorando e castigando Cobain. Perto do final da vigília, Love chegou ao parque e distribuiu algumas roupas de Cobain para aqueles que ainda permaneciam.[62] Dave Grohl diria que a notícia da morte de Cobain foi "provavelmente a pior coisa que aconteceu comigo na minha vida. Lembro-me de um dia depois que eu acordei e fiquei de coração partido que ele tinha ido embora. Eu apenas senti como, 'Ok, então eu começo a acordar hoje e outro dia e ele não'." Embora também por acreditar que sabia que Cobain iria morrer cedo, disse que "às vezes você apenas não pode salvar alguém de si", e "em alguns aspectos, você deve se preparar emocionalmente para que isso seja uma realidade."[63] Dave Reed, que, por um curto período de tempo, foi o pai adotivo de Cobain, disse que "ele tinha o desespero, não a coragem, de ser ele mesmo. Depois que fizer isso, você não pode ir mal, porque você não pode fazer quaisquer erros quando pessoas te amam para ser você mesmo. Mas para Kurt, não importava que outras pessoas o amavam; ele simplesmente não amava a si mesmo o suficiente."[64]

Uma cerimônia final foi marcada para Cobain por sua mãe em 31 de maio de 1999, que contou com a presença de Courtney Love e de Tracey Marander. Com um monge budista cantando, sua filha Frances Bean espalhou as cinzas de Cobain em McLane Creek, em Olympia, a cidade onde ele "tinha encontrado a sua verdadeira musa artística."[64]

Até hoje, há controvérsias sobre a causa da sua morte. Tom Grant, detetive contratado por Love, descobriu que a nota de suicídio, em certas partes, tem uma letra diferente da de Cobain, e também não possui suas digitais, assim como na arma. Cobain também possuía uma alta concentração de heroína no sangue, três vezes uma dose letal, mesmo para um grande viciado, fazendo com que ele não tivesse força o bastante para poder puxar o gatilho em sua tentativa de 'suicídio', afirmou Tom; ele acredita que não foi suicídio, e sim um assassinato, e que Love possa estar envolvida pois, ela ficou três dias fora de casa enquanto Cobain se 'suicidava'. O filme Soaked in Bleach, baseado neste argumento e prometendo esclarecer todas as dúvidas sobre a morte do artista, está com data de lançamento prevista para 2014.

Em 2014, vinte anos depois do suposto suicídio do vocalista dos Nirvana, o pai de Courtney Love disse que pode ter sido a filha a premir o gatilho. "Bem capaz disso era ela", assegurou.[65]

Legado[editar | editar código-fonte]

O banco no Viretta Park tornou-se um memorial a Cobain.

Mesmo após a sua morte, a música de Kurt, assim como ele próprio, continua a inspirar pessoas ao redor do mundo. Cobain é tido como o herói e ídolo de muitos adolescentes, por conta de suas letras, que tendem a expressar, na maioria das vezes, frustração, raiva, depressão e medo.[66] Nos anos seguintes à sua morte, Cobain foi lembrado como um dos músicos de rock mais famosos da história da música alternativa. Foi considerado o septuagésimo terceiro melhor guitarrista de todos os tempos pela revista norte-americana Rolling Stone e o quadragésimo quinto maior cantor de todos os tempos e pela MTV em 7º lugar no "22 Melhores Vozes na Música".[67] [68] Em 2006, ficou em vigésimo lugar na lista feita pela Hit Parader dos "100 Maiores Cantores de Metal de Todos os Tempos".[69]

Em 2005, um sinal foi colocado em Aberdeen, Washington, onde se lia "Welcome to Aberdeen - Come As You Are" como um tributo a Cobain. O sinal foi pago e criado pelo Comitê Memorial Kurt Cobain, uma organização sem fins lucrativos criada em Maio de 2004 em honra a Cobain. O Comitê também prevê a criação de um Kurt Cobain Memorial Park e um centro juvenil em Aberdeen. Como Cobain não tem túmulo (ele foi cremado com as cinzas espalhadas no rio Wishkah, em Washington),[70] muitos fãs do Nirvana visitam o Viretta Park, perto da antiga casa de Cobain, no lago Washington, para homenageá-lo. No aniversário da sua morte, os fãs se reúnem no parque para comemorar a sua vida e memória.

Em 2005, um sinal foi colocado em Aberdeen, Washington onde se lê "Welcome to Aberdeen - Come As You Are" como um tributo a Cobain.

Em meados de 2006, Cobain tomou o lugar de Elvis Presley como a celebridade póstuma mais bem paga, após a venda do catálogo de músicas do Nirvana. Presley recuperou a posição em 2007.[71]

Uma controvérsia eclodiu em julho de 2009, quando um monumento a Cobain, em Aberdeen, ao longo do rio Wishkah, incluía a citação "Drogas São Ruins Para Você ... Elas Vão Te Ferrar" (em inglês "Drugs Are Bad For You ... They Will Fuck You Up."). A cidade então decidiu censurar o monumento e dizer "F ---",[72] mas os fãs imediatamente escreveram as letras de volta.[73] O monumento e a ponte tornaram-se lugares populares para os fãs deixarem tributos ao cantor.

Gus Van Sant baseou seu filme Last Days, de 2005, ao que poderia ter acontecido nas últimas horas da vida de Cobain. Em janeiro de 2007, Courtney Love começou a comprar a biografia Heavier Than Heaven para vários estúdios de cinema em Hollywood para transformar o livro em um longa-metragem sobre Cobain e o Nirvana. O videogame Guitar Hero 5 traz características de Cobain como personagem jogável.[74] No entanto, a inclusão de Cobain encontrou-se com uma controvérsia com os colegas sobreviventes Krist Novoselic e Dave Grohl e sua esposa Courtney Love expressaram consternação com a habilidade de usar qualquer música com Cobain.[75]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Lana Del Rey aponta Kurt Cobain como inspiração: "Ele era a pessoa mais bonita que eu tinha visto" Blitz. Página visitada em 02-01-12.
  2. Biography The Guardian. Página visitada em 02-01-12.
  3. Kurt Cobain Biography & Awards (em inglês) BillBoard. Página visitada em 26 de março de 2012.
  4. a b Morte de Kurt Cobain completa 18 anos (em português) Band News FM. Página visitada em 21 de abril de 2012.
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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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