Arma de fogo

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Revólver: exemplo de uma arma de fogo.

Uma arma de fogo é um artefato que lança um ou mais projéteis em alta velocidade através da queima de um propelente[Nota 1] confinado. Este processo de queima subsônica é tecnicamente conhecido como deflagração, em oposição a combustão supersônica conhecida como detonação. Em armas de fogo mais antigas, o propulsor era tipicamente a pólvora negra ou a cordite, mas armas de fogo modernas usam a pólvora sem fumaça ou outros propelentes. A maioria das armas de fogo mais modernas (com a notável exceção das armas de alma lisa) tem canos raiados (ranhuras internas espiraladas) para dar giro ao projétil visando dar melhor estabilidade ao vôo do mesmo.[1] É imprescindível para o funcionamento letal da arma de fogo também a munição.[1] O tiro esportivo é praticado com armas de fogo e é uma modalidade olímpica.

História[editar | editar código-fonte]

Uma falange de carregamento de cabaça-de-fogo, um dos diversos tipos de lança de fogo, que descarrega bolinhas de chumbo em uma explosão de pólvora, uma ilustração do tratado Huolongjing do século XIV.

Começando por volta de 700 dC, cientistas e os inventores na China antiga desenvolveram diferentes graduações de pólvora e inovaram diferentes tipos de armas de fogo incluindo lanças de fogo de alma lisa de um único tiro, armas de canos múltiplos, foguetes de artilharia de lançamento múltiplo e o primeiro canhão no mundo feito de bronze modelado.

A mais antiga representação de uma arma de fogo é uma escultura de uma caverna em Sichuan, na China. A escultura data do século XII e é de uma figura carregando um vaso em forma de uma bombarda com chamas e um bala de canhão saindo dela.[2] A arma mais antiga, feita de bronze, foi datada de 1288, porque foi descoberta em um sítio do atual distrito de Acheng, Heilongjiang, China, onde os Yuan Shi registraram que batalhas foram travadas naquela época.[3]

Os europeus, árabes e coreanos, todos obtiveram armas de fogo no século XIV.[Nota 2] Os turcos, iranianos e os indianos, todos tinham armas de fogo o mais tardar no século XV, em cada caso, direta ou indiretamente dos europeus. Os japoneses não as adquiriram até o ano de 1500, quando as adquiriram dos portugueses.

No período da renascença foram introduzidas as primeiras armas de fogo para combatentes individuais.[4] Surgem armas como o arcabuz, o bacamarte e o canhão de mão. No período pré-Napoleônico e na época das guerras Napoleónicas surgem o mosquete e a espingarda de pederneira.[4]

O desenvolvimento concernente as armas de fogo foi acelerado durante os anos 1800 e 1900. O carregamento pela culatra tornou-se mais ou menos um padrão universal para o recarregamento da maioria das armas de fogo de mão e continua a sê-lo com algumas notáveis ​​exceções (como os morteiros). Em vez de recarregar os cartuchos individuais nas armas, cartuchos com várias munições foram adotados - esses proporcionavam um rápido recarregamento. Mecanismos de disparo automáticos e semi-automáticos significavam que um único soldado podia disparar muitas balas por minuto do que podia uma arma de fogo antiga no decorrer de uma batalha.

Na Guerra Mexicano-Americana (1846-1848), ambos os exércitos, americano e mexicano usavam mosquetes de alma lisa.[5] Na Guerra da Secessão (1861-1865), foram usados concomitantemente o mosquete, de carregamento pela boca, o rifle e a carabina, de carregamento pela culatra.[6] O Exército da União dispunha de mais rifles e carabinas, ao passo que o Exército Confederado dispunha de mais mosquetes durante o conflito, o que dava uma vantagem ao primeiro nas batalhas campais. No mesmo período, na Guerra do Paraguai (1864-1870), uma espingarda muito usada pelo Exército Brasileiro foi o Rifle Minié[7] mas muitas tropas ainda usavam a espingarda de pederneira.[7]

Na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), todos os países incorporaram o mecanismo de ação de ferrolho aos seus rifles.[8] O rifle modelo 98 alemão é um exemplo deste tipo de arma. Os canhões dispunham de munição especializada, com cápsulas de alta explosão, tipo shrapnel, de gás e incendiárias.[8] Mas a grande vedete deste conflito foi a metralhadora.[9] As pistolas, como a Luger, se destacaram no conflito, principalmente na guerra de trincheiras.[10]

Na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), houve um grande desenvolvimento das armas de fogo. A submetralhadora, que já estava presente nos arsenais do mundo desde a década de 1930, tornou-se um equipamento muito utilizado.[9] Entre os modelos mais populares citam-se as MP40 Schmeisser, Sten, Thompson, a finlandesa Suomi KP/-31 e a russa PPSh-41.

Ao partir do fim da segunda guerra, o fuzil de assalto transformou radicalmente o poder de fogo dos soldados de infantaria,[11] Polímeros e ligas na construção de armas de fogo tornaram, progressivamente, os armamentos mais leves e portanto mais fáceis de ser transportados.[11] A munição mudou ao longo dos séculos a partir de projéteis em forma de uma simples bola de metal que se sacudia dentro do cano da arma a cartuchos fabricados com altos padrões de tolerância. Especialmente no século passado, uma atenção especial foi dedicada a precisão e a mira para fazer das armas de fogo no geral mais precisas do que nunca. A precisão dos canhões foi melhorada significantemente com o advento da revolução digital e eletrônica.[12] Mais do que qualquer fator, porém, as armas de fogo têm proliferado devido ao advento da produção em massa - permitindo que os fabricantes de armas possam produzir grandes quantidades de armamento com um padrão consistente.

Dito isto, o princípio básico por trás operação das armas de fogo permanece inalterado até hoje. A espingarda de vários séculos atrás, ainda é semelhante em princípio a um rifle de assalto moderno - usando a expansão dos gases para propelir projéteis a longas distâncias - embora de forma menos precisa e rápida.

Princípio de funcionamento[editar | editar código-fonte]

Partes de uma arma de fogo[editar | editar código-fonte]

Um carregador para pistolas 9 milímetros.

São partes de uma arma de fogo:

  • Cano ou tubo
  • Câmara de expansão dos gases
  • Culatra
  • Sistema de disparo ou percussão
  • Sistema de segurança (nem todas o possuem)
  • Sistema de mira (nem todas o possuem)
  • Cabo ou dispositivo de ancoragem (nem todas o possuem)
  • Municiador ou carregador(nem todas o possuem)
  • Tipo de ação

Tipos de projéteis[editar | editar código-fonte]

Os primeiros projéteis utilizados eram bolas inertes de ferro fundido ou de pedra. Então, para as armas de menor calibre eram utilizados no tiro (pequenos pedaços de ferro ou chumbo). São atualmente utilizados projéteis encapsulados em uma jaqueta contendo tanto a parte útil (o projétil), quanto a propulsão (explosão mistura) e um gatilho inicia-lo. Uma arma é compartimentada para munições definidas estritamente quanto a forma e as dimensões (calibre, tamanho e morfologia, mas também o seu soquete) e o tipo de fogo. Uma munição pode estar disponível em versões diferentes, incluindo cargas e projéteis diferentes.

O conteúdo da parte útil pode variar muito dependendo do tipo de uso da arma:

Projéteis.
  • metralha,
  • Projétil. A ponta pode ser do tipo ogival, canto-vivo, semi canto-vivo, ogival de ponta plana, cone truncado, semi-ogival e de ponta oca.
  • Bola redonda.
  • Projétil jaquetado, encamisada.
  • Carga explosiva.
  • Carga moldada.
  • Carga química.
  • Carga biológica.

Tipos de armas de fogo[editar | editar código-fonte]

Pistola 45 no momento do disparo, ejetando a cápsula.

As armas de fogo, podem ser divididas em armas de artilharia, se a operação envolve vários homens e a arma é dirigida não a um único adversário, como canhões e obuseiros e armas de fogo portáteis como pistolas, fuzis, submetralhadoras e metralhadoras onde as armas podem ser usadas ​​e tomadas individualmente. Por definição, deve ser de um tamanho inferior a 20 mm, e pesar menos de 20 kg e ter balas de fogo inertes.

Abaixo estão listados os diversos tipos de armas de fogo usados pelos exércitos, tanto atuais quanto antigos:

Diversas armas de fogo com silenciadores. Na imagem, de cima para baixo: IWI UZI; Colt AR-15; Hecker & Koch USP; Beretta 92 FS e uma SIG Sauer Mosquito

Fabricantes de armas de fogo[editar | editar código-fonte]

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. Na maioria dos casos, a pólvora
  2. Citação "Os europeus certamente tinha armas de fogo até o primeira metade dos anos 1300. Os árabes obtiveram armas de fogo nos anos 1300 também, e os turcos, iranianos e indianos, todos eles, as receberam, o mais tardar nos anos 1400, em cada caso, direta ou indiretamente dos europeus. Os coreanos adotaram as armas de fogo dos chineses nos anos 1300, mas os japoneses não as adquiriram até o ano de 1500, e então, dos portugueses, em vez de dos chineses." em Chase, Kenneth. Firearms: A Global History to 1700. Cambridge: Cambridge University Press, 2003. p. 1. ISBN 0-52182274-2

Referências

  1. a b Abril coleções (organizador). Armas Portáteis: 1870-1950. São Paulo: Abril, 2010. 174 pp. p. 9-11. ISBN 978-85-7971-151-0
  2. Chase, Kenneth. Firearms: A Global History to 1700. Cambridge: Cambridge University Press, 2003. p. 31-32. ISBN 0-52182274-2
  3. Needham, Joseph. Science & Civilisation in China. Cambridge: Cambridge University Press, 1986. p. 293–294. vol. 7 The Gunpowder Epic. ISBN 0-52130358-3
  4. a b Dunnigan, James F.. Wargames Handbook, Third Edition: How to Play and Design Commercial and Professional Wargames (em inglês). 3ª ed. San Jose: Writers Club Press, 2000. 417 pp. p. 1277-141. ISBN 0-595-15546-4
  5. Berg, Richard; Balkoski, Joe. (julho/agosto 1981). "Veracruz - U.S. invasion of Mexico 1847" (em inglês). Strategy & Tactics (63): 16-17. New York: Simulations Publications. ISSN 0049-2310.
  6. Davis, William C. Brothers in Arms: The Lives and Experiences of the Men who Fought the Civil War - In their Own Words (em inglês). Nova Iorque: Salamander Books, 2000. 144 pp. p. 36. ISBN 0-8317-0768-2
  7. a b Duarte, Paulo de Queiroz. Os Voluntários da Pátria na Guerra do Paraguai. Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 1981. Capítulo: IV - O Armamento da Infantaria. , 280 pp. p. 161-174. vol. I. CDD 981.04
  8. a b Banks, Arthur. A Military Atlas of the First World War. South Yorkshire: Pen & Sword Books, 2001. p. 219-234. ISBN 0-85052-791-0
  9. a b Weeks, John. Armas de Infantaria. Rio de Janeiro: Renes, 1974. p. 36-71.
  10. Willmott, H. P. World War I. London: Dorling Kindersley, 2008. p. 28. ISBN 978-1-4053-2986-6
  11. a b Abril coleções (organizador). Armas Portáteis: Pós-1950. São Paulo: Abril, 2010. 174 pp. p. 9-22. ISBN 978-85-7971-152-7
  12. Abril coleções (organizador). Artilharia: Pós-1945. São Paulo: Abril, 2010. 174 pp. p. 14. ISBN 978-85-7971-150-3

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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