Kathleen Hanna

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Kathleen Hanna
Apresentando-se com o Le Tigre no começo dos anos 2000 em Indiana
Informação geral
Nascimento 12 de Novembro de 1968
Portland, Oregon
 Estados Unidos
Gênero(s) Punk, riot grrrl, eletrocash, indie rock
Instrumento(s) Vocal, guitarra, baixo
Período em atividade 1990–presente
Gravadora(s) Kill Rockstars
Afiliação(ões) Bikini Kill, Le Tigre, The Julie Ruin

Kathleen Hanna (Portland, 12 de novembro de 1968) é uma cantora americana, ativista feminista e escritora de fanzine. No início de 1990, ela formou a banda punk Bikini Kill, onde era vocalista, e mais tarde liderou a banda electro punk Le Tigre, no começo dos anos 2000. Em 1998 ela lançou um álbum solo com o pseudônimo de Julie Ruin.

Índice

Biografia [editar]

Infância [editar]

Nasceu em Portland, Oregon, e mudou-se com sua família para Calverton, Maryland em 1971. Conforme o pai dela mudava de ocupação, a família se mudava mais vezes. Os pais dela se divorciaram quando ela estava no colegial. Hanna se interessou por feminismo pela primeira vez lá pelos 9 anos de idade, depois que a mãe dela a levou num rali em Washington D.C. onde a ícone feminista Gloria Steinem discursou.

Vários anos passaram antes de ela se tornar abertamente feminista, no entanto, o evento onde Gloria discursou marcou ela. Numa entrevista em 2000 para a revista BUST, ela lembrou:

"Minha mãe era dona de casa, e não era alguém que as pessoas pensariam que fosse feminista, e quando a Ms. Magazine saiu, nós estávamos incrivelmente inspiradas por ela. Eu costumava cortar imagens dessa revista e fazer posters escrito "garotas podem fazer qualquer coisa", e coisas desse tipo, e minha mãe trabalhou no porão de uma igreja fazendo trabalhos contra a violência doméstica. Daí ela me levou no evento do Dia da Solidariedade, e foi a primeira vez que eu estive em uma multidão de mulheres gritando, e eu quis fazer isso para sempre."1

No documentário de 2006, "Don't Need You: the Herstory of Riot Grrrl", Hanna elabora os efeitos que feminismo teve na infância dela, relembrando que o interesse dela cresceu anda mais quando a mãe dela pegou uma cópia do livro "A Mística Feminina" de Betty Friedan. O envolvimento de Hanna e sua mãe em relação aos direitos das mulheres tinha que ser feito de forma silenciosa antes de seus pais se divorciarem, já que seu pai desaprovava isso2 . Hanna também aparece no documentário "Who's Afraid Of Kathy Acker?"3 .

Universidade [editar]

Hanna participou da faculdade The Evergreen State College em Olympia, Washington em 1980. Durante esse período ela trabalhou como stripper para sustentar-se enquanto estudava Fotografia. Trabalhando junto de outros estudantes de Evergreen e a fotógrafa Aaron Baush-Greene, ela organizou uma exibição fotográfica com os trabalhos de ambas, onde elas lidavam, respectivamente, sobre sexismo e AIDS. No entanto, os administradores da universidade tirarem a exibição antes delas serem vistas. Um ato de censura que Hanna chama de "primeira incursão no mundo do ativismo" - a criação de uma galeria de arte independente feminista chamada Reko Muse com amigas Heidi Arbogast e Tammy Rae Carland. As três mulheres formaram uma banda chamada Amy Cartes, onde tocavam antes das exibições4 .

Hanna também começou a fazer performances de "Spoken Word" com o tema de sexismo e violência contra mulher, assuntos que ela começou a se preocupar depois de se voluntariar para uma organização que tratava de violência doméstica nos próximos dois anos. Eventualmente ela abandonou o "Spoken Word" e partiu para a música, se inspirando em uma de suas escritoras favoritas, Kathy Acker. Hanna relembra: "Acker me perguntou porque escrever era importante para mim, e eu disse 'Porque eu sentia que nunca fui ouvida e eu tinha muito a dizer', e ela respondeu 'Então porque você tá fazendo spoken word? Ninguém vai em shows de spoken word! Você devia montar uma banda'5 ".

Mais tarde Hanna começou uma outra banda chamada Viva Knievel que fez uma tour pelos Estados Unidos por dois meses antes de desmancharem. Ao retornar para Olympia, Hanna começou a colaborar com alguns estudantes de Evergreen e a escritora de fanzines Tobi Vail depois de ver uma performance de "The Go Team" (uma banda de Vail, Billy Karren e Calvin Johnson) e reconhecendo Vail como o mentor por trás da fanzine Jigsaw, que Hanna adorava.

Bikini Kill [editar]

Hanna e Tobi Vail criaram a zine chamada "Revolution Girl Style Now". Mais tarde isso levou no desenvolvimento de uma zine chamada Bikini Kill, uma resposta ao sexismo no punk rock, escrito junto com uma companheira estudante de Evergreen Kathi Wilcox. As três mulheres decidiram então formar uma banda para demonstrarem seus ideais e recrutaram uma amiga de Vail, a Karren como o quarto membro da banda. Nasceu então a banda Bikini Kill, que logo se tornou parte da cena musical de Olympia no começo de 1990, que tinha fortes opiniões políticas, e apoio à ética DIY ('faça você mesmo').

O primeiro lançamento para a gravadora Kill Rock Stars foi um EP produzido por Ian MacKaye da banda Fugazi. Bikini Kill viajou pelo Reino Unido depois disso, gravando um split com a banda Huggy Bear. Essa tour foi filmada e a banda intrevistada por Lucy Thane, para o documentário dela "It Changed My Life: Bikini Kill In The UK". Depois de voltar para os Estados Unidos, a banda começou a trabalhar junto de Joan Jett, que produziu o single delas "New Radio/Rebel Girl". Depois do lançamento dessa gravação, Hanna começou a ajudar Jett na criação de músicas para o álbum novo dela.

Ao mesmo tempo, Hanna produziu vários trabalhos solo para a Kill Rock Stars.

Os dois primeiros EP da Bikini Kill foi lançado em CD com o título de "The C.D. Version of the First Two Records" em 1993. A banda depois disso lançou mais dois álbuns, o "Pussy Whipped" em 1993 e o "Reject All American" em 1996. Em 1998, a gravadora Kill Rock Stars lançou um álbum chamado "Bikini Kill: The Singles", uma compilação de vários singles da banda. Bikini Kill teve um separamento amigável por volta de 1998.

Em 1994 Hanna participou de um videoclipe do Sonic Youth ("Bull In The Heather") fazendo uma dança interpretativa e um papel cômico onde ela tenta atrapalhar e distrair os membros da banda enquanto eles tocam. Naquela época os vídeos eram muito bem sincronizados com a música, mas eles nunca tocavam ou cantavam, só faziam "mímica" para o vídeo. E nesse videoclipe em especial, Hanna e a banda mostram esse aspecto feito de qualquer jeito (propositalmente) para ir contra a moda que estava na época.

Influência no movimento Riot Grrrl Em 1991, a banda passou um verão em Washington D.C., onde Hanna começou a colaborar com Allison Wolfe, Molly Neuman e Jen Smith da banda Bratmobile na zine "Riot Grrrl", que se tornou um grande chamado para o aumento do ativismo feminista e envolvimento de mulheres na cena punk rock. Numa entrevista em 2000 com a revista "Index Magazine", Hanna relata:

"Nós queriamos começar uma revista, e Allison Wolfe e Molly Neuman da banda Bratmobile tinham começado uma pequena fanzine chamada "Riot Grrrl" e nós estavamos escrevendo algumas coisas para ela. Eu sempre quis ter uma grande revista que fosse legal, com escritos inteligentes, e eu queria ver se outras garotas punks de D.C. que eu estava conhecendo estavam interessadas nisso. Então eu marquei uma reunião em um certo lugar, e começamos a desenvolver ainda mais nosso nível de consciência. Eu percebi bem cedo que criar uma revista não era necessariamente a maneira de agir. As pessoas queriam shows, e ensinar um ao outro como tocar e escrever fanzines, então isso começou à acontecer. Teve um pouco de atenção da mídia, e por causa disso, outras garotas em outros lugares começaram à falar "Eu quero fazer isso. Eu quero começar a fazer uma zine".

Le Tigre [editar]

Em Portland, Oregon, Hanna começou a trabalhar com uma amiga e editora de zine, Johanna Fateman em um show de Julie Ruin. A colaboração resultou em uma breve formação de banda chamada "The Troublemakers", nomeada depois de um filme de G.B. Jones6 , que acabou depois de Fateman ter mudado para Nova York para entrar numa escola de arte.

Hanna foi junto de Fateman na East Coast, assim como a filmadora Sadie Benning, e elas começaram uma banda chamada Le Tigre (francês para O Tigre). Essa banda seguiu um estilo mais eletrônico, parecido com o estilo de Julie Ruin. Elas gravaram com a gravadora Mr. Lady Records, sendo o primeiro álbum intitulado de 'Le Tigre', que tinha os singles "Hot Topic" e "Deceptacon". Depois desse álbum, Sadie saiu da banda e entrou JD Samsom para o CD seguinte, "Feminist Sweepstakes". Quando a gravadora Mr. Lady fechou, o grupo foi para a Universal Records em 2004 para a gravação do álbum "This Island".

Le Tigre está atualmente num hiato. De acordo com o site oficial deles, Hanna, durante o intervalo de sua banda, tem sido voluntária como líder da banda "The Willie Mae Rock Camp for Girls". Ela também deu aula numa classe de pós-graduação sobre arte na universidade NYU no outono de 20077 . Ela é casada com Adam Horovitz, a.k.a. Ad-Rock da banda Beastie Boys. Os dois estavam juntos desde 1997, e casaram em 2006.

Julie Ruin [editar]

Em 2010, Hanna anunciou que estava retomando o Julie Ruin de 1997 com Kenny Mellman e Kathi Wilcox, e que eles estariam gravando um novo álbum. No dia 11 de Dezembro na "Knitting Factory" em Nova York, a nova Julie Ruin tocou seu primeiro show, consistindo principalmente de covers.

Aborto [editar]

Em entrevistas, Hanna falou abertamente sobre a decisão dela ter realizado um aborto quando era mais jovem, dizendo em uma entrevista em particular "Foi uma das primeiras coisas que fiz por conta própria, eu trabalhei no McDonald's, economizei dinheiro, e fiz. Eu sou pró-escolha e defendo isso, porque eu não estaria aqui falando com você agora se eu tivesse um filho aos 15 anos". Hanna disse que acredita ser importante ela discutir sobre o aborto pois isso encouraja outras mulheres para falar abertamente sobre esse assunto também, ajudando à diminuir o 'estigma social' que muitas vezes acompanha tal discussão. Acredita que isso também ajudará no desenvolvimento da política e no progresso para com o movimento da pró-escolha.

Na cultura popular [editar]

Hanna foi mencionada num episódio de The L Word. Um grupo de amigos estão jogando um jogo sobre celebridades, quando a personagem Shane McCutcheon seleciona o nome de Hanna. A maioria das lésbicas que estão jogando parecem saber que é ela pela descrição "Le Tigre, Julie Ruin e Bikini Kill", mas as pessoas heterossexuais não sabiam quem era. Isso resulta numa brincadeira quando a personagem Alice diz "Ah, ela só começou o movimento Riot Grrrl, mas hey..." dai um homem heterossexual pergunta "O que é o movimento Riot Grrrl?".

Apesar de não ter sido intencional, Hanna inspirou o nome da música "Smells Like Teen Spirit" da banda Nirvana, quando ela pixou na parede "Kurt Smells Like Teen Spirit". Na época, Kurt Cobain não sabia que Kathleen estava se referindo ao desodorante para mulheres que Tobi Vail usava quando namorava ele.

Discografia [editar]

Bikini Kill [editar]

Álbuns [editar]

  • Revolution Girl Style Now! self-released cassette (1991)
  • Bikini Kill (EP) na Kill Rock Stars (1991)
  • Yeah Yeah Yeah Yeah split LP com Huggy Bear na Catcall Records no Reino Unido, Kill Rock Stars nos EUA (1993)
  • The C.D. Version of the First Two Records, compilação (1993)
  • Pussy Whipped na Kill Rock Stars (1994)
  • Reject All American na Kill Rock Stars (1996)

Singles [editar]

  • Wordcore Volume 1 7" single na Kill Rock Stars
  • New Radio/Rebel Girl 7" single na Kill Rock Stars (1993)
  • The Anti-Pleasure Dissertation Single na Kill Rock Stars (1994)
  • I Like Fucking/I Hate Danger 7" single na Kill Rock Stars (1995)

Compilações [editar]

  • "Feels Blind" na Kill Rock Stars LP/CD (1991)
  • Throw: The Yoyo Studio Compilation na Yoyo Records (1991)
  • "Daddy's Lil' Girl" no Give Me Back LP, Ebullition Records (1991)
  • "Suck My Left One" no There's A Dyke In The Pit, Outpunk Records (1992)
  • Bikini Kill: The Singles (1998)
  • Sinner, Joan Jett, contribuiu nas músicas "Five", "Watersign", "Baby Blue" e "Tube Talkin" (2007)

Julie Ruin [editar]

  • Julie Ruin na Kill Rock Stars (1997)

Le Tigre [editar]

Álbuns [editar]

  • Le Tigre (1999) Mr. Lady
  • Feminist Sweepstakes (2001) Mr. Lady
  • This Island (2004) Universal

Singles e EPs [editar]

  • Hot Topic (1999)
  • From the Desk of Mr. Lady EP (2001)
  • Remix (2003)
  • Standing In The Way Of Control 12" split EP com a banda The Gossip na Kill Rock Stars
  • This Island Remixes Volume 1 EP, Chicks On Speed Records
  • This Island Remixes Volume 2EP, Chicks On Speed Records

Miscelânea [editar]

  • Real Fiction, The Fakes, Kill Rock Stars
  • Inside Out, Internal External, K Records
  • Featuring..., Internal External, K Records
  • Rock Star / Mean (wordcore v. 1) as Kathleen Hanna and Slim Moon, Kill Rock Stars[15]
  • Rock Stars Kill, includes Hanna's "I Wish I Was Him", Various Artists, Kill Rock Stars, 1994
  • Ball-Hog or Tugboat? LP/CD "Heatbeat"-Mike Watt
  • Decomposition 00, Suture, Kill Rock Stars, 1991
  • Suture!, Suture, Kill Rock Stars, 1992
  • Home Alive, The Art Of Self Defense, Epic, 1996, includes "Go Home", written and performed with Joan Jett and Evil Stig
  • Realistes, Comet Gain, Hanna featured on the track "Ripped-Up Suit"
  • Play Pretty For Baby, The Nation of Ulysses, includes backing vocals by Hanna
  • American Idiot, Green Day, the song "Letterbomb" begins with vocals by Hanna as Whatsername
  • Viva Knieval 7" single, Ultrasound Records, 1990
  • "60 second wipe out" Atari Teenage Riot Hanna featured on lead vocals on the song 'No Success' 1999
  • "Playgroup" Playgroup Hanna featured on lead vocals on the song 'Bring it on' 2001
  • "Wordy Rappinghood" Chicks on Speed features Hanna on vocals 2003
  • "Kiss on the lips" from the álbum 'Naked' from Joan Jett is a duet with Hanna 2004
  • "Hey Hey My My Yo Yo" Junior Senior Hanna featured on the song 'Dance, Chance, Romance' 2007

Referências

Bibliografia [editar]

Fanzines [editar]

  • My life with Evan Dando: Popstar
  • The Kathleen Hanna newsletter
  • Le Tigre zine/tour program