Instinto
Instinto designa em psicologia, etologia, biologia e outras ciências afins predisposições inatas para a realização de determinadas sequências de ações (comportamentos) caracterizadas sobretudo por uma realização estereotipada, padronizada, pré-definida. Devido a essas características supõe-se uma forte base genética para os instintos, ideia defendida já por Darwin[1]. Os mecanismos que determinam a influência genética sobre os instintos não são completamente compreendidos, uma vez que se desconhecem as estruturas genéticas que determinam sua hereditabilidade[carece de fontes].
O termo instinto foi usado nas primeiras traduções da obra de Freud para o inglês a fim de traduzir o termo alemão Trieb. Esse uso do termo instinto não corresponde ao conceito psicanalítico e foi por isso substituído pelo termo mais próprio pulsão (ing. drive)[1].
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[editar] Instintos nos animais
Instintos são típicos do comportamento animal, sobretudo com relação a comportamentos que favorecem a sobrevivência da espécie (acasalamento, busca de alimento, construção de ninhos, fuga). Os comportamentos instintivos podem assumir formas muito complexas, com longas sequências de ações especializadas para determinados fins (ex. a reprodução e a alimentação de insetos)[1].
O Etólogo alemão K. Lorenz propôs uma diferenciação entre a ação final (lit. coordenação herdada, al. Erbkoordination), típica do comportamento instintivo, e o comportamento de apetência, ou seja, a busca ativa de situações que permitam a realização do ato instintivo. O instinto em si é desencadeado através de um estímulo-chave e, uma vez desencadeado, se desenvolve automaticamente, não podendo ser modificado por influência externa. Já o comportamento de apetência pode ser influenciado pelo aprendizado, por condições ambientais e, no ser humano, pela influência de processos cognitivos (pensamento)[1].
[editar] Instintos na psicologia
O conceito de instinto, uma vez que ele conduz a um determinado comportamento, foi também alvo des estudos da psicologia da motivação, esta preocupada em explicar as razões que levam o ser humano a agir. Uma explicação baseada no modelo de instinto apresentado acima faria da ação final o estímulo que levaria o indivíduo a praticar outras ações (ações de apetência), com o fim de atingi-la.[1].
W. McDougall foi o autor que mais desenvolveu o estudo dos instintos na psicologia. Segundo ele instintos são estruturas inatas de comportamento que conduzem a (1) um determinado direcionamento da percepção (o indivíduo tende a perceber determinados fenômenos meis frequentemente do que outros), (2) a uma determinada reação emocional e (3) a uma tendência a reagir ao objeto percebido de uma determinada maneira. O cerne do instinto, segundo ele, é a reação emocional, os outros elementos (o objeto percebido e a reação) poderiam ser modificados. Dessa no ser humano restaria apenas uma expressão rudimentar do instinto original. Uma vez que essa definição de instinto se afasta a definição mais tradicional da etologia, Mcdougall utilizava muitas vezes o termo propensão em seu lugar. Com essa definição de instinto o Autor conseguiu criar um modelo que permitia descrever a grande variedade do comportamento humano. No entanto, apesar de o modelo de McDougall ter sido porteriormente parcialmente confirmado pela pesquisa empírica das emoções, o paradigma de pesquisa iniciado por ele conduziu apenas a uma série de listas de propensões, incapazes de apresentar uma explicação mais detalhada do comportamento humano[1].
Para a psicologia o principal ganho do estudos dos instintos foi a consciência da existência de determinadas tendências de ação pré-definidas que participam da regulação da ação humana, juntamente com os outros elementos que determinam a sua plasticidade, como os processos cognitivos[1].