Hey Jude

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"Hey Jude"
Single de The Beatles
Lado B "Revolution"
Lançamento 26 de Agosto de 1968
Formato(s) 7"
Gravação 31 de Julho 1 de agosto de 1968
Trident Studios, Londres
Gênero(s) Rock, Power Ballad
Duração 7:11
Gravadora(s) Apple Records
Composição Lennon/McCartney
Produção George Martin
Certificação(ões) Quadruple Platinum.png 4× Platina (RIAA)
Cronologia de singles de The Beatles
Último
Último
"Lady Madonna/"The Inner Light"
(1968)
"Get Back"/"Don't Let Me Down"
(1969)
Próximo
Próximo

"Hey Jude" é uma canção dos Beatles composta por Paul McCartney, creditada à dupla Lennon-McCartney, e lançada no Lado A do single Hey Jude/Revolution de 1968. Apesar da longa duração da canção (mais de sete minutos, o que era muito incomum na época), foi um dos single mais vendido dos Beatles. Foi eleita pela revista Rolling Stone a 8ª maior música de todos os tempos.[1]

Origens[editar | editar código-fonte]

A canção foi escrita em junho de 1968, quando Paul McCartney foi visitar Cynthia Lennon e seu filho Julian. Após o interesse de John em Yoko Ono e o pedido de divorcio de Cynthia, Paul como amigo do ex-casal, sentiu que precisava dar seu apoio a ela.

Segundo Paul no The Beatles Anthology: "Eu achei que como amigo da família eu poderia ir a casa deles dizer que tudo ficaria bem, tentar animá-los e ver como estavam. Eu dirigi cerca de uma hora. Eu costumava desligar o rádio nessas viagens e cantarolar, vendo se conseguia compor canções. Então comecei a cantar - 'Hey Jules - don't make it bad, take a sad song, and make it better...' – como uma mensagem de esperança para Julian. Tipo, ‘qual é cara, seus pais estão se divorciando, sei que não esta feliz, mas você ficará bem.’ Depois eu mudei o nome de Jules para Jude, que era um personagem em Oklahoma! e eu gostei do nome.”

Posteriormente, Cynthia relembra: "Eu fiquei realmente surpresa quando, numa tarde, Paul chegou por iniciativa própria. Eu fiquei comovida pela sua evidente preocupação por nosso bem-estar, e ainda muito mais comovida quando ele me presenteou com uma rosa vermelha acompanhada de uma mensagem bem-humorada 'que tal isso, Cyn, se nós dois nos casássemos?' Nós dois rimos ao imaginarmos a reação do mundo a um anúncio desses. No caminho, ele compôs ‘Hey Jude’ no carro. Nunca me esquecerei de seu gesto de carinho e consideração vindo nos ver. Isso me fez sentir importante e amada, em oposição a me sentir descartada e ultrapassada."

McCartney gravou um demo no piano após seu retorno. Em 26 de julho, Lennon e Yoko estavam hospedados em sua casa, e Paul tocou para eles pela primeira vez. Paul fala sobre no livro Many Years From Now de Barry Miles: “Eu terminei tudo na minha casa em Cavendish e eu estava na sala de música no andar de cima quando John e Yoko vieram. Eles estavam de pé atrás de mim enquanto eu tocava para eles a canção. E quando chegou na frase: ‘The movement you need is on your shoulder,’ Eu olhei para ele e disse, ‘eu vou mudar essa linha, está meio fraco.’ E John disse, ‘Você não pode e sabe disso...é a melhor frase da canção.’ Essa foi a colaboração. Quando alguém fala firmemente para você manter algo que iria jogar fora. E toda vez que canto essa linha penso em John.”

John Lennon mais tarde deixou sua opinião sobre a canção ser direcionada ao seu relacionamento com Yoko, como dito na entrevista para a revista Playboy em 1980: “Paul disse que escreveu para Julian. Ele sabia que me separava e deixava de morar com Julian. Ele cuidava de Julian como um tio, e compôs ‘Hey Jude.’ Mas, sempre achei que fosse uma canção direcionada a mim. Se pensar bem, não quero ser comparado à aqueles fãs que lêem coisas na canções... Mas a letra: ‘Hey, John... go out and get her.’ Em seu subconsciente o anjinho dizia, ‘Seja abençoado, me deixe’ mas o seu diabinho não gostava nada daquilo, pois ele não queria perder sobretudo seu parceiro.”

Da mesma forma como fizera com "Yesterday", Paul passou a tocar sua nova canção orgulhosamente para qualquer um que encontrasse dessa vez sem medo do plágio (pois com Yesterday, ele tinha receio de que se tratava de uma melodia já existente). Um membro do Badfinger, a primeira banda a participar do selo dos Beatles, a Apple Records, relembra o primeiro dia deles no estúdio: "Paul foi até um grande piano e disse 'Hey, pessoal, ouçam isso', então ele se sentou e nos ofereceu um concerto completo de 'Hey Jude'. Nós ficamos embasbacados."

As anotações da canção foram compradas por Julian Lennon em um leilão por £25,000. Em 2002 a letra original escrito a mão foi leiloado por £80,000, mas Paul tentou impedir o leilão alegando que o artefato tinha desaparecido de sua casa em Londres, porém Richard Morgan, o representante da Christie's, disse que Paul nunca provou que o papel estava em seu poder. A justiça decidiu em favor de McCartney que proibiu a venda.

Letra[editar | editar código-fonte]

A letra pode ter várias interpretações. Começa dizendo para Jude ou Julian não ficar para baixo e pegar uma canção triste e torná-la melhor. Lembrando-se de deixá-la entrar no coração para se sentir melhor.

No segundo trecho, ele diz para Jude não ficar com medo, já que ele foi feito para sair e ficar com ela. (Foi esse trecho que confundiu os pensamentos de Lennon sobre a canção).

Muitos fãs acreditam que esse trecho tem uma referência as drogas: “The minute you let her under your skin/Then you begin to make it better,” Traduzindo: “No minuto em que você deixá-la entrar embaixo da pele, você começará a fazê-la melhor.” Numa alusão as drogas principalmente a heroína. Entretanto, há um expressão idiomática na qual ""deixar entrar sob a pele"" significa ""internalizar"", ""deixar entrar no coração""[2] .

No refrão ele diz que a qualquer hora que sentir dor, contenha-se e não carregue o mundo nas costas. Também questiona se ele não sabe que é um tolo, aquele que, pra tentar parecer mais legal, mais ""cool"", acaba deixando o mundo um lugar mais frio.

A letra termina na frase em que Lennon cooperou pedindo para McCartney manter: “Hey, Jude, you'll do, the movement you need, is on your shoulder,” ou “Ei Jude, você fará, o movimento que você precisa está nos seus ombros.”

Gravação[editar | editar código-fonte]

Os Beatles começaram as gravações de “Hey Jude” em 29 de Julho de 1968. A primeira sessão era mais um ensaio do que gravação. Eles sabiam que a música teria uma boa repercussão como um single, então dedicaram o tempo para aperfeiçoar os arranjos. Eles gravaram seis takes naquele dia.

No The Beatles Anthology,” Paul fala um pouco sobre George Harrison e as gravações: “Em ‘Hey Jude’ quando eu sentei ao piano e comecei a cantar, ‘Hey Jude...’George veio com um riff de guitarra. Eu continuei, ‘Don’t make it bad...’ e ele com o mesmo riff, ou seja, ele estava respondendo com riffs todas as frases. Então eu disse, ‘Ei George, eu não acho que isso fica bom na canção. Talvez você devesse tocar só nas estrofes inteiras, mas por enquanto vamos manter as coisas simples, OK?’ Ele disse, OK, OK, beleza.’ Mas eu estava ficando meio puto com aquilo, ele não estava entendendo o que eu queria.”

“Eu insistia para ele não responder tudo com riffs de guitarra, porque aquilo era importante pra mim, mas claro que se você disser pra um guitarrista que não deva tocar, ele vai achar que você esta boicotando ele. Eu acho que George se sentiu tipo, ‘Desde quando você vai me dizer quando eu tenho que tocar? Eu sou um Beatle também!’ Então eu posso entender seu ponto de vista.”

Na noite seguinte eles continuaram trabalhando na canção, gravando os takes 7 ao 23. George Harrison não tocou então decidiu esperar na sala de controle do lado de fora. A sessão foi filmada para o documentário do Conselho Nacional de Música da Grã-Bretanha, que filmaram e transformaram num curta-metragem chamado “Music!”

Ao final da sessão, o produtor George Martin fez uma mixagem padrão a fim de trabalhar na trilha orquestral que foi gravada em 1° de agosto.

Ringo Starr no “The Beatles Anthology”: “Essa canção se tornou clássica. Me senti bem em grava-la. Foi cansativo algumas vezes, fazer ela sair certa, mas ela ficou perfeita como tinha que ser.”

Em 31 de julho eles foram para o Trident Studios para gravar a canção na mesa de 8 canais, novidade na época. Segundo Paul McCartney: “Há algo inusitado sobre as gravações. Estávamos no Trident em Soho e Ringo tinha ido ao banheiro e eu não reparei. O banheiro era apenas alguns metros da cabine da bateria, mas ele passou por mim e eu estava distraído ao piano. Eu comecei o take usado na canção pensando que ele estava na bateria, e quando estava próximo da bateria entrar na canção, eu percebi Ringo passando rápido pelas minhas costas para chegar à cabine e quando ele chegou sua bateria estava impecável e ele entrou no tempo certinho! E eu rindo pensei, ‘esse é o take, tem que ser!’ Quando acontece essas coisas, é tão mágico! Então fizemos uma ótima gravação.”

A canção foi completada no dia 1 de agosto, com Paul adicionando baixo, vocais e os outros Beatles com os vocais de apoio. Depois a orquestra foi adicionada e os músicos foram chamados para uma sessão de vocais de apoio e palmas a fim de tornar a canção mais grandiosa.

Músicos e instrumentos[editar | editar código-fonte]

Sem créditos (arranjos de George Martin): 10 violinos, 3 violas, 3 violoncelos, 2 baixolão, 2 flautas, 2 clarinetes, 1 clarinete grave, 2 contra fagotes, 4 trompetes, 2 cornetas, 4 trombones, 1 percussão

Lançamento[editar | editar código-fonte]

A canção foi lançada poucas semanas depois de sua gravação e vinha com a canção de Lennon, "Revolution" no lado B.

No projeto The Beatles Anthology, Paul McCartney fala sobre o primeiro dia de lançamento do disco: “Eu fui ao escritório da Apple Records no lançamento do single de ‘Hey Jude’. As janelas da frente estavam com cera de limpeza branca e eu pensei, ‘Que grande oportunidade, muitos ônibus passam pela Baker Street lotada...’ Então, eu rabisquei na janela ‘Hey Jude’ na cera branca. Um cara ficou super furioso e me ergueu dizendo, ‘Vou mandar um dos meus filhos que estão por aí para te darem uma surra!’ Eu disse, ‘Calma, calma... Porque isso!?’ e ele disse, ‘Você escreveu “Jude” na janela!’ Eu não tinha ideia de que ‘Jude’ era na verdade judeu, em alemão. Se você olhar o filme feito na Alemanha nazista, 'Juden Raus' eles escrevem ‘judeu’ nas janelas junto com a Estrela de Davi. Eu juro que isso nunca me passou pela cabeça.”

A canção de quase 7 minutos foi o single mais longo a atingir as paradas britânicas. Seu fade out tem propositalmente 1 segundo a mais do que o hit da parada de um ano antes de Richard Harris, “MacArthur Park.”

George Martin no projeto “The Beatles Anthology”: “Nós gravamos ‘Hey Jude’ no Trident Studios. Era uma canção muito longa. Na verdade, depois de cronometrar eu disse, ‘Vocês não podem fazer um single tão longo.’ Eu gritei com eles, não pela primeira vez na vida e John perguntou, ‘Porque não?’ Eu não conseguia pensar numa boa resposta na hora, exceto na resposta patética de que os DJ’s não tocariam uma música tão longa. Ele disse, 'Irão tocar se for nossa.' E é claro, ele estava absolutamente certo.”

“Hey Jude” foi lançada no dia 26 de agosto de 1968 nos EUA. Ficou pelas próximas 9 semanas no topo das paradas e vendeu 5 milhões de cópias nos seis meses seguintes. Ficou ao todo 19 semanas nas paradas.

Em 30 de novembro de 1968, a NME reportou que as vendas chegaram perto de seis milhões de cópias mundialmente. [3] "Hey Jude" tornou-se o lançamento mais vendido de uma gravação de todos os tempos, vendendo estimadamente oito milhões de cópias mundialmente e chegando ao topo das paradas em onze países.[4] Foi o sigle do topo da Billboard Hot 100 de 1968, de acordo com as tabelas de final de ano.[5] Menos de três semanas depois de seu lançamento, o disco foi certificado ouro de vendas pelas um milhão de cópias vendidas. Em 1999, foi certificado 4x platina, representando quatro milhões de unidades enviadas.[6] [7]

Clipe promocional[editar | editar código-fonte]

Os Beatles contrataram Michael Lindsay-Hogg para filmar um vídeo para promover a canção “Hey Jude.” Hogg já tinha feito o vídeo de Paperback Writer e eles tiveram a ideia de filmar com uma controlada audiência, ao vivo. Eles fizeram o vídeo no programa, The Frost Programme, com McCartney em pessoa dublando os vocais.

Em 8 de setembro, David Frost apresentava o vídeo para os britânicos:

“Senhoras e senhores, vocês irão ver a maior orquestra de ‘salão de chá’ do mundo. É um prazer apresentar, em sua primeira aparição na TV após sabe-se Deus quantos anos longe das platéias, Os Beatles!”

Após essa introdução, Os Beatles improvisaram uma parodia de “It’s Now or Never” de Elvis Presley, porém esse trecho nunca foi ao ar pela TV.

Em 6 de outubro de 1968, foi transmitido nos EUA, no programa, The Smothers Brothers Comedy Hour. Essas gravações e a performance podem ser vistas no DVD The Beatles Anthology.”

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

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  • Como a canção era muito extensa, eles também produziram uma versão mais curta para as rádios americanas, porque algumas das estações se recusavam a tocar uma música tão longa.
  • Em 2005, "Hey Jude" foi executada por Paul McCartney e amigos, entre eles Ozzy Osbourne, Tony Iommi, George Michael, The Killers, Elton John, Bono, Brian May, David Gilmour entre muitos outros, para finalizar o principal show do evento Live 8, na cidade de Londres.
  • “Hey Jude” foi o primeiro single a ser lançado com o selo da Apple Records e foi o primeiro dos Beatles a ser incluso uma capa de papel ao invés de uma capa com foto.
  • "Hey Jude" foi número 1 na Billboard Hot 100 de 1968, e foi disco de ouro antes mesmo de entrar nas paradas do EUA mas demorou quase 30 anos para se tornar disco de platina em 17 de fevereiro de 1999.
  • "Hey Jude" foi nomeado ao Grammy de 1969 nas categorias: Disco do Ano, Música do Ano, e Melhor Canção Popular, porém não ganhou nenhuma. Em 2001 entrou para o Hall da Fama do Grammy.
  • Em 2004, “Hey Jude” ficou em 8° no ranking das 500 melhores músicas de todos os tempos da revista Rolling Stone. Ficou em 3° na lista das 100 melhores do Channel 4.
  • Na série de vídeos "Antologia", durante a exibição do clipe de "Hey Jude", George Harrison declarou: "Foi uma época em que tudo ia bem, e subindo, e subindo, até começar a cair. Tudo tem seu ciclo e, todo mundo sabe, quando começa a decadência, basta cair pra começar a ser chutado".
  • Aos 2 minutos e 58 segundos da canção, pode-se ouvir Lennon dizer: "fucking hell!". De acordo com os engenheiros de som Ken Scott e Geoff Emerick, foi ideia de John Lennon deixar o erro na versão final.
  • Kiko Zambianchi lançou uma versão brasileira homônima.

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Precedido por
"I've Gotta Get a Message to You" de Bee Gees
Número um na UK Singles Chart
14 de setembro de 196828 de setembro de 1968
Sucedido por
"Those Were the Days" de Mary Hopkin