Cher

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Cher
Cher durante os anos 70.
Informação geral
Nome completo Cherilyn Sarkisian (nascimento)
Também conhecido(a) como Deusa do Pop, Rainha das Divas, Rainha da Dance Music
Nascimento 20 de maio de 1946 (68 anos)
Local de nascimento El Centro, Califórnia
 Estados Unidos
Gênero(s) Pop, rock, folk, disco, dance
Ocupação(ões) Cantora, atriz
Instrumento(s) Vocal
Extensão vocal Contralto
Período em atividade 1963–presente
Outras ocupações Modelo, apresentadora de televisão, produtora musical e cinematográfica, diretora de cinema, desenhista de moda, empresária, filantropa
Gravadora(s) Warner Bros., WEA, Geffen, Columbia, Casablanca, MCA, Kapp, Atco, Imperial
Afiliação(ões) Sonny & Cher, Gregg Allman, Black Rose
Influência(s) Bob Dylan, The Beatles, Elvis Presley, Engelbert Humperdinck, Lulu, Patsy Cline, Petula Clark, Sandie Shaw, The Shirelles, The Supremes[1]
Página oficial cher.com
Cher Assinatura.png
Cher
Cher em Good Times (1967)
Outros nomes Bonnie Jo Mason, Cher Bono, Cherilyn La Piere, Cherilyn Sarkisian La Piere, Cheryl Sarkisian, Cleo[2]
Cônjuge Gregg Allman (1975–1979)
Sonny Bono (1964–1975)
Atividade 1965–presente
Oscares da Academia
Melhor atriz
1988 – Moonstruck
Emmy Awards
Melhor especial de variedades, música ou comédia
2003 – Cher: The Farewell Tour
Prêmios Globo de Ouro
Melhor atriz em televisão - comédia ou musical
1974 – The Sonny & Cher Comedy Hour
Melhor atriz coadjuvante em cinema
1984 – Silkwood
Melhor atriz em cinema - comédia ou musical
1988 – Moonstruck
Festival de Cannes
Melhor atriz
1985 – Mask
IMDb: (inglês)

Cher, nascida Cherilyn Sarkisian (El Centro, Califórnia, 20 de maio de 1946), é uma cantora e atriz dos Estados Unidos com uma carreira que já dura cinco décadas. Reconhecida por ter ajudado a difundir os conceitos de autonomia feminina e auto-reinvenção na indústria do entretenimento, ela é famosa pela voz grave e por ter trabalhado em várias áreas da mídia, bem como por reinventar constantemente sua música e imagem. Tudo isso a rendeu o apelido de Deusa do Pop.

Cher ficou famosa como parte da dupla de folk rock Sonny & Cher, formada com o marido em 1965, popularizando uma sonoridade suave e única que competiu com a Invasão Britânica e o Motown Sound. Ao mesmo tempo, ela se estabeleceu como cantora solo com clássicos como "Bang Bang (My Baby Shot Me Down)", "Gypsys, Tramps & Thieves", "Half-Breed" e "Dark Lady", canções que lidam com temas raramente discutidos na música popular americana. Phill Marder, da revista Goldmine, a descreveu como líder de um movimento iniciado nos anos 60 que visava "expandir a rebelião feminina no mundo do rock" e como "o protótipo da rockstar feminina, ditando os padrões de aparência e atitude."[3] Após ser considerada antiquada por uma nova geração que cultuava as drogas, Cher ressurgiu como estrela da televisão nos anos 70 com o estrondoso sucesso dos programas The Sonny & Cher Comedy Hour e Cher. Ela lançava tendências de moda com seu extravagante senso de estilo. Após se divorciar de Sonny em 1975, Cher experimentou com vários estilos musicais, incluindo disco music e New Wave, e quebrou recordes de público com seu espetáculo fixo em Las Vegas.

No início dos anos 80, Cher estreou na Broadway e foi indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante pelo filme Silkwood - O Retrato de uma Coragem. Nos anos seguintes, ela estrelou filmes de sucesso como Marcas do Destino, As Bruxas de Eastwick e Feitiço da Lua, pelo qual ganhou o Oscar de melhor atriz em 1988. Ao mesmo tempo, ela ganhou respeito como cantora de rock ao lançar uma série de álbuns multi-platinados e sucessos como "I Found Someone" e "If I Could Turn Back Time". Nos anos 90, ela estreou como diretora de cinema em O Preço de uma Escolha e lançou o maior sucesso musical de sua carreira, "Believe", que lançou a moda Auto-Tune (ou "efeito Cher") como efeito vocal. Nos anos 2000, ela embarcou na bem-sucedida Living Proof: The Farewell Tour e fechou um contrato de 180 milhões de dólares para se apresentar por três anos no Caesars Palace em Las Vegas.

Segundo o biógrafo Mark Bego, "ninguém na história do show business teve uma carreira com a magnitude e o alcance da [carreira] de Cher." Única pessoa a ter recebido todos esses prêmios, Cher ganhou um Oscar, um Grammy, um Emmy, três Globos de Ouro e o prêmio de melhor atriz no Festival de Cannes.[4] Reconhecida como uma das artistas mais bem-sucedidas da história, ela vendeu mais de 100 milhões de álbuns solo e 40 milhões de cópias como parte da dupla Sonny & Cher.[5] Ela é a única artista a ter alcançado o primeiro lugar nas paradas da Billboard em cada uma das últimas seis décadas.

Origem e infância[editar | editar código-fonte]

Cher(AFI[ˈʃɛər];[6] ) nasceu com o nome de Cherilyn Sarkisian em El Centro, Califórnia, em 20 de maio de 1946.[7] Seu pai, John Paul Sarkisian, era um refugiado armeno-americano que trabalhava como caminhoneiro, e sua mãe, Jackie Jean Crouch, que atendia pelo nome artístico de Georgia Holt, era uma aspirante a atriz e modelo de ascendência irlandesa, inglesa, alemã e cheroqui.[8] A relação de seus pais era tempestuosa, como ela revelou anos mais tarde: "Eu [...] tinha dez meses de idade quando ela [sua mãe] se separou do meu pai pela primeira vez e foi a Reno pedir o divórcio." Depois dessa ocasião, eles se casaram e divorciaram mais duas vezes.[9] O terceiro de oito casamentos de sua mãe foi com o ator John Southall, pai de sua meio-irmã, Georganne. Apesar da união ter durado apenas cinco anos, ela o considera seu pai verdadeiro e se lembra dele como "um homem de boa índole que ficava agressivo quando bebia demais". Eles se divorciaram quando ela tinha nove anos de idade.[10]

Os vários casamentos e subsequentes divórcios de sua mãe fizeram com que Cher e sua meio-irmã estivessem constantemente de mudança, geralmente com pouco dinheiro. Em determinado momento, sua mãe foi forçada a colocá-la em um orfanato. Embora ela a visitasse todos os dias, foi uma época dolorosa para mãe e filha, como relembrou Georganne: "Minha mãe se recorda disso como a experiência mais traumática da vida dela".[10] Os familiares de Cher tomaram conhecimento de sua criatividade em tenra idade, quando ela "produziu" para sua classe o musical Oklahoma!. Segundo o biógrafo Connie Berman, "ela reuniu um grupo de garotas e dirigiu e criou as coreografias. Como não podia contar com garotos, ela atuou nos papéis masculinos e cantou suas músicas. Mesmo nessa idade, ela já tinha uma voz grave."[11] Apesar dos tempos difíceis e da vida instável, ela tinha um sonho de infância: ser famosa, como ela comentaria anos mais tarde: "Eu não conseguia pensar em qualquer coisa que eu pudesse fazer... Eu não achava que seria uma cantora ou uma dançarina. Eu apenas achava que, bem, eu seria famosa. Esse era o meu objetivo."[12]

Cher durante os anos de colegial

Em 1961, sua mãe se casou com o banqueiro Gilbert LaPiere, que a adotou e a matriculou na escola privada de Montclair Prep, na próspera comunidade de Encino, em Los Angeles. Assim como ele, os pais da Montclair Prep tinham trabalhos muito bem remunerados e eram bem-sucedidos financeiramente. Um ambiente social tão diferente representou um desafio para Cher, e ela se destacou dos outros tanto por sua aparência exótica quanto por sua personalidade extrovertida, como relembrou uma ex-colega de classe: "Eu nunca vou me esquecer de quando a vi pela primeira vez. Ela era muito especial. [...] Ela nos disse que seria uma estrela de cinema e nós sabíamos que ela seria."[12] Ela costumava entreter os estudantes na hora do lanche apresentando canções e chocou alguns deles ao vestir roupas que mostravam seu umbigo. Apesar de não ter sido considerada uma aluna exemplar, ela chamava atenção por sua inteligência e criatividade, obtendo boas notas em francês e inglês. Mais tarde, em idade adulta, ela descobriria que é portadora de dislexia, uma condição que limita a habilidade de leitura e escrita.[13] Durante a adolescência, ela teve um breve relacionamento com o ator Warren Beatty.[2]

Vida pública e carreira[editar | editar código-fonte]

Década de 1960: Ascensão e queda[editar | editar código-fonte]

A Sunset Strip, em Los Angeles, foi palco das primeiras tentativas de Cher de entrar no show business. Depois de sair de casa aos 16 anos, ela começou sua carreira dançando nos clubes da região

Cher deixou a escola e a casa da mãe aos 16 anos para morar em Los Angeles com uma amiga. Lá, ela teve aulas de atuação e passou por vários empregos para se sustentar. Ela chegou a dançar em pequenos clubes na Sunset Strip, em Hollywood, se apresentando para artistas, empresários e agentes.[14] Segundo o biógrafo Connie Berman, "A jovem não hesitava em se aproximar de qualquer um que ela achava que pudesse ajudá-la a [...] fazer um novo contato ou obter testes." No final de 1962, ela conheceu Sonny Bono, um assistente do produtor Phil Spector 11 anos mais velho.[15] Após sua amiga se mudar do apartamento que dividiam, ela passou a trabalhar como governanta na casa dele.[16] A relação dos dois cresceu rapidamente, e eles se tornaram amigos inseparáveis, comprometeram-se e casaram-se, informalmente, em outubro de 1964.[17] [18] Sonny a apresentou a Spector, e ele a usou como vocal de apoio em algumas de suas produções clássicas, incluindo "You've Lost That Loving Feeling", dos Righteous Brothers, e "Be My Baby", das Ronettes, além de ter produzido seu primeiro single, "Ringo, I Love You", lançado sob o nome de Bonnie Jo Mason.[16] [19] [20] Apesar do fracasso do último, ela estava obstinada a alcançar o estrelato e formou, em 1964, uma dupla com o marido, inicialmente chamada Caesar & Cleo, que lançou os singles malsucedidos "The Letter", "Do You Wanna Dance" e "Love Is Strange".[21]

Cher e Sonny Bono nos estúdios da ABC em Londres (1966)

No final de 1964, Cher assinou um contrato com a gravadora Imperial Records, e Sonny a acompanhou como seu produtor. O single "Dream Baby" (lançado sob o nome de Cherilyn) conseguiu audiência em Los Angeles, tornando-se um hit local.[21] Suspeitando estar no caminho certo, ela lançou seu primeiro trabalho solo, All I Really Want to Do (1965), que foi descrito pela crítica como "um dos álbuns de folk pop mais fortes da época".[22] O disco chegou ao Top 20 na parada dos mais vendidos da Billboard e permaneceu nela por seis meses.[21] Seu cover de "All I Really Want to Do", de Bob Dylan, alcançou a posição de n° 15 no Hot 100.[23] Enquanto isso, a dupla Sonny & Cher, como eles eram agora conhecidos, assinou com a Reprise Records e lançou seu primeiro single, "Baby Don't Go". A canção se tornou um grande sucesso em Los Angeles, possibilitando a mudança do casal para uma gravadora maior, a Atco Records.[21] Look at Us, o primeiro álbum do duo, foi lançado no verão de 1965 e permaneceu na segunda posição da Billboard 200 por cinco semanas.[24] Seu primeiro single, "I Got You Babe", chegou ao primeiro lugar nos Estados Unidos e no Reino Unido simultaneamente, em agosto de 1965, e virou um grande hit internacional.[25] O relançamento de "Baby Don't Go" alcançou a oitava posição no Billboard Hot 100. Vários outros hits menores se seguiram, incluindo "Just You", "But You're Mine", "What Now My Love" e "Little Man", até "The Beat Goes On" reestabelecer o duo no Top 10.[26] Ao todo, a dupla registrou 11 hits no Top 40 da Billboard, incluindo seis hits Top 10, e vendeu 80 milhões de álbuns e singles em todo o mundo.[27] [28]

"Bang Bang (My Baby Shot Me Down)" foi o primeiro grande sucesso de vendas de Cher em carreira solo, alcançando o Top 3 nos Estados Unidos e no Reino Unido. A canção foi regravada por vários artistas, entre eles Nancy Sinatra,[29] Stevie Wonder,[30] Frank Sinatra[31] e Cliff Richard[32]

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Cher e Sonny se tornaram um fenômeno comparado à Beatlemania, viajando e se apresentando em vários países.[33] Durante 1965, eles tiveram cinco canções no Top 20 do Hot 100 ao mesmo tempo, um feito igualado apenas por Elvis Presley e os Beatles.[34] Depois de uma aparição no programa de televisão The Ed Sullivan Show no outono de 1965, na qual o apresentador Ed Sullivan havia pronunciado seu nome como "Chur", a cantora passou a assiná-lo com um acento agudo (Chér), recurso que ela manteve até 1974.[35] Apesar de inicialmente vista como um pouco desajeitada e a parte menos importante da dupla, ela superou o medo de palco e o nervosismo, dirigindo piadas e alfinetadas ao seu parceiro, e logo se destacou como a integrante mais franca, ousada e provocativa. Com sua aparência misteriosa e exótica, ela se tornou a figura feminina de maior expressão do mundo pop, ajudando a popularizar as calças boca-de-sino e os vestidos excêntricos, acessórios hippie e fantasias que usava em apresentações ao vivo. Ela tinha 19 anos de idade, Sonny 30.[36] [37] Seu segundo álbum solo, The Sonny Side of Chér (1966), produziu os singles "Where Do You Go" (n° 25 no Hot 100) e "Bang Bang (My Baby Shot Me Down)" (n° 2 no Hot 100).[38] [39] Nos Estados Unidos, o último foi seu maior sucesso solo na década de 1960. Seu terceiro álbum solo, Chér, também lançado em 1966, trouxe "Alfie", que foi indicada ao Oscar de melhor canção original como tema do filme de Lewis Gilbert, e o hit europeu "Sunny".[39] Em 1967, a cantora alcançou novamente o Top 10 do Hot 100 com "You Better Sit Down Kids", do álbum With Love, Chér.[40]

Cher em participação no seriado de televisão The Man from U.N.C.L.E. (1967)

Em uma tentativa de capitalizar com o sucesso inicial da dupla, Sonny rapidamente arranjou um projeto de filme para ser estrelado por eles: Good Times (1967), que se revelou um grande fiasco.[41] Cher deu prosseguimento à sua carreira solo e lançou, em 1968, o álbum Backstage, que foi um fracasso comercial.[42] Ao mesmo tempo, sua carreira com Sonny também estagnava com a queda nas vendas de álbuns. O estilo musical suave e a posição anti-drogas da dupla tornaram-se impopulares em uma época marcada pelo auge do rock psicodélico, acompanhando uma mudança profunda na cena da cultura pop americana.[43] Seu casamento também começou a ruir nessa época. De acordo com a revista People, "Sonny a traiu várias vezes", porém, "tentou desesperadamente ganhá-la de volta, dizendo a ela que queria casar e formar uma família." Eles se casaram oficialmente logo após ela dar à luz a única filha do casal, Chastity Bono (agora legalmente nomeada Chaz Bono, após mudança de sexo), em 4 de março de 1969.[44] [45] A cantora fez sua segunda incursão no cinema em 1969, com Sonny escrevendo e produzindo o mal recebido Chastity, planejado para marcar sua estreia como uma atriz séria.[46] [47] Seu primeiro e único álbum lançado em contrato solo com a Atco Records, 3614 Jackson Highway (1969), foi bem recebido pela crítica, mas enfrentou vendas baixas.[48] Após uma série de investimentos fracassados e enfrentando uma grave crise financeira, a dupla passou a fazer shows em resorts de Las Vegas. O ato, que misturava comédia e música ao vivo, aguçava suas personalidades públicas: Cher era apresentada ao público como a cantora mal-humorada, e Sonny atuava como o destinatário pacífico de seus insultos.[49] Na realidade, ele controlava todos os aspectos do show, desde os arranjos musicais até a criação do roteiro.[50] [51] O sucesso esperado não veio, mas a sorte do duo melhorou quando um caça-talentos das redes de televisão assistiu a um de seus shows, notando o potencial do casal para estrelar um programa de variedades.[52]

Década de 1970: Ressurgimento na televisão, carreira solo[editar | editar código-fonte]

Cher se apresentando ao vivo em 1971
Cher se apresentando ao vivo em 1971
Apresentando-se no especial de televisão The Entertainer of the Year Awards, em 1973
Apresentando-se no especial de televisão The Entertainer of the Year Awards, em 1973

Em 1970, Cher co-estrelou com Sonny o especial de televisão The Sonny & Cher Nitty Gritty Hour, uma mistura de comédia pastelão, esquetes e música ao vivo. A atração foi um sucesso de crítica, o que os levou a vários outros programas de televisão como convidados especiais.[53] Durante uma participação no programa The Merv Griffin Show, o casal chamou a atenção do chefe de programação da CBS, Fred Silverman, que ofereceu à dupla um programa de variedades próprio. The Sonny & Cher Comedy Hour entrou no ar como parte da programação especial de verão da emissora, em 1971, e retornou ao horário nobre no final daquele ano, tornando-se um sucesso imediato que logo figurou entre as 10 atrações mais vistas da casa.[54] [55] Sobre a recepção do público, Silverman disse: "Foi uma explosão. Você poderia contar com os dedos de uma mão o número de vezes que isso aconteceu na história da televisão."[54] A atração recebeu quinze indicações ao Emmy durante seu período de exibição, ganhando uma por direção.[56] [57] Entre os convidados do programa estiveram Tina Turner, Chuck Berry, Carol Burnett, George Burns, Glen Campbell, Dick Clark, Tony Curtis, Bobby Darin, Farrah Fawcett, The Jackson 5, Jerry Lee Lewis, Steve Martin, Ronald Reagan, Burt Reynolds, The Righteous Brothers, Neil Sedaka, Dinah Shore e The Supremes.[58] Impulsionada pelo sucesso na televisão, a dupla reviveu sua carreira musical lançando mais quatro álbuns pela Kapp Records e MCA Records e emplacando no Top 10 os hits "All I Ever Need Is You" e "A Cowboy's Work Is Never Done".[59]

Agora com 25 anos, Cher continuou a se estabelecer como artista solo, contando, dessa vez, com a ajuda do produtor musical Snuff Garrett. Seu primeiro hit n° 1 em carreira solo foi "Gypsys, Tramps & Thieves".[60] A canção foi indicada ao Grammy na categoria de melhor interpretação vocal feminina pop e se tornou o single mais vendido da história da MCA Records até então.[34] [61] O álbum de mesmo nome foi lançado em setembro de 1971 e recebeu certificado de platina nos Estados Unidos.[62] Seu segundo single, "The Way of Love", alcançou a sétima posição no Hot 100 em março de 1972.[60] Em seguida, ela lançou os álbuns Foxy Lady (1972) e Bittersweet White Light (1973).[63] [64] Ela retornou ao primeiro lugar no Hot 100 com "Half-Breed", canção de assinatura do álbum de mesmo nome, lançado em 1973, que recebeu certificado de ouro nos Estados Unidos.[62] [65] Seu terceiro n° 1 veio com "Dark Lady", em 1974, também do álbum de mesmo nome.[66]

Cher se separou de Sonny em 1972; no entanto, eles continuaram publicamente juntos até 1974.[51] [67] Sonny escreveu em seu diário na época: "Nós ainda temos um programa de televisão e o público ainda acha que somos casados [...]. Connie [Foreman, sua namorada na época] e eu vivemos juntos como marido e mulher. Mas minha esposa pública ainda é Cher, [... e] é assim que tem que ser."[51] O fim do casamento foi anunciado durante a terceira temporada do The Sonny & Cher Comedy Hour, culminando no cancelamento do programa enquanto ele ainda estava no Top 10 de audiência.[68] O que se seguiu foi um divórcio público e conturbado, finalizado em 27 de junho de 1975.[69] Durante o processo de separação de Sonny, ela viveu um relacionamento de dois anos com o executivo musical David Geffen, responsável por livrá-la dos acordos contratuais com o ex-marido que a obrigavam a trabalhar exclusivamente para a Cher Enterprises, uma empresa que ele controlava.[70] Ela também flertou publicamente com o ator Marlon Brando e o cantor Elvis Presley durante esse período. Sobre Brando, ela disse: "Lamento não tê-lo conhecido melhor. Tivemos ótimos momentos, mas eu estava tentando fazer meu casamento [com Sonny] dar certo." Sobre Elvis, ela disse: "Ele me ligou e queria que eu passasse um fim de semana com ele, mas eu estava muito nervosa. Estava prestes a ir, mas pensei: 'Não, eu não quero' e depois me arrependi."[71] [72] Em 1974, ela ganhou o Globo de Ouro de melhor atriz em televisão - comédia ou musical.[73] No mesmo ano, Sonny lançou sua própria atração, The Sonny Comedy Revue, que foi cancelada seis semanas após a estreia.[74]

Cher e Don Knotts no programa de televisão The Sonny and Cher Show, em 1976
Cher e Don Knotts no programa de televisão The Sonny and Cher Show, em 1976
Apresentando-se com Sonny no The Sonny and Cher Show, em 1976
Apresentando-se com Sonny no The Sonny and Cher Show, em 1976
Apresentando-se em um show da Take Me Home Tour (1979–82)
Apresentando-se em um show da Take Me Home Tour (1979–82)

Seu programa solo, The Cher Show, estreou como um especial em 16 de fevereiro de 1975, contando com as participações de Flip Wilson, Bette Midler e Elton John.[75] Outros convidados incluíram Pat Boone, David Bowie, Ray Charles, Patti LaBelle, Wayne Newton, Linda Ronstadt, Lily Tomlin, Frankie Valli, Raquel Welch, Liberace e Ike & Tina Turner.[76] [77] [78] [79] Além de dar a Cloris Leachman e Jack Albertson o Emmy por suas participações, a atração ainda recebeu quatro indicações ao prêmio.[80] The Cher Show apresentou uma quantidade de trocas de figurino muito superior a dos programas de variedades típicos da época.[81] O umbigo exposto de Cher e as criações ousadas do seu estilista Bob Mackie geraram repercussão durante o período em que o programa esteve no ar.[54] Após duas temporadas e meia, ela, grávida, decidiu cancelar a atração por conta própria e trabalhar, ao lado do ex-marido, numa versão renovada do The Sonny & Cher Comedy Hour.[82] Em 30 de junho de 1975, três dias após seu divórcio de Sonny, ela se casou com o músico de rock Gregg Allman, membro da The Allman Brothers Band.[67] Ela pediu o divórcio nove dias depois, citando seus problemas com heroína e álcool. Ela disse mais tarde que, quando o chamou para dizer que o casamento havia terminado, "ele estava tão bêbado que nem sequer me entendeu". Allman logo se livrou do vício, e ela retomou o casamento em menos de um mês.[83] Eles tiveram um filho, Elijah Blue Allman, em 10 de julho de 1976.[84] Em 1977, o casal lançou, sob a assinatura de Allman and Woman, o álbum Two the Hard Way, que foi considerado um fiasco artístico e comercial.[85] Eles se separaram definitivamente após dois anos de casamento.[86]

Entre 1975 e 1977, Cher lançou uma série de álbuns malsucedidos pela Warner Bros. que, com o tempo, viriam a ser considerados clássicos cult: Stars, I'd Rather Believe in You e Cherished.[87] [88] The Sonny and Cher Show estreou em 2 de fevereiro de 1976 sob altas expectativas, classificando-se no Top 10 de audiência.[54] Coincidindo com a popularidade inicial do programa, a Mego Toys lançou uma linha de bonecos inspirados em Cher e Sonny.[89] Entre os convidados da atração estiveram Muhammad Ali, Raymond Burr, Charo, Barbara Eden, Farrah Fawcett, Bob Hope, Don Knotts, Jerry Lewis, Debbie Reynolds, Tina Turner, Twiggy e Betty White.[90] A audiência, no entanto, logo caiu, e o programa foi cancelado após sua segunda temporada.[91] Embora tenha sido breve, o sucesso do The Sonny and Cher Show foi único, uma vez que, a partir da segunda metade da década de 1970, programas de variedades deixaram de atrair a atenção dos telespectadores.[92] Nos anos seguintes, ela retornou ao horário nobre com os especiais Cher... Special (1978), que recebeu três indicações ao Emmy, e Cher... And Other Fantasies (1979).[93] [94] Em 1978, ela mudou legalmente seu nome de Cherilyn Sarkisian LaPiere Bono Allman para Cher, sem nenhum sobrenome.[95] Segundo Heidi Stevens, do Chicago Tribune, ela estava "cansada de ser associada com os sobrenomes de seu pai, padrasto e ex-maridos".[96]

"Take Me Home" marcou a entrada de Cher no gênero da disco music, que havia se tornado popular no final da década de 1970. A canção e o álbum de mesmo nome tornaram-se sucessos instantâneos e mantiveram-se entre os mais vendidos de 1979[97]

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Em 1979, Cher capitalizou com a febre da disco music, assinando com a Casablanca Records e acumulando mais um hit no Top 10 com "Take Me Home". As vendas do álbum de mesmo nome foram impulsionadas pela imagem da cantora semi-nua caracterizada de guerreira víquingue na capa.[98] O disco recebeu certificado de ouro pela Recording Industry Association of America (RIAA).[62] Entre 1979 e 1982, ela fez uma série de shows (hoje conhecida como a Take Me Home Tour) que marcou sua estreia solo ao vivo.[99] A grande maioria dos concertos aconteceu no Caesars Palace, em Las Vegas, pelos quais ela recebeu um salário de 320 mil dólares por semana.[100] Ainda em 1979, ela apareceu praticamente nua e envolta em correntes na capa do seu segundo álbum lançado pela Casablanca, Prisoner, estimulando controvérsia entre alguns grupos de direitos das mulheres por sua imagem de "escrava sexual".[101] Esse álbum produziu a canção "Hell on Wheels", destaque na trilha sonora do filme Roller Boogie, que foi descrita pela crítica como um "hino dance atemporal" e que capturou e ajudou a popularizar a febre da patinação sobre rodas do final da década.[87] [102] Durante essa época, ela teve um relacionamento com Gene Simmons, baixista da banda Kiss.[103]

Década de 1980: Declínio, estrelato no cinema e retorno ao sucesso musical[editar | editar código-fonte]

Em 1980, Cher gravou sua última canção disco, chamada "Bad Love", para a trilha sonora do filme Foxes.[104] Mais tarde, no mesmo ano, ela formou a banda de rock Black Rose com seu então namorado, o guitarrista Les Dudek, e lançou um álbum com o mesmo nome.[105] A banda foi promovida sem usar sua fama (seu nome não aparece na capa do disco e seu rosto é visto apenas em uma foto dos integrantes na contra-capa), o que contribuiu para que o álbum não vendesse bem e o grupo se separasse no ano seguinte.[88] [106] [107] Ela disse à imprensa mais tarde: "Nós fomos os precursores de um certo tipo de música que está acontecendo hoje, um certo tipo de atitude, estilo e merda como essa, mas minha imagem em vestidos de miçangas na capa do National Enquirer era muito difícil de combater."[88] Em 1981, ela gravou um dueto com o músico Meat Loaf chamado "Dead Ringer for Love", que foi descrito pela crítica como "um dos duetos de rock mais inspirados dos anos 80" e que alcançou o Top 5 no Reino Unido.[39] [108] No ano seguinte, ela lançou, pela Columbia Records, o álbum I Paralyze, que foi ignorado pela crítica e, consequentemente, teve vendas decepcionantes.[109]

Cher na Casa Branca com a ex-primeira dama Nancy Reagan, em outubro de 1985

Com a popularidade em baixa, Cher decidiu mudar o foco de sua carreira e se tornar uma atriz séria.[110] Seus primeiros investimentos no mundo do entretenimento tinham sido voltados para o cinema ao invés da música; no entanto, suas tentativas anteriores (Good Times e Chastity) haviam sido duramente criticadas.[111] [112] A essa altura, ela era considerada uma piada e sua carreira era julgada como "coisa do passado".[2] Em 1982, ela conseguiu um papel em uma produção da Broadway, Come Back to the Five and Dime, Jimmy Dean, Jimmy Dean.[113] No mesmo ano, ela foi escalada para o elenco de sua versão cinematográfica (br: James Dean, o Mito Sobrevive; pt: Volta Jimmy Dean, Volta Para Nós), dirigida por Robert Altman, que lhe deu uma indicação ao Globo de Ouro.[114] Em seguida, ela contracenou com Meryl Streep e Kurt Russell no drama Silkwood (br: Silkwood - O Retrato de uma Coragem; pt: Reacção em Cadeia; 1983), interpretando uma operária lésbica que namorava a personagem de Streep. Por seu desempenho "intenso" e "nu e cru", ela recebeu sua primeira indicação ao Oscar, como melhor atriz coadjuvante, e foi premiada com o Globo de Ouro de melhor atriz coadjuvante.[100] [115] [116]

O próximo filme de Cher, Mask (br: Marcas do Destino; pt: Máscara; 1985), dirigido por Peter Bogdanovich, estreou em terceiro lugar na bilheteria dos Estados Unidos e foi considerado seu primeiro sucesso comercial e de crítica como atriz principal.[117] [118] Por sua atuação como mãe de um garoto desfigurado (Eric Stoltz), ela ganhou o prêmio de melhor atuação feminina no Festival de Cannes e recebeu uma indicação ao Globo de Ouro de melhor atriz em filme dramático.[119] [120] De acordo com o livro Hollywood Songsters: Allyson to Funicelloo, "alguns sentiram (incluindo Cher) que, por ela desafiar tanto os padrões, a indústria a evitou nas indicações ao Oscar. Para mostrar seu desprezo pelo 'sistema', ela apareceu na cerimônia da premiação daquele ano [1986] em um de seus figurinos mais estranhos (parecido com uma tarântula)."[100] Ainda em 1985, ela foi agraciada com o prêmio de mulher do ano pela companhia de teatro Hasty Pudding, da Universidade Harvard, e formou a produtora de cinema Isis Productions.[2] [121]

Em maio de 1986, Cher causou controvérsia ao chamar o apresentador David Letterman de "bundão" durante uma participação em seu programa de televisão.[122] Ela respondeu isso ao ser perguntada por que havia se recusado a aparecer em sua atração anteriormente, recebendo uma mistura de vaias e risos do público. Ele, no entanto, encerrou rapidamente o assunto, classificando o incidente como uma brincadeira.[123] Em novembro de 1987, ela se reuniu pelo que seria a última vez com o ex-marido Sonny Bono no mesmo programa, apresentando uma versão improvisada de "I Got You Babe".[124] [125] Durante essa época, ela esteve envolvida em sucessivas relações com homens mais jovens, incluindo os atores Val Kilmer,[126] Eric Stoltz[127] e Tom Cruise,[128] o produtor cinematográfico Josh Donnen[129] e Rob Camilletti, um padeiro 18 anos mais novo com quem ela viveu por três anos. Camilletti foi apelidado de "Bagel Boy" ("garoto das rosquinhas", em tradução livre) pela imprensa e gerou repercussão ao destruir as câmeras de alguns paparazzi que cercavam a casa de Cher em 1989. Eles se separaram pouco tempo depois.[130]

Boneca de cera de Cher numa exposição em Hong Kong, China. A estátua veste um modelo similar ao que ela usou na 60ª cerimônia de entrega do Oscar, em 1988
Boneca de cera de Cher numa exposição em Hong Kong, China. A estátua veste um modelo similar ao que ela usou na 60ª cerimônia de entrega do Oscar, em 1988
O videoclipe de "If I Could Turn Back Time" (1989) foi proibido em alguns canais musicais de televisão como a MTV
O videoclipe de "If I Could Turn Back Time" (1989) foi proibido em alguns canais musicais de televisão como a MTV

Cher retornou ao cinema três vezes em 1987. Ela interpretou uma advogada no suspense Suspect (br/pt: Sob Suspeita), com Dennis Quaid; foi escalada como uma das três protagonistas femininas na comédia de humor negro The Witches of Eastwick (br/pt: As Bruxas de Eastwick), com Jack Nicholson, Susan Sarandon e Michelle Pfeiffer; e estrelou a comédia romântica Moonstruck (br: Feitiço da Lua; pt: O Feitiço da Lua), dirigida por Norman Jewison, com Nicolas Cage e Olympia Dukakis.[100] Por sua atuação como uma contadora desajeitada em Moonstruck, ela ganhou o Oscar de melhor atriz de 1987.[131] Durante seu discurso de aceitação do prêmio (a plateia se levantou quando seu nome foi anunciado), ela disse: "Eu não acho que esse prêmio queira dizer que eu seja alguém. Mas talvez eu esteja no caminho certo."[34] Agora uma das atrizes de cinema mais aclamadas da década, ela também ganhou o Globo de Ouro de melhor atriz em comédia ou musical e o People's Choice Award na categoria de estrela feminina favorita.[87] [120] [132] No mesmo ano, ela reviveu sua carreira musical após um hiato de cinco anos, assinando com a Geffen Records e lançando o primeiro de uma trilogia de álbuns de rock que apresentou contribuições de Diane Warren, Jon Bon Jovi, Richie Sambora, Desmond Child, Mark Mangold e Michael Bolton.[133] Cher produziu os hits "I Found Someone", seu primeiro single a alcançar o Top 10 do Hot 100 em oito anos, e "We All Sleep Alone" (n° 14 no Hot 100) e vendeu sete milhões de cópias em todo o mundo, recebendo certificado de platina nos Estados Unidos.[62] [87] [134] [135] Ainda em 1987, ela lançou a fragrância Uninhibited.[136]

"If I Could Turn Back Time" foi um grande hit, chegando ao primeiro lugar na Austrália e ao Top 10 nos Estados Unidos, Reino Unido e Canadá

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Cher se apresentando em um show da Heart of Stone Tour (1989–90)

Em 1989, Cher lançou o álbum Heart of Stone, que vendeu 11 milhões de cópias e recebeu certificado triplo de platina pela RIAA.[62] [135] Seu primeiro single, "If I Could Turn Back Time", contou com um vídeo no qual a cantora apareceu usando apenas um colã transparente e um maiô que deixava à mostra uma tatuagem de "borboleta" em suas nádegas.[137] Muitas redes de televisão, incluindo a MTV, se recusaram a exibi-lo inicialmente, alegando "nudez parcial".[138] Diante de sua popularidade crescente, a MTV concordou em transmiti-lo a partir das 9 horas da noite.[139] A canção correspondente liderou as paradas na Austrália por sete semanas não-consecutivas e alcançou a terceira posição nos Estados Unidos, a sexta colocação no Reino Unido e o Top 10 em vários países ao redor do mundo.[140] Heart of Stone produziu ainda os hits "Just Like Jesse James" (n° 8 no Hot 100), "Heart of Stone" (n° 20 no Hot 100) e "After All" (n° 6 no Hot 100), um dueto com o cantor Peter Cetera que foi indicado ao Oscar de melhor canção original como tema do filme Chances Are (br: O Céu se Enganou).[40] [141] Cher se apresentou em vários países ao longo de 1989 e 1990 com a Heart of Stone Tour, que deu origem ao especial de televisão Cher Extravaganza: Live at the Mirage, gravado em Las Vegas.[142] [143] O The New York Times escreveu que seu show "[transmite] uma mensagem: se você confiar em si mesmo e não desistir da vida e do amor, a fama eterna pode ser sua".[144] Entre 1989 e 1991, ela se relacionou com o guitarrista Richie Sambora, da banda Bon Jovi.[145]

Década de 1990: Altos e baixos, volta por cima[editar | editar código-fonte]

Em 1990, Cher estrelou o sucesso de crítica e bilheteria Mermaids (br: Minha Mãe É uma Sereia; pt: A Minha Mãe É uma Sereia), com Bob Hoskins, Winona Ryder e Christina Ricci.[146] [147] Ela gravou duas canções para a trilha sonora do filme: "Baby I'm Yours" e "The Shoop Shoop Song (It's in His Kiss)". A última foi um sucesso mundial, alcançando o primeiro lugar no Reino Unido, a terceira posição na Alemanha e França e a quinta colocação na Austrália.[40] [148] [149] Em 1991, ela lançou seu terceiro e último álbum de estúdio pela Geffen: Love Hurts, que estreou em primeiro lugar no Reino Unido, onde permaneceu por seis semanas consecutivas.[150] O disco vendeu mais de dez milhões de cópias e produziu cinco singles: "Love and Understanding", que entrou no Top 10 no Reino Unido e no Top 20 nos Estados Unidos; "Save Up All Your Tears", "Love Hurts" (destaque na trilha sonora da telenovela brasileira Vamp, de 1991), "Could've Been You" e "When Lovers Become Strangers".[2] [40] [151] Na Alemanha, ela recebeu o prêmio Echo de cantora internacional mais bem-sucedida do ano.[152] Em 1992, ela embarcou na Love Hurts Tour e lançou dois programas de condicionamento físico em VHS: Cherfitness: A New Attitude e Cherfitness: A Body Confidence.[153] [154] Em novembro do mesmo ano, a coletânea européia Greatest Hits: 1965-1992, que continha três faixas inéditas ("Oh No Not My Baby", "Whenever You're Near" e "Many Rivers to Cross"), alcançou a primeira posição no Reino Unido por sete semanas não-consecutivas.[155] [156]

Um sucesso do álbum It's a Man's World, "Walking in Memphis" atingiu o Top 20 no Reino Unido e em alguns países da Europa

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Cher se apresentando em Nova Iorque (1996)

Em meados de 1992, Cher contraiu o vírus Epstein-Barr e desenvolveu um caso decorrente de síndrome da fadiga crônica.[110] Consequentemente, ela se afastou da carreira e passou a fazer menos aparições públicas. No entanto, ela apresentou uma série de infomerciais na televisão, anunciando a linha de produtos capilares de sua amiga Lori Davis, o adoçante Equal e sua própria linha de produtos para a pele, Aquasentials, o que a tornou conhecida como a "rainha dos infomerciais" e levou muitos críticos da indústria do entretenimento a declarar que sua carreira estava morta.[157] [158] Mais tarde, ela desabafou sobre essa fase: "Eu virei uma piada no Letterman e no Saturday Night Live. Foi um erro de julgamento enorme e devastador daquilo que as pessoas poderiam aceitar de mim."[157] Ela também fez pequenas participações interpretando a si mesma nos filmes The Player (br/pt: O Jogador; 1992) e Prêt-à-Porter (pt: Pronto-a-Vestir; 1994), ambos de Robert Altman.[142] Em 1994, ela gravou uma versão rock de "I Got You Babe" para a animação da MTV Beavis and Butt-Head.[159] Em 1995, ela atingiu o topo do UK Singles Chart por uma semana ao lado de Neneh Cherry, Chrissie Hynde e Eric Clapton com o single de caridade "Love Can Build a Bridge".[160] No mesmo ano, ela assinou com o selo WEA Records e gravou um disco composto em sua maioria por regravações, intitulado It's a Man's World. Segundo a revista Billboard, o álbum "surgiu do seu conceito de regravar canções escritas por homens sob o ponto de vista de uma mulher."[161] Jose F. Promis, do Allmusic, escreveu que "[o] álbum pode ser facilmente classificado como um dos melhores da cantora" e que ele "a apresenta soando vocalmente relaxada e confiante".[162] It's a Man's World foi lançado na Europa no final de 1995 e na América do Norte no verão de 1996 e produziu os hits europeus "Walking in Memphis" e "One by One".[161] Em 1996, Cher estrelou o mal recebido filme Faithful (br: Fiel, Mas Nem Tanto; pt: Fielmente Teu), com Ryan O'Neal e Chazz Palminteri, e fez sua estreia como diretora de cinema no controverso drama sobre aborto If These Walls Could Talk (br: O Preço de Uma Escolha; pt: Perseguidas), com Demi Moore, Sissy Spacek e Anne Heche, que atraiu a maior audiência por um filme original da história da HBO.[163] [164] [165] Ela também co-estrelou o último, ganhando uma indicação ao Globo de Ouro de melhor atriz coadjuvante em televisão.[120] [164] [166]

Estrela da dupla Sonny & Cher na Calçada da Fama de Hollywood

Em janeiro de 1998, Cher fez a eulogia no funeral do ex-marido Sonny Bono, que havia morrido em um acidente de esqui. Para uma audiência televisiva mundial, ela o elogiou, aos prantos, dizendo que ele era "a pessoa mais inesquecível que já conheci".[167] Eles haviam se divorciado há 23 anos. No momento de sua morte, Sonny, 62, era um popular congressista da Califórnia casado com sua quarta esposa, Mary Bono.[168] No entanto, Cher permaneceu sua amiga ao longo dos anos.[169] Ela prestou homenagem a ele novamente no especial da CBS Sonny & Me: Cher Remembers, que foi ao ar em maio de 1998, onde disse que sua dor é "algo que nunca vou conseguir superar".[170] [171] No mesmo mês, a dupla Sonny & Cher recebeu uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood por seu trabalho na televisão.[172]

Cher se apresentando em Nova Iorque (1998)

O vigésimo terceiro álbum de estúdio de Cher, Believe (1998), uma coleção de faixas dance, atingiu o Top 10 em quase todos os principais mercados musicais do planeta, incluindo os Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e França, e recebeu certificado quádruplo de platina pela RIAA, com vinte milhões de cópias vendidas em todo o mundo, marcando sua "volta por cima".[2] [173] [174] [175] A faixa-título, ganhadora do Grammy de melhor gravação dance e primeiro single do álbum, chegou à primeira posição em 23 países e vendeu mais de 11 milhões de cópias, transformando-se na música mais popular de 1999 e no maior hit de sua carreira.[176] Com "Believe", ela se tornou a mulher mais velha (aos 52 anos) a ter um hit n° 1 no Hot 100 e bateu os recordes de maior extensão de tempo de hits n° 1 (33 anos e sete meses) e maior intervalo entre dois hits n° 1 (dez dias para 25 anos) da parada.[177] [178] Ela também é a única cantora a ter hits solo no Top 10 do Hot 100 nas décadas de 1960, 1970, 1980 e 1990.[179] No UK Singles Chart, "Believe" permaneceu na primeira posição por sete semanas consecutivas, convertendo-se no single mais vendido da história por uma cantora no Reino Unido.[180] A canção também foi destaque na trilha sonora da telenovela brasileira Suave Veneno (1999).[181] O segundo single do álbum, "Strong Enough", continuou o sucesso de "Believe" na Europa, chegando à terceira posição na Alemanha e França e à quinta colocação no Reino Unido.[182] [183] [184] O disco também produziu os hits europeus "All or Nothing" e "Dov'è l'amore".[40]

Em novembro de 1998, Cher publicou a autobiografia The First Time, uma coleção de memórias de sua infância, adolescência e carreira.[185] Em janeiro de 1999, ela cantou o "The Star-Spangled Banner" no Super Bowl XXXIII.[186] Em março, ela se apresentou ao lado de Tina Turner e Elton John no especial de televisão VH1 Divas Live 2.[187] No mesmo mês, ela co-estrelou o bem recebido filme de Franco Zefirelli Tea with Mussolini (br/pt: Chá com Mussolini), com Judi Dench, Maggie Smith e Joan Plowright.[188] Sua Do You Believe? Tour viajou ao longo de 1999 e 2000 pelos Estados Unidos, Canadá, Europa e África, com o especial de televisão indicado ao Emmy Cher: Live at the MGM Grand in Las Vegas indo ao ar em agosto de 1999.[189] Em novembro, ela lançou a coletânea The Greatest Hits, que estreou em primeiro lugar na Alemanha (seu segundo álbum n° 1 consecutivo no país) e alcançou a sétima posição no UK Albums Chart.[190] [173] O disco não foi vendido nos Estados Unidos devido ao lançamento quase simultâneo da compilação norte-americana If I Could Turn Back Time: Cher's Greatest Hits, que recebeu certificado de ouro pela RIAA.[62] [191] Na Alemanha, ela se tornou novamente a cantora internacional mais bem-sucedida do ano e ganhou seu segundo prêmio Echo.[192]

Década de 2000: Colhendo os louros, sucesso na estrada[editar | editar código-fonte]

Em 2000, Cher lançou um álbum de rock alternativo intitulado Not.com.mercial.[193] Esse trabalho foi quase inteiramente composto por ela durante um retiro de compositores na França, em 1994, e marcou a primeira vez que ela escreveu a maioria do material para um de seus álbuns.[194] [195] O disco havia sido rejeitado pelos executivos da Warner por "não ser comercial", razão pela qual ela decidiu vendê-lo exclusivamente através de seu site.[196] [197] Em novembro do mesmo ano, ela foi destaque no álbum Stilelibero, do cantor italiano Eros Ramazzotti, em um dueto da canção "Più Che Puoi".[198] No mesmo mês, ela fez uma participação como convidada especial no episódio da série Will & Grace "Gypsies, Tramps and Weed" (nomeado em alusão à sua música "Gypsys, Tramps & Thieves"), que deu à série sua segunda maior audiência de todos os tempos.[199] [200] Ainda em 2000, ela foi premiada com o Women in Film Lucy Award, juntamente com os criadores e elenco de If These Walls Could Talk, por seu trabalho como diretora e atriz no filme. O Lucy Award reconhece a excelência e inovação em trabalhos criativos que têm reforçado a percepção das mulheres por meio da televisão.[201]

"Nós apenas escolhemos canções que pareciam satisfatórias em uma base individual. Só quando começamos a avaliar o álbum inteiro e brincar com a sequência que nós percebemos que ele tinha inconscientemente se tornado um álbum cheio de amor e calor. Foi uma surpresa agradável, e é certamente um momento adequado para colocar um pouco de energia positiva no mundo."

—Cher falando sobre o álbum Living Proof.[182]
Para Larry Flick, da revista Billboard, "Song for the Lonely" "ecoa de maneira intensa durante os atuais dias de instabilidade política". A canção foi lançada nos Estados Unidos seis meses após os ataques de 11 de setembro e é dedicada às "pessoas corajosas de Nova Iorque"[182]

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Em 2001, ainda no gênero dance, Cher lançou o aguardado sucessor de Believe: Living Proof, que entrou na nona posição da Billboard 200, tornando-se seu álbum de melhor estreia na parada até então.[202] A Slant Magazine aclamou o disco como "a obra de arte pop que mais exalta a vida a surgir desde [os ataques de] 11 de setembro".[203] Seu primeiro single, "The Music's No Good Without You", liderou as paradas em alguns países e chegou à oitava posição no Reino Unido.[204] [205] Várias canções do álbum ganharam versões remixadas que foram bem-sucedidas na cena club norte-americana.[206] Living Proof recebeu certificado de ouro no Reino Unido e nos Estados Unidos.[40] Em maio de 2002, ela se apresentou no especial beneficente VH1 Divas Las Vegas.[207] Em dezembro, ela ganhou o Billboard Music Award de artista dance/club do ano.[208] No mesmo ano, sua fortuna pessoal foi estimada em 600 milhões de dólares (315 milhões de euros).[209]

Cher se apresentando na Living Proof: The Farewell Tour, uma das turnês mais bem-sucedidas de todos os tempos

Em 2002, Cher embarcou na Living Proof: The Farewell Tour, que havia sido anunciada como a última turnê de sua carreira, embora ela tenha prometido continuar a gravar novos álbuns.[210] O show, uma homenagem aos seus quase 40 anos no show business, destacou seus sucessos na música, na televisão e no cinema ao longo das décadas e apresentou uma elaborada estrutura de palco que contava com banda de apoio, dançarinos e acrobatas.[211] [212] A turnê foi prorrogada várias vezes, cobrindo praticamente todo os Estados Unidos e Canadá (além de três shows na Cidade do México), várias cidades da Europa e as principais cidades da Austrália e Nova Zelândia.[213] Com três anos de duração, a Farewell Tour se encerrou como a turnê mais bem-sucedida da história por uma cantora solo até então, ganhando uma entrada no Guinness Book of World Records.[214] [215] O registro do show, Cher: The Farewell Tour, gravado em Miami em novembro de 2002 e exibido pela NBC em abril de 2003, atraiu 17 milhões de espectadores e a premiou com o Emmy de melhor especial de variedades, música ou comédia.[57] [216] [217] Em agosto de 2003, ela lançou o álbum Live: The Farewell Tour, uma coleção de faixas ao vivo retiradas da turnê.[218]

Em 2003, The Very Best of Cher, uma coletânea que reúne todos os maiores hits de sua carreira, foi lançada. O álbum alcançou a quarta posição na Billboard 200, expandindo sua longevidade na parada para mais de 38 anos, e recebeu certificado duplo de platina nos Estados Unidos.[62] [219] Em setembro de 2003, ela assinou com a divisão americana da Warner Bros. Records, após romper com o selo WEA, da divisão britânica da Warner, em 2002.[220] Em outubro do mesmo ano, ela participou do álbum As Time Goes By: The Great American Songbook 2, do cantor Rod Stewart, em um dueto da canção "Bewitched, Bothered and Bewildered".[221] Ainda em 2003, ela interpretou a si mesma na comédia dos irmãos Farrelly Stuck on You (br: Ligado em Você; pt: Agarrado a Ti; 2003), com Matt Damon e Greg Kinnear. Ela parodiou sua própria imagem pública no filme, aparecendo na cama com um adolescente (Frankie Muniz).[222] [223] Em 2004, ela recebeu uma indicação ao Grammy de melhor gravação dance pela música "Love One Another".[224]

Anúncio do show de Cher em Las Vegas
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Apresentando-se no Caesars Palace, em Las Vegas (2009)
Apresentando-se no Caesars Palace, em Las Vegas (2009)

Cher retornou aos palcos em 6 de maio de 2008, começando uma residência de três anos de duração e 200 shows no Colosseum at Caesars Palace, em Las Vegas, pela qual ela recebeu um salário de 60 milhões de dólares por ano.[27] [225] [226] O espetáculo durou até fevereiro de 2011 e contou com dezesseis dançarinos e trapezistas e vários figurinos desenhados por Bob Mackie.[227] O Los Angeles Times escreveu que a entrada do show ("Cher [...] descendo do teto como a imperatriz do sol") foi "grandiosa" e comentou que "sua carruagem dourada poderia ser também uma máquina do tempo, porque, quando saiu de lá [...], ela parecia ter 22 anos de idade. [...] Mas ela tem 61 e ainda consegue sustentar um figurino de Bob Mackie como ninguém."[228] Em uma aparição no The Ellen DeGeneres Show em novembro de 2008, a artista falou sobre um projeto de filme intitulado The Drop-Out, que seria estrelado por ela.[229] [230] Em 2009, ela se relacionou com o motociclista Tim Medvetz, 25 anos mais novo.[231]

Década de 2010: Novos projetos[editar | editar código-fonte]

"You Haven't Seen the Last of Me", da trilha sonora do filme Burlesque, recebeu críticas favoráveis, com o jornalista Kirk Honeycutt, da revista norte-americana The Hollywood Reporter, afirmando que a canção "pode se tornar seu hino assim como 'My Way' se tornou o de [Frank] Sinatra"[232]

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Cher fez seu retorno ao cinema com o musical Burlesque (2010). Ela contribuiu para a trilha sonora do filme com duas canções: "Welcome to Burlesque" e a balada escrita por Diane Warren "You Haven't Seen the Last of Me".[233] A última ganhou o Globo de Ouro de melhor canção original, foi indicada ao Grammy de melhor canção escrita para mídia visual e chegou à primeira posição nas paradas dance americanas, fazendo dela a única artista a ter um hit n° 1 em uma parada da Billboard em cada uma das últimas seis décadas.[234] [235] [236] No mesmo ano, ela deixou as marcas de suas mãos e pés na calçada do Grauman's Chinese Theatre, em Hollywood, e foi homenageada pela revista Glamour com o Woman of the Year Lifetime Achievement Award.[237] [238] Ainda em 2010, ela começou um relacionamento com o roteirista e diretor Ron Zimmerman. Ela disse: "Nós decidimos que somos algo entre namorados e melhores amigos. Ele me faz rir mais do que ninguém que eu já conheci. E ele é muito louco, mas muito inteligente e muito talentoso."[239] Em entrevista à revista Architectural Digest no mesmo ano, ela se revelou devota de Pema Chödrön, uma monja budista americana: "Por mais brega que isso possa parecer, a alma do universo, tudo o que eu preciso, eu posso encontrar nessa prática [budismo]."[240] Em 2011, ela emprestou sua voz para a comédia Zookeeper (br: O Zelador Animal; pt: O Guarda do Zoo).[241]

Em junho de 2012, Cher afirmou em seu Twitter que estava ajudando a escrever um musical baseado em sua vida, e que este já se encontrava em fase de pré-produção. Ela também mencionou que pode interpretar a si mesma no espetáculo, que será apresentado na Broadway.[242] Ao longo de 2011 e 2012, Cher esteve trabalhando em seu primeiro álbum de estúdio desde Living Proof (2001). Ela afirmou inicialmente que iria gravar em Nashville, Tennessee, levando à especulação de que o novo trabalho seria orientado para o gênero country;[243] no entanto, em junho de 2011, ela escreveu em sua página no Twitter que o disco será "bastante dançante".[244] Entre as faixas estavam confirmadas tinha "The Greatest Thing", um dueto com a cantora americana Lady Gaga escrito pela própria e produzido por RedOne;[245] "Red", duas versões do seu hit de 2010 "You Haven't Seen the Last of Me" e a balada "I Walk Alone". A última foi uma das duas colaborações da cantora americana Pink para o álbum (a outra é uma faixa de rock e dance possivelmente intitulada "You Can't Go Home"); ela disse: "É uma baita honra. Eu finalmente me sinto como uma compositora. E eu sou uma grande fã."[246] Outros colaboradores incluem Timbaland, Diane Warren, Jason Derülo, Kuk Harrell, Mark Taylor e Billy Mann. Em outubro de 2012, dois títulos de músicas foram registrados em seu nome na ASCAP: "Woman's World" e "Collide", escritas por Anthony Robert Crawford, Paul Oakenfold e um terceiro autor desconhecido.[247] No mesmo mês, a letra e uma versão demo de "Woman's World", o primeiro single do álbum, foram publicados na web. Em novembro, a canção foi disponibilizado no YouTube pela Warner Bros., responsável pelo novo álbum da cantora. Sob grande aguardo, a faixa foi bem recebido pelo público e crítica, recebendo mais de 230.000 exibições em apenas dois dias de lançamento oficial.[248] Em setembro de 2013, a cantora lançou seu aguardado vigésimo sexto álbum de estúdio, Closer to the Truth. Ao contrário do que era esperado, o disco não trouxe "The Greatest Thing" com Lady Gaga, já que a mesma não gostou do resultado da faixa.[249] Após o lançamento do projeto, Closer to the Truth alcançou a terceira posição da Billboard 200, se tornando o maior debute de toda a sua carreira, vendendo 63 mil cópias na primeira semana.[250]

Estilo musical[editar | editar código-fonte]

Bob Dylan (imagem) foi um dos compositores predominantes no repertório de Cher em seus primeiros anos de carreira

Se adaptando continuamente às tendências de cada época, o estilo musical de Cher tem sido objeto de controvérsia pelos críticos. Ela é, pela análise do produtor musical Snuff Garrett, "mais uma estilista do que uma cantora";[21] no entanto, para o ex-vice-presidente sênior do setor de desenvolvimento artístico da Warner Bros., Craig Kostich, "ela é uma artista única que continua a quebrar as barreiras de seu talento".[174] Desde o início de sua carreira, ela mudou várias vezes de gênero musical, passando pelo folk, disco, rock, R&B e dance. Ela disse: "Você quer permanecer relevante e fazer trabalhos que surtam efeito. Mas, ao mesmo tempo, eu não gravo um disco com muitas intenções além de satisfazer a mim mesma."[174] Peter Fawthrop, do Allmusic, afirmou que "mesmo mudando de estilo tão frequentemente, ela sempre parece tão sincera e tão 'Cher' quanto em sua mudança anterior. Sua personalidade é definida e brilha através [das mudanças]. [...] Quantos artistas musicais, mesmo os que tenham durado tanto tempo na indústria quanto ela, soariam igualmente reconhecíveis numa canção sinteticamente vocalizada como 'Believe', de 1999, e num folk sombriamente cômico como 'Dark Lady', de 1974? [...] Quem gosta do seu material nos anos 90 provavelmente vai gostar dele nos anos 70, mesmo que seja completamente diferente."[251]

Cher lançou sucessos nas décadas de 1960 e 1970 trabalhando em diversos gêneros, que vão desde as baladas girl group, estilo popular no início dos anos 60, e o folk-pop, influenciado pela cantora e compositora Jackie DeShannon, até o pop adulto-contemporâneo.[21] Seu primeiro álbum, All I Really Want to Do (1965), era, assim como a maioria de seus trabalhos solo na década de 1960, predominantemente folk-rock, com uma pequena influência girl group e calcado no repertório de compositores como Bob Dylan, Pete Seeger, DeShannon e Sonny Bono, seu parceiro musical, que produziu grande parte de seu material na década usando suas habilidades de produção derivadas do produtor Phil Spector.[22] Segundo Joe Viglione, do Allmusic, "o ícone de cantora folk era um ingrediente importante nessa fase da carreira solo de Cher".[42] Ele também escreveu que seu álbum de 1967, With Love, Chér, "mostra porque a cantora encantou seus ouvintes e passou a competir no mesmo patamar de Dusty [Springfield] e Petula [Clark]".[252] Uma canção deste álbum, "You Better Sit Down Kids", tratou do divórcio, um tema incomum para uma gravação pop dos anos 60. Outros lançamentos seus da época também abordaram áreas difíceis, como "I Feel Something in the Air" e "Mama (When My Dollies Have Babies)", que lidaram com a gravidez indesejada.[21]

"Gypsies, Tramps & Thieves" e suas outras canções n° 1 na década de 1970, "Half-Breed" e "Dark Lady", eram, de acordo com Bruce Eder, do Allmusic, "dramáticas e altamente intensas, quase tanto 'atuadas' quanto cantadas e muito diferentes do seu produto nos anos 60"

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De acordo com Bruce Eder, do Allmusic, "sua voz não era muito rica ou poderosa [nos anos 60], mas era expressiva e radiante nas criações de Sonny". Em contraste, seu material no início da década de 1970, solo ou com Sonny, "tinha mais personalidade e um ponto de vista mais adulto", como "Gypsys, Tramps & Thieves" (1971). Para Eder, "o assunto-tema da canção, suas mudanças de tempo incomuns e um refrão incrivelmente memorável tornaram-se um gancho para uma interpretação transcedente pela cantora, marcando sua maturação como artista". "Gypsys" e suas outras canções n° 1 no mesmo estilo, "Half-Breed" e "Dark Lady", eram "dramáticas e altamente intensas, quase tanto 'atuadas' quanto cantadas e muito diferentes do seu produto nos anos 60".[21] Eder também observou que, apesar de possuir "um alcance vocal relativamente limitado" na época, as virtudes que ela havia trago para sua música ("intensidade e paixão tremendas" e "uma habilidade de fundir esses sentimentos com suas habilidades de atuação") resultavam em "uma experiência incrivelmente poderosa para o ouvinte."[253] Outra canção da época, "The Way of Love", pode ser interpretada tanto como uma mulher expressando seu amor por outra mulher quanto como uma mulher dizendo adeus a um homem gay ("O que você vai fazer/Quando ele te deixar/Do mesmo jeito que você/Me disse adeus"). Viglione afirmou que a cantora "nunca se importou com identidade de gênero neutra ou andrógina em suas canções. Sua voz grave sustentava tanto os arranjos masculinos quanto os femininos no duo com [Sonny] Bono e, musicalmente, seu material solo conseguia resultados que não eram possíveis em uma parceria."[254]

Cher, vista aqui em um show da Heart of Stone Tour (1989–90), lançou, a partir de 1987, uma trilogia de álbuns de rock que revitalizou sua carreira
"Believe" é notada pelo uso de um efeito sonoro nos vocais que deixou a voz de Cher "robotizada, como se saísse de uma máquina". O recurso se tornou muito popular, foi imitado por inúmeros artistas e ficou conhecido como "Cher effect"

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No final da década de 1980 e início da década de 1990, Cher gravou uma série de álbuns de rock que "rejuvenesceram sua carreira": Cher (1987), Heart of Stone (1989) e Love Hurts (1991).[255] Em uma análise do álbum Heart of Stone, Gary Hill, do Allmusic, escreveu: "Nem todo o álbum é composto por faixas de rock pesado [...] mas todas elas têm uma honestidade e um apelo enérgico que separam [o disco] de parte do material mais moderno de Cher. Você ouve a força do seu desempenho vocal e se pergunta por que os produtores optaram por mexer em sua voz no final dos anos 90 e início dos anos 2000. Ela certamente não precisa de qualquer ajuda para sustentar uma melodia."[256] Para o álbum It's a Man's World (1995), ela optou por "baladas fumegantes e calorosas, epopéias com temática do Velho Oeste e influências R&B [...] para capitalizar com o fenômeno R&B/pop de meados dos anos 90".[162] Ela não fez uso do vibrato, uma característica marcante em seus trabalhos anteriores, e cantou em registros mais elevados, revelando "cores vibrantes e previamente inexploradas de sua voz", além de um "falsete surpreendentemente cheio de alma" na canção "One by One".[161] [257] Seu álbum Believe (1998) é, de acordo com a revista Billboard, "sabiamente direcionado ao seu ávido público europeu, com várias faixas rápidas e açucaradas que incorporam ao mesmo tempo o funk mais lento que as rádios americanas adotam regularmente".[174] A faixa-título contou com manipulações eletrônicas nos vocais, sugeridas por Cher, que deixaram sua voz "robotizada, como se saísse de uma máquina".[174] [258] O efeito, chamado Auto-Tune, ficou conhecido como "Cher effect", foi imitado por inúmeros artistas e, mais tarde, recebeu crédito por "ter revolucionado a forma de se fazer música".[258] [259] Seu álbum seguinte, Living Proof (2001), produziu faixas com batidas eletrônicas pesadas e letras sobre mágoa, solidão e sobrevivência. Para Kerry L. Smith, do Allmusic, "canções sobre força e perseverança não são nenhuma anomalia para uma mulher que conseguiu manter uma carreira que já dura quatro décadas; [...] Mas o álbum perde seu brilho cada vez que o auto-tuner entra em ação, contorcendo a voz profunda e sexy da cantora em algum tipo de dialeto robô eletrônico enlatado."[260]

Cher registra uma extensão vocal que se estende de Lá 2 em "The Gunman" (00:00), do álbum It's a Man's World (1995), até Fá 6 em "Just This One Time" (00:04), do álbum Stars (1975). Ela sustentou sua nota mais longa por 20 segundos na canção "The Man I Love" (00:09), do álbum Bittersweet White Light (1973)

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Cher foi elogiada por seus esforços como compositora, particularmente no álbum Not.com.mercial (2000), o único trabalho de sua carreira composto quase inteiramente por ela mesma. Jose F. Promis, do Allmusic, disse que "o álbum traz uma sensação de cantautor dos anos 70. [...] As canções variam seu ritmo de lento para médio e têm letras bastante envolventes, provando a aptidão de Cher no papel de contadora de histórias."[261] Outra composição sua, "My Song", escrita para seu álbum Take Me Home (1979) em parceria com o músico Mark Hudson e que fala sobre seu relacionamento com Gregg Allman, foi descrita por Keith Tuber, da Orange Coast Magazine, como "psicologicamente reveladora". Ele completa que, "apesar de algumas partes da letra serem forçadas e não naturais, sua honestidade e o sentimento posto nela mais do que compensam. [...] Comovente, triste, trágica, verdadeira. E lindamente gravada."[262] Vocalmente, Cher é conhecida por seu timbre grave, descrito como "volumoso", "escuro", "rouco" e "gutural" e classificado como contralto.[263] [264] [265] Ela possui uma extensão vocal de 3,5 oitavas (ver ao lado).[266] Para o jornalista Robert Fontenot, "Cher possuía uma das melhores e mais raras vozes de seu tempo".[267] Ann Powers, do The New York Times, descreveu sua voz como "de rock por excelência: impura, peculiar, um bom veículo para projetar personalidade" e enfatizou que "mesmo as manipulações de computador que ela sofre em 'Believe' não a fazem soar como a voz de qualquer outra pessoa."[268]

Legado e imagem pública[editar | editar código-fonte]

Cher, vista aqui em cena de um esquete do The Sonny and Cher Show, é reconhecida como a primeira mulher a mostrar o umbigo na televisão

Cher apareceu 13 vezes na capa da revista People.[269] Ela figurou duas vezes na lista anual das "25 pessoas mais intrigantes" publicada pela revista, em 1975 e 1987.[270] [271] Ela também foi destaque na lista das "100 maiores estrelas de cinema do nosso tempo" compilada pela publicação.[132] Em 1992, o museu Madame Tussauds a considerou uma das cinco mulheres mais bonitas da história.[272] Em 1999, ela recebeu o Legend Award no World Music Awards por sua "contribuição para a indústria musical ao longo da vida".[273] Em 2001, a revista Biography, da rede de televisão A&E, a classificou como a terceira atriz favorita de Hollywood de todos os tempos, atrás de dois de seus ídolos, Audrey Hepburn e Katharine Hepburn.[274] Em 2002, ela foi homenageada com o Artist Achievement Award pelo Billboard Music Awards por "ter ajudado a redefinir a música popular com enorme sucesso nas paradas da Billboard".[208] Em 2010, ela foi incluída na 44ª posição na lista das "75 maiores mulheres de todos os tempos" publicada pela revista Esquire.[275] Cher vendeu mais de 100 milhões de álbuns em todo mundo.[5] Esta marca torna-se única considerando-se que a cantora estrelou dois programas de variedades bem-sucedidos na televisão, o que permitiu, segundo Keith Tuber, da Orange Coast Magazine, "que as pessoas pudessem vê-la e ouvi-la sem ter que comprar seus álbuns."[262]

Desde a década de 1960, Cher foi uma criadora de tendências de moda, popularizando os cabelos lisos e longos, as calças boca-de-sino (que são muitas vezes citadas como uma criação sua) e a barriga exposta.[37] [276] Ela começou a trabalhar como modelo em 1967 para o fotógrafo Richard Avedon, após ser descoberta pela então diretora da revista Vogue, Diana Vreeland.[277] Cher foi cinco vezes capa da Vogue, entre 1972 e 1975.[278] Através de seus programas de televisão na década de 1970, ela se tornou um símbolo sexual e desafiou a censura com seus vestidos e conjuntos ousados, usualmente desenhados por Bob Mackie. Ela é reconhecida como a primeira mulher a mostrar o umbigo na história da televisão.[276] [127] De acordo com a escritora Sheila Whiteley, "a influência de Mackie e Cher foi responsável pelo sucesso do jeans de cós baixo que mostrava a barriga nos anos 70."[279] O Los Angeles Times escreveu que "eles não fazem mais ícones de estilo como Cher. Desde o início de sua carreira, [...] ela entendeu que cultivar um visual era tão importante quanto cultivar uma sonoridade. Ao contrário das estrelas de hoje, ela não era um outdoor à venda pela melhor oferta. Ela era a boneca Barbie do mundo, uma fantasia viva da moda [...] que frequentava simultaneamente as listas dos mais bem e mal vestidos. Ame-a ou odeie-a, ela sempre nos mantém interessados."[228] Seu videoclipe de "Hell on Wheels" (1979) mantém a distinção de ser um dos primeiros vídeos rock a ser produzido no padrão da MTV, antes mesmo de sua existência.[88] Em 1989, ela embarcou no navio USS Missouri (BB-63), da Marinha dos Estados Unidos, vestindo apenas uma meia arrastão para o videoclipe de "If I Could Turn Back Time", que foi o primeiro a ser banido pela MTV na história (sua popularidade cresceu após a censura, o que fez com que o canal concordasse em exibi-lo a partir das 9 horas da noite).[280] [281] [269]

Alguns dos figurinos usados por Cher na Living Proof: The Farewell Tour

O senso de estilo ultrajante de Cher tem sido celebrado e ao mesmo tempo renegado ao longo dos anos. Em maio de 1999, após ela ter sido homenageada pelo Council of Fashion Designers of America com um prêmio especial por sua influência na moda, o Los Angeles Times publicou que "ao invés de ser retratada nos livros de história como uma das mais importantes vítimas do mundo da moda, o tempo a transformou em uma visionária. Estilistas influentes têm evocado seu nome como uma fonte de inspiração e orientação [citando, entre outros nomes, Tom Ford, Anna Sui e Dolce & Gabbana] por dar o tom adequado ao miserável excesso contemporâneo. O penteado que é sua marca registrada – cabeleira lisa e reta partida ao meio – foi um dos poucos estilos nostálgicos a dar o salto das passarelas para Hollywood e para as ruas da cidade. [...] Sua personalidade de showgirl sensual nativo-americana agora parece resumir a corrida da indústria da moda para comemorar os adornos, a etnia e o apelo sexual."[282] Whiteley escreveu que "apesar de Cher ter se tornado um dos maiores ícones americanos da década de 1990, sua imagem extravagante continua a atrair tanta ou mais atenção do que sua capacidade como cantora, reforçando o fato de que uma boa voz (e seus vocais poderosos são significativos em termos de entrega) é menos importante no cenário pop do que o seu muitas vezes duvidoso senso de moda." O figurino "preto, parecido com uma aranha, aberto no tronco e acompanhado de um cocar de penas" que ela usou no Oscar de 1986 foi descrito por ele como "um dos mais chocantes na história da moda". Ela também é conhecida por suas perucas. De acordo com Whiteley, "no encarte do álbum Living Proof (2001), seu estilo varia entre cachos castanhos de boneca de pano, loiro Brünhild e muitos tons de branco, cinza e preto."[279]

Cher como destaque na capa de 17 de março de 1975 da revista Time, fotografada por Richard Avedon. O vestido é uma criação do estilista Bob Mackie

O sucesso duradouro de Cher em várias áreas do entretenimento a fez ser apelidada de "Deusa do Pop".[283] [284] O escritor Alan Jackson escreveu: "Esqueça Madonna. Em uma cultura moldada pela nossa própria inconstância e déficit de atenção, Cher é um fenômeno. Modas vêm e vão [...], mas ela resiste. Hippie-chick, extravagância de Vegas, cod-metal, baladas poderosas? Ela esteve lá, fez tudo isso e muito mais."[285] Para a jornalista Lucy O'Brien, "Cher adere ao Sonho Americano da auto-reinvenção: 'Envelhecer não significa tornar-se obsoleto'".[286] Ela também escreveu, em seu livro She Bop II: The Definitive History of Women in Rock, Pop and Soul, que "a rainha das garotas roqueiras dos anos 80 só poderia ser Cher. [...] Com seus cabelos em cascata, sua tatuagem no traseiro, meias arrastão e romances bem divulgados com jovens heróis do heavy metal [...], era como se ela estivesse interpretando o papel de estrela do rock."[287] O escritor Craig Crawford escreveu, em seu livro The Politics of Life: 25 Rules for Survival in a Brutal and Manipulative World, que "Cher [...] é um modelo de gestão de carreira flexível. [...] Embora ela tenha cultivado de maneira competente a imagem de uma rebelde que não se importa com o que os outros acham, suas muitas e variadas vitórias na carreira foram, na verdade, baseadas na constante reinvenção de sua imagem de acordo com o que as pessoas pensam. [...] Ela seguiu cuidadosamente as demandas do mercado cultural, anunciando cada reviravolta dramática de estilo como outro exemplo de rebeldia – uma situação que permitiu a ela fazer mudanças calculadas ao mesmo tempo em que parecia ser consistente."[288] Whiteley afirmou que "ela exerce um forte apelo que não se limita aos seus fãs mais antigos. Embora isso possa ser atribuído em partes a um marketing bem-sucedido, [...] a capacidade de Cher para projetar sua juventude [...] é fundamental para manter seu status de 'cantora/atriz/ícone da indestrutibilidade'."[279]

O trabalho de Cher influenciou artistas de várias áreas do entretenimento, incluindo Beyoncé,[289] Boney M,[290] Britney Spears,[291] Captain & Tennille,[292] Carpenters,[292] Céline Dion,[291] Chrissie Hynde,[293] Christina Aguilera,[294] Drew Barrymore,[295] Eros Ramazzotti,[296] Eurythmics,[292] Jennifer Lopez,[297] Lady Gaga,[298] Madonna,[291] Marilyn McCoo & Billy Davis, Jr.[292] e Meat Loaf.[291] Ela inspirou e foi mencionada nas canções "Chance to Advance" (D12),[299] "Did It On'em" (Nicki Minaj),[300] "Hammerhead" (David Bowie),[301] "Lullaby" (Shawn Mullins),[302] "Redneck" (Jerry Lee Lewis),[303] "Rockstar" (Nickelback),[304] "She Don't Use Jelly" (Flaming Lips),[305] "Snow Queen" (Elton John)[306] e "Stuck in the Moment" (Justin Bieber).[307]

Tatuagens[editar | editar código-fonte]

A tatuagem de borboleta com desenho floral nas nádegas é uma das mais famosas de Cher

Cher se tornou conhecida por suas tatuagens antes de elas se tornarem uma tendência de moda entre as mulheres.[308] Segundo o site Vanishing Tattoo, "Cher foi uma das primeiras celebridades a abraçar aberta e entusiasticamente as tatuagens e a arte corporal e, com seu ultrajante senso de estilo e moda, desempenhou um papel fundamental na aceitação das tatuagens na cultura popular mainstream."[309] Ainda segundo o site, "sua influência pode ser vista nas primeiras supermodelos que tiveram tatuagens".[310] Entre suas tatuagens estiveram uma grande borboleta com desenho floral em suas nádegas, um colar em seu braço esquerdo com três amuletos pendurados: o símbolo egípcio ankh, uma cruz e um coração; um kanji em seu ombro direito, um pequeno grupo de cristais no estilo da art déco em seu braço direito, uma orquídea negra no lado direito da sua virilha e um crisântemo em seu tornozelo esquerdo.[311]

No final da década de 1990, Cher passou a fazer tratamentos para remover algumas de suas tatuagens.[312] [313] O processo continuou em andamento na década de 2000.[314] "Quando eu me tatuei," ela disse, "apenas meninas más faziam isso: eu e Janis Joplin e garotas motoqueiras. Agora isso não significa nada. Ninguém fica surpreso. Eu fiz uma tatuagem assim que deixei Sonny [Bono] e me senti realmente independente. Esse era o meu emblema."[314]

Cirurgias plásticas[editar | editar código-fonte]

Cher (direita), vista aqui ao lado de Farrah Fawcett em 1976, foi acusada de substituir seu visual "forte" e "étnico" por uma versão mais "delicada" e "convencional" da beleza feminina

A aparência de Cher tem sido objeto de intensas discussões, tanto por parte do público quanto por parte da imprensa. Grant David McCracken comentou, em seu livro Transformations: Identity Construction in Contemporary Culture, que ela "tem sido chamada de 'garota-propaganda' da cirurgia plástica." O escritor também traçou um paralelo entre suas cirurgias plásticas e as transformações em sua carreira: "Não há registro público de quando [...] ela escolheu recorrer às cirurgias plásticas. Mas parece mais ou menos coerente com o resto de sua mutante carreira. Sua cirurgia plástica não é meramente estética. Ela é hiperbólica, extrema, exagerada. Ela se envolveu em uma tecnologia transformacional que é drástica e irreversível."[315] [316] De acordo com a autora do livro Up Against Foucault: Explorations of Some Tensions Between Foucault and Feminism, Caroline Ramazanoglu, "suas operações substituiram pouco a pouco um visual forte e decididamente 'étnico' por uma versão simétrica, delicada, 'convencional' (isto é, anglo-saxônica) e cada vez mais jovem da beleza feminina. Ela admite ter tido seus seios 'feitos', seu nariz diminuído e seus dentes endireitados; dizem que ela também teve uma costela removida, o bumbum remodelado e implantes nas bochechas. [...] Sua imagem normalizada [...] agora serve como um 'padrão' pelo qual outras mulheres irão medir, julgar, disciplinar e 'corrigir' a si mesmas."[317] Cher nega a maioria dos rumores sobre suas cirurgias plásticas e afirmou: "Eu tive as mesmas bochechas durante toda minha vida. Sem plásticas no bumbum. Sem costelas removidas. [...] Se eu quiser colocar meus peitos nas minhas costas, não vai ser da conta de ninguém se não da minha."[318]

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Trabalho humanitário[editar | editar código-fonte]

Os esforços filantrópicos de Cher incluem principalmente o apoio a pesquisas de saúde para a melhoria da qualidade de vida de pacientes, a defesa dos direitos de militares veteranos, o apoio a iniciativas de combate à pobreza e o auxílio a crianças vulneráveis. Desde 1990, ela serve como doadora, presidente nacional e porta-voz honorária da Children's Craniofacial Association, associação que tem como objetivo capacitar e dar esperanças a crianças facialmente desfiguradas e seus familiares. A associação promove anualmente o Cher's Family Retreat, evento que provém a pacientes com problemas crânio-faciais e seus familiares a oportunidade de interagir com outras pessoas que tenham passado por experiências semelhantes.[319] Ao longo dos anos, durante suas turnês, ela doou frequentemente ingressos e passagens para os bastidores para famílias e grupos sem fins lucrativos que beneficiam crianças e jovens com deformidades faciais.[320] Ela também apoia e promove a organização Get A-Head Charitable Trust, que visa melhorar a qualidade de vida de pessoas com doenças na cabeça e no pescoço.[319] Em 1993, ela participou de um esforço humanitário na Armênia (seu pai era um refugiado armeno-americano), levando comida e suprimentos médicos para a região devastada pela guerra. Ela também tem sua própria fundação, a Cher Charitable Foundation, que contribui com recursos financeiros para instituições de caridade e causas que a comovem.[320]

Cher tem sido uma ativista vocal e defensora assídua dos soldados americanos e dos veteranos que retornaram da zona de guerra. Ela doou 130 mil dólares para a Operation Helmet, organização que fornece kits de capacetes gratuitos para as tropas no Iraque e Afeganistão.[319] [321] Ela também contribuiu para o Intrepid Fallen Heroes Fund, programa que ajuda na reabilitação de militares gravemente feridos em operações de guerra.[319] Ela esteve engajada na construção de casas promovida pela organização Habitat for Humanity, que tem como meta a eliminação de condições de moradia inadequadas, e serviu como presidente nacional honorária da iniciativa "Raise the Roof", que busca envolver artistas no trabalho da organização. Ela também é doadora, arrecadadora de fundos e porta-voz internacional da organização Keep a Child Alive, que visa acelerar as ações para combater a AIDS, incluindo o fornecimento de medicamento anti-retroviral para crianças e suas famílias com HIV.[319]

Mais recentemente, Cher esteve envolvida na construção de uma escola em Ukunda, no Quênia. A Peace Village School fornece alimentação balanceada, assistência médica, educação e atividades extracurriculares para mais de 300 órfãos e crianças vulneráveis​​, com idades entre 2 e 13 anos. O apoio da artista permitiu à escola adquirir terreno e construir moradias permanentes, além de novas instalações. Em parceria com a Malaria No More e outras organizações, ela também coordena um programa que busca erradicar a mortalidade e morbidade por malária na comunidade.[319]

Interesses políticos[editar | editar código-fonte]

Cher apoiou Hillary Clinton (imagem) em sua campanha presidencial

Cher é considerada uma democrata e participou de várias convenções e eventos do Partido Democrata, apesar de se dizer não registrada.[230] [322] [323] Ao longo dos anos, ela se tornou conhecida por suas visões políticas, tendo sido uma crítica ferrenha do movimento conservador.[324] Ela chegou a afirmar que "não entende como alguém pode querer se tornar um republicano", justificando que os oito anos sob a administração de George W. Bush "quase me mataram".[322] Durante as eleições presidenciais de 2000, o site ABC News noticiou que ela estava determinada a "fazer o que for possível para mantê-lo [Bush] longe do cargo". Ela disse ao site: "Se você é negro, mulher ou qualquer minoria neste país, o que o motivaria a votar em um republicano? [...] Você não terá um único direito sobrando." Sobre Bush, ela disse: "Eu não gosto de Bush. Eu não confio nele. Eu não gosto de sua reputação. Ele é estúpido e preguiçoso."[323]

Em 27 de outubro de 2003, Cher ligou para um programa da emissora política de televisão a cabo C-SPAN e contou sobre uma visita que fez a soldados mutilados no hospital Walter Reed Army Medical Center, criticando a falta de cobertura da mídia e atenção do governo aos militares feridos. Ela também comentou que assiste ao canal todos os dias. Embora tenha se identificado como uma "artista sem nome", ela foi reconhecida pelo apresentador, que questionou seu apoio ao candidato presidencial independente Ross Perot em 1992. Ela disse: "Quando ouvi seu discurso, logo no início, achei que ele poderia trazer algum tipo de abordagem de negócios [...] e menos partidarismo, mas depois, claro, eu, como todo mundo, fiquei completamente decepcionada por ele ter simplesmente desistido e fugido sem que ninguém soubesse explicar exatamente o porquê."[325] Em 2006, ela ligou novamente para a C-SPAN na semana do Memorial Day, dessa vez representando a Operation Helmet, organização sem fins lucrativos que fornece capacetes para prevenir lesões na cabeça dos soldados em zona de guerra.[326] Um mês depois, ela apareceu ao vivo no canal com o Dr. Bob Meaders, fundador da causa.[327] No mesmo ano, ela explicou ao jornal americano Stars and Stripes seu posicionamento "contra a guerra do Iraque, mas a favor das tropas": "Eu não sou obrigada a ser a favor desta guerra para apoiar as tropas, porque estes homens e mulheres fazem o que acham certo e o que lhes mandam fazer. [...] Eles fazem o melhor que podem."[321]

Cher apoiou Hillary Clinton em sua campanha presidencial: "Eu gosto de Hillary e acho que ela daria a melhor presidente. Considero Barack Obama um homem bom, altruísta [... e] inteligente e acho que em algum momento ele pode se tornar um grande líder. Só não acho que seja agora."[328] Após Obama ganhar a nomeação democrata, ela apoiou sua candidatura em programas de televisão.[230] [329] No entanto, ela disse à revista Vanity Fair em 2010 que ainda acha que Hillary teria feito um trabalho melhor, embora aceite o fato de que Obama tenha herdado problemas insuperáveis​​.[27] Na entrevista, ela também se posicionou contra as políticas americanas Sarah Palin ("Quando ela chegou, eu pensei: 'Ah, droga, isto é o fim'. Porque uma mulher burra é uma mulher burra") e Jan Brewer, então governadora do Arizona, que liderou a repressão à imigração no estado: "Ela é pior do que Sarah Palin, se é que isso é possível. [...] Ela manipula os serviços do Estado, mas eu não a deixaria manipular um controle remoto."[324]

Discografia[editar | editar código-fonte]

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Lista de papéis no cinema
Ano Título Título em português Papel Notas[330]
1965 Wild on the Beach[331] Ela mesma Participação especial
1967 Good Times Ela mesma
1969 Chastity Chastity
1982 Come Back to the Five and Dime, Jimmy Dean, Jimmy Dean br: James Dean, o Mito Sobrevive; pt: Volta Jimmy Dean, Volta Para Nós Sissy Indicada — Globo de OuroMelhor atriz coadjuvante em cinema
Segundo lugar — Los Angeles Film Critics Association Award – Melhor atriz coadjuvante
1983 Silkwood br: Silkwood - O Retrato de uma Coragem; pt: Reacção em Cadeia Dolly Pelliker Globo de Ouro – Melhor atriz coadjuvante em cinema
Indicada — BAFTA[desambiguação necessária] – Melhor atriz coadjuvante
Indicada — OscarMelhor atriz coadjuvante
1985 Mask br: Marcas do Destino; pt: Máscara Florence 'Rusty' Dennis Festival de CannesPrêmio de interpretação feminina Empatado com Norma Aleandro por La Historia Oficial
Indicada — Globo de Ouro – Melhor atriz em filme dramático
1987 Suspect br/pt: Sob Suspeita Kathleen Riley
1987 Witches of Eastwick, TheThe Witches of Eastwick br/pt: As Bruxas de Eastwick Alexandra Medford
1987 Moonstruck br: Feitiço da Lua; pt: O Feitiço da Lua Loretta Castorini David di Donatello – Melhor atriz estrangeira
Globo de Ouro – Melhor atriz em cinema - comédia ou musical
Italian National Syndicate of Film Journalists – Melhor atriz em filme estrangeiro Empatado com Stéphane Audran por Babettes gæstebud
Kansas City Film Critics Circle Award – Melhor atriz
Oscar – Melhor atriz
Indicada — BAFTA – Melhor atriz
Indicada — Sant Jordi Award – Melhor atriz estrangeira
1990 Mermaids br: Minha Mãe É uma Sereia; pt: A Minha Mãe É uma Sereia Rachel Flax
1992 Player, TheThe Player br/pt: O Jogador Ela mesma Participação especial
1994 Prêt-à-Porter pt: Pronto-a-Vestir Ela mesma Participação especial
1996 Faithful br: Fiel, Mas Nem Tanto; pt: Fielmente Teu Margaret
1999 Tea with Mussolini br/pt: Chá com Mussolini Elsa Morganthal Strauss-Almerson
2003 Stuck on You br: Ligado em Você; pt: Agarrado a Ti Cher/Honey Garriet
2010 Burlesque Tess Satellite Award – Melhor canção original Dividido com Diane Warren (compositora) pela canção "You Haven't Seen the Last of Me"
Indicada — Critics' Choice Award – Melhor canção original Dividido com Diane Warren (compositora) pela canção "You Haven't Seen the Last of Me"
Indicada — World Soundtrack Award – Melhor canção original escrita diretamente para um filme Dividido com Diane Warren (compositora) pela canção "You Haven't Seen the Last of Me"
2011 Zookeeper br: O Zelador Animal; pt: O Guarda do Zoo Janet, a Leoa Voz
Lista de papéis, especiais e programas na televisão
Ano Título Papel Notas[330]
1967 Man from U.N.C.L.E., TheThe Man from U.N.C.L.E.[332] Ramona Episódio: "The Hot Number Affair"
1970 Sonny & Cher Nitty Gritty Hour, TheThe Sonny & Cher Nitty Gritty Hour Ela mesma
1971 Love, American Style[333] Ela mesma Episódio: "Love and the Sack"
1971–
1974
Sonny & Cher Comedy Hour, TheThe Sonny & Cher Comedy Hour Ela mesma (co-apresentadora)/
vários personagens
Globo de Ouro — Melhor atriz em televisão – comédia ou musical Empatado com Jean Stapleton por All in the Family
Indicada — Emmy Award – Melhor programa de variedades ou música (1972, 1973, 1974)
Indicada — Emmy Award – Melhor programa único de variedades ou música pelo episódio de 31 de janeiro de 1972
1972 The New Scooby-Doo Movies[334] Ela mesma Episódio: "The Secret of Shark Island" (voz)
1975–
1976
Cher Show, TheThe Cher Show Ela mesma (apresentadora)/
vários personagens
Indicada — Emmy Award – Melhor programa de variedades, música ou comédia
1976–
1977
Sonny and Cher Show, TheThe Sonny and Cher Show Ela mesma (co-apresentadora)/
vários personagens
1978 Cher… Special Ela mesma/vários personagens
1979 Cher… And Other Fantasies Ela mesma
1983 Cher: A Celebration at Caesars[330] Ela mesma CableACE Award – Atriz em um programa de variedades
1990 Cher Extravaganza: Live at the Mirage Ela mesma
1996 If These Walls Could Talk Dra. Beth Thompson Título em português: O Preço de Uma Escolha (br); Perseguidas (pt)
Também diretora (segmento "1996")[335]
Indicada — Globo de Ouro – Melhor atriz coadjuvante em televisão
Indicada — Satellite Award – Melhor atriz coadjuvante em televisão
1998 Sonny & Me: Cher Remembers Ela mesma
1999 VH1 Divas Live 2 Ela mesma
1999 Cher: Live at the MGM Grand in Las Vegas Ela mesma Indicada — Emmy Award – Melhor desempenho individual em um programa de variedades ou música
2000–
2002
Will & Grace Ela mesma Episódios: "Gypsies, Tramps and Weed" e "A.I.: Artificial Insemination"[336]
2002 VH1 Divas Las Vegas Ela mesma
2003 Cher: The Farewell Tour Ela mesma Emmy Award – Melhor especial de variedades, música ou comédia
2011 Becoming Chaz Ela mesma
2013 Dear Mom, Love Cher Ela mesma
The Voice Ela mesma Mentora da equipe de Blake Shelton

Outros trabalhos[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Cher Overview (em inglês) AllMusic Rovi Corporation. Visitado em 13 de janeiro de 2012.
  2. a b c d e f Cher Biography (em inglês) Yahoo! Movies. Visitado em 28 de janeiro de 2007.
  3. http://www.goldminemag.com/blogs/rock-hall-of-fame-would-be-a-lot-sunnier-with-cher
  4. Cher faz lembrar Michael Jackson Jornal de Angola SAPO (12 de setembro de 2011). Visitado em 13 de janeiro de 2012.
  5. a b Cher inks 3-year deal for Caesars Palace shows (em inglês) MSNBC Associated Press (7 de julho de 2008). Visitado em 13 de janeiro de 2012.
  6. 1638/Cher Pronunciation of Cher (em inglês) inogolo. Visitado em 26 de maio de 2010.
  7. Reitwiesner, William Addams. Ancestry of Cher (em inglês) WARGS. Visitado em 4 de agosto de 2011.
  8. Cheever, Susan (17 de maio de 1993). In a Broken Land (em inglês) People Time Inc.. Visitado em 4 de setembro de 2011.
  9. Berman & Napsha 2001, p. 17
  10. a b Berman & Napsha 2001, p. 18
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  12. a b Berman & Napsha 2001, p. 21
  13. Berman & Napsha 2001, p. 22
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  16. a b Berman & Napsha 2001, p. 27
  17. Barkan 2001, p. 333
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