Supermodelo

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A supermodelo mais bem paga do mundo, a brasileira Gisele Bündchen.[1]

Supermodelo é uma modelo de elite, que ganha salários milionários, é conhecida mundialmente e está vinculada ao mundo da moda.[2] O termo começou a tornar-se popular a partir dos anos 1980.[3]

Aplicação[editar | editar código-fonte]

As modelos de elite, às quais se aplica o termo "supermodelo", frequentemente compartilham características similares: têm grande reputação na indústria da moda, trabalham para grandes estilistas e marcas, fazem contratos e campanhas de milhões de dólares e seus nomes se tornam familiares ao grande público, gozando de reconhecimento mundial associado à sua profissão de modelo. [4] [5] [6] Geralmente, estão nas capas de grandes revistas a nível mundial.

Como Claudia Schiffer declarou, "para alguém se tornar uma supermodelo, tem de estar em todas as capas por todo o mundo ao mesmo tempo, para que as pessoas a possam reconhecer". [7] [8] Ser reconhecida pelo primeiro nome é um forte indicativo do status de uma supermodelo na indústria da moda. [9]

História[editar | editar código-fonte]

Origens do termo[editar | editar código-fonte]

De acordo com Model: The Ugly Business of Beautiful Women de Michael Gross, o primeiro uso conhecido do termo "supermodel" ("supermodelo") foi nos anos 1940 por um agente chamado Clyde Matthew Dessner num manual que ele escreveu sobre modelos. [9] O termo "supermodelo" só entrou para a cultura popular a partir dos anos 1980 com as modelos Janice Dickinson e Christie Brinkley.

Janice Dickinson freqüentemente afirma ter sido a inventora do termo. Numa entrevista, Janice afirmou ter criado a palavra "supermodel" em 1979, como uma palavra-valise unindo superman e model. De acordo com ela, sua agente Monique Pilar da Elite Modeling Agency, perguntou-lhe: "Janice, com tanto trabalho quem você pensa que é, Super-Homem?". E ela replicou dizendo, "não... eu sou uma supermodelo querida e você vai se referir a mim como uma supermodelo e vamos criar uma categoria de supermodelos". Dickinson também afirma ter sido a primeira supermodelo. [10]

Todavia, a edição estadunidense da Vogue usou o termo "supermodel" em sua capa para descrever Margaux Hemingway (neta do famoso escritor Ernest Hemingway), na edição de 1 de Setembro de 1975. [11] A revista TIME já havia descrito a britânica Jean Shrimpton quatro anos antes como tal e a Vogue britânica já classificava Shrimpton como supermodelo desde os anos 60, quando ela era a maior, mais popular e mais bem paga modelo do mundo.[12]

A primeira supermodelo[editar | editar código-fonte]

Lisa Fonssagrives é considerada por várias fontes da indústria da moda como a primeira supermodelo do mundo. Fonssagrives foi uma figura recorrente nas grandes revistas de moda e de assuntos gerais dos anos 1930 aos anos 1950, incluindo Town & Country, Life, Vogue, na Vanity Fair original e revista Time. A relação entre a imagem dela em mais de 200 capas da Vogue e o reconhecimento do seu nome conduziram à importância da Vogue em moldar o futuro das supermodelos. [13] [14]

Anos 1960-1970[editar | editar código-fonte]

Wilhelmina, fotografada em fins dos anos 1950 (ou no início dos anos 1960) por Edgar de Evia.

Em 1968, um artigo em Glamour descreveu Twiggy, Cheryl Tiegs, Wilhelmina, Veruschka, Jean Shrimpton e quinze outras top models como "supermodelos."[15] O termo supermodelo entrou em uso na década de 1960 por analogia com os superstars de Andy Warhol.

Nos anos 1970, algumas modelos tornaram-se mais destacadas a medida em que seus nomes tornavam-se mais conhecidos pelo público em geral. Em 1975, Margaux Hemingway assinou um contrato milionário então sem precedentes para ser o rosto do perfume Babe de Fabergé e no mesmo ano apareceu na capa da revista Time, rotulada como uma das "New Beauties" ("Novas Belezas"), dando um reconhecimento adicional às modelos.[16] Lauren Hutton[17] foi a primera modelo a obter um grande contrato com uma companhia de cosmética e apareceu na capa da Vogue 25 vezes.[18] Donyale Luna tornou-se a primeiro modelo afro-americana a aparecer na capa da Vogue, na edição inglesa de março de 1966.[19] A primeira modelo afro-americana a aparecer na capa da Vogue americana foi Beverly Johnson, em 1974.[20]

Anos 1980-1990[editar | editar código-fonte]

Christie Brinkley
Linda Evangelista

No início dos anos 1980, Inès de la Fressange foi a primeira modelo a assinar um contrato de exclusividade com uma maison de alta-costura, Chanel.[21] Durante o início da década de 1980, os designers de moda começaram a anunciar em televisão e outdoors. As modelos tornaram-se individualmente familiares às massas, não mais rostos sem nome. Frequentadoras das passarelas tais como Gia Carangi,[22] Carol Alt, Cheryl Tiegs,[22] Renée Simonsen, Kim Alexis,[22] Christie Brinkley,[23] [24] Elle MacPherson e Paulina Porizkova começaram a avalizar produtos com seus nomes, bem como com seus rostos, indo desde Diet Pepsi até caminhões da Ford. A medida em que as modelos aderiam ao velho glamour, começaram a substituir as estrelas de cinema como referências de luxo e riqueza. A esse respeito, muitos passaram a encarar as supermodelos não mais como indivíduos, mas como imagens simbólicas.[25]

Por volta dos anos 1990, as supermodelos tornaram-se crescentemente proeminentes na mídia.[9] O termo tornou-se equivalente a superstar, posto que sua fama elevou-se acima das meras "celebridades". Elas passaram a frequentar talk shows, a ser citadas em colunas de mexericos, a festejar nos pontos de vida noturna mais badalados,[25] a participar em filmes, inspirar franquias, namorar ou casar com astros de cinema (ou dos esportes) e faturar milhões de dólares.[24] A fama possibilitou que assumissem o controle de suas próprias carreiras, fizessem seu próprio marketing e recebessem altos rendimentos.

Quando Linda Evangelista mencionou à Vogue que "nós não saímos da cama por menos de USD$ 10.000 por dia",[26] pode ter brincado de representar uma sindicalista de luxo, mas o comentário de 1990 tornou-se a citação mais notória da história das modelos. Em 1991, Christy Turlington assinou um contrato com Maybelline, que lhe pagou USD$ 800.000 por doze dias de trabalho por ano. Quatro anos depois, Claudia Schiffer alegadamente recebeu USD$ 12 milhões por vários contratos como modelo.[25] Autoridades tais como Karl Lagerfeld ou a revista Time declararam que as supermodelos eram mais glamourosas que estrelas de cinema.

Embora muitas modelos tenham sido citadas como supermodelos durante esta época, somente as chamadas "Big Six" ("Seis Grandes") eram oficialmente reconhecidas e aceitas pelo mundo da moda como supermodelos: Claudia Schiffer, Cindy Crawford, Kate Moss, Linda Evangelista, Naomi Campbell e Christy Turlington. Elas eram as mais requisitadas e dominavam coletivamente as capas de revistas, desfiles de moda, páginas editoriais e publicidade, tanto impressa quanto radiodifundida.[27] [25] [9] Excluindo Moss, são conhecidas como as "supermodelos originais".

Anos 1990-2000[editar | editar código-fonte]

Nos anos 2000 atrizes, cantores pop e outras celebridades da indústria do entretenimento começaram a substituir gradualmente as modelos nas capas de revista e campanhas publicitárias.[28] O pêndulo da ribalta deixou muitas modelos no anonimato. Uma popular "teoria conspiratória" explica que o desaparecimento das supermodelos se deveu ao fato de designers e editores de moda estarem já "cansados" da atitude "Não vou sair da cama por menos de USD$ 10.000 por dia" e a certeza de que um pequeno grupo de modelos jamais teria o poder das "Big Six" ("Seis Grandes") dos anos 1990.[27]

Charles Gandee, editor associado da Vogue, afirmou na altura que os preços elevados e atitudes menos profissionais também contribuíram para o declínio das supermodelos. Como as roupas se tornaram menos espetaculares e chamativas, os designers voltaram-se para modelos que fossem menos glamourosas, de modo a que não superassem as roupas que vestiam.[27] A maioria das modelos era proveniente de culturas e países não anglófonos,[29] tornando assim mais difícil serem conhecidas nos meios de comunicação e publicidade em países de língua inglesa.[30] As oportunidades das modelos brilharem no mundo da moda foram assim diminuindo. Supermodelos como Tyra Banks[24] e Lisa Snowdon deixaram a moda em maio de 2005, mas Snowdon ainda faz um ou outro trabalho. Banks também posa de vez em quando e participa pontualmente num show de TV para casting de futuras modelos profissionais, America's Next Top Model.

Neste período, os meios de comunicação dedicados à moda aplicam o termo supermodelo unicamente a profissionais que sejam reconhecidas mundialmente e que tenham tido uma vasta experiência no mundo da alta-costura. Geraldine Maillet, uma célebre escritora francesa e ex-modelo, relata com humor e cinismo a ascensão e o declinio das supermodelos no seu livro Presque Top Model (Quase Supermodelo).[31]

A última supermodelo?[editar | editar código-fonte]

Na primeira década do século XXI, as celebridades de Hollywood voltaram a reocupar o espaço perdido para as supermodelos nas décadas anteriores. Segundo declarou Claudia Schiffer, "supermodelos, como fomos um dia, não existem mais".[32] Schiffer, contudo, citou uma exceção, Gisele Bündchen, "a única no mundo a ter notoriedade suficiente para ser considerada uma supermodelo".[32] [33] Modelo mais rica do mundo segundo o Guiness[34] , com uma fortuna em 2007 avaliada em USD$ 70 milhões pela revista Forbes (atualmente, estará na casa dos USD$ 150 milhões[35] ), após ter sido eleita em 1999 como a melhor modelo do mundo pela Vogue America, Gisele passou a ocupar um patamar acima das outras top models, sendo denominada de "übermodel"[35] ("supra-modelo").

Supermodelos masculinos[editar | editar código-fonte]

Tyson Beckford na FashionWeekLive, San Francisco, 2007.

A moda masculina representa apenas uma fração da indústria, mas, não obstante, desempenha seu papel no mundo da moda, embora seja menos compensadora do que sua contrapartida feminina.[36] Entre os supermodelos do passado estão Marcus Schenkenberg, Tyson Beckford, Mark Vanderloo, Antonio Sabàto, Jr. e Michael Bergin.[37]

Críticas[editar | editar código-fonte]

Críticas sobre supermodelos enquanto indústria, tem surgido frequentemente dentro e fora da imprensa ligada à moda, desde reclamações sobre mulheres que almejam esse status tornarem-se demasiado magras,[38] até denúncias de racismo, posto que as "supermodelos" geralmente tem de obedecer a um padrão de beleza da Europa setentrional. De acordo com o editor de moda Guy Trebay do The New York Times, em 2007, o look "androide" é o mais popular, com um corpo magro acompanhado por um olhar vago, de acordo com convenções estabelecidas pela indústria da moda, de forma a realçar a alta-costura.[39] Isto nem sempre foi assim. Nos anos 1970, modelos mais atléticas, negras e com caraterísticas "étnicas" variadas predominavam nas passarelas, mas as mudanças sociais ocorridas desde então permitiram aos principais decisores da indústria de moda fugir a sugestões de "diversidade".

Em outras áreas[editar | editar código-fonte]

"Supermodelo" é também um termo utilizado por matemáticos e fisicos quando tentam construir um modelo baseado num problema em particular e significa um modelo composto por vários sub-modelos interligados.[40]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Gisele Bündchen pode ter casado em segredo Revista Época (fev. 2009). Página visitada em 07-03-2009.
  2. Supermodel. Página visitada em 06-03-2009.
  3. Elle Macpherson. BBC Learning English Entertainment Elle Macpherson (em inglês) BBC. Página visitada em 28-01-2009. "I think that the term supermodel was a very 80s kind of phrase, and it came about because there was a movement where movie industry women in the early 80s they didn’t want to be perceived as sex symbols"
  4. Supermodel por Heidi Klum em randomhouse.com. Consultado em 22 de Julho de 2007. (em inglês)
  5. Model Citizens (em inglês) EntertainmentWeekly.com.. Página visitada em 22 de Julho de 2007.
  6. Kate Patrick (21 de Maio 2005). New Model Army (em inglês) The Scotsman. Página visitada em 7 de Julho de 2006.
  7. Is the Supermodel Dead? And Should She Return? (em inglês) bellasugar.com. Página visitada em 14 de Setembro de 2007.
  8. The supermodel is dead, says Claudia Schiffer (em inglês) thisislondon.co.uk. Página visitada em 17 de Setembro de 2007.
  9. a b c d We Three Queens (em inglês) New York Magazine.
  10. Janice Dickinson: From Model to Mogul (em inglês) etonline.com. Página visitada em 23 de Julho de 2007.
  11. Margaux Louise Hemingway (em inglês). Página visitada em 06-03-2009.
  12. Jean Shrimpton Vogue UK. Página visitada em 03/05/2014.
  13. The First Supermodel (em inglês). e The World's First Supermodel (em inglês).
  14. RANCK, Rosemary (9 de Fevereiro 1997). "The First Supermodel" (em inglês) The New York Times. Página visitada em 21 de Julho de 2007.
  15. Cokal, Susann. St. James Encyclopedia of Popular Culture. 1999. Michigan: Gale Group.
  16. Papa's Little Girl (em inglês) Entertainment Weekly.
  17. SIGNOFF; Maybe Late-Night Success Is About The Smile - The New York Times (em inglês) www.nytimes.com (24 de setembro de 1995). Página visitada em 6 de setembro de 2009.
  18. Biografia de Lauren Hutton no IMDb Acessado em 6 de setembro de 2009 (em inglês)
  19. British Vogue - Cover Search, March 1966, Acessado em 6 de setembro de 2009 (em inglês)
  20. Joy Sewing Beverly Johnson's got the right attitude The Houston Chronicle, Acessado em 6 de setembro de 2009 (em inglês)
  21. Paris Haute Couture Fashion Week: Gaultier’s 51-Year-Old Runway Star: Inès de la Fressange (em inglês) The Wall Street Journal (jan. 2009). Página visitada em 09-03-2009.
  22. a b c Justine Elias. A Chic Heroine, but Not a Pretty Story (em inglês) The New York Times.
  23. Christie Brinkley's biography (em inglês) The New York Times.
  24. a b c The World's Top-Earning Models (em inglês) Forbes Magazine. Cópia arquivada em 2012-05-29.
  25. a b c d 1980s: Fashion: Supermodels (em inglês) bookrags.com. Página visitada em 23 de julho de 2007.
  26. Let’s Talk Models: “We don’t wake up for less than $10,000 a day.” (em inglês) Fashion Mag Daily (jul. 2007). Página visitada em 10-03-2009.
  27. a b c The Fall of the Supermodel (em inglês) Time (revista). Página visitada em 23 de julho de 2007.
  28. C. L. Johnson (21 de outubro 2002). Death of the Supermodels (em inglês) Urban Models. Página visitada em 13 de julho de 2006.
  29. Who will be the next Super Model? (em inglês) NY Times.
  30. Industry Report: Elite Plus (em inglês) models.com. Página visitada em 25 de julho de 2007.
  31. Presque Top Model (em francês).
  32. a b Gisele Bündchen (em português) Dolphins Communications. Página visitada em 12-03-2009.
  33. The supermodel is dead, says Claudia Schiffer (em inglês) Evening Standard (setembro 2007). Página visitada em 12-03-2009.
  34. Gisele entra para o Guiness Book (em português) Portais da Moda (2002). Página visitada em 12-03-2009.
  35. a b Gisele Bündchen: amor e sucesso em equilíbrio (em português) Cláudia. Página visitada em 12-03-2009.
  36. The World's Most Successful Male Models (em inglês). Página visitada em 20 de janeiro de 2009.
  37. Supermodel Pictures and Top Models (em inglês). Página visitada em 20 de janeiro de 2009.
  38. Mundo da moda começa a tratar da aparência não saudável (em português) UOL Mídia Global. Página visitada em 03-02-2007.
  39. Maria Alice Rocha (ago. 2006). Modelo: cabide ou persona (em português) Terra Moda. Página visitada em 12-03-2009.
  40. Questions (And some Answers) (And lots of Opinions) On Shell Theory (em inglês). Página visitada em 12-03-2009.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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