Joan Fontaine

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Joan Fontaine
Joan Fontaine em 1943
Nome completo Joan de Beauvoir de Havilland
Outros nomes Joan Burfield
Nascimento 22 de outubro de 1917
Tóquio, Japão Japão
Nacionalidade Inglaterra Inglesa
Estados Unidos Estadunidense
Morte 15 de dezembro de 2013 (96 anos)
Califórnia, Estados Unidos
Ocupação Atriz
Cônjuge Brian Aherne (1939–1945)
William Dozier (1946–1951)
Collier Young (1952–1961)
Alfred Wright Jr. (1964–1969)
Atividade 1935–1994
Oscares da Academia
Melhor atriz
1941 – Suspicion
Outros prêmios
NYFCC de Melhor Atriz
1941 – Suspicion
IMDb: (inglês)

Joan Fontaine, nome artístico de Joan de Beauvoir de Havilland (Tóquio, 22 de outubro de 1917Carmel-by-the-Sea, 15 de dezembro de 2013), foi uma premiada atriz anglo -americana nascida no Japão. É a única atriz que conseguiu levar um Oscar (o de melhor atriz principal) pela performance num filme do diretor Alfred Hitchcock, o chamado mestre do suspense, que a dirigiu em Rebecca, a mulher inesquecível (no original, "Rebecca", de 1940) e Suspeita ("Suspicion", 1941), tendo sido este último o que lhe rendeu o prêmio.

Filha caçula da também atriz Lillian Fontaine, ela é a irmã mais nova da bicampeã de prêmios Oscar e Globo de Ouro Olivia de Havilland.

Infância e juventude[editar | editar código-fonte]

Batizada como Joan de Beauvoir de Havilland, é a filha mais nova de Walter Augustus de Havilland (1872 - 1968), e de Lilian Augusta Ruse (1886 - 1975). Seu pai era um advogado de patentes inglês que trabalhava no Japão, e sua mãe era uma atriz, também de nacionalidade inglesa, que atuava no teatro. Seus pais se casaram em 1914 e se divorciaram em 1919. Sua irmã mais velha é a também famosa atriz Olivia de Havilland (1916), uma das estrelas do filme E o vento levou (1939). Seu primo paterno é Sir Geoffrey de Havilland (1882 - 1965), pioneiro da aviação britânica e projetista do famoso avião De Havilland Mosquito.

Quando bebê, Joan sofreu de uma anemia, e, por indicação médica, a família mudou-se para os Estados Unidos. Eles estabeleceram-se na cidade de Saratoga, estado da Califórnia. A saúde de Joan melhorou logo depois que a família emigrou. O pai voltou passado algum tempo para o Japão, e o casamento foi dissolvendo-se aos poucos.

Embora tivesse deixado a profissão de atriz para se dedicar a educação das crianças, sua mãe ainda assim não deixou de valorizar as artes, pois sempre lia Shakespeare para as filhas, lhes ensinava dicção e impostação de voz. Em 1925 as meninas "ganharam" um padrasto, pois a mãe casou-se novamente, desta vez com George M. Fontaine, dono de uma loja de departamentos. Foi do sobrenome dele que anos mais tarde Joan "se apossaria" para usar no nome artístico.

Joan e Olivia estudaram na Los Gatos High School e na Notre Dame Convent Roman Catholic Girls School em Belmont, Califórnia.

Aos 15 anos, ela voltou ao Japão onde viveu com seu pai durante dois anos.[1] Quando voltou aos Estado Unidos, seguiu os passos de sua irmã e começou a aparecer em filmes.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Início[editar | editar código-fonte]

Ao voltar para os Estados Unidos em setembro de 1934, foi apresentada à atriz May Robson, iniciando a seguir sua carreira com a peça "Kind Lady" e, logo depois, com sua participação em "Call it a Day". Foi durante uma das apresentações dessa peça no Duffy Theatre, em Hollywood, que ela foi vista pelo produtor Jesse Lasky, resultando num contrato para filmes com a RKO. Sua estreia no cinema ocorreu com uma pequena participação no filme Adeus, senhoras ("No More Ladies", 1935), estrelado por Joan Crawford. Mais tarde ela apareceria na Broadway em "Forty Carats".

Também foi selecionada para aparecer no primeiro filme de Fred Astaire sem Ginger Rogers pela RKO: Cativa e cativante ("A Damsel in Distress", 1937), mas o filme foi um fracasso.

Continuou aparecendo em pequenos papéis numa dúzia de filmes, mas não conseguiu deixar uma forte impressão, e seu contrato não foi renovado quando terminou, em 1939.

Ascensão[editar | editar código-fonte]

com Judith Anderson numa cena do filme Rebecca, a mulher inesquecível ("Rebecca", 1940).
em 1942
em 1945, imagem publicitária do filme Os amores de Suzana ("The Affairs of Susan")

Sua sorte mudou na noite de uma festa na casa de Charlie Chaplin, onde jantava sentada ao lado do produtor David O. Selznick. Ela e Selznick começaram a discutir sobre a novela de Daphne du Maurier Rebecca, e Selzinick a convidou para fazer um teste para a versão cinematográfica do romance, que no Brasil recebeu o título de Rebecca, a mulher inesquecível. O filme marcou a estréia americana do diretor inglês Alfred Hitchcock. Ela enfrentou uma cansativa série de testes para o filme durante 6 meses, junto a centenas de outras atrizes, entre elas Vivien Leigh e Anne Baxter, antes de finalmente ser escolhida para o papel. Em 1940, o filme foi lançado com críticas brilhantes, e, por sua performance, Fontaine foi indicada ao Oscar de melhor atriz, embora não tenha vencido (Ginger Rogers que levou o prêmio naquele ano pela atuação no filme Kitty Foyle).

Depois de "Rebecca", Joan Fontaine voltou a ser dirigida por Hitchcock no filme Suspeita ("Suspicion", 1941). Ela tornou-se, junto com Madeleine Carroll, Ingrid Bergman, Grace Kelly, Vera Miles e Tippi Hedren, uma destas únicas que estrelaram mais de um filme do diretor. Pelo desempenho em Suspeita, Fontaine foi novamente indicada para o Oscar de melhor atriz, concorrendo com outras atrizes como Bette Davis, e sua irmã Olivia de Havilland, que foi indicada pela atuação em A porta de ouro ("Hold Back the Dawn", 1941) e era a "preferida" dos jurados da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas; só que, na última hora, eles se convenceram de que seria Fontaine quem deveria levar a estatueta. O crítico brasileiro de cinema Rubens Ewald Filho explicou recentemente: "Joan Fontaine foi premiada com o Oscar por sua atuação em Suspeita, mas foi uma espécie de 'prêmio de consolação' por ela não ter levado a estatueta pelo papel em Rebecca, também do mesmo Alfred Hitchcock, que a tinha transformado em estrela. […] Mas ela realmente funciona em papéis de vítima, como a mulher apaixonada, frágil e desorientada que não sabe como lidar com a suspeita de que o marido (Cary Grant) seja um assassino […]".[2]

Olivia de Havilland não escondeu sua decepção em relação à perda. A vitória de Joan Fontaine deixou surpresos muitos que esperavam que a grande vencedora fosse De Havilland, e até mesmo a própria Fontaine confessou que não esperava que acabasse se saindo a vencedora. Dessa forma, a atriz tornou-se o único intérprete a ganhar um Oscar de atuação por um filme dirigido por Alfred Hitchcock. Em 1961, Janet Leigh, num filme de Hitchcock, seria indicada ao Oscar de melhor atriz (coadjuvante/secundária) pela atuação no filme Psicose ("Psycho", 1960), o famoso filme de suspense com a cena da moça esfaqueada durante o banho de chuveiro, mas não ganharia.

Ela continuou a fazer sucesso ao longo da década de 1940, destacando-se mais em filmes românticos. Entre seus trabalhos memoráveis durante este tempo também estão De amor também se morre ("The Constant Nymph", 1943, pelo qual recebeu sua terceira e última indicação ao Oscar), Jane Eyre (Idem, 1944), Ivy, a história de uma mulher ("Ivy", 1947), e Carta de uma desconhecida ("Letter from an Unknown Woman", 1948).

No cinema, a atriz contracenou com sua mãe, Lillian Fontaine, em duas ocasiões: em 1947, no filme Ivy, a história de uma mulher, e em 1953, em "The Bigamist" (intitulado O bígamo, no Brasil).

Após 1950[editar | editar código-fonte]

Ivanhoé, o vingador do rei ("Ivanhoe", 1952).

Em meados dos anos 50, quando seu sucesso no cinema diminuiu um pouco, ela passou a dar mais vez ao teatro e também se voltou para a televisão, onde participou de inúmeros episódios de séries de sucesso. Em 1954, atuou na Broadway, ao lado de Anthony Perkins, na peça Chá e Simpatia, que foi um sucesso e lhe rendeu vários elogios.

Em 1956, ela apareceu com Eduard Franz na antológica série da NBC "The Joseph Cotten Show". Ela apareceu como ela mesma, em 1957, no sitcom da CBS "Mr. Adams and Eve", estrelado por Howard Duff e Ida Lupino.

Nos anos 60, continuou a fazer sucesso na Broadway com diversas peças, entre as quais "Dial M for Murder", "Private Lives", "Cactus Flower" e uma produção austríaca de "The Lion in Winter". Nessa mesma década, começou a investir em frutas cítricas, fazendas de gado, petróleo e imóveis. Ela se tornou presidente da Oakhurst Enterprises, uma Corporação da Califórnia formada para gerir suas diversas empresas. Tirou brevê de piloto, foi campeã de balonismo, fez decoração de interiores como profissional, ganhou prêmio em torneio de pesca e ainda ganhou um título de Cordon Bleu em culinária.

Fontaine fez uma participação na ABC no sitcom "The Bing Crosby Show", na temporada 1964 - 1965. Seu último trabalho no cinema foi no filme Bruxa - A face do demônio ("The Witches", 1966), que também co-produziu. Ela passou a aparecer na TV durante as décadas de 1970 e 1980, e foi nomeada para um Emmy pela atuação na série "Ryan's Hope", em 1980.

Sua autobiografia, "No Bed of Roses", foi publicada em 1978. Seu último trabalho ocorreu em 1994, no filme para a TV "Good King Wenceslas".

Possui uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood, localizada em 1645 Vine Street.

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Casamentos e filhos[editar | editar código-fonte]

Joan Fontaine casou-se e divorciou-se 4 vezes,[3] com:

Da união com William Dozier nasceu sua filha, Deborah 'Debbie' Leslie Dozier (nascida em 1948). Fontaine também adotou uma garota peruana que havia fugido de casa, Martita.

Relação familiar[editar | editar código-fonte]

Das duas irmãs, Olivia foi a primeira a se tornar atriz. Quando Joan tentou seguir a mesma profissão, sua mãe, que supostamente favoreceu Olivia, se recusou a deixá-la usar o nome da família. Assim Joan se viu obrigada a inventar um nome, tendo em primeiro Joan Burfield e, posteriormente, Joan Fontaine. Segundo o que conta o biógrafo Charles Higham em sua obra Sisters: The Story of Olivia De Haviland and Joan Fontaine, as irmãs sempre tiveram uma relação difícil, começando na infância, quando Olivia teria rasgado uma roupa de Joan, forçando-a a costurá-la novamente. A rivalidade e o ressentimento entre as irmãs também alegadamente resulta da percepção de Joan em relação ao fato de Olivia ser a filha favorita de sua mãe.

trailer do filme Suspeita ("Suspicion", 1941), com Joan Fontaine.
Olivia de Havilland, irmã mais velha de Joan Fontaine e também atriz, que hoje vive em Paris

Em 1942 as duas irmãs foram nomeadas para o Oscar de melhor atriz. Fontaine foi indicada pela atuação no filme Suspeita ("Suspicion", 1941), de Alfred Hitchcock, e De Havilland foi indicada pela atuação em A porta de ouro ("Hold Back the Dawn", 1941). Fontaine foi quem acabou levando a estatueta. O biógrafo Charles Higham descreveu os eventos da cerimônia de premiação, afirmando que, como Joan avançou empolgada para receber seu prêmio, ela claramente rejeitou as tentativas de Olivia cumprimentá-la, e que Olivia acabou se ofendendo com essa atitude. Higham também afirmou que, depois, Joan sentiu-se culpada pelo que ocorreu na cerimônia de entrega do prêmio. Anos mais tarde, seria a vez de Olivia de Havilland ganhar o prêmio, em 1947, pela atuação no filme Só resta uma lágrima ("To Each His Own", 1946). Segundo o biógrafo, na cerimônia de premiação Joan fez um comentário sobre o então marido de Olivia, que ficou ofendida e não quis receber os cumprimentos de sua irmã por este motivo.

A relação entre as irmãs continuou a deteriorar-se após os dois incidentes. Em 1975, aconteceria algo que faria com que elas deixassem de se falar definitivamente: segundo Joan, Olivia não a convidou para um serviço memorial em homenagem a sua mãe, que havia morrido recentemente. Mais tarde, Olivia afirmou que tentou comunicar a Joan, mas ela se encontrava muito ocupada para atendê-la.

Charles Higham também diz que Joan tem um relacionamento distante com suas próprias filhas, talvez porque tenha descoberto que elas estavam mantendo um relacionamento secreto com a tia Olivia.

Ambas as irmãs sempre se recusaram a comentar publicamente sobre a sua rivalidade e relacionamento familiar. Em uma entrevista de 1978, no entanto, Fontaine disse: "Casei-me primeiro, ganhei um Oscar antes de Olivia e se eu morresse primeiro, sem dúvida ela ficaria lívida porque eu também teria ganhado dela nisso!".[4] Após a morte de Fontaine, De Havilland, de sua casa em Paris, divulgou um comunicado dizendo: Estou chocada e entristecida, e agradeço por todas as expressões de simpatia e gentileza dos fãs.

Morte[editar | editar código-fonte]

Joan Fontaine faleceu no domingo 15 de dezembro de 2013 aos 96 anos de idade[5] - ironicamente a data em que E o vento levou ("Gone with the Wind", 1939), filme que imortalizou sua irmã, Olivia de Havilland, no cinema americano, complatara 74 anos de estreia. Conforme informou Susan Pfeiffer, assistente da atriz, Fontaine faleceu de causas naturais, enquanto dormia. Segundo a amiga Noel Beutel, Joan faleceu "tranquilamente" em sua casa depois de algumas semanas em que sua saúde vinha se deteriorando. Ela era uma mulher incrível, tinha um coração enorme, e fará falta, disse Beutel à Reuters, acrescentando que almoçara com a atriz uma semana antes de sua morte.[6]

Joan Fontaine e Gary Cooper durante a premiação do Oscar em 1942.
Cquote1.svg Tive uma ótima vida, não apenas com a atuação. Competi numa carreira internacional com grandes estrelas, pilotei o meu próprio avião e fiz muitas coisas emocionantes Cquote2.svg
Fontaine.

Seu corpo foi cremado e as cinzas espalhadas em no Oceano Pacífico em Carmel-by-the-Sea, Califórnia no Estados Unidos.[7]

Principais prêmios e indicações[editar | editar código-fonte]

Ano Prêmio Categoria Filme Resultado
1940 Oscar Melhor atriz Rebecca, a mulher inesquecível Indicada
1941 Oscar Melhor atriz Suspeita Vencedora
NYFCC Award Melhor atriz Vencedora
1943 Oscar Melhor atriz De amor também se morre Indicada
1947 Golden Apple Award Most Cooperative Actress Vencedora
1980 Daytime Emmy Award Outstanding Guest/Cameo Appearance in a Daytime Drama Series Ryan's Hope Indicada

Filmografia[editar | editar código-fonte]

1935
1937
1938
trailer do filme As mulheres ("The Women", 1939).
1939
1940
com Cary Grant em cena do filme Suspeita ("Suspicion", 1941).
1941
1942
1943
1944
1945
1946
1947
1948
Alma sem pudor ("Born to Be Bad", 1950).
Alma sem pudor.
1950
1951
1952
1953
1954
Suplício de uma alma ("Beyond a Reasonable Doubt", 1956).
1956
Famintas de amor ("Until They Sail", 1957).
1957
1958
1961
1962
1966

Referências

  1. Biografia. 65anosdecinema.pro.br.
  2. [1]. Universo Online. Cinema.uol.com.br.
  3. Joan Fontaine. Infopédia.
  4. Joan Fontaine morre aos 96 anos. Yahoo!. Br.tv.yahoo.com.
  5. [2]. G1.
  6. [3]. Reuters. Br.reuters.com.
  7. Joan Fontaine (em inglês) no Find a Grave.

Fontes[editar | editar código-fonte]

  • Fontaine, Joan. No Bed of Roses. Berkley Publishing Group, 1979. ISBN 0 425-05028-9
  • Higham, Charles. Sisters: The Story of Olivia De Haviland and Joan Fontaine. Coward McCann, 1984.
  • Current Biography 1944. H.W. Wilson Company, 1945.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Commons
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Precedida por:
Ginger Rogers
por Kitty Foyle
Oscar de Melhor Atriz
por Suspeita

1941
Sucedida por:
Greer Garson
por Rosa de esperança