Epstein-Barr
| Vírus Epstein-Barr | ||||||||
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Uma imagem obtida no microscópio electrónico de duas partículas virais de Epstein-Barr, onde surgem as suas cápsulas arredondadas, revestidas por um envelope membranoso.
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| Classificação científica | ||||||||
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O Vírus Epstein-Barr (EBV) é um vírus amplamente distribuído na natureza, estimando-se que cerca de 80% dos adultos no mundo todo já tenham sido infectados por ele. O vírus infecta linfócitos B, que possuem receptores específicos. Na grande maioria dos casos, a infecção é assintomática, mas em certos indivíduos aparecem manifestacões clínicas agudas e exuberantes que caracterizam a mononucleose infecciosa. Esta tem duração limitada e é uma doença benigna. In vitro, o EBV pode imortalizar células, embora sem conferir o fenótipo transformado ou formar tumores em animais atímicos. O EBV tem sido associado a algumas neoplasias humanas. A primeira e mais importante é o linfoma de Burkitt, que se apresenta de duas formas: uma endêmica, que acomete crianças da África e é a neoplasia da infância mais comum naquela região, e outra esporádica, menos comum e que existe em diversos pontos do mundo. As evidências do papel oncogênico do EBV são indiretas, mas mesmo assim são fortes. A quase totalidade dos tumores africanos contém o genoma do vírus, e 100% dos pacientes com a neoplasia apresentam títulos elevados de anticorpos anti-EBV. Na forma esporádica, o genoma viral é encontrado em apenas 15-20% dos tumores. Nas duas formas, contudo existe a translocação 8q-14q+, que resulta na ativação do c-myc.
Todavia, parece que o EBV é apenas um dos fatores causais do linfoma de Burkitt, mas incapaz, sozinho, de induzir tumores. Nesse sentido, é postulado que a malária (também endêmica na África) possa ser um co-fator importante, pois pode estimular o sistema imunitário e provocar proliferação de linfócitos B. Células com taxa elevada de multiplicação são mais suscetíveis a sofrer mutações, inclusive a translocação característica desse linfoma.
O outro tumor associados ao EBV é o carcinoma nasofaríngeo, raro no nosso meio mas endêmico em algumas regiões da China e da África. Nos tumores de qualquer região geográfica, o DNA do vírus é encontrado nas células neoplásicas; além disso, os pacientes com esse câncer têm títulos muito elevados de anticorpos anti-EBV. Alguns linfomas de células B e certos casos de linfoma de Hodgkin são também associados ao EBV.
Ligações externas [editar]
O vírus Epstein-Barr transmite-se pela saliva e objectos contaminados (como copos, escovas de dentes...). As crianças são assintomáticas aquando da infecção por este vírus enquanto os adultos e adolescentes podem desenvolver nalguns casos a mononucleose infecciosa, vulgo doença do beijo. Os imunodeprimidos desenvolvem doenças linfoproliferativas que podem evoluir para Linfomas de Burkitt, Linfoma de Hodgkin ou carcinoma nasofaríngeo. O diagnóstico laboratorial pode ser feito por métodos directos de detecção de linfócitos atípicos (células de Downey) que são o marcador mais precoce da infecção por EBV. A reacção de Paul-Bunnel detectaa anticorpos heterófilos que permitem fazer o diagnóstico diferencial da infecção por Citomegalovírus. Não existe tratamento vírico específico nem vacinação para o EBV. O facto de o vírus ser ubiquitário e de eliminação assintomática sugere que a melhor medida de prevenção é a infecção precoce (ainda na infância) dado que aí a doença é relativamente benigna e a primoinfecção garante imunidade vitalícia.