Ser
O conceito de Ser atravessa toda a história da filosofia, desde os seus primórdios. Embora já colocado pela filosofia indiana desde o século IX a.C., foi o eleata Parmênides quem introduziu, no Ocidente, esse longo debate, que percorre os séculos e as diversas culturas até os nossos dias.
O Ser é portanto um dos conceitos fundamentais, se não o conceito fundamental da tradição filosófica ocidental.
"A distância entre o ser e o quase ser é imensurável." Lívia C. Balus
Usualmente palavra "ser" assume um dos seguintes significados:
1. Existência: para exprimir o fato de que determinada coisa existe. Por exemplo: "a erva é" (= existe)", mas também "o unicórnio é" (pelo menos na fantasia de quem pensa nele).
2. Identidade: para definir ou distinguir algo ou alguém. Por exemplo: "os franceses são os habitantes da França" ou "Umberto Eco é o autor de O nome da rosa"
3. Predicação: para exprimir uma propriedade de determinado objeto. Por exemplo: a maçã é vermelha.
Todavia os significados usuais não dão conta da variedade de sentidos e das implicações que o conceito de Ser assumiu no curso da história da filosofia. É necessário portanto examinar o modo como o termo foi empregado pelos vários filósofos, ao longo do tempo. Em filosofia, ser é considerado não só como um verbo (existir) mas também como substantivo ("tudo o que é"). Os termos ser e existência podem ter significados diferentes, embora, na linguagem corrente, possam ser sinônimos ("ser" como "o fato de ser" = existência). E, finalmente, identidade e predicação são objeto de estudo também de uma outra disciplina, a lógica, razão pela qual as definições genéricas como as apresentadas acima tornam-se imprecisas.
[editar] Parmênides e a filosofia do Ser
O primeiro filósofo a colocar explicitamente o conceito de ser foi Parmênides de Eleia (século VI a.C. - século V a.C.). De fato, o início da reflexão filosófica sobre o Ser exprime-se na seguinte fórmula lapidar, que é o mais antigo registro sobre o assunto:
É e não é possível que não seja
...
não é e é necessário que não seja— Parmênides, Sobre a Natureza, fr. 2, vv 3;5 - DIELS-KRANZ. Fontes: Simplício, Phys. 116, 25. Proclo, Com. ao Tim. ἡ μὲν ὅπως ἔστιν τε καὶ ὡς οὐκ ἔστι μὴ εἶναι
:...
ἡ δ' ὡς οὐκ ἔστιν τε καὶ ὡς χρεών ἐστι μὴ εἶναι
Assim, se A é o ser, e B não é A, então B é não ser, ou seja, não é. Esse argumento impedia de falar de entes e levava à negação do devir,que os antigos não conseguiam explicar.