Argumentum ad verecundiam

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O argumentum ad verecundiam ou argumentum magister dixit é uma expressão em latim que significa apelo à autoridade ou argumento de autoridade, é uma falácia lógica que apela para a palavra de alguma autoridade a fim de validar o argumento. Este raciocínio é absurdo quando a conclusão baseia-se exclusivamente na credibilidade do autor da proposição e não nas razões que ele tenha apresentado para sustentá-la.[1] [2] [3]

Estrutura lógica[editar | editar código-fonte]

  • "A" afirma a proposição "B".
  • Há algo de positivo em relação a "A".
  • Portanto, a proposição "B" é verdadeira.

Exemplos[editar | editar código-fonte]

  • O grande psicanalista Freud fumava, então o fumo deve ser bom.
    • O argumento não leva em conta que apesar de Freud ser uma autoridade em psicanalise, ele não é uma autoridade nos efeitos possíveis do fumo no organismo, e também que o próprio Freud teve câncer devido ao fumo.
  • Jesus não faria isto que você faz.
    • Sendo Jesus, supostamente, uma figura de exemplo moral, é usado para recriminar as atitudes de uma pessoa pela comparação.

Este argumento também inclui apontar a si mesmo como a autoridade em questão:

  • Sou uma pessoa vivida, por isto você não deve questionar os meus conselhos.
  • Tenho doutorado e publiquei livros. Como você se atreve a discordar de mim?

Observação[editar | editar código-fonte]

Nem todo argumento baseado na autoridade de um especialista é por consequência disso uma falácia. A maior parte de nosso conhecimento em ciências, filosofia e em quaisquer outras áreas está baseado no trabalho e opiniões de especialistas. Se algumas regras básicas forem respeitadas, um argumento de autoridade pode ser considerado um bom argumento:

  • 1. O especialista (a autoridade) invocado tem de ser um bom especialista da matéria em causa.
  • 2. Os especialistas da matéria em causa não podem discordar significativamente entre si quanto à afirmação em causa.
  • 3. Só podemos aceitar a conclusão de um argumento de autoridade se não existirem outros argumentos mais fortes ou de força igual a favor da conclusão contrária.
  • 4. Os especialistas da matéria em causa, no seu todo, não podem ter fortes interesses pessoais na afirmação em causa.[4]

Referências

  1. Salmon, M. H.. Introduction to Critical Reasoning. Mason, OH: Thomson Wadsworth, 2006. 118–9 pp.
  2. Appeal to Authority (argumentum ad verecundiam)
  3. Leônidas Hegenberg; Flávio E. Novaes Hegenberg (2009). Argumentar. Editora E-papers. p. 376. ISBN 978-85-7650-224-1.
  4. João Branquinho; Desidério Murcho e Nelson Gonçalves Gomes. Enciclopédia de Termos Lógico-Filosóficos. São Paulo: Martins Fontes, 2006. pp. 50-1. [em linha]


Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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