Lógica matemática
Não existe uma definição exata para lógica, mas alguns matemáticos a definem como “o estudo dos processos válidos que atingem a verdade”, ou simplesmente “a ciência das leis do pensamento”.
História [editar]
Os estudos sobre o raciocínio foram inicialmente desenvolvidos por filósofos como Parménides e Platão, mas foi Aristóteles quem o elaborou mais detalhadamente e definiu a lógica como se estuda hoje em dia (como se estudava até o século XIX).
Para mostrar que os sofistas (mestres da retórica e da oratória) podiam enganar os cidadãos utilizando argumentos incorretos, Aristóteles estudou a estrutura lógica da argumentação. Revelando, assim, que alguns argumentos podem ser convincentes, embora não sejam corretos. A lógica, segundo Aristóteles, é um instrumento para atingir o conhecimento científico, baseando-se no silogismo.
Seguidores de Aristóteles reuniram seus princípios sobre lógica em um livro intitulado “Organun”, que significa “Instrumento da Ciência”.
Lógica Proposicional [editar]
Proposições [editar]
As proposições são determinadas por sentenças declarativas pertencentes a um certa linguagem que formam um conjunto de palavras ou símbolos e expressam uma ideia. As sentenças declarativas, são afirmações que podem receber valores lógicos, Verdadeiro ou Falso apenas, e que um conjunto de palavras resultam em um pensamento completo. As proposições devem seguir os seguintes princípios:
- Princípio da identidade: garante que uma proposição é igual a si mesma.
- Princípio da não-contradição: uma proposição não pode ser verdadeira e falsa.
- Princípio do terceiro excluído: uma proposição ou é verdadeira ou é falsa.
Exemplos:
O cachorro é um animal. - Verdadeiro
2 + 2 = 7 - Falso
Sentenças interrogativas, exclamativas e imperativas não são proposições, pois não é possível dizer se são verdadeiras ou falsas.
Exemplos:
- Hoje está chovendo muito!
- Como foi a aula?
- Limpe a cozinha.
- Esta sentença não é verdadeira.
Proposições compostas [editar]
Proposição composta é a união de proposições simples por meio de um conector lógico. Este conector irá ser decisivo para o valor lógico da expressão.
Precedência de operadores [editar]
Em expressões que utilizam vários operadores não é possível saber qual proposição deve-se resolver primeiro.
Exemplo: P Λ Q V R.
Com isso, usar parênteses é fundamental. A expressão do exemplo poderia ficar assim: (P Λ Q) V R ou P Λ (Q V R).
A ordem da precedência de operadores é:
- (),, {}
- ¬
- V, Λ, V
- →
- ↔
Tabela Verdade [editar]
A tabela verdade é construída para determinar o valor lógico de uma proposição composta. Segue uma excelente estratégia para a construção da mesma.
Exemplo de construção da tabela verdade da proposição composta: p Λ q
Primeiramente verifica-se quantas “variáveis”, ou proposições simples que temos na proposição composta do exercício. Neste caso existem duas: p e q.
Em seguida elevamos 2 ao número de variáveis, ou seja, 2². Nossa base do expoente é 2 pelo fato de possuir-se apenas 2 valores lógicos possíveis nas proposições (Verdadeiro ou Falso). O resultado de 2² é 4. Então nossa tabela terá 4 linhas, nessas linhas estarão todos os valores lógicos possíveis da nossa proposição composta.
|
p
|
q
|
p Λ q
|
|---|---|---|
| - | - |
-
|
| - | - |
-
|
| - | - |
-
|
| - | - |
-
|
Esta é a estrutura da tabela, agora para a preencher com os devidos valores lógicos utiliza-se a seguinte técnica: até a metade da primeira coluna coloca-se Verdadeiro, na outra metade Falso. Já na segunda coluna, intercala-se V e F. Desta forma adquira-se a seguinte tabela:
| p | q |
p Λ q
|
|---|---|---|
| V | V |
Resultado
|
| V | F |
Resultado
|
| F | V |
Resultado
|
| F | F |
Resultado
|
Esta é uma das melhores estratégias para a montagem de uma tabela verdade.
Conectivos lógicos [editar]
Proposições podem ser ligadas entre si por meio de conectivos lógicos. Conectores que criam novas sentenças mudando ou não seu valor lógico (Verdadeiro ou Falso). Exemplos dos principais conectores lógicos:
- “¬” ou “~” (negação);
- “Λ” (conectivo “e”);
- “V” (conectivo “ou”);
- “→” (conectivo “se, então”);
- “↔” (conectivo “se, e somente se”);
- “V” (conectivo “ou exclusivo”);
- “↓” (conectivo “negação conjunta”);
- “↑” (conectivo “negação disjunta”).
Exemplos de sentenças formadas com conectores e proposições:
(2 + 2 = 4) V (1 < 4) - Valor lógico da sentença: Verdadeiro V (ou) Verdadeiro = Verdadeiro
Cachorro é um felino Λ (1 > 0) - Valor lógico da sentença: Falso Λ (e) Verdadeiro = Falso
Conector de Negação (~) [editar]
O conectivo de negação (~), nega o valor lógico de uma proposição. Considera-se p como uma proposição de valor lógico igual a verdadeiro, então sua negação é igual a falso. O mesmo seria se a proposição tivesse valor lógico inicial igual a falso, sua negação seria igual a verdadeiro. De acordo com esses conceitos podemos montar a seguinte tabela verdade:
| p | ~p |
|---|---|
| V |
F
|
| F |
V
|
Exemplo:
Considere p com o valor da seguinte proposição: 2 é um número par. p = Verdadeiro, portanto sua negação: ~p = Falso.
Conector e (Λ) [editar]
O conectivo e, também conhecido como AND e representado pelo símbolo “^” junta proposições as quais somente resultarão em Verdadeiro se todos os valores forem Verdadeiros.
Exemplo: Considere as proposições p e q (Conjunção).
| p | q | p Λ q |
|---|---|---|
| V | V |
V
|
| V | F |
F
|
| F | V |
F
|
| F | F |
F
|
Observação: Veja que nesta tabela consideramos todos os valores lógicos possíveis para p e q, em outras palavras: temos 2 proposições e estamos em uma base binária (0 ou 1, verdadeiro ou falso) então para se saber o número das possibilidades para essas proposições realiza-se o seguinte cálculo 2n, onde n é o número de proposições.
Conector ou (V) [editar]
O conectivo ou, também conhecido como OR e representado pelo símbolo “V” une proposições que, apenas uma sendo Verdadeiro é suficiente que a expressão inteira também seja.
Exemplo:
Considere as proposições p e q (Disjunção).
| p | q | p V q |
|---|---|---|
| V | V |
V
|
| V | F |
V
|
| F | V |
V
|
| F | F |
F
|
Conector condicional (→) [editar]
O conectivo condicional, também conhecido como implica e representado pelo símbolo “→” une proposições criando uma estrutura condicional onde apenas uma das possibilidades resulta em F o valor lógico da expressão.
Exemplo:
Considere as proposições p e q (Condição). “Se p então q”
| p | q | p → q |
|---|---|---|
| V | V |
V
|
| V | F |
|
| F | V |
V
|
| F | F |
V
|
Conector bi-condicional (↔) [editar]
O conectivo bi-condicional, é lido como “se, e somente se” e é representado pelo símbolo “↔”, ele une proposições onde o resultado lógico da expressão é verdadeiro apenas se os valores lógicos forem iguais.
Exemplo:
Considere as proposições p e q (Bi-condicional). “Se p, e somente se q”
| p | q | p ↔ q |
|---|---|---|
| V | V |
V
|
| V | F |
F
|
| F | V |
F
|
| F | F |
V
|
Ou exclusivo (V) [editar]
O conectivo ou exclusivo, chamado também de disjunção exclusiva, é representado pelo símbolo “V”. Podemos dizer que ele significa: um ou outro, mas não ambos. Exemplo: Ou o gato é macho ou o gato é fêmea, mas não ambos. A tabela verdade do ou exclusivo esta representada abaixo.
| p | q | p V q |
|---|---|---|
| V | V |
F
|
| V | F |
V
|
| F | V |
V
|
| F | F |
F
|
Negação Conjunta e Negação Disjunta [editar]
A negação conjunta é representada pelo conector ↑, significa a negação de duas proposições envolvendo o conector AND (NAND).
Exemplo: p Λ q ⇔ ¬p ↑ ¬q.
A negação disjunta é representada pelo conector ↓, significa a negação de duas proposições envolvendo o conector OR (NOR).
Exemplo: p v q ⇔ ¬p ↓ ¬q.
Abaixo estão representadas as tabelas verdades das duas negações.
- Tabela Verdade equivalente ao circuito NAND
| p | q | p ↑ q |
|---|---|---|
| V | V |
F
|
| V | F |
V
|
| F | V |
V
|
| F | F |
V
|
- Tabela Verdade equivalente ao circuito NOR
| p | q | p ↓ q |
|---|---|---|
| V | V |
F
|
| V | F |
F
|
| F | V |
F
|
| F | F |
V
|
Tautologia, Contradição e Contingência [editar]
Ao montarmos uma tabela verdade contendo todos os valores lógicos possíveis de uma expressão a poderíamos classificar em tautologia, contradição e contingência.
- Tautologia: é uma proposição cujo resultado final é sempre verdadeiro.
Exemplo:
p v ~p (p OU não p)
| p | ~p | p V ~p |
|---|---|---|
| V | F |
V
|
| F | V |
V
|
Veja que independente do valor de p a expressão sempre resulta em Verdadeiro, pois para o conector OU possuir um verdadeiro já é suficiente para resultar em Verdadeiro, além disso sempre teremos V em todas as combinações da expressão. Por isso a classificamos como uma tautogia.
Vejamos outro exemplo:
F → p (F então p)
| Valor lógico constante | p | F → p |
|---|---|---|
|
F
|
F |
V
|
|
F
|
V |
V
|
Nestre outro caso também se obteve uma tautologia, devido ao fato da última coluna da tabela (resultado da expressão) ter somente Verdadeiro.
- Contradição: é uma proposição que resulta somente em falso, em outras palavras, a última coluna da sua tabela só possui o valor lógico falso.
Exemplo:
p ^ ~p
| p | ~p | p ^ ~p |
|---|---|---|
| V |
F
|
F
|
| F |
V
|
F
|
- Contingência: determinamos uma proposição de contingente quando ela não é tautológica nem contraditória, ou seja, ela é indeterminada.
Exemplo:
p V q (p OU q)
| p | q | p V q |
|---|---|---|
| V | V |
V
|
| V | F |
V
|
| F | V |
V
|
| F | F |
F
|
Percebe-se que a última coluna não possui apenas um valor lógico, por isso a determinamos uma proposição contingente, ou indeterminada.
Implicação lógica ou Inferência [editar]
Sejam P e Q duas proposições. Diremos que P implica logicamente a proposição Q, se Q for verdadeiro sempre que P for verdadeiro. Quando isso ocorre, dizemos que temos uma implicação lógica ou inferência e denotamos: P => Q (lemos: “P implica Q”).
Exemplo: P Λ Q implica P V Q?
| p | q | p Λ q | p V q |
|---|---|---|---|
| V | V |
|
|
| V | F |
F
|
V
|
| F | V |
F
|
V
|
| F | F |
F
|
F
|
Neste exemplo podemos dizer que P Λ Q => P V Q, pois onde P Λ Q é verdadeiro P V Q também é.
Exemplo: P V Q implica P → Q?
| p | q | p V q | p → q |
|---|---|---|---|
| V | V |
|
|
| V | F |
|
|
| F | V |
|
|
| F | F |
F
|
V
|
Neste exemplo não podemos dizer que P V Q => P → Q, pois temos na segunda linha que onde P V Q é verdadeiro P → Q é falso.
Equivalência lógica [editar]
Diremos que P é equivalente a Q, se as duas tabelas verdade foram idênticas. Quando isso ocorre, dizemos que temos uma equivalência lógica ou bi-implicação e denotamos P ⇔ Q (lemos: “P é equivalente a Q”).
Exemplo: ¬(P Λ Q) é equivalente a (¬P V ¬Q)?
| P | Q | ¬P | ¬Q | P Λ Q | ¬(P Λ Q) | ¬P V ¬Q |
|---|---|---|---|---|---|---|
| V | V |
F
|
F
|
V
|
|
|
| V | F |
F
|
V
|
F
|
|
|
| F | V |
V
|
F
|
F
|
|
|
| F | F |
V
|
V
|
F
|
|
|
Neste exemplo podemos dizermos que ¬(P Λ Q) ⇔ (¬P V ¬Q), pois o resultado da tabela verdade das duas expressões é o mesmo.
Exemplo: P → Q é equivalente a Q → P?
| P | Q | P → Q | Q → P |
|---|---|---|---|
| V | V |
V
|
V
|
| V | F |
|
|
| F | V |
|
|
| F | F |
V
|
V
|
Neste exemplo não podemos dizer que P → Q ⇔ Q → P, pois o resultado das tabelas verdades das expressões são diferentes, nas linhas 2 e 3.
Condições necessárias e suficientes [editar]
Temos uma condição suficiente se quando ela ocorrer temos a garantia de que a outra condição ocorrerá. Por exemplo:
“Se o cavalo corre então ele está vivo.”
O cavalo correr é condição suficiente para ele estar vivo,ou seja, se o cavalo corre podemos garantir que ele está vivo.
Por outro lado o cavalo estar vivo não garante que o cavalo corra, pois ele pode estar por exemplo vivo mas descansando, a este tipo de condição dá se o nome de condição necessária. Uma condição é necessária quanto não podemos garantir que a outra condição é valida.
Esta relação entre condição suficiente e condição necessária é encontrada quando utilizamos um conector condicional, ou seja, quando temos uma estrutura condicional. O primeiro argumento(que vem antes do →), chamado de antecedente é uma condição suficiente. O segundo argumento,chamado de consequente é uma condição necessária.
Entretanto em uma estrutura bi-condicional temos uma proposição necessária e suficiente.
Proposições Associadas a uma Condicional [editar]
Pegamos uma condicional qualquer como p → q, existem três tipos de proposições associadas a ela que são:
- Recíproca: a proposição recíproca de p → q é a proposição q → p.Como podemos ver foi feito uma troca entre a antecedente (p) e a consequente (q) para obter-se a recíproca cuja tabela esta abaixo:
| p | q | p → q | q → p |
|---|---|---|---|
| V | V |
V
|
V
|
| V | F |
F
|
V
|
| F | V |
V
|
F
|
| F | F |
V
|
V
|
Exemplo: “Se a Maria é feia então todos são feios.”
A recíproca seria: “Se todos são feios então Maria é feia.”
- Contrária: a proposição contrária de p → q é a proposição ~p → ~q.Basta negar a antecedente(p) e a consequente(q) para obtermos a proposição contrária.
| p | q | ~p | ~q | p → q | ~p → ~q |
|---|---|---|---|---|---|
| V | V |
F
|
F
|
V
|
V
|
| V | F |
F
|
V
|
F
|
V
|
| F | V |
V
|
F
|
V
|
F
|
| F | F |
V
|
V
|
V
|
V
|
Exemplo: “Se a Maria é feia então todos são feios.”
A contrária seria: “Se Maria não é feia então todos não são feios.”
- Contra Positiva: a contra positiva da preposição p → q é ~q → ~p. Para encontramos a contra positiva basta juntar os passos da recíproca e da contrária,ou seja, deve se inverter os lugares do antecedente e do consequente e negar ambos. A proposição contra positiva tem o mesmo resultado que a proposição original.
| p | q | ~p | ~q | p → q | ~q → ~p |
|---|---|---|---|---|---|
| V | V |
F
|
F
|
V
|
V
|
| V | F |
F
|
V
|
F
|
F
|
| F | V |
V
|
F
|
V
|
V
|
| F | F |
V
|
V
|
V
|
V
|
Exemplo: “Se a Maria é feia então todos são feios.”
A contra positiva seria: “Se todos não são feios então Maria não é feia.”
Referências [editar]
Carlos Fontes. Definição e Evolução da Lógica; 28/04/2012.
Disponível em: http://afilosofia.no.sapo.pt/pag2Def.htm
Grupo iPED. Noções de lógica.Colégio web; 07/05/2012.
Disponível em: http://www.colegioweb.com.br/matematica/conectivos-logicos-.html
GERÔNIMO, João Roberto; FRANCO Valdeni Soliane. Fundamentos de matemática: uma introdução à lógica matemática, teoria dos conjuntos, relações e funções. 2º Edição 2008.