Refinaria Abreu e Lima

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A Refinaria do Nordeste (Rnest) ou Refinaria Abreu e Lima, está sendo construída em Ipojuca, na região metropolitana do Recife, no estado brasileiro de Pernambuco. Será a primeira refinaria de petróleo inteiramente construída com tecnologia nacional. A Petrobras considera que essa refinaria será a mais moderna já construída em território nacional, pois será a primeira adaptada a processar 100% de petróleo pesado com o mínimo de impactos ambientais e produzir combustíveis com teor de enxofre menor do que o exigido pelos padrões internacionais mais rígidos, de 10 ppm de enxofre.

Desde quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou o projeto da refinaria, em 2005, ela tinha orçamento estimado em cerca de US$ 2,5 bilhões. A previsão de investimentos já subiu quase sete vezes, segundo o último relatório quadrimestral do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Capacidade de refino prevista[editar | editar código-fonte]

O parque de refino da Abreu e Lima será orientado principalmente para produção de óleo diesel, o derivado de maior consumo no País. Cerca de 65% dos derivados ali produzidos serão de óleo diesel, 27% a mais do que o normal, e com baixíssimo teor de enxofre. O diesel é o derivado de maior importação do Brasil e sua produção no Nordeste permitirá atender à crescente demanda por derivados na região e o excedente poderá abastecer ainda o restante do mercado nacional.

Inicialmente era previsto que a Refinaria teria capacidade para processar 200 mil barris por dia de petróleo, utilizando o petróleo pesado do Brasil e também da Venezuela, países que possuem grandes reservas. A produção anual prevista para esta unidade da Petrobras ainda inclui 682 mil m³ de nafta petroquímica, 1.236 mil toneladas de GLP, 9,5 milhões de toneladas de diesel e 2,2 milhões de toneladas de coque[1] . A refinaria também produzirá o chamado "H-Bio", a partir da mistura de biodiesel com diesel comum.

O plano de negócios da Petrobrás de 2008 passou a prever uma ampliação na capacidade de refino da Abreu e Lima para 240 mil barris por dia, existindo a possibilidade de uma nova expansão para até 500 mil barris por dia, o que tornaria esta a maior refinaria do país [2] . Esta iniciativa não se concretizou e a refinaria irá produzir 230 mbpd, com partida estimada em 2014 a um custo de previsto de 17,1 bilhões de dólares [3] . Vale salientar que a partida estava prevista para o final do ano de 2010 e a produção de diesel 10 ppm é devido a legislação brasileira e não uma decisão da petrolífera PETROBRAS.

A construção da refinaria[editar | editar código-fonte]

As primeiras obras relacionadas ao projeto de construção da unidade de refino tiveram início em 2007. A fase inicial das obras de terraplenagem foi completada. Ainda em 2009 foi iniciada a construção civil dos prédios administrativos e de suporte da refinaria, incluindo a construção da casa de força, concluída em junho de 2009, com potência total instalada de 150 MW, que suprirá as grandes necessidades de energia da refinaria. A previsão era de que até 2011 estivessem concluídas as obras e tivesse início seu funcionamento, contudo isso não aconteceu e no final de 2011 a refinaria ainda não tinha entrado em operação.

Para fortalecer sua política de gestão social, a Petrobras está priorizando também a contratação de fornecedores locais para a Refinaria Abreu e Lima [4] . Para a primeira fase da obra, a terraplanagem, foram contratadas 2.800 pessoas, sendo que 95% dos trabalhadores foram arregimentados no próprio estado de Pernambuco – uma das premissas do empreendimento. As chuvas normalmente intensas nesta região (1.500 mm/ano), provocaram alagamentos em todo o Estado e atrasos no cronograma desta etapa das obras [5] [6] .

Histórico: projetos e planejamento[editar | editar código-fonte]

Desde os anos 1970 se discutia a necessidade de construção de uma refinaria capaz de processar simultaneamente o petróleo pesado nacional e o importado da Venezuela, na época o maior produtor de petróleo da América do Sul. Os primeiros projetos discutidos entre o governo e a Petrobras já previam a instalação de uma refinaria no Norte ou Nordeste do Brasil, para baratear os custos de frete e aumentar a geração de emprego e renda na região. Um pré-acordo com a Venezuela prevendo a garantia do fornecimento para esta refinaria chegou a ser fechado, mas não foi implementado.

No início dos anos 1990, a reaproximação entre Brasil e Venezuela reavivou estes planos, a partir dos acordos de La Guzmania, assinados em 4 março de 1994, pelos então Presidentes Itamar Franco e Rafael Caldera. Entretanto os planos acabaram novamente adiados. Nos anos 2000, a aproximação da Venezuela com o Mercosul, conjugada com o aumento do consumo de combustíveis na região Nordeste, fortaleceu a necessidade do projeto, discutido publicamente pelo governo e pela Petrobras já em 2004-2005. Com a entrada da Venezuela no Mercosul, importar petróleo venezuelano ficará mais barato e, assim, o lucro brasileiro ao refinar petróleo venezuelano e exportar derivados industrializados será ainda maior.

A descoberta de novas zonas produtoras de petróleo no Brasil, no pré-sal, ampliou a necessidade de refinarias desta natureza, para que o país possa, no futuro, exportar derivados de petróleo, de valor agregado muito superior ao do óleo cru.

A escolha da localização da refinaria[editar | editar código-fonte]

Durante muito tempo se discutiu qual seria a melhor localização para a refinaria. Vários estados do Nordeste se apresentaram como candidatos para sediar a refinaria e Petrobras decidiu instalar três refinarias na região, sendo uma em Pernambuco e outras duas no Ceará e Maranhão, com maiores capacidades de processamento.

Os principais motivos que levaram a Petrobras a escolher o Estado de Pernambuco para implementar a maior das novas refinarias foram:

  1. Boa infraestrutura portuária (Porto de Suape);
  2. Zona industrial já estruturada;
  3. Disponibilidade de mão de obra qualificada no local;
  4. Pernambuco é o segundo maior mercado consumidor de derivados do Nordeste;
  5. O estado está localizado a distância semelhante dos outros dois maiores mercados consumidores do Nordeste;
  6. Compromisso do Estado com outros itens relacionados à infraestrutura;

Caso a refinaria realmente tenha uma capacidade maior que a prevista inicialmente e permita ao Brasil exportar derivados de petróleo, a refinaria continuará localizada em uma área geograficamente estratégica, pois no Nordeste fica mais próxima dos centros consumidores da Europa e Estados Unidos, o que reduz o custo do frete. Também fica mais próxima de novas regiões consumidoras, como a África, que na última década teve um crescimento médio do PIB de cerca de 7% ao ano, incluindo alguns países com até 20% ao ano, aumentando muito a importação de combustíveis, mas que não irá acontecer devido à crescente demanda de diesel doméstico e à inviabilidade econômica de exportar S10 (10 ppm de enxofre) para países africanos, que não possuem legislação tão rígida.

Petrobras e PDVSA na Refinaria Abreu de Lima: negociações e acordos[editar | editar código-fonte]

Esta associação da Petrobras com a PDVSA é resultado de um total de 11 acordos firmados entre as duas empresas, que representam o resultado de um longo processo de negociações iniciado na primeira metade da década de 1990 (Governo Itamar Franco). A princípio a Petrobras será sócia majoritária (60%), tendo a PDVSA e a Renor Refinaria do Nordeste S.A. (empresa privada brasileira) respectivamente 35% e 5%, como sócias minoritárias.

Em 2008 foi fechado o primeiro acordo entre a Petrobras e a PDVSA prevendo que o petróleo utilizado na refinaria Abreu e Lima seja fornecido em partes iguais pelos dois países. As negociações entre a Petrobras e a PDVSA para a construção de uma refinaria no Brasil haviam sido iniciadas em 2003, quando chegou a ser discutido o projeto de criação de uma nova empresa petrolífera sul-americana, que não foi concluído.

O acordo firmado em 2008 previa ainda que a Petrobras receberia direitos de exploração de petróleo na principal região petrolífera da Venezuela, a Faixa do Orinoco. Após um novo e duro ciclo de negociações[7] [8] [9] , em 2012, o diretor do Abastecimento da Petrobras, José Carlos Cosenza, afirmou que o prazo da estrangeira vai até novembro deste ano. O acordo prevê instalações ainda maiores, com maior capacidade de refino. Sozinha, a estatal brasileira já construiu 50% do projeto e prevê início de operação para meados de 2013 [10] .

Perspectivas, críticas e disputas[editar | editar código-fonte]

Uma das principais críticas levantadas inicialmente ao projeto da refinaria diz respeito aos possiveis impactos ambientais da própria atividade de refino de petróleo. A Petrobras defende que as novas tecnologias desta refinaria irão minimizar os impactos ambientais, com menor uso de água e o reflorestamento do entorno da obra [11] .

Dentre os aspectos positivos destaca-se o aumento da capacidade de produção de derivados no país. Dentre as tecnologias inovadoras está um novo sistema de tratamento de efluentes capaz de reduzir significativamente os odores e as emissões de gases tóxicos e gases geradores do efeito estufa.

Além disso, novas refinarias podem ser consideradas fundamentais para a economia do Brasil, pois a atividade industrial de refino agrega um valor enorme ao petróleo. Com o barril de petróleo (163,65 litros) sendo negociado a US$ 115,00 (setembro de 2012), o preço do litro de petróleo fica em cerca de 0,70 centavos, enquanto o litro da gasolina vale 4 vezes mais. Outros derivados de petróleo, como os polímeros (plásticos), podem valer 40 ou até 50 vezes mais do que o óleo cru.

Disputas políticas[editar | editar código-fonte]

A Petrobras atribui a elevação dos custos de construção da Refinaria Abreu e Lima, que saltaram da previsão de investimentos iniciais de US$ 2,5 bilhões para um custo final de US$ 20 bilhões, ao aumento da infraestrutura e da capacidade instalada de refino total em relação ao que era previsto inicialmente, às novas tecnologias que serão incorporadas para o tratamento da emissão de gases, à alta dos preços de serviços e equipamentos em função do aquecimento da indústria do petróleo até meados de 2008, além de fatores conjunturais imprevisíveis, como a variação da taxa de câmbio e encarecimento dos equipamentos importados.[12] . Além disso a Petrobras explica que o custo médio de investimento por barril refinado subiu no mundo inteiro entre 2005 e 2008, passando de US$ 20 mil para US$ 50 mil por barril [13]

A inauguração da Refinaria Abreu e Lima está prevista para o final de 2014 e seu pleno funcionamento a partir do primeiro trimestre de 2015.

Referências

  1. "Refinaria Abreu e Lima com investimentos na ordem de US$ 4,05 bilhões", Portal Fator Brasil, 05/09/2007, http://www.revistafatorbrasil.com.br/ver_noticia.php?not=18374
  2. Plano Estratégico Petrobras 2020 e Plano de Negócios 2008 - 2012 http://petrobrasri.infoinvest.com.br/modulos/doc.asp?arquivo=00951070.WAN&doc=ian350.doc&language=ptb
  3. '"Refinaria pernambucana da Petrobras caminha para ser a mais cara do mundo"'http://economia.ig.com.br/empresas/industria/2012-07-19/refinaria-pernambucana-da-petrobras-caminha-para-ser-a-mais-cara-do-mundo.html
  4. "Petrobras busca fornecedores locais para a Refinaria Abreu e Lima" Diario de Pernambuco, 05/08/2009, http://www.diariodepernambuco.com.br/Economia/nota.asp?materia=20090805184757&assunto=69&onde=Economia
  5. "Chuvas atrasam obras de Abreu e Lima", Tn Petróleo, 08/04/2008, http://www.tnpetroleo.com.br/clipping/imprimir/id/508
  6. "Refinaria demite por causa das chuvas", Power, 23/04/2009, http://www.power.inf.br/pt/?p=6786
  7. "Imbróglio na Refinaria Abreu e Lima", Energia Hoje, 21/02/2009 http://www.energiahoje.com/index.php?ver=mat&mid=375531
  8. "Lula e Chavez não chegam a acordo sobre refinaria Abreu e Lima em Pernambuco", O Globo, 26/05/2009, http://oglobo.globo.com/economia/mat/2009/05/26/lula-chavez-nao-chegam-acordo-sobre-refinaria-abreu-lima-em-pernambuco-756036600.asp
  9. "Brasil e Venezuela avançam em Mercosul, mas refinaria fica para depois", BBC, 26/05/2009, http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/05/090526_lula_chavez_cq.shtml
  10. "Consenza dá prazo até Novembro para PDVSA entrar como sócia em RNEST", petronoticias, 18/05/2012 http://www.petronoticias.com.br/archives/9025
  11. Petrobrás, "Refinaria Abreu e Lima", vídeo, já citado
  12. Petrobras nega superfaturamento em obras de terraplanagem da Refinaria Abreu e Lima, Agência Brasil, 26/08/2009 http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/08/26/materia.2009-08-26.4832174506/view
  13. PETROBRAS. Refinaria de Pernambuco. 30 de agosto de 2009. http://www.blogspetrobras.com.br/fatosedados/?p=6862