Reciclagem

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Reciclagem

O símbolo internacional da reciclagem.

A reciclagem é uma das ações da política dos três Rs - Reduzir, Reutilizar e Reciclar. É o termo geralmente utilizado para designar o reaproveitamento de materiais beneficiados como matéria-prima para um novo produto ou matéria.

A política dos três Rs é um conjunto de ações que foram sugeridas durante a Cúpula da Terra ( Eco-92), realizada no Rio de Janeiro em 1992. Também foi divulgada no 5° Programa Europeu para o Ambiente e Desenvolvimento em 1993.

Esta política tem como objetivo principal, colaborar para redução dos impactos causados no meio ambiente, através da diminuição de um dos principais problemas da vida moderna: a geração de lixo pelo consumo desenfreado.

Conceito[editar | editar código-fonte]

Conceitualmente, a reciclagem é um processo de transformação aplicado a materiais que podem voltar ao estado original, transformando-se em produtos iguais em todas as suas características, sendo um conceito diferente do de reutilização.

A reutilização consiste no reaproveitamento de um determinado material já beneficiado em outro, com características diferentes. Como exemplo da diferença entre esses conceitos, podem-se citar as reutilizações do papel e do vidro que, após passarem por este processo, não voltam a ter as mesmas características físico-químicas iguais às que tinham antes do beneficiamento. Terão outra cor, textura, composição, densidade, etc, sem a possibilidade de retornar o material reutilizado ao seu estado original.

Com latas de alumínio ou fios de cobre, por exemplo, o processo é diferente. Podem ser fundidos e voltar ao estado anterior, para serem transformados em novos produtos, mas com as mesmas propriedades, o que caracteriza o conceito de "reciclagem".

Para os diversos materiais, existem algumas diferenças conceituais entre reciclagem e reaproveitamento. Em alguns casos, o reaproveitamento não é possível indefinidamente, pois ocorre a degradação das características do material a cada novo processo. Isso ocorre com o papel, por exemplo, cujas fibras de celulose vão se encurtando a cada novo processo.

Já na reciclagem do alumínio e metais de modo geral, as propriedades físicas e químicas se mantêm e o processo de reciclagem pode ser repetido indefinidamente.[1]

Benefícios da reciclagem[editar | editar código-fonte]

Cestos de reciclagem de resíduos

Os resultados da reciclagem são expressivos tanto no campo ambiental, como nos campos econômico e social.

No meio ambiente, tanto a reciclagem, como a reutilização podem reduzir a acumulação progressiva de resíduos, evitando a produção de novos materiais, como por exemplo o papel, que exigiria o corte de mais árvores, com emissões de gases como metano e gás carbônico, consumo de energia, agressões ao solo, ar e água, entre outros tantos fatores negativos.

No aspecto econômico a reciclagem contribui para o uso mais racional dos recursos naturais e a reposição daqueles recursos que são passíveis de reaproveitamento.

No âmbito social, a reciclagem não só proporciona melhor qualidade de vida para as pessoas, através da preservação das condições ambientais, como também tem gerado muitos postos de trabalho e rendimento para pessoas que vivem nas camadas mais pobres.

No Brasil existem os carroceiros ou catadores de papel, que vivem da venda de sucatas, papéis,alumínio e outros materiais recicláveis deixados no lixo. Eles também trabalham na coleta ou na classificação de materiais para a reciclagem. Como é um serviço penoso, pesado e sujo, não tem grande poder atrativo para as fatias mais qualificadas da população.

Catadores de recicláveis em aterro sanitário

Assim, para muitas das pessoas que trabalham na reciclagem (em especial os que têm menos educação formal), a reciclagem é uma das únicas alternativas de ganhar o seu sustento.

O manuseio de resíduos deve ser feito de maneira cuidadosa, para evitar a exposição a agentes causadores de acidentes ou de doenças.

No Brasil, em setembro de 2007, as prefeituras de sete cidades forneciam serviço de coleta seletiva a 100% das residências. Esses municípios eram: Curitiba (PR), Itabira (MG), Londrina (PR), Santo André (SP), Santos (SP) e Goiânia (GO).[2]

Segundo um levantamento realizado em 2010 pelo CEMPRE (Compromisso Empresarial para Reciclagem), naquele ano 443 municípios brasileiros tinham programas de coleta seletiva , o que representava 8% dos municípios, com concentração principalmente nas regiões Sul e Sudeste do país (86%). Este serviço de coleta atendia 12% da população brasileira.[3]

A regulamentação das atividades de coleta seletiva e reciclagem no Brasil teve um importante avanço no segundo semestre de 2010, quando foram sancionados a Lei nº 12.305, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos [4] e o Decreto nº 7.404, que regulamentou a Lei nº 12.305, criando o Comitê Interministerial da Política Nacional de Resíduos Sólidos e o Comitê Orientador para a Implantação dos Sistemas de Logística Reversa.[5]

Estas novas políticas vieram, entre outras ações, regulamentar a atividade das cooperativas de trabalhadores do setor de coleta seletiva e traçar as diretrizes a serem seguidas pelas esferas de governo para implementar os serviços de coleta e reciclagem de resíduos sólidos.

Tipos de reciclagem[editar | editar código-fonte]

Cores dos cestos de separação para reciclagem[editar | editar código-fonte]

Ilustração de um cesto contendo o símbolo da reciclagem.

No Brasil os recipientes para receber materiais recicláveis seguem o seguinte padrão:[6]

  • Azul: papel/papelão
  • Vermelho: plástico
  • Verde: vidro
  • Amarelo: metal
  • Preto: madeira
  • Laranja: resíduos perigosos
  • Branco: lixo hospitalar
  • Roxo: resíduos radioativos
  • Marrom: resíduos orgânicos (restos de comida)
  • Cinza: resíduo geralmente não reciclável, misturado ou contaminado, não sendo possível de separação.
Ecoponto em Portugal

Em Portugal, os recipientes de resíduos para reciclagem dividem-se em:

  • Azul (papelão): papel e cartão
  • Verde (vidrão): frascos, boiões e garrafas de vidro
  • Amarelo: embalagens de metal e de plástico (e de cartão, para bebidas)
  • Vermelho: pilhas e baterias.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Lucília Garcez e Cristina Garcez. Lixo, coleção Planeta Saudável. [S.l.]: Callis Editora Ltd, 2010. ISBN 9788574164267
  2. O manual da reciclagem. Revista Veja_Planeta Sustentável (5/09/2007).
  3. Coleta Seletiva_2010. CEMPRE.
  4. Lei Nº 12.305, de 2 de agosto de 2010.. Casa Civil da Presidência da República do Brasil.
  5. Decreto nº 7.404, de 23 de dezembro de 2010.. Casa Civil da Presidência da República.
  6. Resolução do CONAMA No 275 de 25 de abril 2001 http://www.mma.gov.br/port/conama/res/res01/res27501.html

Ligações externas[editar | editar código-fonte]