Veículo elétrico

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Atualmente os trens e ônibus são os veículos elétricos mais populares.
Veículo elétrico da Polícia de Segurança Pública, em Lisboa

O veículo elétrico é um tipo de veículo que utiliza propulsão por meio de motores elétricos. É composto por um sistema primário de energia, uma ou mais máquinas elétricas e um sistema de acionamento e controle de velocidade ou binário. Os veículos elétricos fazem parte do grupo dos veículos denominados Zero-Emissões, que por terem um meio de locomoção não poluente não emitem quaisquer gases nocivos para o ambiente, nem emitem ruído considerável pois são bastante silenciosos.

De notar que carro elétrico é o nome porque é tradicionalmente conhecido em Portugal o elétrico (tram/bonde).

História[editar | editar código-fonte]

Veículo elétrico de Thomas Parker de 1880.

O primeiro projeto de motor elétrico começou com o húngaro Ányos Jedlik em 1828, contudo, o primeiro veículo elétrico foi construído por Thomas Davenport em 1835, durante o século 19, veículos elétricos costumavam ser adaptados para funcionarem em trilhos, no início do século 20 algumas companhias como Baker Electric, Columbia Electric, Detroit Electric fabricavam veículos elétricos, inclusive, no ano de 1900, 28% dos veículos produzidos nos Estados Unidos eram elétricos. O declínio veio principalmente após o início da produção em massa por Henry Ford dos veículos de combustão que fez o custo de produção desses tipos de veículo cairem drasticamente.

Fabricação[editar | editar código-fonte]

A fabricação desses veículos em países como Estados Unidos e Japão partiu da indústria automobilística, que estava preocupada com o avanço do preço do petróleo. Já no caso do Brasil, a iniciativa está sendo dada pelas próprias usinas hidrelétricas, lideradas pela Itaipu, que apresentou o protótipo do Palio elétrico em junho de 2006. Desde então, mantém parcerias para o desenvolvimento de veículos e equipamentos de energia limpa.

No Brasil[editar | editar código-fonte]

Itaipu e o Projeto VE[editar | editar código-fonte]

O Projeto VE[1] consiste no desenvolvimento e pesquisa de veículos movidos a energia elétrica. Sediado em Itaipu, é composto por três grupos de trabalho para o desenvolvimento do Fiat Palio Weekend Elétrico (carro para uso urbano), Daily Elétrico[2] (caminhão elétrico para pequenas cargas) e Granmini Elétrico (mini-ônibus elétrico) [3] .

A iniciativa teve início com a assinatura de um acordo internacional de cooperação técnica firmado pela Itaipu e pela Kraftwerke Oberhasli (KWO), controladora de hidrelétricas suíças em 15 maio de 2006. Desde então, reúne parcerias com a montadora Fiat, além de empresas de tecnologia, concessionárias de energia elétrica e instituições de pesquisa do Brasil, Paraguai e Suíça.

Utilizando a energia limpa e renovável de usinas hidrelétricas, o VE não emite poluentes. Por isso, pode ser considerado 100% ecológico, com forte compromisso ambiental, em consonância com a missão institucional da Itaipu, que é gerar energia elétrica de qualidade, com responsabilidade social e ambiental, impulsionando o desenvolvimento econômico, turístico e tecnológico, sustentável, no Brasil e Paraguai.

No campo acadêmico, o projeto possibilita o intercâmbio de informações e conhecimentos entre institutos de pesquisas e universidades brasileiras, paraguaias e européias, que agem como catalisadores para o desenvolvimento desta nova tecnologia. Além disso, o projeto VE proporciona a capacitação de profissionais e geração de emprego e renda.

Universidade de São Paulo[editar | editar código-fonte]

A Universidade de São Paulo (USP) recebeu em 2011 a doação de quinze Scooters elétricas que estão distribuídas pelos Campi da Universidade.[4]

Nissan Leaf operando como taxi carregando em um eletroposto da Petrobras no Rio de Janeiro.

Dentre as Universidades brasileiras a USP é a mais envolvida no tema. Além do uso de Scooters elétricas para o patrulhamento nos campi, a Universidade de São Paulo está implementando um eletroposto de carga lenta para carros elétricos. Ademais, também existe um estudo acadêmico patrocinado pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) conduzido por professores da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da USP (FEA-USP), sobre impactos socioeconômicos e sobre as perspectivas de modelos de negócios para o Veículo Elétrico na região da grande São Paulo.[5]

Nissan Leaf[editar | editar código-fonte]

Em 11 de Junho de 2012 a cidade de São Paulo recebeu os dois primeiros táxis elétricos do Brasil. Trata-se do Nissan Leaf. Estes estão disponíveis para passageiros, sem tarifa diferenciada, no cruzamento da Av. Paulista com a Rua da Consolação. Até o final de 2012 serão dez táxis elétricos neste ponto [6] .

BMW i3[editar | editar código-fonte]

Em setembro de 2014, o BMW i3 tornou-se o primeiro carro elétrico plug-in disponível no Brasil para clientes de varejo.[7] Inicialmente o i3 estará disponível em concessionárias de oito cidadedes: São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Brasília, Belo Horizonte, Salvador, Recife e Joinville.[7] [8]

Incentivos em São Paulo[editar | editar código-fonte]

O BMW i3 será o primero carro Zero-Emissões do país vendido no varejo com isenção do rodízio de veículos de São Paulo.[7]

Em maio de 2014 a Prefeitura de São Paulo aprovou a Lei 15.997/14 que prevê que carros elétricos, híbridos e a célula de hidrogênio emplacados na cidade recebam de volta 50% do IPVA pago, que corresponde a parte que cabe à Prefeitura, já que o imposto é estadual. A devolução do IPVA é limitada a R$10.000 mil e vale 5 cinco anos. O carro não pode custar mais de R$150.000.[7] [9] Estes carros com propulsão alternativa também estarão isentos do rodízio de veículos de São Paulo. A prefeitura tem 30 dias para regulamentar a lei e detalhar como ela será cumprida.[7] [9] A legislação de São Paulo procura estimular a adoção de políticas semelhantes em outras cidades brasileiras.[9]

O BMW i3, o primeiro carro 100% elétrico plug-in (Zero-Emissões) disponível no Brasil para clientes do varejo, será o primeiro veículo elétrico elegível para a isenção do rodízio para carros com propulsão alternativa emplacados em São Paulo. Vários automóveis híbridos disponíveis no mercado, como o Toyota Prius e Ford Fusion Hybrid, também serão beneficiados com a isenção do rodízio e o incentivo tributário.[7]

Em Portugal[editar | editar código-fonte]

Renault Zoe - à venda na Europa por 21750€ mais 79€/mês de aluguer de baterias[10]

Em Portugal, por exemplo, tem existido algum impulsionamento na gama dos veículos eléctricos nos tempos recentes, nomeadamente para a sua aquisição. O Governo da República deliberou conceder alguns benefícios fiscais para quem quisesse adquirir este género de veículos. Todavia, com a mudança de governo, alguns desses benefícios não estão mais em vigor devido às medidas de austeridade que são aplicadas ao país.

Incentivo para abate[editar | editar código-fonte]

O incentivo à aquisição de um carro eléctrico pode chegar a 6.500 euros no caso de a aquisição do novo carro eléctrico ser realizada à custa do abate de um veículo em fim de vida (Art.º 38.º do DL 39/2010, de 26 de Abril)

Isenção de IA e IUC[editar | editar código-fonte]

Os veículos eléctricos estão isentos do pagamento quer do Imposto Automóvel, quer do Imposto Único de Circulação (Lei n.º 22-A de 2007).

Deduções fiscais para empresas[editar | editar código-fonte]

A aquisição de veículos eléctricos permitirá realizar deduções em sede de IRC.

  • Isenção fiscal em sede de IRC - As despesas com Veículos Elétricos estão isentas da tributação autónoma que se aplica aos veículos de empresa. Esta isenção não se aplica nem no caso de veículos híbridos nem no caso de motores de combustão (Artigo 88.º do Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas).
  • Depreciação de Veículos Elétricos para efeitos fiscais - O Código do IRC prevê um aumento da taxa de depreciação permitida para Veículos Elétricos face aos veículos com motores de combustão interna (Artigo 34.º do Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Colectivas e Artigo 1.º da Portaria n.º 467/2010 de 7 de Julho)

Foi constituída também a MOBI.E, uma entidade gestora da mobilidade elétrica, que tem distribuídos por Portugal 64 pontos de carregamento para veículos elétricos

Sociedade MOBI.E[editar | editar código-fonte]

Ponto de carregamento para veículo elétrico no Parque das Nações em Lisboa

Foi constituída também a MOBI.E, uma entidade gestora da mobilidade elétrica, que tem distribuídos por Portugal 64 pontos de carregamento para veículos elétricos, pretendendo ter já em meados de 2011 cerca de 1300 pontos de carregamento públicos convencionais e 50 pontos de carregamento rápido distribuídos por cinquenta cidades.[11] [12]

Vantagens do carro elétrico[editar | editar código-fonte]

  • Diminuição da poluição ambiental - É sabido que por exemplo o monóxido de carbono que surge aquando da combustão num veículo convencional e que é emitido pelo escape desse veículo, é altamente nocivo para a saúde humana provocando diversas patologias entre as quais do sistema respiratório e do sistema cardiovascular. Os gases com efeito de estufa, nos quais o CO2 se inclui, são também responsáveis pelo aquecimento global e pela desregulação climatérica do planeta, sendo que o transporte individual na atualidade tem um grande contributo nocivo para a poluição atmosférica global. Os veículos elétricos não emitem quaisquer gases com efeito de estufa na sua locomação, sendo assim denominados Zero-Emissões. Existem no entanto emissões desses gases no ato de fabricação dos veículos e das respectivas baterias.
  • Diminuição da poluição sonora - O ruído ou poluição sonora, que é frequente nas metrópoles, é também causador de diversos danos para a saúde humana, mais precisamente no sistema auditivo e no sistema endócrino, provocando estresse, hipertensão arterial e problemas circulatórios. Os veículos elétricos não emitem praticamente ruído, sendo extremamente silenciosos quando comparados com os veículos convencionais com motor de combustão.
  • Poupança nos combustíveis - Tendo o crude nos mercados internacionais um preço deveras instável e normalmente sempre crescente, e considerando que num estudo recente, as famílias portuguesas despendem cerca de 15% dos seus orçamentos para a aquisição de derivados do petróleo, o veículo elétrico torna-se deveras vantajoso pois tem um gasto em locomoção, ou seja, número de euros gastos por quilómetro percorrido, inferior em comparação com o veículo de combustão interna. O veículo elétrico é também energeticamente mais eficiente que o veículo de combustão, tendo um gasto de energia por espaço percorrido menor que um veículo convencional.
  • Sobre a poluição ambiental - Quando se fala que o carro elétrico não polui, só um terço da afirmação está correto. Só se encontra correto no ponto de vista do utilizador. Polui tanto como um saco de plástico, não polui nada. Quando um utilizador utiliza um saco de plástico, este não polui o ambiente, só polui o ambiente no processo de destruição. Quanto à poluição do carro elétrico não é referido ao utilizador a poluição do seu fabricador, incluindo a fabricação das baterias, a poluição que se produz para com o consumo de petróleo para produzir a eletricidade para carregar as baterias e por fim não se informa o grau de poluição para a destruição das suas baterias quando estas atingem o seu tempo de vida útil.

Desvantagens do carro elétrico[editar | editar código-fonte]

Nissan Leaf, lançado em Portugal em Janeiro de 2011. À venda por 35000€[13]
  • Preço - Os carros eléctricos na atualidade ainda têm um preço elevado quando comparados com os equivalentes de combustão interna, mesmo considerando os enormes benefícios fiscais atribuídos por alguns estados europeus. O incentivo aos veículos elétricos não contribui assim para a equidade social nos acessos aos meios de transporte.
  • Autonomia - A autonomia dos carros eléctricos situa-se normalmente entre os 100 km e os 200 km, o que em certas situações é diminuto. Tal está muito dependente do desenvolvimento químico em torno das tecnologias associadas às baterias.
  • Espaço - O carro elétrico não resolve uma das questões fundamentais da qualidade do espaço público em meios urbanos, pois o espaço por si ocupado é igual ao de um carro convencional. Só em Lisboa, entram 700 mil carros por dia[14] , mesmo que todos fossem elétricos, a uma área de 12 m2 por lugar de estacionamento, teríamos uma área de cerca de 8,4 km2 só para estacionamento, praticamente a área da maior freguesia de Lisboa, os Olivais.

Conversão em veículo elétrico[editar | editar código-fonte]

Existe uma empresa portuguesa embrionária denominada McMob, que faz a conversão do veículo convencional de combustão interna, a gasóleo ou gasolina, para um veículo elétrico. De momento a conversão só é possível ser realizada para o veículo Smart e tem um preço que varia entre os 7000€ e os 10000€.[15]

Existem actualmente dois tipos de carro elétricos comercializados no mundo: O carro com baterias que podem ser recarregadas e o carro a hidrogénio, que através de uma reação quimica com o oxigénio produz corrente elétrica (o mais autónomo).

Fora de fabricação[editar | editar código-fonte]

Fabricados atualmente[editar | editar código-fonte]

Protótipos[editar | editar código-fonte]

Funcionamento[editar | editar código-fonte]

Toyota i-road em Grenoble (França)

Os veículos elétricos fazem uso de bancos de baterias como fonte primária de energia. A energia armazenada nas baterias em forma química é convertida em energia elétrica, que por sua vez é transportada até os motores que farão sua conversão em energia mecânica, proporcionado que o veículo se locomova.

Partes constituintes[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Veículo elétrico

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Projeto VE
  2. Daily Elétrico - Iveco e Itaipu desenvolvem caminhão elétrico
  3. Palio Weekend Elétrico (carro para uso urbano), Daily Elétrico (caminhão elétrico para pequenas cargas) e Granmini Elétrico (mini-ônibus elétrico)
  4. Guarda Universitária recebe scooters para realizar patrulhamento
  5. A pesquisa sobre “Introdução de Veículos Elétricos no Tráfego Urbano de São Paulo” da CNPq
  6. / Táxis elétricos ficarão em ponto na Avenida Paulista
  7. a b c d e f "Elétrico, BMW i3 chega com preço de 9 populares e isenção do rodízio em SP", Universo Online (UOL), 2014-09-10. Página visitada em 2014-09-20.
  8. Luciana de Oliveira. "BMW lança seu 1º carro elétrico no Brasil a partir de R$ 225,9 mil", Auto Esporte, 2014-09-10. Página visitada em 2014-09-21.
  9. a b c "Elétricos e híbridos: São Paulo aprova lei de incentivo", Automotive Business, 2014-05-28. Página visitada em 2014-09-21.
  10. http://www.renault-ze.com/pt-pt/gama-z.e./zoe/renault-zoe-life-1237.html
  11. Inês Sequeira (Jornal Público). Renault-Nissan e Mobi.e Tech estudam promoção internacional da rede de carregamento 26.05.2010. Visitado em 29.03.2011.
  12. Lusa no sítio do Jornal Público. Carros eléctricos vão percorrer o país a partir de hoje para populações experimentarem 26.03.2011. Visitado em 29.03.2011.
  13. José Manuel Fernandes. Nissan Leaf ou o desafio do custo-benefício de andar eléctrico 16.09.2010. Visitado em 29.03.2011.
  14. http://www.tsf.pt/PaginaInicial/Interior.aspx?content_id=862392
  15. Veículos elétricos PT. Kit conversão carro eléctrico McMob 5 Outubro 2010. Visitado em 29 Março 2011.