Trólebus

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Diagrama de um trólebus GE Pullman Standard 800, de Valparaíso, 1947.

Contacto elétrico da catenária e a alavanca de um trólebus.

Trólebus, ônibus elétrico (português brasileiro) ou troleicarro, trólei (português europeu) é um ônibus (autocarro) movido a eletricidade[1] exógena, tipicamente transmitida por cabo aéreo suspenso sobre o seu trajeto (catenária).

É similar aos ônibus convencionais, roda por meio de pneus de borracha sobre pavimento rodoviário normal, e não por meio de rodas metálicas sobre trilhos, como o fazem a maioria dos veículos elétricos (como trens ou bondes). A energia chega aos veículos através de hastes (denominadas tecnicamente como alavancas (português brasileiro) ou varas (português europeu) — ou pelo anglicismo trolley pole), que ficam sobre a carroceria, em permanente contato com a fiação específica que acompanha o percurso (esta é diferente da dos bondes, conduzindo carga em dois fios). Os trólebus têm parte de sua estrutura elétrica baseada nos bondes que nos Estados Unidos são conhecidos como trolleys, daí o nome trólebus.


História[editar | editar código-fonte]

Trólebus e bonde, cruzando-se em Bremen, 1911.
Trólebus britânico (Cardiff) em 1969.
Trólebus checo (Ostrava), em 2011.

Com a grande demanda de veículos automotores chegando às ruas, os bondes, por andarem em trilhos, se tornavam um transtorno nas cidades. Com isso, aproveitando a parte aérea da estrutura dos bondes, foram criados os trólebus. Em vez de buscar energia na rede composto por um fio e devolver pelos trilhos como os bondes fazem, os trólebus buscam a energia por um fio e devolvem por outro que corre paralelo, através das alavancas em cima dos veículos. Com isso os trólebus poderiam ultrapassar os carros e encostar nas calçadas, coisa que os bondes não poderiam fazer.

Os trólebus circulam em muitas cidades ao redor do mundo, como Nova Iorque, Buenos Aires, Londres e Coimbra.

Países com trólebus:
         atual;      histórico.


No Brasil[editar | editar código-fonte]

Trólebus piso baixo em São Paulo.

No Brasil os trólebus surgiram em 1949 na cidade de São Paulo.[2] Vários sistemas seriam criados entre os anos 1950 e 1960 como os do Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Niterói, Porto Alegre, Salvador, Campos dos Goytacazes, Fortaleza entre outros, sendo a maioria destes extintos até o início da década de 1970. Restariam, daquela época, apenas os sistemas de São Paulo, Recife, Santos e São Bernardo do Campo.

A demanda por esse tipo de veículo despertou o interesse de empresas nacionais em produzirem trólebus localmente. O primeiro protótipo brasileiro, com um índice de nacionalização de 85% do custo, foi construído pela Villares em 1958 e entregue à CMTC, recebendo o prefixo 6007. Outras empresas posteriormente acompanharam a iniciativa, dentre as quais a Massari e Mafersa. A própria CMTC encarregou-se de reformar alguns veículos no final dos anos 1960.[3]

Nos anos 1980 os trólebus ganhariam novo fôlego no Brasil, através de um programa criado pela estatal Empresa Brasileira de Transportes Urbanos – EBTU, em conjunto com o Ministério dos Transportes e o BNDE (atual BNDES). Surgiriam os sistemas de Ribeirão Preto e de Rio Claro, além do Corredor Metropolitano São Mateus - Jabaquara, da Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos de São Paulo na Região Metropolitana de São Paulo. Os remanescentes de outras épocas receberam investimentos para renovação e reforma da estrutura elétrica, além da compra de novos veículos e até mesmo a pavimentação de ruas e avenidas por onde os trólebus circulariam.

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Todavia, desde o início dos anos 1990, influenciados pelos novos tempos da política que exigem a chamada "redução do tamanho do Estado" através de privatizações, esses veículos foram gradativamente sendo deixados de lado e desativados no Brasil, dada a falta de interesse dos empresários de ônibus nacionais. Foram extintos os sistemas de Rio Claro em 1993, Ribeirão Preto em 1999, Araraquara em 2000 e o de Recife em 2001. Santos sofreria uma redução drástica entre os anos de 1993 e 1996, com a retirada de mais de 50 carros de circulação e a manutenção de apenas uma, das sete linhas antes existentes. O sistema foi privatizado a partir de julho de 1994, atualmente, apenas seis carros circulam no sistema municipal daquela cidade em uma linha, a 20, ligando o Centro ao Gonzaga. Há planos de se criar uma linha turística de trólebus na cidade. Por outro lado, foi solicitado o tombamento do sistema de trólebus de Santos, em tramitação.

Santos[editar | editar código-fonte]

Um veículo Mafersa em operação (linha 20), em 2005.

O sistema de Trólebus de Santos foi inagurado em 12 de Agosto de 1963, e mantém-se em operação nos dias de hoje, circulando apenas uma linha, de 11 que jamais existiram. Foi privatizado em 1998 e o seu tombamento solicitado em 2006.

Cidade de São Paulo[editar | editar código-fonte]

Trólebus articulado na Praça da Sé, centro de São Paulo.

O Sistema Municipal de Trólebus de São Paulo é o mais antigo desta categoria de veículos no Brasil, tendo sido inaugurado em 1949. Atualmente é o maior em atividade no Brasil e em todo o Hemisfério Sul, operando atualmente com 200 veículos em 13 linhas (sendo duas temporariamente suspensas), todas elas operadas pela Ambiental Transportes Urbanos Ltda e gerenciadas pela São Paulo Transporte S.A..

Corredor ABD[editar | editar código-fonte]

Trólebus articulado da Metra.

O sistema do corredor da EMTU-SP (São MateusFerrazópolisPiraporinha, no Estado de São Paulo), depois da privatização feita em 1997, permanece operando com cerca de 80 veículos, sendo que a maior parte do trajeto é feito em via segregada do restante do trânsito das ruas e avenidas por onde passa (o que se constitui como uma excelente vantagem para a sua operação).[4]

Recentemente o trajeto entre o Terminal Piraporinha, em Diadema, e o Terminal Jabaquara, em São Paulo, foi eletrificado porém ainda não opera totalemente com trólebus.

A concessionária Metra adquiriu, em julho de 2006, 24 veículos que estavam encostados no sistema municipal de São Paulo, restaurando-os e colocando-os em circulação novamente.


Em Portugal[editar | editar código-fonte]

Veículo 140 dos STCP (Porto), um Lancia de dois andares, exposto num museu britânico.
Veículo 75, um Trolino Solaris, servindo a carreira 4 dos SMTUC com destino à Estação Nova (Coimbra) .
Veículo 171=55, servindo a carreira 70 dos SMTUC com destino a São José (Coimbra).
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Coimbra[editar | editar código-fonte]

A única cidade portuguesa equipada actualmente com trólebus é Coimbra, atualmente com mais carreiras desde a extinção dos eléctricos na cidade.

Braga[editar | editar código-fonte]

Em Braga circularam tróleis desde 1961 até finais da década de 1970.

Porto[editar | editar código-fonte]

No Porto circularam 15 carreiras de trólei, de Janeiro de 1959 a Dezembro de 1997.


Vantagens e Desvantagens[editar | editar código-fonte]

Trólebus Millennium II em São Paulo.
Vantagens
  • Maior potência nas subidas.
  • Trata-se de um veículo mais silencioso que os convencionais.
  • Não polui o meio ambiente, pois não solta as partículas e gases que provêm de motores a explosão.
  • É mais confortável para passageiros e motoristas, já que não possui câmbio de troca de marchas (evitando os solavancos típicos desse processo) e motor frontal que gera calor.
Desvantagens
  • Sua fiação degrada o ambiente visual.
  • Depende da existência de fiação (rede aérea) para se locomover.
  • Não podem ultrapassar outros trólebus que estiverem à sua frente.
  • Possibilidade de queda das alavancas de contato com a rede aérea, interrompendo a circulação do veículo até à sua reposição.

Algumas de suas desvantagens foram solucionadas ou minimizadas, como ocorreu após o desenvolvimento de uma marcha autônoma que, quando ocorre queda da energia, o motor continua funcionando em sistema híbrido ou possui um segundo motor a diesel. A fiação pode ser melhorada com sistema flexível, que minimiza ou até mesmo impede a queda da alavanca do veículo. O visual da fiação poderá melhorar com a instalação de postes arquitetônicos.[5]

Trólebus bi-articulado (4 eixos, 3 segmentos) em Zurique. Note-se à esquerda como se cruza com uma linha de bonde.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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