Batalha dos Guararapes

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa


Guararapes
Guerra Luso-Holandesa, Guerra da Restauração
Meirelles-guararapes.jpg
A Batalha dos Guararapes, óleo sobre tela por Victor Meirelles de Lima
Data 19 de abril de 1648 (1ª Batalha)

19 de fevereiro de 1649 (2ª Batalha)

Local Morro dos Guararapes, estado de Pernambuco (Brasil colonial)
Resultado Vitória do Império Português
Combatentes
Flag Portugal (1640).svg
Reino de Portugal
WIC
Prinsenvlag.svg
República das Sete Províncias Unidas
Comandantes
João Fernandes Vieira
André V. Negreiros
Francisco Barreto de Meneses
Filipe Camarão
Henrique Dias
Antônio Dias Cardoso
Sigismund Von Schkoppe
Forças
2.200 homens,6 peças de artilharia (capturadas) 7.400 homens e 6 peças de artilharia
Baixas
84 mortos, 400 feridos,4 peças de artilharia 1.200 mortos, 700 feridos,6 peças de artilharia capturadas

A Batalha dos Guararapes, na sequência da Guerra da Restauração após a Restauração da Independência de Portugal de 1640, foi uma batalha travada em dois confrontos entre o exército da Holanda e os defensores do Império Português no Morro dos Guararapes, atual município de Jaboatão dos Guararapes, 10 km ao Sul do Recife, no estado de Pernambuco, Brasil.

Os dois confrontos foram:

Por ter sido vencida pelos portugueses destaca-se como episódio marcante na Insurreição Pernambucana, que culminou no término das Invasões holandesas do Brasil, no século XVII. A assinatura da capitulação deu-se em 1654, no Recife, de onde partiram os últimos navios holandeses em direção à Europa.

1ª Batalha[editar | editar código-fonte]

Segue um resumo da descrição da 1ª batalha, segundo Diogo Lopes Santiago, um cronista da guerra:

Tanto que nossa infantaria se escondeu nos mangues ao pé do último monte, Antônio Dias Cardoso ordenou a 20 de seus melhores homens que fossem com 40 dos índios de Filipe Camarão procurar o inimigo, que marchava do Recife pelo caminho dos Guararapes.

Na entrada dos montes, nossos 60 soldados atacaram a vanguarda holandesa e vieram se retirando sem dar costas ao inimigo, atraindo-o a uma passagem estreita entre os montes e o mangue, até poucos passos de onde estava o nosso exército. Do nosso lado houve certa confusão e opiniões de retirada frente àquele exército tão superior, mas os dois mestres de campo, João Fernandes Vieira e André Vidal de Negreiros, resolveram, conforme combinado, enfrentá-los ali, dando a primeira carga e investindo no inimigo à espada, mesmo que sob fogo dos mosquetes.

Marchou André Vidal pela baixa com o Camarão à sua direita pelo mangue. Vieira avançou pelo alto com Henrique Dias à sua esquerda. Aguardaram os nossos duas espantosas cargas de mosquetaria e artilharia sem da nossa parte se dar nenhum tiro, indo ao encontro do inimigo já bem perto. Neste tempo, por toda parte, disparou nosso fogo de uma só vez, causando grande dano e desorganização nos esquadrões inimigos. Logo os nossos sacaram as espadas e atacaram com tanto ímpeto e violência que não puderam os lanceiros conter os nossos de infiltrarem-se, matarem e destroçarem por meia hora, até que lhes pusessem em fuga. Fugindo e descendo do monte, a seu pesar com mais presteza do que subira, os que escaparam de Dias e Vieira se juntaram aos que estavam em retirada pela campina pressionados por Vidal e Camarão. Ganhamos todos os canhões do inimigo e muita bagagem, motivo que levou muitos soldados ao saque e à euforia.

Como esperado em exércitos como aquele holandês, ter gente de reserva para situações difíceis lhes valeu um contra-ataque fulminante pegando nossos soldados desorganizados, além de exaustos, que se puseram em fuga monte abaixo.

A luta desesperada que seguiu daí pela defesa da passagem estreita (apelidada boqueirão) durou várias horas, com os oficiais (nossos e inimigos) no meio da ação. Acabamos por perder 4 das 6 peças da artilharia ganha. Por fim, o campo ficou nosso e o alto dos montes do inimigo. O general holandês, gravemente ferido no tornozelo, determinou a retirada durante a noite deixando dois canhões apontados para o boqueirão, disfarçando seu recuo para o Recife.[1]

Ataque luso e recuo holandês
Contra-ataque surpresa da reserva holandesa

Heróis da Pátria[editar | editar código-fonte]

A Lei nº 12.701, de 06 de agosto de 2012[2] determinou que os nomes dos principais personagens luso-brasileiros na batalha, juntamente com o de Francisco Barreto de Meneses que comandou de ofício o "Exército Patriota" e é chamado "Restaurador de Pernambuco", fossem incritos no Livro de Heróis da Pátria (conhecido como "Livro de Aço"), depositado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, um cenotáfio que homenageia os heróis nacionais localizado na Praça dos Três Poderes, em Brasília.

Notas

  1. Diogo Lopes de Santiago. História da guerra de Pernambuco: (...). [S.l.]: FUNDARPE, 1984. 596 p. ISBN 9788586206153 (Trechos digitalizados (Google books))
  2. Lei nº 12.701, de 06 de agosto de 2012

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Santiago, Diogo Lopes. História da Guerra de Pernambuco (...), 1654.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Batalha dos Guararapes
Ícone de esboço Este artigo sobre batalhas (genérico) é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.