Rede Manchete

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Rede Manchete
TV Manchete Ltda.
Tipo Rede de televisão aberta
País  Brasil
Fundação 5 de junho de 1983
por Adolpho Bloch
Extinção 10 de maio de 1999
Pertence a Bloch Editores
Proprietário Pedro Jack Kapeller
Cidade de origem Rio de Janeiro Rio de Janeiro, RJ
Sede Bandeira da cidade do Rio de Janeiro.svg Rio de Janeiro, RJ
Edifício Manchete - Rua do Russel, 804 - Glória
Estúdios Bandeira da cidade do Rio de Janeiro.svg Rio de Janeiro, RJ
Edifício Manchete - Rua do Russel, 804 - Glória
Bandeira da cidade de São Paulo.svg São Paulo, SP
Avenida Professora Ida Kolb, 551 - Limão
Slogan Você em primeiro lugar
Formato de vídeo 480i (SDTV)

Rede Manchete (também conhecida como TV Manchete ou apenas Manchete) foi uma rede de televisão brasileira fundada na cidade do Rio de Janeiro em 5 de junho de 1983 pelo jornalista e empresário ucraniano naturalizado brasileiro Adolpho Bloch. A emissora permaneceu no ar até ao dia 10 de maio de 1999.

História[editar | editar código-fonte]

A programação da emissora foi marcada por sucessos e insucessos durante a sua existência. A cobertura do carnaval carioca também teve grande destaque na programação da TV Manchete. A emissora mostrava os preparativos da grande festa popular do país com os programetes Feras do Carnaval e Esquentando os Tamborins, exibidos ao longo da programação. A cobertura do "Carnaval da Manchete" começou em 1984, ano de inauguração do Sambódromo carioca. A emissora de Adolpho Bloch conseguiu exclusividade nas transmissões daquele ano após desistência da Rede Globo, ocorrida por questões de ordem política (desavenças entre Roberto Marinho e Leonel Brizola). No ano seguinte (1985) a Globo voltou a transmitir os desfiles simultaneamente com a Manchete. Em 1988 a Manchete não transmitiu os desfiles por conta de um impasse com os organizadores dos desfiles e em 1999, a falta de recursos a impediu de transmitir o evento.

Outras telenovelas de sucessos produzidos pela Manchete foram Dona Beija (1986), Helena (1987), Corpo Santo (1987), Kananga do Japão (1989), além da sua primeira produção dramaturgia, a minissérie Marquesa de Santos (1984).

Um dos seus mais notáveis sucessos foi a novela Pantanal, exibida em 1990. Vieram outros como A História de Ana Raio e Zé Trovão (1991), Tocaia Grande (1995) e Xica da Silva (1996).

O canal se tornou conhecido também por exibir as diversas séries de tokusatsus e animes, todas de origem do Japão, com grande sucesso, que também foi responsável da introdução das produções japonesas no Brasil, que anos depois, outras emissoras de TVs abertas e assinaturas passaram exibir outros animes.

No final dos anos 1980 e boa parte dos anos 1990 eram exibidas as séries Jaspion, Changeman, Jiraiya, Flashman, Jiban, Lion Man, Black Kamen Rider, Maskman, Cybercops, Spielvan, Kamen Rider Black RX, Patrine, Winspector e Solbrain. Graças ao grande sucesso dessas séries é que chegaram os animes Cavaleiros do Zodíaco (episódios e em OVA), Samurai Warriors, Shurato, Yu-Yu-Hakushô, Sailor Moon, Super Campeões e US Mangá.

Nos anos 1990 os programas infantis foram: Dudalegria (manhã); A Turma do Arrepio e Clube do Seu Boneco (ambos na tarde) em 1995. Além desses programas, eram exibidos desenhos considerados "clássicos" das décadas de 50, 60, 70 e 80: Calvin e o Coronel, Dartagnan e os Três Mosqueteiros, Don Quixote de la Mancha, Família Drácula, O Pirata do Espaço, Super Tiras, Patrulha Estelar, Superaventuras, Família Tró-ló-ló, Josie e as Gatinhas, Lorde Gato, Marmaduke, A Turma do Abobrinha, Goldie Gold e Manda-Chuva e os sitcoms Seinfield e Friends.

Outro nome famoso, que ganhou projeção na Manchete foi o do radialista Eloy Decarlo. Conceituado comunicador carioca, se tornou nacionalmente conhecido quando, por todo o tempo de existência da emissora, foi a "voz-padrão" das chamadas da programação do canal e das vinhetas, principalmente nos comerciais.

O jornalismo sempre foi o carro-chefe da emissora. O telejornal Jornal da Manchete, o principal informativo do canal, trazia aprofundamento das notícias e comentários de grandes nomes do jornalismo brasileiro, como Carlos Chagas, Villas-Boas Corrêa, Zevi Ghivelder e Salomão Schvartzman, entre outros e comentaristas como João Saldanha. Também revelou os apresentadores Mylena Ciribelli, Cláudia Cruz e Alexandre Garcia que posteriormente transferiram-se para a Rede Globo.

Nos primeiros anos da emissora, o Jornal da Manchete ficava no ar por três horas, o que nunca ocorreu na história da televisão brasileira, já que os telejornais locais e nacionais da década de 1980 e anteriores, nunca ultrapassaram os 40 minutos de exibição. Sua primeira parte, dedicada ao noticiário cultural, era intitulado Panorama Manchete, apresentado por Íris Lettieri (na época, a voz do aeroporto carioca e do número de telefone que informava a Hora Certa) e Jacyra Lucas. Seguia o Manchete Esportiva, apresentado por Márcio Guedes e Paulo Stein. Ainda tinha o Debate em Manchete, com Arnaldo Niskier. Então vinha o Jornal da Manchete 1ª Edição, apresentado por Carlos Bianchini e Ronaldo Rosas. No final da noite, entrava no ar o Jornal da Manchete 2ª Edição, ancorado por Luiz Santoro, Roberto Maia e Claudia Ribeiro, depois substituída por Leila Richers. A partir de agosto de 1989, o casal de jornalistas Eliakim Araujo e Leila Cordeiro, que estava na Globo, foi contratado e assumiu o comando do Jornal da Manchete, até o final de 1992.

A emissora passou a usar certos apelativos como cenas de nudez em novelas como Dona Beija, Pantanal entre outras produções da casa e até espetáculos de strip-tease impróprios para o horário como o da jornalista Íris Lettieri na contagem regressiva para o carnaval e no programa de calouros de Raul Gil em horário vespertino além de programas de striptease com telessexo.

A partir de 1998 surgiu uma crise incontrolável na emissora. Salários atrasados, tentativas fracassadas de venda e programas que saíam do ar arranharam a imagem da estação, até que no dia 10 de maio de 1999 a emissora mudou de nome (passou a se chamar TV!) e de dono, encerrando a história iniciada em 1983.

Concessões[editar | editar código-fonte]

A concorrência para as duas novas redes de televisão foi realizada pelo Governo Federal do Brasil em 1980, depois que a TV Tupi foi cassada. Participaram da concorrência os grupos Abril, Sílvio Santos, Bloch, Capital, Visão, Sistema Brasileiro de Comunicação, Jornal do Brasil, Rede Rondon de Comunicação Ltda. e Rede Piratininga.

Ganharam os grupos Sílvio Santos e Bloch. As nove concessões de TVs extintas da Rede Tupi, cassadas em 1980, mais a vaga da Rede Excelsior, sediada na cidade de São Paulo, cassada em 1970, foram cedidas ao jornalista e empresário Adolpho Bloch e ao empresário e apresentador Silvio Santos, em 25 de março de 1981 pelo presidente do Brasil, João Figueiredo.

Nesse dia, passaram às mãos de Bloch, quatro canais que pertenciam à Rede Tupi e Rede Excelsior. Outras quatro concessões da Rede Tupi foram cedidas ao Sílvio Santos. Nascia, assim, o Sistema Brasileiro de Televisão, mais conhecida como SBT, no mesmo dia. O Grupo Bloch decidiu adiar o lançamento da emissora, para poder preparar o projeto da nova rede.

A Rede Manchete ficou com o canal 6 do Rio de Janeiro (antiga TV Tupi carioca), o canal 9 de São Paulo (antiga TV Excelsior), o canal 2 de Fortaleza (antiga TV Ceará), o canal 4 de Belo Horizonte (antiga TV Itacolomi) e o canal 6 do Recife (antiga TV Rádio Clube de Pernambuco).

De fato, o SBT é sucessor da Rede Tupi de Televisão e já a Manchete era sucessora da Tupi e Excelsior. A nova rede recebeu o nome da revista Manchete, carro-chefe da Bloch Editores desde sua estreia em 26 de abril de 1952.

Há também uma polêmica que dura até hoje de que a concessão da Manchete seria para o Grupo Abril, pois o grupo nunca se conformou em ter perdido aquela concorrência para Bloch e aponta o favorecimento do regime militar brasileiro como motivo da vitória.

Por outro lado, o Grupo Bloch demonstrou que nunca esteve preparado para arcar com os custos da criação de uma rede de televisão e devido a este equivoco encontrou-se em estado pré-falimentar nas crises de 1992 e 1998.

Inauguração em 1983[editar | editar código-fonte]

Sede da TV Pampa de Porto Alegre, RS, primeira emissora afiliada à Rede Manchete.

Quase dois anos depois das concessões, a Rede Manchete foi ao ar pontualmente às 19h do domingo, no dia 5 de junho de 1983, contando com um investimento inicial na casa dos US$ 50 milhões de dólares, um investimento altíssimo para a época. Logo na estreia, a Rede Manchete chegou com grandes inovações. Foi colocada no ar uma contagem regressiva futurística de 8 segundos para um informe da Petrobras anunciando o lubrificante Lubrax e dando boas-vindas a nova emissora brasileira. Seguiu um discurso no ar de Adolpho Bloch no cenário do jornalismo da emissora. Em seguida, foi colocada no ar a 1a vinheta interprogramas futurística, onde a letra "M" dourada, amarela clara ou escura, voa e explode com várias "M"'s e aparece o nome rede manchete. Nessa 1ª vinheta interprogramas futurística, apareceu a mensagem em que oficializava a entrada do ar a rede e a primeira afiliada: a TV Pampa de Porto Alegre, onde contava com várias "emissoras gêmeas" da mesma TV no interior do estado do Rio Grande do Sul. Em seguida, foi ao ar uma moderna vinheta, um clipe onde uma nave, representada pelo "M" (logotipo da emissora), sobrevoava as principais cidades brasileiras e aterrissava no alto do prédio da Rua do Russel, no Rio de Janeiro, local da emissora. A moderna vinheta permaneceu no ar durante os 16 anos da emissora, a mais longa vinheta de uma televisão brasileira e também do mundo.

No dia da inauguração, o depoimento de Adolpho Bloch foi ao ar, primeiramente, sem som. Logo depois, o recomeço da gravação, tudo correu normalmente. E depois continuou: Meus amigos, hoje é um dia importante para a Família Manchete. Como você sabe, a nossa riqueza é o trabalho e o otimismo. Para nós, a televisão foi um desafio. Estamos felizes em continuar contribuindo para a construção de um Brasil grande. O presidente João Figueiredo confiou em nossa imprensa. Para nós, a televisão representa responsabilidade. Estamos produzindo uma programação de alto nível. É um dever mencionar o pioneiro Assis Chateaubriand, um homem de grande visão. Apresento minhas saudações à TV Educativa, à TV Cultura, à TV Bandeirantes, à TV Gazeta, à TV Sílvio Santos (referindo-se à TVS, atual SBT), à TV Record, às emissoras independentes e à Rede Globo de Televisão. Meus agradecimentos ao Dr. Roberto Marinho. Nossa amizade já passa de meio século. Deixo com vocês, meus amigos, a Rede Manchete de Televisão. Ela está no ar..

A emissora carioca tinha como sua cabeça de rede no Rio de Janeiro e era sediada num majestoso prédio, arquitetado por Oscar Niemeyer, na Rua do Russel, 744-766-804, no bairro da Glória (Zona Sul do Rio de Janeiro). Em 1991, a emissora inaugura sua nova sede em São Paulo, que era nos bairros do Sumaré (antena transmissora) e Casa Verde (Zona Norte), na Av. Prof. Ida Kolb, 551.

O primeiro programa a ser exibido foi um show denominado Mundo Mágico, contando com a participação de diversos conjuntos musicais e artistas, com várias atrações, dentre elas o recente grupo musical Roupa Nova, que foi transmitido ao vivo. A audiência chegou a incomodar o jornalístico Fantástico, exibido pela Rede Globo. Depois do show, a Rede Manchete colocava no ar o primeiro filme exibido em sua história o filme inédito Contatos Imediatos do Terceiro Grau, de Steven Spielberg, que colocou a emissora na liderança em audiência, alcançando 27% contra 12% registrados pela Rede Globo na capital carioca. Isso acabou assustando um pouco as outras emissoras.

Entrava no ar o Clube da Criança, revelando a apresentadora infantil, modelo e manequim Xuxa. Houve naquela época uma grande polêmica sobre Xuxa, que posou nua em várias revistas masculinas, a última foi poucos meses antes de estrear como apresentadora infantil. Xuxa permaneceria à frente da atração até ser contratada pela Rede Globo em 1986.

Foi adotado o primeiro slogan "Televisão de Primeira Classe" e dentre os programas que ganharam destaque nos primeiros meses de transmissão estavam: Conexão Internacional, com Roberto D'Ávila; Bar Academia, com Walmor Chagas; Persona; Um Toque de Classe, com grandes nomes da música erudita nacional; Xingu; Concertos de Ópera e o Jornal da Manchete, telejornal exibido em horário nobre. O primeiro diretor de programação foi Rubens Furtado e o segundo foi Kendey Araújo.

A rede tenta com uma programação de alto nível, com documentários, jornalismo e programas de entrevistas.

Poucas semanas depois da inauguração, no mesmo mês, o cantor e repórter do Conexão Internacional, Caetano Veloso, provocou polêmica ao entrevistar o vocalista do Rolling Stones, Mick Jagger. O programa é conduzido pelo jornalista Roberto D'Ávila, com a participação de Walter Salles atrás das câmeras (na época não era diretor de filme). Além do Veloso demonstrar falta de preparo no inglês, foi insultado por Jagger. No dia 25 de junho, o jornalista Paulo Francis publicou na Ilustrada, caderno cultural da Folha de São Paulo, um texto intitulado "Caetano, pajé doce e maltrapilho", que embora elogiasse Veloso ser melhor do que Jagger, criticou a roupa usada por ele "de Pajé contra pajé tudo com autoridade imediatamente consagrada pela imprensa, que é mais deslumbrada do que o público (…) É evidente, por exemplo, que Mick Jagger zombou várias vezes de Caetano na entrevista na TV Manchete." Continuou a crítica Veloso ao perguntar ao Jagger se ele é tolerante com os povos latino-americano: "O pior momento foi aquele em que Caetano disse que Jagger era tolerante e Jagger disse que era tolerante com latino-americanos (sic), uma humilhação docemente engolida pelo nosso representante no vídeo. Essa pergunta simplesmente não se faz em televisão, ou até em jornal. É de um amadorismo total. Só serve para seminários de 'comunicação' no interior da Bahia. Não é uma pergunta jornalística. Jagger começou a debochar aí." O artigo não provocou uma resposta imediata de Caetano, que só mencionou o episódio em outubro do mesmo ano, na coletiva para o show "Uns", em São Paulo: "Agora o Francis me desrespeitou. Foi desonesto, mau-caráter. É uma bicha amarga. Essas bonecas travadas são danadinhas." e o caso teve repercussão nacional.[1]

1984-1988[editar | editar código-fonte]

Em fevereiro de 1984 a Rede Manchete estreou na transmissão dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, ocorridos no recém inaugurado Sambódromo da Marquês de Sapucaí. A Manchete transmitiu o evento com exclusividade. A Rede Globo se recusou em cobrir a festa, devido os atritos entre Leonel Brizola, então governador do estado fluminense, e Roberto Marinho, proprietário da emissora. A transmissão foi ao vivo e deu a Manchete liderança folgada, com ibope de 80 pontos, pontuação mais alta já registrada na história.

O ano marcou também pela criação do núcleo de dramaturgia e pela transmissão dos comícios das "Diretas Já".

Em julho, a emissora transmitiu pela primeira vez os Jogos Olímpicos, realizados em Los Angeles.

Ainda naquele mês, entrava no ar Antônio Maria, a primeira novela produzida pela emissora e a série humorística "Tamanho Família".

No mês de agosto a Manchete começou a gravar e exibir a primeira produção de dramaturgia, a minissérie, Marquesa de Santos, protagonizada por Maitê Proença e Gracindo Jr.. Na história, a Marquesa de Santos, era umas das amantes do imperador D. Pedro I, que embora seja casado com a Imperatriz Leopoldina, tinha várias amantes sendo ela a mais conhecida. A trama, repleta de escândalos palacianos que teriam levado à renúncia de D. Pedro em 1831, em meio da maior crise política e social. A mini-série foi um sucesso de audiência.

Em 15 de março de 1985, a rede faz cobertura a posse até então vice-presidente José Sarney, o primeiro civil a assumir a presidência desde o golpe militar de 1964, pois o Tancredo Neves foi internado na véspera da posse. A emissora faz cobertura da agonia e a morte de Neves ocorrida em 21 de abril do mesmo ano.

No mesmo ano, na primeira fase, como parte da programação voltada para os jovens, é exibido o FM TV nos finais de tarde, o programa de videoclips musicais cuja linguagem visual antecipava a atual MTV Brasil. Alguns de seus apresentadores tornaram-se nomes conhecidos do grande público: Tim Rescalla, Patrícia Pillar, Emílio Surita e João Kléber.

Os primeiros sinais de prejuízo surgiram em fevereiro de 1986. A rede acumulava um prejuízo de 80 milhões de dólares e uma dívida que chegava a 23 milhões de dólares. Apesar disso, a partir desse ano, são exibidas outras telenovelas de sucesso produzidas pela Manchete, como a Dona Beija, lançada em abril.

Em 21 de abril, ganha nova afiliada em Amazonas e Rondônia: a Rede Brasil Norte.

Em junho, transmitiu pela primeira vez a Copa do Mundo de Futebol, diretamente do México.

Com o agravamento da crise, no mês de setembro acontece a primeira greve de funcionários.

Apesar disso, entre 1986 a 1992, chega a ser a segunda maior rede de televisão do Brasil e a terceira maior potência na TV da América Latina (perdendo apenas a Rede Globo e a rede de televisão mexicana Televisa).

A TV Brasília, que até então era afiliada do SBT passa a retransmitir a rede em junho, se tornando a principal afiliada.

José Wilker chega ao final do ano para reforçar o núcleo de dramaturgia e coloca no ar em março de 1987 a novela policial Corpo Santo.

Em abril, a emissora estreia Nave da Fantasia, um programa infantil, com outra revelação do talento da apresentadora Angélica, então com apenas 13 anos e que estudava na sétima série do 1º Grau.

Em julho, nova crise na Rede Manchete e são demitidos cerca de 100 funcionários. A linha de shows é desativada. Adolpho Bloch confirma a intenção de vender a rede. Porém desiste de vendê-la em 1988, depois de melhorar a situação financeira da rede.

No segundo semestre, Angélica passa a apresentar o Clube da Criança, totalmente reformulado.

Em 1988, depois de cinco anos insistindo a programação de alto nível, com documentários, jornalismo e programas de entrevistas, a dívida da Rede Manchete sobe para os 34 milhões de dólares, provocando a extinção de programas, que não deram audiência e anunciantes. O investimento de televisão de primeira classe, não teve retorno financeiro e nem audiência, levando a extinção de programas, quase todos da época da estreia de 1983. Os grandes anunciantes não demonstraram qualquer interesse neste tipo de programação, preferindo nas redes Globo, SBT e Bandeirantes, todas com programações populares, geralmente com programação de gosto duvidoso.

Em mais uma tentativa de salvar a emissora são colocados no ar 19 novos programas, entre eles: o humorístico Cadeira de Barbeiro, com Lucinha Lins e Cacá Rosset, e o Sem Limite com Luiz Armando de Queiroz. Nas manhãs, o espaço era do jornalismo com a exibição do noticiário Repórter Manchete e do Brasil 7:30, apresentado por Liliane Cardoso direto dos estúdios da TV Brasília. À tarde faziam sucesso os seriados Jaspion e Changeman.

A emissora transmitiu em setembro, as Olimpíadas de Seul, sua segunda olimpíada.

1989-1991: Auge da Manchete[editar | editar código-fonte]

Em 1989, a emissora começa a viver o seu apogeu, sendo causa pela vice-liderança absoluta.

No mês de julho ia ao ar (com grande sucesso) a novela Kananga do Japão, protagonizada por Christiane Torloni e Raul Gazolla. No esporte, destaque para as transmissões ao vivo dos jogos da Copa Rio. No jornalismo Documento Especial: Televisão Verdade, apresentado por Roberto Maya e dirigido por Nélson Hoineff. A emissora lançou o Cabaré do Barata, com o humorista Agildo Ribeiro.

Em março de 1990, a Rede Manchete inicia a exibição da novela Pantanal. A novela foi de grande sucesso e os índices de audiência superaram pela primeira vez os da Rede Globo, ficando sempre acima de 40 pontos (em alguns casos até 70 pontos em cidades brasileiras) de audiência, sendo a primeira vez que uma rede de televisão desbanca a Globo desde 1975, quando a Rede Tupi registrou a sua última liderança. Esta novela influenciou as aberturas de novelas da Rede Globo, onde foram extintas a exibição do final do capítulo anterior e o intervalo comercial, passando a novela da Globo ser exibida logo em seguida à finalização do Jornal Nacional.

O Documento Especial: Televisão Verdade estreia na atração. Em junho, a emissora transmitiu a Copa do Mundo da Itália.

Em dezembro, ia ao ar a novela A História de Ana Raio e Zé Trovão, sucedendo Pantanal. Apesar não repetir o sucesso de Pantanal, terminou com a média de 20 pontos, com picos de 35 pontos, mantendo-se na vice-liderança.

1991-1994: Primeira crise[editar | editar código-fonte]

1991[editar | editar código-fonte]

Em 1991, o cinema brasileiro ganhou destaque na programação, através de uma das principais sessões de filmes da emissora, o Cinema Nacional. No mesmo ano, o diretor Jayme Monjardim reúne com todos os representantes das emissoras afiliadas da rede para anunciar a nova programação visual da Manchete, acompanhada por novos programas.

Em agosto do mesmo ano, foi anunciada a venda da emissora para o empresário Paulo Octávio (então deputado federal que era filiado ao PRN), amigo do presidente Fernando Collor, mas nada se concretizou.[2]

A Manchete começa a investir bilhões de cruzeiros na nova novela Amazônia, que entra no ar no final de 1991.

Durante a exibição do Pantanal (1990) e da A História de Ana Raio e Zé Trovão (1990-1991), a Rede Manchete já tinha praticamente afiliadas e repetidoras em todas as Capitais e inúmeros municípios, tornando-se de fato uma Rede Nacional com cobertura em praticamente todo o Brasil.

1992[editar | editar código-fonte]

Em janeiro de 1992, entra no ar Almanaque, programa de variedades apresentado por César Filho e Tânia Rodrigues.

A nova novela Amazônia, até então promessa de repetir o sucesso de Pantanal, começa dar baixos índices de audiência e torna-se um fracasso de audiência (apenas 2 pontos). A emissora coloca no ar a continuação Amazônia - Parte II, após saída de personagens que não agradaram o telespectador. Mesmo assim, mantém baixos índices de audiência e por causa disso, entrou em grave crise econômica (a causa principal conhecida foi o altíssimo investimento na novela, que acabou em prejuízo estrondoso).

A nova programação visual prometida por Jayme Monjardim acaba não dando muito certo. Jayme acaba sendo demitido por Adolpho Bloch, iniciando a primeira grande crise da emissora. Também neste ano, a Rede Manchete deixava de ser vice-líder de audiência, após perder a posição para o SBT, ficando em terceira colocada.

Com o agravamento da crise, em abril, Adolpho Bloch começou a procurar um comprador para a emissora. O Grupo IBF (Indústria Brasileira de Formulários), presidida pelo empresário Hamilton Lucas de Oliveira, se ofereceu para cuidar da emissora. A rede começa a ser negociada com o Grupo IBF, que fez fortuna com a impressão de raspadinhas.

Em maio, concretizava-se a venda da Rede Manchete de Televisão para o Grupo IBF, 670 funcionários foram demitidos e a base de operações foi transferida para São Paulo.

Em junho, era oficializada a venda para o IBF, até a Bloch Editores se reestabilizar em 1994, quando o grupo voltaria ao controle da emissora.

Já na nova administração estreia, com apresentação de Clodovil Hernandes, o programa Clodovil Abre o Jogo. Com a saída do Documento Especial: Televisão Verdade (que foi para o SBT) foi criada o Manchete Especial: Documento Verdade, com apresentação de Henrique Martins, para sanar a perda do programa.

Em julho, a emissora transmitiu os Jogos Olímpicos de 1992, realizado em Barcelona.

A emissora faz cobertura nas denúncias que levaram o impeachment ao então Presidente da República Fernando Collor, entre abril a dezembro.

1993: Retorno a Adolpho Bloch[editar | editar código-fonte]

Pela primeira vez, em fevereiro de 1993, a emissora não fez a cobertura do carnaval carioca.

Em São Paulo, o atraso no pagamento de salários, alguns desde 1992, leva os funcionários retirarem a TV Manchete São Paulo do ar, ao interromperem a programação da emissora no fim da tarde do dia 15 de março. Eles exibem em seguida um protesto escrito, colocando no ar um slide denunciando a falta dos pagamentos e o sucateamento da emissora. De imediato, é deflagrada a greve de funcionários.

O atraso dos salários e o sucateamento da emissora levaram a Bloch a entrar com um processo na Justiça a fim de retomar a emissora. Através de medida cautelar, a emissora retornou ao controle da família Bloch em 23 de abril, quando a Justiça do Rio de Janeiro devolve a Rede Manchete de Rádio e Televisão ao empresário Adolpho Bloch, alegando que a IBF, do empresário Hamilton de Oliveira, descumpriu cláusulas contratuais. Bloch alega que o IBF não completou o pagamento da compra, mas Hamilton de Oliveira alega que o pagamento não foi completado em função do valor das dívidas da rede ser o dobro do informado pelo Grupo Bloch. A retomada da rede foi um ano antes do acerto do entre IBF-Manchete. Após a retomada, Seu Adolpho, como era conhecido, o sobrenome do fundador (bloch em letra minúscula) acompanha abaixo do famoso simbolo da emissora M.

Por causa da perda de audiência (que levou a venda, a crise e a greve) de 1992 a 1993, as primeiras emissoras afiliadas dos anos 80 deixam a Rede Manchete, passando para as redes SBT e a Bandeirantes.

A então desconhecida Igreja Renascer em Cristo, teve um importante papel na recuperação da Manchete no período posterior ao cancelamento da venda da emissora para o Grupo IBF, arrendando uma significativa parcela da programação da emissora, além das rádios Manchete AM e Manchete FM.

Após a perda da emissora, Hamilton entrou com um processo, que foi conseguido, na Justiça do Estado do Rio de Janeiro, para que a Manchete não poderia ser vendida sem autorização de Hamilton de Oliveira, que se considera o legitimo dono da emissora. O processo perdura por seis anos.

Na área infantil, Hamilton tenta trazer Angélica de volta a emissora mas já era tarde: a apresentadora já havia assinado com o SBT, em uma tentativa de salvar o Clube da Criança, Mylla Christie assume o comando da atração, na qual fica somente até 1994, quando ela assina com a Rede Globo.

Na parte esportiva, consegue os direitos de transmissão da Fórmula Indy-CART, que por quase dez anos era exibida pela Rede Bandeirantes.

A emissora, já de volta as mãos de seu fundador Adolpho Bloch, contrata Fernando Barbosa Lima como Superintendente de Programação e Artístico. O diretor Marcos Schechtman é promovido a Diretor de Teledramaturgia e tem como missão retomar a produção da emissora com a mini novela "O Marajá", que acabou sendo censurada pelo ex-Presidente Fernando Collor no dia da estreia. Como missão imediata os corpo de autores contratados formado por José Louzeiro, Regina Braga, Eloy Santos, Márcio Tavolari e Alexandre Lydia foi dividido em três projetos. Coube a Regina Braga e Márcio Tavolari o desenvolvimento do seriado novela "Família Brasil", a José Louzeiro e Alexandre Lydia a novela "Guerra Sem Fim" e a Eloy Santos a minissérie Os Caminhos de Rondom. "Família Brasil" e "Guerra Sem Fim" estreiam quase que simultaneamente no segundo semestre de 1993 e a minissérie Os Caminhos de Rondon, em decorrência de custos, acaba sendo arquivada. Ainda no final de 1993 e lançou Raio Laser, programa de video-clip, com apresentação de Nato Kandall.

1994[editar | editar código-fonte]

Em 1994, entrou no ar a novela 74.5 - Uma Onda no Ar, produzida pela TV Plus. Entre junho e julho, a emissora fez o compacto da novela, por horário para não coincidir os horários das partidas da Copa do Mundo de Futebol dos Estados Unidos.

Em 11 de maio, Hamilton Lucas de Oliveira, dono da Indústria Brasileira de Formulários (IBF), e a direção da TV Manchete são condenados pela CPI da TV Jovem Pan por crimes de corrupção ativa, formação de quadrilha, sonegação fiscal e enriquecimento ilícito. No mês seguinte, dia 8 de junho, o relatório final da CPI recomenda o afastamento dos diretores da TV Manchete e de Hamilton Lucas de Oliveira. Eles foram excluídos de qualquer sociedade que tenha por finalidade administrar ou explorar concessões públicas.

A emissora não fez a cobertura da Copa do Mundo de 1994 nos Estados Unidos, vencida na final pelo Brasil.

No dia 1º de setembro estreia a série de anime Os Cavaleiros do Zodíaco, que se tornaria uma das atrações de maior audiência da emissora.

Provavelmente neste mesmo ano surge a TV Marajó na cidade de Belém, ficando como nova afiliada da Rede Manchete (no lugar da TV RBA que em 1993, se afiliou a Band devido á crise de 1992 na emissora dos Bloch). A emissora foi a primeira emissora UHF da cidade e do Estado, afiliada à Rede Manchete nos anos 90, que anos depois foi extinta para dar lugar à MTV Belém[carece de fontes?], afiliada à MTV Brasil.

1995-1997: Reerguimento[editar | editar código-fonte]

1995[editar | editar código-fonte]

Com o fim da grave crise, ensaia um reerguimento entre 1995 a 1997, marcado principalmente pelos sucessos de telenovelas, desenhos japoneses, telejornais, programas policiais, esportivos (como A Grande Jogada), o aluguel de programas de televendas (especialmente do Grupo Imagem com o famoso 011-1406) e religiosos evangélicos das igrejas Renascer em Cristo e Internacional da Graça de Deus (apesar de representassem na época por volta de 10% da população).

No mês de fevereiro, a emissora voltava a transmitir o Desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro.

Acontece o embargo de bens da emissora pelo estatal Banco do Brasil por causa das dívidas. De 1995 até 1997, as primeiras emissoras afiliadas dos anos 1980 e inícios dos anos 90 começam deixar a Rede Manchete, passando para as redes Record e a CNT.

Devido ao processo em que Hamilton Lucas ter entrado contra Bloch para que a rede não seja vendida sem o consentimento dele em 1993, a direção do Grupo Bloch decide criar o Bloch Som & Imagens, que ficou responsável por produzir as novelas, sem o risco de voltar para o controle do Grupo IBF.

Os anúncios já estavam no ar para a estreia do semanal Seu Boneco nas Paradas. O programa iria ao ar aos sábados e significaria a volta da emissora à produção de programas de auditório, com números musicais e shows de calouros. Contaria ainda com a participação de personalidades em seu júri como Chiquinho Scarpa, Rogéria, Magda Cotrofe e João Roberto Kelly. A tentativa de se fazer um “Novo Chacrinha” não deu certo e o programa foi extinto. Lug de Paula, que interpretava o personagem "Seu Boneco", apresentava ainda o Clube do Sr. Boneco, de segunda à sexta, com apenas dez minutos de duração.

Vai ao ar a novela Tocaia Grande, baseada em obra de Jorge Amado, com índice de audiência que alcançou em média 20 pontos.

A emissora passou a apelar para a nudez como foco principal de sua estratégia de conseguir audiência na noite e madrugada, tentando ficar no segundo lugar na guerra contra o SBT de Sílvio Santos, perdendo como de esperado somente para a líder Rede Globo, voltando ser a vice, perdida em 1992.

Em setembro, Carlos Amorim assumiu a direção de programas jornalísticos e no dia 18, estreava o polêmico 24 Horas. Idealizado por Fernando Barbosa Lima e apresentado por Solange Bastos, era um programa altamente sensacionalista que explorava imagens fortes, mostrando a realidade nua e crua. A crítica o viu como uma reedição do Documento Especial: Televisão Verdade, levado ao ar em 1990. O programa atraiu significativa audiência e ajudava a formar uma grade de programação mais popular.

No início de novembro, Márcia Peltier trouxe para a televisão brasileira o primeiro jornalístico baseado em pesquisas. O Márcia Peltier Pesquisa estreou no dia 8 de outubro e atraiu uma audiência de cerca de 10 pontos, o que acelerou a subida da emissora. A programação da Manchete se fixava e a emissora fidelizava sua audiência.

Em 19 de novembro, morre o empresário e dono da emissora, Adolpho Bloch, aos 87 anos; seus parentes assumiram a presidência da emissora.

1996[editar | editar código-fonte]

No início de 1996, a rede crescia e programas como o Câmera Manchete ganhavam destaque e audiência.

Uma nova vinheta marcaria o início da programação desse novo ano com o slogan: "Rede Manchete, você em Primeiro Lugar".

Depois de transmitir o carnaval, em fevereiro, a Manchete se preparava para lançar uma programação popular e ao mesmo tempo com muitos documentários. As novidades começaram já no dia 9 de fevereiro, com a estreia do Programa Raul Gil aos sábados. O clássico programa seria o grande trunfo da emissora para largar de vez o perfil da "TV de 1ª Classe". A audiência subiu, tornando a emissora líder de audiência por várias vezes nas tardes de sábado.

As novidades continuavam com a estreia em abril do esportivo Toque de Bola, um debate apresentado pelo veterano Paulo Stein aos domingos, das 21hs30min às 22hs30min. No mesmo embalo, após o programa terminar, estreava O Grande Júri, com José Carlos Cataldi, que acabou não tendo sucesso.

No mesmo pacote das novidades, voltavam "do fundo do baú" as séries National Kid e Ultraman, além da estreia dos desenhos japoneses Sailor Moon, Shurato e Samurais Warriors.

Em abril, seguindo a linha dos jornalísticos, entrava no ar o Na Rota do Crime, apresentado por Marcos Hummel, que seria exibido todas as sextas na faixa das 22hs30min. O propósito do programa era acompanhar os policiais em diversas operações pelas favelas nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Sendo assim, chegou muitas vezes a liderar a audiência no horário com médias de até 16 pontos. Com mais essa novidade, a faixa das 22h30 estava dedicada a programas jornalísticos de segunda à sexta.

Em junho, a emissora comemorava 13 anos com uma grande festa. Foram dois shows com artistas famosos: um para os funcionários com Daniela Mercury, e outro para o público, em plena tarde de domingo no Aterro do Flamengo, em frente ao prédio-sede da emissora. O show durou das 16hs às 20hs e contou com as participações dos grupos Só Pra Contrariar (SPC), Double You, Roupa Nova e Os Morenos.

Em meio às novidades dos "13 anos", dois programas estreariam no dia seguinte: Gente Importante, apresentado por Anna Bentes Bloch, com entrevistas nas tardes de segunda à sexta, e Manchete Verdade, um telejornal no estilo de uma revista eletrônica, com ancoragem de Marcos Hummel e as participações diárias de Dora Bria (esportes), Carlos Chagas (política), Tamara Leftel (economia) e Ique (charges). A emissora se firmava como o canal da notícia e da informação.

Nas noites de sábado estreou o programa Uma História de Sucesso, que mostrava a trajetória de cantores e grupos musicais do Brasil e do mundo e também mostrava o dia a dia de personalidades famosas da música e da televisão.

No mês de julho e agosto, a Manchete se preparava para apresentar os Jogos Olímpicos de Atlanta de 1996, intitulados Olimpíadas de Ouro. A transmissão do evento contou com a apresentação do "Jornal da Manchete" por Márcia Peltier, direto da cidade-sede do evento, nos EUA.

Em julho, a Manchete estreava uma nova vinheta que mostrava ao fundo telas de quadros de pintores renomados.

Em setembro, sob o comando de Walter Avancinni, entrou no ar Xica da Silva. A novela conta a história da Xica da Silva (protagonizada pela então desconhecida Taís Araújo) na época do Brasil Colonial do século XVIII, que escandalizou a sociedade de sua época. Exibida entre 22hs10min até 23hs com classificação para maiores de 14 anos, a novela foi um grande sucesso de audiência desde Pantanal, chegando a ultrapassar a Rede Globo. A novela atingiu uma média de 17 pontos com picos de 22. A Manchete estava em segundo lugar absoluta em vários horários e poderia ser considerada a terceira colocada no ranking em audiência e crescimento.

Juntamente com a novela Xica da Silva era lançada uma nova vinheta, que ficaria no ar até 1999.

1997[editar | editar código-fonte]

A emissora entra no ano de 1997, sustentada pelo sucesso de Xica da Silva. Para se ter uma ideia, na época da novela, o Jornal da Manchete registrava médias entre oito a nove pontos. Além de sustentáculo para a programação, a arrecadação com a trama possibilitava novos investimentos. Foi destaque no jornalismo da emissora durante o ano: Na Rota do Crime, Operação Resgate, 24 Horas e Câmera Manchete.

Sendo assim, as novidades vieram rápidas. Entre as novas atrações, estreava Mistério, apresentado por Walter Avancinni, que passaria a revezar com o Câmera Manchete as noites de quarta. O propósito era mostrar fenômenos paranormais ressuscitando a velha fórmula do Acredite Se Quiser, também apresentado no final da década de 1980.

O semanal Na Rota do Crime ganhava agora uma edição diária com meia hora de duração apresentada por Florestan Fernandes.

Marcos Hummel passou a dividir a apresentação do Jornal da Manchete com Márcia Peltier. Essa última alteração, no entanto, durou pouco tempo. Embora a audiência do jornal tivesse aumentado, a emissora tirou Marcos Hummel da apresentação do jornal.

Após um bom desempenho como especial de final de ano de 1996, o musical Mexe Brasil, tornou-se programa fixo semanal. Inspirado no especial Samba Brasil, estreou nas noites de sábado, indo ao ar logo após o Jornal da Manchete.

Nas tardes de domingo, em parceria com a TV Ômega, de Amílcare Dallevo, uma nova proposta surgia. A emissora trazia de volta o veterano Jota Silvestre, juntamente com Marcelo Augusto, Thunderbird e as crianças Luís Fernando (que anos depois se tornaria o jornalista e apresentador de notíciarios Luiz Bacci, no SBT) e Isabella[desambiguação necessária] no comando do Domingo Milionário. Com muitos jogos e brincadeiras, o programa oferecia o prêmio máximo de 1 milhão de reais, além do sorteio de vários carros entre os participantes que telefonassem a partir do sistema "0900". Jota Silvestre trouxe de volta seu velho sucesso, o quadro "O Céu é o Limite". Mais tarde, Sérgio Reis entrava no programa apresentado o campestre Sérgio Reis do Tamanho do Brasil.

A emissora lançou a menina Debby, de apenas cinco anos de idade, como apresentadora da nova versão do Clube da Criança, exibido às 18hs, com apenas meia hora de duração. A atração veio como uma resposta ao programa "Disney Club" do mesmo gênero, que havia estreado no SBT meses atrás.

Para as tardes, a emissora lançou o feminino Mulher de Hoje, comandado por Beth Russo, que mesclava, entre outros assuntos, dicas de beleza, culinária, artesanato e entrevistas.

Em 10 de agosto, Patrícia Luchesi (mais conhecida pelo comercial onde aparece ganhando o primeiro sutiã em 1988) e o cantor Sérgio Reis, estreiam novo programa Sérgio Reis do Tamanho do Brasil. Patrícia interpreta a empregada matuta Marinilda, enquanto Sérgio fazia o papel do próprio cantor real. Além dos esquetes, o programa trazia ainda convidados como Roberta Miranda, Zezé di Camargo & Luciano e até o autor de novelas Benedito Ruy Barbosa.[3]

Em 19 de agosto, com o fim de Xica da Silva, entrava no ar Mandacaru, baseada na história do cangaço. Apesar de a novela ser um sucesso, não repetiu o sucesso da anterior, ficando presa à média de 8 pontos de audiência com os picos de 12 pontos, mas reage e tem 11 pontos com 15 picos de audiência.

Em 23 de agosto, Sula Miranda estreou Sula Miranda Show, nas noites de sábado. O Mexe Brasil, por sua vez, foi transferido para a quinta-feira, substituindo o independente Business, que passou para as noites de domingo.

Nessa mesma época, estreava o programa de entrevistas de segunda as sextas Sandy & Júnior Show, que por sinal acabou permanecendo no ar alguns meses. Em seu lugar, estreou o Manchete Clip Show, programa de videoclipes exibido de segundas às sextas.

Em 13 de outubro, o humorista Tiririca, estreava o programa infantil Vila do Tiririca. Exibido de segunda, às sextas-feiras, entre 18hs30min até 19hs,[4] a atração ficou poucos meses no ar e o Tiririca transfere para o SBT.

Durante os meses de novembro e dezembro, a Rede Manchete realizou uma grande campanha para arrecadar fundos em benefício ao natal de pessoas carentes. A campanha denominada Natal Feliz, teve o apoio da Fundação Renascer em Cristo, com participação e apoio de todo o elenco da emissora.

No dia 5 de dezembro, o então técnico da seleção brasileira Zagallo, estreava o programa Bate Bola com Zagallo, no ar nas sextas-feiras às 23hs40min, com 5 minutos de duração.[5] Zagallo recebe mais de R$ 5 mil por mês.[6] No entanto, a atração ficou poucos meses no ar.

No mesmo mês, Beth Russo deixa o programa Mulher de Hoje e é substituída interinamente por Celso Russomanno.

1998-1999: Segunda crise[editar | editar código-fonte]

1998[editar | editar código-fonte]

A Rede Manchete entra no ano de 1998 com primeiros de sinais de desgastes: A novela Mandacaru dava baixos lucros e os programas jornalísticos estavam desgastados. Aliada a isso, a situação econômica do Brasil e mundo não era estável desde a crise asiática de outubro de 1997, com as taxas de juros em alta. As dívidas da emissora aumentavam cada vez mais quando não eram pagos.

A Manchete anunciava novidades já no mês de março. A primeira delas consistiu em uma grande reformulação dos noticiários da Rede. O "Jornal da Manchete" foi totalmente renovado e teria três edições ao longo do dia. A proposta era que o jornalismo voltasse a ser como na época da estreia da emissora. Assim, no dia 27 de março, o telejornal entrava em cena com cenário totalmente futurista, trazendo de volta a redação do jornal, atrás de um vidro que mostrava um enorme mapa-múndi.

Claudete Troiano assume o comando do vespertino Mulher de Hoje. Salomão Schvartzman substituía o Momento Econômico pelo Frente a Frente. O programa ''Pra Valer estreia nas tardes diárias pelo apresentador Celso Russomanno. Inicialmente, Pra Valer era um quadro do programa Mulher de Hoje. Depois, ambos passaram a ser um único programa cada um.

Em 23 de março, estreava o programa Madalena Manchete Verdade, às 19hs30min, o programa de casos verídicos apresentado por Magdalena Bonfiglioli, recém-saída do SBT. A atração veio como uma resposta ao programa Márcia, do mesmo gênero, com a então desconhecida Márcia Goldschmidt e ao Programa do Ratinho, ambros exibidos pelo SBT.[7] A fórmula utilizada era a mesma, com cenas de baixaria entre os convidados diante das câmeras, o que se repetiu na atração da Manchete. O programa mostrou bons resultados. Sua fórmula já era conhecida: nele, os convidados davam depoimento de seus problemas para a apresentadora, e a equipe do programa tentava resolvê-los. Caracterizou-se por ser um programa extremamente popular.

Aos domingos também houve uma grande novidade. Em parceria com a produtora independente TV Ômega, de propriedade de Amílcare Dallevo, a Manchete substituía o mal-sucedido Domingo Milionário pelo Domingo Total, comandado por Otávio Mesquita, Virgínia Novick e Sérgio Malandro. O programa teve ótimos índices de audiência, principalmente quando entrava no ar o quadro comandado por Otávio Mesquita, onde o apresentador acordava vários famosos. Sérgio Malandro também se destacou com à frente da Festa do Malandro.

Mesmo com essas bem-sucedidas estreias dos programas, os juros das dívidas da emissora cresciam o que prejudicava a emissora, que pela primeira vez ultrapassava o valor da própria emissora e há primeiros casos de atrasos de salários.[8]

Pela legislação vigente, a rede deveria ter encerrado as atividades, diante de dividas que ultrapassam o próprio patrimônio e a ausência do pagamento de diversos tributos.[9] Mas o ótimo relacionamento entre governo federal e a rede, impediu o fechamento,[10] pois iria provocar o desemprego em massa dos funcionários. Mesmo assim, a emissora luta para sobreviver e passa começar a produzir e gravar a novela Brida, como nova esperança. A nova novela é baseada no livro do mesmo nome de Paulo Coelho. Para poder produzi-la, foi tomada a decisão de priorizar os investimentos, levando o resto da programação a um estado de penúria. Mesmo assim, o setor de teledramaturgia sofre: desde salários atrasados a problemas com a alimentação oferecida pela emissora.[8]

Em junho, os salários dos funcionários do mês de maio não foram pagos, o que era um péssimo sinal. No mesmo mês, a equipe da emissora instalou-se na França para a cobertura (até a extinção da emissora) o que seria a última Copa do Mundo da Rede Manchete. A emissora superou todas as dificuldades na transmissão dos jogos.[11] O que não se contava era com o fraco desempenho, obtendo na terceira partida zero ponto na cidade de São Paulo e 1 ponto na cidade do Rio de Janeiro. Afinal de contas, a emissora investiu pesado na transmissão, enviando uma grande equipe realizar a cobertura da Copa. Mas os motivos para este fraco desempenho eram visíveis: a emissora não tinha tradição em transmissões esportivas, especialmente em futebol. Sem uma equipe fixa de comentaristas e locutores, a emissora teve de improvisar, chamando locutores e comentaristas de rádios cariocas além de técnicos de futebol. Finalmente, o principal motivo: a falta de uma programação anterior ao jogo que impulsione a audiência.[12]

No dia 19 de julho, o programa semanal Domingo Total, umas das principais atrações da rede, apresentado pelo Otávio Mesquita, entra no ar pela última vez, ao ser contratado pelo SBT. O programa possuía uma das maiores audiências da emissora, atingindo 6 pontos no Ibope.[13] No lugar da atração, entrou no ar em 26 de julho, o Festa do Mallandro, apresentado por Sérgio Mallandro, que chegou a ocupar durante um período (mas espeficamente durante a prova de IndyCar) o segundo lugar no Ibope.[14]

Em 3 de agosto, graças ao lançamento do novo livro de Paulo Coelho, Verônica Decide Morrer, a rede obtém uma publicidade extra para novela "Brida".[15] No mesmo mês, estreia Brida, novela baseada no best-seller de Paulo Coelho, no lugar da novela Mandacaru, pois passou ser exibida por um ano e rendeu em média de 15 pontos de audiência (segundo o Ibope) e que emissora espera recuperar a audiência do horário. Na nova novela, a rede apostou no esoterismo e no erotismo, temas de presença constante nas novelas da emissora.[13] Mas uma vez, caras novas na telinha, atores oriundos do teatro e de outras áreas, como a cantora Simone Moreno.[13] A produção, no entanto, tem sido conturbada, marcada por problemas financeiros e pelas desavenças criadas pelo Walter Avancini.[13] A novela não alcançou bons índices de audiência[16] (a direção da emissora esperava ter 5 ou 6 pontos e Walter Avancini queria até 12,[16] mas marcou apenas 2 e 3[16] ), muito piores do que a antecessora Mandacaru, o que levou os anunciantes abandonarem o patrocínio. O fracasso da novela ameaçou o emprego de Walter Avancini e diante da crítica situação, tenta desesperadamente salvar a novela, tendo trocado o autor Jayme Camargo por Sônia Mota (filha de Nelson Rodrigues) e Angélica Lopes (que trabalhou com o diretor na novela Tocaia Grande), ambas participantes da elaboração da sinopse. Avancini contratou e cogitou vários atores, alguns oriundos da Tocaia Grande.[16]

Em setembro, a situação da Manchete leva a perda de audiência e saída de apresentadores. Caindo para o quinto lugar em audiencia. A situação se agrava com os anúncios das primeiras emissoras afiliadas e as retransmissoras dos anos 1980 e 90 em deixar a Rede Manchete, passando para as redes Record, SBT, CNT e Bandeirantes.

Em 7 de setembro, Jayme Monjardim, deixa Manchete e volta à Rede Globo, depois de 10 anos ter sido afastado da emissora.[17] O apresentador Raul Gil, que comandava o Programa Raul Gil todos os sábados por quase 4 anos, e que rendia em média 7 pontos de audiência,[18] anuncia que vai deixar a emissora pela Record para apresentar a atração similar.[18] [19]

Em 18 de setembro, funcionários da Manchete ameaçam entrar em greve devido o atraso e o parcelamento de salários aos que ganham acima de R$ 700,00.[10] e alguns deles iniciaram a greve.[19] Para piorar a situação, a novela Brida, principal produto da emissora vem se revelando num grande fracasso.[16] Por fim, a rede não pode ser vendida devido ao processo na justiça impetrado pelo Hamilton Lucas em 1993.[10]

Em 22 de setembro, Márcia Peltier, apresentadora do Jornal da Manchete, pede demissão na emissora por causa da crise.[18] [19] Ela é contratada pela Rede Bandeirantes para apresentar o programa feminino na noite "Mulheres do Brasil" em 1999.[20]

Em 1º de outubro,[21] a TV Vitória, afiliada e única emissora retransmitindo Manchete no estado de Espírito Santo há 14 anos, deixa a rede que enfrentava crise para a Record, deixando o estado sem sinal da emissora.[19] [22] Antes da mudança de rede, a TV Vitória negociou a Record por dois anos para manter a programação local e até chegou exibir programas da Igreja Universal do Reino de Deus na época que retransmitia a Manchete.

No mesmo dia, novas debandadas na Manchete: o diretor geral da programação da rede Fernando Barbosa Lima, o jornalista Ronaldo Rosas e a diretora de eventos jornalísticos especiais Ana Costábile, anunciam que vão deixar a emissora.[23] Notícias (que seriam confirmadas mais tarde) dão conta que cerca de 600 funcionários vão ser demitidos nos próximos dias. O objetivo é reduzir em 50% os gastos com pessoal. Todos os programas jornalísticos, com exceção do Jornal da Manchete, vão ser extintos.[23] Fernando Lima é contratado pela TVE Brasil.

A direção do grupo Bloch reage à nova crise e decide demitir quase 700 funcionários da emissora (30% do quadro de TV e 20% da editora) dos que tinha cerca de 1.700 funcionários, corta a produção de quase todos os seus programas jornalísticos, abortando inclusive a novela Brida e vários programas extintos: Na Rota do Crime, Magdalena, Documento Verdade, 24 Horas, Mistério e a novela Brida (acusada de ser o motivo da crise, teve a equipe reduzida, assim como o número de capítulos). A direção decidiu que após o termino da novela, o departamento de dramaturgia será desativado, sendo colocado no ar a reprise da novela "Pantanal".[18]

Em 4 de outubro, faz a cobertura das eleições de 1998, mas com a crise, a cobertura foi pífia, tornando-se grande decepção das eleições, apesar de ter grande tradição na cobertura dos grandes eventos políticos, tendo ocupado uma posição de destaque nas eleições anteriores.[24]

No dia 5 de outubro, Pedro Jacques Kapeller, presidente do Grupo Bloch e dono da Rede Manchete de Televisão, anuncia durante uma reunião com diretores e editores do grupo, que todas as empresas estão à venda.[18] Durante a reunião não foi informado se o grupo será desmembrado para facilitar a possível venda. O anúncio foi feito às vésperas do pagamento do salário de setembro. A direção da emissora já anunciou que não possui dinheiro em caixa para realizar o pagamento dos funcionários e tenta negociar um acordo, que evite uma nova greve, com a direção de três sindicatos dos radialistas, gráficos e dos jornalistas. Recentemente, houve o parcelamento do pagamento dos salários dos funcionários quem ganham entre R$ 700,00 e R$ 5.000,00, dando início a um momento grevista. Quem ganhava acima de R$ 5.000,00 continua sem receber[18] desde setembro.[25]

Na prática, a decisão de Kapeller contraria a liminar judicial, conseguido por Hamilton Lucas em 1993, agora presidente do Grupo DCI - Editora Jornalística, que diante deste impasse, a direção do Grupo Bloch tenta vender apenas uma pequena parte da Rede Manchete, mantendo o seu controle. Kapeller tenta também encontrar uma "solução política" para salvar a emissora. Vale lembrar que o Banco Brasil e o Governo Federal estão entre os maiores credores da rede.[26]

O Grupo Abril vem sendo apontado como o provável comprador do Grupo Bloch.[18] Roberto Civita anunciou que não possui interesse na produção de TV. Segundo boatos, já confirmados, a direção da Bloch já teria oferecido a emissora a família Civita.[18] [25] Apesar do Bloch ter negociado à Civita, surge outro comprador Edir Macedo, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus e proprietário da Rede Record, que a Manchete passaria a integrar a Rede Família.[25] Vale ressaltar que não é a primeira vez que Macedo tenta comprar a Manchete.[25]

Devido à propaganda eleitoral de vários estados, o programa de videoclipes exibido de segunda à sexta às 20hs, com duração de 30 minutos, Manchete Clip Show, passa ter mais 20 minutos de duração, pois na época do segundo turno das eleições para os estados durante o mês de outubro passa das 20hs30min até 20hs50min.

Em 7 de outubro, a superintendente do Grupo Bloch e vice-presidenta da Rede Manchete, Jacqueline Kapeller, reúne-se com cerca de 300 funcionários na sede da emissora, no Rio de Janeiro, pedindo a compreensão pelos salários atrasados. Disse que as dificuldades são conjunturais e que todo o setor de comunicação está em crise.[27] O pedido coincidiu no mesmo dia que os salários de setembro não foram pagos.[28]

Em 9 de outubro, as dívidas com a recém-privatizada Embratel (junto com a CNT) passa começar a ser descontadas através dos cortes diários do sinal da emissora no satélite, entre 23 horas da noite até as 6 horas da manhã, prejudicando programas no fim de noite e início da madrugada[29] e as afiliadas que a retransmitem.[30] Com isso, as redes não foram incluídas na medição de audiência.[31]

Em 13 de outubro, as negociações para a venda da rede, anunciada internamente por dias anteriores este dia, aos funcionários da emissora,[28] esbarram na disputa jurídica de seis anos sobre a propriedade da rede,[28] quando o empresário Hamilton Lucas de Oliveira, comunicou que não foi consultado sobre o assunto e que, sem seu aval, uma hipotética venda é impossível.[28] Mas o processo, que levou Oliveira perder a emissora pelo Bloch em 1993, continua tramitando na 35ª vara cível do Rio de Janeiro.[28]

Os vencimentos de agosto foram pagos com atraso e apenas a quem ganha menos de R$ 5 mil e os salários maiores acima de 5 mil ainda estão pendentes.[28] E o pagamento de setembro, que deveria ter sido feito até dia 7, tampouco foi depositado.[28] Segundo a gerente de comunicação, Adriana Carvalho, a Jacqueline Kapeller explicou aos funcionários que o grupo busca sócios, não a venda total. A superintendente informou, também, que há três empresas interessadas, sem revelar quais.[28]

Em litígio com a família Bloch, Hamilton de Oliveira enviou comunicado ao jornal Gazeta Mercantil, alegando que não procede a intenção dos donos da rede de vender a emissora, porque ela 'já fora vendida a mim e à DCI-Editora Jornalística'.[28] Segundo o advogado Roberto Leonessa, que representa Oliveira, a decisão sobre a propriedade da Manchete está sub judice e isto impediria que qualquer uma das partes (tanto Oliveira quanto os Bloch) promova a venda mesmo parcial das cotas, a menos que entrem em entendimento, 'o que não está acontecendo'.[28]

Em 14 de outubro,[25] cerca de 1100 funcionários das cinco emissoras próprias da Manchete, entram em maior greve[25] da história da rede, para protestar a demissão de 600 funcionários e também os atrasos dos salários[25] em cinco emissoras próprias da Manchete (RJ, MG, PE e CE foram pagas até agosto e a de SP até setembro). No mesmo dia, o elenco da novela Brida adere à greve e praticamente interrompe as gravações da novela. Os grevistas ameaçam interromper as transmissões da rede[25] caso não sejam pagos. Na mesma semana da greve, a DCI-Editora Jornalística se interessa para comprar a Manchete.[32]

Em 19 de outubro,[32] foi gravado o último capítulo da novela Brida, que seria exibida no dia 22,[32] [33] quando a equipe da novela reuniu em frente ao prédio da emissora para melancólico encerramento das gravações e início de uma batalha judicial para garantir direitos trabalhistas.[32] [33] A novela é encerrada às pressas diante do estouro da nova crise na emissora, agravado pela adesão do elenco na novela à greve dos funcionários,[25] quando a greve do elenco precipitou o fim da novela.[32] No mesmo dia, cerca de 30 artistas, ex-integrantes da novela, entram no Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro (TRT-RJ) com uma petição contra a produtora Bloch Som & Imagens, exigindo o pagamento dos salários atrasados. A produtora deve cerca de R$ 150 mil aos artistas. A petição foi entregue por Carlos Fernando Albuquerque, advogado do Sindicato dos Artistas e Técnicos de Espetáculos e Diversões (SATED-RJ), e exige também o fim dos contratos de exclusividade dos artistas com a emissora.[33] No dia 23, era exibido a reprise do último capítulo de Brida.[34]

Uma semana depois da greve, os funcionários da TV Manchete de São Paulo colocaram no ar slides exigindo soluções para a crise.

Em 26 de outubro, no lugar de "Brida", a Manchete coloca no ar a reprise da novela Pantanal, que em duas semanas já apresentava o triplo da audiência de sua antecessora.[35] Na segunda semana, chegou aos 4 pontos.[36] Com o sucesso de "Pantanal", a Manchete pode aumentar os intervalos destinados aos comerciais, o que resultaria num aumento de faturamento que possibilitaria o pagamento dos salários atrasados dos funcionários.[35] No mesmo dia, boatos da Rede Mulher, associada a um banco japonês, estaria interessada em comprar a rede, mas os bancos no Japão se encontram em dificuldades à crise internacional de agosto do mesmo ano.[37]

Em 4 de novembro, o Ministério das Comunicações indica o Banco Pactual para tentar resolver a crise[38] e promover a venda da Rede Manchete.[39] O banco tenta conseguir uma trégua na disputa entre Hamilton de Oliveira e o Grupo Bloch que permita a venda da emissora.[39]

Em 5 de novembro, o ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, confirma que o Banco Pactual está trabalhando como adviser na venda rede e que o banco tentará viabilizar uma saída para a empresa e que o ministério tem por objetivo manter a Manchete funcionando e evitar os problemas aos funcionários que possam ser causados por dificuldades financeiras da empresa. A declaração do ministro, coincidiu o dia das comemorações do primeiro aniversário da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), na sede da entidade, em Brasília, onde Luiz Carlos participa.[40] [41]

Em 8 de novembro, os funcionários da TV Manchete São Paulo decidem paralisar novamente as atividades em função da diretoria da emissora não ter cumprido o acordo que previa o pagamento dos salários atrasados.[42]

Na semana seguinte, representantes da Televisa chegam ao Brasil negociando com todas as partes envolvidas, demonstrando interesse em realizar uma provável compra.[39]

Em 23 de novembro, os representantes dos funcionários do Grupo Bloch entraram na negociação, tentando acelerar a venda da emissora.[39]

Em 26 de novembro, a Eletropaulo suspende o fornecimento de energia elétrica à TV Manchete São Paulo, durante a tarde. A emissora não paga as contas pelo serviço desde março de 1996. Durante o período em que ficou sem energia, a emissora utilizou os próprios geradores. A Eletropaulo restabeleceu o fornecimento após a emissora ter comprovado o pagamento da conta do mês de novembro de 1998.[43]

No final do mês, o Sindicato dos Artistas, que representa ex-atores da novela Brida, entra em ação judicial e consegue liminar na justiça suspendendo a exibição do Pantanal sob o argumento que a emissora não havia pago os direitos de reexibição aos artistas da trama,[35] mas o Grupo Bloch recorre da sentença.

Em 30 de novembro, o ex-diretor da TV Cultura de São Paulo, Roberto Muylaert, faz a primeira visita à TV Manchete Rio de Janeiro. Muylaert negou que será novo diretor da emissora.[44]

Em 1 de dezembro, Roberto Muylaert é contratado pelo Banco Pactual como consultor para avaliar a viabilidade da programação da emissora.[44]

Em 9 de dezembro, o Banco Pactual define estratégia para reerguer a Manchete, como a formação da produtora, com o nome de SuperTV1, que ficaria responsável pela programação que irá ao ar e pela comercialização dos espaços publicitários.[45] A ideia é que a Manchete receba da produtora o aluguel pelo uso das instalações e dos equipamentos e que a receita (obtida com a nova programação) seja utilizada para amortizar a dívida da emissora. Quanto aos funcionários, cedidos para produtora, mantendo o vínculo empregatício com a Manchete, o que seria provável que metade dos salários atrasados seja pagos e o restante seja transformado em ações da empresa.[45] A estratégica do Banco Pactual tem a aprovação do Grupo Bloch, mas o banco continua enfrentado problemas gerados pela discordância do empresário Hamilton de Oliveira que reclama na justiça a propriedade da emissora e apesar disto, o banco continua acreditando que o processo de reestruturação da Manchete possa obter mesmo sucesso alcançado com na estruturação do Grupo Mesbla e as 15 empresas.[45]

Em 11 de dezembro, ocorre o impasse entre a direção da emissora e o Banco Pactual. Kappeler exige que o banco assuma as dívidas trabalhistas e os salários atrasados dos funcionários, o que o banco não aceitou.[46] O impasse levou o Ministério das Comunicações a convocar Kappeler, já que se encerrou na mesma semana o prazo de renovação da concessão da Manchete.[46]

A notícia do impasse provocou a convocação de uma assembleia dos funcionários, ocorrida durante a tarde no Rio de Janeiro. A assembleia contou com a participação de funcionários de todas as emissoras do Grupo Bloch e ficou constatada a divisão entre os próprios funcionários.[46] Enquanto isso, em São Paulo, um grupo de 25 funcionários da TV Rede Manchete São Paulo invadem e ocupam a torre de transmissão da emissora exigiram o pagamento de um percentual do salário de um mês (70%). Com uma câmera, os funcionários transmitiram imagens de bilhetes pedindo ajuda ("Estamos passando fome", "Kappeler tem dinheiro e não paga", "Estamos sem salário há três meses"). Os transmissores chegaram a ser desligados, tirando à emissora do ar. A invasão terminou com a intervenção de diversos políticos.[46] No Rio de Janeiro também houve tentativa de invasão, mas a polícia, chamada pela direção da emissora, conseguiu evitar.[46] Nova assembleia foi marcada para dia 15.[46]

Vale lembrar que caso uma emissora fique fora do ar por mais de 48 horas seguidas, o governo é obrigado cassar a concessão,[46] [47] o que significará o desemprego para todos os funcionários da emissora,[46] porém, alguns sindicalistas acreditam que este fato possa levar o governo a realizar uma intervenção na emissora.[47] A cassação chegou a ser apontada como uma solução para a crise da emissora, já que existem grupos interessados na concessão. Mas o processo de leilão da concessão, por parte do governo, esbarra na legislação,[46] que poderia paralisar as atividades da emissora por mínimo de dois anos.[47]

No dia 15 de dezembro, os funcionários grevistas da TV Manchete Rio de Janeiro e a direção da Manchete se reúnem novamente no Rio de Janeiro.[46] Jacqueline Kappeler, diretora superintendente do Grupo Bloch, anuncia que a direção vai esperar definir o destino da emissora nas próximas 48 horas.[47] A empresa mais cotada para comprar a rede continua sendo o Grupo Abril. Especula-se que Pedro Kappeler já tenha iniciado as conversações com os diretores do grupo para a venda, o que depende o empresário Hamilton de Oliveira, se concordará com o negócio.[47]

Enquanto isso, os funcionários grevistas ameaçam tirar o sinal da emissora do ar, caso até dia 18, não seja apresentada uma solução para o pagamento dos salários atrasados.[47]

Em 16 de dezembro, a privatizada Embratel (administrada pelo grupo MCI) dá um prazo de dois dias, para que a Rede Manchete pague a dívida com a empresa (na época quando era estatal).[30] Caso não efetue, ameaça ampliar mais uma hora o período de suspensão do sinal da emissora, mantida entre às 23hs até 6hs. A punição já dura mais de dois meses e tem prejudicado a operação das emissoras afiliadas.[30] Caso a Embratel amplie o horário de suspensão, a emissora poderá deixar de apresentar em rede nacional a novela "Pantanal", que vem obtendo cerca de 10 pontos de audiência, causando graves prejuízos para a rede. Antes da ameaça, a Embratel normalizou a transmissão dos sinais da CNT, que também tinha recebido a mesma punição.[30]

No mesmo dia, em decisão da juíza Rosana Travesedo, do Tribunal Regional do Trabalho, dá ganha a causa aos sindicatos dos jornalistas e dos radialistas em ação na qual pediam abono das faltas desde o início da greve e pagamento dos atrasados.[48]

Na TV Manchete Rio de Janeiro, o horário ocupado do bloqueio da Manchete pela Embratel são os programas da Igreja Universal do Reino de Deus do Edir Macedo. É que a igreja está transmitindo os programas, produzidos no Rio de Janeiro, através da Manchete. Boa parte da programação "ao vivo" da Manchete é referente à transmissão dos programas,[49] mas com materialismo como alvo.[50]

Com o aluguel dos horários da igreja, gerou especulações que Edir Macedo e o jornal O Dia (que veicula nos intervalos comerciais na rede) seriam pretendentes da compra, além do Grupo Abril, o grande favorito.[51]

No dia 17 de dezembro, a Rede Manchete paga 20% do salário de setembro (os representantes dos funcionários reivindicavam 70%)[52] e também partes à Embratel, evitando a ampliação de corte do sinal. No mesmo dia, o juiz Marco Aurélio Santos Fróes, da 35ª Vara Cível de Justiça do Rio de Janeiro, dá ganho de causa ao Grupo Bloch no processo movido contra o empresário Hamilton Lucas de Oliveira, do Grupo DCI, para retomada da posse da rede e cancelamento do contrato de venda. A decisão da justiça considera válida a rescisão do contrato de venda da Manchete e obriga o Grupo DCI a pagar uma indenização, a título de perdas e danos, no valor de 50 mil salários mínimos. Apesar da decisão ainda ser em primeira instância, poderá facilitar uma provável venda da emissora.[52]

Em 18 de dezembro, o dia em que a diretoria do Grupo Bloch anunciasse o destino da Manchete, com a transferência do controle da emissora para o Banco Pactual seja aceito e caberia ao banco a responsabilidade de sanear a emissora e posteriormente vende-la,[52] não ocorre,[53] pois a diretoria não cumpriu a promessa e manteve a indefinição sobre o futuro da emissora.[53] Segundo a diretoria, não foi possível fechar o acordo de transferência do controle da emissora. Oficialmente, o motivo do impasse é a responsabilidade pelo pagamento dos salários atrasados dos funcionários: o Grupo Bloch deseja que o Banco Pactual assuma a dívida enquanto que este preferência deixar esta responsabilidade por conta da SuperTV1, empresa que será criada para administrar a rede.[53] No final da tarde, a rede emitiu um comunicado informando que a aprovação do acordo ficará na dependência da aprovação dos funcionários.[53]

Em entrevista no final de semana à TV Cultura, o diretor Fernando Barbosa Lima (conhecido por ter criado de programas de qualidade como o Persona, Jornal de Vanguarda, Xingu e Abertura), faz duros ataques aos programas populares, especialmente o Programa do Ratinho e o Leão Livre. Nenhum momento na entrevista, ele citou é que era diretor geral da Rede Manchete, até pedir demissão em setembro e responsável pela criação de diversos programas popularescos da mesma rede, como Na Rota do Crime, Magdalena Verdade, 24 Horas, além das novelas eróticas de Walter Avancini. Foi sob a desastrosa gestão que a rede despencou de vez no popularesco e na crise.[54]

A reunião entre os sindicatos que representam os funcionários com o banco foi marcada para dia 21.[53] Justamente no dia da reunião realizada no Rio de Janeiro, os representantes dos sindicatos dos jornalistas, artistas e radialistas, em nome dos funcionários da Rede Manchete, fecham acordo com a diretoria do Banco Pactual. Pelo acordo, os funcionários da rede receberão integralmente os salários atrasados até um valor que não ultrapasse 70% da média dos salários da empresa. O valor que superar este teto será pago 50% em dinheiro e o restante com ações da empresa. Vale ressaltar que estas ações só terão valor caso a Manchete consiga se recuperar financeiramente. O acordo possa permitir a passagem do controle das emissoras para o Banco Pactual (apesar da relutância da família Bloch/Kappeller).[55]

Em 21 de dezembro, a vice-presidente da rede, Jaqueline Kappeller, pediu mais uma semana de prazo aos funcionários para concretizar a venda da emissora. Os empregados, que não recebem há três meses, haviam se comprometido a colocar a emissora no ar, desde que o negócio com o Banco Pactual fosse fechado. Em documento enviado à assembleia dos empregados, no Rio de Janeiro, Jaqueline insinuou que o Pactual não havia cumprido parte dos acertos para a venda.[56] [57] Apesar de terem assinado um acordo com o Banco Pactual, os funcionários em greve decidiram radicalizar o movimento, chamado de "A Estratégia de Sabotagem", que tem por objetivo, manter a pressão sobre os proprietários da emissora e divulgar a crise da emissora.[58]

Em 22 de dezembro, o Jornal da Manchete não entra no ar às 20h50, como era o tradicional horário, devido à greve dos funcionários do setor do jornalismo.[58]

Em 23 de dezembro, os funcionários tiram do ar o sinal da emissora por meia hora e prometem repetir o gesto até que seja pago os salários em atraso.[58]

Em 25 de dezembro, ocorre o novo impasse, desta vez foi à reivindicação de Pedro Kappeler, em receber uma indenização pela perda do controle da emissora. O Banco Pactual rejeitou de imediato. O comportamento da direção do Grupo Bloch deixa evidente o propósito de impedir a transferência do controle da emissora. Como consequência, nova radicalização do movimento grevista dos funcionários que agora ameaçam a emissora com uma "operação sabotagem".[59]

Na manhã do dia 28 de dezembro, o Banco Pactual anuncia durante a assembleia dos funcionários na porta da emissora, que não está mais negociando um contrato para sanear e vender a Rede Manchete, suspendendo as negociações de quatro meses. O banco informou que o fim das negociações foi motivado pela desistência dos dois últimos investidores interessados na compra da emissora. No início das negociações havia cinco investidores interessados no negócio, mas os impasses criados pelo Grupo Bloch para a assinatura do contrato de transferência acabaram por desanimar os investidores. Com a saída do Pactual, o destino da rede passa a ficar nas mãos do Ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, que poderia cassar a concessão dada ao Grupo Bloch.[60] O presidente do Grupo Bloch, Pedro Jaques Kappeler (Jaquito) se disse surpreso com a decisão do Banco Pactual. Segundo ele, a assinatura do contrato para a transferência do controle da emissora seria assinada na parte da manhã. Comenta-se que a direção do Grupo Bloch, na realidade, nunca este interessada na transferência do controle da emissora para o banco.[60]

No mesmo dia, os funcionários da Manchete realizam a manifestação em frente à residência de Jaquito no Rio de Janeiro[48] e anunciaram que pretendem continuar com os cortes do sinal da emissora e com a realização de novas manifestações em frente à residência de Jaquito.[60]

1999[editar | editar código-fonte]

Janeiro de 1999: Parceria com Igreja Renascer em Cristo[editar | editar código-fonte]

Em 1º de janeiro de 1999, a Manchete (junto com o SBT), são as únicas redes a transmitirem totalmente a cerimônia de posse do presidente reeleito Fernando Henrique Cardoso, apesar dessas redes não possuírem o Departamento de Jornalismo.

Em 4 de janeiro, Pedro Jack Kapeller, surpreende a todos envolvidos e os que acompanham a crise da Rede Manchete, que assinou no dia anterior,[61] o contrato com a produtora Renascer Gospel Comunicação Produções Ltda., pertencente à Fundação Renascer, administrada pela igreja evangélica Renascer em Cristo, tornando-se a parceira da Rede Manchete de Televisão. Pelo acordo controverso, que não é venda e nem arrendamento, o grupo Bloch continua sendo proprietário da Rede Manchete.[62] Antes do acordo, o líder da Renascer, Estevan Hernandez, sempre negou o interesse na compra a emissora, alegando falta de capital, apesar da igreja tenha sido apontada em dezembro do ano anterior como umas das possíveis compradoras.[62]

O grupo Bloch arrendou toda a programação para a Igreja, em mais uma tentativa de salvar a emissora. O sobrenome bloch (abaixo da letra M da Manchete) deixou ser exibido e passou exibir a RGC (sigla de Rede Gospel de Comunicações).

A produtora R.G.C. Produções Ltda., é responsável dos programas da igreja sejam exibidas na mesma rede. Pelo contrato firmado entre Jaquito e a Fundação Renascer, a produtora passa a dividir a responsabilidade pela produção, operacionalização e comercialização das cinco emissoras que compõem a rede,[61] sob pagamento mensal de 60 parcelas fixas[63] de R$ 4,8 milhões, por 15 anos.[61] A produtora passa a deter o controle da rede e promete pagar em 90 dias os salários atrasados dos funcionários do Grupo Bloch (incluindo a gráfica e a editora),[62] que também deverá pagar a dívida com o INSS e a Embratel, consideradas prioritárias.[64] O bispo Antonio Carlos Abbud (sócio do presidente da Renascer, do apóstolo Estevam Hernandes, não se trata da compra da rede e sim, de uma sociedade.[61] Neste cenário, o novo homem forte da Manchete seria o publicitário Antônio Carlos Abbud.[62]

O contrato ainda não pode ser considerado concluído, pois ainda depende da aprovação de Carlos Sigelman, sócio e primo de Jaquito. Além da resistência de Sigelman, Jaquito enfrenta a desconfiança dos representantes sindicais dos funcionários da Manchete.[62]

Pegos de surpresa, os sindicalistas não demonstram apoio do controle da emissora para a entidade religiosa.[62] O Sindicato dos Radialistas acusa a igreja de cometer diversas irregularidades trabalhistas nas rádios que estão sob o seu controle.[62] Os sindicalistas fazem uma reunião às 14hs com o ministério das comunicações para avaliar o contrato firmado.[62] Hamilton de Oliveira se manifestou contra o acordo.

Há evidência que a direção do Grupo Bloch ter feito manobras para impedir que o Banco Pactual assumisse a rede, pois a direção preferiu assinar com a produtora ligada à Igreja Renascer. A emissora melhorou muito, tanto financeiramente, quanto internamente e no conteúdo. A igreja passa a produzir todos os programas e a vender os espaços comerciais da emissora, mas não paga os salários dos funcionários, atrasados em quatro meses.

No dia 5 de janeiro, o bispo da igreja, Antonio Carlos Abbud, que está coordenando as negociações, afirma que a igreja não vai assumir as dívidas da Rede Manchete. "Vamos estabilizar a emissora nesse primeiro momento e receber dinheiro de anunciantes". A dívida com atrasados é de cerca de R$ 20 milhões, segundo o Sindicato dos Radialistas de São Paulo. No mesmo dia, Manchete ganhou um novo prazo do Ministério das Comunicações para comprovar que está em dia com o INSS, o que é necessário para renovar as cinco outorgas que possui no país, vencidas desde agosto de 1996. Essas certidões negativas de débito, que deveriam ser apresentadas no dia 18 de janeiro, poderão ser encaminhadas até a segunda quinzena de maio. O ministério não foi informado.[65] A Igreja Renascer cria três números de telefone, especialmente para os fiéis ajudarem a pagar o arrendamento da rede: O fiel pode contribuir com R$ 10 (0800-7010-10), R$ 25 (0800-7010-25) ou R$ 50 (0800-7010-50) reais. Em uma gravação, a bispa Sônia Hernandes, fundadora da igreja, agradece a ligação, sem informar a finalidade da contribuição nem como a conta será cobrada. O telefone é divulgado em programas da Renascer, nos quais também não é mencionado que a arrecadação servirá para pagar o arrendamento da Manchete.[66]

No dia 6 de janeiro, o bispo Antonio Abbud anunciou que até o próximo dia 20 será anunciado a nova programação da emissora e que o processo de reestruturação deverá terminar num prazo de seis a oito meses e otimista, ele acredita que a emissora tenha condições de brigar pela audiência. Mas não explicou qual será a nova programação que será definida pela Igreja Renascer.[64] Estevão Hernandez declara que a igreja já está pedindo mais contribuições dos fieis para arcar com as novas despesas. Portanto, fica claro que a dívida da Manchete será paga pelos fieis da igreja.[64] No mesmo dia, os grevistas, sindicatos e o Ministério das Comunicações marcam para o dia 13, a reunião sobre a crise.[67]

Em 7 de janeiro, a cantora Simony (ex-Balão Mágico) é convidada para fazer um programa infantil. Ela frequenta a mesma igreja que assumiu a Manchete.[64]

No dia 8 de janeiro, é anunciada que a Rede Globo vai transmitir sozinha o desfile das escolas de samba da cidade do Rio de Janeiro de 1999. É a primeira vez desde 1984, quando adquiriu sozinha, os direitos para transmitir o carnaval na cidade do Rio de Janeiro, em que o Carnaval carioca é transmitido apenas pela Globo.[68] A Manchete tradicionalmente apresenta novelas e alguns programas com forte teor erótico, contrários aos princípios da igreja. Por este mesmo motivo, a Manchete deixa de transmitir o evento que virou símbolo da rede.[64]

Em 11 de janeiro, com dívidas de aproximadamente R$ 500 milhões de reais, Grupo Bloch paga apenas o primeiro dos quatro salários atrasados (incluindo o 13º salário) de seus funcionários desde setembro de 1998. Segundo o Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro, só os funcionários que não receberam o aviso prévio em setembro e outubro do mesmo ano foram pagos. O sindicato prometeu entrar com ação para que os demitidos também recebam. O pagamento só foi possível depois do acordo firmado entre Manchete e a Fundação Renascer.[69] Os sindicatos que representam grevistas da rede denunciam que a R.G.C. Produções Ltda., pretende demitir entre 85% a 90% dos 2.900 funcionários e trabalhar apenas com funcionários contratados da produtora. A RGC só contratará funcionários da rede que peçam demissão. Caso sejam contratados pela produtora, o funcionário da Manchete deverá receber um salário inferior ao que era recebido.[70]

A revolta com a atuação da igreja levou os funcionários das TVs Manchete de São Paulo e Rio de Janeiro partirem em caravana para Brasília, para reunir com o Ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, para tentar uma solução que impeça a transferência da emissora para a Igreja Renascer.[70] Na reunião, incluindo o senador Eduardo Suplicy que acompanha as negociações, Veiga considera "grave" a situação da Manchete e que pretende encontrar uma solução para os problemas "no menor prazo" possível.[69]

O governador do Rio de Janeiro, Antony Garotinho, anuncia que vai tentar impedir a transferência da emissora para São Paulo.[70] Um grupo de advogados de diversos estados anuncia que vão impedir que a igreja assuma as operações da rede, sob a alegação que o negócio é ilegal, já que qualquer concessão de TV depende de aprovação do Congresso Nacional.[70]

Em 13 de janeiro, ocorre reunião entre o grupo de funcionários e sindicalistas da emissora com o ministro Pimenta da Veiga.[67] O motivo dos funcionários e sindicalistas é para pedir o ministro que interfira nas negociações entre a emissora e a igreja e a preservação de empregos ou que a concessão da emissora vencida seja cassada.[67] O ministro declara para eles, em que está disposto a retirar o Grupo Bloch do controle da rede e transferir a emissora para novos administradores que comprovem ter capacidade técnica e financeira para o negócio.[71] Para concretizar essa operação, o ministério deverá determinar a transferência direta do controle acionário da emissora por meio de uma exposição de motivos aprovada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. O grupo Bloch seria forçado a transferir o controle da Manchete, mas continuaria responsável pelos débitos com o INSS.[71] Veiga declarou que o contrato firmado entre o Grupo Bloch e a Igreja Renascer é "frágil e sem bases legais".[72] As declarações do ministro demonstram a intenção do governo em intervir na crise da Rede Manchete. O grupo de sindicalistas e funcionários pediu que o ministério interfira no acordo firmado entre Manchete e a Fundação Renascer.[71] Os funcionários esperam que o Grupo Bloch volte a negociar a transferência do controle da emissora para o Banco Pactual.[72]

Em 15 de janeiro, o presidente do grupo Bloch, Pedro Jack Kapeller, entrega ao ministro Pimenta da Veiga, em Brasília, carta de exposição de motivos que inclui o compromisso de pagar em 90 dias, os salários atrasados dos funcionários da emissora. Na carta com 23 itens, Kapeller também se compromete a saldar as dívidas fiscais e bancárias da empresa.[73]

Em 18 de janeiro, cerca de cem jornalistas e técnicos da rede voltam ao trabalho nas cinco cidades em que a emissora tem concessão. Os trabalhadores voltaram ao serviço depois de receber um dos cinco salários atrasados. O programa Mulher de Hoje, da Claudete Troiano, que deixou ser exibido, voltou ao ar, desta vez ao vivo.[74] O Jornal da Manchete (fora do ar desde o 22/12) voltou a ser apresentado, às 20hs30min.[74] Após a novela Pantanal, às 22hs, a emissora estreou o novo programa de debate chamado Se Liga Brasil, de uma hora de duração. A produção foi possível depois que a direção da rede conseguiu o retorno deles, depois que concordaram com a promessa de receber os quatro meses de salários atrasados em 90 dias e o recebimento do pagamento do mês de janeiro dentro do prazo legal.[74] Segundo a chefa de reportagem do Rio de Janeiro, Nelma Esteves, entre os 37 funcionários que voltaram a trabalhar na cidade não estão repórteres e editores, mas apenas diretores.[74] Apesar do retorno de cerca de cem grevistas, a greve dos funcionários da continua.

Em 19 de janeiro, líderes da Igreja Renascer (entre eles o líder da igreja Estevam Hernandes Filho) se encontram com o Ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, fechando a rodada de discussões sobre o arrendamento da emissora para a igreja.[75] A reunião o ministro Pimenta da Veiga com o presidente da Fundação Renascer, Estevam Hernandes Filho, termina no impasse.[48] Estevam disse que a RGC (Rede Gospel de Comunicação) tem o "compromisso" de pagar dívidas da Manchete para viabilizá-la, mas Veiga insiste em retirar o grupo Bloch e a própria fundação do controle da emissora, devido às dívidas da Manchete que estão estimadas em cerca de R$ 500 milhões reais, sendo R$ 250 milhões com o INSS.[48] O ministro Pimenta da Veiga reafirmou a intenção de transferir a concessão da rede para um grupo em condições de manter a emissora e ameaçou cassar a concessão da emissora se as contas não estiverem em dia até 18 de maio.[76] Estevam Hernandes reafirmou a intenção de quitar as dívidas da emissora e anunciou que os salários atrasados dos funcionários deverão ser pagos até o mês de abril.[75] [76] Segundo os assessores de Veiga, o ministro não reconheceu a responsabilidade da Renascer sobre a Manchete e avaliou que o acordo é "juridicamente frágil", pois foi feito sobre concessões que estão vencidas desde 1996.[48]

No dia 21 de janeiro, o presidente do grupo Bloch, Pedro Jack Kapeller, afirma no Rio de Janeiro, que pretende pagar todos os salários atrasados dos funcionários da Rede Manchete até o final de março.[77] No mesmo dia, os funcionários que retornaram ao trabalho ameaçam nova greve , acusando a RGC não ter cumprido a promessa de pagar os salários da primeira quinzena de janeiro em dia aos que voltaram.[78]

Em 22 de janeiro, a emissora envia telegramas a vários funcionários que estão demitidos por justa causa, "devido ao abandono de funções a partir de 14 de outubro de 1998 (data de início da greve)". O comunicado contraria decisão da juíza Rosana Travesedo, do Tribunal Regional do Trabalho, em 16/12, que deu ganho de causa aos sindicatos dos jornalistas e dos radialistas em ação na qual pediam abono das faltas desde o início da greve e pagamento dos atrasados.[48] O Sindicato dos Jornalistas disse ter conhecimento de outros três telegramas que apresentam como justificativa o fato de os trabalhadores terem participado de manifestação, em 28/12, em frente ao prédio onde mora o presidente do grupo Bloch, Pedro Jack Kapeller. Segundo a advogada dos sindicatos, Cláudia Durant, "participação em manifestação não pode ser apresentada como justa causa". Kapeller disse, por sua assessoria de imprensa, que a empresa enviou telegramas de demissão a "poucos" funcionários. A Manchete considerou que eles deram motivos para receber justa causa. Por conta do anúncio da nova demissão, os trabalhadores no Rio de Janeiro decidiram manter a greve.[48] O Sindicato dos Jornalistas encaminha à Procuradoria da República, denúncia contra o acordo entre Manchete e Renascer, por ser ele baseado em concessões vencidas.[48]

No dia 23 de janeiro, a apresentadora de Mulher de Hoje, Claudete Troiano, declara sobre a volta do programa: "Já havíamos até esquecido do salário".[79]

Em 25 de janeiro, O ministro Pimenta da Veiga, decide cumprir as ameaças feitas ao presidente do Grupo Bloch, Pedro Kapeller, se reúne com o dono do Banco Pactual, Luiz Cezar Fernandes, determinando o reinicio das negociações para a venda da Rede Manchete, sob alegação que o acordo rede e a produtora RGC da Igreja Renascer é frágil e sem base legal, pois foi feito com uma concessão vencida desde 1996, o que é proibido nas leis de telecomunicações no Brasil.[80]

Em 27 de janeiro, as redes Globo e Bandeirantes fecham o acordo para transmissão do carnaval, permitindo Bandeirantes transmitir o desfile das escolas de samba. Com isto, Bandeirantes passa a ocupar o espaço que era tradicionalmente da Rede Manchete. A transmissão vai ser realizada por um "pool" das duas redes, permitindo que Globo (detentora dos direitos de transmissão) diminua os custos com a cobertura. Outra vantagem para Globo é a possibilidade de não transmitir integralmente os desfiles.[81]

Em 28 de janeiro, segundo o jornal Folha de S. Paulo, o governo federal considera ilegal o contrato firmado entre a Rede Manchete e a Fundação Renascer. Análise jurídica do documento pelo Ministério das Comunicações (que o jornal teve acesso) concluiu que houve um "arrendamento integral" da rede de televisão, o que não é permitido pelos decretos 52.795/63 e 2.108/96. Pelo contrato, a Fundação Renascer (por meio da RGC Produções Ltda., produtora pertencente à entidade) assume a produção, operacionalização e comercialização da emissora, mediante o pagamento mensal de R$ 4,8 milhões, durante 15 anos. No caso de concessões, é necessária, junto com os requisitos legais, uma decisão do Presidente da República. Segundo a imprensa, o governo quer uma saída definitiva: a venda da Manchete e que está disposto a conversar com outros grupos que estejam interessados. Em último caso, a concessão seria cassada.[82]

No mesmo dia, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), anuncia que vai requerer ao ministro Pimenta da Veiga, informações sobre o contrato firmado entre a Rede Manchete e a Fundação Renascer. Baseado na notícia do jornal, em que o governo considera ilegal o arrendamento integral da emissora, pediu a transcrição da matéria. Suplicy se manifesta preocupado e solidário com os funcionários da Manchete que estão sem receber desde setembro. Conforme o senador, com um pequeno número de funcionários, a Fundação Renascer está fazendo a emissora funcionar, enquanto outros empregados, que deram seus esforços e dedicação, durante anos, à emissora, "continuam no limbo".[83]

Em 29 de janeiro, em anúncios pagos e publicados em principais jornais do país, Kapeller contesta as alegações de ilegalidade do acordo da rede com a Igreja Renascer. Em uns dos trechos, Kapeller ataca diretamente o ministro Pimenta da Veiga, levantando suspeitas sobre a intenção de o ministro transferir o controle da emissora para um grupo com capacidade financeira: "Esse tipo de preferência provocou recentemente o afastamento de um Ministro (José Mendonça de Barros) e de outras autoridades do governo".[84] Infelizmente, as declarações de Kapeller, neste aspecto, possuem fundamentos. O governo federal reeleito em 1998 iniciou em janeiro uma campanha para exercer maior controle sobre as emissoras de TV e pretende deixar a Manchete com um grupo que apóie claramente o governo. A Igreja Renascer não agrada ao governo, principalmente a ala do PSDB de Pimenta da Veiga, já que ela apoiou ostensivamente o ex-governador Paulo Maluf nas últimas eleições para governador de São Paulo.[84]

No mesmo dia, o Ministério das Comunicações notifica ao Grupo Bloch a ilegalidade do arrendamento da emissora à Igreja Renascer, através da Rede Gospel de Comunicações (RGC). Segundo o ministério, o arrendamento integral da emissora fere a atual legislação. Cometa-se que o ministro pretenda transferir a Rede Manchete para os Diários Associados, antigos proprietários da TV Tupi.[85]

No dia 31 de janeiro, a Fundação Renascer não paga os R$ 4 milhões e 800 mil reais na primeira parcela do contrato feito com o grupo Bloch.

Fevereiro de 1999: Rompimento com Igreja Renascer em Cristo[editar | editar código-fonte]

Em 1º de fevereiro, Estevam Hernandez reúne com Pimenta da Veiga para discutir o futuro da emissora. Durante a reunião, Veiga declarou que considera "frágil" o acordo de arrendamento feito entre a RGC e o Grupo Bloch.[86]

Em 3 de fevereiro, Estevam Hernandez declara que pretende obter a concessão da Rede Manchete.[86] Hernandez admitiu que não tem condições de quitar todos os débitos da emissora com a seguridade social até o dia 18 maio, data de encerramento da concessão provisória da emissora. Hernandez, no entanto, espera firmar um acordo de renegociação da dívida, o que possibilitaria a renovação da concessão da emissora.[86]

Em 4 de fevereiro, na cidade de São Paulo, um grupo de dez pessoas ligadas à Igreja Renascer passam por salas e estúdios batendo nas paredes e dizendo frases como "Sai, demônio!". Após o evento, denúncias de funcionários e da imprensa acusam a igreja de transformar a sede da Manchete em São Paulo em um templo da igreja, onde se pede dinheiro aos fiéis, faz-se exorcismo e realizam-se cultos. Isso, apesar de o ministro Pimenta da Veiga ter informado à Renascer que considera ilegal o contrato com o grupo Bloch. Estevam Hernandes diz ser absurda a constatação de que a sede da Manchete tenha se transformado num templo. O exorcismo foi um dos raros momentos de exposição da direção da Renascer desde o início de janeiro.[87]

Em 8 de fevereiro, Estevão Hernandez pretende manter a Rede Manchete 24 horas no ar, exibindo programas religiosos durante a madrugada, seguindo o exemplo da Rede Record com os programas da Igreja Universal do Reino de Deus. O problema se a RGC manter ou não o arrendamento. Além de enfrentar a oposição do governo federal, a direção do Grupo Bloch já demonstra interesse em rever o contrato.[88] No último dia de prazo, a RGC deixa de pagar a primeira parcela de R$ 4,8 milhões.[63]

Em 9 de fevereiro, Pedro Jack Kapeller, anuncia por meio da assessoria de imprensa da emissora,[89] que enviou notificação à Fundação Renascer avisando que, se o pagamento da primeira parcela do contrato com a Manchete não for pago em 72 horas, pretende romper o acordo. Segundo ele, a Renascer ainda não honrou o pagamento da primeira parcela do acordo que venceu em janeiro e por isso pretende romper o contrato.[90] O anúncio de rompimento foi divulgado à imprensa no final da tarde.[89] Estevam Hernandez nega o descumprimento do acordo e afirma que pode ter ocorrido um ligeiro atraso no pagamento da parcela.[89]

Após o fim de prazo dado pelo Kapeller, na noite do dia 12 de fevereiro, anuncia o comunicado interno escrito na noite pelo próprio Kapeller[91] que “A Rede Manchete acaba de romper o acordo com o grupo Renascer”[92] após o não pagamento da primeira parcela.[91] O papel foi distribuído aos funcionários da emissora e lido parcialmente, no "Jornal da Manchete" pouco antes das 21h. O motivo, segundo Kapeller, seria "o descumprimento de cláusulas contratuais". O comunicado determina ainda "o imediato afastamento da RGC Produções das atitudes operacionais, comerciais e artísticas que vinha exercendo".[92] A resposta do Estevam Hernandes, presidente da Fundação Renascer, veio por meio da assessoria da fundação, dizendo que só sai da Manchete se houver ordem judicial. Estevam afirmou outro comunicado, desta vez à imprensa: "Estamos tomando todas as providências legais".[92] Em resposta, a RGC anunciou que deverá entrar nos próximos dias com uma ação judicial contra o Grupo Bloch.[91]

Na madrugada do dia 13 de fevereiro, os programas da Igreja Renascer não estão mais sendo transmitidos: o Espaço Renascer, da bispa Sônia Hernandes, foi tirado do ar e os telespectadores que costumaram a assistir o programa só viam apenas a tela preta. Já de manhã, os programas da igreja foram substituídos por seriados e desenhos japoneses. No mesmo dia, os seguranças da TV Manchete São Paulo fecharam os portões para impedir os bispos da igreja de entrar na sede da emissora.[93]

O Grupo Bloch decidiu romper o acordo com RGC depois de muita pressão da parte do Ministério das Comunicações, que considerou ilegal o acordo de arrendamento da emissora por 15 anos e efetuou uma série de ameaças.[94]

Em 14 de fevereiro, mais uma debandada da Rede Manchete: por causa da crise, a TV Manchete Rio de Janeiro, deixa apresentar os programas da Igreja Universal do Reino de Deus, depois que a igreja trocou a emissora pela CNT. Para ocupar o espaço diário, com duas horas de duração, incluindo os sábados e domingos, a Igreja está pagando R$ 200 mil por mês.[95]

Na tarde do dia 17 de fevereiro, Estevam Hernandes consegue uma liminar de reintegração de posse da rede pela Igreja Renascer na 6ª Vara Cível de Santana,[96] do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo,[94] assinada pelo juiz Amador Pedroso.[96]

No dia 18 de fevereiro, os programas evangélicos da igreja voltam ao ar.[96] No mesmo dia, os advogados do Grupo Bloch entram em processo contra a posse da emissora pela produtora RGC, para derrubar a liminar.[94] Em São Paulo, os funcionários que haviam voltado ao trabalho, após um acordo com a RGC, ameaçaram retornar greve caso a liminar obtida pela RGC seja revogada.[94] No Rio de Janeiro, três outdoors, instalados a pedido dos funcionários da emissora, apresentavam uma mensagem irônica aos anunciantes: "Sabe para onde vai o dinheiro que você gasta anunciando na TV Manchete? Nem a gente." [Assinam os] "Trabalhadores da Manchete sem salário há cinco meses".[94]

Kappeller, admite que não possui meios de pagar a dívida de US$ 540 milhões com o governo federal[94] e afirma que recebeu carta endereçada do Banco Rural, que dá o prazo de 24 horas para que o grupo pagar duplicata de R$ 5 milhões, descontada pela emissora em janeiro de 1999.[97] O banco afirma que, caso o dinheiro não seja pago no prazo "improrrogável" de 24 horas, terá de tomar "medidas extrajudiciais e judiciais pertinentes à espécie".[97] A carta, datada no dia 17, foi divulgada pelo próprio Kapeller. Nesse dia, Kapeller declarou à Folha de S. Paulo (publicado no dia 19), "que a carta é uma prova de que a Renascer não pagou nada à Manchete, ao contrário do que afirma a fundação". Segundo ele, já está sendo renegociada com o banco a prorrogação do prazo de pagamento.[97]

No dia 19 de fevereiro, os Diários Associados admitem pela primeira vez, que poderão assumir a dívida da Rede Manchete. O grupo ganhou diversas causas em 1998, contra a união (governo federal) pela extinção da TV Tupi em 1980, que foi dividida pela Manchete e SBT. Caso a Rede Manchete venha a ser adquirida por Diários Associados, a dívida da emissora seria abatida do valor a ser pago pela união ao D.A.. A Rede Manchete precisa pagar R$ 240 dos R$ 550 milhões até 18 de maio para manter a concessão.[98]

Em 22 de fevereiro, os funcionários da TV Manchete São Paulo, encerram a greve graças ao acordo, efetuado no Tribunal Regional Trabalho de São Paulo, com a RGC.[99] A emissora estava funcionando até uma semana antes, com um quadro de 260 profissionais "convidados" pela RGC. Havia a esperança que a produtora pagasse o vale dos funcionários no dia 20, o que não ocorreu.[99]

Na noite do mesmo dia,[100] o Grupo Bloch consegue por meio de outra liminar, a reintegração de posse que a RGC, da Igreja Renascer havia conseguido em 17/2.[100] A nova liminar foi concedida após o abandono da função dos representantes da RGC, produtora da Igreja Renascer da emissora em São Paulo. A nova liminar foi recebida sem surpresa pelos bispos da igreja e membros da RGC.[100] Desde que recuperaram o controle da rede, membros da RGC passaram o fim de semana esvaziando e limpando as gavetas,[100] [100] enquanto colocavam no ar uma grade de programação religiosa,[99] sem se preocuparem em gravar novos programas, pois exibiram apenas reprises,[100] numa clara indicação de que não pretendem permanecer com na disputa pelo controle da emissora[99] e dar o calote ao Grupo Bloch.

Em 23 de fevereiro, o Grupo Bloch reassume o controle da Rede Manchete. O arrendamento da Rede Manchete com a RGC, da Fundação Renascer (pertencente à Igreja Renascer em Cristo) pelo grupo, que previa o pagamento de R$ 4,8 milhões de reais em cada mês durante 15 anos se revelou maior prejuízo da emissora. O arrendamento foi desfeito devido à inadimplência da fundação fez ao grupo anular o contrato na Justiça, por conta da falta de pagamento da primeira parcela do contrato previsto em 31 de janeiro e foi mais um fracasso, pois ficou após mais de um mês nas mãos da Renascer. Comenta-se que o governo federal vai pressionar a família Kappeller para que a venda da emissora seja realizada o mais rápido possível.

Em 24 de fevereiro, a direção do Grupo Bloch anuncia que o jornalista Mauro Costa é o novo diretor geral da Rede Manchete; a direção do grupo decide que a sede da emissora deverá continuar no Rio de Janeiro; também afirma que não pretende pagar o salário de fevereiro para os funcionários. A direção do grupo entende que está é uma responsabilidade da Igreja Renascer e pretende esperar uma decisão da justiça. Quanto aos salários atrasados desde outubro, a direção comunicou que estes deverão ser pagos pelo grupo que comprar a emissora.[101]

No mesmo dia, Kapeller disse que o empresário Ary Carvalho, dono do jornal carioca O Dia, é um dos interessados em comprar a rede e que também há negociações com outros dois grupos, mas não revelou os nomes. Ele nomeou o jornalista Mauro Costa novo superintendente-geral da rede. Segundo a imprensa, um desses grupos é de Brasília. Procurado pela imprensa para declarar, Carvalho disse, por meio da secretária, que não atenderia ao telefonema por não ter nada a falar, já que desconheceria as negociações com Kapeller.[102]

Horas depois, a apresentadora do programa Mulher de Hoje, Claudete Troiano, se revolta com notícia que não terá o salário de fevereiro pago e diz que era "difícil não chorar". Apesar de dizer que estava triste pelo conteúdo das notícias dos jornais, não havia dúvidas que era uma referência à crise da emissora, que anunciou que não pagará os funcionários. Durante a apresentação de um prato, Claudete declara: "Antigamente brindávamos com "Champanhe". Agora até o suco é falso.". Em seguida, abriu uma geladeira presente no estúdio e declarou que a mesma estava "vazia, como na casa das famílias pobres. Todas as frutas são falsas". Visivelmente alterada, arremessou as frutas falsas no chão. Ao longo do programa, ela fez questão de apresentar os contra-regras que trabalham no programa, numa evidente demonstração de apoio aos funcionários da emissora. O clima era de tristeza, despedida e indignação.[103]

Em 25 de fevereiro, os representantes dos funcionários da rede se reúnem em assembleia geral realizada no Rio de Janeiro e anunciam que pretende iniciar ação popular para obter a cassação da concessão da Rede Manchete.[104] Eles pretendem que a emissora passa a transmitir programas das emissoras educativas, o que na prática seria o fim dos anunciantes.[104]

No mesmo dia, o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, que se manifestou contrário ao acordo entre Bloch/Renascer desde o início, considerou "salutar" a saída da Fundação Renascer do controle da Rede Manchete, ao elogiar o fim do acordo entre eles e a iniciativa da Bloch.[105] Em relação a venda da emissora, declara que não vê problemas nas negociações entre Ary Carvalho (O Dia) e o grupo Bloch, visando a compra da emissora.[104] O problema é que o jornal carioca não possuiu (pelo que se sabe) experiência e condições financeiras para de reerguer a rede, com o pagamento das dívidas até 18 de maio. O próprio jornal de Ary enfrentou dificuldades financeiras no final de 1998.[104] O favorito para compra da emissora continua sendo o grupo "Diários Associados".[104]

Em 26 de fevereiro, os funcionários da TV Manchete São Paulo, entram novamente em greve.[104] A greve foi decidida em virtude do não cumprimento do acordo firmado entre os funcionários da Manchete e a direção da RGC, que controlavam a emissora.[106]

Março de 1999[editar | editar código-fonte]

Mais de três anos após a morte de Adolpho Bloch, o fracasso de Brida (que esgotou os recursos da emissora), a venda e o recuo do Bloch à Igreja Renascer em Cristo, as 5 concessões da Manchete começaram a ser novamente vendidas por Pedro Jack Kapeller, o "Jaquito", sobrinho de Adolpho e principal herdeiro de suas empresas.

Em 1º de março, o programa Mulher de Hoje, apresentado ao vivo por Claudete Troiano, não foi levado ao ar. Rio de Janeiro e Brasília (TV Brasília) conseguiram sustentar a programação noturna da emissora.[106] Posteriormente, o programa é cancelado e a Claudete sai da emissora.[107]

Em 4 de março, cerca de cem funcionários da Manchete invadem o primeiro andar do prédio do Ministério das Comunicações em São Paulo. Os funcionários pretendem acampar no local, onde fica a sede do Dentel (Departamento Nacional de Telecomunicações), por tempo indeterminado, até que a empresa se decida a pagar os salários que estão em atraso desde outubro de 1998.[108]

Entre 5 e 6 de março, funcionários da Bloch Som & Imagem (empresa criada para produzir as novelas da emissora), recebem uma convocação para rescindirem o contrato com a empresa. Este é o primeiro passo para o fechamento da empresa. A Bloch Som & Imagem foi criada para impedir que os investimentos feitos na área de dramaturgia fossem parar nas mãos de Hamilton de Oliveira, que luta pela posse da emissora na justiça.[109]

Em 8 de março, o casal Luiz Carlos e Lucy Barreto anunciam que pretendem comprar a Rede Manchete. Eles pretendem criar uma rede de televisão dedicada a exibição de programas ligados a cultura nacional. A rede já foi apelidada de "Canal Brasil", numa referência ao canal a cabo que se dedica à exibição de filmes nacionais, a mesma exibida na Manchete quando foi inaugurada e por causa do fracasso, retirou a programação em 1988.[110]

Em 10 de março, Amilcare Dallevo Jr., proprietário da Tecnet Teleinformática, empresa que explora o serviço 0900, é mais um novo pretendente à compra da rede.[111] Ele já teria iniciado as negociações para a compra da emissora com Kapeller. Caso o negócio seja concretizado, é a segunda vez que a Manchete é vendida para um magnata da jogatina, como ocorreu em 1992. O temor é que a Manchete seja utilizada por Amilcare, caso consiga adquiri-la, para divulgar os serviços de 0900.[111]

Enquanto isso, os funcionários da emissora em São Paulo, que ocupam o prédio da delegacia do Ministério das Comunicações da cidade, realizam mais uma manifestação de protesto contra o atraso dos salários.[111]

Em 11 de março, os sindicalistas que representam a Manchete, se reúnem com o ministro Pimenta da Veiga para tentar encontrar uma solução para o impasse criado.[111] No mesmo dia, os funcionários da gráfica do Grupo Bloch realizam uma passeata pelas ruas do centro do Rio de Janeiro. As revistas Manchete e Amiga estão sendo impressas na Editora Abril.[112]

Em 12 de março, o Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo fornece 100 cestas básicas para os funcionários em greve da Manchete. As cestas foram entregues aos grevistas que ocupam o prédio do Ministério das Comunicações em São Paulo.[112] Horas depois, os funcionários desocuparam o prédio.[109] No mesmo dia, o acordo garantindo a preferência da venda da emissora para o empresário Amilcare Davelo é assinado,[113] com a promessa de venda da emissora para o empresário.[114]

Em 17 de março, o banco norte-americano Lehman Brothers é apontado como o financiador de Amilcare Dalevo Jr., proprietário da Tecnet, para a compra da Rede Manchete.[114] O representante do banco no Brasil seria o brasileiro Lavra, já que a legislação brasileira[115] proíbe a participação de empresas estrangeiras em emissoras de TV aberta.[114]

Em 18 de março, Kapeller disse que há um contrato de opção de compra da Manchete feita pela produtora Ômega, de Amilcare Dallevo. Segundo Kapeller, o contrato definitivo deve ser elaborado dia 8 de abril, quando termina auditoria na Manchete pela empresa de Dallevo. A Ômega se tornaria responsável pelo passivo da emissora e o pagamento dos salários atrasados seria prioritário no contrato.[116] No mesmo dia, a sede da TV Manchete Rio de Janeiro é protegida novamente pela Policia Militar para evitar a invasão do prédio por funcionários grevistas.[114]

Em 24 de março, o empresário Dalevo Jr. anunciou que até o dia 9 de abril decide se compra ou não o que sobrou da Rede Manchete. O empresário Dalevo ainda aguarda os resultados da auditoria que está sendo feita na rede. Caso o empresário não adquira a emissora, é provável que o Ministério das Comunicações decrete a liquidação da emissora no dia 18 de maio.[117] Nos dias seguintes, representantes de Dalevo Jr. e a TeleTV[118] realizam uma auditoria sobre as contas na emissora[118] e fazem diversas reuniões com os funcionários para saber qual é o montante da dívida da emissora.[119]

Abril de 1999[editar | editar código-fonte]

Em 5 de abril, o Banco do Brasil anuncia que vai entrar na Justiça para receber a dívida de US$ 102 milhões do Grupo Bloch. A decisão foi toma depois que o grupo deixou de cumprir o acorde de refinanciamento da dívida com a instituição.[118] No mesmo dia, o Grupo TeleTV que faz a auditoria sobre as contas da rede, marcou a reunião no dia 7[120] com o Sindicato dos Jornalistas para buscar uma solução para o pagamento dos salários atrasados dos funcionários da emissora.[118]

Em 6 de abril, o ex-ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros se reúne com Kapeller, na sede da TV Manchete Rio de Janeiro.[121] O encontro foi confirmado à Folha de S. Paulo pelo próprio Kapeller, afirmando que o ex-ministro está fazendo a ligação entre a emissora e um grupo de eventuais compradores, os quais não quis identificar, alegando que o momento é "delicado" para a empresa.[121]

Em 7 de abril, o dia da reunião marcada,[120] os representantes dos funcionários da Rede Manchete aceitaram os principais pontos de uma proposta de apresentada por Amilcare Dallevo Jr. para o pagamento dos salários atrasados, caso a emissora seja comprada pelo grupo TeleTV.[120] O ex-ministro Luiz Barros assume o papel de intermediador na venda da rede.[121] O acordo estipula um prazo para o pagamento parcelado dos salários atrasados. Os funcionários discordarão apenas do prazo de 12 meses estipulado para o pagamento.[120] Em São Paulo, o juiz do Tribunal do Trabalho determina que 70% do total arrecadado pela emissora em publicidade seja depositado em juízo para o pagamento dos salários atrasados dos funcionários da emissora.[120] Horas depois, ocorre a reunião na noite dos grupos que interessam em comprar a rede e administrar os problemas.[121]

Em 8 de abril, o empresário e sócio do Banco Rural no empreendimento, Amilcare Dallevo Júnior, presidente do grupo paulista TeleTV, que opera o sistema de ligações interativas com sorteios pela TV por meio do prefixo 0900, a qual operava o Tele 900, Amílcare Dallevo Jr. é apresentado oficialmente como o novo comprador da rede. O grupo liderado por Dallevo Jr, propôs aos sindicalistas o pagamento parcelado, no prazo de 12 meses, dos salários atrasados dos funcionários da emissora. A TeleTV também propôs o cancelamento das demissões ocorridas em setembro de 1998 (cerca de 600) e estabilidade de 90 dias, a partir da volta ao trabalho dos funcionários que estão em greve. Nesse dia, Kapeller se reuniu com Amílcare Dallevo em São Paulo. Em assembleia à tarde, os funcionários da TV Manchete São Paulo aceitaram a proposta, mas os sindicalistas vão tentar negociar a redução do prazo do pagamento dos atrasados para oito meses. No Estado de São Paulo, os salários estão atrasados desde outubro e nos demais Estados, os funcionários não recebem desde setembro. O sindicato dos radialistas estima em R$ 40 milhões de reais, o valor dos salários atrasados.[122]

Em 14 de abril, o ex-proprietário da Manchete e empresário Hamilton Lucas de Oliveira, dono do Grupo IBF (Instituto Brasileiro de Formulários), obtém a decisão favorável da justiça, impedindo a venda da Rede Manchete, ao conseguir obter liminar parcial, impedindo a venda da TV Manchete.[123] O desembargador Roberto Wider, do Rio de Janeiro, concedeu uma medida cautelar que impede a venda da emissora até que seja julgado o recurso que Hamilton move contra a sentença que confirmou a posse do grupo Bloch sobre a emissora. A disputa entre o grupo Bloch e Hamilton de Oliveira, pela propriedade da Rede Manchete, atrapalha a venda da emissora para o grupo TeleTV.[124]

No dia 15 de abril, a auditoria promovida pelo empresário Amilcare Dallevo Jr. na Rede Manchete, apura que a dívida total da emissora é de R$ 620 milhões.[125]

Em 20 de abril, Amílcare Dallevo diz confiar na Justiça para a resolução do impasse criado pela ação pelo Hamilton Oliveira e teme o fim da Manchete, pois a venda da emissora deve ser concretizada (segundo o Ministério das Comunicações) até o dia 18 de maio e passado esse prazo e caso não tenha ainda sido vendida, a Manchete perderá a concessão. Sendo assim, os canais da emissora em cada Estado terão de passar por licitação para a concessão separadamente. Segundo assessoria do ministério, "esse processo pode demorar muito porque a concessão tem de passar pelo Congresso para ser aprovada". A demora no processo judicial pode afastar Dallevo da Manchete.[123]

Em 21 de abril, o site TV Crítica afirma que a TV Mar, emissora afiliada à Rede Manchete, instalada na cidade de Santos, interior de São Paulo, pode ser comprada pelo Edir Macedo.[126]

Em 26 de abril, Amilcare Dallevo inicia acordo de uma semana de duração com Hamilton Lucas no processo que impediu a compra da Rede Manchete, para evitar que o acordo da compra e a concessão fracassem.[127]

Em 28 de abril, a Manchete tem sua programação publicada pela última vez no Jornal do Brasil, um dos grandes jornais cariocas na época. A partir do dia seguinte passaria a ser exibida a informação de que a Manchete não divulgou a sua programação. A programação para o dia 28 foi: 07:15 Igreja da Graça no Lar / 08:15 Está Escrito / 08:45 Conexão Gospel / 09:30 Escola Bíblica / 10:00 Programa Educativo / 10:30 Canal Direto / 12:00 Grupo Imagem / 13:00 LBV / 13:30 Canal Direto / 14:30 Clube do Campo / 15:30 Grupo Imagem / 16:30 Jiraya / 17:00 Shurato / 18:00 Yu Yu Hakusho / 19:00 Maskman / 20:00 Mexe Brasil / 21:00 Programa de Domingo / 22:00 Show Business / 21:00 Nosso Tempo / 23:30 Programa Paiva Neto / 00:30 LBV [128]

Maio de 1999: Venda[editar | editar código-fonte]

Em 2 de maio, Amilcare Dallevo, assina o contrato para administrar 30% das dividas da emissora e a concessão dela.

Em 6 de maio, o desembargador Roberto Wider, da 5ª Câmara Cível do Rio, começa a julgar o recurso do empresário Hamilton Lucas de Oliveira contra a decisão judicial que deu, em primeira instância, a posse da TV Manchete à família Bloch. Desde 1993, Lucas de Oliveira briga na Justiça pela posse da emissora, cuja compra negociou em 1992. Alegando não-pagamento das parcelas, a família Bloch conseguiu retomar a TV em 1993. A venda da Manchete para o grupo Tele TV, depende da decisão de Wider.[129] [130] A família Bloch ganha na Justiça, em segunda instância, o direito de posse da TV Manchete. A 5ª Câmara Cível do Rio julgou improcedente, por unanimidade, o recurso de Oliveira contra a decisão judicial que havia dado, em primeira instância, a posse da emissora aos Bloch. O desembargador Wider, relator do processo, também cassou a liminar que concedera em favor de Oliveira, impedindo a venda da TV até que fosse decidida a questão judicial.[131] Com isso, poderá ser concluída a negociação com o grupo Tele TV.[132] [133] Wider decidiu que o empresário Hamilton Lucas não tinha direito sobre a emissora e a liminar que impedia a venda da emissora em 14 de abril deixa a ter validade.[134]

Em 7 de maio, véspera do dia da compra da Rede Manchete, o presidente do Grupo Bloch, Pedro Jacques Kapeller, o Jaquito, viaja para Brasília, DF, para ter um encontro com o grupo Diários Associados.[134] Segundo o próprio Kapeller, o encontro não ocorreu, mas a chegada dele na cidade foi o suficiente para espalhar o boato de que o grupo Bloch estaria tentando negociar a venda da emissora para os antigos proprietários da TV Tupi, ligados ao ministro das comunicações Pimenta da Veiga.[134] Revoltados, os funcionários decidiram invadir, no final da tarde de ontem, as instalações da TV Manchete Rio de Janeiro, o saguão da sede da emissora e iniciar uma greve de fome.[134] [135] A intenção era pressionar Kapeller a assinar o contrato de venda da TV.[135] Na invasão, houve tumulto entre funcionários e seguranças. Um vidro da porta chegou a ser quebrado e policiais militares tiveram que intervir.[135] Kapeller chegou, aceitou conversar e assinou documento garantindo que o contrato será assinado.[135]

Em 8 de maio, é iniciado a longa reunião sobre a compra da rede com 5 emissoras que a compõem. A reunião para a compra ocorre dez dias antes do prazo final para a renovação das concessões, que estavam vencidas desde agosto de 1996. Se até 18 de maio, a Rede Manchete não tivesse pagado boa parte das dívidas ou ser vendida por outro grupo capaz de administrar a rede para pagar as dívidas, seria liquidada e definitivamente extinta ao perder a concessão. Sendo assim, os canais da emissora que possui teria que passar uma nova licitação para a concessão separadamente, o que demoraria, pois teria que passar pelo Congresso Nacional (o Parlamento brasileiro).[123]

No dia 9 de maio, depois de várias reuniões, num acordo acompanhado pelo Ministério das Comunicações, é anunciada que a Rede Manchete foi vendida ao grupo TeleTV[136] na madrugada.[137] O Grupo TeleTV comprou a rede por US$ 608 milhões de dólares.[137] A emissora foi vendida pelo grupo Bloch depois de uma reunião de mais de 12 horas entre o seu presidente, Pedro Jack Kappeller, e o proprietário do grupo TeleTV, Amilcare Dallevo Jr.[137]

O valor anunciado da venda da emissora surpreendeu, já que a Rede Manchete encontra-se totalmente desestruturada, tendo perdido quase todas as suas afiliadas[137] nos últimos dois anos para as redes Record, CNT e Bandeirantes.

A empresa TeleTV vai pagar passivos de R$ 330 milhões (e não os R$ 608 milhões), cancelando todas as demissões feitas em 1998 e investindo US$ 100 milhões nos próximos 12 meses.[136] Para fechar o negócio, Dallevo Jr. contou com um empréstimo de US$ 1 bilhão da financeira norte-americana Lehman Brothers.[137]

Amilcare encaminha ao ministro Pimenta da Veiga o contrato de venda da Manchete assinado por ele e o Kapeller (que ainda é o dono da emissora).[136]

Os funcionários da emissora foram comunicados à tarde na assembleia a venda da rede.[137]

Segundo as informações da imprensa, o grupo Bloch deverá receber 7,5 milhões de dólares por mês durante seis anos. Para isso, o grupo TeleTV espera elevar o faturamento mensal da emissora de US$ 10 milhões, registrados em 1998, para US$ 30 milhões, o que seria um fato extraordinário. Pelo contrato, a emissora terá seis meses para desocupar o prédio que ocupa no Rio de Janeiro, podendo utilizar por quatro anos a sede paulista.[137]

Na madrugada do dia 10 de maio, passaram-se os últimos momentos da emissora onde houve a exibição da vinheta com o slogan: "Rede Manchete, Você em Primeiro Lugar!" e depois daquela vinheta e daquele momento, se encerra uma história iniciada em 1983, e a Rede Manchete passa a se chamar TV!, e que, futuramente, passaria a ser chamar RedeTV!. No mesmo dia, Dallevo informa que as dívidas da Manchete com o INSS e com o FGTS somam cerca de R$ 200 milhões. As dívidas com salários, bancos privados e fornecedores chegam a R$ 130 milhões.[136] O presidente da Tele TV, Amilcare Dallevo Jr., disse que a empresa investirá R$ 100 milhões no seu primeiro ano à frente da Rede Manchete, adquirida no dia 9.[138] [139] Os proprietários da Bloch e da TeleTV se encontram com o ministro Pimenta da Veiga, para informá-lo da transação e dar início ao processo de aprovação da venda no Congresso Nacional.[137]

Em 14 de maio, o ministro Pimenta da Veiga assina o decreto transferindo o controle acionário da Rede Manchete para o grupo paulista TeleTV. A assessoria do ministério explicou que a proposta do TeleTV, mostra que o grupo tem condições técnicas e financeiras de gerir a rede. O grupo também apresentou um certificado de regularidade emitido pelo INSS comprovando que as dívidas da Rede Manchete foram renegociadas. O decreto é publicado pelo Diário Oficial da União até dia 17 de maio, com a assinatura do presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso. Com a conclusão da venda, a Presidência da República vai encaminhar ao Congresso Nacional uma solicitação para que a concessão da emissora seja renovada. A concessão venceu em 1996, mas permite a operação de emissoras em São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Belo Horizonte e Recife por três anos.[140]

Em 17 de maio, véspera do fim das concessões, o Diário Oficial publica o decreto, com as assinaturas do presidente Fernando Henrique Cardoso e o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, em que transfere para TV Ômega a concessão outorgada à TV Manchete para explorar serviço de radiodifusão de sons e imagens nas cidades do Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Recife, Fortaleza e São Paulo. Segundo o decreto, a exploração do serviço de radiodifusão será regida pelo Código Brasileiro de Telecomunicações e leis subsequentes e seus regulamentos.[141] No entanto, no mesmo dia, os funcionários da TV Manchete São Paulo decidem manter a greve, apesar da publicação da venda da Rede manchete para o grupo TeleTV no Diário Oficial. Os funcionários decidiram que só retornarão as atividades normais depois que for assinado um acordo com os novos proprietários da emissora e os sindicatos. Os funcionários também exigem o pagamento dos salários atrasados.[142]

Em 19 de maio, o site da TV Crítica afirma que o comediante Sergio Mallandro, que havia sido demitido pela Manchete por causa da crise de 1998 e contratado pela CNT, é entre uns dos cogitados para ser apresentador na TV!,[143] mas no dia 25 de maio, a emissora perde Mallandro para a TV Gazeta (afiliada à CNT em São Paulo), depois que a emissora o contratou depois dos boatos da transferência à Manchete.[144]

Em 20 de maio, o site TV Crítica afirma que a Rede Manchete vai mudar de nome e o mais cotado é a TV Ômega.[145]

Em 21 de maio, o jornal Gazeta Mercantil, publica a reportagem em que Boni nega que vai para Manchete e pretende cumprir o mandato com a Rede Globo até abril de 2001.[146]

No mesmo dia, após oito meses em greve, os funcionários da Manchete se dizem aliviados diante das negociações com o grupo TeleTV. Segundo Everaldo Gouveia, presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, no dia 27 de maio os funcionários da emissora retornam ao trabalho em todo o país, um dia após o pagamento da primeira parcela dos salários atrasados. As demais serão recebidas em até 11 vezes, sem correção.[147]

Também no mesmo dia, é anunciada que a partir de agosto, a Rede Manchete (ainda com o nome de TV!), vai estrear com o novo nome da rede, pois Amílcare Dallevo Jr., encomendou pesquisa para a agência de publicidade FischerAmérica, que deve descobrir qual o nome que mais agrada à população. A agência também vai cuidar do lançamento da nova emissora. Na compra, o empresário desembolsou um total de R$ 250 milhões de reais (entre dívidas com o governo e trabalhistas), além das cinco concessões. Dallevo não ficou com nenhum prédio ou equipamento da Manchete. Os funcionários foram o ativo incorporado. "Não ficamos com a TV Manchete Ltda. Nem com o seu CGC. Essa empresa tem ainda uma dívida de cerca de R$ 80 milhões com bancos privados", disse Dallevo.[148]

Em 22 de maio, a Revista Veja nº 1599, datado no dia 26 de maio, publica denúncias em que o paulista Amilcare Dallevo Jr., seria sócio de grupo estrangeira da Telefônica, empresa de telefonia fixa sediada na Espanha, que ganhou concessão para administrar a Telesp no estado de São Paulo, que é proibido pelas leis brasileiras. A revista também questiona a capacidade de Dallevo de administrar a rede de televisão, pois não mostrou comprovantes de lucro em 1998.[149]

Toda vez que é questionado sobre a definição da cidade que ficará com a cabeça-de-rede da nova Rede manchete, ser Rio de Janeiro ou São Paulo, o empresário Amilcare Dallevo Jr. desconversa, afirmando que este é um detalhe sem importância. No entanto, a nova sede seria o conjunto de bairros chamado Alphaville, na cidade de São Paulo e até tem razão. Não adianta a transmissão das imagens para o satélite ser realizada na cidade do Rio de Janeiro, se a produção de programas for transferida para outro local (no caso de São Paulo) e isto poderia ocasionar a demissão de centenas de funcionários da emissora no RJ.[150]

Em 23 de maio, no programa Show Business, é apresentado uma entrevista com o novo proprietário da Rede Manchete, o empresário Amilcare de Oliveira. Várias perguntas foram feitas a ele sobre o destino de sua rede de TV. Amilcare disse que o grupo TeleTV já trabalha no setor da comunicação realizando programas terceirizados para as redes SBT, Bandeirantes, Record dentre outras.

O grupo adquiriu o direito da concessão que pertencia aos Blochs e as dívidas da emissora com os trabalhadores e com o governo, que já não eram poucas, serão pagas mediante a um parcelamento e penhora de alguns bens do canal. Vários equipamentos já ultrapassados, que o canal utilizava foram penhorados, e a emissora tem 90 dias para desocupar o prédio que realiza seus trabalhos em São Paulo.

Não deu certeza de onde ficará a cabeça da rede embora afirma que a emissora cabeça continuará no Rio mesmo não estando preocupado com isso, pois a geradora das imagens para o satélite pode ficar no Rio e o local para produção dos programas em São Paulo.

Admitiu que durante 2 anos a emissora parou no tempo e seus equipamentos e produções foram se deteriorando. Falou também que a emissora terá seu nome modificado e que em dentro de uma semana o novo nome será amplamente divulgado. Para realizar essa difícil escolha foi contratada uma empresa, a Fischer, que está realizando pesquisas de público nas maiores praças para saber qual será o nome mais aceitável.

Reconheceu que durante esses dois anos, a emissora perdeu suas importantes afiliadas, a maioria para a Record em seu processo de expansão, e disse que será feito uma reunião com todos os grupos que estão afiliados com a emissora a fim de mostrar os planos da nova diretoria. O pontapé inicial já foi dado, com a realização de uma reunião o grupo do Correio Brasiliense, cujo produto é a TV Brasília, maior afiliada da Manchete, e que esse grupo afirma que continuará afiliado com a emissora.

Amilcare falou ainda que a nova programação da emissora só se começará em Agosto e esse o período compreendido antes deste mês será a fase de transição do canal.

No dia 28 de maio, é apresentada o novo nome para Rede Manchete: a Rede TV!.[151] "Foram apresentados seis nomes para o público e esse foi o escolhido", disse Antonio Fadiga, diretor-geral de comunicação total da agência FisherAmérica. Segundo ele, a simplicidade do nome é uma tentativa de surpreender. "É um nome que já faz parte do cotidiano das pessoas e vai virar referência para a ex-Manchete".[152] O novo logotipo ainda não foi definido.[153]

No mesmo dia, os funcionários da TV Manchete Rio de Janeiro anunciam que vão encerrar greve em três dias,[152] já a TV Manchete São Paulo retornou aos trabalhos depois dos pagamentos dos salários atrasados.[153]

Também no mesmo dia, na noite, a rede exibe o VT do torneio de Tênis de Roland Garros, a partida entre Gustavo Kuerten e Sjeng Schalken. Quando a partida estava no último set, faltando apenas três minutos para o encerramento da partida, a EMBRATEL tirou, como de costume, o sinal da emissora do ar, como forma de a emissora recém comprada, pague o que deve à empresa na época da Manchete, desrespeitando o telespectador.[154]

Em 30 de maio, a Rede Manchete passa a se chamar oficialmente Rede TV.[153]

Em 31 de maio, o dia em que os funcionários da TV Manchete Rio de Janeiro encerrariam a greve de nove meses, voltam atrás e ameaçam continuar[155] por mais de um dia, quando ocorre a assembleia dos funcionários.[155] Os funcionários dizem que Amilcare Dallevo não pagou a primeira parcela dos salários atrasados na emissora, como fez nas outras cidades de São Paulo, Belo Horizonte, Recife e Fortaleza. A justificativa para o não-pagamento, de acordo com o Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, seria a recusa dos sindicatos de assinar o acordo trabalhista acertado na época das negociações de compra da emissora.[156] O impasse surgiu com a decisão do grupo TeleTV em transferir o centro de produção para o estado de São Paulo e ter efetuado o pagamento de apenas 18 jornalistas e dos empregados que não participaram da greve. A emissora possui no Rio de Janeiro cerca de 800 funcionários.[157]

Junho de 1999[editar | editar código-fonte]

No dia 1º de junho, os sindicatos dos jornalistas e dos radialistas do Rio de Janeiro assinaram o acordo com o grupo TeleTV.[155] O acordo determina a forma de pagamento do passivo trabalhista da emissora. A assinatura ocorre um dia depois que os funcionários da TV Manchete Rio de Janeiro ameaçaram continuar a greve de nove meses caso não fosse feito o pagamento da primeira parcela dos salários atrasados.[156] Segundo os sindicatos que representam os funcionários da emissora, assim que for feito o pagamento, será decretado o fim da greve.[155]

No dia 2 de junho, os funcionários da TV Manchete Rio de Janeiro encerram a greve de nove meses, depois que Amílcare Dallevo pagou a primeira parcela dos salários atrasados.[158] Segundo o Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, os trabalhadores poderiam retornar às atividades de imediato, mas a empresa não tinha infra-estrutura, como papel e cadeiras, para recebê-los.[158] O acordo foi firmado entre a TeleTV e o Sindicato dos Jornalistas no Rio de Janeiro é provisório e ainda depende de negociações para chegar a um acordo definitivo. Os funcionários da emissora fecharam um acordo com a direção do grupo TeleTV e com isso, eles irão receber o salário, quando deverá ser suspensa assim que o salário seja pago.[159]

No dia 7 de junho, os funcionários da TV Manchete Rio de Janeiro voltam a trabalhar depois que os salários foram pagos.[158]

No dia 8 de junho, por decisão da Justiça do Rio de Janeiro, dois prédios do Grupo Bloch, localizados na Rua do Russel, um abrigando a Rede Manchete e outro a redação das revistas do grupo, no bairro da Glória (centro do Rio de Janeiro), vão ser leiloados nos dias 14[160] e 15.[161] Apesar dos dois prédios estarem avaliados em quase R$ 50 milhões, a justiça pretende leiloa-los para o pagamento de uma dívida de R$ 2 milhões que o Grupo Bloch deve para o extinto Banco Econômico.[160] O leilão acontece para cobrir uma dívida de R$ 7 milhões que o grupo Bloch contraiu com o Banco Econômico em 1990 e que está avaliada em R$ 140 milhões.[161] Segundo Kapeller, essa dívida é da TV Manchete e, portanto, caberia aos novos donos da rede saldá-la e também afirmou que tem um documento no qual recebeu a garantia de que os compradores da Manchete não deixariam os prédios irem a leilão.[161] O empresário Amílcare Dallevo disse que sua empresa, a TV Ômega Ltda. (nova dona das concessões da Manchete), assumiu apenas as dívidas com o governo e o passivo trabalhista, o ativo e o passivo com bancos privados da antiga TV Manchete foram assumidos por uma empresa constituída por ex-banqueiros, liderados por Fábio Saboya.[161] Os 1.621 funcionários da rede em todo o Brasil também são contratados pela parte da antiga TV Manchete, assumida por Saboya, chamada agora de TV Manchete Ltda., apesar de Dallevo ter assumido o passivo trabalhista.[161]

No entanto, justamente no primeiro dia das leilões dos dois prédios, foram adiados para o dia 14 de julho.[162] O pedido pelo adiamento foram os advogados da massa falida do Banco Econômico, Raimundo Nonato Ferreira e Wellington Moreira Pimentel, diante da possibilidade de um acordo que resulte no pagamento da dívida da antiga rede com o banco.[162] No entanto, o empresário Amilcare Dallevo Jr. negou que vá assumir o pagamento da dívida da Rede Manchete, sendo que a Rede TV! desocupar em breve de um dos edifícios.[162] No outro edifício funciona a redação das revistas publicadas pela Editora Bloch.[162]

No dia 15 de junho, também no dia do leilão adiado,[163] o Ministério das Comunicações fornece os documentos relativos a compra da Rede Manchete pelo Grupo TeleTV, ao Ministério Público.[164] O MP investiga a idoneidade do grupo TeleTV e poderá pedir a anulação da venda da emissora. Caso a venda seja anulada, a Rede Manchete pode sair do ar.[164]

Ao mesmo tempo, a TV! inicia contratação de profissionais de outras emissoras para reforçar a equipe de produção. Entre os futuros contratados estão Walter Zagari (superintendente comercial do SBT), Paula Cavalcante (diretora do núcleo de produção do SBT) e Atílio Riccó (diretor do Leão Livre da Rede Record).[165]

Em 25 de junho, mais um adiamento dos dois prédios da Editora Bloch e a antiga TV Manchete Rio de Janeiro, para dia 14 de julho.[163]

Julho de 1999[editar | editar código-fonte]

Em 1º de julho, a GPM, produtora de Gugu Liberato, negocia a venda de um programa de entrevistas, comandado por Clodovil, para a TV!. Clodovil deveria fazer parte do "Teleshow", um programa que estava sendo negociado com o SBT para ser exibido aos domingos. Até agora, Sílvio Santos ainda não definiu se coloca o programa da produtora do Gugu no ar. Ao ver um piloto do Teleshow, Sílvio Santos censurou mais de dois terços de uma entrevista comanda por Clodovil, pois Sílvio não gostou do estilo agressivo de Clodovil.[166] No mesmo dia, Paulo Henrique Amorim reaparece na TV durante o informe publicitário, onde apresentou o comunicado oficial da fusão das cervejarias Brahma e Antárctica, depois ter saído da Rede Bandeirantes em janeiro de 1999. As negociações entre Amorim e TV! acertaram foram concluídas e ele foi contratado pela emissora para o comando do novo telejornal da emissora.[167] Porém, as dificuldades da nova rede, revela que ele vai comandar um programa próprio e não o telejornal da emissora. Mas PHA pode desistir da ideia por causa do aumento das dificuldades financeiras da emissora.[168]

No dia 3 de junho, a ameaça da justiça leiloar a sede da Rede Manchete no Rio de Janeiro está obrigando a direção da rede a antecipar sua transferia para as novas instalações da emissora em Alphaville, São Paulo, apesar ainda não ter sido concluída.[169] A direção da emissora está tentando obter um empréstimo no BNDES para promover um programa de demissões incentivadas. Com a transferência para São Paulo, boas parte dos funcionários lotados no Rio de Janeiro serão dispensados.[170]

Em 5 de julho, o site TV Crítica revela que o nome Rede TV! poderá mudar de nome, pois o novo nome da Rede Manchete não emplacou e comenta-se nos bastidores uma possível troca de nome.[171]

No dia 9 de julho, o Banco do Brasil (BB) anuncia que a entrada judicial[169] contra a Bloch Editores e a TV Manchete em 12 de julho para exigir o pagamento de dívidas das duas empresas e que a ação de ajuizamento permite que a empresa continue funcionando. O débito vem de acordo fechado em 1997 entre o BB e as empresas. A dívida estava parcelada, mas com um recente atraso de pagamento levou BB decidir ir à Justiça. A diretoria do banco não pretende pedir a falência das duas empresas. No entanto, o empresário Fábio Saboya Júnior, dono da TV Manchete Ltda., disse que não foi informado sobre a ação: "Recebo a notícia com tranquilidade. Numa reunião há 20 dias com a diretoria do banco, deixei clara minha intenção de assumir o que cabe a mim nessa dívida".[172] A emissora também apareceu encabeçando a lista dos maiores devedores de impostos e contribuições ao governo federal. Recentemente, Amilcare Dallevo revelou que a dívida da Rede Manchete era muito maior do que se imagina até então.[169] Apesar de tudo, Amilcare Dallevo e a equipe que comanda a rede conseguiram alguns importantes avanços e já exibem o telejornal Primeira Edição.[169] O empresário agora luta para obter um empréstimo do BNDES para iniciar uma campanha de demissões voluntárias. Os mais afetados deverão ser os profissionais lotados no Rio de Janeiro, já que a emissora deverá concentrar suas produções em São Paulo.[169]

Em 14 de julho, às 13hs, no Rio de Janeiro, inicia o leilão de dois prédios do Grupo Bloch, localizados na Praia do Russel.[173] O prédio onde funcionava a Rede Manchete está avaliado em R$ 25.413.588,00 e o edifício onde funcionava a redação da Editora Bloch em R$ 20.300.870,00.[173] O dinheiro arrecadado com o leilão será destinado ao pagamento de uma dívida do grupo Bloch com a massa falida do Bando Econômico. A dívida do grupo Bloch com o Banco Econômico é avaliada em R$ 100 milhões. O leilão, que havia sido marcado inicialmente para o dia 13 de junho, foi adiado a pedido do Banco Econômico, diante da possibilidade de um acordo do Banco com o Grupo Bloch, o que não ocorreu. Os prédios não faziam parte do pacote que o Bloch vendeu para o Tele TV.[173] O leilão, que ocorria na data marcada, não ocorre por falta de compradores,[163] [174] marcado para dia 25 de julho.

A TV! Rio de Janeiro (ex-TV Manchete Rio de Janeiro) vai operar a partir dos novos estúdios instalados no TelePorto.[173] A redação da Editora Bloch foi transferida para outro prédio, no subúrbio carioca. A dívida do grupo Bloch com o Banco Econômico é avaliada em R$ 100 milhões.[173]

Em 20 de julho, o Ministério das Comunicações renova a concessão da Rede TV!, antiga Rede Manchete, por quinze anos, contados a partir de agosto de 1996. Desde então, a rede vinha operando com uma concessão provisória que terminou em 18 de maio. A venda da Manchete foi uma das condições exigidas pelo governo para renovar a concessão da emissora. O decreto, elaborado pelo Ministério das Comunicações, será encaminhado para o presidente Fernando Henrique Cardoso para avaliação e aprovação.[175]

Em 23 de julho, Bloch Editores apresenta ao juiz da 5ª Vara de Falências e Concordatas do Rio, José Carlos Maldonado, pedido de concordata preventiva, pelo prazo de dois anos.[176] A TV Manchete e a Bloch Som e Imagem não estão incluídas na concordata.[177] Os motivos alegados para o pedido são "a negativa conjuntura internacional e a negativa conjuntura recessiva do país". Além disso, a empresa alega uma crescente redução de faturamento, de cerca de R$ 30 milhões (equivalente US$ 10 milhões de dólares) em 1998 em relação ao ano anterior, e "o descumprimento de obrigações contratuais pelo grupo Hamilton Lucas de Oliveira".[176] O pedido prevê o pagamento integral de R$ 250 milhões relativos a dívidas sem garantia, em duas prestações anuais, correspondentes a 40% e 60% do total, com o primeiro pagamento previsto para julho de 2000.[176] No pedido, a empresa propõe dois anos para pagar sua dívida em duas prestações, 40% ao fim de 12 meses e 60% em 24 meses.[177] Segundo o advogado do grupo, Alfredo Bumachar, a dívida da empresa é de R$ 400 milhões, dos quais R$ 250 milhões não possuem garantias e deverão fazer parte do processo de concordata. Os principais credores da parcela que entrará na concordata são o Banco do Brasil, o Banco Rural, Banerj e a Light. Segundo Bumachar, a empresa possuí um patrimônio avaliado em R$ 600 milhões. A concordata foi pedida para evitar que os imóveis da empresa sejam levados a leilão pela justiça e, segundo Bumachar, preservar 1,5 mil empregos. A direção do grupo informou que as empresas continuarão funcionando normalmente, apesar da concordata.[177]

Segundo o presidente do Grupo Bloch, Jacques Kappeler, o grupo TeleTV, que comprou a emissora do grupo, é o responsável pela atual crise da Bloch. Jaquito, no comunicado justificando o pedido de concordata, alega que a Rede TV! assumiu o compromisso de honrar a dívida com a massa falida do Banco Econômico. A justiça já determinou que os dois prédios que o grupo possui na Rua do Russel, avaliados em mais de R$ 45 milhões, deverão ser leiloados para pagar parte da dívida de R$ 100 milhões que a Rede Manchete possuí com o Banco Econômico.[177] A Bloch Editores detém como patrimônio, os edifícios-sede da antiga TV Manchete e da Bloch, no Rio, os prédios das filiais da TV em São Paulo, Belo Horizonte, Fortaleza e Recife, o parque gráfico na zona norte do Rio, além de máquinas, equipamentos e direitos de publicação de seis revistas. A dívida total da Bloch Editores é avaliada, em R$ 400 milhões, e o ativo, em R$ 600 milhões.[176]

Antes de efetuar o pedido de concordata preventiva, o Grupo Bloch conseguiu a liminar,[177] concedida pelo desembargador Antônio Eduardo Duarte, da 3ª Vara Cível do Rio, suspendendo o segundo leilão dos prédios-sede da Bloch e da TV, localizados na Rua do Russel, marcadas para dia 26 de julho.[163] [178] No primeiro leilão, não houve compradores.[177] O leilão seria realizado por ordem da justiça para pagar parte da dívida de US$ 7 milhões (R$ 100 milhões) que a TV Manchete contraiu com o Banco Econômico em 1992, hoje como massa falida, que está avaliada (em 1999) cerca de R$ 137 milhões, segundo Fábio Saboya, um dos compradores da TV junto com Almicare Dallevo Júnior.[178] Um novo leilão deverá ser marcado após o julgamento do mérito da liminar concedida ao Grupo Bloch.[177]

Em 25 de julho, depois que os prédios do Grupo Bloch, localizados na Rua do Russel, passarem o fim de semana sem água e o ar condicionado, o fornecimento de água foi normalizado na tarde.[179] No mesmo dia, a TV! Rio de Janeiro foi obrigado a transferir a transmissão de seu sinal para a torre localizada no Morro do Sumaré.[179] Apesar do agravamento da crise do Grupo Bloch, o grupo TeleTV continua investindo na TV!,[180] o grupo continua contratando profissionais de outras emissoras e anunciou que pretende lançar, no mês de agosto, três novos programas jornalísticos.[180] O destaque ficará com o jornalismo político, que ganhará um telejornal gerado em Brasília, que será exibido no início da manhã. Outro telejornal será apresentado no horário do almoço, com produção em São Paulo.[180]

No dia 26 de julho, dia em que não houve o leilão, denúncia do jornal Folha de S. Paulo, revela que Pedro Jack Kapeller, o "Jaquito", embora a família Bloch devesse milhões ao estatal Banco do Brasil desde os anos 1950, conseguiu transferir a empresa, livrar-se de boa parte das dívidas e ainda receber, com o conhecimento do Ministério das Comunicações, US$ 4,5 milhões em sete pagamentos anuais.[181] As empresas vendidas pelo Grupo Bloch, foram dividas em três, entre eles a TV Manchete. Até então, Kapeller insistia na versão de que não recebera nenhum dinheiro. Procurado pelo jornal, não quis se manifestar. Na negociação com o ministro Pimenta da Veiga, das Comunicações, Dallevo assumiu a TV com o compromisso de saldar apenas as dívidas da Manchete com o INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) e o FGTS. O ministro não incluiu a dívida do Banco do Brasil nas conversas. Assim, para receber o dinheiro, o BB terá de acionar as empresas na Justiça. Documentos revelados pelo jornal mostram que o empresário Dallevo faturou R$ 79,536 milhões em 1998 e não R$ 400 milhões, como declarava.[178] [181] O jornal afirma que houve irregularidades na aquisição da rede.[181]

No mesmo dia, em base das denúncias do jornal,[181] o Ministério Público Federal diz que estar investigando os motivos que levaram o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, a transferir a ex-TV Manchete para o empresário Amilcare Dallevo Jr. sem licitação.[178] Os procuradores também estão investigando se Dallevo tem condições financeiras de tocar o negócio. A família Bloch não pagava dívidas com o governo nem o salário dos funcionários. Foi então que houve a transferência da TV para Dallevo Jr.[178] O ministério divulga nota se defendendo que a solução foi boa porque, caso contrário, funcionários e governo teriam que recorrer à Justiça para receber.[178]

TV! e RedeTV![editar | editar código-fonte]

Em 1º de agosto de 1999, é lançada a RedeTV!, no lugar da Rede Manchete, mas ainda usa a TV!, já que o telejornal Primeira Edição (que substituiu Jornal da Manchete) e RedeTV! Clipe Show (que substituiu Clipe Show) permanecem na programação. Pouco tempo depois, Amilcare Dallevo Jr transferiu a sede da emissora para a cidade de Barueri, (na Grande São Paulo). A partir de então o nome Rede Manchete deixa ser mostrado oficialmente, embora a troca ocorreu no dia 10 de maio.

O superintendente comercial da Rede Record, Carlos Alberto Missiroli, pede demissão da rede e deve assumir o departamento comercial da Rede TV! Para seu lugar foi indicado Osmar Gonçaves, ex-diretor comercial da Rede Manchete.[182] No dia 5 de agosto, a rede desiste de contratar Gonçalves para ocupar o cargo de superintendente de comercial da emissora, por não conseguir fechar um acordo com ele. Com isso, a emissora continua sem definir quem ocupará a vaga deixada com a saída de Carlos Alberto Missiroli.[183]

Em 4 de agosto, a Vara de Falências do Rio de Janeiro deu novo prazo para a direção do Grupo Bloch apresentar documentação necessária para a aprovação do pedido de concordata. O grande problema do Grupo Bloch, no momento, é evitar que alguma empresa entre com um pedido de falência do grupo, o que inviabilizaria o pedido de concordata. A falência do Grupo Bloch poderia atingir diretamente a Rede TV!, apesar da emissora pertencer ao Grupo TeleTV.[184]

Em 5 de agosto, a emissora anunciou a contratação de Juca Kfuri, mais um contratado profissional de outras emissoras. A princípio, Juca Kfuri deverá comandar uma mesa de debates esportivos que será exibido no domingo. Com isto, Kfuri deixa de participar do programa "Cartão Verde", exibido na TV Cultura. A estreia do novo programa deverá ocorrer em setembro.[185] Outro profissional que poderá ser contratado é o jornalista Alexandre Garcia. O jornalista da Rede Globo estaria disposto a deixar a emissora carioca por causa da nomeação de Franklin Martins para diretor do departamento de jornalismo da Globo em Brasília.[185]

Em 31 de agosto, uma assembleia de funcionários da RedeTV!, antiga Rede Manchete, decreta o "estado de greve" por causa do atraso no pagamento dos salários. No final do dia, a direção da RedeTV! garantiu que os salários dos funcionários já estavam depositados e que o atraso verificado ocorreu por conta de problemas burocráticos com o banco.[186] Antes disso, a RedeTV! continua enfrentando dificuldades para lançar nova programação. A emissora conseguiu montar uma razoável equipe administrativa, mas não teve o mesmo sucesso na contratação dos profissionais que trabalharão na nova programação. Um dos que recusaram o convite foi Paulo Henrique Amorim, que preferiu ir para a TV Cultura. Diante dos problemas, a emissora adiou para outubro o lançamento da nova programação, que inicialmente estava marcada para setembro.[186]

Em 29 de setembro, por determinação pela juíza Ana Paula Sampaio de Queiroz Bandeira, da 11º Vara Cível de São Paulo, a Justiça pretende leiloar 26 horas de espaço reservado à publicidade na Rede TV!. Serão leiloadas 3.133 inserções de 30 segundos cada, avaliados em R$ 17,9 milhões. O valor arrecadado deverá ser utilizado para pagar uma dívida da Rede Manchete, contraída durante a administração de Hamilton Lucas, com o Banco de Crédito Real.[187]

Em 20 de outubro, a juíza da 14ª Vara Cível do Rio, Rosana Navega Chagas, declara a TV Ômega, controladora da RedeTV!, sucessora da TV Manchete, é responsável também pelas dívidas do grupo anteriores à venda da emissora. A juíza afirma que não há como uma empresa comprar a concessão, e outra as dívidas, equipamentos e imóveis, dividindo a pessoa jurídica da Manchete. As duas empresas que compraram separadamente a emissora (a TV Ômega, de Amilcare Dallevo, e a Hesed Participações S/C, de Fábio Saboya Salles Jr.) deveriam ser consideradas responsáveis pelas dívidas, como se fossem sócias. Caso a TV Ômega não cumpra a decisão em até 45 dias após ser notificada judicialmente o que, segundo a assessoria de imprensa da empresa, ainda não aconteceu, deverá pagar uma multa de R$ 50 mil por dia.[188] A decisão foi logo cumprida antes das multas no início de novembro.

Pós-Rede Manchete[editar | editar código-fonte]

Amilcare Dallevo Jr inaugurou em 15 de novembro de 1999, a RedeTV!, com uma programação completamente diferente do padrão da Manchete. A nova rede gastou R$ 100 milhões em programas que priorizam o público jovem, entre eles, a Adriane Galisteu, que é a maior estrela.[189]

Ironicamente, na abertura da emissora em 1983, que dizia ser "A Televisão do ano 2000", que saia do ar em 10 de maio de 1999, faltando sete meses antes de chegar o ano de 2000.

Em 28 de novembro de 2007, a TV Pampa (de Porto Alegre, Rio Grande do Sul) ganhou um processo encaminhado na Justiça em 1997, que dava os direitos sobre o nome da Rede Manchete. O então vice-presidente da TV Pampa, Paulo Sérgio Pinto, disse que não se sabia o que seria feito com o nome TV Manchete, e que a decisão não seria realizada em curto prazo.[190] A TV Pampa continua atualmente com os direitos sobre o nome TV Manchete, e não há um consenso se venderá estes direitos, ou se irá reativar a emissora no futuro.[191]

Até hoje, Amilcare Dallevo não honrou o compromisso assinado com os Sindicatos dos Jornalistas e dos Radialistas do Estado do Rio de Janeiro. Assinou o compromisso apenas por exigência do Ministério das Comunicações. A concessão só seria transferida para Dallevo se ele assinasse o tal compromisso. Caso as dívidas trabalhistas não fossem pagas a concessão poderia ser cancelada. Dallevo não pagou e continua dono da concessão.

Slogans[editar | editar código-fonte]

  • 1983-1988: Televisão de primeira classe.
  • 1988-1991: O Brasil passa na Manchete.
  • 1991-1993: A força de quem acredita no trabalho.
  • 1993-1997: Rede Manchete. Qualidade em primeiro lugar.
  • 1998-1999: Rede Manchete. Você em primeiro lugar.

Telenovelas e séries da Rede Manchete[editar | editar código-fonte]

Telenovelas e séries produzidas[editar | editar código-fonte]

1984
1985
1986
1987
1988
1989
1990
1991
1992
1993
1994
1995
1996
1997
1998

Emissoras componentes da Rede Manchete[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Briga de Caetano e Paulo Francis gera polêmica (em Português). Midiamax (5 de julho de 2009, 09:49).
  2. http://bdtd.bce.unb.br/tedesimplificado/tde_arquivos/39/TDE-2010-11-19T133121Z-5260/Publico/2010_RomuloTeixeiraFaria.pdf
  3. Fernando Lovik, Sérgio Reis faz programa na Manchete - O cantor sertanejo vai receber convidados como Roberta Miranda, a dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano e Benedito Ruy Barbosa, Jornal Vale Paraibano, 12 de julho de 1997.
  4. Rodrigo Teixeira, Tiririca ganha infantil - Apesar de falar mal o português, o palhaço vai comandar programa para crianças na Rede Manchete, Jornal Vale Paraibano, 14 de setembro de 1997.
  5. Rede Manchete lança programa com Zagallo, Jornal Vale Paraibano, 22 de novembro de 1997..
  6. Zagallo bom de briga, Sidney Garambone, Isto É, 6 de maio de 1998..
  7. Roupa suja em horário nobre, Isto É, 11 de março de 1998..
  8. a b A Agonia da Rede Manchete, TV Crítica, 21 de maio de 1998..
  9. Redes de TV atuam a margem da lei, TV Crítica, 14 de julho de 1998..
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  11. E a bola já está rolando, TV Crítica, 11 de junho de 1998..
  12. Copa do mundo: as surpresas do IBOPE, TV Crítica, 29 de junho de 1998..
  13. a b c d Mudanças na Rede Manchete, TV Crítica, 18 de julho de 1998..
  14. Curtas, TV Crítica, 27 de julho de 1998..
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  17. Jayme Monjardim retorna à Globo, TV Crítica, 8 de setembro de 1998..
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  30. a b c d Embratel dá ultimato à Rede Manchete, TV Crítica, 17 de dezembro de 1998..
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  34. A magia inútil - Crise na Manchete enterra novela mística Brida, bem antes de seu final, Valéria Propato, Isto É, 28 de outubro de 1998..
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  46. a b c d e f g h i j Desespero na Rede Manchete, TV Crítica, 11 de dezembro de 1998..
  47. a b c d e f Destino da Rede Manchete será definido em 48 horas, TV Crítica, 16 de dezembro de 1998..
  48. a b c d e f g h Fernando Godinho, Acordo é ‘frágil’, diz Pimenta da Veiga, Página 2-9, Folha de S. Paulo, 20 de janeiro de 1999.
  49. Universal na Manchete, TV Crítica, 17 de dezembro de 1998..
  50. Universal na Manchete 2 - Igreja Materialista, TV Crítica, 19 de dezembro de 1998..
  51. Os pretendentes da Manchete, TV Crítica, 17 de dezembro de 1998..
  52. a b c Destino da Manchete será definido hoje, TV Crítica, 17 de dezembro de 1998..
  53. a b c d e Destino da Rede Manchete continua indefinido, TV Crítica,19 de dezembro de 1998..
  54. Fernando Barbosa Lima, TV Crítica, 22 de dezembro de 1998..
  55. Funcionários da Rede Manchete fecham acordo com o Banco Pactual, TV Crítica, 22 de dezembro de 1998..
  56. Manchete pede mais tempo a funcionários, Gazeta Mercantil, 21 de dezembro de 1998..
  57. Manchete asks its employees for more time, Gazeta Mercantil, 21 de dezembro de 1998.. Página visitada em (em inglês).
  58. a b c Pressão, TV Crítica, 24 de dezembro de 1998..
  59. Manchete: mantido o impasse, TV Crítica, 26 de dezembro de 1998..
  60. a b c Banco Pactual desiste da Rede Manchete, TV Crítica, 29 de dezembro de 1998..
  61. a b c d Toni Sciarreta e Ivan Finotti, Igreja Renascer assume Rede Manchete, Página 2-9, Folha de S. Paulo, 5 de janeiro de 1999.
  62. a b c d e f g h Igreja Renascer deve assumir o controle da Rede Manchete, TV Crítica, 5 de janeiro de 1999..
  63. a b Igreja Renascer deixa de pagar parcela ao Grupo Bloch - 12:00, TV Crítica, 10 de fevereiro de 1999..
  64. a b c d e O contrato Renascer x Bloch, TV Crítica, 7 de janeiro de 1999..
  65. Igreja Renascer diz que não assume dívidas da Manchete, Página 2-3, Folha de S. Paulo, 6 de janeiro de 1999.
  66. Érika Sallum e Ivan Finotti, Telefone ajuda a pagar contrato, Página 4-1, Folha de S. Paulo, 28 de janeiro de 1999.
  67. a b c Funcionários pedem ação do governo, Página 2-3, Folha de S. Paulo, 7 de janeiro de 1999.
  68. Só a Globo transmitirá desfile de Carnaval, Página 3-5, Folha de S. Paulo, 9 de janeiro de 1999.
  69. a b Situação da Manchete é ‘grave’, diz Pimenta, Página 2-3, Folha de S. Paulo, 12 de janeiro de 1999.
  70. a b c d Demissões em massa na Manchete, TV Crítica, 12 de janeiro de 1999..
  71. a b c Fernando Godinho, Ministro quer transferir controle da Manchete, Página 2-8, Folha de S. Paulo, 14 de janeiro de 1999.
  72. a b Ministro Pimenta da Veiga: "contrato é ilegal", TV Crítica, 15 de janeiro de 1999..
  73. Anna Lee, Grupo Bloch diz que vai pagar atrasados, Página 2-2, Folha de S. Paulo, 16 de janeiro de 1999.
  74. a b c d Jornal volta ao ar com fim de greve, Página 2-10, Folha de S. Paulo, 19 de janeiro de 1999.
  75. a b Manchete volta a exibir "Mulher de Hoje" e o "Jornal da Manchete", TV Crítica, 19 de janeiro de 1999..
  76. a b Ministro ameaça a Igreja Renascer, TV Crítica, 20 de janeiro de 1999..
  77. Manchete diz que vai pagar salários, Página 2-4, Folha de S. Paulo, 22 de janeiro de 1999.
  78. Pinóquio 4, TV Crítica, 22 de janeiro de 1999..
  79. Frase do Dia, TV Crítica, 23 de janeiro de 1999..
  80. Banco Pactual volta a negociar venda da Rede Manchete", TV Crítica, 27 de janeiro de 1999..
  81. Band fecha acordo com a Rede Globo", TV Crítica, 28 de janeiro de 1999..
  82. Kennedy Alencar, Governo considera ilegal acordo Manchete-Renascer, Página 4-1, Folha de S. Paulo, 28 de janeiro de 1999.
  83. Suplicy diz-se Preocupado com Funcionários da Manchete, Direito 2, Agência Estado, 28 de janeiro de 1999..
  84. a b Kappeller contra-ataca, TV Crítica, 30 de janeiro de 1999..
  85. Governo notifica a Rede Manchete, TV Crítica, 30 de janeiro de 1999..
  86. a b c Igreja Renascer quer concessão da Rede Manchete, TV Crítica, 4 de fevereiro de 1999..
  87. Ivan Finotti e Érika Sallum, Sede da Manchete vira templo da Renascer, Página 4-10, Folha de S. Paulo, 6 de fevereiro de 1999.
  88. Manchete 24 horas - 09:00, TV Crítica, 10 de fevereiro de 1999..
  89. a b c Bloch rompe contrato com Igreja Renascer - 20:00, TV Crítica, 10 de fevereiro de 1999..
  90. Anna Lee, Manchete ameaça romper contrato com Igreja Renascer, Página 2-2, Folha de S. Paulo, 10 de fevereiro de 1999.
  91. a b c Jaquito anuncia a rescisão do contrato com a Igreja Renascer, TV Crítica, 13 de fevereiro de 1999..
  92. a b c Anna Lee e Ivan Finotti, Manchete rompe contrato com Renascer, Página 2-5, Folha de S. Paulo, 13 de fevereiro de 1999.
  93. Ivan Finotti, Manchete fecha portas para bispos, Página 3-7, Folha de S. Paulo, 14 de fevereiro de 1999.
  94. a b c d e f Igreja Renascer reassume o controle da Rede Manchete, TV Crítica, 19 de fevereiro de 1999..
  95. Igreja Eletrônica, TV Crítica, 13 de fevereiro de 1999..
  96. a b c Ivan Finotti, Renascer reassume Manchete, Página 2-5, Folha de S. Paulo, 18 de fevereiro de 1999.
  97. a b c Érika Sallum, Banco Rural cobra dívida da Manchete, Página 2-3, Folha de S. Paulo, 19 de fevereiro de 1999.
  98. A volta da TV Tupi: Rede Manchete na mira dos Diários Associados, TV Crítica, 20 de fevereiro de 1999..
  99. a b c d Grupo Bloch retoma o controle da Rede Manchete, TV Crítica, 23 de fevereiro de 1999..
  100. a b c d e f Manchete volta ao grupo Bloch, Página 2-10, Folha de S. Paulo, 23 de fevereiro de 1999.
  101. Mauro Costa é o novo diretor geral da Rede Manchete TV Crítica, 25 de fevereiro de 1999..
  102. Anna Lee, Kapeller negocia com dono do jornal “O Dia”, Página 2-6, Folha de S. Paulo, 25 de fevereiro de 1999.
  103. Pobre Claudete Troiano TV Crítica, 25 de fevereiro de 1999..
  104. a b c d e f Funcionários querem cassar a concessão da Rede Manchete, TV Crítica, 26 de fevereiro de 1999..
  105. Fernando Godinho, Pimenta elogia fim de acordo, Página 2-3, Folha de S. Paulo, 26 de fevereiro de 1999.
  106. a b Funcionários da Rede Manchete retomam a greve em SP, TV Crítica, 2 de março de 1999..
  107. Efeito Ana Maria, TV Crítica, 13 de abril de 1999..
  108. Funcionários invadem ministério, Página 2-6, Folha de S. Paulo, 5 de março de 1999.
  109. a b Funcionários desocupam prédio do MC, TV Crítica, 13 de março de 1999..
  110. Manchete: os novos oportunistas, TV Crítica, 9 de março de 1999..
  111. a b c d Manchete: surge um novo pretendente, TV Crítica, 11 de março de 1999..
  112. a b Metalúrgicos fornecem cestas para funcionários da Manchete, TV Crítica, 12 de março de 1999..
  113. Avança as negociações para a venda da Manchete, TV Crítica, 13 de março de 1999..
  114. a b c d Banco estrangeiro está financiando Dalevo, TV Crítica, 18 de março de 1999..
  115. Lei salvadora, TV Crítica, 20 de março de 1999..
  116. Bloch revela interesse de produtora, Página 2-3, Folha de S. Paulo, 19 de março de 1999.
  117. Dalevo Jr. fixa prazo, TV Crítica, 25 de março de 1999..
  118. a b c d Banco do Brasil vai processar Grupo Bloch, TV Crítica, 6 de abril de 1999..
  119. Futuro da Manchete pode ser definido neste fim de semana, TV Crítica, 1º de abril de 1999..
  120. a b c d e Funcionários da Manchete aceitam proposta de Dallevo, TV Crítica, 9 de abril de 1999..
  121. a b c d Elvira Lobato e Anna Lee, Ex-ministro atua na venda da Manchete, Página 2-3, Folha de S. Paulo, 8 de abril de 1999.
  122. Grupo faz proposta a funcionários de TV, Página 2-4, Folha de S. Paulo, 9 de abril de 1999.
  123. a b c Aline Sordili, Candidato à compra da Manchete teme fim da rede, Página 4-4, Folha de S. Paulo, 21 de abril de 1999.
  124. Hamilton de Oliveira tenta impedir a venda da Rede Manchete, TV Crítica, 15 de abril de 1999..
  125. Dívida da Manchete é de R$ 620 milhões, TV Crítica, 16 de abril de 1999..
  126. TVMar: a próxima vítima, TV Crítica, 21 de abril de 1999..
  127. Impasse, TV Crítica, 27 de abril de 1999..
  128. Programação : TV Aberta, Jornal do Brasil, Caderno B, 28 de março de 1999..
  129. Desembargador julga hoje recurso contra venda da TV, Página 2-11, Folha de S. Paulo, 6 de maio de 1999.
  130. Justiça julga caso Manchete, TV Crítica, 6 de maio de 1999..
  131. Marineide Marques, REDE MANCHETE: Justiça dá ao Grupo Bloch direito de administrar, Gazeta Mercantil, 6 de maio de 1999.
  132. Anna Lee e Aline Sordili, Grupo Bloch ganha na Justiça direito de posse da Manchete, Página 2-5, Folha de S. Paulo, 7 de maio de 1999.
  133. Manchete fica com o grupo Bloch, TV Crítica, 7 de maio de 1999..
  134. a b c d Reviravolta no caso Manchete, TV Crítica, 8 de maio de 1999..
  135. a b c d Anna Lee, Funcionários invadem Manchete, Página 2-5, Folha de S. Paulo, 8 de maio de 1999.
  136. a b c d Fernando Godinho, Governo analisa a venda da Manchete, Página 2-6, Folha de S. Paulo, 11 de maio de 1999.
  137. a b c d e f g h Grupo TeleTV compra Rede Manchete, TV Crítica, 9 de maio de 1999..
  138. Camila Matias, TELE TV: Investimento na Manchete somará R$ 100 mi em 1 ano, Gazeta Mercantil, 10 de maio de 1999.
  139. Camila Matias, translated by Reese E. Ewing, Tele TV to invest R$ 100m in Maanchete the fist year, Gazeta Mercantil, 10 de maio de 1999. (em inglês)
  140. Ministro assina a venda da Manchete, Página 2-9, Folha de S. Paulo, 15 de maio de 1999.
  141. Camila Matias, MANCHETE: Sai decreto de transferência de concessão da rede, Gazeta Mercantil, 17 de maio de 1999.
  142. Funcionários da TV Manchete-SP decidem manter a greve, TV Crítica, 18 de maio de 1999..
  143. Alegria passageira, TV Crítica, 19 de maio de 1999..
  144. TV Ômega perde a sua estrela, TV Crítica, 26 de maio de 1999..
  145. Rede Manchete vai mudar de nome, TV Crítica, 20 de maio de 1999..
  146. Boni fala da crise da Rede Globo, TV Crítica, 22 de maio de 1999..
  147. Érika Sallum, Funcionários se dizem aliviados, Página 4-1, Folha de S. Paulo, 22 de maio de 1999.
  148. Aline Sordili, Nova TV Manchete estreia em agosto com outro nome, Página 4-1, Folha de S. Paulo, 22 de maio de 1999.
  149. Lauro Jardim, O enigma Dallevo, Veja, 26 de maio de 1999.
  150. Manchete: Rio ou São Paulo, TV Crítica, 28 de maio de 1999..
  151. O nome Rede TV! e não RedeTV!, era grafado pela imprensa separadamente, pois ainda se chamava TV!, portanto era comum a grafia Rede TV! separadamente.
  152. a b Aline Sordili, Rede TV! é o novo nome da TV Manchete, Página 2-13, Folha de S. Paulo, 29 de maio de 1999.
    O título da reportagem do jornal, onde aparece Rede TV! separado, é esse.
  153. a b c Rede Manchete agora é Rede TV, TV Crítica, 29 de maio de 1999..
  154. Anti-pratióticos, TV Crítica, 29 de maio de 1999..
  155. a b c d Sindicato do RJ assina acordo com TeleTV, Página 2-4, Folha de S. Paulo, 2 de junho de 1999.
  156. a b Manchete do Rio continua em greve, Página 2-7, Folha de S. Paulo, 1º de junho de 1999.
  157. Funcionários da Rede Manchete do RJ mantêm greve, TV Crítica, 1º de junho de 1999..
  158. a b c Acaba greve de funcionários da Manchete, Página 2-2, Folha de S. Paulo, 3 de junho de 1999.
  159. Rede TV! fecha acordo com funcionários do RJ, TV Crítica, 2 de junho de 1999..
  160. a b Justiça vai leiloar prédios da Rede Manchete, TV Crítica, 8 de junho de 1999..
  161. a b c d e Bloch leiloa prédios para saldar dívida de R$ 140 mi, Página 2-6, Folha de S. Paulo, 9 de junho de 1999.
  162. a b c d Cancelado leilão de imóveis do Grupo Bloch, TV Crítica, 15 de junho de 1999..
  163. a b c d Adiado outro leilão de prédio da Bloch, Página 2-2, Folha de S. Paulo, 26 de junho de 1999.
  164. a b MP investiga venda da Rede Manchete, TV Crítica, 16 de junho de 1999..
  165. Rede TV! busca profissionais na concorrência, TV Crítica, 18 de junho de 1999..
  166. Clodovil na Rede TV!, TV Crítica, 2 de julho de 1999..
  167. PHA aparece, TV Crítica, 2 de julho de 1999..
  168. O destino de PHA, TV Crítica, 13 de julho de 1999..
  169. a b c d e Rede TV! enfrenta nova crise, TV Crítica, 13 de julho de 1999..
  170. Ações judiciais antecipam mudança na Rede TV!, TV Crítica, 9 de julho de 1999..
  171. Rede TV! pode mudar de nome, TV Crítica, 5 de julho de 1999..
  172. BB vai à Justiça contra TV Manchete, Página 2-6, Folha de S. Paulo, 9 de julho de 1999.
  173. a b c d e Leilão dos prédios da Manchete deve ocorrer hoje, TV Crítica, 14 de julho de 1999..
  174. Leilão no Rio não atrai compradores, Página 2-6, Folha de S. Paulo, 15 de julho de 1999.
  175. Governo renova concessão da Rede TV! por 15 anos, TV Crítica, 21 de julho de 1999..
  176. a b c d Bloch Editores pede concordata no Rio, Página 2-3, Folha de S. Paulo, 27 de julho de1999.
  177. a b c d e f g Grupo Bloch pede concordata, TV Crítica, 26 de julho de 1999..
  178. a b c d e f Mônica Bergamo, Caso está sob investigação, Página 2-3, Folha de S. Paulo, 27 de julho de 1999.
  179. a b Prédios da Bloch ficam sem água, TV Crítica, 26 de julho de 1999..
  180. a b c Rede TV! investe na programação, apesar da crise, TV Crítica, 26 de julho de 1999..
  181. a b c d Mônica Bergamo, Devedor, “Jaquito” recebeu US$ 4,5 milhões pela venda, Página 6-1, Folha de S. Paulo, 26 de julho de 1999.
  182. A vingança, TV Crítica, 5 de agosto de 1999..
  183. Record desiste de Osmar Gonçalves, TV Crítica, 6 de agosto de 1999..
  184. Prorrogado prazo para o Grupo Bloch apresentar documentação, TV Crítica, 5 de agosto de 1999..
  185. a b Rede TV contrata Juca Kfuri, TV Crítica, 6 de agosto de 1999..
  186. a b Ameaça de greve na Rede TV!, TV Crítica, 1º de setembro de 1999..
  187. Justiça leva a leilão o espaço publicitário da Rede TV!, TV Crítica, 29 de setembro de 1999..
  188. Alexandre Maron, Dívidas da Manchete entram em disputa, Página 2-7, Folha de S. Paulo, 4 de novembro de 1999.
  189. Rede estréia programação, Página 1-1, Folha de S. Paulo, 14 de novembro de 1999.
  190. Rede Manchete pode voltar em 2013
  191. TV Pampa é presenteada com o nome Manchete Notícias, Televisão, Coletiva.Net, 28 de novembro de 2007.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]