Rede Manchete

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Rede Manchete
TV Manchete Ltda.
Tipo Rede de televisão comercial e aberta
País  Brasil
Fundação 5 de junho de 1983
por Adolpho Bloch
Extinção 10 de maio de 1999
Pertence a Bloch Editores
Proprietário Pedro Jack Kapeller
Cidade de origem Rio de Janeiro Rio de Janeiro, RJ
Sede Bandeira da cidade do Rio de Janeiro.svg Rio de Janeiro, RJ
Edifício Manchete - Rua do Russel, 804 - Glória
Estúdios Bandeira da cidade do Rio de Janeiro.svg Rio de Janeiro, RJ
Edifício Manchete - Rua do Russel, 804 - Glória
Bandeira da cidade de São Paulo.svg São Paulo, SP
Avenida Professora Ida Kolb, 551 - Limão
Slogan Você em primeiro lugar
Formato de vídeo 480i (SDTV)

Rede Manchete (também conhecida como TV Manchete ou apenas Manchete) foi uma rede de televisão brasileira fundada na cidade do Rio de Janeiro em 5 de junho de 1983 pelo jornalista e empresário ucraniano naturalizado brasileiro Adolpho Bloch. A emissora permaneceu no ar até ao dia 10 de maio de 1999.

História[editar | editar código-fonte]

A emissora foi marcada por sucessos e fracassos durante sua existência.

Concessões[editar | editar código-fonte]

A concorrência para duas novas redes de televisão foi realizada pelo Governo do Brasil em 1980, depois que a Tupi foi cassada. Participaram da concorrência os grupos Abril, Sílvio Santos, Bloch, Capital, Visão, Sistema Brasileiro de Comunicação, Jornal do Brasil, Rede Rondon de Comunicação Ltda. e Rede Piratininga.

Ganharam os grupos Sílvio Santos e Bloch. As nove concessões de TVs extintas da Rede Tupi mais a vaga da Rede Excelsior (de São Paulo), cassada em 1970, foram cedidas ao jornalista e empresário Adolpho Bloch e ao empresário e apresentador Silvio Santos, em 25 de março de 1981 pelo presidente do Brasil, João Figueiredo.

Nesse dia, passaram às mãos de Bloch, quatro canais que pertenciam à Rede Tupi e Rede Excelsior. Outras quatro concessões da Rede Tupi foram cedidas ao Sílvio Santos. A emissora do empresário, o SBT, começou a funcionar no mesmo dia.

O Grupo Bloch decidiu adiar o lançamento de sua emissora, para poder preparar o projeto da nova rede.

A Rede Manchete ficou com o canal 6 do Rio de Janeiro (antiga TV Tupi carioca), o canal 9 de São Paulo (antiga TV Excelsior), o canal 2 de Fortaleza (antiga TV Ceará), o canal 4 de Belo Horizonte (antiga TV Itacolomi) e o canal 6 do Recife (antiga TV Rádio Clube de Pernambuco).

De fato, o SBT é sucessor da Rede Tupi de Televisão e já a Manchete era sucessora da Tupi e Excelsior. A nova rede recebeu o nome da revista Manchete, carro-chefe da Bloch Editores desde sua estreia em 26 de abril de 1952.

Há também uma polêmica, perdurante desde aquela época, de que a concessão ganha pelo Grupo Bloch deveria ter sido dada ao Grupo Abril, pois o grupo nunca se conformou em ter perdido aquela concorrência e aponta o favorecimento do regime militar brasileiro como motivo da vitória.

Por outro lado, o Grupo Bloch demonstrou que nunca esteve preparado para arcar com os custos da criação de uma rede de televisão e devido a este equivoco encontrou-se em estado pré-falimentar nas crises de 1992 e 1998, não resistindo à última.

Inauguração[editar | editar código-fonte]

Quase dois anos depois das concessões, a Rede Manchete foi ao ar pontualmente às 19h em um domingo, 5 de junho de 1983, contando com um investimento inicial na casa dos US$ 50 milhões de dólares, altíssimo para a época. Logo na estreia, a Rede Manchete chegou com grandes inovações. Foi colocada no ar uma contagem regressiva futurística de 8 segundos para um informe da Petrobras anunciando o lubrificante Lubrax e dando boas-vindas a nova emissora brasileira. Seguiu um discurso no ar de Adolpho Bloch no cenário do jornalismo da emissora. Em seguida, foi colocada no ar a primeira vinheta interprogramas da emissora, onde a letra "M" dourada voa e explode com várias "M"'s. Essa primeira vinheta interprogramas anunciou a entrada no ar da rede e da primeira afiliada: a TV Pampa de Porto Alegre, que contava com várias "emissoras gêmeas" no interior do estado do Rio Grande do Sul. Em seguida, foi ao ar uma marcante vinheta, um clipe onde uma nave, representada pelo "M" (logotipo da emissora), sobrevoava as principais cidades brasileiras e aterrissava no alto do prédio da emissora, na Glória (Rio de Janeiro). A mesma vinheta permaneceu no ar do primeiro ao último dia da emissora, sendo considerada uma das mais longínquas da televisão.

Nos primeiros minutos da emissora, Adolpho Bloch fez um depoimento, primeiramente, sem som (devido a uma falha). Logo depois, o recomeço da gravação, tudo correu normalmente. E depois continuou: Meus amigos, hoje é um dia importante para a Família Manchete. Como você sabe, a nossa riqueza é o trabalho e o otimismo. Para nós, a televisão foi um desafio. Estamos felizes em continuar contribuindo para a construção de um Brasil grande. O presidente João Figueiredo confiou em nossa imprensa. Para nós, a televisão representa responsabilidade. Estamos produzindo uma programação de alto nível. É um dever mencionar o pioneiro Assis Chateaubriand, um homem de grande visão. Apresento minhas saudações à TV Educativa, à TV Cultura, à TV Bandeirantes, à TV Gazeta, à TV Sílvio Santos (referindo-se à TVS, atual SBT), à TV Record, às emissoras independentes e à Rede Globo de Televisão. Meus agradecimentos ao Dr. Roberto Marinho. Nossa amizade já passa de meio século. Deixo com vocês, meus amigos, a Rede Manchete de Televisão. Ela está no ar..

A cabeça-de-rede da emissora era sediada num majestoso prédio projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, na Rua do Russel, Glória (Rio de Janeiro). Alguns anos maiis tarde a emissora viriia a construir uma sede também na cidade de São Paulo.

O primeiro programa a ser exibido foi um show denominado Mundo Mágico, contando com a participação de diversos conjuntos musicais e artistas, com várias atrações, dentre elas o recente grupo musical Roupa Nova, que foi transmitido ao vivo. A audiência chegou a incomodar o Fantástico, exibido pela Rede Globo. Depois do show, a Rede Manchete colocava no ar o primeiro filme exibido em sua história: Contatos Imediatos do Terceiro Grau, de Steven Spielberg, que colocou a emissora na liderança em audiência, alcançando 27% contra 12% registrados pela Rede Globo na capital carioca. Isso acabou assustando um pouco as outras emissoras.

Entrava no ar o Clube da Criança, revelando a apresentadora infantil, modelo e manequim Xuxa. Houve naquela época uma grande polêmica sobre a apresentadora, que posou nua em várias revistas masculinas, a última poucos meses antes de estrear como apresentadora infantil. Xuxa permaneceria à frente da atração até ser contratada pela Rede Globo três anos mais tarde.

Foi adotado o primeiro slogan "Televisão de Primeira Classe" e dentre os programas que ganharam destaque nos primeiros meses de transmissão estavam: Conexão Internacional, com Roberto D'Ávila; Bar Academia, com Walmor Chagas; Persona; Um Toque de Classe, com grandes nomes da música erudita nacional; Xingu; Concertos de Ópera e o Jornal da Manchete, telejornal exibido em horário nobre. O primeiro diretor de programação foi Rubens Furtado e o segundo foi Kendey Araújo.

A rede mantém na época o que denominava programação de alto nível, com documentários, jornalismo e programas de entrevistas.

Poucas semanas depois da inauguração, no mesmo mês, o cantor e repórter do Conexão Internacional, Caetano Veloso, provocara polêmica ao entrevistar o vocalista do Rolling Stones, Mick Jagger. O programa é conduzido pelo jornalista Roberto D'Ávila, com a participação de Walter Salles atrás das câmeras. Além de Veloso demonstrar falta de preparo no inglês, foi insultado por Jagger. No dia 25 de junho, o jornalista Paulo Francis publicou na Ilustrada, caderno cultural da Folha de São Paulo, um texto intitulado "Caetano, pajé doce e maltrapilho", que embora elogiasse Veloso ser melhor do que Jagger, criticou a roupa usada por ele "de Pajé contra pajé tudo com autoridade imediatamente consagrada pela imprensa, que é mais deslumbrada do que o público (…) É evidente, por exemplo, que Mick Jagger zombou várias vezes de Caetano na entrevista na TV Manchete." Continuou a crítica Veloso ao perguntar ao Jagger se ele é tolerante com os povos latino-americano: "O pior momento foi aquele em que Caetano disse que Jagger era tolerante e Jagger disse que era tolerante com latino-americanos (sic), uma humilhação docemente engolida pelo nosso representante no vídeo. Essa pergunta simplesmente não se faz em televisão, ou até em jornal. É de um amadorismo total. Só serve para seminários de 'comunicação' no interior da Bahia. Não é uma pergunta jornalística. Jagger começou a debochar aí." O artigo não provocou uma resposta imediata de Caetano, que só mencionou o episódio em outubro do mesmo ano, na coletiva para o show "Uns", em São Paulo: "Agora o Francis me desrespeitou. Foi desonesto, mau-caráter. É uma bicha amarga. Essas bonecas travadas são danadinhas." e o caso teve repercussão nacional.[1]

Transmissão do Carnaval[editar | editar código-fonte]

Um de seus marcos principais se dá pela cobertura do do carnaval carioca. A emissora mostrava os preparativos da grande festa popular do país com os programetes Feras do Carnaval e Esquentando os Tamborins, exibidos ao longo da programação. A cobertura do "Carnaval da Manchete" começou em 1984, ano de inauguração do Sambódromo carioca. A emissora de Adolpho Bloch conseguiu exclusividade nas transmissões daquele ano após desistência da Rede Globo, ocorrida por questões de ordem política (desavenças entre Roberto Marinho e Leonel Brizola). No ano seguinte, a Globo voltou a transmitir os desfiles simultaneamente com a Manchete. Em 1988 a Manchete não transmitiu os desfiles por conta de um impasse com os organizadores dos desfiles e em 1999, a falta de recursos a impediu de transmitir o evento.

Em fevereiro de 1984 a Rede Manchete estreou na transmissão dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, ocorridos no recém inaugurado Sambódromo da Marquês de Sapucaí. A Manchete transmitiu o evento com exclusividade. A Rede Globo se recusou em cobrir a festa, devido os atritos entre Leonel Brizola, então governador do estado fluminense, e Roberto Marinho, proprietário da emissora. A transmissão foi ao vivo e deu a Manchete liderança folgada, com audiência de 80 pontos, a mais alta registrada pela emissora.

Dramaturgia[editar | editar código-fonte]

Em 1984, entrava no ar Antônio Maria, a primeira novela produzida pela emissora e a série humorística "Tamanho Família".

Outras telenovelas de sucessos produzidos pela Manchete foram Dona Beija (1986), Helena (1987), Corpo Santo (1987), Kananga do Japão (1989), além da sua primeira produção dramaturgia, a minissérie Marquesa de Santos (1984).

Vieram outros como A História de Ana Raio e Zé Trovão (1991), Tocaia Grande (1995) e Xica da Silva (1996).

Um dos seus mais notáveis sucessos foi a novela Pantanal, exibida em 1990. Alcançando índices expressivos, forçou a TV Globo a alterar sua grade consolidada para estancar a perda de audiência de sua linha de shows. Tal episódio refletiu até hoje, pois as novelas globais passaram, a partir daquela época, a ser transmitidas a partir das vinte e uma horas, fato que fez o sua denominação mudar recentemente para "Novela das nove".

O canal se tornou conhecido também por exibir as diversas séries de tokusatsus e animes, todas de origem do Japão, com grande sucesso, que também foi responsável da introdução das produções japonesas no Brasil. Anos depois, outras emissoras de TVs abertas e por assinatura passaram exibir outros animes.

No final dos anos 1980 e boa parte dos anos 1990 eram exibidas as séries Jaspion, Changeman, Jiraiya, Flashman, Jiban, Lion Man, Black Kamen Rider, Maskman, Cybercops, Spielvan, Kamen Rider Black RX, Patrine, Winspector e Solbrain.

Graças ao grande sucesso dessas séries é que chegaram os animes Cavaleiros do Zodíaco (episódios e em OVA), Samurai Warriors, Shurato, Yu-Yu-Hakushô, Sailor Moon, Super Campeões e US Mangá.

Nos anos 1990 os programas infantis foram: Dudalegria (manhã); A Turma do Arrepio e Clube do Seu Boneco (ambos na tarde) em 1995. Além desses programas, eram exibidos desenhos considerados "clássicos" das décadas de 50, 60, 70 e 80: Calvin e o Coronel, Dartagnan e os Três Mosqueteiros, Don Quixote de la Mancha, Família Drácula, O Pirata do Espaço, Super Tiras, Patrulha Estelar, Superaventuras, Família Tró-ló-ló, Josie e as Gatinhas, Lorde Gato, Marmaduke, A Turma do Abobrinha, Goldie Gold e Manda-Chuva e os sitcoms Seinfield e Friends.

A emissora passou a usar certos apelativos como cenas de nudez em novelas como Dona Beija, Pantanal entre outras produções da casa e até espetáculos de strip-tease impróprios para o horário como o da jornalista Íris Lettieri na contagem regressiva para o carnaval e no programa de calouros de Raul Gil em horário vespertino além de programas de striptease com telessexo.

Entretenimento[editar | editar código-fonte]

Em 1985, na primeira fase, como parte da programação voltada para os jovens, é exibido o FM TV nos finais de tarde, o programa de videoclips musicais cuja linguagem visual antecipava a atual MTV Brasil. Alguns de seus apresentadores tornaram-se nomes conhecidos do grande público: Tim Rescalla, Patrícia Pillar, Emílio Surita e João Kléber.

Outro nome famoso, que ganhou projeção na Manchete foi o do radialista Eloy Decarlo. Conceituado comunicador carioca, se tornou nacionalmente conhecido quando, por todo o tempo de existência da emissora, foi a "voz-padrão" das chamadas da programação do canal e das vinhetas, principalmente nos comerciais.

Jornalismo[editar | editar código-fonte]

O jornalismo sempre foi o carro-chefe da emissora. O telejornal Jornal da Manchete, o principal informativo do canal, trazia aprofundamento das notícias e comentários de grandes nomes do jornalismo brasileiro, como Carlos Chagas, Villas-Boas Corrêa, Zevi Ghivelder e Salomão Schvartzman, entre outros e comentaristas como João Saldanha. Também revelou os apresentadores Mylena Ciribelli, Cláudia Cruz e Alexandre Garcia que posteriormente transferiram-se para a Rede Globo.

Nos primeiros anos da emissora, o Jornal da Manchete ficava no ar por três horas, o que nunca ocorreu na história da televisão brasileira, já que os telejornais locais e nacionais da década de 1980 e anteriores, nunca ultrapassaram os 40 minutos de exibição. Sua primeira parte, dedicada ao noticiário cultural, era intitulado Panorama Manchete, apresentado por Íris Lettieri (na época, a voz do aeroporto carioca e do número de telefone que informava a Hora Certa) e Jacyra Lucas. Seguia o Manchete Esportiva, apresentado por Márcio Guedes e Paulo Stein. Ainda tinha o Debate em Manchete, com Arnaldo Niskier. Então vinha o Jornal da Manchete 1ª Edição, apresentado por Carlos Bianchini e Ronaldo Rosas. No final da noite, entrava no ar o Jornal da Manchete 2ª Edição, ancorado por Luiz Santoro, Roberto Maia e Claudia Ribeiro, depois substituída por Leila Richers. A partir de agosto de 1989, o casal de jornalistas Eliakim Araujo e Leila Cordeiro, que estava na Globo, foi contratado e assumiu o comando do Jornal da Manchete, até o final de 1992.

Esportes[editar | editar código-fonte]

Em julho de 1984, a emissora transmitiu pela primeira vez os Jogos Olímpicos, realizados em Los Angeles.

Em junho de 1986, transmitiu pela primeira vez a Copa do Mundo de Futebol, diretamente do México.[2]

A emissora transmitiu em setembro de 1988, as Olimpíadas de Seul, sua segunda olimpíada.

Cronologia[editar | editar código-fonte]

Sede da TV Pampa de Porto Alegre, RS, primeira emissora afiliada à Rede Manchete.

1984-1988[editar | editar código-fonte]

O ano marcou também pela criação do núcleo de dramaturgia e pela transmissão dos comícios das "Diretas Já".

Em 15 de março de 1985, a rede faz cobertura a posse até então vice-presidente José Sarney, o primeiro civil a assumir a presidência desde o golpe militar de 1964, pois o Tancredo Neves foi internado na véspera da posse. A emissora faz cobertura da agonia e a morte de Neves ocorrida em 21 de abril do mesmo ano.

Os primeiros sinais de prejuízo surgiram em fevereiro de 1986. A rede acumulava um prejuízo de 80 milhões de dólares e uma dívida que chegava a 23 milhões de dólares. Apesar disso, a partir desse ano, são exibidas outras telenovelas de sucesso produzidas pela Manchete, como a Dona Beija, lançada em abril.

Em 21 de abril, ganha nova afiliada em Amazonas e Rondônia: a Rede Brasil Norte.

Com o agravamento da crise, no mês de setembro acontece a primeira greve de funcionários.

Apesar disso, entre 1986 a 1992, chega a ser a segunda maior rede de televisão do Brasil e a terceira maior na TV da América Latina (perdendo apenas a Rede Globo e a rede de televisão mexicana Televisa).

A TV Brasília, que até então era afiliada do SBT passa a retransmitir a rede em junho, se tornando a principal afiliada.

José Wilker chega ao final do ano para reforçar o núcleo de dramaturgia e coloca no ar em março de 1987 a novela policial Corpo Santo.

Em abril, a emissora estreia Nave da Fantasia, um programa infantil, com outra revelação do talento da apresentadora Angélica, então com apenas 13 anos e que estudava na sétima série do 1º Grau.

Em julho, nova crise na Rede Manchete e são demitidos cerca de 100 funcionários. A linha de shows é desativada. Adolpho Bloch confirma a intenção de vender a rede. Porém desiste de vendê-la em 1988, depois de melhorar a situação financeira da rede.

No segundo semestre, Angélica passa a apresentar o Clube da Criança, totalmente reformulado.

Em 1988, depois de cinco anos insistindo a programação de alto nível, com documentários, jornalismo e programas de entrevistas, a dívida da Rede Manchete sobe para os 34 milhões de dólares, provocando a extinção de programas, que não deram audiência e anunciantes. O investimento de televisão de primeira classe, não teve retorno financeiro e nem audiência, levando a extinção de programas, quase todos da época da estreia de 1983. Os grandes anunciantes não demonstraram qualquer interesse neste tipo de programação, preferindo nas redes Globo, SBT e Bandeirantes, todas com programações populares e de gosto duvidoso.

Em mais uma tentativa de salvar a emissora são colocados no ar 19 novos programas, entre eles: o humorístico Cadeira de Barbeiro, com Lucinha Lins e Cacá Rosset, e o Sem Limite com Luiz Armando de Queiroz. Nas manhãs, o espaço era do jornalismo com a exibição do noticiário Repórter Manchete e do Brasil 7:30, apresentado por Liliane Cardoso direto dos estúdios da TV Brasília. À tarde faziam sucesso os seriados Jaspion e Changeman.

1989-1991: Auge da Manchete[editar | editar código-fonte]

Em 1989, a emissora começa a viver o seu apogeu, sendo causa pela vice-liderança absoluta.

No mês de julho ia ao ar (com grande sucesso) a novela Kananga do Japão, protagonizada por Christiane Torloni e Raul Gazolla. No esporte, destaque para as transmissões ao vivo dos jogos da Copa Rio. No jornalismo Documento Especial: Televisão Verdade, apresentado por Roberto Maya e dirigido por Nélson Hoineff. A emissora lançou o Cabaré do Barata, com o humorista Agildo Ribeiro.

O Documento Especial: Televisão Verdade estreia na atração. Em junho, a emissora transmitiu a Copa do Mundo da Itália.[2]

Em dezembro, ia ao ar a novela A História de Ana Raio e Zé Trovão, sucedendo Pantanal. Apesar não repetir o sucesso de Pantanal, terminou com a média de 20 pontos, com picos de 35 pontos, mantendo-se na vice-liderança.

1991-1994: Primeira crise[editar | editar código-fonte]

1991[editar | editar código-fonte]

Em 1991, o cinema brasileiro ganhou destaque na programação, através de uma das principais sessões de filmes da emissora, o Cinema Nacional. No mesmo ano, o diretor Jayme Monjardim reúne com todos os representantes das emissoras afiliadas da rede para anunciar a nova programação visual da Manchete, acompanhada por novos programas.

Em agosto do mesmo ano, foi anunciada a venda da emissora para o empresário Paulo Octávio (então deputado federal que era filiado ao PRN), amigo do presidente Fernando Collor, mas nada se concretizou.[3]

A Manchete começa a investir bilhões de cruzeiros na nova novela Amazônia, que entra no ar no final de 1991.

Durante a exibição do Pantanal (1990) e da A História de Ana Raio e Zé Trovão (1990-1991), a Rede Manchete já tinha praticamente afiliadas e repetidoras em todas as Capitais e inúmeros municípios, tornando-se de fato uma Rede Nacional com cobertura em praticamente todo o Brasil.

1992[editar | editar código-fonte]

Em janeiro de 1992, entra no ar Almanaque, programa de variedades apresentado por César Filho e Tânia Rodrigues.

A nova novela Amazônia, até então promessa de repetir o sucesso de Pantanal, começa dar baixos índices de audiência e torna-se um fracasso de audiência (apenas 2 pontos). A emissora coloca no ar a continuação Amazônia - Parte II, após saída de personagens que não agradaram o telespectador. Mesmo assim, mantém baixos índices de audiência e por causa disso, entrou em grave crise econômica (a causa principal conhecida foi o altíssimo investimento na novela, que acabou em prejuízo estrondoso).

A nova programação visual prometida por Jayme Monjardim acaba não dando muito certo. Jayme acaba sendo demitido por Adolpho Bloch, iniciando a primeira grande crise da emissora. Também neste ano, a Rede Manchete deixava de ser vice-líder de audiência, após perder a posição para o SBT, ficando em terceira colocada.

Com o agravamento da crise, em abril, Adolpho Bloch começou a procurar um comprador para a emissora. O Grupo IBF (Indústria Brasileira de Formulários), presidida pelo empresário Hamilton Lucas de Oliveira, se ofereceu para cuidar da emissora. A rede começa a ser negociada com o Grupo IBF, que fez fortuna com a impressão de raspadinhas.

Em maio, concretizava-se a venda da Rede Manchete de Televisão para o Grupo IBF, 670 funcionários foram demitidos e a base de operações foi transferida para São Paulo.

Em junho, era oficializada a venda para o IBF, até a Bloch Editores se reestabilizar em 1994, quando o grupo voltaria ao controle da emissora.

Já na nova administração estreia, com apresentação de Clodovil Hernandes, o programa Clodovil Abre o Jogo. Com a saída do Documento Especial: Televisão Verdade (que foi para o SBT) foi criada o Manchete Especial: Documento Verdade, com apresentação de Henrique Martins, para sanar a perda do programa.

Em julho, a emissora transmitiu os Jogos Olímpicos de 1992, realizado em Barcelona. No mesmo mês, começa a transmitir o Campeonato Paulista de futebol, com narração de Osmar Santos.

A emissora faz cobertura nas denúncias que levaram o impeachment ao então Presidente da República Fernando Collor, entre abril a dezembro.

1993: Retorno a Adolpho Bloch[editar | editar código-fonte]

Pela primeira vez, em fevereiro de 1993, a emissora não fez a cobertura do carnaval carioca.

Em São Paulo, o atraso no pagamento de salários, alguns desde 1992, leva os funcionários retirarem a TV Manchete São Paulo do ar, ao interromperem a programação da emissora no fim da tarde do dia 15 de março. Eles exibem em seguida um protesto escrito, colocando no ar um slide denunciando a falta dos pagamentos e o sucateamento da emissora. De imediato, é deflagrada a greve de funcionários.

O atraso dos salários e o sucateamento da emissora levaram a Bloch a entrar com um processo na Justiça a fim de retomar a emissora. Através de medida cautelar, a emissora retornou ao controle da família Bloch em 23 de abril, quando a Justiça do Rio de Janeiro devolve a Rede Manchete de Rádio e Televisão ao empresário Adolpho Bloch, alegando que a IBF, do empresário Hamilton de Oliveira, descumpriu cláusulas contratuais. Bloch alega que o IBF não completou o pagamento da compra, mas Hamilton de Oliveira alega que o pagamento não foi completado em função do valor das dívidas da rede ser o dobro do informado pelo Grupo Bloch. A retomada da rede foi um ano antes do acerto do entre IBF-Manchete. Após a retomada, Seu Adolpho, como era conhecido, o sobrenome do fundador (bloch em letra minúscula) acompanha abaixo do famoso simbolo da emissora M.

Por causa da perda de audiência (que levou a venda, a crise e a greve) de 1992 a 1993, as primeiras emissoras afiliadas dos anos 80 deixam a Rede Manchete, passando para as redes SBT e a Bandeirantes.

A então desconhecida Igreja Renascer em Cristo, teve um importante papel na recuperação da Manchete no período posterior ao cancelamento da venda da emissora para o Grupo IBF, arrendando uma significativa parcela da programação da emissora, além das rádios Manchete AM e Manchete FM.

Após a perda da emissora, Hamilton entrou com um processo, que foi conseguido, na Justiça do Estado do Rio de Janeiro, para que a Manchete não poderia ser vendida sem autorização de Hamilton de Oliveira, que se considera o legitimo dono da emissora. O processo perdura por seis anos.

Na área infantil, Hamilton tenta trazer Angélica de volta a emissora mas já era tarde: a apresentadora já havia assinado com o SBT, em uma tentativa de salvar o Clube da Criança, Mylla Christie assume o comando da atração, na qual fica somente até 1994, quando ela assina com a Rede Globo.

Na parte esportiva, consegue os direitos de transmissão da Fórmula Indy-CART, que por quase dez anos era exibida pela Rede Bandeirantes e novamente transmite o Campeonato Paulista de futebol.

A emissora, já de volta as mãos de seu fundador Adolpho Bloch, contrata Fernando Barbosa Lima como Superintendente de Programação e Artístico. O diretor Marcos Schechtman é promovido a Diretor de Teledramaturgia e tem como missão retomar a produção da emissora com a mini novela "O Marajá", que acabou sendo censurada pelo ex-Presidente Fernando Collor no dia da estreia. Como missão imediata os corpo de autores contratados formado por José Louzeiro, Regina Braga, Eloy Santos, Márcio Tavolari e Alexandre Lydia foi dividido em três projetos. Coube a Regina Braga e Márcio Tavolari o desenvolvimento do seriado novela "Família Brasil", a José Louzeiro e Alexandre Lydia a novela "Guerra Sem Fim" e a Eloy Santos a minissérie Os Caminhos de Rondom. "Família Brasil" e "Guerra Sem Fim" estreiam quase que simultaneamente no segundo semestre de 1993 e a minissérie Os Caminhos de Rondon, em decorrência de custos, acaba sendo arquivada. Ainda no final de 1993 e lançou Raio Laser, programa de video-clip, com apresentação de Nato Kandall.

1994[editar | editar código-fonte]

Em 1994, entrou no ar a novela 74.5 - Uma Onda no Ar, produzida pela TV Plus. Entre junho e julho, a emissora fez o compacto da novela, por horário para não coincidir os horários das partidas da Copa do Mundo de Futebol dos Estados Unidos.

Em 11 de maio, Hamilton Lucas de Oliveira, dono da Indústria Brasileira de Formulários (IBF), e a direção da TV Manchete são condenados pela CPI da TV Jovem Pan por crimes de corrupção ativa, formação de quadrilha, sonegação fiscal e enriquecimento ilícito. No mês seguinte, dia 8 de junho, o relatório final da CPI recomenda o afastamento dos diretores da TV Manchete e de Hamilton Lucas de Oliveira. Eles foram excluídos de qualquer sociedade que tenha por finalidade administrar ou explorar concessões públicas.

A emissora não fez a cobertura da Copa do Mundo de 1994 nos Estados Unidos, vencida na final pelo Brasil.

No dia 1º de setembro estreia a série de anime Os Cavaleiros do Zodíaco, que se tornaria uma das atrações de maior audiência da emissora.

Provavelmente neste mesmo ano surge a TV Marajó na cidade de Belém, ficando como nova afiliada da Rede Manchete (no lugar da TV RBA que em 1993, se afiliou a Band devido á crise de 1992 na emissora dos Bloch). A emissora foi a primeira emissora UHF da cidade e do Estado, afiliada à Rede Manchete nos anos 90, que anos depois foi extinta para dar lugar à MTV Belém[carece de fontes?], afiliada à MTV Brasil.

1995-1997: Reerguimento[editar | editar código-fonte]

1995[editar | editar código-fonte]

Com o fim da grave crise, ensaia um reerguimento entre 1995 a 1997, marcado principalmente pelos sucessos de telenovelas, desenhos japoneses, telejornais, programas policiais, esportivos (como A Grande Jogada), o aluguel de programas de televendas (especialmente do Grupo Imagem com o famoso 011-1406) e religiosos evangélicos das igrejas Renascer em Cristo e Internacional da Graça de Deus (apesar de representassem na época por volta de 10% da população).

No mês de fevereiro, a emissora voltava a transmitir o Desfile das Escolas de Samba do Rio de Janeiro.

Acontece o embargo de bens da emissora pelo estatal Banco do Brasil por causa das dívidas. De 1995 até 1997, as primeiras emissoras afiliadas dos anos 1980 e inícios dos anos 90 começam deixar a Rede Manchete, passando para as redes Record e a CNT.

Devido ao processo em que Hamilton Lucas ter entrado contra Bloch para que a rede não seja vendida sem o consentimento dele em 1993, a direção do Grupo Bloch decide criar o Bloch Som & Imagens, que ficou responsável por produzir as novelas, sem o risco de voltar para o controle do Grupo IBF.

Os anúncios já estavam no ar para a estreia do semanal Seu Boneco nas Paradas. O programa iria ao ar aos sábados e significaria a volta da emissora à produção de programas de auditório, com números musicais e shows de calouros. Contaria ainda com a participação de personalidades em seu júri como Chiquinho Scarpa, Rogéria, Magda Cotrofe e João Roberto Kelly. A tentativa de se fazer um “Novo Chacrinha” não deu certo e o programa foi extinto. Lug de Paula, que interpretava o personagem "Seu Boneco", apresentava ainda o Clube do Sr. Boneco, de segunda à sexta, com apenas dez minutos de duração.

Vai ao ar a novela Tocaia Grande, baseada em obra de Jorge Amado, com índice de audiência que alcançou em média 20 pontos.

A emissora passou a apelar para a nudez como foco principal de sua estratégia de conseguir audiência na noite e madrugada, tentando ficar no segundo lugar na guerra contra o SBT de Sílvio Santos, perdendo como de esperado somente para a líder Rede Globo, voltando ser a vice, perdida em 1992.

Em setembro, Carlos Amorim assumiu a direção de programas jornalísticos e no dia 18, estreava o polêmico 24 Horas. Idealizado por Fernando Barbosa Lima e apresentado por Solange Bastos, era um programa altamente sensacionalista que explorava imagens fortes, mostrando a realidade nua e crua. A crítica o viu como uma reedição do Documento Especial: Televisão Verdade, levado ao ar em 1990. O programa atraiu significativa audiência e ajudava a formar uma grade de programação mais popular.

No início de novembro, Márcia Peltier trouxe para a televisão brasileira o primeiro jornalístico baseado em pesquisas. O Márcia Peltier Pesquisa estreou no dia 8 de outubro e atraiu uma audiência de cerca de 10 pontos, o que acelerou a subida da emissora. A programação da Manchete se fixava e a emissora fidelizava sua audiência.

Em 19 de novembro, morre o empresário e dono da emissora, Adolpho Bloch, aos 87 anos; seus parentes assumiram a presidência da emissora.

1996[editar | editar código-fonte]

No início de 1996, a rede crescia e programas como o Câmera Manchete ganhavam destaque e audiência.

Uma nova vinheta marcaria o início da programação desse novo ano com o slogan: "Rede Manchete, você em Primeiro Lugar".

Depois de transmitir o carnaval, em fevereiro, a Manchete se preparava para lançar uma programação popular e ao mesmo tempo com muitos documentários. As novidades começaram já no dia 9 de fevereiro, com a estreia do Programa Raul Gil aos sábados. O clássico programa seria o grande trunfo da emissora para largar de vez o perfil da "TV de 1ª Classe". A audiência subiu, tornando a emissora líder de audiência por várias vezes nas tardes de sábado.

As novidades continuavam com a estreia em abril do esportivo Toque de Bola, um debate apresentado pelo veterano Paulo Stein aos domingos, das 21hs30min às 22hs30min. No mesmo embalo, após o programa terminar, estreava O Grande Júri, com José Carlos Cataldi, que acabou não tendo sucesso.

No mesmo pacote das novidades, voltavam "do fundo do baú" as séries National Kid e Ultraman, além da estreia dos desenhos japoneses Sailor Moon, Shurato e Samurais Warriors.

Em abril, seguindo a linha dos jornalísticos, entrava no ar o Na Rota do Crime, apresentado por Marcos Hummel, que seria exibido todas as sextas na faixa das 22hs30min. O propósito do programa era acompanhar os policiais em diversas operações pelas favelas nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro. Sendo assim, chegou muitas vezes a liderar a audiência no horário com médias de até 16 pontos. Com mais essa novidade, a faixa das 22h30 estava dedicada a programas jornalísticos de segunda à sexta.

Em junho, a emissora comemorava 13 anos com uma grande festa. Foram dois shows com artistas famosos: um para os funcionários com Daniela Mercury, e outro para o público, em plena tarde de domingo no Aterro do Flamengo, em frente ao prédio-sede da emissora. O show durou das 16hs às 20hs e contou com as participações dos grupos Só Pra Contrariar (SPC), Double You, Roupa Nova e Os Morenos.

Em meio às novidades dos "13 anos", dois programas estreariam no dia seguinte: Gente Importante, apresentado por Anna Bentes Bloch, com entrevistas nas tardes de segunda à sexta, e Manchete Verdade, um telejornal no estilo de uma revista eletrônica, com ancoragem de Marcos Hummel e as participações diárias de Dora Bria (esportes), Carlos Chagas (política), Tamara Leftel (economia) e Ique (charges). A emissora se firmava como o canal da notícia e da informação.

Nas noites de sábado estreou o programa Uma História de Sucesso, que mostrava a trajetória de cantores e grupos musicais do Brasil e do mundo e também mostrava o dia a dia de personalidades famosas da música e da televisão.

No mês de julho e agosto, a Manchete se preparava para apresentar os Jogos Olímpicos de Atlanta de 1996, intitulados Olimpíadas de Ouro. A transmissão do evento contou com a apresentação do "Jornal da Manchete" por Márcia Peltier, direto da cidade-sede do evento, nos EUA.

Em julho, a Manchete estreava uma nova vinheta que mostrava ao fundo telas de quadros de pintores renomados.

Em setembro, sob o comando de Walter Avancinni, entrou no ar Xica da Silva. A novela conta a história da Xica da Silva (protagonizada pela então desconhecida Taís Araújo) na época do Brasil Colonial do século XVIII, que escandalizou a sociedade de sua época. Exibida entre 22hs10min até 23hs com classificação para maiores de 14 anos, a novela foi um grande sucesso de audiência desde Pantanal, chegando a ultrapassar a Rede Globo. A novela atingiu uma média de 17 pontos com picos de 22. A Manchete estava em segundo lugar absoluta em vários horários e poderia ser considerada a terceira colocada no ranking em audiência e crescimento.

Juntamente com a novela Xica da Silva era lançada uma nova vinheta, que ficaria no ar até 1999.

1997[editar | editar código-fonte]

A emissora entra no ano de 1997, sustentada pelo sucesso de Xica da Silva. Para se ter uma ideia, na época da novela, o Jornal da Manchete registrava médias entre oito a nove pontos. Além de sustentáculo para a programação, a arrecadação com a trama possibilitava novos investimentos. Foi destaque no jornalismo da emissora durante o ano: Na Rota do Crime, Operação Resgate, 24 Horas e Câmera Manchete.

Sendo assim, as novidades vieram rápidas. Entre as novas atrações, estreava Mistério, apresentado por Walter Avancinni, que passaria a revezar com o Câmera Manchete as noites de quarta. O propósito era mostrar fenômenos paranormais ressuscitando a velha fórmula do Acredite Se Quiser, também apresentado no final da década de 1980.

O semanal Na Rota do Crime ganhava agora uma edição diária com meia hora de duração.

Marcos Hummel passou a dividir a apresentação do Jornal da Manchete com Márcia Peltier. Essa última alteração, no entanto, durou pouco tempo. Embora a audiência do jornal tivesse aumentado, a emissora tirou Marcos Hummel da apresentação do jornal.

Após um bom desempenho como especial de final de ano de 1996, o musical Mexe Brasil, tornou-se programa fixo semanal. Inspirado no especial Samba Brasil, estreou nas noites de sábado, indo ao ar logo após o Jornal da Manchete.

Nas tardes de domingo, em parceria com a TV Ômega, de Amílcare Dallevo, uma nova proposta surgia. A emissora trazia de volta o veterano Jota Silvestre, juntamente com Marcelo Augusto, Thunderbird e as crianças Luís Fernando (que anos depois se tornaria o jornalista e apresentador de notíciarios Luiz Bacci, no SBT) e Isabella[desambiguação necessária] no comando do Domingo Milionário. Com muitos jogos e brincadeiras, o programa oferecia o prêmio máximo de 1 milhão de reais, além do sorteio de vários carros entre os participantes que telefonassem a partir do sistema "0900". Jota Silvestre trouxe de volta seu velho sucesso, o quadro "O Céu é o Limite". Mais tarde, Sérgio Reis entrava no programa apresentado o campestre Sérgio Reis do Tamanho do Brasil.

A emissora lançou a menina Debby, de apenas cinco anos de idade, como apresentadora da nova versão do Clube da Criança, exibido às 18hs, com apenas meia hora de duração. A atração veio como uma resposta ao programa "Disney Club" do mesmo gênero, que havia estreado no SBT meses atrás.

Para as tardes, a emissora lançou o feminino Mulher de Hoje, comandado por Beth Russo, que mesclava, entre outros assuntos, dicas de beleza, culinária, artesanato e entrevistas.

Em 10 de agosto, Patrícia Luchesi (mais conhecida pelo comercial onde aparece ganhando o primeiro sutiã em 1988) e o cantor Sérgio Reis, estreiam novo programa Sérgio Reis do Tamanho do Brasil. Patrícia interpreta a empregada matuta Marinilda, enquanto Sérgio fazia o papel do próprio cantor real. Além dos esquetes, o programa trazia ainda convidados como Roberta Miranda, Zezé di Camargo & Luciano e até o autor de novelas Benedito Ruy Barbosa.[4]

Em 19 de agosto, com o fim de Xica da Silva, entrava no ar Mandacaru, baseada na história do cangaço. Apesar de a novela ser um sucesso, não repetiu o sucesso da anterior, ficando presa à média de 8 pontos de audiência com os picos de 12 pontos, mas reage e tem 11 pontos com 15 picos de audiência.

Em 23 de agosto, Sula Miranda estreou Sula Miranda Show, nas noites de sábado. O Mexe Brasil, por sua vez, foi transferido para a quinta-feira, substituindo o independente Business, que passou para as noites de domingo.

Nessa mesma época, estreava o programa de entrevistas de segunda as sextas Sandy & Júnior Show, que por sinal acabou permanecendo no ar alguns meses. Em seu lugar, estreou o Manchete Clip Show, programa de videoclipes exibido de segundas às sextas.

Em 13 de outubro, o humorista Tiririca, estreava o programa infantil Vila do Tiririca. Exibido de segunda, às sextas-feiras, entre 18hs30min até 19hs,[5] a atração ficou poucos meses no ar e o Tiririca transfere para o SBT.

Durante os meses de novembro e dezembro, a Rede Manchete realizou uma grande campanha para arrecadar fundos em benefício ao natal de pessoas carentes. A campanha denominada Natal Feliz, teve o apoio da Fundação Renascer em Cristo, com participação e apoio de todo o elenco da emissora.

No dia 5 de dezembro, o então técnico da seleção brasileira Zagallo, estreava o programa Bate Bola com Zagallo, no ar nas sextas-feiras às 23hs40min, com 5 minutos de duração.[6] Zagallo recebe mais de R$ 5 mil por mês.[7] No entanto, a atração ficou poucos meses no ar.

No mesmo mês, Beth Russo deixa o programa Mulher de Hoje e é substituída interinamente por Celso Russomanno.

1998-1999: Segunda crise[editar | editar código-fonte]

A partir do ano 1998, a Rede Manchete entra em grande desgaste devido à vários fatores, como crescente queda de audiência, juros excessivos da dívida da emissora e do Grupo Bloch, falhas de administração, atraso de salários.

Reestruturações no jornalismo e entretenimento surtem efeito inicial, entretanto não arrefecem a situação da emissora, que continuara afundando em grande crise.

Processos judiciais conturbados envolvendo a direção da emissora, a Igreja Renascer em Cristo, o Banco Pactual e o Grupo DCI, de Hamilton Lucas de Oliveira também marcaram este momento derradeiro da história da emissora, que estava em dívida crescente e cada vez mais atrasava os pagamentos de seus funcionários.

Vários protestos e greves eclodiram, ao passo de cortes de transmissão foram impostos diretamente pelos funcionários ou pelas empresas recém-privatizadas, como Embratel e Eletropaulo. Vários interessados pela compra da rede surgiram no ano de 1998, entretanto nenhum se concretizou. O Jornal da Manchete, marca da emissora desde o ano de inauguração, deixou de ser exibido durante algum tempo devido à grave crise que assolou o Grupo Bloch.

Já no início de 1999, a direção do Grupo Bloch, na figura de Pedro Jacques Kappeller e Jacqueline Kappeller, anunciam a parceria com o Grupo Renascer em Cristo para reestruturar a programação e salvar a emissora. O aparente sucesso inicial da parceria deu lugar a um grande fracasso, com polêmicas e calote por parte da Igreja. Com a situação totalmente fora de controle, a TV Ômega de Amílcare Dallevo, presente na programação da emissora, tramitou com o Grupo Bloch o processo de compra da rede e se comprometeu a regularizar toda a sua situação, desde a saudação das dívidas até o pagamento de salários atrasados. Era o fim da Rede Manchete de Televisão.

Em 10 de maio de 1999 a emissora transmitia pela última vez como Rede Manchete. A vinheta de explosão espacial com o M dourado era exibida pela última vez. No lugar da rede, entra a TV!, emissora de transição, sob administração da TV Ômega e utilizando os recursos da Manchete.

Alguns meses depois, em novembro, a fase de transição termina e a Rede Manchete encerra definitivamente as suas operações e dá lugar à RedeTV!, de Amílcare.

Ironicamente, a emissora não conseguiu chegar aos anos 2000, do qual tanto falou em seu início (seu slogan era "A televisão do ano 2000" em 1983).

Até hoje o empresário Amílcare não saudou totalmente as dívidas da antiga emissora, principalmente no que se refere aos salários atrasados e de funcionários que recebiam mais de R$5 mil. Por coincidência, sua emissora sofreu grave crise, com as mesmas características da sofrida pela Manchete.

Slogans[editar | editar código-fonte]

Telenovelas e séries da Rede Manchete[editar | editar código-fonte]

Emissoras componentes da Rede Manchete[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]