IGB Eletrônica
| IGB Eletrônica | |
|---|---|
| IGB Eletrônica S. A. | |
| Tipo | Sociedade anônima |
| Fundação | 1964 |
| Sede | Manaus, |
| Locais | Manaus, São Paulo |
| Fundador | Eugênio Staub |
| Presidente | Eugênio Staub |
| Pessoas-chave | Eugênio Staub |
| Empregados | 195 (2009) |
| Gênero | Tecnologia |
| Produtos | Eletroeletrônicos |
| Valor de mercado |
R$112,5 milhões (6/3/2013) |
| Renda líquida | |
| Página oficial | www.igbeletronica.com |
IGB Eletrônica é uma empresa brasileira de eletroeletrônicos. A empresa, fundada sob o nome Gradiente em 1964 no bairro Pinheiros em São Paulo, cresceu fortemente durante a década de 1970 devido principalmente a três fatores:
- a proibição da importação de equipamentos eletrônicos;
- o crescimento econômico brasileiro conhecido como milagre econômico;
- a implantação do polo manufatureiro da Zona Franca de Manaus.
De uma uma fábrica de pequeno porte, a IGB Eletrônica transformou-se em um poderoso grupo do setor de eletroeletrônicos.
A IGB Eletrônica enfrentou problemas financeiros de 2007 até 2008. Além da concorrência mais acirrada, o que derrubou a empresa, segundo o próprio Eugênio Staub, foram dois outros fatores: a primeira foi a compra da Philco em 2005 por 60 milhões de reais. Dois anos depois, a empresa foi vendida por 22 milhões de reais, a fim de reduzir o rombo financeiro. Outro problema foram falhas administrativas que, em 2007, praticamente paralisaram a companhia.1
Desde 2007 a empresa entrou em processo de recuperação e voltou ao mercado brasileiro no primeiro semestre de 2012.2
Índice |
História [editar]
Consolidação da marca [editar]
Durante a década de 1970 e parte dos 1980, o foco da empresa foi atender o mercado de produtos de áudio sofisticados. Seus equipamentos eram modulares consistindo-se de amplificadores, receptores, toca fitas, toca discos de vinil, etc. A Gradiente não oferecia aparelhos populares do tipo 3-em-1, isto é, aparelhos onde rádio-amplificador, toca fitas e toca discos são conjugados num único gabinete.
Esta filosofia, aliada às campanhas publicitárias, à imagem de modernidade com o lançamento de novos produtos como o toca discos óticos (CD player) ou digital, e a substituição periódica de linhas de equipamento (obsolescência programada) consolidaram a marca como uma das mais importantes no setor de eletro-eletrônicos do Brasil.
Em 1979 a empresa lançou, como uma alternativa mais sofisticada aos 3-em-1, o conceito que chamou de “system”: um conjunto de equipamentos que consistia de receptor, toca-discos, toca fitas e um par de caixas acústicas vendidos num único pacote. Os equipamentos eram baseados nos aparelhos modulares com pequenas diferenças de acabamento. Para a empresa havia a vantagem de se pagar um único imposto sobre todo o pacote. Foi uma idéia bem sucedida e a cada 2 anos, aproximadamente, a Gradiente atualizava a linha. Os systems duraram até cerca de 1987/88 quando a empresa passou a se concentrar nos equipamentos conjugados.
Em 1982/83 a empresa tomou a iniciativa de padronizar a largura e o projeto dos equipamentos modulares de forma que eles poderiam ser livremente escolhidos e empilhados harmoniosamente formando conjuntos ao gosto do comprador. Este conceito recebeu a designação comercial "compo", uma abreviação de "componente", pois cada equipamento era um componente do sistema.
Compra de outras marcas [editar]
Garrard [editar]
Esta tradicional marca inglesa foi adquirida em 1979. O objetivo era exportar os aparelhos Gradiente sob a marca Garrard que era internacionalmente reconhecida. As exportações foram iniciadas no começo da década de 1980 para os EUA e a Europa, mas o negócio não foi bem sucedido. Em entrevista a Paulo Markun (Playboy, jul-1990), o próprio Eugênio Staub, presidente da empresa, afirmou que o fracasso custou US$ 18 milhões. Em 1997 a marca Garrard foi licenciada (ou vendida) para a Loricraft Audio, um grupo inglês que fabrica toca discos de vinil em pequena escala3 .
Polyvox [editar]
A Polyvox foi fundada por ex funcionários da Gradiente e, durante muitos anos, tentou ser sua concorrente até ser adquirida em 1979. Pouco após a aquisição, os equipamentos TOP de Linha como a linha 5000 da Polyvox foram descontinuados em prol do Esotech da Gradiente com uma linha disposta de vários aparelhos modulares como os Amplificadores: IA II, AII, HAII, o pré PII, o Tuner TII,o equalizador EII, Cd player LDP-636, Toca discos XP II, RP II, QT II, Tape deck´s SDII, DII (03 cabeças), Crossover CX II, Caixas Acústicas RSII, SSII, além do receiver RC II, Rack AR II e a Polyvox foi direcionada para o mercado de aparelhos populares: conjuntos integrados tipo 3-em-1 e radio-gravadores. A partir de meados da década de 1980 os produtos com a marca Polyvox foram desaparecendo como deveria ter acontecido desde o inicio até que ela não foi mais usada. Atualmente não existe mais nenhum produto com esta marca, ainda que a Gradiente mantenha seu registro.
Telefunken [editar]
Quando esta marca foi adquirida em 1989, sua participação no mercado de televisores já era declinante. Aparentemente a Telefunken da Alemanha quis se desfazer do negócio no Brasil e a Gradiente tinha interesse numa fábrica de televisores. Assim, pouco após a aquisição da marca, os produtos Telefunken foram descontinuados e a Gradiente lançou televisores com sua própria marca.
Philco [editar]
A marca que pertencia ao grupo Itaú foi adquirida em 9 de agosto de 2005. A incorporação da Philco permitirá à empresa melhorar a participação no mercado de televisores e DVD. Desde a aquisição da Telefunken a marca Gradiente nunca teve grande participação no mercado de vídeo. A Gradiente e a Philco, combinadas, detêm cerca de 18% de participação no mercado de televisores: Philco 10% e Gradiente 8%, segundo dados de 2004. Estes números aproximam a empresa das líderes do setor: Philips, LG e Semp-Toshiba. Em setembro de 2007 a marca Philco foi vendida a um grupo de investidores estrangeiro (chinês). A Britania, empresa de origem paranaense, fabricante de eletrodométicos, alugou o uso da marca e terá o direito de usá-la por um período de 10 anos.
Tecnologias [editar]
Além de aparelhos com projeto próprio a Gradiente sempre se valeu do uso de tecnologia de outros fabricantes. O uso de tecnologia de terceiros pode ser classificado em:
- compra de aparelhos prontos de outros fabricantes (câmera de vídeo da Sony)
- montagem de aparelhos de outras marcas (tape-deck JVC)
- modificação de aparelhos de outras marcas (tape-deck JVC)
- adaptação de mecanismos de terceiros em aparelhos de design próprio (tape-deck Alpine, amplificador Super A)
A utilização de tecnologia ou produtos de outros fabricantes ocorreu principalmente em razão da dificuldade de se projetar no Brasil aparelhos equipados com partes eletromecânicas, como é o caso dos tape-decks e dos toca-discos.
Por exemplo, os tape-decks de código CD (CD-5500, por exemplo) eram na realidade aparelhos JVC com pequenas diferenças de acabamento. Somente na década de 1980 é que a Gradiente lançou tape-decks com design próprio: são os aparelhos com código C (C-484, por exemplo) que utilizavam mecanismo da Alpine.
Algumas empresas que forneceram tecnologia à Gradiente:
- JVC: foi uma das maiores parceiras fornecendo tecnologia para amplificadores, tape-decks, toca-discos e video-cassetes
- Funai: video-cassete (V-11 e SV-21)
- Pioneer: toca-discos (DD-I)
- Yamaha: CD player (LDP-636)
- Alpine: tape-deck (C-484)
- Sherwood: receiver áudio/vídeo
Produtos de vídeo e computadores [editar]
Em 1983 a empresa lançou o videogame Atari 2600 com licença oficial da Atari estadunidense num mercado infestado de clones não autorizados deste console.
Por 10 anos a Gradiente foi a revendedora oficial dos consoles da Nintendo no Brasil (e antes disso lançara um clone do NES, o Phantom System), inicialmente em parceria com a Estrela, chamada Playtronic, fundada em 1993. A Estrela saiu em 1996. Após um período sofrendo com a alta do dólar e tendo de impor altos preços, a Gradiente saiu do mercado em 2003.
Em 1985 a empresa entrou no ramo de computadores pessoais com o Expert que seguia o padrão MSX estabelecido por empresas japonesas. Tinha como concorrente o HotBit da Sharp. Fez grande sucesso na época, sendo considerado o melhor MSX nacional. Tinha como diferencial marcante o teclado separado da CPU. Infelizmente, na época, a Gradiente desenvolveu um padrão próprio de conexão de periféricos, como entradas para teclado e impressoras. Tal fato feria a concepção original do padrão MSX, o que foi considerado uma grande falha de projeto, pois a Gradiente deixou de vender muitos micros devido à incompatibilidade com hardwares presentes no mercado.
Em 1990, a empresa encerrou a fabricação do Expert e saiu do ramo de computadores. O retorno a este mercado só voltaria a ocorrer em 2002 com o lançamento do Oz. Este computador, no padrão PC, tinha apenas um design de gabinete diferenciado, não havendo novidades na parte eletrônica. O equipamento foi vendido por cerca de 1 ano, após o que a empresa novamente se retirou do ramo da microinformática.
Em 1988 ocorreu a estréia no mercado de videocassetes com 2 modelos projetados pela empresa japonesa Funai Electronics. A curiosidade é que o aparelho inicialmente era vendido em Miami, Nova York e Manaus. O Paraguai não era mencionado pela empresa, mas lá também era possível se adquirir o aparelho. A Gradiente alegava que a maioria dos videocassetes era adquirida no exterior e que o preço de seu aparelho ficava dentro da cota de importação. Posteriormente os videocassetes foram fabricados no Brasil com tecnologia da Funai e da JVC.
Em 1989 a empresa ingressa no mercado de televisores com a compra da Telefunken do Brasil. Desde então ela tem estado presente neste mercado sem nunca ter conseguido uma participação mais significativa.
Popularização da marca [editar]
Inicialmente foi feita uma tentativa de estabelecer a Polyvox como uma marca popular. Porém, o agravamento da crise econômica do Brasil que levou ao empobrecimento da classe média fez com que a própria marca Gradiente se popularizasse com o lançamento de aparelhos mais simples. Isto ocorreu por volta de 1987/88.
Os aparelhos modulares da linha "compo" foram desaparecendo e os "systems" foram substituídos por aparelhos conjugados verticais em que o receiver e o tape-deck eram montados num mesmo gabinete, mas de uma forma que mantinha a aparência de aparelhos modulares empilhados. Nos aparelhos mais simples, o toca-discos também era montado no mesmo gabinete. Os painéis de alumínio foram substituídos por plástico.
Atualmente, a empresa não mais fabrica equipamentos modulares de áudio, concentrando-se nos conjugados conhecidos como micro-systems e nos “home theater in a box”, que são aparelhos que conjugam DVD player e amplificador multicanal.
Crise e reestruturação [editar]
No início de 2007, a Gradiente enfrentou uma grave crise econômica, com uma dívida estimada em R$ 500 milhões. Devido a crise, a empresa suspendeu temporariamente o atendimento de alguns postos autorizados devido a pendencia de peças para reparo. Em 2008 lançou um plano estruturação extrajudicial sendo aprovado em 2010. A solução para recolocar a empresa novamente no mercado virá do arrendamento de ativos da empresa, para a Companhia Brasileira de Tecnologia Digital (CBTD), uma empresa controlada pela família Staub por meio de outra empresa, chamada HAG que terá um contrato de R$ 389 milhões para quitar as dívidas que serão pagos em sete anos com inicio em julho de 2013.4
A IGB Eletrônica planeja retomar as atividades de sua fábrica na Zona Franca de Manaus, foi previsto o reinício das atividades para o primeiro semestre de 2011.5 . A empresa iniciou a divulgação do seu plano de retorno ao mercado através de uma campanha de marketing focada nas mídias sociais desde outubro de 2010.
A empresa também retomou o atendimento dos postos autorizados, devido a pendência de peças para reparo na época da crise que a Gradiente estava passando.
A empresa alterou sua razão social para IGB Eletrônica S. A., para permitir a volta da marca Gradiente ao mercado sob uma nova empresa, a Compania Brasileira de Tecnologia Digital (CBTD). Esta arrendou a marca Gradiente da IGB para quitar as dívidas de R$ 385 milhões.6
Na campanha, adotou o posicionamento de “Nova Gradiente” e tinha previsão de lançamento dos produtos para 2011, mas adiaram para o primeiro semestre de 2012.4
Para que os acionistas da IGB Eletrônica possam também se associar à CBTD, foi criada uma holding, a HAG Participações S. A., que deterá 100% do controle da IGB, e uma parcela variável da CBTD, de 40% ou 100%, a depender da conversão em ações de debêntures que alguns investidores detêm contra a CBTD. No primeiro trimestre, a HAG pediria registro de companhia aberta à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), para depois tentar listar as ações na BM&FBovespa.7 8 . No momento (29/10/2012), a CVM está analisando a documentação da HAG.
Em 15 de maio de 2012 foi anunciada a sua volta ao comércio com o tablet OZ Black.9
Controvérsias [editar]
No final de 2012 após sua reestruturação, a empresa anunciou o smartphone Gradiente iphone do modelo Neo One.10 Segundo a empresa brasileira a marca era registrada no país desde 2000 no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Intelectual).11
Referências
- ↑ Márcio Juliboni (24 de maio de 2011). Gradiente aprova recuperação extrajudicial na Justiça. Abril. Exame.com. Página visitada em 13 de janeiro de 2012.
- ↑ CBTD apresenta a nova linha de produtos da marca GRADIENTE.. CBTD (16 de maioo de 2012). Página visitada em 29 de outubro de 2012.
- ↑ A Brief History of the Garrard Engineering and Manufacturing Company
- ↑ a b Marina Gazzoni (2 de janeiro de 2012). Gradiente planeja voltar ao mercado até maio e fazer oferta de ações. Estadão. Página visitada em 13 de janeiro de 2012.
- ↑ Gradiente anuncia que volta ao mercado em 2010. UOL. Revista Home Theater (10 de dezembro de 2009). Página visitada em 13 de dezembro de 2011.
- ↑ Estadão. A Gradiente vai voltar ao mercado. 09 de dezembro de 2009. Página visitada em 01 de agosto de 2011.
- ↑ Controladora da Gradiente quer fazer OPA e voltar ao mercado. Abril. Exame.com (2 de janeiro de 2012). Página visitada em 13 de janeiro de 2012.
- ↑ Controladora da Gradiente quer fazer oferta de ações e voltar ao mercado. G1 (2 de janeiro de 2012). Página visitada em 13 de janeiro de 2012.
- ↑ Marca Gradiente volta ao mercado e traz tablet para consumidor brasileiro. Reuters. G1 (16 de maio de 2012). Página visitada em 18 de dezembro de 2012.
- ↑ Família iPhone da Gradiente chega hoje ao mercado. Estadão; Grupo Abril. Exame (18 de dezembro de 2012). Página visitada em 18 de dezembro de 2012.
- ↑ Gradiente lança família de celulares inteligentes com o nome 'IPHONE'. Reuters. G1 (18 de dezembro de 2012). Página visitada em 18 de dezembro de 2012.
Ver também [editar]
Ligações externas [editar]
- Site oficial (em português)
- Blog oficial (em português)
- Gradiente (no Youtube)
- Gradiente no Twitter
- Gradiente no Facebook
