Pirataria moderna
A pirataria moderna se refere ao desrespeito aos contratos e convenções internacionais onde ocorre cópia, venda ou distribuição de material sem o pagamento dos direitos autorais, de marca e ainda de propriedade intelectual e de indústria. Os casos mais conhecidos são as cópias de produtos (falsificação), quer pelo uso indevido de marca ou imagem, com infração à legislação que protege a propriedade artística, intelectual, comercial e/ou industrial.
[editar] Descrição
A pirataria envolve os mais diversos produtos, desde roupas, utensílios domésticos, remédios, livros, softwares e qualquer outro tipo de produto que possa ser copiado.
[editar] Brasil
O comércio, a exposição à venda, ou a distribuição de pirataria é um crime no Brasil. A Lei 10.695, de 1 de Julho de 2003 altera partes do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 acrescentando ao artigo 184, §4º, que ressalva que a criação de uma cópia pelo copista para uso próprio e sem intuito de lucro, do material com direitos autorais, não constitui crime.[1]
Cerca de 42% da população utiliza algum tipo de produto pirateado. Em pesquisa feita pela Fecomércio-Rio e Instituto Ipsos os produtos mais pirateados são os CDs, DVDs, óculos e relógios.[2] O Conselho Nacional de Combate à Pirataria mantém um site atualizado com as principais ações para coibir esta modalidade de crime.[3][4]
Como o Código Penal Brasileiro, em seu artigo 184, parágrafos 1,2 e 3 determina que deve haver o intuito de lucro (direto ou indireto).
Existe uma corrente que prega a descriminalização da pirataria[5][6], defendida principalmente por Túlio Vianna, já havendo inclusive uma decisão favorável do Tribunal de Justiça de Minas Gerais. Porém, a maior parte da jurisprudência brasileira continua no sentido de que o comércio de produtos pirateados é crime sujeito a punições.
Mais de meio milhão de CDs falsificados sendo destruídos em frente à rampa do Congresso Nacional marcaram o Dia Nacional de Combate à Pirataria e à Biopirataria em 2005.
[editar] Produtos mais pirateados
- Software
- Medicações
- Brinquedos
- CDs
- DVDs
- Livros
- Roupas
- Óculos
- Tênis
- Biopirataria
- Produtos desportivos
- Perfumes
- Relógios
[editar] Jogos eletrônicos
Um dos itens mais pirateados no mercado nacional é definitivamente o jogo eletrônico [carece de fontes]. Tanto pela facilidade com a qual a cópia é feita tanto pela facilidade pela qual se obtêm (praticamente qualquer loja especializada em jogos vende produtos piratas), a pirataria no mercado de jogos vêm se popularizando e se adaptando conforme os constantes avanços na tecnologia. Além disso, a falta de fiscalização e a aceitação da pirataria como parte do cotidiano atual contribui para a sua continuidade.
[editar] Aceitação social
A pirataria como parte do cotidiano já é um conceito definido há tempos. A compra de produtos no mercado informal já faz parte integral do cotidiano brasileiro desde a época da tecnologia de vídeo VHS. Tanto os preços inacessíveis e desinteressantes ao público, independentemente da camada social, tornam a pirataria a quase que exclusiva e viável alternativa ao consumidor. A se acrescentar que o próprio Poder Judiciário brasileiro tem decisões que não compreendem a pirataria como crime, justamente em função da adequação social dos fatos, entretanto o STJ e o STF vêm reafirmando a penalização.
[editar] Penalidades
No Brasil a pirataria fere a licença de copyright e contra ela existe a Lei Antipirataria (10.695 de 1 de julho de 2003 do Código de Processo Penal),[7] que pune os responsáveis e dependendo dos casos a pena pode chegar a 4 (quatro) anos de reclusão de pena, e multa. Apesar disso, a pirataria é muito praticada no Brasil sendo responsável pela geração de um grande número de empregos informais. A Polícia Federal do Brasil mantém operações permanentes para coibir as diversas modalidades de pirataria.
[editar] Pirataria, consequências e sua ligação com crime organizado
De acordo com dados da Interpol a pirataria está relacionada ao crime organizado, como assaltantes, traficantes de armas, narcotraficantes e ligado até ao terrorismo,[8] movimentando mais de meio trilhão de dólares.[9] Além disso a pirataria está intimamente ligada à exploração infantil, são mais de 250 milhões de crianças trabalhando em regime desumano.[10]
No Brasil, de acordo com a Frente Parlamentar Contra a Pirataria, esse comércio ilegal impede 2 milhões de empregos formais no país e causa um grande rombo nas contas públicas. O Brasil deixa de arrecadar mais de 10 bilhões de Reais.[11][12]
[editar] Alternativas
Um dos principais questionamentos, hoje em dia, está focado no sistema de propriedade intelectual. No caso dos softwares surgem os softwares livres. No caso da produção musical e audio-visual ainda há uma grande controvérsia. Contudo, todos buscam uma solução que respeite o direito e permita acesso ao trabalho dos artistas. Um dos meios que favorece essa disponibilidade de material hoje em dia é o uso de software P2P que permite a seus usuários compartilhar arquivos por meio da Internet.Muitos esperam que os músicos comecem a abandonar a concepção de disco gravado para oferecer seu material de formas alternativas (como, por exemplo, downloads através de FTP ou similares), podendo fixar preços por peça/canção ou grupo de peças muito mais baixos que os atuais preços de CD.
Recentemente foi fundado o Partido Pirata Piratpartiet, na Suécia. Trata-se de um partido político que tem como principal tema a reformulação da legislação de propriedade intelectual. Vários outros partidos europeus tem sido influenciados pelos fundamentos do Partido Pirata.
[editar] Trabalhos de pesquisa que possuem a pirataria como tema
Existem poucos trabalhos de pesquisa sobre a pirataria no Brasil. Abaixo, quatro deles que tem uma relação direta ou indireta com o assunto:
1 - Made in China: produção e circulação de mercadorias no circuito China-Paraguai-Brasil (Tese de Doutorado, Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Autora: Rosana Pinheiro Machado).
2 - A “pista” e o “camelódromo”: camelôs no centro do Rio de Janeiro (Dissertação de Mestrado, Universidade Federal do Rio de Janeiro – Museu Nacional. Autora: Patrícia Delgado Mafra). Link (PDF – 2,22 MB): http://teses.ufrj.br/ppgas_m/PatriciaDelgadoMafra.pdf
Segue abaixo dois trabalhos sobre PIRATARIA e MÚSICA POPULAR. O primeiro possui ênfase mais antropológica e histórica; o segundo uma abordagem calcada nos aspectos econômicos.
3 – Pirataria musical: entre o ilícito e o alternativo (Dissertação de Mestrado, Universidade Federal de Uberlândia. Autor: Christiano Rangel dos Santos). Link direto (PDF – 6,75 MB): http://www.bdtd.ufu.br/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=2832
4 – Concorrência e pirataria na indústria fonográfica a partir dos anos 1990 (Dissertação de Mestrado, Universidade Federal do Espírito Santo. Autor: Harrison F. Nascimento). Link direto (PDF – 1,18 MB): http://www.prppg.ufes.br/economia/teses/harrison_nascimento.pdf
[editar] Casos jurídicos notórios
- Genaldo Souza Santos, 42 anos, foi preso em Feira de Santana em 2011, por falsificação de CDs e DVDs, além da violação dos direitos autorais. Com o acusado, foram apreendidos 12.608 CDs e DVDs falsificados; 4.200 Cds e Dvds virgens; 2.275 capas falsificadas; além de duas torres de gravação, sendo uma com 10 e a outra com 5 gravadores; mais 15 gravadores individuais e duas impressoras HP usadas para a falsificação das capas dos discos.[13]
- Dois grandes laboratórios de fabricação de DVDs e CDs piratas do Recife foram fechados pela Polícia Civil em Campo Grande em 2011. Foram encontrados dez computadores, 98 gravadores e 12 impressoras[14]
- Em junho de 2011 a prefeitura de São Paulo fechou os shoppings Pamplona e Monti Mare, na Avenida Paulista, e os shoppings 25 de Março e Mundo Oriental, na região central, em operação de combate à pirataria.[15]
[editar] Ver também
- Biopirataria
- Pirataria
- Pirataria na Internet
- Piratpartiet, partido pirata originado na Suécia discute os copyrights, com grande repercussão mundial.
- Screener - cópia de filme que, por extensão, tornou-se sinônimo de filme pirateado.
- Software livre
Referências
- ↑ http://www.planalto.gov.br/CCIVIL/Leis/2003/L10.695.htm
- ↑ http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u111623.shtml
- ↑ http://www.mj.gov.br/combatepirataria
- ↑ http://www.brasil.gov.br/noticias/em_questao/.questao/eq468
- ↑ A ideologia da propriedade intelectual
- ↑ http://www.tuliovianna.org/index.php?option=com_docman&task=doc_download&gid=59&Itemid=72
- ↑ http://www.socinpro.org.br/pirataria.htm
- ↑ http://veja.abril.com.br/300403/p_100.html
- ↑ http://g1.globo.com/Noticias/Brasil/0,,AA1376995-5598-310,00.html
- ↑ http://noticias.pgr.mpf.gov.br/noticias-do-site/geral/autoridades-do-brasil-e-dos-eua-defendem-cooperacao-no-combate-a-pirataria-associada-ao-crime-organizado/
- ↑ http://www.abin.gov.br/modules/articles/article.php?id=796
- ↑ http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG50860-6012,00-PAIS+DEIXA+DE+ARRECADAR+R+BI+COM+PIRATARIA.html
- ↑ Fabricante de CDs e DVDs piratas é preso em Feira de Santana
- ↑ Polícia fecha dois laboratórios de fabricação de CDs e DVDs piratas
- ↑ Combate a pirataria fecha shoppings na Paulista e 25 de Março