Boris Casoy

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Boris Casoy
Nascimento 13 de fevereiro de 1940 (74 anos)
São Paulo, SP
Ocupação jornalista
Nacionalidade Brasil brasileiro
Atividade 1968 - até hoje
Trabalhos notáveis TJ Brasil (1988-1997)
Jornal da Record (1997-2005)
Jornal da Noite (2008-presente)

Boris Casoy (São Paulo, 13 de fevereiro de 1941) é um jornalista brasileiro. Atualmente apresenta o Jornal da Noite, na Band, além de ser um dos âncoras da rádio BandNews FM.

Infância e juventude[editar | editar código-fonte]

Último dos cinco filhos de imigrantes judeus russos que chegaram ao Brasil em 1928, Boris adquiriu poliomielite ao completar um ano de vida, junto com sua irmã gêmea. Na época não existia vacina. A doença deixou seqüelas físicas, mas a marca maior foi a psicológica, gerada pela discriminação na infância. Até os nove anos, Casoy praticamente não podia andar. Com essa idade, ele foi operado nos EUA e recuperou os movimentos. "Como não podia andar, era um grande ouvinte de rádio, admirava aquele milagre da transmissão da voz", contou em entrevista ao site Amputados Vencedores.[1]

Estudou os primeiros anos nos colégios Stanfford e Mackenzie. Foi reprovado diversas vezes no curso científico, uma vez que queria cursar o antigo clássico, em desacordo com o determinado pela família. Freqüentou o curso de Direito da Universidade Mackenzie, mas não o concluiu.

Sua vida profissional começou aos quinze anos, em 1956, trabalhando como narrador esportivo numa emissora de rádio e também como locutor na Rádio Eldorado[2] .[carece de fontes?]

A carreira[editar | editar código-fonte]

No governo[editar | editar código-fonte]

Em 1968, foi nomeado Secretário de Imprensa de Herbert Levy, Secretário de Agricultura do governo Abreu Sodré, em São Paulo, permanecendo no cargo em 1969 com a mudança do titular da pasta.

Em 1970, foi assessor de imprensa de Luís Fernando Cirne Lima, Ministro de Agricultura do governo Médici.

Em 1971 e 1972, foi secretário de imprensa do prefeito de São Paulo, José Carlos de Figueiredo Ferraz.

Na Folha de São Paulo[editar | editar código-fonte]

Em 1974, ingressou na Folha de São Paulo, seu primeiro trabalho em jornal, onde foi editor de política e, apenas três meses depois, chegou a editor-chefe. Permaneceu no jornal até junho de 1976, quando saiu para dirigir a Escola de Comunicação e o setor cultural da FAAP.

Retornou ao mesmo jornal em 1977, onde passou a escrever uma coluna sobre os bastidores políticos denominada "Painel". Em setembro, tornou-se o editor responsável pelo jornal, aos 36 anos, ficando no cargo até 1984, quando voltou a ser responsável pela coluna "Painel".

O período de Bóris como editor-chefe e diretor de redação foi marcado por grandes transformações no jornal, que consolidou a sua liderança dentro da imprensa brasileira e onde chegou a ser o colunista chefe da coluna Painel, uma das mais lidas do periódico.

Na televisão[editar | editar código-fonte]

Sua carreira televisiva teve início em 1961, quando atuou como repórter do programa Mosaico na TV, na TV Tupi,[3] então o canal 4 de São Paulo, mais antigo programa ininterrupto da TV brasileira, segundo o Guiness Book, e ainda com o mesmo produtor (Francisco Gotthilf).

Em 1988, Bóris voltou para a TV, pelo Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), em 1988, para apresentar o TJ Brasil, lá ficando até 1997, onde formou parcerias com as jornalistas Lilian Witte Fibe e Salete Lemos, alcançando grande popularidade. Depois, foi contratado pela Rede Record junto com Salete, onde trabalhou durante oito anos, apresentando o Jornal da Record até dezembro de 2005, quando foi demitido.

Boris chegou a trabalhar na TV JB, apresentando o Telejornal do Brasil, de segunda a sexta-feira, sempre às 22 horas, mas a TV JB saiu do ar em 17 de setembro de 2007.

Em 2008 foi para a a Rede Bandeirantes e atualmente é o âncora do Jornal da Noite.

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Estilo[editar | editar código-fonte]

Seu estilo é muito particular, já que não se furta de emitir sua própria opinião sobre os assuntos mais polêmicos, e gosta de utilizar frases-bordão, tais como "Isto é uma vergonha" ou "É preciso passar o Brasil a limpo".

Caso CCC[editar | editar código-fonte]

Em 1968, em reportagem sobre líderes estudantis, a revista O Cruzeiro acusou-o de ter participado do grupo Comando de Caça aos Comunistas (CCC), organização direita anti-comunista brasileira[4] . O CCC é composto por estudantes e intelectuais, que durante o Regime Militar no Brasil, agiram em seu favor, denunciando, atacando, sequestrando, torturando e assassinando pessoas contrárias ao regime então vigente.[5] Boris nega esta acusação até hoje e afirma não haver provas que comprovem a participação no CCC. Vinte anos depois (1988), disse a respeito do episódio que tinha consciência do "quanto a imprensa pode estigmatizar alguém. Eu senti isso na carne. E não esqueço."[6] O CCC não existe mais.[7]

Em 2010, o próprio autor da reportagem na revista Cruzeiro, Pedro Medeiros, esclareceu que os diversos nomes que ele relacionara como integrantes do CCC[7] foram publicados sem confirmação.[8] Ao entrevistar integrante do grupo em 1968, o repórter se apropriou da agenda de telefones do entrevistado e os nomes que apareciam na agenda acabaram sendo publicados como sendo membros do grupo, entre eles Boris Casoy.[7]

No mesmo ano, o jornalista e blogueiro Paulo Henrique Amorim voltou repetir acusação, ao publicar no site em que escreve Conversa Afiada.[7] Amorim publicou o texto na qual o acusa de pertencer ao CCC, ser a favor da tortura, ser torturador e ter "fúria fascista", ao se opor a instalação pelo governo anterior, Conselho de Defesa dos Direitos Humanos. Após saber da publicação do texto, Casoy entrou com queixa-crime por ofensas caluniosas contra Amorim,[7] Em 13 de dezembro que foi obrigado a publicar retratação, depois do acordo no Juizado Especial Criminal de São Paulo.[8] Casoy foi representado em juízo pelo advogado Carlos Eduardo Regina. A retratação publicada dizia: "Disse numa sequência de posts sobre a instalação de um Conselho de Defesa dos Direitos Humanos, que aqueles que se opunham à instalação faziam o papel de defender quem defende a tortura. (...) Assim sendo, reitero, agora, que o Sr. Casoy nega que tenha pertencido ao CCC. E, portanto, não voltarei a fazer essa ligação.", concluiu.[7]

Eleições 1985[editar | editar código-fonte]

Em um debate na Rede Globo com os candidatos à prefeitura de São Paulo, em novembro de 1985, perguntou ao então candidato pelo PMDB, Fernando Henrique Cardoso, se ele acreditava em Deus. O candidato não respondeu, afirmando que havia sido combinado previamente que esse assunto não seria levantado. A pergunta e a resposta foram considerados como fatores decisivos para a derrota do candidato do PMDB para Jânio Quadros.[6]

Polêmica demissão da Rede Record[editar | editar código-fonte]

No dia 30 de dezembro de 2005, a Rede Record anunciou a rescisão de contrato com o apresentador do Jornal da Record, em comum acordo entre ambos. No entanto, Casoy, já "ex-Record", afirmou em várias entrevistas no decorrer de 2006 que fora demitido por motivos políticos e deixara a emissora por não concordar com as intervenções da própria emissora no departamento de jornalismo. Em diversas entrevistas, Casoy afirmou que integrantes do PT pressionaram à direção da Rede Record para tirá-lo da emissora, pois ficou sem anúncios publicitários das empresas federais, incluindo as propagandas da Petrobras.[9]

Boris Casoy declarou à revista Istoé Gente em abril de 2006 que a emissora fora pressionada pelo governo Lula a demiti-lo, por conta das declarações sobre os casos dos prefeitos do PT assassinados no interior do estado de São Paulo, Toninho do PT (Campinas) e Celso Daniel (Santo André) e a corrupção no governo federal, no caso Mensalão:

"Esse governo pressionou a Record [para me demitir]. Foram várias pressões e a final foi do Zé Dirceu. Eram três assuntos que eles não queriam nem que se tocasse: "Caso Banestado" (comprado pelo Banco Itaú S.A), remessa ilegal de dinheiro para aplicações no exterior; o compadre do Lula, Roberto Teixeira [advogado da Transbrasil, acusado de operar um esquema de arrecadação de dinheiro junto a prefeituras do PT] e o assassinato do Celso Daniel. Eu insistia que acabariam em pizza. (…) Houve o telefonema do Zé Dirceu [para a Record]. A diretoria me pôs a par: 'Ele disse que vai prejudicar a Record e você, pessoalmente, se não parar.' Essa foi a última [ameaça, pois antes] vinha uma série.".[9]

Entre abril e setembro de 2007, chegou a apresentar o telejornal na TV JB, em parceria com a CNT, mas a parceria terminou conturbada.

Em 2008, Casoy foi contratado pela Rede Bandeirantes, onde apresentou, a partir de 14 de abril do mesmo ano, o Jornal da Noite. Também recebeu a incumbência de comandar a cobertura das Eleições Municipais 2008 pelo canal da família Saad, tendo inclusive sido o âncora do primeiro debate entre os candidatos à Prefeitura de São Paulo, realizado no dia 31 de julho de 2008. Atualmente, também é apresentador da BandNews FM.

Comentário sobre os garis[editar | editar código-fonte]

Em 31 de dezembro de 2009, após uma vinheta do Jornal da Band, da Rede Bandeirantes, chamando o intervalo comercial,[10] sem saber que o áudio ainda estava sendo transmitido, Casoy comentou em tom jocoso as imagens exibidas anteriormente, que mostravam uma dupla de garis desejando feliz Ano-Novo aos telespectadores da emissora.

Cquote1.svg Que merda, dois lixeiros desejando felicidades… do alto de suas vassouras… dois lixeiros… o mais baixo da escala do trabalho.[11] Cquote2.svg

O apresentador, por meio da assessoria de imprensa da Band, reconheceu a ofensa que cometeu contra os garis e se retratou durante a exibição do jornalístico[12] do dia posterior, com os seguintes dizeres:

Cquote1.svg Ontem, durante o intervalo do 'Jornal da Band', num vazamento de áudio, eu disse uma frase infeliz, que ofendeu os garis. Por isso, quero pedir profundas desculpas aos garis e aos telespectadores do 'Jornal da Band'.[13] Cquote2.svg

Apesar do pedido de desculpas, diversos garis em vários estados do Brasil entraram com ações contra o apresentador e a emissora no decorrer de 2010. Apenas na Justiça da Paraíba constam 20 processos contra eles. No entanto, as Justiças estaduais negaram todos os recursos por considerarem os processos improcedentes, já que os nomes dos garis não haviam sido citados, considerando ainda o pedido de desculpas feito menos de 24 horas após.

Em 3 de março de 2010, Casoy e a Rede Bandeirantes não foram condenados por danos morais em ação movida pelo gari Marcelo Gomes de Brito, que sentiu-se ofendido pelo comentário pejorativo do âncora. Segundo decisão do juiz Cláudio Antônio de Carvalho Xavier, a repercussão do caso deve ser considerada. No entanto, "o autor da ação não foi a pessoa diretamente atingida pela prática do ato ilícito", uma vez que o comentário de Casoy fora dirigido à categoria.[14]

Em 24 de abril de 2012, a Justiça da Paraíba negou recurso do gari Gilson Silva Sousa que tentava processar o apresentador e a emissora. O autor da ação pediu indenização, que foi negado em novembro de 2011, mas resolveu apelar da decisão. O relator do processo, desembargador José Ricardo Porto, negou o recurso, sob alegação que o episódio provocou "dissabor" para o autor da ação, mas não "dano moral indenizável". O relator disse que "o nome do autor jamais foi mencionado [pelo apresentador] e as expressões enfatizadas são genéricas", concluiu.[15]

Apesar do jornalista ter escapado da condenação em outras vezes, em 21 de novembro de 2012, foi punido e terá que pagar R$21.000, junto com a TV Bandeirantes, ao gari Francisco Gabriel de Lima por danos morais. O Tribunal de Justiça de São Paulo não considerou as desculpas do réu suficientes para reparar os danos causados e, de acordo com a decisão, a alegação de que não houve intenção de ofender não foi suficiente para sua absolvição.[16]

Manifestações Junho 2013[editar | editar código-fonte]

Ao respeito dos fatos acontecidos em Junho 2013, Bóris surgiu como um elemento discordante do governo brasileiro e mais concretamente da presidente Dilma Rousseff após os pronunciamentos televisados dela que deixaram mais enervado a cidadania. Cidadãos que apreciaram o apoio do jornalista na sua luta por uma reforma de urgencia que significasse um Brasil mais transparente, justo e sem corrupção. [17]

Desavenças com Jorge Kajuru[editar | editar código-fonte]

Em 2013 a imprensa que trata de famosos noticiou troca de farpas entre Bóris Casoy e Jorge Kajuru; segundo o site R7 tudo começou após Casoy ter afirmado em um vídeo postado no Youtube que o apresentador Jorge Kajuru recebia dinheiro ilegal do bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Cquote1.svg “Esse moleque chamado Kajuru, não sei que nome estranho é esse… Esse moleque não tem o direito de criticar ninguém… antes de explicar para a população, antes de explicar para os seus telespectadores, porque ele telefonava para o bicheiro Cachoeira pedindo dinheiro…

Que dinheiro ? Que favores ele prestou pro Cachoeira para telefonar e pedir dinheiro ? Tá aí, tão ai as gravações dele pedindo dinheiro, insistentemente, para o bicheiro Cachoeira… Coisa boa, não é…”

Cquote2.svg

Por sua vez, Kajuru também postou comentários no Youtube acusando o jornalista de pedófilo.

Cquote1.svg Você chegar no Youtube e me chamar de pobre coitado, você não está me ofendendo, Boris.

Eu prefiro ser um pobre coitado do que ser rico, elitista, racista, fascista e pedófilo como você, porque isso é crime.

O que eu estou falando aqui toda a imprensa sabe sobre você. Boris, lave a sua boca, que é suja, você sabe de que..., para falar de mim.

Eu não tenho nada contra opção sexual, cada um tem a sua, só que pedofilia é crime.

Você era gozado entre os nossos companheiros de imprensa quando no seu telejornal aparecia matéria de pedofilia e você dizia: 'Isso é uma vergonha, isso é crime'.

Crime que você comete, Boris, pegando jovens em ponto de ônibus e levando para a sua mansão em São Paulo.

Então que honra você tem para falar da minha honra, cara? Por que você é chamado na redação de tia velha? Pelos crimes de pedofilia, pelas suas viagens no final do ano à Índia, para longe do Brasil para cometer esses crimes.

Crie vergonha na sua cara e pare de cometer esses crimes contra jovens, senhor Boris Casoy[18] .

Cquote2.svg

Referências

  1. "Jornalista Boris Casoy fala sobre sua deficiência", Amputados Vencedores, 1 de março de 2008
  2. CCC ou O Comando do Terror. O Cruzeiro. Página visitada em 06/09/2013.
  3. "Boris Casoy estréia novo 'Jornal da Noite' hoje", Metro São Paulo, 14 de abril de 2008, pág. 13
  4. Medeiros (13 de dezembro de 1968). CCC ou o comando do terror. O Cruzeiro. Página visitada em 27-04-2012.
  5. http://pt.scribd.com/doc/25019616/Revista-O-Cruzeiro-com-Boris-Casoy-no-CCC
  6. a b Kushnir, p. 1201
  7. a b c d e f Mariana Ghirello (13 de dezembro de 2010). Paulo Henrique Amorim se explica a Boris Casoy. Consultor Jurídico. Página visitada em 27-04-2012.
  8. a b Paulo Henrique Amorim publica retratação a Boris Casoy em seu blog. Portal Imprensa (14 de dezembro de 2010). Página visitada em 27-04-2012.
  9. a b "“Fui tratado como bandido”", Rodrigo Cardoso, Istoé Gente número 346, 10 de abril de 2006
  10. Bombou na web – Edição de 11 de janeiro (em português). Época (9 de janeiro de 2010). Página visitada em 10 de janeiro de 2010.
  11. Boris Casoy ofende garis ao vivo no "Jornal da Band" - Folha Online, 1 de janeiro de 2010 (visitado em 5-1-2010).
  12. Boris Casoy pede "profundas desculpas" aos garis e aos telespectadores - Folha de S. Paulo, 1 de janeiro de 2010 (visitado em 5-1-2010).
  13. Boris Casoy comete gafe e humilha garis ao vivo - Portal Yahoo!, 1 de janeiro de 2010 (visitado em 5-1-2010).
  14. Boris Casoy e Band são inocentados em processo movido por gari da PB (em português). Portal Imprensa (3 de março de 2010). Página visitada em 21-11-2012.
  15. JEAN-PHILIP STRUCK (25 de abril de 2012). Justiça da PB nega indenização para gari que processou Boris Casoy. Folha Online. Página visitada em 27-04-2012.
  16. Rogério Barbosa (21 de novembro de 2012). Justiça condena Boris Casoy e TV Bandeirantes a indenizar gari ofendido em telejornal. UOL. Página visitada em 21-11-2012.
  17. Bóris Casoy critica Dilma Rousseff (em português). Protestosbrasil.org (24 de junho de 2013). Página visitada em 24 de junho de 2013.
  18. Kajuru chama Boris Casoy de pedófilo; Band não se mete na briga e faz silêncio [1]. R7. Acesso em 03/07/2013

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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