O Cruzeiro (revista)

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Capa de uma das primeiras edições.


O Cruzeiro é uma revista semanal ilustrada, lançada no Rio de Janeiro, em 10 de Novembro de 1928, editada pelos Diários Associados, de Assis Chateaubriand. Carlos Malheiro Dias foi seu diretor no período de 1928 a 1933, sendo sucedido por Antonio Accioly Netto[1] . Foi a principal revista ilustrada brasileira da primeira metade do século XX[1] . Deixou de circular em julho de 1975.

Estabeleceu uma nova linguagem na imprensa brasileira: inovações gráficas, publicação de grandes reportagens, ênfase ao fotojornalismo[2] . Fortaleceu a parceria com as duplas repórter-fotógrafo, a mais famosa sendo formada por David Nasser e Jean Manzon que, nos anos 40 e 50, fizeram reportagens de grande repercussão[3] .

A revista deixou claro em seu primeiro editorial que se diferenciava de suas “irmãs mais velhas que nasceram das demolições do Rio Colonial”, colocando-se na vanguarda da modernidade aliando seu nome a tecnologias modernas: “O Cruzeiro encontrará ao nascer o arranha-céu, a radiotelefonia e o correio aéreo”.[4] [5]

Em 1941, O Cruzeiro também passou a ser o nome da Editora do grupo Diários Associados[6]

Entre seus diversos assuntos, a revista O Cruzeiro contava fatos sobre a vida dos astros de Hollywood, cinema, esportes e saúde. Ainda contava com seções de charges, política, culinária e moda.

Cobrindo o suicídio de Getúlio Vargas em agosto de 1954 a revista atingiu a impressionante tiragem de 720.000 exemplares. Até então, o máximo alcançado fora a marca dos 80.000. Daí em diante, o número se manteve.

Nos anos 60, O Cruzeiro entrou em declínio por má gestão, com o desuso de suas fórmulas e o surgimento de novas publicações, como as revistas Manchete e Fatos & Fotos. O fim da revista aconteceu em julho de 1975, com a consagração definitiva do instantâneo meio televisivo em favor dos impressos e o fim do império dos Diários Associados de Chateaubriand.

Reportagem sobre o Comando de Caça aos Comunistas (CCC)[editar | editar código-fonte]

Em 1968, uma reportagem de Pedro Medeiros (falecido em 1999), publicada na extinta revista O Cruzeiro incluiu, entre os membros do Comando de Caça aos Comunistas (CCC), o jogador de basquete Antônio Salvador Sucar, o apresentador de TV Boris Casoy e o advogado José Roberto Batochio, presidente do Conselho Federal da OAB em 1994.[7] Porém, segundo matéria publicada no site Consultor Jurídico em 2010, o próprio autor da reportagem na revista O Cruzeiro, reconhecera que a lista de supostos integrantes do CCC teria sido resultado de mera ilação do autor, a partir dos nomes constantes da agenda de telefones de um suposto integrante do grupo.[8] De Boris a reportagem da revista O Cruzeiro diz que seu sobrenome era "Casoy ou Kossoy". É Casoy, pronto. Existe um Boris Kossoy, mas é outra pessoa. Entre os depoimentos há um relato impagável: Boris Casoy, vestido de couro preto, de pé na garupa de uma moto, girando uma corrente. Tendo sofrido de poliomielite, como explicar sua capacidade acrobática?[9]

Operação O Cruzeiro[editar | editar código-fonte]

O Cruzeiro, editado pelos Diários Associados, do jornalista Assis Chateaubriand, circulou de 1928 a 1975. Alexandre von Baumgarten buscou relançar o título da revista de mesmo nome para criar uma corrente de opinião pública favorável à ditadura militar.[10] Alexandre von Baumgarten adquiriu os direitos do título da revista em 1979 e possuía um contrato de publicidade com a Capemi (Caixa de Pecúlios, Pensões e Montepios Beneficente) no valor de Cr$ 12 milhões.[11] Outros anunciantes: Prefeitura de Santos em 1981 (que possuía um prefeito nomeado pela ditadura militar chamado Paulo Gomes Barbosa), Nuclebrás, Pró-álcool, Superintendência da Zona Franca de Manaus, Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), Embraer, Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.[12]

Colaboradores[editar | editar código-fonte]

Foram notáveis os seus colaboradores nas várias seções[1] [13] :

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. a b c Accioly Netto. O Império de papel: os bastidores de O Cruzeiro. Porto Alegre: Sulina, 1998. 166 p. (Ilustrado)
  2. Scalzo, Marília. Jornalismo de revista. São Paulo: Contexto, 2003 páginas= 112. p. 30.
  3. Carvalho, Luiz Maklouf. Cobras criadas: David Nasser e O Cruzeiro. São Paulo: Senac, 2001. 599 p.
  4. (10 de novembro) "editorial". O Cruzeiro 1 (1) p. 3.
  5. Carvalho, Fabio Reynol de. Ciência de Almanaque: como as imagens de Eu Sei Tudo construíram uma guerra. Campinas: Universidade Estadual de Campinas, 2011. Página visitada em 27 fev 2013.
  6. Jacques Alkalai Wainberg. Império de palavras. [S.l.]: EDIPURS, 2003. 169 p. 9788574303765
  7. [1]
  8. Paulo Henrique Amorim se explica a Boris Casoy. Consultor Jurídico, 13 de dezembro de 2010.
  9. Importante é a manada e a notícia que se dane. Carlos Brickmann. Observatório da Imprensa, 2 de fevereiro de 2010.
  10. O caso Baumgarten e a crise da ditatura (1983-1985). Lauriani Porto Albertini, Universidade Federal de São Carlos, 2003.
  11. Paulo Malhães revela assassino de Alexandre Von Baumgarten, jornalista ligado ao SNI. 25 de março de 2014.
  12. Uma história de espionagem
  13. Enciclopédia Barsa universal. São Paulo: Barsa Planeta, 2007. p. 1709. 18 vol. vol. 5.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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