Xavantes

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Xavantes
Xavante.jpg
População total

9 600

Regiões com população significativa
Mato Grosso e Goiás, no Brasil
Línguas
xavante (aquém)
Religiões
Commons
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O povo indígena xavante, autodenominado a’uwe ("gente") ou a'uwẽ uptabi ("gente verdadeira"),[1] [2] pertence linguisticamente à família linguística , a qual, por sua vez, pertence ao tronco linguístico macro-jê. Sua língua é chamada akwén ou aquém (também grafada "acuen"). A população xavante soma, atualmente, cerca de 15 000 indivíduos distribuídos em 12 terras indígenas - todas localizadas no leste do estado de Mato Grosso, no Brasil, na Amazônia Legal:

Oito delas estão homologadas e registradas; duas encontram-se em processo de identificação; uma está reservada e registrada e uma está identificada, aprovada mas sujeita a contestação.[3] [4]

Atualmente, a população xavante no Brasil está em crescimento. Em 2009, era de aproximadamente 10 000 pessoas[5] Em 2010, segundo a Fundação Nacional de Saúde, era de 15 315 pessoas.[6] Tinham, como atividade predominante até a segunda metade do século XX, a caça, a pesca e a coleta de frutos e palmeiras. Formam, junto com os índios xerentes, um conjunto etnolinguístico conhecido na literatura antropológica como acuen ou aquém, pertencente à família linguística jê, do tronco macro-jê.[7] .

Pintam-se com jenipapo, carvão e urucum, tiram as sobrancelhas e os cílios, usam cordinhas nos pulsos e pernas e a gravata cerimonial de algodão. O corte de cabelo e os adornos e pinturas são marcadores de diferença dos xavantes em relação aos outros, transmitida através dos cantos pelos ancestrais e partilhados com todo o povo da aldeia.

História[editar | editar código-fonte]

Houve tentativas de integração com a sociedade nacional em meados do século XIX, mas optaram por distanciar-se, migrando entre 1830 e 1860 em direção ao atual estado do Mato Grosso, onde viveram sem serem intensivamente assediados até a década de 1930. Na década de 1990, os xavantes tiveram várias experiências novas com os "estrangeiros", como um intercâmbio realizado com a Alemanha, a implementação de um projeto de educação bilíngue e uma parceria musical com a banda de rock Sepultura em seu álbum "Roots".

Distribuição[editar | editar código-fonte]

A região onde vivem hoje tem grande rede hidrográfica formada pelas bacias dos afluentes dos rios Kuluene e Xingu e das Mortes e Araguaia. É dessa região de floresta tropical, mato e savana, com árvores baixas e altas, que os índios retiram o alimento e os materiais para seus artesanatos, armas, instrumentos musicais e as ocas, dispostas em forma circular. Ali, também buscam caças, frutos, palmeiras e pescados.

Devido à atual ocupação da região pelas culturas da soja e do gado, bem como outras monoculturas agrícolas, o uso de pesticidas e a diminuição das matas, seu modo de vida ligado à caça e à coleta tem mudado bastante. Muitas vezes, a "caça" e a "coleta" são deslocadas da mata para as cidades vizinhas, onde vão adquirir alimento e coisas dos "estrangeiros". Na literatura antropológica, os xavantes são conhecidos principalmente por sua organização social de tipo dualista, ou seja, trata-se de uma sociedade em que a vida e o pensamento de seus membros estão constantemente permeados por um princípio dual, que organiza sua percepção do mundo, da natureza, da sociedade e do próprio cosmos como estando permanentemente divididos em metades opostas e complementares.

Tradições e rituais[editar | editar código-fonte]

Sua tradição tem uma maneira própria de ser transmitida e transformada, através de relatos, rituais e ensinamentos. A escrita é uma necessidade para qual o povo xavante se adaptou, com o intuito de reivindicar seu espaço na sociedade nacional e internacional. Os xavantes têm uma organização supostamente dualista e essa percepção da vida como um todo divide tudo permanentemente em metades opostas e complementares, mas há outras formas de divisão coletiva e organização das relações, como em trios ou quartetos. Esta é a chave da cultura dos xavantes. Existe também a corrida de buriti, denominada de uiwede, uma corrida de revezamento em que duas equipes de gerações diferentes correm cerca de 8 quilômetros, passando um tora de palmeira de buriti de cerca de 80 kg de um ombro para o outro até chegarem ao pátio da aldeia.

Desde pequenos, os meninos formam grupos de idade semelhante. Quando chega o tempo certo, os mais velhos decidem a entrada no (casa tradicional, especialmente construída numa das extremidades do semicírculo da aldeia, para a reclusão dos wapté durante o período de iniciação para a fase adulta), onde os meninos vão viver reclusos, por cinco anos, até o momento de casar com uma moça escolhida para ele. Antes de os meninos entrarem para o , acontece a cerimônia do Oi'o, em que os meninos demonstram sua coragem, seus medos, sua fraquezas através da luta entre eles.

O ritual de furo de orelha acontece na passagem da adolescência para a vida adulta. Todo menino xavante, de 10 a 18 anos, passa por um período de reclusão de cinco anos na casa dos solteiros, onde o jovem permanece sem contato com a tribo. Nesse período, o jovem fica todo o tempo em uma casa, chamada , onde tem contato apenas com os padrinhos. Ele só deixa a casa para rituais e para atividades fora da aldeia, como caça e pesca.

Após os cinco anos, acontece, na aldeia, uma festa chamada Danhono, onde a orelha dos jovens é furada com um osso de onça-parda. Após o ritual, os jovens passam a ser considerados adultos e voltam ao convívio social com a tribo. Para os xavante, não existe contradição entre absorver elementos "estrangeiros" (como roupas, relógio, comida) e manter viva sua tradição.

Referências

  1. OLIVEIRA, Alexandra S.; CHAN, Fernanda Lopes; DECOENE, Yúlica O. Xavante: nossa história. Visitado em 24 de maio de 2009.
  2. Território no mundo A’uwe Xavante. Por Maria Lucia Cereda Gomide. Confins 11 | 2011 : Numero 11.
  3. FUNAI. Povos Indígenas. Etnias Indígenas. "Xavante"
  4. Instituto Socioambiental. Pesquisa por Povo. Xavante :: 12 Terras Indígenas
  5. SIL International. Xavantes. Visitado em 24 de maio de 2009.
  6. Xavante - Localização e população atual
  7. Xavante - Nome e língua.

Ver também[editar | editar código-fonte]

  • Datsi'a'uwẽdzé - vir a ser e não ser gente no Brasil Central [1].
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