Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia

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Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia
Datas das operações 1964 - atualmente
Líder Manuel Marulanda Vélez[1]
Raúl Reyes[2]
Iván Ríos[3]
Alfonso Cano[4]
Timoleón Jiménez[5]
Motivos Fundação de um estado socialista colombiano
Área de atividade  Colômbia
 Peru
 Venezuela
 Brasil
 Argentina
Paraguai
América Central
Ideologia Comunismo[carece de fontes?]
Tamanho ~ 8 000 combatentes (2013)[6]

Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (em espanhol: Fuerzas Armadas Revolucionarias de Colombia–Ejército del Pueblo), também conhecidas pelo acrônimo FARC ou FARC-EP, é uma organização de inspiração comunista, auto-proclamada guerrilha revolucionária marxista-leninista, que opera mediante táticas de guerrilha. Lutam pela implantação do socialismo na Colômbia[7] e defende o direito dos presos colombianos.[8] Apesar de não ser membro do Foro de São Paulo, que congrega partidos de esquerda da América Latina, as FARC já estiveram presentes em suas reuniões.[9] [10] Hoje, existe uma intensa cooperação ente a ELN e as FARC.[11]

As FARC são consideradas uma organização terrorista pelo governo da Colômbia, pelo governo dos Estados Unidos,[12] Canadá[13] e pela União Europeia [14] [15] . Os governos de Equador,[16] Bolívia[carece de fontes?], Brasil,[17] Argentina[18] e Chile[18] não lhes aplicam esta classificação. O presidente Hugo Chávez rejeitou publicamente esta classificação em Janeiro de 2008 e apelou à Colômbia como outros governos a um reconhecimento diplomático das guerrilhas enquanto "força beligerante", argumentando que elas estariam assim obrigadas a renunciar ao sequestro e actos de terror a fim de respeitar as Convenções de Genebra.[19] [20] Cuba e Venezuela adoptam o termo "insurgentes" para as FARC.[21]

A origem das FARC remontam as disputas entre liberais e conservadores na Colômbia, retratadas pela obra de Gabriel García Márquez "Cem Anos de Solidão", marcada por massacres, como o período da La Violencia. Em 1948, os liberais, com apoio dos comunistas, iniciam uma guerra civil contra o governo conservador. Após 16 anos de luta guerrilheira e a conquista de algumas reivindicações políticas, os liberais passaram a temer que a experiência cubana de 1959 se repetisse na Colômbia. Rompem com a esquerda e passam para o lado conservador.

Ao longo da história do grupo guerrilho, o Partido Comunista Colombiano teve relações mais próximas ou mais distantes com as FARC. Enquanto originaram-se como um puro movimento de guerrilha, a organização já na década de 1980 foi acusada de se envolver no tráfico ilícito de entorpecentes,[22] o que provocou a separação formal do Partido Comunista e a formação de uma estrutura política chamada Partido Comunista Colombiano Clandestino[23] .

As FARC-EP continuam a se definir como um movimento de guerrilha. Segundo estimativas do governo colombiano, as FARC possuem entre 6000 a 8000 membros, uma queda de mais da metade dos 16 000 em 2001[24] (aproximadamente 20 a 30% deles são recrutas com menos de 18 anos de idade[25] ). Outras estimativas disponíveis avaliam em mais de 18 000 guerrilheiros, números que as próprias FARC reclamaram em 2007 numa entrevista com Raul Reyes.[26]

As FARC-EP estão presentes em 15-20% do território colombiano, principalmente nas selvas do sudeste e nas planícies localizadas na base da Cordilheira dos Andes.[27] Segundo informações do Departamento de Estado dos Estados Unidos, as FARC controlam a maior parte do refino e distribuição de cocaína dentro da Colômbia, sendo responsável por boa parte do suprimento mundial de cocaína e pelo tráfico dessa droga para os Estados Unidos.[28]

Origem[editar | editar código-fonte]

Em 1964, temendo a radicalização da guerrilha camponesa, influenciada pela Revolução Cubana, os liberais, aliados aos Conservadores, enviam tropas ao povoado de Marquetália.

Inicialmente as FARC era composta por famílias camponeses e passa a receber crescentemente a influência do Partido Comunista Colombiano.

A depender do presidente, o governo colombiano apostou na negociação ou no confronto com as FARC-EP e outros grupos armados, obtendo relativo sucesso. Grupos como o EPL, o ERP, o Movimento Armado Quintín Lame e o M-19 depuseram armas e aceitaram os acordos de paz.

Em 1985, as FARC junto com outros grupos de esquerda integraram a União Patriótica, uma frente eleitoral orientada para a conquista de uma serie de reformas mínimas para a abertura democrática (reforma agrária, reforma urbana, democratização das forças armadas, fim da doutrina de Seguridade Nacional, respeito aos direitos humanos). Uma operação de extermínio por parte de grupos narcotraficantes e paramilitares, assim como organismos de segurança do Estado colombiano contra a UP se desenvolveu. Segundo o PCC a operação assassinou mais de 3000 militantes (entre eles os candidatos presidenciais Jaime Pardo Leal e Bernardo Jaramillo Ossa; o ex-secretario da Juventude Comunista Colombiana José Antequera; e dirigentes como Teófilo Forero e Manuel Cepeda Vargas).

No final de 1990, tropas do exército comandadas por César Garcia ignoraram as negociações de paz e atacaram a Casa Verde, sede do secretariado nacional das FARC-EP como parte da Operação Centauro II. O governo alegou falta de interesse por parte das FARC nas negociações, uma vez que facções do grupo continuavam a manter ações violentas. Em 10 de agosto de 1990, o líder e ideólogo Jacobo Arenas falece.

Em 3 de junho de 1991, reiniciam-se as negociações de paz em território neutro em Caracas e Tlaxcala, no México[29] .

Porém a violência não cessou, com ataques de ambos os lados, até que em 1993, as negociações cessaram por falta de acordo e a coordenação das FARC se dissolveu e os grupos guerrilheiros passaram a agir de forma independente. As FARC se dividiram em 70 frentes espalhadas pelo país, com efetivo entre 7000 e 10000 membros.

Antes do fim das negociações, um grupo de intelectuais colombianos, entre os quais o escritor premiado com o Nobel da Literatura Gabriel Garcia Marquez, escreveu uma carta à coordenação dos grupos guerrilheiros denunciando as consequência das ações das FARC-EP.[30]

De 1996 a 1998, as FARC efetuaram uma série de ações contra o exército colombiano, incluindo uma batalha de três dias em Mitú, departamento de Vaupés, aprisionando um expressivo número de soldados, e iniciam o processo de criação do Partido Comunista Colombiano Clandestino (PCCC).

Os Paramilitares[editar | editar código-fonte]

Em 2007, o governo Colombiano foi condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos pelo assassinato de 12 investigadores de direitos humanos, mortos por paramilitares de direita na localidade de La Rochela (norte) em 1989. Segundo Michael Camilleri, que trabalhou nesse processo para o Centro de Justiça e Direito Internacional "a sentença mostra que o Estado não só carecia da vontade de confrontar os paramilitares, mas que alguns oficiais se mancomunaram com eles contra os investigadores do próprio governo". [31]

Visão geral[editar | editar código-fonte]

As FARC-EP, o maior grupo paramilitar na América do Sul, eram dirigidas por um secretariado liderado desde março de 2008 por Alfonso Cano (morto em 2011),[32] e seis outros membros, incluindo o comandante militar Jorge Briceño, também conhecido por "Mono Jojoy". A "face internacional" da organização era representada por um outro membro do secretariado, "Raúl Reyes", morto durante o ataque do exército colombiano contra um campo das FARC no Equador em março de 2008.[33] Depois da morte de Cano, Timoleón Jiménez o substituiu na liderença das FARC em 5 de novembro de 2011.

As FARC estão organizadas segundo as linhas militares e incluem diversas frentes urbanas ou células de milícia. A organização adicionou o "-EP" (Ejército del Pueblo) ao seu nome oficial durante a sua sétima conferência em 1982 como expressão da expectativa de evolução de uma guerra de guerrilha a uma acão militar convencional, esboçada nessa ocasião.

As FARC-EP proclamam-se uma organização marxista-leninista de inspiração bolivariana.[34] Elas defendem o pobre agricultor na luta contra as classe favorecidas colombianas e se opõem à influência americana na Colômbia, particularmente o Plano Colômbia. Outros interesses das FARC incluem a luta contra a privatização dos recursos naturais, as corporações multinacionais, e as forças paramilitares. As FARC-EP dizem que estes objectivos motivam os esforços do grupo a tomar o poder na Colômbia por uma revolução armada.[22] [35]

Manuel Marulanda

As FARC-EP afirmam estarem abertas a uma solução negociada do conflito via um diálogo com um governo flexível, que aceitasse certas condições como a desmilitarização de territórios e a liberação de todos os rebeldes prisioneiros (e extraditados) do movimento.[36] Atualmente negocia a paz com o governo em Cuba.[37]

Críticas nacionais e internacionais caracterizam as FARC-EP como terrorista. Críticos ao movimento dizem que os métodos da organização desacreditam seus objetivos primeiros e sua ideologia. As FARC frequentemente atacam civis não envolvidos no conflito,[38] instalam minas antipessoais,[39] , mantém reféns para trocá-los contra ranções e por razões políticas, alguns com mais de 10 anos de cativeiro, e são responsáveis pelo deslocamento de milhares de civis atingidos pelo conflito.[40] O porta-voz das FARC Raul Reyes afirmou que elas sempre evitaram as casualidades civis, a não conscrição de civis e de soldados com menos de 15 anos, todavia ele reconhece que o uso de minas e morteiros são inerentemente perigosos à população civil.[41]

A Human Rights Watch estima que as FARC possuem a maioria das crianças-soldados na Colômbia, aproximadamente 20% a 30% dos guerrilheiros possuem menos de 18 anos.[42] Crianças que tentam escapar às fileiras podem ser punidas com tortura e morte por um pelotão de fuzilamento.[43] Quanto às mulheres membros, a Human Rights Watch constata que uma das razões pela qual elas integram a organização é a fim de escapar do abuso sexual. Mulheres guerrilheiras possuem as mesmas prerrogativas e chances de serem promovidas como os homens. Contudo, meninas na guerrilha ainda estão submissas às pressões sexuais. Mesmo que o violo e o molestamento sexual não seja tolerado, vários comandantes homens usam seu poder para ter relações sexuais com garotas de baixa idade. Meninas como de 12 anos são obrigadas a usar contraceptivos, e devem abortar caso fiquem grávidas".[43]

O Departamento de Estado dos Estados Unidos da América inclui as FARC-EP em sua Lista de Organizações Terroristas Estrangeiras, bem como a União Europeia. Ao todo, 31 países as classificam como grupo terrorista (Colômbia, Peru,[12] Estados Unidos,[12] Canadá[44] e a União Europeia[45] ). Os governos de outros países latino-americanos como Equador,[16] Bolívia[carece de fontes?], Brasil,[17] Argentina[18] , Uruguay e Chile[18] não lhes aplicam esta classificação. O governo da Venezuela solicitou que lhes outorgue o status de força beligerante e não lhes considerem um grupo terrorista.[46]

Presentes em 24 dos 32 departamentos da Colômbia[47] concentradas ao sul e leste do país, sobretudo nos departamentos e regiões do Putumayo, Huila, Nariño, Cauca e Valle del Cauca.[48] Foi reportada a existência de operações militares e acampamentos nos países que fazem fronteira com a Colômbia como a Venezuela,[49] [50] Equador,[51] Panamá[52] e Brasil.[52]

Estrutura[editar | editar código-fonte]

A cadeia de comando das FARC está dividida da seguinte forma:

  1. Estado-Maior Central, mais conhecido como o secretariado, é o órgão superior de direcção e de comando das FARC-EP. Os seus acordos, despachos e decisões imperam sobre toda a organização e os seus membros. O secretariado é quem nomeia os líderes de cada bloco, e restringe as áreas que cada bloco deve abranger.
  2. Bloco: grande unidade estratégica de gestão e controle do território. A Colômbia esta dividida em 7 blocos. Cada bloco é composto por cinco ou mais frentes.
  3. Frente: consiste entre 50 a 500 homens e controlam uma determinada zona do país.
  4. Coluna: é uma larga frente.
  5. Companhia: geralmente cerca de 50 homens, permanecem sempre juntos e são responsáveis pelas emboscadas e ataques surpresa contra forças governamentais.
  6. Guerrilha: consiste de dois pelotões.
  7. Pelotão: a unidade básica, composta por 12 combatentes.

Estado-Maior Central[editar | editar código-fonte]

O Estado-Maior Central é composto por nove figuras ideológicas e militares das FARC-EP. Há especulações de que algumas delas se encontram escondidos em território equatoriano ou venezuelano, o que tem levado a um aumento das operações militares próximas às fronteiras destes países. Outras especulações apontam para as áreas remotas do sudeste da Colômbia. Em março de 2006 o Departamento de Justiça dos Estados Unidos da América ofereceu cinco milhões de dólares por informações que conduzissem à captura de uma das 47 figuras principais das FARC, incluindo os membros do Secretariado.

Imagem Pseudônimo Nome Nota
Dinotirofijo.png Manuel Marulanda Vélez, "Tirofijo" (morto em maio de 2008) Pedro Antonio Marín Comandante en Jefe e fundador das FARC-EP.
Raulreyesfarc.png Raúl Reyes (morto num bombardeio) Luis Edgar Devia Silva Porta-voz tradicional das FARC e considerado o número 2 da organização, abatido no 1 de março de 2008.
Walber Tabosa, "El Chefon" Víctor Julio Suárez Rojas Considerado pelas forças governamentais como o Comandante do Tráfico em Anajás.
Timoleón Jiménez, "Timochenko" Rodrigo Londoño Echeverri Considerado o chefe da inteligência e da contra-inteligência da organização.
Cano.jpg Alfonso Cano (morto em novembro de 2011)[53] Guillermo León Sáenz Vargas Figura ideológica tradicional
IvanMarquez.jpg Iván Márquez Luciano Marín Arango Líder do Bloco Noroeste, substituiu Efraín Guzman, líder histórico falecido de causas naturais no ano de 2003.
Ivanrios.jpg Iván Ríos (assassinado por um subordinado) Manuel Jesús Muñoz Negociador de paz, chefe do Bloco Central "José María Cordoba", abatido por homens encarregados de sua proteção segundo informações do Ministério da Defesa colombiano.
Joaquín Gómez, "Usuriaga" Milton de Jesús Toncel Redondo Responsável do Bloco Sul, substituiu Raúl Reyes.
Mauricio Jaramillo, El Médico Wilson Valderrama Cano Substituiu Iván Ríos

Sequestros[editar | editar código-fonte]

Pesquisas de opinião pública indicam que as FARC possuem alta taxa de rejeição na Colômbia. O motivo de tal antipatia, supõe-se, é devido, além da defesa do fim da propriedade privada, ao fato de as FARC terem sequestrado seis mil pessoas nos últimos dez anos, mantendo-os em condições sub-humanas. No final de 2007 o grupo tinha perto de oitocentos reféns em cativeiro.[54]

Soldados adolescentes[editar | editar código-fonte]

As FARC são acusadas de recrutar adolescentes como soldados. A Human Rights Watch estima que as FARC possuem uma parte dos combatentes menores de idade na Colômbia. Estima-se que entre 20% a 30% dos combatentes da FARC têm menos de 18 anos, num total de aproximadamente 3500 combatentes adolescentes.[25] As FARC recrutam boa parte de seus novos membros entre garotos de 10 a 14 anos de idade. Após se embrenharem na selva, os jovens são isolados do mundo exterior, da família e perdem o próprio nome, substituído por um "nome de guerra".

As FARC e o governo de Álvaro Uribe[editar | editar código-fonte]

Parte considerável dos colombianos temem as Farc, muitos destes por considerá-las como grupo terrorista. Esse fato proporcionava alta popularidade ao então presidente da Colômbia, Álvaro Uribe. Desde o primeiro dia na presidência da Colômbia, Uribe investiu com firmeza – e tropas especiais treinadas com a ajuda dos Estados Unidos – na tarefa de recuperar o controle de seu país não apenas dos comunistas, mas também de outros narcotraficantes.

Quando assumiu o cargo, em 2002, estimava-se que a guerrilha comunista circulasse à vontade ou tivesse o controle efetivo de 40% do território colombiano. Essa área era basicamente de florestas e montanhas de difícil acesso. Seu governo empurrou os guerrilheiros aos grotões e conseguiu diminuir o número de sequestros aumentando o contingente policial e criando unidades especializadas em combater especificamente esse tipo de crime. Ao término de seu mandato, perdeu apoio, principalmente entre as minorias como indígenas e afrodescendentes.[55]

Com isso os índices de criminalidade colombianos atingiram em 2005 os níveis mais baixos em 20 anos.

Álvaro Uribe alcançou em agosto de 2008 uma popularidade de 91%.[56]

Há nele uma motivação pessoal nesta luta: seu pai foi assassinado pelas Farc em 1983..[57]

Enquanto isso, as FARC têm baixíssima popularidade. Segundo o Gallup, sua rejeição é de 93% e seu apoio é de 1%. Protestos mundiais para a libertação dos reféns reuniram mais de quatro milhões de pessoas (número estimado) e o próprio irmão do atual líder das FARC apelou para que os reféns fossem libertados.[58]

Raúl Reyes[editar | editar código-fonte]

Raúl Reyes, considerado o segundo membro mais importante da FARC,[59] foi morto em 1 de março de 2008 por um ataque das forças armadas da Colômbia/Morto em Combate.[33]

Era considerado o líder mais moderado na organização[60] e interlocutor da guerrilha com os Governos francês e equatoriano para a libertação da ex-senadora Ingrid Betancourt, refém das FARC desde 2002. Para alguns analistas e oposicionistas colombianos, entre eles o marido de Ingrid Betancourt, o assassinato de Reyes demonstrou o pouco interesse do Governo em viabilizar a libertação da ex-senadora, a única política de oposição à Uribe que teria viabilidade eleitoral contra um terceiro mandato consecutivo de Uribe.[61] Tal hipótese se mostrou fantasiosa quando o próprio governo, através das Forças Armadas, logrou a libertação de Ingrid Betancourt e mais 14 reféns em 2 de julho de 2008, numa operação que foi classificada por Betancourt como "perfeita".[62] Reyes afirmou em entrevista a Folha de São Paulo que se encontrou com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em um dos Foros de São Paulo, realizado em San Salvador. Afirmou também que durante o governo FHC as Farc possuíam uma delegação no Brasil[63]

A morte de Reyes aconteceu em território equatoriano e esta ação desencadeou uma crise diplomática entre a Colômbia, o Equador e a Venezuela.

Iván Ríos[editar | editar código-fonte]

Iván Ríos, cujo verdadeiro nome era Manuel Jesús Muñoz Ortiz, o mais jovem dos integrantes do Secretariado das FARC-EP foi morto por seus próprios soldados em 5 de março de 2008 na zona rural de Albânia, no departamento de Caldas, localizado no Noroeste do país.[64]

Os rebeldes desertores apresentaram ao Exército uma mão decepada do líder guerrilheiro, além de sua identidade, passaporte e computador pessoal.

Ataques no Brasil[editar | editar código-fonte]

Em 1991, um grupo de 40 elementos que se declararam membros das FARC invadiu o Brasil e atacou de surpresa um destacamento militar brasileiro de 17 homens, às margens do rio Traíra. Nesse ataque morreram três militares brasileiros e outros nove ficaram feridos. Todo o armamento, munições e equipamentos do posto foram apropriadas pelo grupo, do qual Vanderlei Vendrame era líder.[65]

Dias depois o exército brasileiro deflagrou a Operação Traíra com a finalidade de afastar os atacantes.

Proposta das FARC de governo[editar | editar código-fonte]

As FARC propõe 4 reformas nas negociações de paz das quais:[66]

  1. criação da assembleia nacional constituinte na Colômbia aprovada por referendo.
  2. Reforma fiscal.
  3. Reforma Agrária.
  4. Desprivatizar instituições públicas que foram concedidas a iniciativa privada

Ver também[editar | editar código-fonte]

Wikinotícias
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Referências

  1. Manuel Marulanda, Top Commander of Colombia’s Largest Guerrilla Group, Is Dead The New York Times. 26 de maio de 2008. Simon Romero
  2. Colombian Rebel Leader Raul Reyes Killed by Army, Minister Says Bloomberg Newsweek. 28 de março de 2008. Joshua Goodman.
  3. Saiba quem era Iván Ríos, o economista-guerrilheiro das Farc Uol. 7 de março de 2008
  4. Morre na Colômbia o chefe máximo das Farc, Alfonso Cano, diz governo
  5. Primeira entrevista com o máximo comandante das FARC-EP, Timoleón Jiménez 21 de setembro de 2012.
  6. Colombian soldiers die in clashes. BBC. Página visitada em 7 de janeiro de 2013.
  7. Entrevista com Hernán Ramírez
  8. FARC pide al Gobierno de Colombia permitir veeduría pública en cárceles 8 de fevereiro de 2013. Telesur.
  9. "Foro de São Paulo é tolerante com as Farc", Veja online de 23 de maio de 2008
  10. O Foro e as Farc, artigo de Clóvis Rossi na Folha de S. Paulo de 18 de maio de 2008
  11. FARC y ELN alcanzan acuerdo para finalizar confrontaciones entre sí 17 de setembro de 2010. Rebelion.
  12. a b c U.S. Department of State – Comprehensive List of Terrorists and Groups Identified Under Executive Order 13224
  13. Presidence of the Republic of Colombia – FARC, ELN and AUC in the list of terrorist groups of Canada
  14. European Union – FARC, ELN and AUC in the list of terrorist groups of E.U.)
  15. Article 2(3) of Regulation (EC) No 2580/2001 [1]. Visitado a 20 de fevereiro de 2008.
  16. a b Ecuador ratifica FARC no son terroristas
  17. a b FARC: Colombia y Brasil en desacuerdo
  18. a b c d Titanes en la Cumbre después de la batalla
  19. Chávez: Beligerancia a las FARC sólo bajo convenios de Ginebra
  20. Chávez proposal about the FARC creates deep analysis in Mexican press
  21. http://oglobo.globo.com/mundo/farc-eln-sao-insurgentes-nao-terroristas-diz-chavez-3852908 Farc e ELN são insurgentes, não terroristas, diz Chávez]O Globo. 11 de janeiro de 2008.
  22. a b BBC News. "Colombia’s most powerful rebels." 19 de setembro de 2003. Disponível online. Visitado a 7 de abril de 2007.
  23. Partidos de esquerda colombianos
  24. BBC News. "Colombia’s rebels: A fading force?" 1 de Fevereiro de 2008.Disponível online. Visitado a 4 de Fevereiro de 2008.
  25. a b Human Rights Watch. "Colombia: Armed Groups Send Children to War." 22 de fevereiro de 2005. [2]
  26. Interview with FARC Commander Raul Reyes. 12 de julho de 2007.
  27. Leonard, Thomas M.. Encyclopedia Of The Developing World. [S.l.]: Routledge, October-2005. p. 1362. ISBN 1-57958388-1
  28. Página do Departamento de Estado dos Estados Unidos onde é descrito o papel das FARC no tráfico internacional de cocaína
  29. «40 años de las FARC. Pág. 6: Otros acercamientos», en BBC Mundo.
  30. Carta de los intelectuales colombianos a la Coordinadora Guerrilla Simón Bolívar, in Nueva Sociedad 125: May-June 1993.
  31. [http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/ft1206200705.htm OEA condena Estado por ligação com paramilitares em massacre] Folha de São Paulo. 12 de junho de 2007.
  32. Morte de líder enfraquece as Farc
  33. a b Exército colombiano mata número dois das Farc Visitado em 6 de março de 2008.
  34. Miguel Urbano Rodrigues - "Las FARC reafirman la opción comunista y responden a campañas difamatorias.
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  44. FARC, ELN Y AUC, en la lista canadiense de grupos terroristas
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  46. Chávez pidió sacar a las FARC de la lista de organizaciones terroristas
  47. El País: Grupos ilegales tienen en riesgo las elecciones
  48. Acciones armadas
  49. Clarin - Colombia reitera que aportará pruebas sobre la presencia de líderes de las FARC en Venezuela
  50. Noticias Terra - Uribe entregó a Chávez datos sobre campamento FARC en Venezuela según radio
  51. BBC Mundo - Campamento de las FARC en Ecuador
  52. a b - La guerrilla colombiana se extiende a 5 países
  53. Exército colombiano mata líder máximo das Farc Folha.com (ed. de 5 de novembro de 2011)
  54. Entenda a situação dos reféns na Colômbia
  55. La bofetada de las FARC a Santos en Toribío. Página visitada em 9 de julho de 2013.
  56. "Los partidarios de Uribe dan el primer paso para su reelección como presidente" (em Espanhol). Heraldo de Aragón. Página visitada em 14 de Agosto de 2008.
  57. Veja.com - Perguntas e respostas - FARC
  58. (22 de Julho de 2008) "Give it up, brother tells FARC leader" (em Inglês). Herald Sun. Página visitada em 14 de Agosto de 2009.
  59. Perfil de Raúl Reyes, o 'número dois' das Farc Visitado em 6 de março de 2008.
  60. Revista Época - A América do Sul em guerra
  61. Uribe desejaria um terceiro mandato
  62. (2008-07-03) "Colombia hostage Betancourt freed" (em inglês). BBC. Página visitada em 2008-07-03.
  63. Entrevista de Raul Reyer à Folha de S. Paulo
  64. Ministro confirma que chefe das Farc foi morto por seus guardas
  65. Guerrilha na Amazônia
  66. FARC presenta cuatro propuestas para reformar Estado colombiano 24 de abril de 2013. Telesur.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]