Irajá (bairro do Rio de Janeiro)

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Irajá
Centro de Irajá (Avenida Monsenhor Felix, Estrada Padre Roser, Estrada Coronel Vieira). Ao fundo, igreja batista.
Bairro do Rio de Janeiro Bandeira do Município do Rio de Janeiro.png
Área: 747,78 ha (em 2003)
Fundação: 23 de julho de 1981[1]
IDH: 0,798[2] (em 2000)
Habitantes: 96 382 (em 2010)
Domicílios: 35 881 (em 2010)
Limites: Brás de Pina, Vila da Penha,
Vicente de Carvalho, Vaz Lobo, Turiaçu,
Rocha Miranda, Colégio, Coelho Neto,
Acari, Pavuna, Jardim América,
Vigário Geral, Parada de Lucas,
Cordovil e Vista Alegre[3]
Região Administrativa: XIV Região administrativa (Irajá)
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Irajá é um bairro de classe média da Zona Norte do município do Rio de Janeiro, no estado do Rio de Janeiro, no Brasil. É cortado pela Avenida Brasil. É um bairro de porte médio, com quase 100 000 habitantes. Faz divisa com os bairros de Brás de Pina, Vila da Penha, Vicente de Carvalho, Vaz Lobo, Turiaçu, Rocha Miranda, Colégio, Coelho Neto, Acari, Pavuna, Jardim América, Vigário Geral, Parada de Lucas, Cordovil e Vista Alegre.[4] Seu índice de desenvolvimento humano, no ano 2000, era de 0,798, o 95º melhor da cidade do Rio de Janeiro.[5]

Topônimo[editar | editar código-fonte]

O significado da palavra irajá, segundo Teodoro Fernandes Sampaio, é "o mel brota". A etimologia proposta por Eduardo de Almeida Navarro é semelhante: "que está repleto de mel", através da junção de eíra (mel) e îá (totalidade, repleção).[6] A região de Irajá, como quase todo o território do atual município do Rio de Janeiro, era habitada pelos índios tupinambás. Existe um registro histórico de uma aldeia tupinambá na Zona Norte do Rio de Janeiro com o nome "Irajá". Teodoro Fernandes Sampaio se referiu ao vocábulo irajá e à abelha maduriá tendo, como base, a etimologia do nome de uma localidade homônima no sul do Brasil.

Irajá não é o nome original da região. A região entre os deságues dos rios atualmente chamados Irajá e Meriti era chamada, pelos nativos, de Mby-ry-ty, que permanece hoje como Meriti num rio, numa cidade e numa avenida da região. O nome Irajá (ira-ia-já), "Lugar que dá (faz) mel", teve origem com os índios que ali foram empregados no trabalho dos engenhos de açúcar, que, desconhecendo o produto, atribuíam ser semelhante a mel por ser coisa doce. Os primeiros colonos de origem portuguesa da região, como na antiga cidade de São Paulo, no seu coloquial usavam a língua geral compilada pelos jesuítas, motivo pelo qual o nome tornou-se usual.[carece de fontes?]

História[editar | editar código-fonte]

Vista do bairro de Irajá
Igreja de Nossa Senhora da Apresentação, em torno da qual foi formado o bairro
Brasão do bairro do Irajá
Prédio do antigo Cine Irajá, onde, atualmente, se localiza a igreja Universal do Reino de Deus
Centro de Irajá (Avenida Monsenhor Felix, Estrada Padre Roser, Estrada Coronel Vieira). Ao fundo, igreja batista.
Hospital Municipal Francisco Silva Telles, na Praça Nossa Senhora da Apresentação
Central de abastecimento do Rio de Janeiro, localizada na Avenida Brasil
Estação de Metrô de Irajá

Até o século 16, a região era ocupada pelos índios tupinambás. Nesse século, houve a conquista portuguesa da região e a sua divisão em sesmarias. O bairro teve origem na maior sesmaria do Rio de Janeiro, que ia de Benfica, passando por Anchieta, até Campo Grande. Ela foi recebida por Antônio de França em 1568, que, nela, fundou o engenho de Nossa Senhora da Ajuda. Um dos primeiros proprietários de terra da região foi o reverendo Antônio Martins Loureiro, fundador da igreja da Candelária. Ele as recebeu em 2 de abril de 1613. Por sua vez, Gaspar da Costa, em 1613, foi responsável pela construção da capela barroca de Irajá.

O filho de Gaspar, em 30 de dezembro de 1644, instituiu a paróquia Nossa Senhora da Apresentação de Irajá e, posteriormente, foi seu primeiro vigário. A paróquia veio a se tornar a igreja Matriz do bairro, confirmada por alvará de dom João IV em 10 de fevereiro de 1647. Em 1625, o chamado campo de Irajá foi devidamente reconhecido como pertencente à câmara municipal.

Durante o século XVII, Irajá foi um centro de abastecimento importante de alimentos e de material de construção. O que pode ser considerado como tradição do mercado local por ele ter abrigado, por vários anos, a fábrica de cimento branco Irajazinho e a Central de Abastecimento do Rio de Janeiro, importante ponto de venda de gêneros alimentícios. Em 1775, havia treze engenhos na região, todos com mão de obra escrava. Como outras sesmarias, a de Irajá foi desmembrada, moldando o mapa da cidade que hoje conhecemos. Atualmente, o bairro é, essencialmente, um bairro residencial. As famílias tradicionais do Irajá são: Bral, Campos, Gamas, Borges, Matos, Tavares e Esteves.[carece de fontes?]

Cronologia simplificada[editar | editar código-fonte]

  • 1613 – Construída a capela de Nossa Senhora da Apresentação de Irajá;
    • 1644 – Criada a freguesia de Nossa Senhora da Apresentação de Irajá (padre Antonio de Marins Loureiro);
    • 1647 – Padre Gaspar da Costa foi indicado como o primeiro vigário da freguesia;
    • 1883 – Inauguração da estação de Irajá da estrada de ferro Rio d'Ouro;
    • 1895 – Fundado o cemitério municipal de Irajá;
    • 1911 – Inaugurada a linha de bonde, puxado a burros, Madureira-Irajá;
    • 1912 – Fundado o Irajá Atlético Clube;
    • 1924 – Início do loteamento dos terrenos da Sociedade Condomínio Irajá
    • 1926 – Desmembramento de Realengo e Madureira do distrito municipal de Irajá;
    • 1928 – fundada, em 13 de maio de 1928, a igreja Metodista de Irajá (primeira igreja protestante do bairro);
    • 1934 - Fundação da Primeira Igreja Batista de Irajá;
    • 1936 – Inaugurada a escola municipal Mato Grosso;
    • 1941 – Inaugurado o Cine Irajá;
    • 1962 – Criada a XIV Região Administrativa;
    • 1967 – Fundado o Grêmio Recreativo Bloco Carnavalesco Boêmios de Irajá;
    • 1993 – Fundação da Academia Irajaense de Letras e Artes
    • 1998 – Inaugurada a atual estação Irajá do Metrô;
    • 2001 – Fundação do Clube do Del Rey;
    • 2003 – Fundação do Irajax Futebol Clube;
    • 2010 - Fundação do Moto Grupo Fantasma de Irajá - O espírito que anda;
    • 2011 - Inauguração do Via Brasil Shopping.

Brasão[editar | editar código-fonte]

O brasão do bairro de Irajá é composto de:

  • Cinco torres douradas, refere-se à categoria Rio de Janeiro, como capital.
  • Dois golfinhos – indicam que o bairro de Irajá está localizado numa cidade marítima.
  • Abelha [campo superior esquerdo] – dá o significado de denominação local.
  • Campo superior Direito – Igreja de Nossa Senhora da Apresentação de Irajá, dando a definição de ser um povoado católico em sua maioria.
  • Campo inferior esquerdo – brasão de armas do bispo Conde de Irajá.
  • Campo inferior direito – escudo português – descobridores e colonizadores.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Estrutura administrativa[editar | editar código-fonte]

Irajá é a sede da XIV Região Administrativa (R.A.), compreendendo também os bairros vizinhos de Vila Kosmos, Vicente de Carvalho, Vila da Penha, Vista Alegre, Irajá e Colégio. A XIV R.A., por sua vez, está subordinada à Subprefeitura da Zona Norte, com sede em Guadalupe.

Educação[editar | editar código-fonte]

  • Unidades escolares públicas municipais (2003): 27
  • Unidades escolares públicas estaduais (2002): 7

Produtos e serviços[editar | editar código-fonte]

Como bairro residencial, o mesmo conta com muitos serviços visando ao mercado local:

  • Shopping Via Brasil
  • Supermercados de grande porte e redes de fast food;
  • O bairro conta com um grande número de lojas de automóveis usados, a maioria localizadas na avenida Monsenhor Félix;
  • Cursos de idiomas, um número considerável de padarias e drogarias, autoescolas e lojas de hortifrúti;
  • Hospitais e postos de saúde, com destaque ao hospital municipal Francisco Silva Telles ou PAM de Irajá, na praça Nossa Senhora da Apresentação;
  • Posto da Oi;
  • Agências dos Correios
    • Rua Hanníbal Porto, 450 (no prédio da Telemar);
    • Rua Marquês de Aracati, 51 - Estrada da Água Grande
  • Agências dos principais bancos brasileiros.

Há, ainda, produtos e serviços que servem a cidade em geral:

Transportes[editar | editar código-fonte]

Pode-se chegar ao bairro através do metrô (linha dois), na Avenida Pastor Martin Luther King Júnior. A Estação de Irajá, aberta em 1883 pela E. F. Rio D’Ouro, era situada onde hoje fica a estação de metrô com o mesmo nome. No período entre essas estações, chegou a ser construído no local um prédio que durou por vários anos.

Inaugurada em setembro de 1998, com o processo de expansão do metrô para a Baixada Fluminense, a Estação Irajá foi construída no encontro das avenidas Pastor Martin Luter King Jr. e Monsenhor Félix, as mais importantes do bairro. É apontada como a futura estação de integração entre as linhas dois e seis do metrô.

Estação de Irajá:

Precedido por
Vicente de Carvalho
Metrô do Rio - Linha 2
Irajá
Sucedido por
Colégio
Precedido por
Vaz Lobo (em estudo)
Metrô do Rio - Linha 6
Irajá
Sucedido por
Brás de Pina (em estudo)

Principais vias:

  • avenida Brasil (liga o Centro do Rio à Zona Oeste);
  • Estrada Padre Roser (liga a avenida Monsenhor Félix ao largo do Bicão);
  • Avenida Monsenhor Félix (começa na praça da Igreja de Nossa Senhora da Apresentação, ligando com o bairro de Vaz Lobo);
  • Avenida Pastor Martin Luther King Júnior (antiga avenida Automóvel Clube, extensa via que corta quase todo subúrbio do Rio, fazendo cruzamento com a avenida Monsenhor Félix);
  • Estrada da Água Grande (liga o bairro de Vista Alegre à avenida Monsenhor Félix);
  • Rua Hanníbal Porto (liga a estrada da Água Grande à avenida Brasil, terminando no trevo das Margaridas).
  • Estrada do Portinho (liga a avenida Monsenhor Félix, próximo ao supermercado Guanabara e à praça Nossa Senhora da Apresentação)
  • Estrada Coronel Vieira (liga a avenida Pastor Martin Luther King Júnior com o centro de Irajá)
  • Estrada do Colégio (liga a praça Nossa Senhora da Apresentação, próximo ao supermercado Guanabara e o supermercado Mundial com a estação de Colégio, já no bairro de Colégio)
  • Rua Guirareia (liga a avenida Monsenhor Félix (Irajá) à estrada do Barro Vermelho (Colégio), sendo endereço do colégio Percepção)

Cultura[editar | editar código-fonte]

Este centro de compras, lazer e entretenimento está localizado no Trevo das Margaridas. O shopping foi desenvolvido estrategicamente entre duas principais vias de acesso à cidade do Rio – Avenida Brasil e Rodovia Presidente Dutra – e possui sob sua área de influência uma população de cerca de 1 milhão de habitantes. Tem lojas do Ponto Frio, Leader, C&A, Centauro, Marisa e Casas Bahia, uma praça de alimentação, com marcas de redes de fast food Spoleto, Burguer King, Mc Donald's e os restaurantes Boteco do Manolo e Botequim Informal, entre outros.

A região, que sofria com a escassez de entretenimento, também ganha um centro de lazer completo com: teatro, seis salas de cinema multiplex 100% digitais da rede Cinesystem (sendo duas com a tecnologia 3D), e as atrações do Philadelfia Park & Games que englobam quatro pistas de boliche e mais de 40 máquinas de diversão eletrônica. O empreendimento abriga, ainda, um estacionamento com vagas cobertas com capacidade para 2.850 veículos e 34 mil metros quadrados de ABL (área bruta locável). O shopping é administrado pela BRMALLS.

Áreas de lazer[editar | editar código-fonte]

  • Praça Nossa Senhora da Apresentação;
  • Praça 27 de Agosto;
  • Praça Henrique Lavoie Junior, também conhecida como Campão;
  • Rua José Sombra;
  • Praça Ferreira Souto;
  • Praça Conego Monteiro, próxima a Avenida Brasil. A quadra é conhecida como a "La Bombonera de Irajá" em alusão ao estádio do clube argentino Boca Juniors. A quadra é sede dos jogos do time do Clube do Del Rey.
  • Campo do Milionário (IAPC de Irajá)

Música[editar | editar código-fonte]

Na música, o bairro tem várias citações. Desde a marcha do Caracol, onde o compositor pensa em morar na região, e Murilo Caldas, com "A bandinha do Irajá", gravada por Marlene, a rainha do rádio. Passando por Zeca Pagodinho, nascido no bairro, que faz citações em músicas como "Quem é ela?" e "Se eu sorrir, tu não podes chorar". Indo por Jorge Aragão, na sua "De Paris a Irajá", trocando Paris pelo bairro. E Dudu Nobre, que, em "Saí no rolé", também deu uma passada pela região.

Nei Lopes antigo morador do bairro, que fez um hino ao bairro: Samba de Irajá, onde ele fala: "... É isso aí, ê Irajá, meu samba é a única coisa que posso lhe dar..." que Dorina (cantora), outra moradora de IAPM de Irajá, regravou.

Chico Buarque, em "Subúrbio", também lembrou das casas simples do bairro, assim como de sua cultura.

Fausto Fawcett teve a sua diva com "Kátia Flávia, a godiva do Irajá", música de sua autoria em parceria com Laufer.

Claudinho e Buchecha, em "Nosso sonho", esteve admirando o bairro.

Televisão[editar | editar código-fonte]

No humorístico Plantão de Notícias, com o supositório Nakilolá, o melhor do Caju a Irajá.

A série Pé na Cova, exibida pela Rede Globo, girava em torno da história da Família Pereira, proprietária da agência funerária "FUI", junto com seus amigos e vizinhos, ambientada toda no bairro do Irajá.

Está localizado no bairro o complexo de Água Grande, local onde a extinta Rede Manchete filmava suas produções.

Teatro[editar | editar código-fonte]

No teatro, Irajá teve citação na peça "Greta Garbo, quem diria, foi parar no Irajá", onde um homossexual que sonhava ser Greta Garbo é enfermeiro e morador do bairro.

Datas comemorativas[editar | editar código-fonte]

  • 19 de junho - Aniversário de fundação da Academia Irajaense de Letras e Artes.
  • 21 de novembro, quando, pela tradição antiga, é a Nossa Senhora da Apresentação festejada, conforme incluso no Missal Cotidiano – Completo – 1936 – Ano do II Congresso Eucarístico no Brasil, reimpresso pela Impressora Beneditina Limitada.– Salvador/Baía – Dom Beda Keckeisen – Ordem de São Bento de 27 de novembro de 1954, cortesia da Acadêmica da Academia Irajaense de Letras e Artes, Jarnete Ferreira Soares/RJ.
  • 30 de dezembro - Aniversário da paróquia Nossa Senhora da Apresentação de Irajá, dia que a imagem, vinda de Portugal em 1644 na Igreja se estabeleceu, segundo declarações do Padre Antonio de Freitas, então vigário de Irajá e do padre Januário Tolomey - Rio Illustrado de 1937.

Personalidades[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências