Zona da Mata

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Sub-regiões do Nordeste: 1 Meio-norte,
2 Sertão, 3 Agreste e 4 Zona da Mata

A Zona da Mata é uma sub-região costeira da Região Nordeste do Brasil que se estende do estado do Rio Grande do Norte até o sul da Bahia, formada por uma estreita faixa de terra para os padrões continentais do Brasil. O nome “Zona da Mata” deve-se à Mata Atlântica que originalmente cobria a região mas atualmente está quase extinta.

É a zona mais urbanizada, industrializada e economicamente desenvolvida da Região Nordeste. Latitudinalmente pode ser sub-dividida em setentrional (polarizada pelo eixo Natal-João Pessoa), central (polarizada pelo eixo Recife-Maceió) e meridional (polarizada pelo eixo Salvador-Aracaju). Sua área concentra seis das nove capitais da região (Natal, João Pessoa, Recife, Maceió, Aracaju e Salvador).

A Zona da Mata é bem dotada de vias de comunicação rodo-ferroviárias e é servida por importantes rodovias federais, como a BR-040 (duplicada desde Juiz de Fora até a cidade do Rio de Janeiro), a BR-267, BR-262, BR-393. Duas importantes ferrovias que servem a região: a Ferrovia do Aço e a Ferrovia Centro-Atlântica.

História[editar | editar código-fonte]

O povoamento desta região é muito antigo, sendo ocupada por vários povos paleo-índios até que por volta do século XV levas migratórias de povos de línguas tupi ocuparam o litoral.

Esta região foi muito disputada inicialmente por franceses e portugueses na sua parte mais ao norte acima de Olinda, depois por holandeses e espanhóis durante a União Ibérica. E só mais de um século e meio depois da sua descoberta pelos portugueses seria finalmente por estes controlada plenamente.

Na época colonial, instalou-se nessa área o empreendimento de exportação das indústrias de açúcar. As condições ecológicas eram ideais para o cultivo da cana. Os solos, férteis e escuros conhecidos como massapê, cobrem os vales dos rios, que ficaram conhecidos como "rios do açúcar". Vários desses rios são intermitentes, pois suas nascentes localizam-se no interior tropical semiúmido de altitude.

Cronologia por século[editar | editar código-fonte]

  • XV: A zona da Mata é uma das primeiras regiões do país a serem descobertas pelos europeus.
  • XVI: A zona da Mata se torna o motor da economia mercantil do Brasil, graças a exportação de açúcar.
  • XVII: As invasões holandesas criam em parte da Zona da Mata uma civilização atípica os vizinhos então iberizados denominada América Holandesa ou Nova Holanda. Suas principais cidades são Frederickstaad, Mauristaadt e Nova Amsterdam. A zona da Mata perde a supremacia pecuarista para o Sertão.
  • XVIII: Guerra dos Mascates.
  • XIX: O ciclo do açúcar começa a apresentar sinais de decadência graças ao açúcar da beterraba. O algodão passa a emergir como força econômica na região graças a guerra civil nos EUA. O Sertão e Agreste nessa altura ganham um novo peso pós-pecuaria com o agravante da queda do açúcar mas graças aos portos de escoamento importante pólo comercial e proto-industrial.
  • XX: Regional, a Zona da Mata passa a ser o principal núcleo industrial e comercial do Nordeste Sulamericano.
  • XXI: Superando certa estagnação e decadência das últimas décadas do século XX, a Zona da Mata passa a crescer acima da média do país.[carece de fontes?]

Geografia[editar | editar código-fonte]

A vegetação original na zona da mata era predominantemente Mata Atlântica. É uma área com alto nível de urbanização, além de concentrar os principais centros regionais do Nordeste. No setor agrícola, destaca-se as grandes propriedades de tabaco, cana-de-açúcar e cacau. Existe uma larga produção agrícola, devido ao solo fértil (massapê). Nas últimas décadas dessa região, tem ocorrido crescimento industrial impulsionado por incentivos fiscais estaduais...

Seu clima é tropical úmido com temperaturas que rondam entre os 20 e os 30 graus positivos, pouco descendo abaixo dos 20 graus, embora nas longitudes menos costeiras temperaturas abaixo dos 20 graus não sejam tão incomum, graças a continentalidade sem a influência maior das correntes marinhas equatoriais e tropicais. Também sobe pouco acima dos 30 graus, ao contrário do bioma sertão na mesma latitude e outros biomas de latitude e umidade similar no sudeste asiático.

  • Se estende do litoral a 200 km para o interior.
  • Apresenta regularidade de chuva.
  • Culturas: cana-de-açúcar, cacau, tabaco e lavoura de subsistência.

Costa[editar | editar código-fonte]

A zona da mata nordestina possui a maior variedade costeira do Brasil indo desde a costa de dunas no RN, passando pela costa das falésias na PB, costa dos arrecifes em PE, costa das lagunas ou região dos lagos que deu nome ao estado alagoano, praias de planícies e extensos coqueirais em SE e grandes recortes costeiros de água morna o ano inteiro na Bahia e outros estados. Há também zonas de transição entre tais tipos de costa e também "ilhas" de um tipo "infiltradas" na zona de outro padrão costeiro.

Demografia[editar | editar código-fonte]

Capitais da Zona da Mata vistas à noite a partir do espaço.

As cidades mais emergentes da Zona da Mata são as suas menores sedes metropolitanas (e no caso de Aracajú não apenas a sede da metrópole ainda não alcançou seu primeiro milhão de habitantes), já que o crescimento desordenado nas últimas décadas trouxe demasiados problemas a Salvador e Recife comparáveis aos enfrentados pelas duas maiores capitais do Sudeste. As regiões metropolitanas de Natal, João Pessoa e Maceió são importantes centros urbanos desta zona geográfica, tendo as três população superior a um milhão de habitantes. As regiões metropolitanas de João Pessoa e Aracaju foram as que mais cresceram na sub-região segundo o último censo; a primeira na zona da mata setentrional e a segunda na zona da mata centro-meridional.

Na última década, segundo o IBGE, a Região Metropolitana de João Pessoa ultrapassou a de Maceió em população, tornando-se a quarta maior desta zona geográfica. A Região Metropolitana de Natal é o terceiro maior aglomerado urbano da Zona da Mata, após as regiões metropolitanas do Recife e de Salvador. De acordo com o último censo, Natal cresceu muito no meio da última década, mas desacelerou seu crescimento com o estouro da bolha imobiliária e a crise externa de 2007, já que dependia da captação de moeda externa dos investidores de fora em seus imóveis e setor turístico. Ao mesmo tempo capitais da zona da mata de porte similar que não dependiam tanto do capital externo quanto Natal no seu setor imobiliário e turístico, seguiram padrões divergentes. Enquanto Maceió cresceu menos e foi ultrapassada como região metropolitana, João Pessoa e Aracajú mantiveram alto crescimento, conseguindo a primeira crescer mais no Nordeste Setentrional e Oriental e a segunda chegar cada vez mais próximo do seu primeiro milhão de habitantes na sua metrópole. Ambas cresceram mais de 22,5% na última década segundo a revista Veja.

Assim dentro da Zona da Mata, há a Zona Açucareira, Recôncavo Baiano (zona do tabaco) e Zona do Cacau.

Economia[editar | editar código-fonte]

Salvador, terceira maior cidade do Brasil e maior cidade do Nordeste.
A Região Metropolitana do Recife é o maior aglomerado urbano do Nordeste brasileiro e da Zona da Mata.

No início da colonização, a Zona da Mata não era dominada completamente pelas plantações de cana. A população das cidades e das fazendas necessitava de alimentos. Por isso, uma parte das terras ficava reservada para cultivo de milho, mandioca, feijão e frutas. Também existiam pastagens para a criação de gado. Essas terras eram os tabuleiros, áreas um pouco mais elevadas situadas entre os vales de dois rios sub tropicais como no sul

Como os solos dos tabuleiros são menos úmidos e mais pobres que o massapê, não eram usados para o plantio da cana. Assim, inicialmente, toda a produção agrícola e até a pecuária localizavam-se na faixa úmida do litoral, onde se instalaram sítios familiares produtores de alimentos e fazendas de gado.

Porém, a produção de cana crescia à medida que aumentavam as exportações de açúcar para a Europa. As sesmarias se dividiam entre os herdeiros dos primeiros proprietários. Cada um deles criava novos engenhos, que necessitavam de mais cana.

Muita coisa mudou na agricultura da Zona da Mata desde a época colonial. A escravidão deu lugar ao trabalho assalariado dos bóias-frias. Os antigos engenhos foram substituídos por usinas de açúcar e álcool. Mas a cana-de-açúcar permaneceu como produto principal da faixa litorânea do Nordeste.

Mas a cana-de-açúcar não é a única cultura da Zona da Mata. No litoral da Bahia, principalmente na área do Recôncavo Baiano, nas proximidades de Salvador, apareceram importantes culturas de tabaco. No sul da Bahia, na área das cidades de Ilhéus e Itabuna, concentraram-se as fazendas de cacau. Além disso, a produção de frutas vem adquirindo importância na Zona da Mata. Há várias frutas nativas do Nordeste - como o caju, o cajá, a mangaba e a pitanga - que servem para fazer deliciosos sucos e doces. Outras frutas, provenientes das áreas tropicais do Oriente - como a graviola, a jaca e a manga - adaptaram-se muito bem aos solos e climas nordestinos, destacando-se que a estabilidade da temperatura (que em geral varia entre 25°C e 30°C) na região é um aspecto positivo importante.

A Zona da Mata é também a sub-região mais industrializada do Nordeste brasileiro, sendo a Região Metropolitana do Recife e a Região Metropolitana de Salvador as áreas em que a indústria é mais forte e diversificada.

Destaca-se a produção de aços especiais, produtos eletrônicos, equipamentos para irrigação, barcos, navios, cascos para plataformas de petróleo, chips, softwares, automóveis, baterias e produtos petroquímicos, além de produtos de marca com valor agregado.

O Polo Petroquímico de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, é o maior complexo industrial integrado do Hemisfério Sul. Abriga, entre outras empresas, uma fábrica da Ford, a primeira montadora de automóveis da Região Nordeste.

O Complexo Industrial Portuário de Suape, na Região Metropolitana do Recife, abriga empresas como o Estaleiro Atlântico Sul (maior estaleiro do Hemisfério Sul) e central de logística da General Motors. A Fiat lançou em Suape, no final de 2010, a pedra fundamental de sua nova fábrica, a terceira da marca na América Latina. A pedra fundamental da Refinaria Abreu e Lima foi lançada em 2005.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Caranguejo da Rua da Aurora representando o gênero musical manguebeat, criado em Recife nos anos 90.

A Zona da Mata nordestina foi o berço dos principais ritmos do país a exemplo do frevo, maracatu, samba de roda do recôncavo, bossa nova, axé, arrocha e outros. O trio elétrico também tem origem na zona da Mata, como também alguns intérpretes da música brasileira tais como Caetano Veloso, Maria Betânia, Alceu Valença, Marina Elali, Herbert Viana e muitos outros.

O samba de roda foi transferido duas vezes do recôncavo ou zona da mata meridional para o Rio de Janeiro. Primeiro na transferência de mão de obra dali para a zona cafeeira em Vassouras, mas essa transferência acabou ficando apenas no interior e não chegando a capital. Na segunda leva migracional já na primeira República a que realmente transferiu esse tipo de percussão para tal cidade.

Carnaval

Há vários carnavais notórios ocorrem na zona da mata nordestina como em Olinda, Salvador, Recife (Galo da Madrugada), João Pessoa e Maceió.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Commons
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