Região geoeconômica Nordeste do Brasil
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A Região geoeconômica do Nordeste do Brasil é a área de povoamento mais antigo e atualmente é a segunda do país em população (42.822.100 habitantes em 1990). Tem uma área de aproximadamente 1.542.271 km². Inclui todo o Nordeste da divisão oficial (menos a metade oeste do Maranhão) e o norte de Minas Gerais onde se localiza a região do Vale do Jequitinhonha.
A maior parte de seu território é formada por extenso planalto, antigo e aplainado pela erosão. Em função das diferentes características físicas que apresenta, a região encontra-se dividida em quatro sub-regiões: meio-norte, zona da mata, agreste e sertão.
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[editar] Geografia
[editar] Relevo
O relevo nordestino é caracterizado por planaltos, depressões e planícies. Na porção oeste, estão localizados os Planaltos e Chapadas da bacia do rio Parnaíba (Chapada Diamantina), na região central, está a depressão que ocupa a maior parte do Nordeste, causada pelo rio São Francisco, no litoral estão as planícies e tabuleiros, e, numa parte leste (mas não no litoral), está o planalto da Borborema, que é um dos principais responsáveis pela seca (impede as chuvas de chegarem ao sertão), na divisa entre os estados do Ceará, Pernambuco e Piauí está a Chapada do Araripe.
[editar] Hidrografia
A rede fluvial do Nordeste é composta por muitos rios temporários, que secam durante boa parte do ano. O rio principal, o Rio São Francisco, é um dos maiores do Brasil, e corta desde o sul da região, passa pelo interior e deságua no Oceano Atlântico. Ele é de extrema importância para o nordeste, pois é a salvação para milhões de habitantes do sertão nordestino. Também é muito utilizado para transporte de cargas e pessoas, irrigação de lavouras.
[editar] Clima
Existem cerca de quatro climas predominantes: o tropical litorâneo que fica no litoral do Nordeste, o tropical que fica entre o semi-árido e o litoral, o semi-árido que predomina na maior parte da região e o meio-norte localizado na parte oriental do Maranhão.
O clima nordestino é predominantemente tropical, em razão da proximidade com a linha do equador. O relevo contribui para a formação do clima semi-árido na região central, e no litoral encontramos o clima tropical úmido.
O clima tropical é caracterizado por médias de temperaturas muito elevadas, e com muitas chuvas numa parte do ano, e seca na outra parte. O semi-árido é um clima de altas temperaturas, e poucas chuvas, distribuidas de formas irregulares durante o ano. Também conhecido como polígono das secas, é a região mais "famosa" e problemática do nordeste (talvez do Brasil).
[editar] Vegetação
O complexo Regional do Nordeste tem uma vegetação que reflete quase que fielmente as características climáticas. Na área em que o clima é o tropical, com altas temperaturas o ano todo, e uma estação de seca e outra chuvosa, a vegetação encontrada é a de cerrado, caracterizada por árvores de pequeno porte e arbustos.
Na faixa de terra em que encontramos o clima semi-árido, está a caatinga, bioma considerado exclusivo do Brasil. As altas temperaturas e a pouca quantidade de chuvas faz com que a vegetação tenha um aspecto semi-desértico, com cactos e plantas adaptadas às estiagens (xerófilas, herbáceas, arbustos, etc). A caatinga é também vegetação variada, encontrando-se formas de vegetação mais herbáceas, arbustivas ou arbóreas, a depender das condições climáticas e de solo da região.
Na zona oeste encontramos a Mata dos Cocais, onde a proximidade com o clima equatorial ajuda um maior desenvolvimento das plantas. Uma das fontes de renda das pessoas dessa região é a extração de babaçu (das palmeiras de babaçu) e os coqueiros de carnaúba.
Por final, no litoral, onde o clima dominante é o tropical úmido, caracterizado por altas temperaturas também, e altas taxas pluviométricas (em decorrência da grande evaporação de água, por conta do calor). Nela está o tipo de vegetação mais devastado do Brasil, a Mata Atlântica. Nessa mata fechada, há (ou havia) árvores com madeira de alta qualidade (como o Pau-Brasil), para exportação e consumo interno dos nobres.
[editar] Demografia
A região é a mais pobre do país. Cerca de 50,12% da população tem renda familiar de meio salário mínimo. De acordo com levantamento do UNICEF divulgado em 1999, as 150 cidades com maior taxa de desnutrição do país estão no nordeste. Nelas, 33,66% das crianças menores de 5 anos, são desnutridas (mais de um terço).
A Região geoeconômica Nordeste do Brasil é a segunda mais populosa, sua população chega a quase 48 milhões de habitantes tendo uma densidade superior a 30 hab/km² nas principais cidades, e a maior parte da população de concentra na zona urbana (60,6%).
As maiores cidades da região, em termos populacionais, são: Salvador, Fortaleza, Recife, São Luís, Maceió, Teresina, Natal, João Pessoa, Jaboatão dos Guararapes, Feira de Santana, Aracaju, Olinda, Campina Grande, Caucaia, Paulista, Vitória da Conquista, Caruaru, Petrolina, Mossoró e Ilhéus.
[editar] Grupos étnicos
ver Povos indígenas no Nordeste do Brasil
Para a formação do povo nordestino participaram três etnias: o índio, o português e o africano. A grande miscigenação étnica e cultural desses três elementos, que se iniciou ainda no século XVI, foi o pilar para a composição da população do Nordeste, porém essa mistura de raças não aconteceu de forma uniforme. Em algumas regiões, como no Ceará, na Paraíba e no Rio Grande do Norte, predominaram os caboclos, uma vez que, sendo predominantemente semi-áridos, a escravidão de africanos foi relativamente irrelevante nas sociedades aí estabelecidas. Já em outras, como a Bahia e o Maranhão, os mulatos predominam. Os cafuzos também são muito comuns no Maranhão.
Cena comum no interior do Nordeste brasileiro são nordestinos fugindo da seca. Nos últimos anos, a emigração para outras regiões do Brasil parece ter arrefecido bastante, depois de ter atingido seu ápice por volta dos anos 60 e 70. Acredita-se também ter havido alguma influência étnica holandesa, sobretudo no litoral oriental, embora esta seja, mais provavelmente, minúscula. Em torno de um quarto dos nordestinos tem forte ancestralidade européia.
[editar] Distribuição populacional
Assim como acontece em todo o território brasileiro, a população nordestina é mal distribuída, cerca de 60,6% dela fica concentrada na faixa litorânea (zona da mata) e nas principais capitais. Já no sertão nordestino e interior os níveis de densidade populacional são mais baixos, isso por causa do clima, da vegetação da caatinga e do sertão, a falta de infraestrutura e emprego (que leva uma parcela da população do interior a migrar para o litoral e para outras regiões geoconômicas).
[editar] Economia
A região vem tendo, nos últimos anos, expressivas modificações em sua estrutura econômica, que, no entanto, não alteraram substancialmente o quadro socioeconômico da região em relação ao Brasil.
No campo industrial vem ocorrendo um processo de industrialização, ligado a descentralização do Sudeste, sendo, portanto, uma industrialização dependente, ligada em grande parte a concessão de incentivos fiscais. A maior parte dessas indústrias é de utilização intensiva de mão-de-obra, como calçados e vestuários, interessadas nos reduzidíssimos salários locais. A menor distância em relação a alguns mercados de exportação é outro atrativo local. Apesar disso se mantém a indústria açucareira, a petroquímica, a do petróleo que é explorado no litoral e na plataforma continental e processado na refinaria Landulfo Alves, em Candeias, e no Pólo Petroquímico de Camaçari, ambos no estado da Bahia. Muito recentemente, vem crescendo muito a área de automóveis na Bahia.
As alterações ocorrem também no meio rural, apesar da manutenção do amplo domínio latifundiário no Sertão e Zona da Mata, além da expansão, com pecuária no Agreste. No Sertão Nordestino, projetos de irrigação viabilizaram o avanço de uma moderna agricultura fruticultura para exportação, na área em torno de Petrolina em Pernambuco e Juazeiro na Bahia, beneficiada pela grande insolação, pela já citada mão-de-obra barata, além da existência de solos com alta fertilidade mineral.
No oeste da Bahia e no sul do Maranhão, o avanço da fronteira agrícola ocorre sobretudo com a soja, mas também, com arroz e milho. No caso específico do Maranhão, o desenvolvimento é facilitado pelas excelentes condições de logística da região para exportação. Desde 1992, quando começou a funcionar o Corredor de Exportação Norte, toda a produção agrícola do sul do Maranhão passou a escoar para o Porto da Madeira, em São Luís, por um longo trecho de estrada de ferro operado pela Companhia Vale do Rio Doce. O cultivo nessa área, realizada por migrantes de origem européia vindos da Região Sul, é realizado em fazendas altamente mecanizadas, com os melhores índices de produtividade agrícola por hectare no Brasil, tem ainda como benefício a menor distância em relação ao mercado europeu.
O setor de turismo, que tem demonstrado grande potencialidade de desenvolvimento na região, vem crescendo consideravelmente nos últimos anos e apresenta perspectivas promissoras para o futuro.
[editar] Transporte
As rodovias em geral são precárias. Há entretanto algumas boas e surpreendentes exceções.
As principais vias de escoamento e transporte de carga rodoviária são efetuadas pela BR-116 e BR-101. Os aeroportos de Recife, Salvador e Fortaleza são os principais destaques. O Porto de Salvador tem grande destaque e o de Ilhéus, também na Bahia, é o maior exportador de cacau do Brasil.
[editar] Turismo
O grande número de cidades litorâneas com belas praias contribui para o desenvolvimento do turismo em toda a região, desde o Maranhão até a Bahia. Nos últimos anos, tem crescido, particularmente no Rio Grande do Norte e no Ceará, o mercado imobiliário para estrangeiros, que moram esporadicamente na região. Os investimentos em complexos hoteleiros, parques quáticos e pólos de ecoturismo são também significativos, embora ainda extremamente concentrados apenas na faixa litorânea. Esse crescimento, no entanto, favorece a especulação imobiliária, que, em muitos casos, tem ameaçado e degredado a preservação de importantes ecossistemas, especialmente o de manguezal.
A cultura nordestina, pelas suas particularidades e pela riqueza secular de tradições e formas de arte popular, é também atrativo para turistas. As rendas de bilros e a cerâmica são as formas mais tradicionais de artesanato da região, mas muitas outras formas de artesanato são também desenvolvidas.
A cidade de Juazeiro do Norte (CE) possui grande destaque na divulgação e comércio de arte popular, embora seja razoável dizer que toda cidade de porte mediano ou grande do Nordeste possua centros relevantes de artesanato e cultura popular. As enormes festas juninas em Caruaru (PE) e Campina Grande (PB), são as mais populares do país, embora sejam uma tradição presente em toda a região. O carnaval continua sendo o evento que mais atrai turistas, especialmente para Salvador, Olinda e Recife. Cada uma dessas cidades chega a receber quase 2 milhões de turistas nessa época.
O Nordeste é a região brasileira que abriga o maior número de Patrimônios Culturais da Humanidade, título concedido pela UNESCO. Alguns exemplos são a cidade de Olinda (PE), São Luís (MA) e o centro histório do Pelourinho, em Salvador (BA).
Há ainda o Parque Nacional da Serra da Capivara (PI), um dos mais importantes sítio arqueológicos do País, bem como a Chapada do Araripe (CE/PE) - em especial a cidade de Santana do Cariri (CE) - onde há grande abundância de fósseis do Cretáceo e já foram identificadas 30 espécies de peixes antigos[1]. Infelizmente, os cuidados com essas regiões de enorme importância para a ciência não tem sido o devido, havendo muitos casos, por exemplo, de contrabando de fósseis na Chapada do Araripe
A religiosidade é marcante na região e a exploração turística desse segmento cresce cada vez mais. Milhares de romeiros visitam centros religiosos da região todos os anos. Destacam-se, sobretudo, os municípios cearenses de Juazeiro do Norte e Canindé.
O ecoturismo possui grande potencial no Nordeste, mas tem sido subaproveitado, se comparado ao desenvolvimento do turismo de praia. Particularmente no interior da região, existem diversos locais onde já se desenvolve o ecoturismo, embora com potencial ainda bem maior. Pode-se citar, dentre outros locais, a Chapada Diamantina (BA), Chapada do Araripe (CE), Cuesta da Ibiapaba (CE), áreas do Planalto da Borborema - onde se destaca Garanhuns, em Pernambuco - e a Serra de Guaramiranga (CE). Nesses locais, devido à altitude ou a condições geoclimáticas específicas, há vegetação de floresta tropical e cerradão, bem como temperaturas mais amenas que as da média regional. Ademais, a caatinga também possui atrativos turísticos - ainda pouco afirmados e incentivados, infelizmente -, como é o caso do turismo ecológico e de esportes radicais já em desenvolvimento na cidade de Quixadá (CE).
Infelizmente, o potencial turístico do interior do Nordeste tem sido subaproveitado se comparado ao desenvolvimento das áreas costeiras. Regiõ
Outro grandes destaque a nível nacional e mundial é Fernando de Noronha, com suas maravilhosas paisagens naturais e mar cristalino, local que abriga os golfinhos saltadores e o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, um paraíso ecológico com 155 mil hectares de dunas, rios, lagoas e manguesais, localizado no nordeste do estado do Maranhão ocupando uma área de 270km de dunas que se formam conforme a combinação dos ventos.
[editar] Recursos minerais
A região é rica em recursos minerais. Os destaques são o petróleo e o gás natural, produzidos na Bahia, em Sergipe e no Rio Grande do Norte. Na Bahia, o petróleo é explorado no litoral e na plataforma continental e processado no Pólo Petroquìmico de Camaçari. O Rio Grande do Norte, responsável por 11% da produção nacional em 1997, é o maior produtor de petróleo do país, superando até o Rio de Janeiro. Produz também 95% do sal marinho consumido no Brasil. Outro destaque é a produção de gesso em Pernambuco, que responde por 95% do total brasileiro. A região Nordeste possui ainda jazidas de granito, pedras preciosas e semipreciosas, além de possuir uma das maiores reservas de Urânio do mundo, situada no Ceará.
[editar] Cidades mais importantes
Estimativas para o ano de 2006.
- Bahia
- Salvador - população: 2.711.372 habitantes
- Feira de Santana - população: 535.284 habitantes
- Vitória da Conquista - população: 290.042 habitantes
- Ilhéus - população: 220.932 habitantes
- Juazeiro - população: 207.969 habitantes
- Itabuna - população: 205.070 habitantes
- Porto Seguro - população: 140.252 habitantes
- Maranhão
- São Luís - população: 998.385 habitantes
- Imperatriz - população: 232.560 habitantes
- Minas Gerais (vale do jequitinhonha)
- Almenara - população: 36.446 habitantes
- Paraíba
- João Pessoa - população: 672.081 habitantes
- Campina Grande - população: 379.871 habitantes
- Santa Rita - população: 134.074 habitantes
- Pernambuco
- Recife - população: 1.515.052 habitantes
- Jaboatão dos Guararapes - população: 651.355 habitantes
- Olinda - população: 384.510 habitantes
- Paulista - população: 299.744 habitantes
- Caruaru - população: 283.152 habitantes
- Petrolina - população: 260.004 habitantes
- Cabo de Santo Agostinho 172.150 habitantes
- Camaragibe - população: 150.354 habitantes
- Garanhuns - 128.398 habitantes
- Vitória de Santo Antão - 125.563 habitantes
- Piauí
- Teresina - população: 813.992 habitantes
- Parnaíba - populaçao : 245.246 habitantes
- São Raimundo Nonato - população : 85.214 habitantes
- Rio Grande do Norte
- Natal - população: 789.896 habitantes
- Mossoró - população: 229.787 habitantes
- Parnamirim - população: 172.723 habitantes
Salvador e Fortaleza são, respectivelmente, a terceira e a quarta maior cidade do Brasil.
[editar] Ver também
- Região Nordeste
- Fernando de Noronha
- Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste
- Rio São Francisco
- Vale do Jequitinhonha
- Companhia Vale do Rio Doce
- Metrofor

