Negros

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Negros, negroide ou povo negro são termos usados em sistemas de classificação racial para os seres humanos com um fenótipo de pele escura, em relação a outros grupos raciais. Diferentes sociedades aplicam critérios diferentes a respeito de quem é classificado como "negro" e muitas vezes variáveis ​​sociais, tais como classe social e status sócio-econômico, também desempenham um papel relevante nessa classificação.[1] Como um fenótipo biológico, ser "negro" é frequentemente associado com as cores de pele muito escuras de algumas pessoas que são classificados como 'negras'.

Algumas definições do termo incluem apenas as pessoas de ascendência subsaariana relativamente recente (ver: Diáspora africana). Entre os membros desse grupo, a pele escura é mais frequentemente acompanhada pela expressão da textura do cabelo afro-natural (recentes estudos científicos indicam que a diversidade de cores de pele humana é maior em populações da África subsaariana).[2] Outras definições do termo "negros" estendem-se à outras populações caracterizadas por pele escura, às vezes incluindo os povos indígenas da Oceania.[3]

Etimologia

A palavra "preto" aparece no século X e designa uma pessoa de pele escura, mais particularmente originária da África subsariana. A palavra "negro" passa a ser adotada no século XV com a escravização de africanos por portugueses. Os espanhóis, porém, foram os primeiros europeus a usar "negros" como escravos na América. Por conseguinte, um dos primitivos sentidos da palavra negro era "escravo". Por este motivo, a palavra é considerada ofensiva em diversos países africanos e da Diáspora, como no Senegal e nos Estados Unidos, onde é empregada a palavra black que literalmente corresponde à palavra preto, ao invés de niger (negro).

Os portugueses são o segundo povo europeu a traficar escravos negros para as Américas. Estes adotam a palavra negro designando primeiro, na sua língua, todos os escravos (por conseguinte também os escravos índios, chamados de "negros da terra"). Pouco a pouco, os portugueses passam a designar os africanos cada vez mais apenas com a palavra "pretos", enquanto os índios foram tratados de "selvagens" até 1970 na imprensa brasileira.[carece de fontes?]

Características fisiológicas

Pele escura

Distribuição da cor da pele de grupos étnicos indígenas, antes das colonizações, no mundo, baseado na escala cromática de Von Luschan.
Mapa mostrando a África subsaariana em verde e o Norte da África em cinza.

A evolução de pele escura é intrinsecamente relacionada com a perda de pêlos do corpo em humanos. Há 1,2 milhões de anos, todas as pessoas tinham a mesma proteína receptora dos africanos de hoje, sua pele era escura e o sol intenso reduzia a chance de sobrevivência das pessoas com pele mais clara, o que resultou na variação por mutação na proteína receptora.[4] Isso aconteceu significativamente mais cedo do que a especiação do Homo sapiens a partir do Homo erectus, há cerca de 250.000 anos.

O câncer de pele, como resultado da radiação da luz ultravioleta, provoca mutações na pele e é menos comum entre as pessoas com pele mais escura do que entre aqueles com pele clara.[5] [6] Além disso, a pele escura impede que uma essencial vitamina B, o ácido fólico, seja destruído. Portanto, na ausência da medicina moderna e de uma dieta adequada, uma pessoa com pele escura nos trópicos viveria mais, seria mais saudável e mais propensa a se reproduzir do que uma pessoa com pele clara. Como exemplo, os australianos brancos têm algumas das maiores taxas de câncer de pele do mundo, como evidência dessa expectativa.[7] Por outro lado, como a pele escura impede que a luz solar penetre na pele, ela dificulta a produção de vitamina D3. Portanto, quando os seres humanos migraram para regiões do norte, onde a luz solar é menos intensa, os baixos níveis de vitamina D3 se tornaram um problema e as cores de pele mais claras começaram a aparecer. Pessoas brancas da Europa, que têm baixos níveis de melanina, naturalmente, têm uma pigmentação da pele quase incolor, especialmente quando não estão bronzeadas. Este baixo nível de pigmentação permite que os vasos sanguíneos se tornem visíveis, o que dá a característica de cor pálida roseada de pessoas brancas. A perda de melanina em pessoas brancas é agora considerada como ter sido causada por uma mutação em apenas um gene de 3,1 bilhões de genes do DNA.[8]

Cabelo

A textura do cabelo em pessoas de ascendência africana subsaariana é visivelmente diferente daqueles ascendentes de populações da Eurásia, como já foi observado por Heródoto, que descreveu os povos da Líbia (os "etíopes ocidentais") como tendo cabelos-de-lã.

A textura é mais densa do que suas contrapartes em linha reta. Devido a isso, é muitas vezes referida como "grosso", "espesso" ou "crespo". Por várias razões, incluindo possivelmente a sua seção transversal relativamente plana (entre outros fatores[9] ), este tipo de cabelo transmite uma aparência seca ou fosca.[10] [11] It is also very coarse,[10] Esse tipo de cabelo também é muito grosso [12] e sua forma original é muito propensa à se romper ao ser penteado ou escovado.[11]

As características específicas da forma natural do cabelo afro são únicas entre todos os mamíferos.[12] A textura provavelmente antecede a evolução da pele escura. Ela evoluiu, quando o pré-humano Australopithecines perdeu a maior parte do seu pelo devido à transpiração e à necessidade de proteger a pele pálida recém-exposta do corpo.[13] O traço deixado foi essencial para a sobrevivência no equador da evolução da pele escura sem pêlos. No entanto, continuou a ser expressa vestigial entre a maioria dos melanésios e africanos subsaarianos.

Perseguição e preconceito

Placa em praia de Durban, na África do Sul, que indica "área de banho para integrantes do grupo branco", em Inglês, Africaner e Zulu, durante o regime do apartheid (1989).

O histórico de preconceito contra os negros é grande e decorre principalmente de sua condição de escravos, quando foram trazidos a países da América como o Brasil, os Estados Unidos e alguns países do Caribe. Durante o regime do apartheid, os negros eram postos à margem na África do Sul, não podendo ser considerados cidadãos de pleno direito. Algo semelhante acontecia também nos Estados Unidos, onde ainda hoje a miscigenação não é oficialmente tomada em consideração. Embora os negros já sejam considerados cidadãos comuns nesses países, ainda hoje vivem em condições de vida relativamente menos favorecidas do que as pessoas em geral.

Segundo estudos realizados pelo sociólogo David Willians, do Instituto de Pesquisas Sociais da Universidade de Michigan, os Estados Unidos, para cada dólar pago a um branco, um negro recebe o equivalente a 40% desse valor. De acordo com os Indicadores Sócio-econômicos do Censo norte-americano sobre a década de 1990, 7% da população branca vivia na pobreza, contra 32,4% da negra.

Em escala menor, existe também discriminação de negros na Europa, devido à recente migração de africanos para países como a França e a Itália.

Por região

Europa

Nas últimas décadas, a população negra na Europa tem crescido consideravelmente, especialmente em países como a França, Portugal, Países Baixos e o Reino Unido. Isso ocorre em função da migração de povos africanos e caribenhos colonizados por franceses, portugueses, neerlandeses e britânicos, em geral buscando melhores condições de vida. Outros países como Suécia, Espanha, Itália e Alemanha também têm recebido ondas imigratórias negras.

África

Todos os países da África Subsaariana têm população majoritariamente negra. Alguns países como a Namíbia e a África do Sul apresentam uma diversidade étnica maior, devido à colonização por europeus vindos principalmente da Alemanha, Reino Unido e Países Baixos. Na África do Sul, apesar de serem maioria étnica, tiveram vários direitos suprimidos pelos africâneres (sul-africanos de origem europeia), que dominavam politicamente - movimento conhecido como apartheid. Na região do Magrebe os negros são minoria, frente à maioria de origem semítica.

América

Barack Obama, o primeiro presidente negro dos Estados Unidos.

Particularmente nos Estados Unidos, a classificação racial também se refere a pessoas com todos os tipos possíveis de pigmentação da pele, da mais escura até a mais parda, incluindo albinos, se eles são tiverem ascendência africana e exibirem traços culturais associados como sendo de "afro-americanos". Portanto, o termo "negros" não é um indicador da cor da pele, mas de classificação racial.[14] Existe uma significativa população negra concentrada nos Estados Unidos. O censo estadunidense considera como "blacks" ou "afro-americans" - o que equivaleria a negro, no contexto brasileiro - indivíduos com alguma ascendência africana, mesmo que tenha também ascendência europeia, asiática ou indígena, com exceção dos miscigenados de origem latina, que constituem um grupo racial à parte. No Caribe, a maioria da população é negra ou mestiça. Outros países com importantes minorias de negros, são a Colômbia, Venezuela, o Peru, o Equador e o Uruguai.

Brasil

Mapa brasileiro por porcentagem de raça ou cor, segundo pesquisa do IBGE em 2009.[15]

De acordo com o IBGE de 2010, verificou-se que 7,6% da população brasileira se declara negra, enquanto 44,2% se declaram como "pardos"[16] (como os mulatos, caboclos e cafuzos - pessoas com ancestralidade mesclada entre africanos, europeus e indígenas, exceto os caboclos, cuja identidade não está ligada a ancestralidade africana). Devido ao alto grau de miscigenação da população brasileira, há pouca precisão em identificar quem realmente pode ser chamado de "negro", prevalecendo o critério da autodeclaração. Para fins políticos do Movimento Negro, entretanto, consideram-se "negros" todos aqueles que têm alguma ancestralidade africana, mesmo que sejam, também, descendentes de europeus ou de índios.

A região brasileira com o maior número proporcional de negros na população é a Região Nordeste, sendo o Estado da Bahia aquele com a maior proporção de negros na população, com 14,4% de negros e 64,4% de pardos. O Estado de Santa Catarina é o que tem a mais baixa proporção de negros e pardos no Brasil, que, somados, são 11,7% da população.

Observa-se que os negros vivem numa condição de vida bem menos favorecida em relação à daqueles que se declaram de raça "branca" [carece de fontes?] (europeia). Isto é ocasionado especialmente pelo fator histórico da escravidão, que, ao ser abolida, não deu qualquer tipo de proteção especial aos negros, que permaneceram na pobreza.

Um estudo publicado em 2010 pelo instituto de pesquisa Sangari mostra que a chance de um jovem negro ser morto é 130%[17] maior que a de um branco. O estudo analisa índices de 1997 a 2007. Neste último ano morria 2,6 jovens negros para cara 1 jovem branco com idade entre 15 e 24 anos.

Com isso, muitos argumentam que ainda há forte preconceito dentro da sociedade brasileira, o que seria uma forma a mais de dificultar a inserção do negro na sociedade. O último relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), "A Hora da Igualdade no Trabalho", divulgado no dia 12 de maio, mostra que, apesar de avanços em alguns indicadores sociais, a situação de desemprego persiste na população negra brasileira: a renda mensal de um trabalhador negro é 50% inferior a do branco.

Ásia e Oceania

Os povos de origem dravídica, nativos do sul da Índia, têm a pele escura, entretanto, possuem o fenótipo (antropometria) distinto dos negros africanos que, entre si, possuem já numerosos fenótipos distintos, relatados em abundante literatura etnológica dos séculos XIX e XX.

O mesmo ocorre com os povos melanésios e os aborígines australianos, que embora sejam comumente chamados de negros, também eram classificados num grupo racial à parte conhecido como "Australoides".

Ver também

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Referências

  1. McPherson, Lionel K. (2008). "Blackness and Blood: Interpreting African American Identity". John Wiley & Sons, Inc.
  2. Human skin color diversity is highest or sub-Saharan African populations. NIH.gov
  3. black. (n.d.). Dictionary.com Unabridged (v 1.1). Retrieved April 13, 2007, from Dictionary.com website
  4. Rogers, Alan R.. (February 2004). "Genetic variation at the MC1R locus and the time since loss of human body hair". Current Anthropology 45 (1): 105–8. The Wenner-Gren Foundation for Anthropological Research. DOI:10.1086/381006. OCLC 193553649.
  5. Nouri, Keyvan. Skin Cancer. [S.l.]: McGraw-Hill Professional, 2007. p. 32. ISBN 0-071-47256-8
  6. Edlin, Gordon; Golanty, Eric. In: Gordon. Health and Wellness. [S.l.]: Jones & Bartlett Learning, 312. ISBN 0-763-76593-7
  7. Australia Struggles with Skin Cancer.
  8. "Scientists find DNA change accounting for white skin". Washington Post.
  9. Franbourg et al. "Influence of Ethnic Origin of Hair on Water-Keratin Interaction" In Ethnic Skin and Hair E. Berardesca, J. Leveque, and H. Maibach (Eds.). page 101. Informa Healthcare. 2007
  10. a b Nick Arrojo, Jenny Acheson, Great Hair: Secrets to Looking Fabulous and Feeling Beautiful Every Day, (St. Martin's Press: 2008), p.184
  11. a b Dale H. Johnson, Hair and hair care, (CRC Press: 1997), p.237
  12. Ethnic Skin and Hair E. Berardesca, J. Leveque, and H. Maibach (Eds.). Informa Healthcare. 2007
  13. Iyengar, B. "The hair follicle is a specialized UV receptor in human skin?" Bio Signals Recep, 7(3), pages 188–194. 1998Predefinição:Failed verification
  14. Glenn, Evelyn Nakano. Shades of difference: why skin color matters. [S.l.]: Stanford University Press, 2009. p. 225. ISBN 9780804759984
  15. Síntese dos Inidicadores Sociais 2008 (PDF). Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) Tabela 8.2 - População total e respectiva distribuição percentual, por cor ou raça, segundo as Grandes Regiões, Unidades da Federação e Regiões Metropolitanas - 2007. Página visitada em 1º de outubro de 2008.
  16. [1] Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
  17. Risco de jovem negro ser morto é 130% maior, diz ONG (em português). Página visitada em 16 de abril de 2010.