Seridó

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Localização do Seridó nos estados do Rio Grande do Norte e da Paraíba (classificação do IBGE).

Seridó é uma região interestadual localizada no sertão nordestino do Brasil. Oriunda da antiga região da "Ribeira do Seridó". Abrange vários municípios do Rio Grande do Norte e da Paraíba, sendo oficialmente dividida pelo IBGE em Seridó Ocidental Potiguar e Seridó Oriental Potiguar, Seridó Ocidental Paraibano e Seridó Oriental Paraibano. No entanto, outros municípios costumam se identificar como "Seridó" ou seridoense, o que agrega um total de 54 municípios, sendo 28 potiguares e 26 paraibanos, o que levou a uma subclassificação realizada pelo Ministério da Integração Nacional.[1] O Seridó potiguar ainda apresenta a melhor qualidade de vida do interior nordestino devido a histórica liderança política e econômica. [2] [3] [4]

Há divergências quanto à origem do topônimo Seridó, segundo o folclorista e historiador Luís da Câmara Cascudo, vem do linguajar dos tapuias transcrito como "ceri-toh" e que quer dizer "pouca folhagem e pouca sombra", em referência as características da região. No entanto, existe o fato de que os colonizadores eram cristãos-novos, descendentes de judeus, os termos "sarid" e "serid", seriam oriundos do hebraico, que significaria "sobrevivente" ou "o que escapou". Ou ainda "she'erit" no sentido de "refúgio Dele" ou "refúgio de Deus".[5]

Divisão[editar | editar código-fonte]

A Ribeira do Seridó foi por muito tempo uma área de litígio entre a então província do Rio Grande do Norte e da Paraíba. Diante da elevação à condição de vila, Príncipe (atual Caicó) e Acari passaram a reivindicar o território pelo Rio Grande do Norte. A principal razão era o descontentamento por parte dessas vilas pela má utilização dos impostos do gado em seu território pela administração paraibana. Anexada seus territórios correspondentes por esta província por meio de lei sancionada pela Assembleia Provincial Potiguar em 1835, após abaixo-assinados remetidos pelos "juízes de paz, inspetores, guardas nacionais e proprietários", documento este enviado pelas câmaras das Vilas de Acari e Príncipe, onde se mostravam "contentes em pertencer à Província do Rio Grande do Norte".[6] Lei que a Paraíba ratificou somente 19 anos depois, em 1854, por ocasião da implementação da Lei de Terras na Capitania e posteriormente no acordo territorial de 1920, que pôs um fim definitivo às disputas pela mencionada ribeira, configurando a divisão atual.[7]

Rio Grande do Norte[editar | editar código-fonte]

Segundo Classificação do IBGE, oficialmente integram a região do Seridó Potiguar os seguintes municípios: Acari, Carnaúba dos Dantas, Caicó, Cruzeta, Currais Novos, Equador, Ipueira, Jardim de Piranhas, Jardim do Seridó, Ouro Branco, Parelhas, Santana do Seridó, São Fernando, São João do Sabugi, São José do Seridó, Serra Negra do Norte e Timbaúba dos Batistas.

No entanto, social e historicamente, são ainda integrados ao Seridó os municípios de Bodó, Cerro Corá, Florânia, Jucurutu, Lagoa Nova, Santana do Matos, São Vicente e Tenente Laurentino Cruz.[8]

Paraíba[editar | editar código-fonte]

Integram o Seridó Paraibano de acordo com o IBGE os municípios de Baraúna, Cubati, Frei Martinho, Juazeirinho, Junco do Seridó, Nova Palmeira, Pedra Lavrada, Picuí, Salgadinho, Santa Luzia, São José do Sabugi, São Mamede, Seridó, Tenório e Várzea.

O termo "Seridó"[editar | editar código-fonte]

A terminologia "Seridó" pode ter vários significados, no entanto todos possuem relação com a dita "região do Seridó".

  • Caatinga do Seridó - Subclassificação do bioma Caatinga, que além da dita região, ainda pode ser encontrada no Ceará.[9]
  • Polo Seridó ou Roteiro Seridó - roteiro turístico que envolve alguns municípios do Seridó.[10]
  • Algodão Seridó ou algodão mocó - variedade de algodão nativa de excelente qualidade e resistente à seca.[11]
  • Geoparque Seridó - proposta de tombamento do patrimônio geológico do Seridó.[12]
  • Núcleo de desertificação do Seridó - conhecida área que corre grande risco de desertificação.[13]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Ministério da Integração. Mesorregião Seridó. Página visitada em março de 2012.
  2. {{citar web|url=http://www.ibam.org.br/media/arquivos/estudos/royalties_rgnorte.pdf%7Ctítulo=Subsídios para o aperfeiçoamento da gestão para o desenvolvimento sustentável Proposição das áreas de atuação no ESTADO DE RIO GRANDE DO NORTE|autor=Instituto Brasileiro de Administração Municipal -IBAM|data=Julho de 2009|publicado=Julho de 2009|acessodata=abril de 2012}}
  3. Ana Mônica de Britto Costa et al. Comportamento espacial do índice de desenvolvimento humano no Rio Grande do Norte com uso do programa TerraView (desenvolvido pelo INPE) 2007. Página visitada em abril de 2012.
  4. Juliana Dalboni Rocha, Marcel Bursztyn. POLÍTICAS PÚBLICAS TERRITORIAIS E SUSTENTABILIDADE NO SEMI-ÁRIDO BRASILEIRO: A BUSCA DO DESENVOLVIMENTO VIA ARRANJOS PRODUTIVOS LOCAIS 28 a 30 de novembro de 2007. Página visitada em abril de 2012.
  5. Tribuna do Norte. A civilização singular do Seridó 27 de Novembro de 2011. Página visitada em março de 2012.
  6. Muirakytan K. de Macêdo. História e Espaço seridoense entre os séculos XVII e XIX ago./set. de 2000. Página visitada em abril de 2012.
  7. Carmelo Ribeiro do Nascimento Filho. A fronteira móvel Março de 2006. Página visitada em abril de 2012.
  8. ADESE. Atividades agroindustriais do Território do Seridó. Página visitada em abril de 2012.
  9. Guimarães Duque. O Nordeste e as Lavouras Xerófilas. Página visitada em abril de 2012.
  10. Roteiro Seridó. Página visitada em abril de 2012.
  11. Tomislav R. Femenick (06 de Junho de 2010). O ciclo do algodão no Seridó - I. Página visitada em abril de 2012.
  12. CPRM Serviço Geológico do Brasil. Geoparque Seridó. Página visitada em abril de 2012.
  13. Álvaro Eugênio Duarte de França, Luciano José de Oliveira Accioly, Adenilson Kerlisson Carvalho de Oliveira. Reflexos da Desertificação no Nordeste do Brasil. Página visitada em abril de 2012.