Trindade e Martim Vaz

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Trindade e Martim Vaz
Trindade e Martim Vaz está localizado em: Oceano Atlântico
Trindade e Martim Vaz
Localização no Oceano Atlântico
20° 31' 29" S 29° 19' 29" O
Location Trindade and Martim Vaz Archipelago.png
Geografia física
País Brasil Brasil
Localização Oceano Atlântico
Arquipélago Trindade e Martim Vaz
Ponto culminante Pico do Desejado, 600 m
Área 10,4  km²
Geografia humana
População 36 habitantes, em média
Trindade e Martim Vaz.jpg
Vista parcial do arquipélago

Trindade e Martim Vaz é um arquipélago brasileiro no Oceano Atlântico, sendo um território pertencente ao município de Vitória (Espírito Santo), cuja sede fica localizada a cerca de 1 200 quilômetros a oeste do arquipélago. De todas as ilhas do arquipélago, apenas a Ilha da Trindade é habitada, sendo que a única localidade existente na ilha é o Posto Oceanográfico da Ilha da Trindade (POIT), que é uma guarnição militar mantida pela Marinha do Brasil. O Posto Oceanográfico da Ilha da Trindade é o local habitado mais remoto do Brasil, estando situado a 1 025 km de distância da localidade mais próxima, que é a guarnição mantida pela Marinha na Ilha de Santa Bárbara, no Arquipélago dos Abrolhos. Já as Ilhas Martim Vaz, são conhecidas por serem o ponto extremo leste de todo o território brasileiro, sendo juntamente com o Arquipélago de São Pedro e São Paulo, um dos dois primeiros locais onde acontecem o nascer do sol e o pôr do sol no Brasil.

O arquipélago é constituído por duas ilhas principais (Trindade e Martim Vaz), separadas por 48 quilômetros, que somam uma área total de 10,4 km². As ilhas são consideradas, pelos navegadores, como um imenso paredão no meio do Atlântico.

No reinado de D. Manuel I de Portugal, a ilha de Martim Vaz foi descoberta em 1501 pelo navegador galego João da Nova. No ano seguinte, o navegador português Estêvão da Gama visitou a ilha vizinha e chamou-a Ilha da Trindade.[1] As ilhas permaneceram na posse de Portugal até a independência do Brasil, altura em que passaram a ser brasileiras. Em 1890, o Reino Unido ocupou Trindade, mas os ingleses abandonaram as ilhas em 1896, depois de um acordo entre os dois países, que contou com mediação portuguesa.

Características[editar | editar código-fonte]

Ilhas de Martim Vaz[editar | editar código-fonte]

É um conjunto de ilhas formado pela ilha principal (Martim Vaz, com altitude máxima de 175 metros), duas ilhotas íngremes e inacessíveis (a Ilha do Norte, com altitude máxima 65 metros e a Ilha do Sul, com 122 metros de altitude máxima) e vários rochedos menores, como o Rochedo Agulha, espalhados a 48 km a leste de Trindade, perfazendo uma área total de 0,3 km² (30 hectares).

A vegetação é predominantemente rasteira, com a presença de raros arbustos no topo, que são impiedosamente açoitados pelo vento. A fauna é formada apenas por caranguejos, aranhas endêmicas e centenas de aves migratórias.

Como lajes e alto-fundos cercam as ilhas, mostrando um campo minado nem sempre emerso, desconhecido e pouco registrado nas cartas náuticas, a área apresenta altas probabilidades de naufrágio para embarcações desavisadas de qualquer porte. A única maneira segura de desembarque é nas ilhas é através de helicóptero, pelo fato de as ilhas serem literalmente verticais mas planas na parte superior, como um chapadão.

Ilha de Trindade[editar | editar código-fonte]

Brasão do Principado da Trindade (1895)

Trindade é uma ilha vulcânica na costa do estado do Espírito Santo, Brasil, que, junto com Martim Vaz, forma um arquipélago. Com 9,2 quilômetros quadrados de área, o seu território está compreendido no município de Vitória. Encontra-se a 1 167 quilômetros de distância do continente.

História[editar | editar código-fonte]

História de Martim Vaz[editar | editar código-fonte]

Descoberta em 1512 por João da Nova, foram visitadas em 1514 por Juan de la Cosa, que denominou a ilha principal de Santa Maria Esmeralda. Em 1768, o francês La Pérouse tentou subir as rochas, mas dois de seus marinheiros acabaram morrendo na tentativa. Em homenagem aos mortos, denominou as ilhas do grupo como Martim Vaz. Em 1951, a Marinha do Brasil quis tomar formalmente posse das ilhas e uma guarnição militar tentou hastear a bandeira na ilha principal, contudo a embarcação naufragou ao bater de frente com um rochedo e doze marinheiros perderam suas vidas.

Em 1960, uma expedição científica inglesa com o navio HMS Owen achou uma enseada segura e conseguiu explorar a ilha maior. A primeira aterrissagem na Ilhota do Sul foi feita em 1962 por uma equipe militar a bordo de um helicóptero. Mais recentemente, em 2007, houve outros pousos por helicóptero da aviação naval para a substituição da bandeira nacional lá hasteada.

O pesquisador Evaristo Scorza encontrou, nas ilhas, algumas provas de um mineral extremamente raro, a hauynita, apenas encontrado em tempos antigos na China e na Eslováquia.

História de Trindade[editar | editar código-fonte]

Mapa da Ilha da Trindade na obra The Cruise of the Alerte de E. F. Knight.

A frota de Estêvão da Gama, a caminho da Índia, na latitude de 20º S, descobriu, a 18 de maio de 1502, uma ilha que denominou de Ilha da Trindade.[2]

Vários foram os visitantes ilustres que lá estiveram, sendo o mais conhecido o astrônomo inglês Edmund Halley, que chegou a tomar posse da ilha em nome da monarquia britânica (1700).

Em 1895, mais uma vez, tentaram os ingleses obter a posse dessa estratégica posição no Atlântico Sul, porém os esforços diplomáticos brasileiros, aliados ao apoio da diplomacia portuguesa, reintegraram a posse da Ilha da Trindade ao Brasil.

Para afirmar, de uma vez por todas, a soberania brasileira sobre a ilha, foi erigido um marco na data de 24 de janeiro de 1897.

Séculos XX e XXI[editar | editar código-fonte]

Batalha de Trindade, em setembro de 1914.

Embora não tenha população permanente, desde 1957 o arquipélago sedia o Posto Oceanográfico da Ilha da Trindade (POIT), guarnecido por 32 homens da Marinha do Brasil, metade dos quais revezados a cada bimestre. Além da guarda desse território insular brasileiro, esses homens executam a coleta de dados maregráficos e meteorológicos daquela região do Atlântico Sul.

Em 14 de Setembro de 1914 aconteceu a famosa Batalha de Trindade; uma ação entre navios durante a Primeira Guerra Mundial. A batalha ocorreu ao largo da costa do Brasil na ilha de Trindade entre a Kaiserliche Marine alemã e a Royal Navy britânica.

Geografia[editar | editar código-fonte]

Foto de satélite da NASA de Martim Vaz em falsa cor.

A ilhas Trindade e Martim Vaz se localizam a 1 200 km da costa de Vitória, no centro do Atlântico Sul. O arquipélago é formado por duas ilhas principais (Trindade e Martim Vaz), duas ilhotas íngremes e inacessíveis (a Ilha do Norte e a Ilha do Sul) e vários rochedos menores (como o Rochedo Agulha) espalhados a 48 km a leste de Trindade, perfazendo uma área total de 10,4 km². As ilhas alcançam uma altitude máxima de seiscentos metros acima do nível do mar em Trindade.

As duas grandes ilhas principais compõem a maior parte da área terrestre: Ilha Trindade (9,2 km²), ao sul e a Ilha Martim Vaz (0,3 km²) ao norte.

As outras ilhas são muito menores e de difícil acesso. Trata-se das ilhotas de Martim Vaz, que são a Ilha do Norte e a Ilha do Sul e rochedos localizados a 48 km a leste da Ilha Trindade.

Geologia[editar | editar código-fonte]

A ilha de Trindade tem numerosos centros vulcânicos. A atividade vulcânica mais recente aconteceu há aproximadamente 50 000 anos no Vulcão Paredão no ponto mais ao sudeste da ilha. Essa atividade consistiu em fluxo piroclástico que acumulou um cone de cinzas.

Na Ilha de Trindade ocorreram cinco vulcões acima do nível do mar. O vulcão denominado Complexo de Trindade é o mais antigo dos cinco e caracteriza-se por possuir rochas intrusivas e piroclásticas. Na Enseada da Cachoeira, podem-se reconhecer as rochas mais antigas da ilha. Há, também, a formação Morro Vermelho, resultada de uma erupção explosiva com derrames de lava denominada ankaratrica.[3]

Outras formações que se destacam são a Formação Valado, onde ocorre rochas piroclásticas; o Morro do Paredão, que representa as ruínas de um vulcão. O Morro do Paredão corre o risco de desaparecer devido à ação erosiva das águas oceânicas. É o único resto reconhecível de um vulcão no Brasil.[3]

Trindade possui uma série vulcânica que se caracteriza por ser altamente subsaturada em sílica. Juntamente com a série vulcânica de Fernando de Noronha, é a série vulcânica oceânica mais subsaturadas em sílica do Atlântico.[3]

Clima[editar | editar código-fonte]

A ilha de Trindade possui um clima que varia entre o tropical semi-úmido e o semi-árido. Apresenta baixa pluviosidade média anual e duas estações bem definidas, sendo a seca entre janeiro e março. O mês mais quente é março e julho é o mais frio[4] .

Flora e fauna[editar | editar código-fonte]

A pesquisa ambiental acerca do ecossistema da ilha encontra-se a cargo da equipe de pesquisas do Museu Nacional desde 1916. De acordo com estudos da instituição, existem 124 espécies botânicas vasculares na ilha, catorze das quais endêmicas. A principal espécie vegetal é a samambaia gigante. A principal espécie animal terrestre na ilha é o caranguejo-amarelo (Gecarcinus lagostoma),[5] que ocorre até mesmo nos picos mais altos. No passado, foram deixados para trás cabras, porcos e outros animais domesticados. Como eles perturbavam, o ambiente natural, a Marinha, com base em relatórios do Museu Nacional, erradicou as espécies exóticas [6] . Existem também aves marinhas, sendo predominante a presença de fragatas e uma variação de petréis.

No mar, é grande a variedade de espécies, mas a mais famosa é o cangulo preto, conhecido entre a guarnição da Marinha do Brasil como "pufa" ("pufavô me pegue!"), que ataca em cardume ao menor sinal de sangue, com comportamento e agressividade similar às piranhas. A ilha é local de desova de grande contingente da tartaruga-verde (Chelonia mydas) e área de alimentação da tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata). Dentre os Chondrichthyes, é comum a presença do Cação-Lixa, Tubarão Galha-Preta, Tubarão Galha-Branca e Tubarão-Limão (Negaprion brevirostris).

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • ALVES, R. J. V. 1998. Ilha da Trindade e Arquipélago Martin Vaz - Um Ensaio Geobotânico. Niterói: Serviço de Documentação, Marinha do Brasil, DHN. 144 pp.
  • MARINHO, Antônio; JANSEN, Roberta. Ilhas do Brasil: O Brasil além das 200 milhas. O Globo, 12 de Outubro de 2008. p. 59-60.
  • JANSEN, Roberta. Ilhas do Brasil: Desafio para os navegantes. O Globo, 13 de Outubro de 2008. p. 23-24.
  • MARINHO, Antônio; JANSEN, Roberta. Ilhas do Brasil: Os donos das ilhas. O Globo, 14 de Outubro de 2008. p. 35-36.
  • MARINHO, António; JANSEN, Roberta. Ilhas do Brasil: Onde o Brasil é mais jovem. O Globo, 15 de Outubro de 2008. p. 33.
  • SILVA, N.G. & ALVES, R.J.V. 2011. The eradication of feral goats and its impact on plant biodiversity - a milestone on the history of Trindade Island. Rodriguesia 62(3):717-719.
  • SOUSA, Manuel de Faria e Ásia Portuguesa. 1675

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Lucas Cembranelli. Ilha da Trindade - História. Folha Online. Folha de São Paulo.
  2. Barão do Rio Branco. Efemérides Brasileiras. Ver também LEITE, Duarte. A exploração do litoral do Brasil na cartografia da primeira década do século XVI. In: DIAS, Carlos Malheiros (coord.). História da Colonização Portuguesa do Brasil (v. 2). Porto (Portugal): Litografia Nacional, 1923. p. 425. A frota de João da Nova, a caminho da Índia, havia descoberto a 13 de Maio de 1501, mas na latitude de 8º S, uma ilha que denominou como Ilha da Conceição, a atual Ilha de Ascensão (LEITE, Duarte. O mais antigo mapa do Brasil. In: DIAS, Carlos Malheiros (coord.). História da Colonização Portuguesa do Brasil (v. 2). p. 252-253 e il. à p. 249.)
  3. a b c Almeida, Fernando F. M. de; C. Schobbenhaus (23/01/2000). A Ilha de Trindade (htm) (em português). Sítios Geológicos e Paleontológicos do Brasil - 092. Universidade Nacional de Brasília. Página visitada em 30/10/2009.
  4. ALMEIDA, Fernando. A Ilha de Trindade. In: Schobbenhaus,C.; Campos,D.A.; Queiroz,E.T.; Winge,M.; Berbert-Born,M. (Edit.) Sítios Geológicos e Paleontológicos do Brasil. Publicado na Internet em 23/01/2000. Disponível em [1]. Acesso em Maio de 2014
  5. http://www.flickr.com/photos/ilhadatrindade/4409921566/in/photostream
  6. Silva, N.G. & Alves, R.J.V. 2011. The eradication of feral goats and its impact on plant biodiversity - a milestone on the history of Trindade Island. Rodriguesia 62(3):717-719.