Virgulino Ferreira da Silva

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Virgulino Ferreira da Silva
Nascimento 4 de Junho de 1898 (ver abaixo)
Serra Talhada, PE
Morte 28 de julho de 1938 (40 anos)
Fazenda Angicos, Poço Redondo, SE
Nacionalidade Brasil brasileiro
Cônjuge Maria Bonita
Ocupação Cangaceiro

Virgulino Ferreira da Silva, vulgo Lampião (Serra Talhada, 4 de Junho de 1898 (ver abaixo)Poço Redondo, 28 de julho de 1938), foi um cangaceiro brasileiro.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nascimento[editar | editar código-fonte]

Há grande controvérsia sobre a data de nascimento de Lampião. As mais citadas são:

  • 4 de junho de 1898:[4] É a data citada em sua Certidão de Batismo[3] , uma das mais citadas na literatura de cordel. Este dia é geralmente aceito por muitos[1] [3] [4] devido ao costume das regiões do semiárido de primeiro batizar as crianças e registrá-las tempos depois, devido a um misto de religiosidade e desconfiança em relação ao poder civil constituído e a um "enquadramento administrativo" por parte deste.[1]

A questão de sua data de nascimento torna-se ainda mais relevante no contexto em que se instituem datas comemorativas em seu nome,[1] como o "Dia do Xaxado, projeto da Câmara Municipal de Serra Talhada que escolheu a data de 7 de julho,[6] que corresponde a seu registro civil.

Vida[editar | editar código-fonte]

Nascido na cidade de Vila Bela, atual Serra Talhada, no semiárido do estado de Pernambuco, foi o terceiro filho de José Ferreira da Silva e Maria Lopes de Oliveira. O seu nascimento só foi registrado no dia 7 de agosto de 1900. Até os 21 anos de idade ele trabalhava como artesão, era alfabetizado e usava óculos para leitura, características bastante incomuns para a região sertaneja e pobre onde ele morava. Uma das versões a respeito de seu apelido é que ele modificou um fuzil, possibilitando-o a atirar mais rápido, sendo que o cano aquecia tanto que brilhava dando a aparência de um lampião.[carece de fontes?]

Sua família travava uma disputa mortal com outras famílias locais até que seu pai foi morto em confronto com a polícia em 1919. Virgulino jurou vingança. Tornou-se um mito em termos de disciplina. O bando chamava os integrantes das volantes de "Macacos" - uma alusão ao modo como os soldados fugiam quando avistavam o grupo de Lampião: "pulando".[7]

Durante os 20 anos seguintes (começou aos 21 anos), Lampião viajou com seu bando de cangaceiros, que nunca ultrapassou o número de 50 homens, todos a cavalo e em trajes de couro, chapéus, sandálias, casacos, cintos de munição e calças para protegê-los dos arbustos com espinhos típicos da vegetação caatinga. Para proteger o "capitão", como Lampião era chamado, todos usavam sempre um poder bélico potente. Como não existiam contrabandos de armas para se adquirir, em sua maioria eram roubadas da polícia e unidades paramilitares. A espingarda Mauser e uma grande variedade de pistolas semiautomáticas e revólveres também eram adquiridos durante confrontos. A arma mais utilizada era o rifle Winchester.

Lampião foi acusado de atacar pequenas fazendas e cidades em sete estados além de roubo de gado, sequestros, assassinatos, torturas, mutilações, estupros e saques. Entretanto para muitas pessoas, especialmente no Nordeste, tem-se imagem de que Lampião era como o Robin Hood do sertão brasileiro, que roubava de fazendeiros, políticos e coronéis para dar aos pobres miseráveis, que passavam fome e lutavam para sustentar famílias com inúmeros filhos.

Era devoto de Padre Cícero e respeitava as suas crenças e conselhos. Os dois se encontraram uma única vez, no ano de 1926, em Juazeiro do Norte.

Sua namorada, Maria Gomes de Oliveira, conhecida como Maria Bonita, juntou-se ao bando em 1930 e, assim como as demais mulheres do grupo, vestia-se como um cangaceiro e participou de muitas das ações do bando. Virgulino e Maria Bonita tiveram uma filha, Expedita Ferreira, nascida em 13 de setembro de 1932. Há ainda a informação controversa de que eles tiveram mais dois filhos: os gêmeos Ananias e Arlindo Gomes de Oliveira, mas nunca foi comprovada a verdade dos fatos[8] . O casal teria tido ainda dois natimortos.

Cronologia[editar | editar código-fonte]

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  • 15 de julho de 1895 – Nasce Antônio Ferreira da Silva, que se tornaria o cangaceiro Antônio Ferreira. Seus pais eram Maria Lopes de Oliveira, conhecida como dona "Maria Jacosa", e Venâncio Nogueira, seu patrão.
  • Venâncio Nogueira doa a ela o sítio Passagem das Pedras, no riacho São Domingos, em Serra Talhada - PE.
  • José Ferreira da Silva, conhecido como "Zé Ferreira" e natural da fazenda Carro Quebrado, em Triunfo - PE, casa-se com "Maria Jocosa", e assume a paternidade da criança.
Cartaz do Governo da Bahia, oferecendo recompensa pela captura de Lampião (1930)
  • 8 de março de 1911 - Nasce Maria Gomes de Oliveira, vulgo Maria Bonita, na fazenda Malhada Caiçara, em Santa Brígida - BA. Seus pais eram José Felipe e Maria Joaquina da Conceição, conhecida como "Maria Dea". Alguns estudiosos do cangaço revelam que não há certeza sobre a data de nascimento de Maria Bonita, e também que ela não seria filha de José Felipe, mas de um senhor chamado "Agripino", ex-namorado de "Maria Dea". Segundo o pesquisador Valdir de Moura Ribeiro, o nascimento de Maria Bonita foi em 10 de janeiro de 1910.
  • 1916 – "Zé Caboclo" é preso pelo inspetor Manoel Lopes sob a acusação de roubo de bodes. Os irmãos Ferreira (Antônio, Levino e Virgulino) também são acusados do crime por Domingos Rodrigues, pagando a ele uma indenização financeira.
  • Após este incidente, foram encontrados dois chocalhos pertencentes a Zé Saturnino nas vacas dos Ferreiras. "Zé Saturnino" então pega três chocalhos dos Ferreiras e coloca em vacas suas.
  • O jovem Virgulino pega um burro pertencente a "Zé Saturnino", que acusa os Ferreiras de ladrões. Virgulino Ferreira, ofendido, manda ele ir buscar o burro em sua casa, e então mata nove reses de "Zé Saturnino".
  • Saturnino foi falar com "Zé Ferreira", arbitrariamente proibindo seus filhos de cuidar do rebanho em campo. Esta ordem de Saturnino não foi acatada pelos irmãos Ferreira, e eles foram emboscados por Saturnino na fazenda "Pedreira", em Lagoa da Água Branca. Nesta ocasião Antônio Ferreira, o irmão mais velho de Virgulino, foi ferido.
  • "Zé Ferreira", foi então até Serra Talhada (PE) pedir ajuda ao Coronel Antônio Timóteo de Lima, latifundiário pertencente à mesma corrente política da família Nogueira (Venâncio Nogueira era o pai biológico de Antônio Ferreira). No entanto, nenhuma providência foi tomada.
  • "Quelé do Cipó", parente de "Zé Saturnino" tentou apaziguar a questão, propondo reconciliação entre Saturnino e os Ferreira, mas "Zé Saturnino" não quis saber de qualquer tentativa de acordo.
  • 1917 – Na tentativa de evitar mais conflitos, "Zé Ferreira", homem calmo e sensato, vende suas terras e vai morar na fazenda Poço do Negro, próximo ao povoado de Nazaré do Pico, em Floresta - PE.
  • 10 de fevereiro de 1918 – "Zé Saturnino" vai buscar um dinheiro em Nazaré do Pico, quebrando um acordo não ir à cidade onde a família Ferreira morava. Ele então é emboscado por Virgulino e seu primo Domingos Paulo. No dia seguinte "Zé Saturnino" acompanhado por 15 homens, cerca a fazenda Poço do Negro, residência dos Ferreira. No conflito, um dos homens de Saturnino é baleado, o cabra "Zé Guedes".
  • 1919Nazaré do Pico é invadida por "Jacinto Alves de Carvalho". Virgulino, agora chamado de Lampião, defende o povoado.
  • José Alves Nogueira, tio de "Zé Saturnino" é emboscado por Virgulino Lampião. João Flor, padrinho de Virgulino, vai até o local do embate, pensando que era "Jacinto" novamente atacando o povoado. Contudo, ele descobre que o ato fora cometido por seu próprio afilhado, iniciando um atrito entre ele e os Ferreira.
  • Levino Ferreira da Silva dá um tiro no canto da rua e Odilon Flor, filho de João Flor, revida quase atingindo Lampião na cabeça. Começa o tiroteio e Levino é ferido e vai até a casa de Chico Euzébio, onde é preso e levado para Floresta. Levino é solto e os Ferreiras vão embora para Água Branca, em Alagoas.
  • 1920 - Lampião junta-se ao cangaceiro Antônio Matilde e ataca por diversas vezes a fazenda "Pedreira", pertencente a Zé Saturnino. Dos cabras que acompanhavam Lampião, podemos destacar os cangaceiros Antônio Ferreira, Levino Ferreira (Vassoura), Antônio Rosa, Baião, Manoel Tubiba, Cajazeira, Baliza, Zé Benedito, Olímpio Benedito e Manoel Benedito.
  • "Ze Saturnino" vendo prejuízos a seu gado e à sua fazenda, procurou seu tio, o famoso cangaceiro "Cassimiro Honório", que trouxe vários cabras para defesa da fazenda do sobrinho. Lá, alguns combates com o bando de Lampião foram travados. Entres os cabras de Ze Saturnino podemos citar Nego Tibúrcio, Zé Guedes, Zé Caboclo, Vicente Moreira, Batoque e o famoso Marcula.
  • Maio de 1920 – Em Alagoas, "Zé Ferreira" manda o filho João Ferreira comprar remédio para um sobrinho doente. O delegado Amarílio prende João Ferreira, como isca para tentar prender os seus irmãos foragidos.
  • Maria Jacoza, mãe de Lampião, fica preocupada e resolve ir embora da região. Ela adoece e morre na fazenda "Engenho" de Luiz Fragoso. Dezoito dias após sua morte. Zé Ferreira, pai de Lampião, Antônio e Vassoura, são mortos pelo tenente José Lucena de Albuquerque Maranhão e os irmãos Ferreira resolvem entrar de vez na vida do cangaço.
  • 1921- Os Ferreira entram no grupo dos Purcinos e matam o viajante Arthur Pinto. O tenente "Zé Lucena" vai até Poço Branco (AL), onde trava tiroteio com o grupo dos Purcinos. O cangaceiro Gafanhaque é morto. Nesse ano os Ferreiras e os Purcinos matam ainda 6 irmãos da família Quirino, de Júlio Batista.
  • 8 de agosto de 1921 – Combate na centenária fazenda "Carnaúba", em Serra Talhada (PE), entre "Sinhô Pereira" e "capitão Zé Caetano" sendo morto o cangaceiro Luiz Macário, e vitória da força volante.
  • Setembro de 1921 – Combate na fazenda "Feijão" entre Sinhô Pereira e tenente João Marques de Sá. Vitória dos cangaceiros sem morte nenhuma.
  • Outubro de 1921 – O bando de Sinhô Pereira e Lampião vai para o Ceará, onde travam combate na fazenda "Mandaçaia", não sofrendo nenhuma baixa em ambas as partes. Quatro dias depois travam combate na vila de Coité morrendo um soldado e saindo dois bandidos feridos. Depois houve outro combate onde foi morto o cangaceiro "Pitombeira" e saiu ferido o cangaceiro "Lavandeira" e dois soldados.
  • 23 de junho de 1922 – Lampião faz um assalto a fazenda "Baronesa de Água Branca", da cidade de Água Branca (AL), roubando aí grande quantia em dinheiro, sendo a primeira vez comandante de um grupo próprio.
  • 18 de julho de 1922 – Combate em Poço da Areia (AL) contra a força de 120 soldados do tenente Medeiros, além de parte da família Quirino. Baixas após assalto: O sargento Agapito e dois soldados, contra 20 cangaceiros de Lampião. Neste combate saiu gravemente ferido o cangaceiro Fiapo I sendo morto por Lampião depois.
  • Agosto de 1922 – Devido aos pedidos da família o cangaceiro Sinhô Pereira vai embora da fazenda "Preá", no Ceará, com destino a Goiás, para junta-se ao primo e ex-cangaceiro Luiz Padre.
  • 20 de outubro de 1922 – Invasão de São José do Belmonte (PE) onde é morto o rico comerciante e chefe político, coronel Luiz Gonzaga Lopes Ferraz. Lampião não tinha nenhum inimizade com o coronel mas atacou a cidade e matou o comerciante a pedido de "Yoyô Maroto", parente de "Sinhô Pereira" e inimigo político de Gonzaga. Depois disso a viúva vai embora do estado.
  • 31 de julho de 1923 – De surpresa, Lampião entra em Nazaré do Pico e vai até o casamento de sua prima e ex-amor de infância Maria Licor Ferreira e Enoque Menezes com o intuito de acabar o casamento sendo repelido pelo padre Kerlhe que pede para ir embora e deixar o casamento acontecer. Ele decide ir embora mas deixa a ordem para ninguém no povoado dançar.
  • 1 de agosto de 1923 – Combate na praça de Nazaré entre Lampião e a forca do sargento "Sinhorzinho Alencar" com a ajuda dos civis nazarenos João Flor, Euclides Flor, Manoel Flor, Davi Gomes Jurubeba, Pedro Gomes de Lira e Zé Saturnino e mais seis homens. Lampião vai embora. Depois desse ocorrido João Flor consegue alistar sua família na Força Volante de Combate ao Banditismo de Pernambuco por influência aos irmãos Pessoa de Queiroz. Tem início a Força de Nazaré, a mais ferrenha perseguidora de Lampião.
  • 12 de agosto de 1923 – Combate na fazenda "Enforcado", na Serra do Pico, em Floresta (PE) entre o grupo de Lampião e os nazarenos. Saiu ferido o bandido Miguel Piloto e os nazarenos Pedro Gomes de Lira, Olímpio Jurubeba e Adão Thomaz Nogueira.
  • 5 de janeiro de 1924 - Lampião invade a cidade de Santa Cruz da Baixa Verde - PE em busca de matar o seu ex-amigo Clementino Quelé. Nesse combate Lampião incendiou 3 casas e foi repelido pela força policial comandada pelo tenente Pedro Malta. Nesse combate morreram Pedro Quelé e Alexandre Cruz, ficando ferido Deposiano Alves Feitosa.
  • Janeiro de 1924 - Lampião ataca o povoado de Tupanaci, em Mirandiba - PE onde na ocasião encontrava-se um pequeno grupo de cangaceiros comandados por Tibúrcio Severino dos Santos, vulgo Nego Tibúrcio, ex-cabra de Zé Saturnino e odiado por Lampião. Lampião então entra em combate e mata Tibúrcio e seus cabras partindo o cangaceiro em vários pedaços e jogando o corpo no meio da rua.
  • Março de 1924 - Combate de Lampião na Serra do Catolé, em São José do Belmonte - PE. Lampião é gravemente ferido no pé sendo cuidado pelo Dr. José Cordeiro e pelo Dr. Severino Diniz, da cidade de Triunfo - PE. A pedido do padre Kerlhe ele pensou em se entregar para a polícia mas depois voltou atrás e continuou no cangaço.
  • 27 de julho de 1924 - Lampião manda um subgrupo com 84 cabras tendo o comando dos cangaceiros Antônio Ferreira, Levino Ferreira, Sabino Gomes, Paizinho, Meia-Noite e o fazendeiro Chico Pereira atacar e saquear a cidade de Sousa - PB. Tudo na cidade virou alvo de saque, os cangaceiros roubaram o comércio, residências, tendo a cidade um prejuízo incalculável. O principal alvo era o coronel Otávio Mariz, desafeto de Chico Pereira que fugiu. O juiz Dr. Archimedes Soutto Mayor foi humilhado em praça publica pelo bando. O destacamento local era comandado pelo tenente Salgado que nada pode fazer. Depois desse ataque o coronel Zé Pereira, de Princesa Isabel - PB, nunca mais deu proteção ao cangaceiro.
  • 14 de novembro de 1924 – Lampião toca fogo na casa da fazenda Lagoa do Mato, de Pedro Thomaz Nogueira sendo perseguidos pelos nazarenos Manoel Jurubeba, Manoel Flor, Inocêncio Nogueira e Levino Caboclo até chegar na fazenda Baixas de Antônio Feitosa, em Floresta - PE. Lá houve novo combate entre Lampião com 15 a 20 bandidos contra os nazarenos Euclides Flor, Olímpio Jurubeba, Elói Jurubeba, Pedro Lira, Abel Thomaz, Manoel Thomaz e Davi Jurubeba que saiu ferido no tornozelo. Foi morto o bandido Manoel de Margarida e dos nazarenos Olímpio Jurubeba e Inocêncio Nogueira.
  • 20 de fevereiro de 1925 - Lampião tenta entrar pacificamente na vila de Espírito Santo,município de Tabira - PE nos dias de hoje, para visitar seu primo Herculano Ferreira, porém é surpreendido por um ataque da Família Gomes dos Santos, importante família do pajeú daquela época com vários Fazendeiros em Serra Talhada, Floresta e na Vila de Espírito Santo Tabira. O ataque foi comandado pelo Tenente Anselmo Saraiva de Moura, vindo de Serra Talhada, que havia comprado uma grande fazenda no Sitio Cajá, tendo trazido a sua família para morar e defender aquela vila.
  • 4 de julho de 1925 - Lampião ataca a fazenda Melancia, em Flores - PE. O proprietário Zé Calu é violentado pelo grupo. Em seu socorro vieram os sargentos Imbrain e Zé Guedes com 30 soldados vão atrás do grupo que se aloja na fazenda Barra do Juá onde são mortos dois cangaceiros. Dali os cangaceiros vão para o sitio Tenório, em Flores - PE onde o soldado Berlamino Morais em pleno combate viu um vulto de cangaceiro em cima de uma pedra gritando e atirando. Belarmino então atira e mata. Era o cangaceiro Levino Ferreira da Silva, irmão de Lampião. No outro dia ao saber disso o capitão Zé Caetano e o cabo Pedro Monteiro vão até a fazenda Tenório e encontram os 3 corpos sem a cabeça, prática esta utilizada pelos cangaceiros para dificultar o reconhecimento pela polícia.
  • 14 de novembro de 1925 – Combate na fazenda Xique-Xique, em Serra Talhada - PE entre Lampião e a forca volante composta de Euclides Flor, Manoel Flor, João Jurubeba, Aurelino Francisco, Hercílio Nogueira, Ildefonso Flor e o rastejador Batoque. Neste combate é morto o soldado Ildefonso Flor. Dois cangaceiros são capturados, Mão Foveira e Cancão.
  • 4 de fevereiro de 1926 – Na fazenda Caraíbas, em Floresta - PE houve combate entre Lampião com 60 cangaceiros e a força volante do tenente Optato Gueiros com 35 soldados. O tenente Higino Belarmino, o cabo Manoel de Souza Neto e o rastejador Batoque saíram feridos. Foi morto os soldados Aristides Panta, Benedito Bezerra de Vasconcelos e Antônio Benedito Mendes e também 6 cangaceiros de Lampião.
  • 18 de fevereiro de 1926 – Lampião aproveita e ataca Nazaré do Pico com 50 cabras. No povoado estavam apenas Lúcio Nogueira, Abel Thomaz, Aureliano Nogueira, Manoel Jurubeba, Gomes Jurubeba e João Jurubeba. Depois chegou Odilon Flor com Euclides Flor, Vicente Grande, Manoel Lira, Antônio Capistrano e Quinca Chico. Lampião recuou que com raiva tocou fogo nas fazendas de Euclides, João Flor, Afonso Nogueira e Praxedes Capistrano.
  • 20 de fevereiro de 1926 – A Coluna Prestes passa próximo ao povoado de Nazaré com 600 homens sendo perseguida pela força legalista comandada pelo major Otacílio Fernandes que ao entrar no povoado houve troca de tiros por engano com os habitantes.
  • 23 de fevereiro de 1926 - Lampião ataca a fazenda Serra Vermelha, em Serra Talhada - PE e Antônio Ferreira mata Zé Alves Nogueira, tio de seu inimigo Zé Saturnino. Zé Nogueira havia sido sequestrado pela Coluna Prestes na passagem da mesma pela região e tinha acabado de chegar em casa cansado da violência sofrida pelos revoltosos e sua morte gerou grande ódio na família Nogueira.
  • 12 de março de 1926 – Lampião recebe a patente de capitão do Exército Patriótico de Padre Cícero em Juazeiro do Norte - CE. Lampião tinha bastante respeito e devoção ao padre e sua chegada na cidade foi com festa sendo até entrevistado. Foi a ultima vez que reuniu toda a família para tirar uma foto. Recebeu muita munição e ordens para combater a Coluna Prestes.
  • 20 de abril de 1926 - Lampião ataca o povoado de Algodões que se encontrava com os soldados doentes de malária.
  • 7 de julho de 1926 - Lampião manda o cangaceiro Sabino Gomes atacar a cidade de Triunfo - PE saqueando o comércio local. Houve troca de tiros com a polícia saindo mortos 2 soldados e o comandante da polícia local.
  • 1 de agosto de 1926 – Lampião com 80 cangaceiros ataca a fazenda Serra Vermelha, em Serra Talhada - PE. A família Nogueira composta do major João Alves Nogueira, do seu filho Neneco e dos seus netos Luiz, Dãozinho, Raimundo e Gentil Nogueira combatem saindo morto o cabra Zé Paixão e Antônia, ambos moradores de João Nogueira, este tio-sogro de Zé Saturnino.
  • 26 de agosto de 1926 – O cangaceiro Horácio Novaes pede a Lampião para ataca a família Gilo, na fazenda Tapera, em Floresta - PE por conta de uma mentira que Horácio soltou para Lampião sobre o patriarca da família. Lampião então mata 12 pessoas da família e na hora de mostrar uma carta ao patriarca o mesmo responde que não sabe ler e escrever sendo morto na mesma hora por Horácio Novaes. Lampião percebe a mentira de Horácio e ele sai do grupo indo embora para o sul do país.
  • 6 de setembro de 1926 – Lampião ataca a Fazenda Saco do Martinho de propriedade do Tenente Coronel Martinho da Costa Agra Parnamirim - PE morrendo 2 soldados.
  • 16 de setembro de 1926 – Combate na fazenda Tigre, em Itacuruba - PE entre Lampião e o cabo Francisco Liberato. Lampião foi ferido na omoplata e o cangaceiro Moreno no pé. Lampião foi para a Serra da Cunha, em Tacaratu - PE trata do ferimento. Lá ficou escondido sobre a proteção do rico-fazendeiro Ângelo Gomes de Lima, o Anjo da Gia.
  • 11 de novembro de 1926 – Combate na fazenda Favela, em Floresta - PE entre Lampião e a força volante comandada pelo cabo Manoel de Souza Neto e o sargento Zé Saturnino. A força recuou morrendo 5 soldados sendo um deles João Gregório Ferraz Neto, da família nazarena. Do lado dos cangaceiros morreram cinco bandidos. Após o combate o capitão Muniz de Farias chegou na fazenda e mandou toca fogo em tudo por ter raiva do dono da fazenda.
  • 25 de novembro de 1926 – Lampião sequestra o viajante Mineiro Dias e vai até a Serra Grande, em Serra Talhada - PE. Nessa serra acontece o maior combate entre cangaceiros e a polícia. Participam do combate o major Theófanes Ferraz Torres, tenente Higino Belarmino, tenente Sólon Jardim, sargento Arlindo Rocha, cabo Manoel Neto, despedaçam Euclides Flor e mais 400 homens. Lampião do alto da serra ataca e mata onze da polícia e deixa onze feridos entre eles Manoel Neto e Arlindo Rocha. De Lampião apenas Antônio Ferreira foi baleado.
  • 25 de dezembro de 1926 - Por conta do ferimento e da falta de munição gasta no combate da Serra Grande, o cangaceiro Antônio Ferreira junto de Luiz Pedro, Jurema e Biu vão até a fazenda Poço do Ferro, em Tacaratu - PE, pertencente ao coiteiro Ângelo Gomes de Lima. O cangaceiro Luiz Pedro estava limpando uma arma e acabou dormindo. Antônio Ferreira em ato de brincadeira balança a rede para acordá-lo e a arma dispara acidentalmente atingindo Antônio Ferreira. Lampião é chamado até a fazenda. Chegando lá encontra Antônio ainda vivo e isenta Luiz Pedro de culpa. Logo depois morre o cangaceiro Antônio Ferreira, seu irmão.
  • 15 de maio de 1927 - Lampião tenta entrar na cidade de Uiraúna - PB com 35 cabras sendo repelidos pela força policial comandada pelo tenente Nelson Furtado Leite e mais 14 homens. O combate durou cerca de uma hora saindo vencedora a força policial que perdeu apenas um soldado.
  • 13 de junho de 1927 - Lampião ataca a cidade de Mossoró - RN. O bando de Lampião foi dividido em vários subgrupos comandados pelos cangaceiros Sabino Gomes, Massilon Leite, Jararaca e Luiz Pedro. A cidade estava totalmente organizada tendo a frente o prefeito Rodolfo Fernandes que distribuiu seu pessoal nas 4 torres da cidade, que aquela altura era a segunda maior do estado. Lampião sofreu sua maior derrota. O cangaceiro Jararaca foi preso e enterrado vivo. Mossoró saiu vencedora.[9]
  • 15 de junho de 1927 - Lampião em fuga do combate de Mossoró sequestra a senhora Maria Rocha e o senhor Antônio Gurgel pedindo 80 contos de réis. Para isso ele vai até a cidade de Limoeiro do Norte - CE sendo recebido pacificamente pelo juiz Custódio Saraiva que passou telegrama sobre o resgate do sequestro que não chegou. Lampião dormiu na cidade e depois foi embora.
  • 17 de junho de 1927 - Combate entre Lampião e a Força Volante na Serra da Micaela, em Jaguaribara - CE. Lampião com 42 homens e a policia com 815 homens comandados pelo major Moisés Leite de Figueiredo, cunhado do major Isaías Arruda, este velho coiteiro de Lampião. Apesar do combate ter sido morto dois soldados e um saiu ferido, o major Moisés com grande número de policiais foi acusado de covarde pelo tenente Joaquim Teixeira de Moura.
  • 7 de julho de 1927 - Lampião em fuga de Mossoró passa um bom tempo na Serra do Coxá, em Milagres - CE. Depois de alguns dias saiu e foi para a casa de Zé Cardoso na fazenda Ipueiras, em Aurora - CE. Lá era coito de seu velho amigo Isaías Arruda o que fez Lampião confiar. Chegando nessa fazenda Lampião almoçou e logo depois o dono ofereceu 8 cabras para participar do bando o que foi recusado por Lampião desconfiado de traição. Realmente estava combinado entre o major Moisés e seu cunhado Isaías Arruda essa estratégia. Lampião resolve ir embora sendo atacado pelo major Moisés com 15 soldados.
  • 27 de março de 1928 - Lampião vai até a fazenda Batoque, em Jati - CE do coiteiro Antônio da Piçarra. A Força de Nazaré entra no estado cearense. O cangaceiro Sabino Gomes conversava ao pé de um fogueira quando é atingido na boca por Hercílio Nogueira, dos nazarenos. Lampião bate em retirada sendo perseguindo pela polícia. Duas semanas depois, não aguentando ver tanto sofrimento com o ferimento de Sabino, o cangaceiro Mergulhão a pedido mata Sabino com um tiro de misericórdia.
  • 26 de agosto de 1928 - Lampião entra na cidade de Bonfim - BA. Houve pequeno combate com a força do tenente Manoel Neto.
  • 22 de dezembro de 1929 - Lampião entra em Queimadas - BA. Lá ele assaltou a casa de João Lantyer de Araújo Cajahyba e cortou os fios do telégrafo e sequestrou os telegrafistas Joaquim Cavalcante e Manoel Evangelista que receberam o resgate de 500 mil réis. Depois foi até a cadeia e prendeu o sargento Evaristo Costa e outros 7 soldados. Foi almoçar e depois voltou para a cadeia e soltou todos os presos. Mandou os todos os 7 soldados ajoelharem e matou um por um. Pela noite, saqueou o comércio onde conseguiu 20 contos de réis. Foi ao cinema da cidade e depois mandou fazer um baile.
  • 25 de dezembro de 1929 - Lampião ataca a cidade de Mirandela - BA. A força policial comandada pelo Francisco Guedes de Assis repele o ataque travando pequeno combate onde são mortos os civis Manoel Amaral e Jeremias Dantas e mais um soldado. Nesse combate é ferido o cangaceiro Luiz Pedro. Lampião então entra na cidade e saqueia o comércio local.
  • 17 de outubro de 1930 - Lampião invade a cidade de Simão Dias - SE. Invadiu casas, saqueou o comércio local e humilhou alguns moradores, levando a morte à esposa do latifundiário Martinho Ferreira Matos que estava de resguardo quando foi violentada pelo próprio.
  • dezembro de 1930 - Lampião conhece Maria Bonita, casada com o sapateiro Zé de Neném. Ela já era apaixonada pelo cangaceiro e fugiu com ele deixando uma carta para o ex-marido. Foi a primeira mulher a participar do cangaço.
  • 24 de maio de 1931 - Combate em Tanque do Touro entre o bando de Lampião e o tenente Arsênio. Nesse combate, a cangaceira Dadá, esposa de Corisco tem um filho que nasce em pleno tiroteio. A criança, de nome Josafá morre dois meses depois.
  • 28 de julho de 1931 - O Governo da Bahia contrata a Força de Nazaré comandada pelo tenente Manoel de Souza Neto para combater Lampião naquele estado. Faziam parte daquela força o sargento Davi Jurubeba, Euclides Flor, Manoel Flor, João Gomes de Lira, Pedro Gomes de Lira, Herculano Nogueira, João Cavalcanti, Vicente Grande, Henrique Gregório e Antônio Capistrano, tudo gente do povoado.
  • 6 de setembro de 1931 - Combate na fazenda Aroeiras, em Glória - BA entre Lampião e a força volante do tenente Manoel Neto com 15 soldados. Neste combate acontece episódio épico em um riacho onde Manoel Neto e o famoso cangaceiro Corisco ficam frente a frente tendo o cangaceiro fugido em disparada. Não houve baixas nesse combate.
  • 5 de janeiro de 1932 - Lampião invade a cidade de Canindé - SE. Nesta cidade violenta várias moças e saqueia o comércio local.
  • 8 de janeiro de 1932 - Lampião encontra-se com 32 cangaceiros na fazenda Maranduba, em Poço Redondo - SE. A força do tenente Manoel Neto com 100 soldados vai em perseguição travando grande combate. Na frente da força estava os soldados João Cavalcanti e Hercílio Nogueira que tombaram mortos. Adalgísio Nogueira, irmão de Hercílio tentou socorrer e também foi alvejado morrendo no local. Foi o maior combate de Lampião na Bahia. A força recuou com 6 soldados mortos e 12 feridos. Os cangaceiros perderam 3 cabras e um outro que de tão ferido Lampião matou.
  • 22 de abril de 1932 - Lampião trava combate na fazenda Caldeirão contra força do tenente Abdon Menezes e Manoel Neto.
  • 11 de agosto de 1932 - Combate entre o bando de Lampião e o tenente Ladislau na fazenda Cajazeira, em Cipó - BA.
  • 23 de outubro de 1937 - Um subgrupo de Lampião, comandado por Corisco e Gato atacam violentamente a cidade de Piranhas - AL. O intuito era resgatar a cangaceira Inacinha, companheira de Gato.

A morte de Lampião e seu bando[editar | editar código-fonte]

As cabeças dos cangaçeiros incluindo Lampião e Maria Bonita

No dia 27 de julho de 1938, o bando acampou na fazenda Angicos, situada no sertão de Sergipe, esconderijo tido por Lampião como o de maior segurança. Era noite, chovia muito e todos dormiam em suas barracas. A volante chegou tão de mansinho que nem os cães pressentiram. Por volta das 5:15 do dia 28, os cangaceiros levantaram para rezar o ofício e se preparavam para tomar café; quando um cangaceiro deu o alarme, já era tarde demais.

Não se sabe ao certo quem os traiu. Entretanto, naquele lugar mais seguro, o bando foi pego totalmente desprevenido. Quando os policiais do Tenente João Bezerra e do Sargento Aniceto Rodrigues da Silva abriram fogo com metralhadoras portáteis, os cangaceiros não puderam empreender qualquer tentativa viável de defesa.

O ataque durou uns vinte minutos e poucos conseguiram escapar ao cerco e à morte. Dos trinta e quatro cangaceiros presentes, onze morreram ali mesmo. Lampião foi um dos primeiros a morrer. Logo em seguida, Maria Bonita foi gravemente ferida. Alguns cangaceiros, transtornados pela morte inesperada do seu líder, conseguiram escapar. Bastante eufóricos com a vitória, os policiais apreenderam os bens e mutilaram os mortos. Apreenderam todo o dinheiro, o ouro e as joias.

A força volante, de maneira bastante desumana para os dias de hoje, mas seguindo o costume da época, decepou a cabeça de Lampião. Maria Bonita ainda estava viva, apesar de bastante ferida, quando foi degolada. O mesmo ocorreu com Quinta-Feira, Mergulhão (os dois também tiveram suas cabeças arrancadas em vida), Luís Pedro, Elétrico, Enedina, Moeda, Alecrim, Colchete (2) e Macela. Um dos policiais, demonstrando ódio a Lampião, desfere um golpe de coronha de fuzil na sua cabeça, deformando-a; este detalhe contribuiu para difundir a lenda de que Lampião não havia sido morto e escapara da emboscada, tal foi a modificação causada na fisionomia do cangaceiro. "Feito isso, salgaram os seus troféus de vitória e colocaram em latas de querosene, contendo aguardente e cal."[10] Os corpos mutilados e ensanguentados foram deixados a céu aberto, atraindo urubus. Para evitar a disseminação de doenças, dias depois foi colocada creolina sobre os corpos. Como alguns urubus morreram intoxicados por creolina, este fato ajudou a difundir a crença de que eles haviam sido envenenados antes do ataque, com alimentos entregues pelo coiteiro traidor.

Percorrendo os estados nordestinos, o coronel João Bezerra exibia as cabeças - já em adiantado estado de decomposição - por onde passava, atraindo uma multidão de pessoas. Primeiro, os troféus estiveram em Piranhas, onde foram arrumadas cuidadosamente na escadaria da Prefeitura, junto com armas e apetrechos dos cangaceiros, e fotografadas. Depois, foram levadas a Maceió e ao sudeste do Brasil.

No IML de Aracaju, as cabeças foram observadas pelo médico Dr. Carlos Menezes. Depois de medidas, pesadas e examinadas, os criminalistas mudaram a teoria de que um homem bom não viraria um cangaceiro, e que este deveria ter características sui generis. Ao contrário do que pensavam, as cabeças não apresentaram qualquer sinal de degenerescência física, anomalias ou displasias, tendo sido classificados, pura e simplesmente, como normais.

Do sudeste do País, apesar do péssimo estado de conservação, as cabeças seguiram para Salvador, onde permaneceram por seis anos na Faculdade de Odontologia da UFBA. Lá, tornaram a ser medidas, pesadas e estudadas, na tentativa de se descobrir alguma patologia. Posteriormente, os restos mortais ficaram expostos no Museu Antropológico Estácio de Lima localizado no prédio do Instituto Médico Legal Nina Rodrigues, em Salvador, por mais de três décadas.

O Memorial da Resistência localizado em Mossoró no Rio Grande do Norte é um museu que retrata a história da única cidade nordestina a resistir à invasão do bando de Lampião.

Durante muito tempo, as famílias de Lampião, Corisco e Maria Bonita lutaram para dar um enterro digno a seus parentes. O economista Sílvio Bulhões, filho de Corisco e Dadá, em especial, empreendeu muitos esforços para dar um sepultamento aos restos mortais dos cangaceiros e parar, de vez por todas, a macabra exibição pública. Segundo o depoimento do economista, dez dias após o enterro de seu pai, a sepultura foi violada, o corpo foi exumado, e sua cabeça e braço esquerdo foram cortados e colocados em exposição no Museu Nina Rodrigues.

O enterro dos restos mortais dos cangaceiros só ocorreu depois do Projeto de Lei nº 2.867, de 24 de maio de 1965. Tal projeto teve origem nos meios universitários de Brasília (em particular, nas conferências do poeta Euclides Formiga), e as pressões do povo brasileiro e do Clero o reforçaram. As cabeças de Lampião e Maria Bonita foram sepultadas no dia 6 de fevereiro de 1969. Os demais integrantes do bando tiveram seu enterro uma semana depois.[2]

Lampião compositor[editar | editar código-fonte]

"Mulher Rendeira" é um antigo tema popular, muito cantado nos sertões nordestinos ao tempo de Lampião, e cuja origem é controversa. Segundo a versão mais conhecida do Pe. Frederico Bezerra Maciel, regionalista pernambucano e biógrafo de Lampião, é de que o mesmo teria escrito os versos da versão original da música.[11] A ele se acrescenta Câmara Cascudo, segundo o qual Lampião teria feito escrito a letra em homenagem ao aniversário de sua avó d. Maria Jocosa Vieira Lopes ("Tia Jacosa") em 15 de setembro, que era uma rendeira.[12] [13] Compôs a música entre setembro de 1921 e fevereiro de 1922, quando apresentou a música em Floresta (Pernambuco).[12] A música tornou-se praticamente um hino de guerra dos cangaceiros do bando de Lampião, tendo inclusive relatos de que o seu ataque a Mossoró em 1927 teria sido feito com mais de 50 cangaceiros cantando "Mulher Rendeira".[12]

Por isso foi incluído no premiado filme "O Cangaceiro", de Lima Barreto, que o celebrizou no país e no exterior. Na ocasião, sofreu uma adaptação do compositor Zé do Norte (Alfredo Ricardo do Nascimento), autor de outras músicas do filme, que manteve a sua estrutura original. Há também uma gravação de um antigo cabra do bando de Lampião, o cangaceiro Volta Seca.[14]

Representações na cultura[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Livros consultados[editar | editar código-fonte]

  • De Virgulino a Lampião (Antônio Amaury e Vera Ferreira);
  • Lampião, Memórias de um soldado de volante Vol. 1 e 2 (João Gomes de Lira);
  • Floresta, uma terra um povo (Leonardo Ferraz Gominho);
  • Assim morreu Lampião (Antônio Amaury Correa Araújo);
  • Lampião, nem herói nem bandido (Anildomá Williams Souza);
  • Zé Saturnino e Lampião (José Alves Sobrinho);
  • Lampião, seu tempo e seu reinado (Padre Frederico Bezerra Maciel);
  • O Canto do Acauã (Marilourdes Ferraz);
  • Gente de Lampião - Sila e Zé Sereno (Antônio Amaury Correa Araujo);
  • Floresta do Navio (Carlos Antônio de Souza Ferraz);
  • Gente de Lampião - Dadá e Corisco (Antônio Amaury Correa Araujo).

Referências

  1. a b c d e Grunspan-Jasmin, Élise. Lampião, senhor do sertão: vidas e mortes de um cangaceiro. [S.l.]: Editora Universidade de são Paulo, 2006. Capítulo 1. 390 pp. p. 43-44. ISBN 9788531409134. Visitado em 12 de janeiro de 2012.
  2. a b "Lampião (Virgulino Ferreira da Silva)", por Semira Adler Vainsencher para a Fundação Joaquim Nabuco
  3. a b c Virgulino Ferreira Cultura Itinerante Dana cultural. Visitado em 12 de janeiro de 2012.
  4. a b Biografia de Lampião
  5. Lampião Website da Quadrilha Eta Lasquera. Visitado em 12 de janeiro de 2012.
  6. Matérias Apresentadas no 1º Semestre de 2006 - Projetos do Executivo Câmara Municipal de Serra Talhada. Visitado em 12 de janeiro de 2012.
  7. "Lampião (Virgulino Ferreira da Silva)" por Semira Adler Vainsencher para a Fundação Joaquim Nabuco)
  8. João de Sousa Lima, escritor e pesquisador, membro da SBEC-Sociedade de Estudos do Cangaço, da Academia de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico de Paulo Afonso Blog João de Souza Lima
  9. - "Há 80 anos, Lampião chegava a Mossoró". Nominuto.com
  10. Fundação Joaquim Nabuco
  11. Frederico Bezerra Maciel. Lampião, seu tempo e seu reinado. Recife: Editora Universitária, 1979.
  12. a b c Lampião - O Capitão do sertão! Anuário Cultural Humanus VII - Edição Lampião Sama Multimídia (2008).
  13. Mulher Rendeira – “A versão autentica” (em inglês) RhythmnRoots (13 de dezembro de 2010). Visitado em 5 de janeiro de 2012.
  14. Santos, Everaldo José dos (05/10/2006). Mulher Rendeira Cifra Antiga. Visitado em 24/07/2013.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Lampião, o Rei dos Cangaceiros - Autor: Billy James Chandler
  • Revista Super Interessante - Editora Abril/Junho de 1997
  • Lampião, o Invencível - Autor: José Geraldo Aguiar - Editora Thesaurus/2010
  • Élise Grunspan-Jasmin, Lampião - Senhor do Sertão, ed. Edusp (trad. de Lampião, vies et morts d'un bandit brésilien, ed. PUF 2001)

Ligações externas[editar | editar código-fonte]