Cara de Cavalo

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Cara de Cavalo
Nome Manoel Moreira
Nascimento 1941
Morte 3 de outubro de 1964
Cabo Frio, Rio de Janeiro
Nacionalidade Brasileiro
Crime(s) Assassinato do detetive Milton Le Cocq
Situação Executado

Manoel Moreira, mais conhecido pela alcunha Cara de Cavalo (19413 de outubro de 1964) foi um criminoso brasileiro. Acusado do assassinato de Milton Le Cocq, foi a primeira vítima da Scuderie Le Cocq, organização policialesca clandestina criada para vingar a morte do detetive.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Morador da Favela do Esqueleto, Cavalo iniciou-se na criminalidade ainda garoto, vendendo maconha na Central do Brasil. Tornou-se pouco depois cafetão e ligou-se ao jogo do bicho. Diariamente cumpria a rotina de percorrer de táxi os pontos de jogo da Vila Isabel acompanhado de uma amante, a quem designara a tarefa de recolher o pagamento compulsório do dia. Ocasionalmente, tornou-se amigo do artista plástico Hélio Oiticica que, passista da Mangueira e frequentador de favelas, era fascinado pela marginalidade.[1]

Insatisfeito com os pagamentos, um bicheiro procurou o detetive Le Cocq, que organizara um grupo clandestino de policiais para caçar criminosos. Em 27 de agosto de 1964, o detetive, acompanhado dos colegas Jacaré, Cartola e Hélio Vígio, armou o cerco a Cavalo em um dos pontos de jogo. Percebendo a armadilha, o bandido tentou fugir, mas teve seu táxi cercado pelo Fusca de Le Cocq. Após um breve tiroteio, o detetive caiu morto com um tiro da Colt 45 de Cavalo.[1] [2]

O incidente decretou a sentença de morte de Cavalo; de reles marginal, ele passou a ser um dos criminosos mais procurados do Rio de Janeiro. Armou-se então um grande operação à sua cata, mobilizando dois mil policiais em quatro estados. Um mês e sete dias depois, Cavalo foi finalmente encontrado em Cabo Frio. No dia 3 de outubro, o criminoso foi cercado em seu esconderijo pela denominada "turma da pesada" (grupo formado pelos policiais Sivuca, Euclides Nascimento, Guaíba, Cartola, Jacaré e Hélio Vígio, entre outros), e sumariamente executado com mais de cem disparos, 52 dos quais o atingiram, 25 apenas na região do estômago.[1] [3]

Consequências[editar | editar código-fonte]

A caçada a Cavalo deixara a polícia desorientada. Motivados pelo bordão de Le Cocq de que "bandido que atira num policial não deve viver", as autoridades se desentenderam na corrida por deter o criminoso, enquanto pessoas parecidas com ele eram mortas por engano. Após a execução, a "turma da pesada" consolidou-se como a Scuderie Le Cocq, tendo Luiz Mariano como presidente da organização clandestina de repressão ao crime e Sivuca eleito deputado estadual com a plataforma "bandido bom é bandido morto".[1]

Um ano depois da morte, Hélio Oiticia criou a obra Homenagem a Cara de Cavalo, uma caixa envolta por telas, cujas paredes internas foram cobertas por fotografias do criminoso assassinado. Em 1968 ele prestaria outro tributo ao amigo, com o poema-bandeira "Seja marginal, seja herói".[1]

A Scuderie inspirou o surgimento do Esquadrão da Morte, cuja perseguição e execução de bandidos espalhou-se por todo o Brasil.[4]

Referências

  1. a b c d e Zuenir Ventura. Cidade Partida. Editora Companhia das Letras. ISBN 9788571644038 (1994)
  2. Última Hora, Ano XIV Edição vespertina - número 4545, páginas 1 e 7 (28 de agosto de 1964). Fuzilado um líder do esquadrão da morte Fundo Ultima Hora-Arquivo Público do Estado de São Paulo. Visitado em 19 de fevereiro de 2013.
  3. Cara de Cavalo assassinado com 52 tiros em Cabo Frio Jornal do Brasil,Ano LXXIV, número 235, pagina 10 (4 de outubro de 1964). Visitado em 19 de fevereiro de 2013.
  4. Ana Amélia da Silva, Miguel Wady Chaia, Carmen Junqueira. Sociedade, cultura e política: ensaios críticos (2004)