Imbituba

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Município de Imbituba
Bandeira de Imbituba
Brasão de Imbituba
Bandeira Brasão
Hino
Fundação 21 de junho de 1958 (56 anos)
Gentílico imbitubense
Lema Imbituba, um mar de oportunidades
Prefeito(a) Jaison Cardoso (PSDB)
(2013–2016)
Localização
Localização de Imbituba
Localização de Imbituba em Santa Catarina
Imbituba está localizado em: Brasil
Imbituba
Localização de Imbituba no Brasil
28° 14' 24" S 48° 40' 13" O28° 14' 24" S 48° 40' 13" O
Unidade federativa  Santa Catarina
Mesorregião Sul Catarinense IBGE/2008[1]
Microrregião Tubarão IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Garopaba, Imaruí e Laguna.
Distância até a capital 90 km
Características geográficas
Área 184,787 km² [2]
População 40 170 hab. Censo IBGE/2010[3]
Densidade 217,39 hab./km²
Altitude 10 m
Clima Não disponível
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,765 alto PNUD/2010[4]
PIB R$ 848 290,125 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 21 991,24 IBGE/2008[5]
Página oficial

Imbituba é um município brasileiro do estado de Santa Catarina. De acordo com estimativas do Censos 2010 do IBGE, sua população é de 40.170 habitantes, com uma unidade territorial de 186,787 km².

Considerada a capital nacional da Baleia-franca, estrutura-se mais a cada ano para receber o crescente número de turistas que visitam a cidade.

Cidade pouco edificada, sua população se dispersa nos distritos do Mirim, Vila Nova e a Sede.

Possui praias importantes[carece de fontes?] como a Praia do Rosa, considerada uma das 30 baías mais bonitas do mundo[carece de fontes?] e a Praia da Vila, que além de beleza encantadora, formado por ilhas próximas uma das outras e trilhas como a Trilha Ecológica do Farol, possui uma das maiores e melhores ondas do Brasil para a prática do surf,[carece de fontes?] sendo palco principal do WCT - campeonato mundial de surf, desde 2003.

História[editar | editar código-fonte]

O topônimo "Imbituba" provém do indígena "Embetuba" ou "Imbituba" que significa região com imensa quantidade de imbé, uma espécie de cipó escuro-roxo, muito resistente, usado para confecção de cordas. Esta alternativa toponímica consta do acervo de pesquisas dos historiadores Antenor Nascente e Teodoro Sampaio.

A etimologia do termo "Imbituba" nos demonstra o seu valor geográfico, derivando-se do prefixo "Imbé" e do sufixo "tuba".

"Imbé", também denominada "guaimbé", é uma palavra muito conhecida tanto pelo índio como pelos homens do mar, agricultores, construtores e jardineiros. Pertence à família das aráceas e os botânicos a denominam Philodendron bipinnatifidum Schott. Suas folhas são majestosas e diversas vezes fendidas. Sua copa frondosa faz com que seja colocada entre as plantas ornamentais mais formosas.

Vive, indiferentemente, no solo ou nas árvores. No último caso, emite, de cima, raízes adventícias que caem por espaços de muitos metros e penetram no chão.

Ainda hoje há grande quantidade de "imbé" no chamado Costão do Farol e nos morros de Ribanceira.

A casca do imbé é assaz procurada para confecção de cordas e substitui em muitos casos, com vantagem, o arame e diferentes fibras vegetais.

Pode permanecer na água por mais de cinquenta anos sem apodrecer, devido a quantidade extraordinária de tanino que possui, uma fibra adstringente que aperta os tecidos, comprimindo-os.

O cipó imbé era aplicado ainda na indústria da pesca litorânea graças à resistência à água salgada, ao sol e à chuva.

Existem historiadores que, baseados em minuciosas pesquisas, encontram outras variações etimológicas para o termo "imbé", denominando-o como "planta que rasteja", segundo descrição de Von Martius e a maioria dos entendidos.

Outros autores interpretam diferentemente o nome "imbé". Cristóvam de Mauricéia, por exemplo, afirma significar "y-embé", ou seja, "praia, orla de água". Esta interpretação é pouco provável porque o mesmo nome, somente trocando-se o "b" por "v", é dado a um rio e a uma cidade da região serrana do Paraná, Imbituva. Aí só se pode referir à planta 'imbé" e não aos cômoros de areia e orlas arenosas do litoral. Saint Hilaire acha que "imbé" significa "objeto reunido, objeto de cacho", certamente com referência ao sistema peculiar da inflorescência do 'imbé". "Tuba" ou "tuva" significa "abundância".

Imbituba significa, pois, "lugar onde há cipó em abundância". Em resumo, cipoal.

Povoamento[editar | editar código-fonte]

A descoberta das terras de Imbituba ocorreu no ano de 1622 quando aqui chegaram os missionários pertencentes ao Colégio do Rio de Janeiro, Padres Antônio Araújo e Pedro da Mota.

Sua missão era catequizar os índios Carijós que habitavam o litoral catarinense. Esses padres permaneceram no hoje Bairro de Vila Nova até 1624, quando seguiram para a região de Santo Antônio dos Anjos da Laguna, por ordem de seus superiores.

Os índios Carijós, que habitavam a região litorânea de Vila Nova e Laguna, viviam semi-nús, usando penas como adornos e se cobriam de peles. Moravam em choças de palha e obedeciam cegamente ao chefe da tribo. Deve-se notar que os sambaquis existentes na região de Roça Grande e Barbacena são um testemunho eloqüente da proliferação indígena na região de Imbituba e Laguna.

A incursão dos padres Antônio e Pedro por Vila Nova não foi das mais felizes, tendo em vista a resistência oferecida por alguns homens brancos, de espírito aventureiro, que não queriam ver seus escravos catequizados. Assim, os padres foram forçados a abandonar a missão, que durou apenas dois anos. E, com a saída dos religiosos, Vila Nova retornou à condição de terra virgem.

Em 1675, 53 anos após a incursão dos missionários Antônio e Pedro, apareceram em Vila Nova, oriundos de Laguna, alguns homens trazendo mulheres, crianças e um reduzido número de escravos. Construíram alguns casebres, desbravaram algumas áreas e iniciaram o plantio de cereais. Não conseguiram, entretanto, desenvolver a área para a formação de um povoado. Apenas meia dúzia de famílias permaneceram no local, espalhando-se por Vila Nova, Mirim e Imbituba propriamente dita.

O ano de 1715 marcou o início do povoamento de Imbituba, com a chegada do Capitão Manoel Gonçalves de Aguiar que, por determinação do Governador do Rio de Janeiro, realizava viagem de inspeção às colonizações do Sul do Brasil. Assim, pode-se afirmar, com convicção, que a fundação de Imbituba ocorreu no ano de 1715.

Cabe destacar que os colonizadores que iniciaram o povoamento em 1715 vieram de São Vicente e faziam parte da expedição vicentista que se deslocava, na época, para o Sul do Brasil.

Ao retornar ao Rio de Janeiro, o Capitão Manoel Gonçalves de Aguiar, em seu relatório de viagem ao Governador, citou o desenvolvimento que alcançava a colonização em Imbituba e recomendou a construção de uma armação destinada à pesca da baleia franca.

Colonização açoriana[editar | editar código-fonte]

De 1715 a 1720, a colonização Imbitubense pouco prosperou, com apenas algumas famílias vicentistas, deixadas pela expedição do Capitão Manoel Gonçalves de Aguiar, procurando desmatar a região e construindo algumas cabanas. Viveram cinco anos de grandes sacrifícios, pois a pesca e a agricultura, em pequena escala, mal davam para o sustento das famílias. Não lograram êxito, portanto.

Em 1720 chegou a Vila Nova uma expedição de imigrantes portugueses, composta de casais procedentes do Arquipélago dos Açores e da Ilha da Madeira. Eram, na maioria, casais novos, sem filhos. Homens afeitos ao trabalho, deflagraram, imediatamente, uma verdadeira luta pela colonização. Escolheram, logo, os locais adequados para a construção de suas cabanas, todas reunidas. Enquanto alguns preparavam a terra para o plantio, outros se dedicavam à pesca. Possuiam alguma cultura e muita prática nas atividades agrícolas. Iniciaram o desmatamento em Imbituba, Vila Nova e Mirim. Em Vila Nova se estabeleceu a maioria dos açorianos. Daí a razão dos historiadores afirmarem que Vila Nova foi fundada antes de Imbituba. Convém observar que Imbituba e Mirim, na época, se chamavam "Vila Nova".

A colonização de Mirim desenvolveu-se paralelamente à de Vila Nova, sentindo os mesmos efeitos da chegada dos vicentistas oriundos de Laguna e dos açorianos e madeirenses. Destaque-se, apenas, o maior desenvolvimento de Mirim no ramo pesqueiro, dadas as excelentes condições piscosas da Lagoa do Mirim.

Em 1747 os lusitanos açorianos erigiram uma capela em Vila Nova, sendo colocada em seu altar principal a imagem de Santa Ana, que haviam trazido na expedição.

Com a povoação em franco progresso, o Governador do Estado, Manoel Escudeiro Ferreira de Souza, solicitou à Capitania de São Paulo que providenciasse nova remessa de açorianos, pois a colonização alcançava bom índice de desenvolvimento. Atendendo a solicitação, o Governador da Capitania de São Paulo sugeriu ao Rei Dom João V a vinda de novos imigrantes açorianos e madeirenses. O Rei, aceitando a sugestão, autorizou a vinda de novas famílias lusitanas para povoar o sul do Brasil, especialmente a região litorânea.

Aqui chegando, os novos imigrantes juntaram-se aos patrícios pioneiros e espalharam-se entre Imbituba, Vila Nova e Mirim. Novas casas foram construídas e desenvolveram, consideravelmente, a agricultura e a pesca.

Em 1796 a instalação da "Armação" (estação baleeira) mais austral do Brasil marca uma nova fase econômica para a região e o final do ciclo das Armações, responsável pela quase extinção das baleias francas (Eubalaena australis) no Brasil, que aqui vem no inverno para se reproduzir.

Síntese histórica[editar | editar código-fonte]

Imbituba foi povoada em 1715 pelos açorianos.

A Armação para a pesca da baleia foi fundada em 1796 e extinta em 1829. Imbituba passou a chamar-se "Armação de Imbituba".

O primeiro trapiche do Porto de Imbituba foi construído em 1870, sendo que em 1912 chegou a Imbituba Henrique Lage.

O Município foi criado pela Lei nº 1451, de 30 de agosto de 1923, e instalado em 1 de janeiro de 1924. O primiro prefeito de Imbituba foi o engenheiro Álvaro Monteiro de Barros Catão, tendo Úgero Pittigliani como vice-prefeito.

Em 6 de outubro de 1930, pelo Decreto nº 1 do Governador Provisório do Sul do Estado, coronel Fontoura Borges do Amaral, Imbituba teve suprimida sua autonomia como município.

Em outubro de 1949 a Assembleia Legislativa do Estado mudou o nome "Imbituba" para "Henrique Lage", sendo que em 6 de outubro de 1959, através de Projeto de Lei de autoria do então Deputado Rui Hülse, que transformou-se na Lei nº 446/59, "Henrique Lage" passou a denominar-se novamente "Imbituba".

Em 21 de junho de 1958, pela Lei Estadual nº 348/58, ocorreu a segunda emancipação de Imbituba, então denominada Henrique Lage. O município foi instalado em 5 de agosto de 1958, tendo como Prefeito Provisório o sr. Walter Amadei Silva.

Recentemente está sendo desenvolvido o trabalho de revitalização do importante Porto de Imbituba, pela empresa Royal, que adquiriu dos antigos controladores o controle da Companhia Docas de Imbituba S/A, responsável pela concessão. Um forte trabalho vem sendo desenvolvido, incluindo a participação de empresas como Libra Terminais e Votorantim, sendo que em conjunto ocorre a revitalização da antiga ferrovia Thereza Cristina, que interliga o porto pela via ferroviária.

Imbituba hoje é a cidade que mais cresce no sul do estado, com um futuro promissor nas areas industriais, portuárias, e turisticas.

A Capital Nacional da Baleia Franca[editar | editar código-fonte]

Graças aos esforços do Projeto Baleia Franca (vide link externo abaixo), um dos mais importantes projetos brasileiros de conservação marinha, o município de Imbituba é reconhecido como a capital brasileira das baleias. As baleias francas têm aqui sua mais importante área de reprodução em águas brasileiras, o que foi constatado nos quase 25 anos de pesquisas contínuas do Projeto, que promoveu o início do turismo de observação de baleias como alternativa econômica para a região no inverno. Também graças ao Projeto, Imbituba sedia a Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca, uma Unidade de Conservação Federal com cerca de 156.000 hectares destinada a proteger a espécie e os ambientes costeiros, criada em 2000 a partir de proposta do Projeto.

São mantidos pelo Projeto Baleia Franca duas estruturas de visitação pública para receber o turista que vem à região no inverno para ver as baleias: o Museu da Baleia de Imbituba, localizado na praia do Porto e único no gênero na América do Sul, sediado numa reconstrução histórica da última estação baleeira do sul do Brasil; e o Centro Nacional de Conservação da Baleia Franca, localizado na praia de Itapirubá, a 11 km do centro urbano.

Imbituba tem condições ideais para a observação das baleias a partir de terra, já que entre julho e novembro é possível vê-las a até 30 metros das praias e costões rochosos. As muitas trilhas costeiras prestam-se ao desenvolvimento do ecoturismo. É preciso, entretanto, que sejam tomadas medidas urgentes para frear a depredação criminosa do patrimônio natural do município, que ocorre principalmente pela urbanização irregular e descontrolada.

Distritos e Bairros[editar | editar código-fonte]

Imbituba é divida em três distritos: Sede (Imbituba), Vila Nova e Mirim.

O distrito da Sede é composto pelos bairros: Centro, Paes Leme, Ribanceira, Village, Vila Alvorada (Praia da Aguada), Vila Nova Alvorada (Divinéia), Vila Esperança e Barra da Ibiraquera.

O distrito da Vila Nova é composto pelos bairros: Vila Nova, Vila Santo Antônio, Porto da Vila, Sagrada Família, São Tomás, Campo D'Aviação, Guaíuba, Roça Grande, Boa Vista e Itapirubá.

O distrito de Mirim é composto pelos bairros: Mirim, Morro do Mirim, Nova Brasília, Campestre, Sambaqui, Arroio do Rosa, Alto Arroio, Arroio, Ibiraquera, Praia do Rosa, PDR Araçatuba, Penha, Lauzane e Campo D'Una.

Dentre os bairros citados acima, o bairro Paes Leme tem uma importante história, pois foi lá no Hospital São Camilo que aconteceu o primeiro milagre de Santa Paulina, e nesse mesmo bairro, na antiga pedreira, está localizada a Gruta em homenagem à Santa, conhecido ponto turístico da cidade.

Esportes[editar | editar código-fonte]

Imbituba tem ganhado notoriedade no cenário esportivo internacional após sua escolha como sede da etapa brasileira do Circuito Mundial de Surfe, o WCT que ocorre no município desde 2003, após a competição ser transferida de Saquarema, RJ para Florianópolis, capital do estado, com palco alternativo no município catarinense.

Como Florianópolis não apresentou ondas condizentes com o torneio naquele ano e a etapa acabou sendo realizada em Imbituba, nos anos seguintes Imbituba virou a sede oficial da etapa brasileira do WCT.

A cidade também sedia etapas do campeonato brasileiro de Windsurf e do de Kitesurf que são realizadas na Lagoa de Ibiraquera, considerada um dos melhores locais para a prática do esporte no país.

Imbituba também é sede do Imbituba Futebol Clube, equipe de futebol profissional, que atualmente encontra-se na segunda divisão do futebol catarinense, mas nos anos 2010 e 2011 disputou a elite do certame estadual.

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Visitado em 5 dez. 2010.
  3. Censo Populacional 2010 Censo Populacional 2010 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Visitado em 11 de dezembro de 2010.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil Atlas do Desenvolvimento Humano Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2010). Visitado em 15 de fevereiro de 2014.
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Visitado em 11 dez. 2010.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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