Erva-mate

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Ilex paraguariensis no Jardim Botânico dos Estados Unidos, em Washington, D.C., nos Estados Unidos

Ilex paraguariensis no Jardim Botânico dos Estados Unidos, em Washington, D.C., nos Estados Unidos
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Aquifoliales
Família: Aquifoliaceae
Género: Ilex
Espécie: I. paraguariensis
Nome binomial
Ilex paraguariensis
A. St. Hil.
Sinónimos
  • Ilex curitibensis Miers.
  • Ilex domestica Reiss.
  • Ilex mate St. Hill.
  • Ilex sorbilis Reiss.
  • Ilex vestita Reiss.
  • Ilex Mattogrossensis.
  • Ilex Theaezans Bonpl.

A erva-mate (Ilex paraguariensis), também chamada mate ou congonha,[1] é uma árvore da família das aquifoliáceas, originária da região subtropical da América do Sul. É consumida como chá (quente ou gelado), chimarrão ou tereré no Brasil, no Paraguai,[2] na Argentina, no Uruguai, na Bolívia e no Chile.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

"Mate" deriva do termo quéchua mati, que designa o recipiente onde é bebido o chimarrão.[3] "Congonha" deriva do tupi kõ'gõi, que significa "o que mantém o ser".[4]

Descrição[editar | editar código-fonte]

Pode atingir doze metros de altura. Tem caule cinza, folhas ovais e fruto pequeno e verde ou vermelho-arroxeado. As plantas só se reproduziam por meio de pássaros da região, que ingeriam o pequeno fruto e defecavam sua semente já escarificada. A plântula é muito sensível ao sol, tanto que, mesmo no plantio moderno, a técnica exige sombreamento até que a planta atinja alguma maturidade.

Cultivo[editar | editar código-fonte]

Atualmente, existem viveiros que produzem mudas de variedades selecionadas, cujo plantio é feito com técnicas especiais em grandes hortos. Para facilitar a colheita anual dos ramos, a árvore é severamente podada para manter-se a não mais de três metros de altura. Dessa forma, evitam-se plantas altas que dificultem a colheita das folhas jovens, consideradas nobres na infusão do chá mate. Outra prática bastante popular no planalto curitibano, habitat original da erva-mate, é conciliar o plantio da araucária com o da erva-mate. Técnicas como essa são comuns para um controle ambiental mais rígido e para evitar o desgaste do solo.

Flores e frutos de erva-mate no Jardim Botânico de San Diego, em Encinitas, na Califórnia, nos Estados Unidos

História[editar | editar código-fonte]

Descoberta e disseminação[editar | editar código-fonte]

Os guaranis da região nordeste da Argentina parecem ter sido os descobridores do uso da erva-mate. No século 16, os guaranis passaram este conhecimento aos colonizadores espanhóis, que o disseminaram por todo o Vice-Reino do Rio da Prata. Chegou a ser proibida no sul do Brasil durante o século XVI, sendo considerada "erva do diabo" pelos padres jesuítas das reduções do Guayrá. A partir do século XVII, os mesmos passaram a incentivar seu uso com o objetivo de afastar as pessoas das bebidas alcoólicas.[5]

Por volta de 1690, Anton Sepp, jesuíta austríaco, ao encontrar índios na Banda dos Charruas conta: "(...) um deles pediu apenas um pouquinho de uma erva paraguaia que não é outra coisa senão as folhas secas de determinada árvore, moídas em pó. Esse pó os índios deitam na água e dele bebem (...)"[6] Sabe-se assim que para além da utilização da erva-mate em folha também existe a sua utilização em pó (resultado da moagem da folha).

Pés de erva-mate no Jardim Botânico de Buenos Aires, na Argentina

Ciclo da erva-mate no Brasil[editar | editar código-fonte]

No século XIX, o Paraguai se isolou dos outros países, proibindo a exportação de erva-mate para fora do país. Isto fez a Argentina e o Uruguai substituírem a erva-mate importada paraguaia pela brasileira, desenvolvendo, desta forma, o cultivo da planta no Paraná[7] e em Santa Catarina.

Propriedades[editar | editar código-fonte]

Estudos detectaram a presença de muitas vitaminas, como as do complexo B, a vitamina C e a vitamina D e sais minerais, como cálcio, manganês e potássio.[carece de fontes?] Combate os radicais livres. Auxilia na digestão e produz efeitos antirreumático, diurético, estimulante e laxante. Não é indicado para pessoas que sofrem de insônia e nervosismo, pois é estimulante natural. Contém saponina, que é um dos componentes da testosterona, razão pela qual melhora a libido. Pode ser usada verde ou tostada, no preparo de chás e chimarrão. Misturada com extrato de maracujá, pode ser usada como bebida quente ou gelada.

Existe uma errônea afirmação de que a erva-mate possui um efeito negativo no desempenho sexual masculino: todavia, na verdade a Ilex paraguariensis possui um forte poder afrodisíaco, sendo ingerido para combater a infertilidade e a impotência.[8] Misturada com suco de limão natural e bem gelado, torna-se uma bebida muito refrescante para os dias quentes e também nos dias frios. Nos dias frios ou quentes, pode ser apreciada em um chimarrão.

"Sapeco (queima) da erva-mate": pintura do século XIX de Alfredo Andersen

Análises e estudos sobre a erva-mate têm revelado uma composição que identifica diversas propriedades benéficas ao ser humano, pois estão contidos nas folhas da erva-mate alcaloides (cafeína, teofilina, teobromina etc.), ácidos fólicos e cafeico (taninos), vitaminas (A, B1, B2, C, e E), sais minerais (alumínio[9] [10] [11] , ferro, fósforo, cálcio, magnésio, manganês e potássio), proteínas (aminoácidos essenciais), glicídeos (frutose, glucose, sacarose etc.), lipídios (óleos essenciais e substâncias ceráceas), além de celulose, dextrina, sacarina e gomas.

O consumo da erva-mate está relacionado também ao poder que ela tem de estimular a atividade física e mental, atuando beneficamente sobre os nervos e músculos, combatendo a fadiga, proporcionando a sensação de saciedade, sem provocar efeitos colaterais como insônia e irritabilidade (apenas pessoas sensíveis aos estimulantes contidos na erva-mate podem sofrer algum efeito colateral). A erva também atua sobre a circulação, acelerando o ritmo cardíaco e harmonizando o funcionamento bulbo medular. Age sobre o tubo digestivo, facilitando a digestão sendo diurética e laxativa. É considerada ainda um ótimo remédio para a pele e reguladora das funções cardíacas e respiratórias, além de exercer importante papel na regeneração celular.

Características[editar | editar código-fonte]

Sacos e barricas, antigos recipientes para o transporte da erva-mate.
  • É um moderado diurético
  • Estimulante das atividades físicas e mentais
  • Auxiliar na regeneração celular
  • Contém vitaminas - A, B1, B2, C e E
  • É rica em sais minerais como cálcio, ferro, fósforo, potássio, manganês
  • É vasodilatador, atua sobre a circulação acelerando o ritmo cardíaco
  • Auxiliar no combate ao colesterol ruim (LDL), graças a sua ação antioxidante
  • Por ser estimulante, possui poderes afrodisíacos, graças à vitamina E presente na erva-mate
  • É rica em flavonoides (antioxidantes vegetais) que protegem as células e previnem o envelhecimento precoce, tendo um efeito mais duradouro pela forma especial como se toma o mate
  • Previne a osteoporose, fortalecendo a estrutura óssea graças ao Cálcio e as vitaminas contidas na erva-mate
  • Contribui na estabilidade dos sintomas da gota (excesso de ácido úrico no organismo)
  • É rico em fibras que contribuem para o bom funcionamento do intestino
  • Auxiliar em dietas de emagrecimento
  • Atua beneficamente sobre os nervos e músculos
  • Regulador das funções cardíacas e respiratórias

Tipos de Ervas[editar | editar código-fonte]

  • Erva-mate tradicional: apropriada para tereré e chimarrão.
  • Erva-mate crioula: erva grossa com sabor suave.
  • Erva-mate nos sabores menta e abacaxi: muito usadas no verão por serem refrescantes.
  • Erva-mate orgânica: é a melhor para a saúde.
  • Pura folha ou tipo argentina: é utilizada apenas a folha.[12]
  • Barbaquá ou tipo missioneira: é utilizada a folha e também o caule.[13]
Yerba Mate.jpg

Lenda da Erva-mate[editar | editar código-fonte]

Uma tribo indígena nômade se deteve nas ladeiras das serras onde nasce o Rio Tabay. Quando retomou seu caminho, um dos membros da tribo, um índio velho e cansado pelos anos, ficou refugiado na selva, na companhia de sua filha Yaríi, que era muito bonita. Um dia, chegou, ao esconderijo do velho, um homem que possuía uma pele de cor estranha e que se vestia com roupas esquisitas, a quem receberam com generosidade.

O velho ofereceu ao visitante uma carne assada de acuti, um roedor da região e um prato de tambu, que é preparado com uma larva de carne branca e abundante que os Guaranis criam nos troncos de pindó.

Conta a lenda que o visitante era um enviado do deus do bem, que quis recompensar tanta generosidade proporcionando-lhes algo que pudessem oferecer sempre aos seus visitantes e que poderia encurtar as horas de solidão às margens dos riachos onde descansavam. Para eles, fez brotar uma nova planta no meio da selva, que chamou de Yaríi, deusa que a protegia, e confiou seus cuidados a seu pai, Cáa Yaráa, ensinando-lhe a secar seus ramos ao fogo e a preparar uma iguaria que poderiam oferecer a todos os que os visitassem. Desde então, a nova planta cresce, oferecendo folhas e galhos para preparar o mate.[14]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.680
  2. Cocina Rica Bebidas de la Gastronomía Paraguaya
  3. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.1 102
  4. FERREIRA, A. B. H. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. Segunda edição. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. p.453
  5. Schmidt, Maria Auxiliadora in: Histórias do Cotidiano Paranaense 2º Ed. - Letraviva Editora, pag 48
  6. Muñoz Braz, Evaldo. Manifesto Gaúcho. Porto Alegre: Martins Livreiro, 2000. p. 19.
  7. A planta que fez um estado prosperar Gazeta do Povo
  8. GIL, Felipe. No rastro de Afrodite: plantas afrodisíacas e culinária. São Paulo: Ateliê Editorial, 2004. ISBN 85-7480-232-8.
  9. Benefícios do ChimarrãoChimarrão.com
  10. Dietas : Chimarrão emagrece Ximango.com.br
  11. Benefícios do consumo da erva mate Ehow.com.br
  12. Fagundes, Glênio. Cevando Mate. Porto Alegre: Habitasul, 1980. p. 23.
  13. Fagundes, Glênio. Cevando Mate. Porto Alegre: Habitasul, 1980. p. 23.
  14. A Lenda da Erva-Mate Erva-Mate.com

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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