Tereré

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Uma cuia contendo tereré

Tereré é uma bebida típica sul-americana feita com a infusão da erva-mate (Ilex paraguariensis) em água fria.[1] De origem guarani, pode ser consumido com limão, hortelã, entre outros.

Origem[editar | editar código-fonte]

Existem várias hipóteses que procuram explicar a origem do tereré:

  • seria anterior à invasão europeia promovida por espanhóis e portugueses no território que hoje compreende Mato Grosso do Sul, Paraguai e Argentina. Teria sido inventado pelos povos guaranis (tanto guaranis nhandevas como guaranis caiouás) e por etnias chaquenhas. Segundo esta hipótese, o tereré viria sendo consumido pelos índios guaranis desde tempos anteriores à invasão europeia da América, e, por volta do século XVII, os jesuítas teriam aprendido, com eles, as virtudes do mate (ka'a em guarani). Os jesuítas elogiaram os efeitos da erva, que dava força e vigor e matava a sede mais do que a água pura. A infusão é riquíssima em cafeína, daí o seu poder revigorante. Segundo alguns, os índios guaranis, além de tomar mate (ou tereré) usando, como bombilho (canudo para chupar a infusão), ossos de pássaros e finas taquaras (pois ainda não existiam as bombas de metal), também fumavam a folha bruta da erva-mate e usavam-na como rapé.
  • teria sido inventado durante a Guerra do Chaco (1932-1935), quando as tropas teriam começado a beber a infusão fria, e não mais quente, de erva-mate, para não acender fogos que denunciariam sua posição, isso possivelmente na região de Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul, que, na época, pertencia ao Paraguai.
  • teria sido inventado por mensú (escravos utilizados na colheita da erva-mate no Paraguai e na Argentina que existiram até meados do século XX). Eles teriam sido surpreendidos por capangas fazendo fogo para tomar mate e seriam, então, brutalmente torturados. Para evitar a tortura, teriam escolhido se alistar em fileiras do exército paraguaio, introduzindo, então, este costume no exército.
  • os indígenas, ao levarem o gado de um lugar para outro em comitivas, usariam a erva para coar a água dos rios que era bebida por eles, de modo a evitar a esquistossomose.

Características (chimarrão x tereré)[editar | editar código-fonte]

Diferentemente do chimarrão, que é feito com água quente, o tereré é consumido com água fria, resultando em uma bebida agradável e refrescante. Em sua produção, a erva mate utilizada no preparo do tereré difere do chimarrão por ter de ficar em repouso por volta de oito meses, em local seco, e de ser triturada grossa depois disso. Devido ao fato das folhas serem cortadas grossas, ao contrário do chimarrão, o tereré não tem tantos problemas com o entupimento. Quando isso ocorre, geralmente é devido a uma grande quantidade de mate em pó, indicando má-qualidade da erva usada.

Guampa e bomba[editar | editar código-fonte]

Recipiente típico da bebida

Tradicionalmente, o recipiente usado para servir o tereré é a guampa, fabricado com parte de um chifre de bovino, com uma das extremidades lacrada com madeira ou couro de boi, e todo o seu exterior revestido por verniz. Usa-se, também, um copo de alumínio ou vidro, ou canecas de louça.

A bomba é utilizada para filtrar a infusão do tereré, para que não se absorva o pó da erva triturada. Estas são feitas normalmente de alumínio, e nunca devem ser feitas de ferro por causa da oxidação, que altera o sabor da infusão. Também é possível se encontrar bombas feitas de ouro, prata, alpaca e aço inox.

Tanto a bomba quanto a guampa podem ter adereços com figuras dos símbolos da família, iniciais de nome ou pedras preciosas.

A erva[editar | editar código-fonte]

Diferentemente do mate quente, no tereré a erva pode ser colocado em um vidro (que tem mais capacidade volumétrica do que o porongo, o recipiente tradicional para mate). No Paraguai, o recipiente para o tereré chama-se guampa e é, geralmente, feito de chifre de boi e por vezes adornado com prata ou outro metal. Faz-se também "mates" (recipientes para tomar mate) de palosanto (Bulnesia sarmientoii). No Paraguai, são fabricadas guampas inteiramente feito de prata e ouro com alguns embutidos artesanais, mas agora muitas pessoas optam por comprar guampas de madeira ou de couro, totalmente revestidas de alumínio, com estilos modernos e cores personalizadas com logotipos, imagens e textos. Há também guampas de plástico.

A palavra "guampa", apesar de ser em grafia espanhola e de ser utilizada em uma área em que a influência predominante é guarani, é de origem quéchua e significa precisamente "chifre". O chifre bovino é frequentemente utilizado como recipiente em todo o Cone Sul. Por exemplo: chifle (uma espécie de cantina ou caramañola) é feita de guampa de boi. Para beber o tereré, usa-se um bulbo de metal, por vezes de prata, que é inserido dentro do recipiente cheio de erva.

Preparo[editar | editar código-fonte]

Por as folhas da erva-mate serem cortadas grossas, ao contrário do chimarrão, o tereré não tem tantos problemas com o entupimento. Quando isso ocorre, geralmente é devido a uma grande quantidade de mate em pó, indicando má-qualidade da erva usada.

Quanto ao líquido a ser usado para a infusão, o mais popular no Paraguai e também no Brasil é água gelada e, opcionalmente, gotas de limão, ou até mesmo suco de frutas. No Paraguai, costuma-se adicionar ervas e plantas medicinais à água. Outras combinações também são possíveis, porém não indicadas pelos consumidores mais tradicionais.

Modo de Preparo:

  1. Coloca-se a erva-mate na guampa, aproximadamente 2/3;
  2. Bate-se a erva-mate, virando a guampa em sentido diagonal, vedando a boca da guampa com a mão, de maneira a fazer com que a erva-mate ocupe toda a lateral da guampa e não caia;
  3. Coloca-se a bomba na guampa;
  4. Coloca-se a guampa de pé e acresce o líquido.

Cultura e costumes[editar | editar código-fonte]

A bebida tereré, assim como todos os aspectos a ela relacionados, é uma tradição praticamente inerente ao Paraguai, mas há variações regionais sobre a sua preparação e formas de consumo. Normalmente, é consumida em rodas de amigos ao final da tarde e todos compartilham da mesma guampa. Utilizam-se, muito frequentemente, as expressões "téres", "téras", "téra" ou "téro" no lugar de "tereré", num processo natural de apócope por que passam algumas palavras.

Consumo[editar | editar código-fonte]

A palavra é onomatopeica: "tereré" refere-se ao som emitido a partir da última tragada do bulbo. Este som é implicitamente exigido na cerimônia de tereré avisando que foi totalmente consumido o que foi preparado, deixando o recipiente pronto para a próxima pessoa servir. Tal como acontece com o mate (quente), não se consome o tereré até finalizar a sua vez. A palavra "obrigado" define que a guampa seja passada por quem não quiser mais beber.

No Paraguai[editar | editar código-fonte]

A bebida tereré como em todos os seus aspectos é uma tradição praticamente inerente ao Paraguai, mas há variações regionais sobre a sua preparação e formas de consumo.

Por exemplo, o "Tereré russo", que é popular na parte sul do Paraguai, especialmente no departamento de Itapúa, quando os brancos russos chegaram (como o capitão Blinoff por exemplo), que foram expulsos da sua pátria e hospedados no Paraguai e ajudou o Paraguai na Guerra do Chaco. Em vez de água utilizada de suco de laranja e adicionar alguns aditivos para a mesma erva da guampa. O tereré é ideal em tempos de calor, substituindo mate. É muito bom para se manter hidratado e para compartilhar com roda de amigos (um grupo inteiro divide uma única guampa).

Em guarani, o Paraguaios chamam de tereré rupá (literalmente 'cama ou ninho de mate frio "), para uma espécie de aperitivo antes manhã tereré, que tradicionalmente é feito habitualmente em meados da década de manhã (em cerca de dez): Tráfico de alguns snack A água fria não "bater" o estômago.

No Paraguai o tereré tem um sentido tradicional, medicamentos e até mesmo cerimonial. É um símbolo de amizade. O tereré remédios refrescante é ingerida pela manhã, em vez de à tarde, enquanto já engolido sem qualquer adição.

Na Argentina e Uruguai[editar | editar código-fonte]

No Norte-Leste Províncias Argentino (pelo ceracanía com o Paraguai), é muito comum ver pessoas bebendo Tereré. Isto pode ser visto especialmente em Formosa, Chaco, Corrientes, Misiones e, em menor grau no norte da província de Santa Fe. Você também pode ver que ele preparou com gás e uma variedade de sucos (principalmente suco em pó), que é o preferido sabor de limão, tangerina, laranja, grapefruit, e assim por diante.

No Uruguai o tereré é mais consumido no leste do país.

No Brasil[editar | editar código-fonte]

No Brasil, o tereré foi trazido pelos paraguaios, que entraram pelo país através do estado do Mato Grosso do Sul e depois se espalhou para outras partes do mesmo. Por sua proximidade com o Paraguai, os estados do Mato Grosso do Sul, Paraná e Rio Grande do Sul são os maiores apreciadores do mate gelado.

Por conta da migração inter-regional, pode-se observar o hábito em alguns outros estados, notadamente em Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, São Paulo (oeste do estado), Rondônia e também no Acre. E tem um consumo tão antigo, quanto no país de origem, sendo a bebida consumida principalmente nos seguintes estados (os principais são estados fronteiriços):

 Mato Grosso do Sul[editar | editar código-fonte]

O Mato Grosso do Sul foi o primeiro estado do Brasil a conhecer a bebida, sendo levado pelos paraguaios e índios guarani e kaiowá, que passaram a pertencer ao país quando da nova definição da fronteira entre Brasil e Paraguai, anexando imensos ervais nativos. E também todo ciclo brasileiro da erva-mate do tereré teve início na cidade de Ponta Porã, que faz fronteira com Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia, depois expandiu-se para outras cidades e estados. E também há o fato de que Ponta Porã quando descobriu o tereré era ainda território paraguaio.

Em Mato Grosso do Sul, é consumido a todo momento, é uma bebida apreciada por todos, desde crianças até os mais velhos e sempre o mais novo serve o mais velho, só pode parar se agradecer e todos da roda de tereré ouvirem. O estado é até hoje o maior produtor de erva-mate fora da Região Sul.

Uma erva muito conhecida é a erva Kurupi, de origem paraguaia, que tem uma fábrica em Dourados, no sul do estado.

A bebida aproxima muito os jovens, pois é muito comum ver pelas cidades do estado, em tardes de sábados e domingos, rodas de jovens consumindo o tereré, onde se falam diversos assuntos: esporte, politica, televisão, entre outros.

 Paraná[editar | editar código-fonte]

O Paraná é o maior produtor de Erva-Mate do Brasil, visto que a região oeste do estado teve, durante as colonizações espanhóis e portuguesas, fronteiras indefinidas, nessa região - tem-se como exemplo a cidade de Foz do Iguaçu, que teve suas cataratas descobertas por um explorador espanhol.

 Mato Grosso[editar | editar código-fonte]

O Mato Grosso conheceu a bebida principalmente por que detinha o território do atual Mato Grosso do Sul, consumida em todo o território do estado do mato grosso, grande produtor de erva-mate e também por ter sido povoado pelas tribos Guaranis, esse habito é possível se observar em Pontes e Lacerda, Lucas do Rio Verde, Primavera do Leste, Sorriso,Guiratinga,Rondonópolis

 Distrito Federal[editar | editar código-fonte]

Consumido também no Planalto Central , tida como bebido típica do Centro-Oeste.

 Rio Grande do Sul[editar | editar código-fonte]

O tereré no Rio Grande do Sul é muito consumido no norte e noroeste do estado (mais próximo do Paraguai), em Porto Alegre e litoral (mais no Verão em função do calor). O gaúcho típico, porém, não se curva ao mate gelado. "O chimarrão só é bom" - diz o típico gaúcho - "quando traz quentura ao coração da gente". E completa: "Tereré não resolve..." Hoje, este dito abandonou sua zona de origem - a fronteira do Alto Uruguai - e invadiu todo o Rio Grande do Sul, desde campos até o meio das grandes cidades. "Tereré não resolve" (que significa "isto não adianta" ou "Isto é conversa à toa").

Um adendo: na revolução de 1930, um popular do Rio de Janeiro ouviu esse dito da boca de gaudérios acampados no Obelisco (na Capital Federal) e passou adiante, chegando aos ouvidos de um compositor local, e dessa forma fez sucesso, no Carnaval Carioca de 1931, a marchinha "Tereré não resolve"[2] .

 Santa Catarina[editar | editar código-fonte]

É consumido em todo o estado, especialmente na região oeste (por ficar próximo ao Paraguai).

Outros estados[editar | editar código-fonte]
 São Paulo

Mais consumido no interior, principalmente próximo à divisa com Mato Grosso do Sul, nas regiões de Presidente Prudente e Araçatuba, sendo que a partir desta cidade, em direção à capital, o consumo vai diminuindo. A cidade de Andradina é conhecida como "capital paulista do tereré".

 Goiás

Muito consumido no sudoeste do estado.

 Rondônia

O então Território Federal de Rondônia foi desmembrado de Mato Grosso, a qual recebeu muita influência cultural, e uma delas foi justamente o tereré.

 Acre

Não se sabe ao certo como a cultura do tereré chegou a esse estado. Talvez tenha sido trazida pelos nativos de Rondônia ou Mato Grosso.

 Bahia

Muito consumida na região oeste do estado. Por conta da grande migração de sulistas nos anos 90, tal cultura foi amplamente difundida pela região.

 Ceará

Advindo de cearenses que visitaram o Mato Grosso, mais precisamente a região Cariri do Estado, abrangendo cidades como Juazeiro do Norte e Aurora, a cultura do Tereré conta com uma ampla população consuminte.

Pernambuco

Na região do Araripe, Sertão pernambucano (abrange as cidades de Exu, Granito, Moreilândia, Bodocó, Trindade, Ouricuri, Ipubi e Araripina), o consumo do tereré tem sido bastante difundido entre a população. Sobretudo devido ao grande fluxo de caminhoneiros que entrecruzam a região.O Clima seco e árido contribui bastante para a difusão de consumo dessa bebida, sendo o seu consumo uma forma de aliviar o calor.

Saúde[editar | editar código-fonte]

Uma preocupação que vem ocorrendo através do tereré é a possível transmissão do contágio oral, como por exemplo a gripe H1N1. Pois é utilizada a mesma guampa e bomba em uma roda de pessoas, mas a população não tem isso por cuidado, o tereré é uma forma de interação entre pessoas desconhecidas, não devendo ser recusado sua ingestão (um obrigado significa que não se deseja mais).

Canções sobre tereré[editar | editar código-fonte]

O grupo sul-mato-grossense Zíngaro lançou a canção "Roda de Tereré", sucesso regional. E recentemente uma Banda de Campo Grande (Banda Curimba) lançou um novo sucesso "Serve um téras", que faz uma analogia total ao uso do tereré como benéfico para a saúde.

Outro artista, só que agora no Paraguai, também faz alusão à dinâmica do Tereré. O nome do cantor é Sacachispa e o nome da música é: Tereré.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 666.
  2. RS Virtual - Capítulo 23-Dizeres

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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