Guerra do Chaco

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Guerra do Chaco
Disputed Bolivia Paraguay.jpg
O Gran Chaco, teatro de operações da Guerra do Chaco
Data De 15 de junho de 1932 a 12 de junho de 1935
Local Gran Chaco, situado no sudeste da Bolívia e no norte do Paraguai
Desfecho O Paraguai conquista a maior parte do território em litígio
Combatentes
Paraguai  Bolívia
Principais líderes
José Félix Estigarribia Hans Kundt
Forças
Exército Paraguaio, com 150 000 homens Exército Boliviano, com 250 000 homens.
Vítimas
Exército Paraguaio, 30 000 mortos Exército Boliviano, 60 000 mortos

A Guerra do Chaco foi um conflito armado entre a Bolívia e o Paraguai que se estendeu de 1932 a 1935.

Originou-se pela disputa territorial da região do Chaco Boreal, tendo como uma das causas a descoberta de petróleo no sopé dos Andes. Foi a maior guerra na América do Sul do século XX. Deixou um saldo de 60 mil bolivianos e 30 mil paraguaios mortos, tendo resultado na derrota dos bolivianos com a perda e anexação de parte de seu território pelos paraguaios.

Em 12 de junho de 1935, foi aprovada a cessação das hostilidades. Sob pressão dos Estados Unidos.

Antecedentes e causas da guerra[editar | editar código-fonte]

Os antecedentes do conflito residem nas várias disputas entre a Bolívia e o Paraguai pela posse de uma área da região do Chaco que vai até a margem direita do rio Paraguai e que na época do antigo Vice-Reinado do Rio da Prata pertencia à Bolívia. Portanto, após a independência dos dois países da Espanha, a região permaneceu em litígio, muito despovoada e as quatro tentativas de acordos de limites de fronteiras entre 1884 e 1907 foram rejeitadas por ambos os países. Anteriormente, a Bolívia já havia perdido o seu litoral e acesso ao Oceano Pacífico durante um conflito com o Chile, entre 1879 e 1884, conhecido como Guerra do Pacífico, também havia perdido o Acre, rico em seringueiras para produção da borracha, para o Brasil, através do Tratado de Petrópolis em 1903.

A Bolívia desejava ter um acesso ao Oceano Atlântico via rio Paraguai e, para ter pleno acesso àquele rio, necessitava ocupar o Chaco, em território paraguaio.

Tanque boliviano Vickers E
Canhão paraguaio Schneider em Boquerón
Tropas paraguaias em Alihuatá
Recrutas paraguaios

Uma pequena ocupação e exploração do Chaco havia sido promovida na década de 1920 pelo Paraguai, com alguns assentamentos agrícolas iniciados por imigrantes alemães menonitas.

Além disso os paraguaios faziam algumas operações de corte de quebrachos, ricos em tanino, para o curtume de couros, e haviam construído algumas ferrovias de bitola estreita para o interior do Chaco, a fim de transportar as toras de madeira até ao rio Paraguai.

Em 1930, a Bolívia assim como outros países capitalistas, estavam sofrendo com a Grande Depressão que provocou o colapso da economia boliviana e para piorar, o presidente boliviano Hernando Siles Reyes foi derrubado por um golpe de estado quando tentava prolongar seu mandato. Sendo substituído por Carlos Blanco Galindo. Em 1931, o Congresso Nacional elegeu o candidato Daniel Salamanca Urey, um idoso de 62 anos de idade que sofria de terríveis dores abdominais, como novo presidente da Bolívia. A Bolívia reclamava o território do Chaco e pretendia anexá-lo.

Daniel Salamanca


Historía[editar | editar código-fonte]

Com a suposta descoberta de petróleo no sopé da cordilheira dos Andes, na região do Chaco Boreal, eclodiu o conflito entre ambas as nações. A Bolívia e o Paraguai eram as duas nações mais pobres da América do Sul, sendo que para o Paraguai o Chaco lhe proporcionava grandes vantagens com quase 600 000 km², e as reservas petrolíferas já existentes. A Bolívia devido às crises viu a necessidade de invadir o Chaco. Então em 1932, o Exército Boliviano, sem autorização do presidente, entra no Chaco e nas margens do Lago Pitiantuta, tentam guarnecer o local, mas os paraguaios descobrem e retomam o lago, uma expedição boliviana é enviada e expulsa os paraguaios e também conseguem tomar os fortes paraguaios de Corrales, Toledo e Boquerón. Com isso o presidente paraguaio Eusebio Ayala declara guerra à Bolívia.

Eusebio Ayala
Trem transportando tropas paraguaias

O Paraguai tinha 2 vantagens. A primeira era que os paraguaios estavam mais perto do Teatro Capitólio, permitindo as tropas serem transportadas de navio até Puerto Casado e de lá seguirem de trem até perto do QG em Isla Potí. A segunda era que os paraguaios mobilizaram todo o exército diferente dos bolivianos que tinham dificuldades e temia um desperdício mobilizando todos os homens, também havia dificuldades para transportá-los pelo Chaco, com estradas esburacadas, pouca água e temperatura de 40ºC.

Anos antes da guerra, o Marechal alemão Hans Kundt, comandou o Exército Boliviano, tentando sem sucesso modernizar o exército, melhorar a vida dos soldados e adquirir armas modernas e reorganizar a administração. Era Baseado nos princípios alemães, tentou prussianizar o exército boliviano, que entretanto era carente de logística e experiência, os exércitos não tinha comunicação entre si, era difícil promover ataques coordenados.Com a derrubada de Siles Reyes, foi demitido.

O Exército Paraguaio estava em menor número, mas tinha armas modernas e os paraguaios estavam dispostos à lutar até o fim, o Paraguai havia mobilizado, no início, em torno de 15 000 homens, enquanto que os bolivianos mobilizaram, em Agosto, em torno de 10 000 homens. O Marechal paraguaio, José Félix Estigarribia, acreditando que haviam em torno de 1200 bolivianos, preparou um ataque para retomar o forte de Boquerón, o forte contaba com apenas 448 soldados, 350 fuzis, 13 metralhadoras pesadas e 27 leves, além de 2 canhões Krupp, 1 canhão Schneider e 2 canhões anti-aéreos. No dia 8 de setembro, um avião boliviano avistou os paraguaios marchando e avisou os bolivianos, no dia 9, iniciou a Batalha de Boquerón, os bolivianos eram 500, permitindo repelir o ataque paraguaio, somente nesse dia houve 7 tentativas frustradas de recuperar o forte. Depois de vários dias de combates, os bolivianos exaustos, famintos e doentes, abandonam o forte, permitindo os paraguaios de avançarem para norte.

Depois da derrota em Boquerón, Salamanca convida Kundt para retornar ao Comando-Geral do Exército. Kundt aceita e tenta promover ataques baseados nos já antiquados métodos da Primeira Guerra Mundial, mas não era um bom estrategista promovendo fracassadas ofensivas.

Em outubro de 1932, os paraguaios atacam o poderoso Forte Arce conseguindo conquistá-lo. Em 1933, os bolivianos, comandados por Kundt, contra-atacam o Forte Nanawa com 7000 homens, os 1485 paraguaios resistem sob o comando de Estigarribia, por vários meses até que em julho, os bolivianos desistem, o Forte Nanawa desde então ficou conhecido como "Verdun da América do Sul".

Durante o Cerco de Campo Vía, em dezembro de 1933, {{formatnum:10000]] bolivianos tentam desesperadamente contra-atacar os paraguaios, mas estes descobrem os planos depois que intercetam mensagens de rádio e se preparam para o ataque, a Força Aérea Boliviana tenta lançar bombas sobre os inimigos, mas infelizmente acerta os próprios soldados bolivianos, assim, o combate inicia, os {{formatnum:17000]] paraguaios comandados por Estigarribia, resistem e vencem aniquilando quase todo o exército boliviano de uma só vez. Com isso, o Marechal Kundt foi substituído no Comando-Geral pelo General Peñarada. Kundt retorna para a Alemanha falecendo em 1939.

Com a ajuda da Marinha do Paraguai, os paraguaios puderam se deslocar mais rápido do que os bolivianos.

Em 1934, a Bolívia tentava enviar mais reforços, mas devido ao clima e as chuvas que encharcavam as estradas esburacadas dificultando as operações, além das dificuldades econômicas fizeram com que oficias de alta patente liderados pelo General Peñarada, dessem um golpe de estado derrubando Salamanca e assumindo José Luis Tejada como novo presidente.

Em 12 de junho de 1935, ocorre a última batalha, em Ingavi, 3000 bolivianos comandados pelo coronel Bretel combateram 850 paraguaios comandados pelo coronel Rivarola que derrotou definitivamente os bolivianos, então sem forças, a Bolívia se rende, iniciando as negociações de paz. Em 21 de julho de 1938, os dois países aceitaram o acordo de paz realizado em Buenos Aires, o Paraguai ficou com 3/4 do Chaco Boreal e a Bolívia ficou com 1/4, acabando com três anos de guerra, e levando os dois países a novas dificuldades econômicas devido à guerra e à descoberta de que os supostos poços de petróleo não existiam.

Envolvimento estrangeiro[editar | editar código-fonte]

Comércio e embargo de armas[editar | editar código-fonte]

Desde que ambos os países estavam encravados, as importações de armas e outros suprimentos de fora eram limitadas a que países vizinhos considerados convenientes ou apropriado. O exército boliviano foi dependente de fontes de alimentos desde o sudeste da Bolívia, da Argentina através de Yacuiba.[1] o exército tinha grande dificuldade de importação de armas compradas, desde que a Argentina e o Chile foram relutantes em material de guerra ter deixado passar em seus portos. As únicas opções restantes foram o porto de Mollendo Peru e Puerto Suárez na fronteira brasileira.[1] Eventualmente Bolívia alcançou sucesso parcial após Vickers conseguiu convencer o governo britânico para solicitar que a Argentina e Chile aliviar as restrições de importação impostas na Bolívia. Internacionalmente, os países vizinhos do Peru, Chile, Brasil e Argentina tentaram evitar ser acusado de abastecer o conflito e, portanto, limitado a importação de armas para a Bolívia e o Paraguai, embora Argentina suporte Paraguai por trás da fachada de neutralidade. Paraguai recebeu suprimentos militares e inteligência diária da Argentina, que também forneceu o Paraguai com crítico apoio económico e militar durante a guerra.[2]

Conselheiros e voluntários[editar | editar código-fonte]

Um número de voluntários e pessoal contratado de diferentes países participou na guerra pra ambos lados. O pessoal do alto comando de ambos países às vezes era dominado pelos europeus. Na Bolívia, o General Hans Kundt, um alemão primeira guerra mundial Veterano da frente oriental, estava no comando desde o início da guerra até dezembro de 1933, quando ele estava aliviado devido a uma série de reveses militares. Além de Kundt, Bolívia também tinha sido avisada pelos últimos anos da guerra de um Missão militar Checa é composta por veteranos da primeira guerra mundial.[3] Paraguai foi a entrada de dois generais, Ern e Belaieff; o último foi parte da equipe de Gen. Pyotr Wrangel durante a Guerra Civil Russa. Na fase posterior da guerra do Paraguai iria receber treinamento de uma grande escala.[4]

Companhias de petróleo[editar | editar código-fonte]

A origem da guerra é geralmente atribuída a um conflito entre as companhias de petróleo Royal Dutch Shell e Standard Oil usando o Paraguai e Bolívia, respectivamente, como marionetes. Esta visão tem sido mais popular entre os intelectuais da Bolívia e Argentina. Uma visão alternativa, popular entre os intelectuais paraguaios, é que a Standard Oil empurrou a Bolívia para obter um acesso para o mar Rio Paraguai, rejeitando assim a ideia de que o governo paraguaio teria sido sob a influência da Royal Dutch Shell.

O acadêmico Rafael Archondo contesta as alegações de que a guerra teria sido causada por interesses dessas empresas e enfatiza os objectivos da Argentina para importar petróleo do Chaco.

Notas[editar | editar código-fonte]

  1. a b Hughes, Matthew. 2005. A logística e a guerra do Chaco: Bolívia contra o Paraguai, 1932–1935
  2. Abente, Diego. 1988. Constraints and Opportunities: Prospects for Democratization in Paraguay. Journal of Interamerican Studies and World Affairs.
  3. Farcau, p. 184
  4. The Gran Chaco War: Fighting for Mirages in the Foothills of the Andes, article from Chandelle Magazine availeable at The World at War site.


Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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