Paí tavyterã

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Kaiowá-Guaranis
Paĩ-Tavyterã
Xamã caiouá
População total

77 000 pessoas

Regiões com população significativa
Paraguai 8.750[1]
Bolívia 4 000
Mato Grosso do Sul 30 000
Misiones 3 000
Línguas
Dialeto caiouá da língua guarani, guarani paraguaio, castelhano e português
Religiões
Xamanismo embiá e cristianismo
Grupos étnicos relacionados
embiás, nhandevas, ava-xiriguanos, guaraios, izozeños, tapietés

Os paí-tavyterã (autodenominação), guaranis kaiowás ou caiouás (denominações exógenas) são um dos povos guaranis contemporâneos. São conhecidos também como caaguás do norte, kaiowá-guaranis, kaynguás, terenobés, teyís, kaa'wás, païs, paï-cayuäs, painguás e pan no Paraguai ou ainda como cainguás, kaiwás, caiwás, cainwás e caiuás no Brasil e na Argentina.

Outros povos guaranis são os mbyás, os nhandevas, os ava-xiriguanos, os guaraios, os izozeños e os tapietés. Devido à proximidade de seus dialetos, nas classificações linguísticas tais povos são considerados sub-grupos dentro de uma mesma grande etnia, os guaranis.

Identidade[editar | editar código-fonte]

Segundo o antropólogo Bartolomeu Melià, "os pai-tavyterã podem ser identificados com os antigos itatins, dos quais se tem notícia desde os tempos da primeira entrada dos europeus no Paraguai (...) Do tempo em que eram conhecidos como caaguá da selva, ficou a denominação de kaiowá, ainda usada no Brasil. Sua autodenominação, no entanto, é a de paí-tavyterã, com clara alusão ao seu modo de ser religioso: paí seria o título com que os deuses e habitantes do paraíso saúdam e se dirigem a palavra, e tavyterã: os futuros habitantes do povoado do centro da terra" (Melià 1992:247).

Localização[editar | editar código-fonte]

Suas aldeias distribuem-se, hoje, entre a porção do pantanal do Paraguai, norte da Argentina, sul da Bolívia e parte do Mato Grosso do Sul.

Dizem que o primeiro homem a descer dos céus foi Papa-Gui (o rei da natureza, criador da água e de tudo da Terra). Em seguida, desceu dos céus Nhandeara (rei dos Deuses) há mais de dois mil anos. Ele deixou as regras e religiões que são seguidas até hoje, como o uso do tembetá e a reza com mbarakás.

Contexto de conflito[editar | editar código-fonte]

Uma caiouá mostra seu título de eleitor, em Antônio João (Mato Grosso do Sul), em setembro de 2006 Foto: Valter Campanato/ABr

Os kaiowás não tiveram contato significativo com os colonos europeus e seus descendentes até fins de 1800. No século XX, no entanto, com a chegada das frentes de colonização euro-descendentes aos seus territórios, os kaiowás foram expulsos por latifundiários e empresas mineradoras, sem qualquer reação significativa por parte da Fundação Nacional do Índio, que supostamente deveria prezar pelo bem-estar dos povos indígenas no Brasil. Fora de suas terras, os kaiowás são forçados a buscar trabalho, por vezes junto aos mesmos latifundiários que roubaram suas terras, recebendo, geralmente, pagamentos reduzidos, com os quais buscam garantir sua existência.

Em sua tese sobre as crianças Guarani/Kaiowá, a pesquisadora Miriam Lange Noal [2] analisa a questão, e verifica que o antropólogo Darcy Ribeiro [3] (2002, citado por NOAL, 2006, p. 108), há cinquenta anos já constatava que: “[..] era evidente o desespero dos Kaiowá diante do mundo dos brancos que, em número cada vez maior arrodeavam suas aldeias, tomando suas terras de caça, seus rios de pesca e lhes impondo uma presença sempre hostil.”.

Nas últimas décadas, centenas de kaiowás, tanto adultos quanto crianças, perderam suas vidas na defesa de suas terras. Estas são consideras essenciais por eles para a sua sobrevivência.

Para os Guarani/Kaiowá a terra é por eles conhecida como tekoha. Nas palavras do antropólogo Antônio Brand [4] (1997, citado por NOAL, 2006, p. 109): teko = modo de ser, ha = lugar onde. É o lugar onde se dá o modo de ser Guarani/kaiowá. A tekoha é, para eles, sagrada, e o que defendem é o direito de plantar, permanecer, cultivar, colher e viver livres neste local que historicamente lhes pertence. Desse modo, eles não têm com a terra uma relação comercial, monetarizada, mas sim, afetiva, de pertencimento mútuo. Para eles, perder sua terra e as possibilidades de interações que ela proporciona é perder o significado da própria vida.


Em outubro de 2012, em Iguatemi, no Mato Grosso do Sul, comunidades de Pyelito kue-Mbarakay, de origem kaiowá, escreveram um manifesto que ganhou grande repercussão, no qual protestavam contra uma liminar da justiça federal que determinava sua expulsão das margens do rio Hovy, prometendo resistir até a morte.

Referências[editar | editar código-fonte]

  • "Guaraní Indians", by James Schofield Saeger, in Encyclopedia of Latin American History and Culture, Barbara A. Tenenbaum, ed., vol. 3, pp. 112–113. (The article contains numerous additional references).
  • MELIA, Bartolomeu. GRUNBERG, George. GRUNBERG, Friedl. Los Pai-Tavyterã - etnografia guarani del Paraguay contemporáneo. Asunción: Centro de Estudos Antropológicos, 1976.
  • NOAL, Miram Lange. As crianças Guarani/Kaiowá: o mitã reko na Aldeia Pirakuá (MS). Tese de doutorado. Campinas: Universidade estadual de Campinas, 2006.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. http://www.unesco.org/education/wef/countryreports/paraguay/rapport_2_7.html
  2. NOAL, Miriam Lange. As crianças Guarani/Kaiowá: o mitã reko na Aldeia Pirakuá (MS). Tese de doutorado. Campinas: Universidade estadual de Campinas, 2006. [[1]]
  3. RIBEIRO, Darcy. Confissões. 2. ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.
  4. BRAND, Antônio. O impacto da perda da terra sobre a tradição Kaiowá/guarani: os difíceis caminhos da palavra. Tese de doutorado. Porto Alegre: PUC/RS, 1997.